Super Thunder Blade (Sega Mega Drive)

Super Thunder BladeVamos lá a mais uma rapidinha para a Mega Drive e desta vez o jogo que cá trago hoje é um dos títulos de lançamento da consola, logo ainda bastante primitivo. O Thunder Blade original (que também tem uma conversão para a Master System) era um shooter arcade que impressionava pelos seus feitos técnicos, principalmente pela sobreposição de sprites dos arranha-céus que lhe davam uma óptima sensação de velocidade. E se por um lado era normal que tivessem de fazer sacrifícios numa conversão para a Master System, na Mega Drive alguns desses sacrifícios ainda foram feitos. Mas já lá vamos. A minha cópia foi comprada há uns 2 meses atrás na cash converters de Alfragide por cerca de 5 a 6€.

Super Thunder Blade - Sega Mega Drive
Jogo completo com caixa e manuais. O manual português é o da versão brasileira… provavelmente a Ecofilmes utilizou-os nos primeiros tempos.

Mas na verdade esta nem é bem uma sequela do Thunder Blade original, mas sim uma espécie de remake. Depois sinceramente nem sabemos muito bem qual é o nosso propósito ali, mas isso não nos impede de andar aos tiros a outros helicópteros, tanques e bosses gigantescos. Depois há qualquer coisa neste helicóptero que me faz lembrar a franchise Blue Thunder e como nos anos 80 era muito comum encontrar inspirações de filmes ou séries nos videojogos, certamente esta hipótese não andará muito longe da verdade.

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O sprite scaling neste nível até que nem ficou mau de todo

Então este é um shooter onde controlamos um helicóptero e até agora tudo bem. Mas na jogabilidade é que vamos vendo algumas coisas que o diferenciem, pois ao longo dos níveis vamos jogando em duas perspectivas diferentes, por um lado podemos jogar como se um shmup vertical se tratasse, noutras alguras a perspectiva muda para algo semelhante a um Space Harrier, e é nesta perspectiva que as coisas se acabam por tornar bastante difíceis e irritantes, isto porque por vezes torna-se difícil de ver os projécteis inimigos na nossa direcção no meio da confusão e noutras a detecção de colisões também não parece ser a mais precisa. Depois há um ou outro nível em que quando jogamos nessa perspectiva, para além do fogo inimigo, temos também de nos desviar de uma série de obstáculos, mas felizmente que temos o botão B que nos permite deixar de avançar enquanto o botão estiver pressionado.

Quaisquer semelhanças com o Blue Thunder são mera coincidência... ou não!
Quaisquer semelhanças com o Blue Thunder são mera coincidência… ou não!

Graficamente é um jogo interessante se tivermos em conta que este é um dos primeiríssimos jogos da Mega Drive. É um jogo graficamente impressionante quando comparado com os restantes jogos 8bit de 1988/1989, mas acabou por ser naturalmente ultrapassado. E se por um lado não tem as maravilhas de super scaling de sprites da versão arcade, embora até seja relativamente fluído. Ainda assim tem um ou outro efeito gráfico interessante como as várias camadas de parallax scrolling, bastante notórias logo no primeiro nível ao ver como as nuvens se movem. Já a música infelizmente não é nada variada e acaba por nos saturar rapidamente.

Super Thunder Blade é um jogo interessante, se bem que ultrapassado e ainda um pouco primitivo para a Mega Drive. Os seus piores pontos são mesmo a dificuldade, se calhar a música repetitiva e o facto de ter só 4 níveis. Mas como também não é o jogo mais fácil do mundo, ainda levaremos muito tempo até chegarmos ao final do jogo. É daqueles que acabo por recomendar apenas a fãs da Sega da velha guarda e o seu espírito de jogos arcade de acção.

Indiana Jones and the Last Crusade (Sega Mega Drive)

Indiana JonesComo se calhar terão reparado, o blogue tem estado um pouco inactivo nos últimos tempos, é que eu estive de férias e aproveitei para tirar um pouco de férias da escrita também. Mas já estou de regresso a Portugal e para celebrar tal façanha cá fica mais uma rapidinha. Mais uma vez vou escrever sobre este terceiro filme do Indiana Jones, após ter escrito sobre a versão da Master System que sinceramente nem é assim grande coisa. Este meu exemplar da Mega Drive foi comprado há coisa de um mês atrás na cash converters de Alfragide por cerca de 5/6€.

