PGA Tour 96 (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, desta vez a mais um jogo desportivo, vamos fechar a série PGA Tour Golf na Mega Drive, com este título final na plataforma. Na verdade o desenvolvimento deste jogo até tem sido algo curioso, pois até à altura, foi o estúdio Polygames quem ficou responsável pela série, mas com este PGA Tour 96 a responsabilidade acabou de passar para a Hitmen Productions e a NulFX que tratou da conversão para a Mega Drive. A parte curiosa é que a Hitmen Productions tinha desenvolvido, em 1994, uma versão do PGA com gráficos em alta qualidade para o PC e no mesmo ano lançaram também o NBA Live 95 para a Mega Drive.  Então, escondido nesse cartucho, temos uma demo jogável muito simples que mostraria como um PGA Tour se tornaria na Mega Drive caso usassem o seu novo motor gráfico que tinha sido usado no PGA para PC, o que acabou mesmo por acontecer no ano seguinte com este PGA Tour 96. O meu exemplar foi comprado a um particular no mês passado, tendo-me custado uns 7€.

Jogo com caixa e manual

Já lá vamos aos gráficos novos, antes disso vamos comentar as novas mecânicas de jogo. Em primeiro lugar, toda a interface foi mais simplificada, tornando-a mais atractiva e funcional. Antes de efectuar cada tacada, temos na mesma de escolher o melhor taco para o efeito (o CPU geralmente já escolhe por nós), direccionar-nos de acordo com o vento e, no momento do disparo, temos na mesma uma barra de energia a 2 tempos, que nos permite escolher a potência da tacada e o seu efeito. A diferença é que a informação está toda no ecrã, mas de uma forma mais simplificada e conveniente. Isso foi um ponto muito positivo! Já no que diz respeito à variedade de circuitos, infelizmente esta versão já não inclui tantos quanto nos seus antecessores directos. No que diz respeito aos modos de jogo, estes continuam com a mesma diversidade. Temos os modo de treino que nos permitem practicar o driving range (tacada inicial) e o putting (quando estamos próximos do buraco), ou mesmo practicar buracos à escolha dos vários circuitos. Temos depois os modos mais a sério, com o Stroke Play que nos permite jogar um circuito inteiro (ou metade), o modo Tournament, mais completo ainda. No multiplayer temos o Match Play e Skins, que possui um sistema de pontuação algo diferente, mas confesso que estes nem cheguei a experimentar.

Até os menus iniciais estão visualmente bem mais apelativos!

Passando então para a parte dos gráficos e som e realmente o salto gráfico é muito interessante, mesmo considerando que o PGA Tour Golf III já possuía um grafismo bom. Este também possui sprites digitalizadas dos vários atletas disponíveis, com boa qualidade e animações. Os cenários possuem um óptimo nível de detalhe, com superfícies aparentemente em 3D e as sprites da natureza envolvente também com boa qualidade. O problema é que o jogo perde sempre uns 5 segundos ao renderizar os cenários, sempre que mudamos de posição. Isto era algo comum em jogos de golf mais antigos, mas no caso do PGA III, que também já possui sprites digitalizadas e cenários bem detalhados, mas uns furinhos abaixo deste PGA Tour 96, essas quebras já não acontecem, tornando o jogo bem mais fluído. Já no que diz respeito ao som, nada de especial a apontar, pois durante as partidas apenas ouvimos o som da natureza envolvente e o das tacadas. Já as músicas, essas apenas tocam no ecrã título e nos menus entre partidas. São músicas bastante agradáveis e relaxantes, no entanto.

As mecânicas de swing estão mais simplificadas visualmente

Portanto este PGA Tour Golf 96 é uma sequela que nos deixa com sentimentos algo mistos. Isto porque a simplificação dos menus e interface durante as partidas de golfe foram muito benvindas. Os gráficos são de facto muito bonitos, mas a demora da Mega Drive em renderizar o campo de golfe sempre que mudamos de posição deixa a experiência muito menos fluída que no seu antecessor, o PGA Tour Golf III. Aliás, este que já possuía bons gráficos e claro, bem mais circuitos onde competir também, o que também é um factor que pesa bastante no final.

