After Burner (Sega Master System)

Depois de ter escrito algo sobre o After Burner Complete para a 32X, que é uma das versões mais fieis ao clássico arcade da Sega, escrever sobre a modesta conversão para a Master System é uma tarefa algo ingrata, mas vamos lá! Originalmente o jogo saiu nas arcades em 1987, a Mega Drive ainda estava a um ano de ser lançada no Japão, pelo que uma conversão para a Master System seria algo inevitável. Na verdade, existem imensas conversões deste jogo para computadores e consolas concorrentes às da Sega, como é o caso da NES ou PC-Engine, o que é algo surpreendente. Imaginem a Sony autorizar que alguém converta um Uncharted para a Xbox! Mas não interessa, já estou a divagar. O meu exemplar foi comprado a um particular em Dezembro passado, custou-me 5€.

Jogo completo com caixa e manual. Versão norte-americana.

Aqui pilotamos um F-14 Tomcat ao longo de vários níveis, onde teremos de mandar abaixo o máximo de aviões inimigos possível. Para além de tiros infinitos de metralhadora, no original e em algumas conversões dispomos também de um número limitado de mísseis que podem também ser disparados (preferencialmente assim que tenhamos algum avião inimigo locked on, para não os desperdiçar). Entre os níveis iamos tendo algumas sequências de reabastecimento, onde nos teríamos de acoplar a um bombardeiro gigante e assim reabastecer. Bom, aqui na Master System temos também mísseis infinitos (e ainda bem!), mas também vamos tendo ocasionalmente essas sequências de reabastecimento, o que já não faz muito sentido.

Em screenshots o jogo até é bonito para um sistema 8bit

Bom, o jogo original utilizava a tecnologia super scaler (Hang On, OutRun, Space Harrier) que como vimos nas conversões para a Master System desses mesmos jogos, a sua performance deixava a desejar, principalmente no framerate. O mesmo acontece aqui, embora não seja tão crítico quanto no Space Harrier. Ainda assim, nos níveis mais avançados onde teremos de nos desviar de imensos níveis inimigos, é bom termos mísseis infinitos, pois a melhor estratégia é estar sempre a dispará-los e efectuar manobras evasivas. Ao menos os aviões estão bem detalhados, principalmente o F-14. Os efeitos sonoros nesta versão também não são nada de especial. Eu gosto bastante da música original do After Burner, mas nesta versão infelizmente fica muito aquém do original. A menos que tenham uma Master System japonesa (ou Mark III com o FM Unit) e o jogo japonês, aí sim tinhamos direito a uma banda sonora de qualidade.

Portanto este After Burner acaba por ser um jogo tecnicamente competente para uma Master System, mas é facilmente suplantado pelas versões que sairam posteriormente para hardware melhor, a começar pelo After Burner II que saiu também para a Mega Drive (e apesar de ter II no nome é na verdade uma versão melhorada do original, tal como os Galaxy Force I/II).

Secret Command (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas e na Sega Master System, o jogo que cá trago hoje é curioso por ter nomes completamente diferentes nos três principais mercados. Inicialmente lançado em 1986 no Japão como Ashura, este é um daqueles jogos tipo Commando, Mercs ou Ikari Warriors, onde sozinhos temos de defrontar exércitos inteiros, mesmo como nos filmes do Rambo. E a referência nem é por acaso, pois uma das armas que podemos usar é o arco com as “flechas rockets” bastante populares nos seus filmes. Tanto que nos Estados Unidos o jogo foi mesmo readaptado com o nome do filme do Rambo II, embora não siga propriamente a história. Depois lá chegou à Europa com um novo nome, Secret Command (embora o título do jogo diga Secret Commando). É uma salada russa! O meu exemplar foi-me oferecido por um particular algures em Julho passado.

Jogo em caixa

Portanto, tal como referi este é um jogo semelhante ao Commando, com o jogador a poder disparar tiros da sua metralhadora, ou disparar as “flechas rockets”, que podem matar vários soldados inimigos de uma só vez e não só, como destruir tanques ou casas que abrigam prisioneiros de guerra. Estes, ao serem salvos, oferecem-nos sempre um power up de recompensa, que podem ser mais rockets, vidas extra, upgrades para a nossa metralhadora, aumentando o alcance dos tiros, ou mesmo o seu poder de penetração. Ou também podemos obter um item capaz de destruir todos os inimigos presentes no ecrã ao mesmo tempo. Para além disso podemos também jogar o jogo de forma cooperativa.

Na capa temos Secret Command, já no próprio jogo é Secret Commando, o que faz mais sentido

Infelizmente nem tudo são rosas. Os bosses finais resumem-se sempre a uma espécie de fortificação que temos de deitar abaixo, enquanto vários soldados inimigos vão também surgindo aqui e ali só para nos chatear. Os 2 primeiros “bosses” são repetidos, mas com uma paleta de cores nos níveis seguintes. Os primeiros 4 níveis são passados em cenários mais “naturais” como selvas, pântanos ou desertos, enquanto que o quinto é passado numa cidade e o último numa base militar inimiga. Os gráficos em si são simples e não possuem muito detalhe, mas cumprem o seu papel e não posso pedir muito mais a um jogo de Master System de 1986. Já as músicas não as achei mesmo nada de especial.

