Marsupilami (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas e à Mega Drive, o jogo que cá trago hoje é um interessante misto entre plataformas e puzzle game, com o Marsupilami como protagonista. Marsupilami é um estranho mamífero, muito forte e com uma cauda bem comprida, que teve as suas origens na banda desenhada de Spirou e Fantasio. O meu exemplar foi comprado há uns meses atrás na feira da Vandoma do Porto. Creio que me custou uns 3/4€, estando completo e em óptimo estado.

Jogo completo com caixa e manuais

A história não é nada de complexo. O Marsupilami e um pequeno elefante seu amigo foram levados por caçadores e vendidos a um circo. A certa altura o Marsupilami lá se consegue escapar, liberta o elefante e juntos têm de voltar às selvas da Amazónia (se bem que nunca vi um elefante na Amazónia, mas it’s videogame logic).

Na sua essência, este é um jogo de plataformas onde controlamos o Marsupilami e para além de o fazer saltar e atacar (com a cauda), temos também de encaminhar o elefante em segurança até à saída do nível. Para isso teremos de usar uma série de habilidades com a sua cauda. No topo do ecrã temos um inventário de 4 quadradinhos no topo do ecrã, onde poderemos coleccionar habilidades para o Marsupilami e usá-las para ajudar o elefante. Por exemplo, para ajudar o elefante a subir plataformas, podemos apanhar a  habilidade de usar o rabo do Marsupilami como escadas. Por outro lado, se forem plataformas mais altas, podemos usar o rabo do Marsupilami como guindaste. Ou usar o rabo como martelo para destruir alguns obstáculos! As possibilidades são imensas.

O rabo do Marsupilami é usado para muitas coisas, principalmente para ajudar o elefante a atravessar alguns obstáculos

Por outro lado, o elefante é o ser mais burro de todo o sempre e sem dúvida o que mais frustração causa no jogo. Ele está constantemente a andar da esquerda para a direita, mudando de direcção se bater numa parede, se for atacado por um inimigo ou pela nossa cauda. Conseguimos imobilizá-lo temporariamente ao apanhar uns frutos e deixá-los no chão, fazendo com que ele pare por uns segundos para o comer. Pouco depois começa a andar novamente. Tendo em conta que por vezes temos de enfiar o elefante em plataformas elevatórias, mantê-lo sossegado até o elevador chegar e durante a viagem para não cair, temos de estar constantemente a atacar o elefante com a nossa cauda, fazendo-o mudar de direcção rapidamente, acabando por não sair muito longe. O jogo só teria a ganhar se pudessemos ordenar o elefante para parar quieto num sítio, assim sendo torna-se um pouco frustrante. Até porque temos um tempo limite para terminar cada nível, embora existam alguns powerups que nos extendam o tempo, pode não ser suficiente. Também temos powerups que nos regeneram a barra de energia.

O elefante anda sempre sozinho até encontrar uma parede ou inimigo, aí muda de direcção

Graficamente é um jogo muito colorido, com níveis bem detalhados e músicas agradáveis. Os níveis vão sendo variados, atravessando diferentes paisagens urbanas como um circo, os arredores de uma cidade e várias outras paisagens mais naturais como florestas, as montanhas dos Alpes, ou selvas da américa do sul. As personagens possuem um traço muito característico da banda desenhada do Spirou e Fantasio, o que também me agrada bastante.

Graficamente é um jogo competente, com os inimigos a herdarem o look cómico da BD e série de animação

Portanto este é um jogo de plataformas com alguns conceitos bem interessantes de puzzling. No entanto não deixa de ser também um pouco frustrante a parte de encaminhar o elefante, é algo que poderia facilmente ter sido corrigido na altura, o que é pena.

Street Racer (Sega Saturn)

Jogos de corrida como Super Mario Kart foram bastante influentes, apesar desse jogo apenas ter recebido uma sequela vários anos depois, já para a Nintendo 64. Noutras plataformas foram surgindo outros clones, entre os quais este mesmo Street Racer, desenvolvido pela Vivid Image e publicado pela Ubisoft para uma série de plataformas entre as quais a Mega Drive, Super Nintendo, Playstation e claro, esta versão Sega Saturn. O meu exemplar, nomeadamente a caixa e manuais, foram-me oferecidos há muitos anos, por um amigo de infância mas que não encontrava o CD do jogo em lado nenhum. No mês passado um outro particular ofereceu-me o CD do jogo que ele tinha a mais e lá ficou a minha cópia completa.