PGA European Tour (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas a jogos desportivos, ficamos agora com o PGA European Tour para a Mega Drive, que é basicamente o PGA Tour Golf II, mas exclusivamente com campos de golf europeus, nomeadamente britânicos, espanhóis, franceses e suíços. No mesmo ano a EA lançou ainda o PGA Tour Golf III, este já com uma interface e motor gráfico diferente. O meu exemplar foi comprado a um particular por cerca de 6€ se bem me recordo, no passado mês de Julho.

Jogo completo com caixa e manual

Começando pelo menu inicial, que ainda se assemelha bastante a um jogo da velha guarda do MS-DOS. No que diz respeito aos modos de jogo, temos os modos de treino Driving Range e Putting Green, que nos permite treinar precisamente as tacadas de abertura e o putting, onde já estamos próximos do buraco. Podemos jogar sozinhos um circuito de ponta a ponta no modo practice também, mas o grande desafio está mesmo no modo torneio onde já iremos competir contra todos os outros golfistas. O Skins Challenge, onde a pontuação é atribuida de forma diferente está também aqui presente, assim como outros dois modos de jogo, o “Match Play” e o “Shoot-Out”, que parecem ser modos de competição mais curtos. No que diz respeito às mecânicas de jogo, contem com o habitual. Teremos de ter em atenção a força do vento, a distância ao buraco, obstáculos naturais como água, poços de areia ou árvores e ter o cuidado seleccionar o melhor taco para cada situação. Antes de dar a tacada teremos portanto de ajustar a nossa direcção e quando o fizermos, temos os habituais “medidores de energia” que funcionam a dois tempos: primeiro seleccionamos a potência da tacada, depois o seu efeito.

Os grafismos e mecânicas de jogo são muito semelhantes às do seu predecessor, mas agora temos paisagens europeias para apreciar

Já no que diz respeito aos audiovisuais, tal como referi no início do artigo, este é basicamente o PGA Tour Golf II, mas com novos golfistas e circuitos europeus. Logo o menu inicial parece uma interface de um jogo antigo de PC com suporte ao rato, e de resto a nível gráfico, é mesmo muito semelhante ao seu predecessor. O que não é necessariamente uma má coisa pois continuamos com aqueles detalhes interessantes de ter conselhos dos vários golfistas quando transitamos de um buraco para outro, ou os comentários de um apresentador televisivo. As músicas, apesar de agradáveis, apenas se ouvem nos menus e entre partidas, pois durante as partidas em si, apenas ouvimos os sons da natureza e das tacadas.

Portanto este PGA European Tour, para quem já tiver jogado um dos PGAs anteriores, vai-se sentir bem em casa pois partilha as mesmas mecânicas de jogo. Prima precisamente por incluir alguns circuitos e golfistas europeus, algo que não acontecia nos PGA anteriores que se focavam nos Estados Unidos.

Sonic Spinball (Sega Master System)

O Sonic Spinball da Mega Drive é considerado por muitos como a ovelha negra na série na era dos 16bit. Sinceramente eu até que gostei do jogo, com as suas mesas gigantes, repletas de segredos para descobrir, incluindo todas as esmeraldas caóticas que somos obrigados a apanhar antes de nos deixarem defrontar o boss e passar para o nível seguinte. A Sega aproveitou também para desenvolver uma versão 8bit, cuja acabou sendo lançada para a Game Gear e para a Master System, visto esta ainda ser uma plataforma relevante naquela época, pelo menos na Europa e Brasil. O meu exemplar veio parar à minha colecção através de uma troca que fiz com um amigo meu, por um jogo repetido que tinha aqui por casa. É a versão normal, mas anseio por encontrar a versão portuguese purple a um preço apelativo, para fechar o meu set. Um dia que a encontre, este artigo será actualizado.

Jogo com caixa

Portanto este jogo é, na sua essência, muito similar ao original da Mega Drive, mas naturalmente bem mais simplificado devido às limitações da Master System. Temos na mesma 4 níveis principais para explorar, intercalados por níveis de bónus, com direito a um boss no final de cada nível. Cada nível possui uma temática diferente (as mesmas da versão Mega Drive) e teremos de explorar as diferentes mesas de pinball, ao abrir passagens secretas, interagir com interruptores, destruir inimigo e afins, para que consigamos apanhar todas as esmeraldas espalhadas por cada nível e assim avançar no jogo. Também teremos alguns pequenos segmentos de platforming, onde conseguimos controlar o Sonic normalmente, incluindo o seu spin dash.