Não me lembro desta cena nos filmes do Rambo!

De resto, este é um jogo que até dá para entreter, principalmente se jogado com um amigo. Na falta de Commando ou Ikari Warriors na Master System, está aqui uma aposta que não é assim tão má quanto isso.

Krusty’s Fun House (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas na Master System, o jogo que cá trago hoje é mais um daqueles jogos dos Simpsons que foram saindo durante os anos 90. Mas na verdade este jogo nem sempre foi dos Simpsons, pois as suas origens são como Rat-Trap, lançado originalmente para o computador Commodore Amiga. Eventualmente a Acclaim comprou os direitos do jogo e, como detinha os direitos dos Simpsons também, lá reimaginaram o conceito do jogo com personagens dos Simpsons e o mesmo acabou por ser relançado como Krusty’s (Super) Fun House numa grande variedade de sistemas, incluindo a Master System. O meu exemplar foi comprado a um particular por 5€ no passado mês de Maio.

Jogo em caixa

Na sua essência este é um clone de Lemmings, mas em vez de lemingues suicidas que teremos de os encaminhar em segurança para a saída do nível, aqui temos ratos que invadiram a mansão do Krusty e temos de os encaminhar para uma série de armadilhas. Os ratos estão constantemente a andar, ultrapassando obstáculos que tenham a sua altura, ou voltando para trás se atingirem um obstáculo mais alto ou uma parede. Assim sendo, ao longo de cada nível teremos uma série de blocos ou outros objectos que podemos usar para criar um caminho que os leve à saída do nível, ou seja, à sua morte.

O objectivo é o de encaminhar os ratos para estas máquinas que os destroem. No início a solução é tão simples como colocar um bloco a fazer de degrau.

A mansão de Krusty serve como hub interligando todas as áreas do jogo, que por sua vez possuem várias portas que dão acesso aos níveis dessa mesma área. O jogo ainda possui umas boas dezenas de níveis, pelo que no final de cada área nos é atribuida uma password, pois de outra forma seria difícil terminar o jogo de uma assentada, a não ser que o conhecessemos de trás para a frente. Os níveis em si são grandinhos e tipicamente possuem outras àreas que não são lá muito relevantes para os puzzles, mas sim para coleccionar outros itens e powerups, aumentando a pontuação e podendo até desbloquear alguns níveis extra ou de bónus. Cada nível também vai tendo vários inimigos que não temos obrigatoriamente que os matar, mas convém fazê-lo pois eles podem-nos dificultar a vida. Para isso temos de usar itens como ovos ou esferas de metal que podemos apanhar pelos níveis. Porque é que não podemos atacar os ratos assim também??

Um dos obstáculos ou objectos a usar podem ser ventoinhas que fazem os ratos voar numa respectiva direcção

Bom, mas é mesmo nos puzzles de encaminhar os ratos que o jogo possui a sua graça. Inicialmente os níveis completam-se facilmente, com o uso de blocos que podemos apanhar e distribui-los de forma a que formem degraus, permitindo aos ratos que ultrapassem alguns obstáculos. Mas depois também vamos ter de usar tubos, ventoinhas, frascos para aprisionar os ratos, ou um conjunto de diferentes situações. Aqueles puzzles mais chatos para mim são quando temos um número limitado de blocos e temos de os reusar mais que uma vez em sítios diferentes. E isto com os ratos sempre em movimento, pelo que é melhor primeiro tentar juntá-los e depois ter a agilidade de pegar nos blocos num sítio e reconstruí-los noutro local atempadamente.

Depois de exterminar todos os ratos do nível, é só voltar para o hub e escolher um outro nível a seguir!

No que diz respeito aos audiovisuais, este até que é um jogo bastante colorido, pelo que até gostei dos gráficos e sinceramente nem ficam assim tão atrás da versão Mega Drive. A versão Super Nintendo também é muito boa graficamente, mas sinceramente nem sei se há mais diferenças entre versões para além das estéticas. As músicas é que já não são lá grande coisa na versão Master System, mas ao menos temos algumas vozes digitalizadas do Krusty. Heeeeeeeyyyy Kids!!!

Este Krusty’s Funhouse é então um interessante clone de Lemmings, que mistura muito bem o conceito de platforming com o de puzzler. E graficamente a versão Master System não é nada má, mas naturalmente a versão Mega Drive ou Super Nintendo acabam por levar a melhor nesse campo, pelo que são versões a ter em conta.

