Shining Force Gaiden: Final Conflict (Sega Game Gear)

Por altura do lançamento deste jogo, era inegável que a série Shining (Force) era uma das propriedades intelectuais mais importantes da Sega para o mercado doméstico, principalmente no ramo dos RPGs. Após uma série de bons títulos, a Sega lança então, em 1995 mais um Shining Force Gaiden para a Game Gear, mas infelizmente, ao contrário dos dois primeiros, este acabou por nunca sair fora do Japão. Para quem não se recorda, o Shining Force Gaiden II sai nos Estados Unidos como The Sword of Hajya e ambos acabam por também receber um remake na forma de Shining Force CD para a Mega CD. Este meu exemplar foi importado directamente do japão, tendo-me custado algo em torno dos 30€ mais custos de desalfandegamento e transporte.

Jogo com caixa, manual e papelada na sua versão exclusiva japonesa.

Os primeiros dois Shining Force Gaiden eram uma sequela do primeiro Shining Force, não necessariamente pela sua narrativa, mas sim porque ainda possuía muitas caras conhecidas do primeiro jogo e seus descendentes. Este Final Conflict é também uma sequela do primeiro Shining Force mas a sua história é bem mais relevante, pois acaba por fazer uma ponte entre os acontecimentos do primeiro Shining Force e do segundo. A começar pela cutscene inicial, que mostra nada mais nada menos que Max (herói do primeiro jogo), o robot Adam (também uma personagem do primeiro jogo) mais uns quantos a perseguirem Mishaela (uma vilã do primeiro SF também), mais alguns novos vilões que se preparavam para tramar alguma. No meio da batalha Adam perde a capacidade de combater, pelo que Max e mais uns quantos retomam a perseguição a Mishaela. No entanto surge o jovem e misterioso Ian, que acaba por se tornar o novo líder da Shining Force enquanto Adam se torna o novo conselheiro do grupo. O resto da história leva-nos constantemente no encalço de Max e Mishaela e eventualmente vamos começar a descobrir mais algumas ligações aos eventos que viriam a acontecer no Shining Force II. Como é que eu sei isto tudo? Porque existe uma tradução feita por fãs que nos permite jogar este título em inglês, claro!

Graficamente é um jogo com sprites simples, embora as personagens principais tenham sempre direito a um retrato

No que diz respeito às mecânicas de jogo, apesar deste ser um jogo para um sistema 8bit e portátil, todas as mecânicas base, pelo menos as de combate, estão aqui representadas. Este é então um RPG estratégico onde poderemos liderar uma força com até 12 personagens e cada personagem não só terá o seu próprio turno onde se poderá movimentar pelo terreno, atacar, usar itens ou magias, mas cada personagem corresponde também a uma classe, que por sua vez terá diferentes atributos no tipo de armas que usam ou habilidades mágicas que possuem, capacidade de movimento, entre outros. Tal como nos restantes Shining Force, cada unidade sobe 1 nível após 100 pontos de experiência e a partir do nível 10 poderão ser promovidas, o que lhes desbloqueará algumas habilidades adicionais. No entanto, e tal como já tinha acontecido nos primeiros 2 Gaiden/CD, falta-lhe toda aquela parte de exploração do mapa mundo, cidades, falar livremente com NPCs e por aí fora. Entre batalhas poderemos visitar uma cidade genérica que é explorada apenas através de menus e é aí que podemos fazer a gestão das nossas unidades, reparar/comprar/vender equipamento, salvar o progresso no jogo e por aí fora. É uma pena, mas quando vejo todo o resto do sistema de combate das versões 16bit aqui representado de uma forma tão competente, vale a pena esse pequeno sacrifício.

Durante os confrontos temos direito a gráficos mais detalhados e com melhores animações também

Do ponto de vista gráfico, bom, é verdade que este Gaiden sofre um grande downgrade quando comparado com os jogos 16bit. Ainda assim, e precisamente por correr numa Game Gear, é notável o que a Sonic! Software Planning (futura Camelot) conseguiu fazer num hardware bem inferior. Graficamente o jogo está mais que competente para o sistema. As sprites das personagens são mais pequenas e simples, com as proporções típicas de RPGs da era 8bit, mas sempre que há combate há uma transição de câmara para as costas da personagem da nossa força que está a atacar ou defender, e aí são representadas com bem mais detalhe e animações, tal como acontecia nas versões 16bit. E mesmo no som, tendo em conta as limitações do PSG que alimentava a Master System e Game Gear, conseguiram uma vez fazer um trabalho notável, ao incluir muitas músicas que reconheci como sendo do Shining Force II e o resultado final também não ficou nada mau!

