World Championship Soccer II (Sega Mega Drive)

World Championship Soccer 2Nos próximos dias devo despachar aqui umas quantas rapidinhas a videojogos desportivos, que habitualmente não são muito do meu interesse. E o primeiro desses felizes contemplados é precisamente este cartucho solto que tenho do World Championship Soccer II da Mega Drive, que foi comprado por pouco mais de 1€ na Feira da Ladra em Lisboa há uns meses atrás. E porquê comprei eu um cartucho solto de um jogo de futebol algo obscuro para a Mega Drive? Porque tem uma história curiosa entre os coleccionadores desta plataforma: existem duas variantes europeias do mesmo: uma com a tradicional capa em tons de azul da Mega Drive, e um relançamento com as capas acastanhadas da série Classics – uma espécie de platinuns que tentaram implementar na altura. O lançamento original é incrivelmente raro, um dos jogos PAL mais raros desta consola. Por outro lado, o relançamento é incrivelmente comum. Mas o cartucho é idêntico em ambos os lançamentos, portanto será que este meu cartucho teria sido da blue box? Nunca saberei… EDIT: entretanto arranjei uma versão com caixa, claro, a Classics.

Jogo com caixa

De qualquer das formas a sua “raridade” especial é apenas uma das suas curiosidades. Sendo este um jogo de futebol com o selo da Sega, porque nós aqui na Europa nunca chegamos a conhecer nenhum World Championship Soccer 1? Na realidade conhecemos sim, apenas com um nome diferente. O primeiro World Championship Soccer teve esse nome apenas em solo americano, já aqui no velho continente era chamado de World Cup Italia 90′! E apesar desta sequela (que tal como o original era baseado no campeonato do Mundo de futebol, faltando-lhe apenas a licença da FIFA) ter o logótipo da Sega e da linha Sega Sports que perdurou até bem depois da Dreamcast ter sido descontinuada, este jogo na realidade não foi desenvolvido pela Sega, mas sim por um estúdio europeu já bem conhecido e com provas dadas do seu valor no que diz respeito a videojogos de futebol: a Sensible Software, responsável por, entre outros, a série Sensible Soccer.

screenshot
A perspectiva lateral faz com que os jogadores apareçam maiores no ecrã

Mas ao contrário do Sensible Soccer (que também possui um lançamento para a Mega Drive) onde a perspectiva de jogo era vista de cima, neste World Championship Soccer 2 a perspectiva muda para uma lateral, onde os jogadores acabam por ficar maiores e por conseguinte, mais detalhados. A jogabilidade… essa continua frenética como sempre. Num momento temos a bola perto da nossa baliza, com um piscar de olho acaba por chegár à área adversária! De resto, este é um jogo onde apenas podemos escolher selecções, e para além de partidas amigáveis que podemos jogar com, contra e sem amigos, temos claro o modo campeonato. Tendo sido este um jogo algo apressado para o mercado de forma a sair algures durante o ano de 1994, onde se defrontou o campeonato mundial nos Estados Unidos, podemos claro jogar com as selecções que aí participaram. Mas para os nostálgicos pode-se também participar noutras edições do campeonato do mundo, nomeadamente o México ’86 e Itália 90′. Existem também outras variantes onde podemos customizar o nosso próprio campeonato do mundo mas sinceramente não cheguei a abordar essas opções.

As várias selecções disponíveis neste jogo
As várias selecções disponíveis neste jogo

No que diz respeito aos audiovisuais, como já referi acima, pelo simples facto de a perspectiva mudar para lateral, acaba por poder apresentar o campo de uma forma muito próxima ao ecrã e por sua vez ter os jogadores em ponto grande, comprando com o Sensible Soccer da Mega  Drive que quase precisamos de uma lupa para ver os jogadores. Passando para as músicas já acabam por me passar ao lado. Concluíndo, este acaba por ser um jogo que infelizmente vai passar ao lado de muita gente, pois o que não falta na Mega Drive são jogos de futebol e muitos destes são bem mais completos do que este.