Mortal Kombat II (Sega Master System)

Continuando pelas rapidinhas na Master System, o jogo que cá vos trago hoje é a adaptação do Mortal Kombat II para a consola de 8bit da Sega. Para mim é um jogo muito especial, visto ter sido dos primeiros jogos da Master System que eu joguei, mesmo estando longe da versão arcade ou mesmo da Mega Drive cujo artigo recomendo a leitura, pois será mais completo que este. O meu exemplar foi-me oferecido em Maio por um particular, a quem eu bem agradeço!

Jogo em caixa

As versões 8bit para consolas da Sega deste Mortal Kombat II são muito idênticas e mais uma vez são muito modestas quando comparadas com as versões 16 bit. Aqui o cardápio de lutadores disponíveis está reduzido a oito: Liu Kang, Sub Zero, Kitana, Reptile, Shang Tsung, Mileena, Scorpion e Jax. A Master System dispõe apenas de 2 botões faciais no comando, um para socos e outro para pontapés, sendo que para bloquear teremos de carregar nesses 2 botões em simultâneo. Isto faz com que o número de golpes disponíveis por personagem seja menor, existindo apenas uma fatality por lutador e nada mais. Bom, na verdade há um stage fatality que pode ser efectuado por todos os lutadores numa arena específica. Ainda assim, a jogabilidade até que é agradável tendo em conta todas as suas limitações, ma talvez seja a nostalgia a falar.

Graficamente o jogo não é nada mau. Mas poderia ter mais conteúdo!

Graficamente também é uma versão interessante. As personagens e arenas estão bem definidas, apesar de achar que deveríamos ter direito a mais arenas nesta versão. No que diz respeito ao som, nada de especial a apontar. Tivemos direito a algumas (poucas) vozes digitalizadas nesta versão, já não é mau de todo.

Portanto, este jogo até que é uma conversão interessante, embora eu ache que poderia ter mais conteúdo, mais um ou outro lutador (Baraka por exemplo) e arenas. Mas claro, está muito longe das versões 16bit e mais longe ainda do original arcade, pelo que aconselho este jogo apenas numa de curiosidade.

 

GP Rider (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas na Master System, o jogo que cá trago hoje é uma curiosa adaptação de um título arcade, o GP Rider. O original foi lançado em 1990 nas arcadas, no sistema Sega X, um poderoso sistema 16bit responsável por correr outros jogos como After Burner ou a versão arcade do Super Monaco GP, tudo jogos com um sprite scaling impressionante, pelo que não deixa de ser surpreendente como é que a Sega, em 1993, decide converter esse jogo para as suas consolas de 8bit apenas. Naturalmente esta versão Master System é tecnicamente muito inferior, mas já lá vamos. O meu exemplar do jogo foi comprado a um particular no mês de Maio, tendo-me custado 5€.

Jogo com caixa

Bom, inicialmente dispomos de 3 modos de jogo, o Arcade onde conduzimos num circuito próprio, o Grand Prix, onde temos uma temporada pela frente ao longo de vários circuitos e por fim temos também o Tournament mode, onde poderemos escolher livremente em quais pistas queremos concorrer e a sua ordem. Mas a primeira coisa que salta à vista neste jogo é, quer joguemos sozinhos ou com um amigo, o jogo está sempre em split screen. Para além disso, o jogador 1 é sempre o da parte inferior do ecrã, o que é o contrário do habitual e no início ainda me confundiu bastante.

Mesmo jogando sozinhos, o jogo está sempre em split screen. Mas o pior é que o jogador 1 é sempre o de baixo, quando costuma ser ao contrário

Por outro lado, em qualquer dos modos de jogo que escolhemos, somos sempre obrigados a correr uma volta de qualificação para definir o nosso lugar na grelha de partida. Depois, antes da corrida principal podemos também customizar a nossa moto. No modo arcade as customizações são mínimas, mas nos outros modos podemos mudar a potência do motor, trocar os pneus para tempo seco ou de chuva (antes de cada corrida é-nos dito qual o estado metereológico), entre outras customizações, como a caixa de mudanças. De resto temos de ter também atenção ao tempo limite para passar entre checkpoints, caso chegue a zero, é nos dito no ecrã que ficamos sem combustível. Se escolhermos um motor mais potente, o cronómetro anda mais rápido!

No que diz respeito aos audiovisuais, apesar deste jogo estar longe da versão arcade original (muito longe mesmo!), não deixa no entanto de ser bem competente na Master System. Os menus estão muito estilosos, a música é agradável, o jogo possui algumas vozes digitalizadas com muita qualidade e os cenários até que estão bem detalhados e coloridos, dentro do expectável, é claro.

Pelo menos nos audiovisuais este foi um jogo bem cuidado

Portanto este GP Rider é um jogo de corridas algo peculiar, possui os seus defeitos, como o split screen forçado e ao contrário do normal, mas possui também outros pormenores bem interessantes num jogo para a Master System. Existe também uma conversão para a Game Gear que pelo que me lembro, acaba por ser superior a esta, pelo que recomendo que a espreitem também.