Cada personagem possui os seus próprios atributos e habilidades

Portanto este Shining Force Gaiden Final Conflict acabou por se revelar uma excelente surpresa. Mesmo correndo num sistema notavelmente inferior, conseguiram apresentar aqui um jogo com o seu sistema de combate practicamente intacto perante as versões de 16bit, com uma história interessante e que de facto serve de ponte entre as narrativas principais do Shining Force e Shining Force II. Ficou mesmo a faltar só a parte da exploração livre do mapa e restantes localizações e estaríamos aqui perante o melhor RPG portátil de 8bit. Ainda assim, não deixa de ser um título notável, que apenas não foi lançado no Ocidente visto que foi lançado no Japão em 1995. A ser traduzido para inglês e sair no ocidente, certamente não aconteceria antes de 1996, numa altura em que a Game Gear já estava no pé de saída em todos os mercados, pelo que o investimento não compensaria.

Quest for the Shaven Yak Starring Ren and Stimpy (Sega Game Gear)

Voltando à Game Gear, é tempo de ficarmos com mais um jogo da saudosa série de animação Ren & Stimpy que, naturalmente devido à sua popularidade nos anos 90, recebeu uns quantos videojogos. Nem todos têm boa fama no entanto e eu até ao momento só tinha jogado o da Mega Drive, que apesar de ser um jogo muito difícil, tem os seus bons momentos também. As consolas da Sega apenas receberam mais um jogo dessa série animada, nomeadamente este Quest for the Shaven Yak para a Game Gear (e Master System através da Tec-Toy no Brasil). O meu exemplar foi comprado por 5€ a um amigo meu no passado mês de Abril.

Cartucho solto

A história é, como sempre, bastante bizarra. Basicamente a certo dia a dupla Ren e Stimpy encontram, na sua própria casa, uns cascos de um iaque. Naturalmente, o Ren chega imediatamente à conclusão que os cascos pertencem ao Great Shaven Yak que os deve ter lá deixado no Yak Shaving Day. O passo seguinte será partir à procura do iaque para lhe devolver os seus cascos e assim salvar o tão importante Yak Shaving Day.

A história é do mais ridículo que há, tal como na série animada!

No que diz respeito às mecânicas de jogo, esperem por um platformer simples. Antes de cada nível podemos escolher entre controlar Ren ou Stimpy, que por sua vez possuem mecânicas de jogo base similares, com um botão para saltar, outro para atacar, que no caso do Ren ele atira escovas de dentes e o Stimpy cospe bolas de pelo. Ao pressionar cima e o botão de salto em simultâneo, activamos uma habilidade especial de cada personagem: Ren consegue saltar muito mais alto e Stimpy pode partir certos objectos, onde ambas as habilidades nos darão acesso a zonas que seriam inacessíveis para apanhar alguns power ups. A barra de vida de cada personagem é medida em mamas de biberão no canto superior esquerdo do ecrã e, ao longo do jogo iremos poder encontrar diversos itens aleatórios que nos poderão recuperar (ou extender) essa barra de vida como sacos de dinheiro, televisões, cantis, botas, entre outros, dependendo do nível em questão. Para além do ataque normal poderemos também apanhar outras armas que substituem esse ataque, como um sabão que dispara bolhas de sabão, fatias de pão ou um comando remoto que dispara raios. Outros itens poderão servir de checkpoints caso percamos uma vida (bocas de incêndio), ou outros dão-nos invencibilidade temporária ou mesmo vidas extra. Como podem entender, todo aquele humor non-sense da série televisiva está também aqui presente.

Graficamente é um jogo interessante, com sprites grandes e bem detalhadas!

No que diz respeito aos audiovisuais, as sprites de Ren, Stimpy e alguns dos inimigos são grandes, bem detalhadas e animadas! Já os níveis, até que vão tendo alguma variedade entre si, pois vamos visitar florestas, desertos, cavernas, montanhas ou pântanos em busca do tal Iaque. Passando para os gráficos dos níveis em si, acho que o resultado final acaba por ser um pouco inconsistente. Alguns níveis pareceram-me bastante minimalistas a nível de detalhe (como por exemplo a floresta), enquanto outros até nem me parecem nada mal, dado às limitações do sistema. Já no que diz respeito ao som, sinceramente não sou grande fã dos efeitos sonoros e as músicas também não são do melhor que já ouvi.