Teenage Mutant Hero Turtles: Hyperstone Heist (Sega Mega Drive)

Hyperstone HeistApesar da Konami ter escolhido as arcadas e plataformas Nintendo como alvos principais dos seus videojogos das Tartarugas Ninja, o sucesso que a Mega Drive / Genesis teve no ocidente também não poderia ser ignorado e o resultado foi neste Hyperstone Heist, mais um beat’ em up altamente influenciado pelo Turtles in Time da Arcade/SNES, que tinha saído anteriormente, no mesmo ano. Este meu exemplar foi comprado na Feira da Vandoma no Porto há uns meses atrás por 10€, faltando-lhe o manual. Infelizmente, devido à minha falta de tempo, esta será mais uma rapidinha.

TMNT - Sega Mega Drive
Jogo com caixa

As semelhanças com o Turtles in Time começam logo na história, com a estátua da liberdade a desaparecer em directo na TV. Claro que o responsável por tal façanha foi o Shredder e o seu Foot Clan, que encolheu a estátua da Liberdade e a ilha de Manhattan de tal forma que as conseguiu pousar na sua secretária. Isso se deve ao poder da Hyperstone Heist, um artefacto poderosíssimo da Dimensão X. O resto não é nada difícil de adivinhar, lá terão as tartarugas de ir atrás do Shredder e seus amigos para estragar a festa.

screenshot
A história vai buscar algumas semelhanças ao Turtles in Time

A jogabilidade é simples porém excelente, mesmo como esta série de beat ‘em ups baseados na franchise nos habituou. Um botão para atacar, outro para correr e um outro para saltar, mas ainda assim podemos fazer montes de ataques e combos diferentes. Como também é habitual, iremos ver vários itens que podemos apanhar. Uns são pizzas que tanto nos podem restabelecer alguma da nossa vida perdida como despoletar um ataque poderoso capaz de provocar dano a todos os inimigos no ecrã. Já outros podem ser armas que podemos utilizar para encher o Foot clan de porrada. Os níveis vão sendo variados, apesar de muitos deles serem inspirados noutros jogos da série, principalmente o Turtles in Time. Lembram-se daquele segmento em que se andava numa prancha de surf? Também está aqui presente. E apesar deste jogo ter menos níveis que o Turtles in Time, para compensar acabam por ser mais longos.

screenshot
A versão Mega Drive está muito bem conseguida graficamente, mesmo não tendo muitos dos efeitos da versão SNES

Graficamente é um óptimo jogo, embora possua menos “efeitos especiais” que o Turtles in Time. Ainda assim gostei bastante das cores, detalhe das sprites e backgrounds, bem como das animações, tanto das 4 tartarugas com que podemos jogar, como dos bosses que são facilmente reconhecíveis para quem se lembra da série da TV. E para essas pessoas que passaram a sua infância a ver as Tartarugas Ninja, também depressa irão reconhecer a música título do jogo, que fica imediatamente no ouvido e teima em não sair.

Para mim, o Hyperstone Heist até pode ser um pouco redundante para quem tiver acesso ao Turtles in Time ou os anteriores para a NES, mas não deixa de ser um excelente beat ‘em up, mesmo que tenha muita coisa reciclada de outras versões.

Bio-Hazard Battle (Sega Mega Drive)

Bio-Hazard Battle

Para não fugir muito ao artigo anterior, hoje teremos mais uma rapidinha a um shmup. E dentro desse género, o Bio Hazard Battle é um dos exemplos mais competentes na biblioteca da Sega Mega Drive, com toda a sua temática biológica por detrás. Este meu exemplar foi comprado há uns meses atrás na cash converters de Alfragide por cerca de 5 a 6€.