Indiana Jones and the Last Crusade - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manuais

Bom, esta foi uma daquelas compras por impulso, pois surgiu numa altura em que levei muito jogo da Mega Drive/Master System da cash converters de uma só vez. Acabei por incluir este Indiana Jones no bundle pois tinha a ilusão que a versão Mega Drive seria mais jogável. Bom, e numa coisa realmente a versão Mega Drive é superior: nos audiovisuais. Já a jogabilidade infelizmente continua muito mázinha. Este é na verdade um jogo muito similar a nível de mecânicas de jogo e dos níveis que teremos pela frente com as outras versões, embora a estrutura dos níveis em si me pareça ser algo diferente. Ou seja, é na mesma um jogo de plataformas e Indy pode atacar os seus inimigos com os punhos (mais vale estar quieto pois o alcance é muito curto e perdemos uma vida muito rapidamente), ou com o chicote, se bem que este parece enfraquecer a cada vez que seja utilizado. Depois para além dos saltos continuarem a não serem os melhores e a maneira que o Indy se balanceia de uma plataforma para a outra com o seu chicote parecer também rápida demais, o próprio design dos níveis e da forma como os inimigos estão dispostos também não são os melhores. Vamos ser atingidos por coisas que não vemos até ser tarde demais, a detecção de colisões também não funciona da melhor forma e por aí fora, que é como quem diz: vamos morrer muitas vezes ao tentar passar o jogo.

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O jogo tenta retratar alguns dos momentos do filme. No entanto, neste nível e no anterior o Indiana Jones deveria ser adolescente e não adulto.

Outra das coisas que esta versão tem que a Master System não tem são os bosses no final de cada nível, que por sua vez também dispõem de uma barra de energia e é fácil perceber se falta muito para os derrotar ou não. Mas não respirem de alívio quando os derrotarem pois geralmente há umas armadilhas no fim. E falando em fim, o último nível é mais uma vez passado nas catacumbas em busca do Santo Graal (no final do jogo temos mesmo de escolher o cálice certo) e teremos de ter em conta o famoso puzzle do IEHOVA.

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O último nível não tem qualquer boss, e só quem viu o filme é que sabe o que fazer. Este é de facto um nível mais inteligente!

Tal como referi acima, no que diz respeito aos audiovisuais então sim, este jogo é muito bem detalhado – embora continue a achar estúpido que a sprite do Indiana Jones no primeiro nível seja a dele adulto e não a de adolescente – mas no geral os gráficos são bem competentes. As músicas também vão buscar muitas melodias ao filme mas acho que têm aquele som mais arranhado como a Mega Drive infelizmente ficou bem conhecida, mesmo tendo no seu catálogo jogos com som excelente, como os Streets of Rage, claro está. No fim de contas, e infelizmente digo isto, não acho que este seja propriamente um jogo bom. É possível que esta seja a melhor versão das várias existentes no mercado, mas para mim ainda deixa muito a desejar na jogabilidade.

The Story of Thor (Sega Mega Drive)

The Story of Thor

Bom, este é dos poucos exemplos em que quando nos Estados Unidos mudam o nome de um jogo até acaba por ser uma boa decisão. Isto porque este jogo na Europa e Japão chama-se The Story of Thor, nas américas alguém lhe decidiu chamar Beyond Oasis e eu acho que faz muito mais sentido. Isto porque não vi nenhuma menção a qualquer deus nórdico, quanto mais o Thor e todo o jogo tem uma ambiência árabe… mas picuinhices à parte, sempre adorei este jogo e o meu exemplar foi comprado por cerca de 10€ na Feira da Vandoma no porto há coisa de 2 meses atrás.

Jogo com caixa e manuais. O manual português é de uma outra distribuidora que não a Ecofilmes e não vinha com o jogo que comprei originalmente.