Jogo com caixa e manuais

No fundo, este é mais um daqueles jogos de corrida cómicos e descontraídos, inspirado em parte por jogos como Mario Kart, na medida em que também teremos de nos desviar de obstáculos e podemos atacar os nossos oponentes seja através de socos ou tabefes, seja usando alguns power ups que podemos ir encontrando pelas pistas, como bombas de dinamite. Mas estes ataques apenas nos deixam ligeiramente atordoados por meros segundos, e tendo em conta que a inteligência artificial é muito peculiar, estes powerups de ataque podem não ser lá muito importantes. Passo a explicar: cada corrida no modo campeonato tem 10 voltas onde concorremos contra outros 7 participantes. Desses 7, há um que vai ser o nosso rival e vai andar mesmo taco-a-taco connosco, se chegarmos em primeiro ele chega em segundo, se chegarmos em segundo certamente que foi esse que chegou em primeiro. Todos os outros participantes apenas estão ali para empatar! Então estes powerups de  ataque são uma pequena ajuda mas não são determinantes para vencer corridas, ao contrário de jogos como o Mario Kart. Por outro lado também vamos adquirindo turbos e esses sim, se usados de forma inteligente servem para fazer a diferença. Ah, e os karts aqui saltam, algo que também dá jeito usar nas curvas mais apertadas.

O jogo possui uma mistura entre gráficos 2D e 3D

De resto temos várias personagens por onde escolher, cada qual com as suas vantagens ou desvantagem. Cada personagem possui pelo menos 3 circuitos diferentes, pelo que ao longo do modo campeonato vamos poder correr numa série de pistas. As pistas por outro lado não são lá muito compridas, daí também termos de correr 10 voltas de cada vez. Para além do modo campeonato podemos correr em multiplayer para até 8 jogadores com recurso ao multitap, mas sinceramente não cheguei a experimentar, nem sei como é que seria possível 8 jogadores em split screen. Temos ainda um modo arena onde é basicamente um deathmatch sobre rodas, mas a sua implementação não ficou nada de especial.

Podemos escolher vários ângulos de câmara, entre os quais um que se assemelha aos micromachines

A nível técnico, este é um jogo que mistura o 2D com o 3D. Os carros, personagens e pickups são todos sprites 2D, bem como alguns objectos no ecrã como palmeiras e outras plantas. Por outro lado as pistas já possuem vários cenários poligonais e este é dos poucos exemplos onde a versão Saturn apresenta um 3D mais detalhado do que a sua rival na Playstation. Muito provavelmente porque terá a versão principal a ser desenvolvida e a versão PS1 apenas um port. Temos aqui também vários ângulos de câmara, incluindo um visto de cima que nos faz lembrar jogos como os Micromachines. As músicas são bastante agradáveis, misturando o rock e electrónica com alguns elementos mais “regionais” mediante a pista que estamos a correr.

Multiplayer para 4 pessoas até entendo, mas para 8 deve ser grande confusão!

Portanto, este jogo até que é bastante agradável de se jogar embora seja um pouco frustrante a inteligência artificial não ser mais balanceada. Se tiverem na dúvida entre a versão Saturn ou PS1, este é daqueles poucos exemplos de jogos 3D (ou quase) em que a versão Saturn leva vantagem. Por outro lado se tiverem a oportunidade de experimentar as versões SNES ou Mega Drive, tentem obter as 2 pois são jogos muito diferentes entre si. Mas isso ficará para um eventual artigo futuro.

Star Wars Arcade (Sega 32X)

Voltando ao infame addon da Mega Drive, a 32X, um dos jogos que eu mais tinha curiosidade em jogar para essa plataforma era nada mais nada menos que este Star Wars Arcade, um jogo lançado originalmente para o sistema Model 1, desenvolvido em conjunto com a Lockheed Martin. Já referi algumas vezes o quão importante foi esse sistema arcade e mais uma vez temos uma conversão para a 32X que o usa como base. O meu exemplar foi comprado no final do ano passado a um particular. Foi comprado num lote que continha este jogo, uma Mega CD II e um Jaguar XJ220 para a Mega CD. Ficou-me tudo por 50€.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Este Star Wars Arcade decorre no universo da trilogia original da saga Star Wars, onde no modo arcade poderemos pilotar uma X-Wing (no modo singleplayer) ou Y-Wing (em multiplayer) ao longo de 3 missões distintas: combater TIE-Fighters numa cintura de asteróides, destruir um Super Star Destroyer e o assalto à Death Star onde a teremos de destruir como no The Last Jedi, ao viajar até ao seu núcleo. A conversão para a 32X incluiu um 32X mode onde temos algumas missões adicionais mas que não são muito diferentes das que existem no modo normal.