Jogo com caixa e manual

Este jogo coloca-nos a explorar um planeta em ruínas e repleto de enormes criaturas. Parece que a civilização desse mesmo planeta viveu muitos anos em guerras biológicas até que as coisas foram para o torto de vez, tornando o planeta inabitável e cheio de criaturas agressivas. Os sobreviventes decidiram então lançar uma grande estação espacial em órbita e viverem por lá até que as coisas se acalmassem. Pois bem, parece que chegou o momento de voltar alguém à superfície e começar o trabalho de exterminador de pragas.

screenshot
Cada uma destas “naves” tem armas próprias

Inicialmente dispomos de uma de 4 naves biológicas para jogar, cada qual a assemelhar-se a um insecto diferente e também com armas especiais distintas. De resto, o Bio-Hazard Battle segue as mecânicas convencionais dos shmups. Um botão para os ataques normais, outro para os especiais, que são nada mais nada menos que ataques onde devemos deixar o botão pressionado até carregar o ataque completamente para depois o largar. Mas tal como R-Type podemos também apanhar uma nave “satélite”, que vai andando à nossa volta e dispara os seus próprios projécteis em simultâneo com os da nave principal, bem como consegue absorver dano. A maneira como esse satélite anda à nossa volta depende da forma como manejamos a nossa nave. Depois claro, temos os powerups habituais, com outros modos de disparo que poderemos usar.

screenshot
Os nossos inimigos tanto podem ser pequenos insectos ou girinos com caras humanas, como outros mais portentosos

Graficamente é um jogo muito bem competente. O primeiro nível consiste em descer desde o espaço até à superfície, onde transitamos para o nível seguinte e vemos cidades em ruínas, passando depois por florestas, cavernas, debaixo de água e até o local onde aparentemente estes armas biológicas que produziram todas estas criaturas foram concebidas. Os níveis, efeitos especiais, backgrounds e todas as criaturas em jogo pareceram-me bem conseguidas, em especial aquelas maiores que estão bem detalhadas. A música foi também uma surpresa bastante agradável, pois para além de ter um som com bastante qualidade, as próprias melodias são bastante incomuns e sonantes, embora existam também alguns momentos mais tensos, em especial os temas de quando enfrentamos bosses, pois ficaram sinistros quanto baste.

Para mim, Bio-Hazard Battle é um dos shmups mais interessantes da Mega Drive, recomendo vivamente a todos os que apreciam este subgénero de videojogos.

Solitaire Poker (Sega Game Gear)

Solitaire PokerComo estive inactivo no fim de semana, cá vá mais um daqueles artigos super-rápidos só para picar o ponto e dizer que estou vivo. O Solitaire Poker como dá para entender do nome é um jogo de cartas, que tanto combina elementos do Solitário como do Poker. Fácil, não? E este meu exemplar foi oferecido por um colega do trabalho, em conjunto com a sua colecção Game Gear quase toda.

Solitaire Poker - Sega Game Gear
Apenas cartucho

Essencialmente temos duas áreas distintas de jogo. À esquerda vemos filas de cartas como no solitário, à direita temos uma matriz de 5 por 5 cartas que temos de preencher mediante as cartas que nos vão saindo do lado esquerdo. É aí que entram as regras do Poker pois temos de organizar as cartas do lado direito de forma a obter combinações de 5 cartas, como pares, trios, flushs, straights e por aí fora. Essas combinações podem ser contabilizadas horizontalmente, verticalmente e nas diagonais principais e naturalmente quanto mais altas forem as combinações que conseguirmos fazer, mais pontos obtemos. Existem várias pequenas variantes destes jogos para experimentar, tanto em singleplayer como em multiplayer através do cabo próprio para o efeito, mas as regras básicas mantêm-se as mesmas.

screenshot
A área de jogo pode parecer um pouco confusa ao início

A nivel técnico não esperem nada do outro mundo, aliás este é um jogo de cartas, nem tal é suposto. Mas invés a termos uns backgrounds de casino como se calhar seria de esperar, aqui somos presenteados com temas mais tropicais, como praias em background e um ponteiro a ser uma flor vermelha. As músicas até que são agradáveis e apesar de este não ser propriamente um jogo que me fascine, não se pode dizer que seja mau. Até que é bem competente naquilo a que se propõe: oferecer uma experiência aliciante numa portátil de 8bit para quem gosta de jogos de cartas.