Portanto estamos aqui perante um jogo de plataformas com mecânicas de jogo simples, mas que acaba por ser competente no que se propõe. Só acho que o design de alguns níveis poderia ser um pouco mais interessante, mas acaba por entreter bem.

Sonic the Hedgehog Chaos (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas, vamos cá ficar com mais um jogo que já cá trouxe noutra plataforma, nomeadamente o Sonic Chaos na sua versão Master System, que foi a versão que joguei em miúdo, embora não tanto quanto o Sonic 1 ou 2 pois esses são jogos que sempre fizeram parte da minha colecção. Esta versão da Game Gear é essencialmente o mesmo jogo, embora possua algumas pequenas diferenças que irei detalhar brevemente. O meu exemplar foi comprado a um amigo no mês passado por 5€.

Jogo com caixa e manual

Ora o Sonic Chaos foi o primeiro jogo do ouriço que, nas consolas 8bit da Sega, nos permitia jogar com o Tails e usar a habilidade spin dash. A cutscene inicial mostra-nos o Sonic a perseguir o Robotnik que já estava em posse de uma das esmeraldas caóticas. O objectivo será então de impedir que ele encontre as outras 5 (lembrem-se que nos jogos 8bit do Sonic temos tipicamente 6 esmeraldas para coleccionar) e ao contrário do Sonic 1 e 2 nestas consolas, onde teríamos de procurar as esmeraldas espalhadas pelos níveis, aqui teremos de as encontrar em níveis de bónus, tal como acontecia nos jogos da Mega Drive. Para isso temos de coleccionar mais de 100 anéis num nível e lá somos transportados para o nível de bónus que é tipicamente um desafio algo labiríntico e onde temos um tempo reduzido para encontrar a esmeralda. Outras novidades notáveis neste jogo estão na inclusão de alguns novos power ups, como é o caso do skate voador ou das molas que nos permitem saltar bastante alto, as mesmas que estão representadas na capa deste jogo.

Finalmente o Tails como personagem jogável!

Apesar de serem essencialmente o mesmo jogo, existem algumas diferenças entre a versão de Game Gear e a de Master System. A de Master System tem a vantagem de ter uma maior resolução, mas existem algumas diferenças gráficas, particularmente no título, menus, ecrãs de apresentação de novos níveis e da sua pontuação final. Existem diferenças nas músicas e aparentemente existem também algumas pequenas diferenças nos próprios níveis, provavelmente para compensar o facto da menor resolução nesta versão portátil.

Anéis gigantes que valem por 10, ou o skate voador são duas das novidades

A nível técnico este é um jogo colorido, com um bom nível de detalhe e algumas músicas bastante agradáveis. No entanto, apesar de ter alguma nostalgia por este jogo desde miúdo, acho que foi o que envelheceu pior dentro dos jogos de plataformas 8bit do ouriço azul. O facto de podermos jogar com o Miles, usar o spin dash, os níveis terem muitos mais loopings e outras acrobacias que o fazia aproximar-se mais dos jogos da Mega Drive foram notícias excelentes mas continuo a achar que o design dos níveis era mais interessante nos primeiros dois jogos. Mas também pode ser a nostalgia a falar!

Superman: The Man of Steel (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas, mas agora pela Game Gear, vamos ficar com um jogo que sinceramente me desiludiu bastante pois acabou por ser muito pior do que o que estava à espera. Nada mais nada menos que a versão Game Gear do Superman: The Man of Steel, um conjunto de 3 jogos de mesmo nome que foram desenvolvidos para as consolas da Sega. Este meu exemplar foi-me oferecido por um amigo no passado mês de Fevereiro.

Cartucho solto

O jogo leva-nos a controlar o Super Homem ao longo de 5 níveis distintos. Antes de começar cada nível vemos sempre a primeira página do jornal “Daily Planet” que nos relata algum problema que lá teremos invariavelmente de resolver, seja uma cidade atacada por bandidos, crianças raptadas ou mesmo o rapto da Lois Lane que irá acontecer nos últimos níveis.