E aquele robot gigante que nos tenta comer na versão Mega Drive?

Mas enquanto os níveis principais são parecidos aos originais da Mega Drive, quanto mais não seja pelas temáticas visuais, os níveis de bónus são completamente diferentes, o que se compreende, pois o efeito visual dos níveis de bónus na versão Mega Drive é de facto muito interessante e a Master System não conseguiria reproduzir da mesma forma. Aqui temos então níveis bem mais simplificados, também com mecânicas de pinball, onde teremos uma série de obstáculos para ultrapassar e itens para apanhar como tempo, vidas  ou continues extra. A ideia é apanhar a maior parte dos anéis e itens de bónus dentro do tempo limite, bem como desbloquear a saída do nível. Caso não o façamos a tempo, perdemos todos os bónus coleccionados!

A cutscene de abertura não é tão trabalhada como na versão 16bit

A nível gráfico, é um jogo colorido, embora naturalmente não tenha o mesmo nível de detalhe que a versão Mega Drive possui. As temáticas dos níveis são similares, começando pelo primeiro que é um nível tóxico e cheio de esgotos, passando por outro repleto de lava, culminando em dois níveis mais high-tech. Já as músicas, tal como na versão Mega Drive, até que me surpreenderam bastante pela positiva, pelo que são bem agradáveis.

Vamos sempre tendo muito que explorar aqui!

Portanto este Sonic Spinball é uma conversão que se tentou manter o mais fiel possível à original da Mega Drive, mesmo com as maiores limitações de hardware da Master System. Creio ser o único jogo minimamente pinball existente na plataforma (mais um mini jogo no Casino Games), pelo que também é necessário ter isso em conta. Mas sim, também é um jogo frustrante por vezes, quando queremos guiar a bola em passagens específicas, ou quando as físicas ganham vida própria.

Rise of the Robots (Sega Mega Drive)

Já que estamos numa de rapidinhas, vamos continuar, ao abordar agora a versão Mega Drive do Rise of the Robots, um dos jogos mais hyped dos anos 90. mas que, quando saiu, acabou por ficar muito aquém das expectativas. Já cá tinha trazido a versão Super Nintendo no passado, pelo que recomendo que leiam esse artigo para mais algum detalhe. O meu exemplar da Mega Drive foi comprado a um particular no passado mês por cerca de 6, 7€.

Jogo com caixa e manual

Este é um jogo idêntico à sua versão SNES, ou seja um jogo de luta muito simples onde apenas podemos dar socos e pontapés, mas de uma forma algo atabalhoada, e, por motivos de história apenas poderemos controlar o cyborg presente na capa. Supostamente seria um jogo de luta altamente inteligente, com o CPU a aprender a nossa maneira de jogar e tentar contrariar os nossos movimentos, mas sinceramente o que se nota aqui é uma fluidez lenta e jogabilidade desinspirada.

É a mesma coisa qur nas SNES mas com gráficos menos coloridos

Do ponto de vista audiovisual, os lançamentos originais para DOS e Amiga estão de facto muito bons, repletos de cutscenes em CGI e uma música composta pelo Brian May, guitarrista dos Queen, que toca no ecrã título. Isso transitou tudo para as versões SNES e Mega Drive, embora aqui na Mega Drive as cores estejam muito mais esbatidas. Ainda assim, a cutscene inicial e aquelas pequenas intros a cada novo robot que lutamos, são sem dúvida o ponto alto do jogo. A música do Brian May infelizmente não ficou grande coisa aqui.

E pronto, é isto o Rise of the Robots para a Mega Drive. Uma versão para a Mega CD também chegou a estar em desenvolvimento, mas acabou por não se materializar. Ainda nas consolas da Sega, temos também uma versão 8bit para a Game Gear que mete medo só de pensar. E nesta altura do campeonato ainda não me apareceu nenhum Rise 2 para jogar, mas confesso que também não tenho pressa.

Skitchin (Sega Mega Drive)

Depois do sucesso de Road Rash na Mega Drive, a Electronic Arts aproveitou o mesmo motor gráfico para produzir um outro videojogo com conceitos similares, ou seja, corridas ilegais em várias localizações dos Estados Unidos (e Canadá) onde poderemos atacar os oponentes, mas desta vez corremos com patins em linha em vez de motos. O meu exemplar foi comprado numa loja da CeX algures no mês passado, tendo custado 15€.