Cool Spot (Sega Mega Drive)

Cool SpotMais um breve artigo a um jogo de plataformas para a Mega Drive. Produzido pela Virgin Interactive, Cool Spot é um jogo da mascote da bebida 7UP, pelo menos no mercado americano. Nós aqui tínhamos o Fido Dido e apesar de este ter sido um jogo licenciado pela 7UP, cá pela Europa todas, ou quase todas as menções à marca 7UP foram retiradas, precisamente pela mascote ser outra. O que é pena e sinceramente nem faz assim tanto sentido visto que seria publicidade gratuíta para a marca de qualquer das formas. Mas publicidades à parte, Cool Spot é acima de tudo um óptimo jogo de plataformas e merece ser recomendado por isso mesmo. O meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide por cerca de 5, 6€.

Cool Spot - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual

Antes de começar o jogo vemos o Spot a surfar numa garrafa verde de refrigerantes… sim, na versão americana diz 7UP… e começamos o jogo precisamente com Spot a chegar a uma praia. O nosso objectivo ao longo de todo o jogo é o de resgatar os outros Spots que se encontram aprisionados no final de cada nível. E a jogabilidade é bastante simples, aproximando-se até um pouco da de Earthworm Jim, produzido mais tarde por algumas pessoas que também passaram por esta equipa. Podemos então saltar e subir/descer escadas ou cordas, bem como disparar uns objectos brancos que supostamente são bolhas de gás em várias direcções e é esta a nossa forma principal de combate aos vários inimigos que vamos encontrando.

screenshot
Se estivéssemos a jogar a versão americana, esta garrafa diria 7UP

Depois Cool Spot é um jogo que se mantém fiel às suas dimensões. O Spot é uma mascote pequenina e então tudo nos mundos em que jogamos é grande. Tanto na praia como dentro de casas, todos os objectos são proporcionais. Vamos então saltar em cadeiras de praia gigantes, subir redes de voleibol de praia, atravessar um porto com um navio gigante a abanar-se em background ou até mesmo andar num comboio de brincar dentro de uma casa, com vários brinquedos a nos atacar. E apesar de todos os nossos inimigos ou serem pequenos animais, insectos ou brinquedos, há algo que me surpreendeu pela negativa, não existir qualquer boss. Quem aprisionou todos os outros Spots então? De resto muito anda à volta das pintinhas vermelhas que podemos apanhar em cada nível. Na verdade para libertar cada Spot precisamos de apanhar pelo menos 60 dessas pintinhas vermelhas e temos de ter alguma pressa em fazê-lo pois o relógio está sempre a contar. Se conseguirmos apanhar 85 ou mais, ganhamos um passaporte para um nível de bónus que se passa dentro de uma garrafa de 7-Up e onde termos de apanhar uma certa letra do alfabeto. Cada letra dá um continue e no total formam a palavra VIRGIN. Isto na nossa versão europeia, pois na americana forma a palavra UNCOLA, algo que aparentemente era utilizado como slogan da marca nesse mercado.

Cool Spot 101
Cool Spot 101

No que diz respeito aos audiovisuais este Cool Spot é um jogo muito bem conseguido, como o eram muitos outros jogos de 16bit da Virgin. Os níveis estão bem conseguidos com óptimos gráficos e cenários bem detalhados. As animações continuam excelentes, a começar pela “funky walk” do Cool Spot. Se há algo que a Virgin sempre nos habituou na era das máquinas 16bit foi precisamente as animações fluídas e bem detalhadas. As músicas também são excelentes, começando por algumas de rock clássico que muito me fazem lembrar o Chuck Berry, como para outras melodias mais modernas, mas bastante sonantes.

Os backgrounds são bem detalhados e o jogo como um todo está bem animado
Os backgrounds são bem detalhados e o jogo como um todo está bem animado

Aparentemente houve mais dois jogos do Spot antes deste Cool Spot ter saído, tanto para a NES como para a Gameboy. Por acaso não os conhecia, apenas a sequela Spot Goes To Hollywood, onde a Virgin trocou o simples mas eficiente e divertido platforming 2D, por um jogo de aventura/acção em pseudo-3D de perspectiva isométrica… má decisão da Virgin pois jogos de plataforma com esta perspectiva tendem a ser muito frustrantes. Aparentemente dizem que a versão 32bit desse mesmo jogo (PS1 e Saturn) até que é a melhor, pelo que me deixa algo curioso em a experimentar. Talvez seja assunto para um artigo futuro!