O primeiro nível possui muito menos detalhe gráfico do que a versão Master System, o que sinceramente não se compreende

Os controlos são aparentemente simples. O botão 2 serve para distribuir socos, enquanto que o botão 1 serve para saltar e, caso o mantenhamos pressionado, poderemos voar também. À medida que vamos jogando poderemos ver símbolos do super homem vermelho ou azuis que poderemos apanhar. Os vermelhos restabelecem parte da nossa barrade vida, já os azuis dão-nos alguns poderes temporários, como a possibilidade de dar socos mais fortes ou disparar raios laser, embora isto apenas possa ser feito quando voamos. Até aqui tudo bem mas o jogo torna-se extremamente frustrante assim que o começamos a jogar. Os socos têm um alcance muito curto e todos os inimigos devem estar banhados em kryptonite pois para além de precisarem de vários golpes para serem destruídos, rapidamente nos causam dano considerável se não tivermos cuidado. E esta versão Game Gear é especialmente vulnerável a isso devido ao seu ecrã e resolução menores, pois o Super Homem até que é bastante rápido e os inimigos rapidamente surgem no ecrã, não nos dando grande tempo de reacção. A parte inicial do terceiro nível é especialmente frustrante, pois temos de voar num túnel de metro a grande velocidade, esquivando-nos de projécteis e tentando apanhar medkits pelo caminho para ir restabelecendo parte da barra de vida. Em suma não é um jogo muito divertido.

O início do terceiro nível é um exercício de frustração onde voamos num túnel a alta velocidade, tentando contornar obstáculos, projécteis inimigos e apanhar medkits

Graficamente até que é um jogo colorido e bem detalhado, embora a versão Master System seja superior nesse aspecto. Não só pelo seu ecrã e resolução maior, mas também pelo facto de, pelo menos no primeiro nível, a versão Master System possuir um maior detalhe gráfico no background. As músicas não são nada de especial.

Portanto estamos aqui perante um jogo de acção que poderia e deveria ser muito melhor. É um jogo frustrante e difícil particularmente se considerarmos que o Super Homem, que deveria ser quase invencível, é extremamente vulnerável. E tal como referi acima, a versão Game Gear, devido ao seu ecrã e resolução menores, ainda agrava mais este problema. Não é um jogo que recomende.

Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas mas apontando agora as baterias para a Game Gear, vamos ficar com uma das iterações 8bit do reskin de Puyo Puyo com personagens do universo Sonic the Hedgehog, nomeadamente com as personagens de uma das séries de animações do ouriço que me lembro de dar na TV portuguesa nos anos 90. O meu exemplar veio parar à minha colecção através de um amigo meu já no final do mês passado de Fevereiro.

Cartucho solto

E Puyo Puyo é uma série de jogos puzzle onde teremos de juntar uma série de slimes coloridas (aqui neste jogo chamadas de feijões) que descem no ecrã aos pares e cada vez que consigamos juntar conjuntos de 4 ou mais puyos da mesma cor, estes desaparecem e fazem com que os puyos que eventualmente estivessem acima de si desçam, potenciando eventuais combos. Combos esses que darão muito jeito pois fazem com que mandemos “lixo” para o nosso oponente, que são na verdade puyos transparentes que apenas desaparecem caso algum conjunto de puyos que lhes sejam adjacentes desapareça também. Naturalmente o nosso oponente também poderá fazer o mesmo.

No modo história teremos todos estes opontentes para enfrentar

Esta versão da Game Gear possui dois modos de jogo distintos. O principal é o Scenario Mode onde iremos defrontar vários dos robots do Dr. Robotnik e que apareciam nessa série de animação, até que enfrentaremos o próprio Robotnik também. O segundo modo de jogo é um Puzzle Mode, que nos apresenta uma série de desafios onde o ecrã já se encontra parcialmente preenchido com alguns puyos e que teremos de ultrapassar no menor número de jogadas possível. Por exemplo, limpar o ecrã de todos os puyos de uma cor, conseguir obter uma série de combos, entre outros. No que diz respeito ao multiplayer, esta versão Game Gear tem um modo para dois jogadores que obriga ao uso de um cabo de ligação para duas Game Gears e que naturalmente não cheguei a experimentar.

A jogabilidade é simples, porém viciante e é dos jogos que se adequam perfeitamente a portáteis

Graficamente é naturalmente um jogo muito mais simples que a sua versão Mega Drive. Ainda assim, sendo um puzzle game não é necessário grande detalhe gráfico e a Game Gear sendo uma portátil a cores já representa uma boa vantagem em relação à Game Boy clássica onde os Puyos teriam de ser representados em diferentes tonalidades de cinzento. Já no que diz respeito às músicas, bom a banda sonora não é muito extensa e devo dizer que também não é das mais agradáveis.

Para além do modo história, o modo puzzle oferece-nos uma série de desafios adicionais

Portanto este Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine para a Game Gear é um óptimo puzzle game para quem estiver cansado do Columns. A Game Gear, no Japão, ainda recebeu ainda mais uns quantos outros jogos Puyo Puyo que infelizmente nunca chegaram a sair no ocidente, o que é pena.