Felizmente que este jogo não é apenas uma adaptação directa da versão arcade mas contém algum conteúdo extra

De resto a jogabilidade é simples, permitindo-nos jogar na primeira ou terceira pessoa e dispomos de 2 armas que podemos atacar os alvos inimigos: os raios laser com munições infinitas, e uma espécie de mísseis teleguiados que podemos disparar assim que tivermos um alvo em lockdown. Estes também possuem munição ilimitada, mas que demora algum tempo a recarregar. No caso de jogarmos no modo de 2 jogadores, a nave que pilotamos é sempre a Y-Wing, ficando um jogador encarregue de a pilotar e o outro de disparar. Depois, ao contrário de outros jogos contemporaneous como o Starwing da SNES, aqui temos toda a liberdade de nos movimentarmos em 360º, não estamos restritos a seguir um corridor invisível. Para combater os TIE-Fighters que nos perseguem é também boa ideia fazê-lo no modo de primeira pessoa, pois assim conseguimos ver a sua posição no radar.

Gosto das animações de quando entramos num hyperjump

Depois, como já referi algures acima, infelizmente as missões são algo repetitivas, pois o jogo está dividido em vários segmentos, sendo muitos deles limpar o ecrã de TIE-Fighters, com a missão a progredir posteriormente para outros objectivos, como o de destruir algumas turrets na Death Star e por aí fora. Aquela repetividade de limpar o ecrã de todos os Tie Fighters antes de progredir acaba então por cansar um pouco. Depois todas as missões são passadas no espaço, seria interessante ver alguns combates noutros ambientes como a batalha de Hoth, mas percebe-se que graficamente é mais simples de representar o espaço, afinal é o ecrã todo negro com alguns pontos brilhantes e pouco mais.

Alternar para a primeira pessoa deixa-nos poder usar o radar e assim controlar melhor os TIE Fighters que nos circundam

Passando precisamente para a parte audiovisual, mais uma vez a versão arcade possui gráficos mais limpos (os polígonos estão melhor definidos) e a acção é mais fluída. Ainda assim a conversão para a 32X não ficou má de todo, e o resultado final, a meu ver é tecnicamente muito melhor do que o de Starwing, por exemplo. Nisso a Sega tinha razão! Por outro lado as músicas poderiam ter mais qualidade, o som sai um pouco abafado. Os temas principais da saga continuam aqui presentes, os efeitos sonoros cumprem o seu papel e gosto de ouvir os poucos diálogos que o jogo possui.

Portanto este Star Wars Arcade acaba por ser um shooter interessante, tanto para os fãs de Star Wars, como para quem gostar do género em geral e possui uma 32X. Era dos poucos jogos da plataforma que eu gostaria realmente de ter e não fiquei defraudado.

Street Fighter Alpha (Sega Saturn)

Street Fighter Alpha marcou o início de uma nova saga na mais famosa série de jogos de luta. Conhecida no Japão como Street Fighter Zero, esta subsérie acaba por ser uma prequela do Street Fighter II, incluindo personagens do primeiro Street Fighter, outras do SF II mas com uma aparência mais jovem e outras ainda do Final Fight, como é o caso de Guy e do punk Sodom. Naturalmente que versões para consolas lhe seguiram e esta conversão Saturn não podia faltar, não ficando muito atrás do original. O meu exemplar foi comprado algures no final do ano passado numa feira de velharias, tendo-me custado pouco mais de 8€.

Jogo completo com caixa e manuais. Esta arte ocidental na capa ficou uma miséria!

Tal como referido acima, a série Alpha decorre algures entre os eventos do primeiro Street Fighter e o segundo, onde vários lutadores vão andando à porrada entre si, sendo que cada um possui diferentes objectivos. Sagat quer-se vingar de Ryu, Chun-Li e meio mundo andam atrás de Bison, Adon (discípulo de Sagat) quer derrotar o seu mestre e por aí fora. Personagens secretas como Akuma e Dan (esta última uma estreia na série) marcam aqui também a sua presença.

Este Adon tem muito mais pinta que o do primeiro Street Fighter!