Aqui o nosso herói é o príncipe Ali, que numa das suas explorações descobre uma braçadeira dourada com poderes mágicos. Era a Gold Armlet, outrora pertencente a um poderoso feiticeiro benevolente. Tinha sido criada para combater a Silver Armlet, pertencente a um outro feiticeiro com más intenções – o Agito. E ao que parece esse feiticeiro está de volta, os seus monstros invadiram o país e atacaram também os restantes membros da família real! A nossa missão é simples: para derrotar Agito teremos primeiro de encontrar 4 espíritos para nos auxiliar nessa demanda.

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Visualmente é um jogo muito bonito, bem detalhado e animado!

E é aí que entra uma jogabilidade que pega em conceitos algo mascarados de action RPGs com a exploração, puzzle e combate de jogos como os The Legend of Zelda tradicionais em 2D. Sim, temos um overworld considerável para explorar, com uma aldeia, palácio, várias paisagens repletas de perigos e muitas dungeons pela frente, com os seus puzzles e bosses como seria de esperar. O combate é bastante fluído e é possível executar alguns golpes especiais e combos como se um beat ‘em up se tratasse. Começamos com um pequeno punhal, que apesar de ser relativamente fraco permite-nos desencadear uma série de golpes bem ágeis. Iremos encontrar muitas outras armas ao longo do jogo como espadas, arco-e-flecha ou vários tipos de explosivos. O nosso inventário para as armas (e outros itens) é limitado, mas também a maioria das armas têm um determinado número de utilizações antes de partirem, pelo que devemos sempre ter o cuidado de deixar as melhores para bosses ou outros inimigos mais chatos.

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Efreet é certamente o espírito mais poderoso!

Mas também temos os tais espíritos que nos ajudam assim que os encontremos. Temos Dryad, espírito da água, Efreet do fogo, Shade da sombra e Bow, espírito da terra que é na verdade uma planta gigante. Todos estes possuem vários poderes, muitos deles mesmo necessários ao nosso progresso. Dryad consegue apagar fogos que nos impedem a passagem, curar-nos, Bow pode comer umas portas verdes especiais, Shade protege-nos das quedas em abismos sem fim ou transporta-nos entre pequenos abismos. Mas todos eles têm ataques especiais que nos poderão ser bastante úteis, o Efreet então nem se fala! Mas para não tornar o jogo demasiado fácil, existe uma barrinha de energia que está constantemente a ser consumida enquanto algum dos espíritos esteja activo. Geralmente a mesma pode ser regenerada naturalmente ao andar de um lado para o outro (embora existam alguns locais em que isso não acontece) mas existem alguns itens que nos restauram essa energia, como vários tipos de comida que também nos poderão restaurar a nossa própria vida. A maneira como chamamos esses espíritos também é interessante. Ao pressionar no botão A, soltamos uma bola de energia que se tocar nalguma superfície com água chama Dryad, fogo para Efreet e por aí fora. Até a sombra dos nossos inimigos serve para shamar o Shade, por exemplo. São detalhes muito interessantes!

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Como não poderia deixar de ser, temos também vários bosses para enfrentar

Os elementos de RPG é que estão algo mascarados, pois não são assim tão visíveis. Tanto nós quanto os nossos espíritos podem ficar mais fortes, bastando para isso apanhar uma série de itens especiais. No caso dos espíritos esses itens são cristais coloridos, muitas vezes bem escondidos nas dungeons ou outras áreas e daí que a exploração e backtracking sejam encorajados sempre que encontremos um novo espírito e por conseguinte com novos poderes à disposição. Para fazer “level up” do Ali já é algo mais rebuscado. Para isso temos de estar com a nossa barra de vida quase no mínimo, levar uma pancada de algum inimigo e depois matá-lo, fazendo com que o mesmo deixe cair um coração. Esses corações são os que nos vão deixar mais fortes, mas no fim irá afectar negativamente a nossa pontuação final caso os apanhemos, o que sinceramente a mim isso não me provoca nenhum dilema.

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A menção ao Yuzo Koshiro logo no ecrã título serve bem para mostrar o peso que o nome dele tinha na indústria.