Jogo com caixa, manual e papelada

As corridas, tal como descrito acima, vão decorrendo em várias cidades da América do Norte e o objectivo, de forma a ficarmos qualificados para a corrida seguinte, é o de chegar ao final da mesma nos lugares cimeiros. Naturalmente, tal como na série Road Rash, à medida que vamos avançando no jogo, as corridas vão ficando mais longas, com mais trânsito e com oponentes mais agressivos. Mas como conseguimos sequer competir em estradas com trânsito? Bom, o nome Skitchin, é uma mistura de duas palavras: skating e hitching, ou seja, o acto de alguém se agarrar à traseira de um carro e aproveitar a sua velocidade. Essa é a chave para o sucesso neste jogo, é uma habilidade que teremos de ter em conta se quisermos chegar ao fim em primeiro lugar.

Tal como no Road Rash, as estradas não são planas e estão repletas de obstáculos e outros veículos no trânsito

Mas agarrar à traseira de um veículo só por si não chega, convém abaixarmo-nos enquanto o fazemos para não sermos vistos pelo condutor, caso contrário eles podem abrandar ou mesmo parar o carro completamente. Para além disso, muitas vezes o nosso lugar é cobiçado por outros skaters que teremos de combater. O sistema de combate é algo parecido com o de Road Rash, onde teremos à nossa disposição várias armas brancas (ou apenas os punhos) para atacar os nossos oponentes. A diferença é que podemos apanhar armas que estejam espalhadas no chão ao longo das corridas, ou roubá-las a quem nos tentar atacar. Para além disso, poderemos armazenar 3 armas diferentes. Outro detalhe interessante estão nas rampas que vamos poder encontrar ao longo das corridas. Se saltarmos nas mesmas, poderemos fazer algumas acrobacias pelo ar, que serão posteriormente avaliadas por um juri. No final de cada corrida, a nossa performance é avaliada em vários parâmetros, como o tempo levado, dano infligido, acrobacias, skitchin em outros veículos (especialmente os da polícia são altamente valorizados e sim, aqui também podemos ser presos tal como no Road Rash), tudo isto nos dará algum dinheiro extra no final de cada corrida. Depois, tal como no Road Rash, poderemos gastar esse dinheiro para comprar melhores patins, melhores rodas e melhores kits de protecção, como joelheiras e afins.

O dinheiro que vamos amealhando deve ser gasto em upgrades para o nosso equipamento, que vai tendo desgaste

A nível audiovisual, contem com gráficos algo semelhantes à série Road Rash. As pistas são algo dinâmicas, cheias de colinas, obstáculos e trânsito (embora não tenhamos trânsito em sentido contrário) e os cenários de fundo ilustram de certa forma a cidade ou zona que estamos a atravessar, como a majestosa ponte suspensa em São Francisco, ou a paisagem mais arenosa em Miami. Em relação aos efeitos sonoros, nada de especial a apontar. Já as músicas surpreenderam-me pelo quão pesadas são. Supostamente influenciaram-se na cultura grunge, muito em voga naquela época, mas eu diria que muitos dos riffs que aqui ouvimos são mesmo mais metal. E apesar das guitarras bem agressivas e que soam surpreendentemente bem na Mega Drive, devo dizer que nem todos os riffs são bons. É uma banda sonora pesada, eu aprecio sons pesados, mas a qualidade da banda sonora como um todo é algo inconsistente.

Por outro lado, se formos apanhados pela polícia ou parar ao hospital, teremos despesas extra a ter em conta

Por fim devo dizer que até nem desgostei deste Skitchin. É um jogo nitidamente feito para os fãs dos Road Rash clássicos, mas devo dizer que acabo por preferir de longe a série original. Não só conduzir motos é mais interessante, mas é naqueles pequenos detalhes, como as pequenas e cómicas cutscenes entre cada corrida que Road Rash me parece um jogo bem mais polido. E talvez a maioria das pessoas que jogou este Skitchin na sua altura parece concordar comigo, pois a série Road Rash ainda se manteve activa por mais uns tempos, enquando o Skitchin teve apenas este único lançamento.