A nível de jogabilidade, o que traz este jogo de novo? O Super Street Fighter II tinha introduzido um sistema de combos que foi mais aprimorado neste jogo. Isto porque temos uma barra de energia que se vai enchendo consoante a nossa performance, podendo encher até 3 níveis, sendo que em cada nível nos desbloqueia a execução de alguns golpes poderosos, os Super Combos. É também possível bloquear golpes em pleno ar, bem como executar contra-ataques poderosos, se executados no timing certo. Para além disso, antes do jogo é nos perguntado o nosso playstyle, se jogamos em normal ou auto. O modo auto bloqueia automaticamente golpes inimigos (a menos que estejamos a meio de um ataque), bem como simplifica bastante a execução dos Super combos, se bem que com a penalização que a barra de energia respectiva nunca passa do nível 1.

Esta conversão Saturn possui o modo de jogo arcade e versus para 2 jogadores, bem como um modo training, que, pela primeira vez na série Street Fighter nos permitia practicar os golpes contra um NPC estático. Escondido no jogo, para além dos lutadores extra que já referi acima, está também o Dramatic Battle mode, que replica a luta épica de Ryu e Ken contra Bison no Street Fighter II Animated Movie.

No Japão esta série chama-se Street Fighter Zero, que a meu ver resulta melhor

No que diz respeito aos audiovisuais, este foi um jogo lançado no sistema CPS II da Capcom, logo as sprites e os cenários estão bem detalhados e animados. No entanto, o design das personagens não me agrada tanto quanto no Street Fighter II clássico. É certo que a ideia é fazer as personagens parecerem mais jovens, mas regra geral o design das personagens parece-me mesmo um pouco mais infantil, o que não me agrada por aí além. A banda sonora é excelente, e aqui temos a hipótese de escolher ouvir os temas tal e qual na arcade, ou versões remixadas pensadas para as versões Saturn e Playstation.

Portanto, este Street Fighter Alpha acaba por ser mais um excelente jogo de luta da Capcom, com uma jogabilidade fluída e frenética e com algumas novidades nas mecânicas de jogo. Infelizmente o design da arte no geral acho que ficou uns furos abaixo da introduzida no Street Fighter II mas não está mau de todo, é meramente uma questão de gosto pessoal.

Virtua Racing Deluxe (Sega 32X)

Continuando pelas rapidinhas, mas desta vez pela 32X, o jogo que cá vos trago hoje é mais uma das conversões do Virtua Racing, o clássico arcade da SEGA que estreou o sistema arcade MODEL 1, desenvolvido em conjunto com a Lockheed Martin. Para os padrões de 1992, era practicamente o estado da arte, pelo que conversões para consolas domésticas seriam muito desafiantes. A Mega Drive foi a primeira consola a receber uma conversão, sendo o único jogo da biblioteca desta consola que usa um chip auxiliar para o cálculo dos gráficos em 3D, o SVP. Com o desenvolvimento da 32X, acharam por bem lançar também uma outra conversão para esse novo add-on, que possui melhores capacidades para gráficos em 3D. O meu exemplar foi comprado algures em Janeiro por 16€.

Jogo completo com caixa, e manuais!

Virtua Racing Deluxe é mais que uma simples adaptação do clássico arcade. Para além dos 3 circuitos originais, esta conversão dá-nos mais 2 pistas para correr, bem como mais 2 tipos de carros diferentes. Se no original apenas conduzimos um carro de Formula 1, aqui temos também um Stock Car (tipo Daytona USA) e um carro protótipo, com design mais futurista. Os modos de jogo também são idênticos com a versão arcade, um versus para 2 jogadores e também um modo time attack onde o objectivo é mesmo fazer o melhor tempo possível. De resto as mecânicas de jogo são mesmo o mais arcade possível, com o objectivo primordial ser sempre o de ter tempo disponível para chegar ao checkpoint seguinte. Terminar a corrida em primeiro? Só quando formos bons!

Embora não pareça, esta versão está bem mais próxima do original!

No que diz respeito aos audiovisuais, esta é uma adaptação mais fiel do original visto que possui mais polígonos e uma maior fluidez nas corridas. Ainda assim, e como seria de esperar, não é tão visualmente impressionante quanto a versão arcade e alguns sacrifícios tiveram de ser feitos, como a detecção de colisões que é inexistente ao embater em objectos pequenos como árvores ou sinais de trânsito. As músicas são bastante agradáveis, o jogo está repleto de pequenas melodias que vão sendo tocadas sempre que passamos um checkpoint, o que é engraçado.

Portanto, apesar da 32X ser um acessório questionável, a verdade é que este Virtua Racing Deluxe cai que nem uma luva no sistema, e se a 32X tivesse sido melhor planeada, talvez a versão de Mega Drive nunca tenha sido necessária!