Graficamente é um jogo excelente. Os cenários, inimigos e restantes personagens estão muito coloridos, bem detalhados e os movimentos de Ali são também muito bem animados. Um dos melhores jogos da Mega Drive neste campo, na minha modesta opinião. As músicas, da autoria de Yuzo Koshiro, apresentam um registo muito mais calmo que a música electrónica de Streets of Rage, mas também seria de esperar que fosse algo mais adequado a um jogo de fantasia. São músicas mais calmas, por vezes algo sombrias, mas a qualidade do som em si deixa-me um pouco a desejar tendo em conta que o mestre Koshiro já fez muito melhor.

Story of Thor, ou Beyond Oasis como lhe prefiro chamar, é um excelente jogo da Mega Drive, óptimo para quem gosta de RPGs de acção ou mesmo clones de Zelda, esta é certamente uma das melhores apostas nesse ramo para a Mega Drive. Existe um outro jogo desta série para a Saturn, mas por acaso esse nunca acabei por o jogar. Quem sabe um dia…

Desert Strike (Sega Mega Drive)

Desert StrikeUm dos meus jogos preferidos da Master System, tanto a nível nostálgico pois foi um dos primeiros jogos que entrou na minha colecção, como mesmo pelo jogo em si e pela sua excelente qualidade que não se perdeu na transição de 16 para os 8bit. Mas quer se queira quer não, é a versão Mega Drive aquela que foi realmente a original e apesar de eu ter quase a certeza que não se perdeu nada de relevante a nível de conteúdo na conversão da Master System (corrijam-me se estiver errado), é óbvio que nos audiovisuais a versão Mega Drive ainda leva a melhor.

Desert Strike - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual

É por essa razão que eu decidi a levá-lo quando o encontrei por um preço entre os 5/6€ na Cash de Alfragide. Sobre o jogo em si, recomendo que passem os olhos pelo meu artigo da versão Master System pois é essencialmente o mesmo jogo, mas mais bonito. E um grande clássico da era 16bit.

James Pond II: Codename RoboCod (Sega Mega Drive)

James Pond IIHoje é dia para mais uma super-rapidinha pois como tem sido habitual o tempo não tem sido lá muito meu amigo. Mas também aproveito estes tempos para sempre que possível despachar algo da minha colecção que já não faria questão em escrever um artigo longo logo de início. Isso acontece com jogos que caíam de para-quedas na minha colecção e que não sejam propriamente do meu agrado, ou em caso de conversões ou outras versões de jogos que já tinha analisado anteriormente. É aí nessa categoria que recai este artigo do James Pond 2, cuja versão Master System já tinha sido referida por aqui há uns tempos atrás. Este meu exemplar, apenas cartucho, foi-me oferecido por um amigo meu há uns meses atrás. A caixa e manual veio mais tarde, foram comprados na feira da vandoma há umas semanas por 3€.

James Pond II Robocod - Sega Mega Drive
Jogo com manuais e caixa versão EA Classics

Bom, tal como referi no primeiro parágrafo, este é essencialmente o mesmo jogo que a versão Master System, embora naturalmente com gráficos mais coloridos, sprites maiores e mais detalhadas, assim como os backgrounds, que na versão 8bit são muito mais simples. As músicas têm também mais qualidade, como seria de esperar. De resto é o mesmo jogo de plataformas onde controlamos James Pond, uma criatura que sinceramente nunca entendi muito bem se seria um peixe ou uma foca, mas é um agente secreto, cuja missão consiste em salvar o Pai Natal que foi feito refém na sua própria fábrica de brinquedos. Sendo assim, esperem por ver muitos níveis onde os brinquedos ganham vida para nos atacar, mas também passamos por pastelarias ou uns níveis mais estranhos onde até podemos conduzir uma banheira.

No fim de contas, apesar desta versão Mega Drive acabar por ser o melhor jogo na minha opinião, continuo a preferir a mais modesta versão da Master System, unicamente pela nostalgia que me trás, pois é um dos jogos que mais joguei na minha infância.