Na passada PUSHSTART #44 acabei por escrever sobre mais um jogo de aventura point and click que tinha aqui na minha conta do steam à espera de alguma atenção. Gemini Rue é mais um jogo da Wadget Eye games, os mesmos por detrás de jogos como a série Blackwell ou o Shivah, embora este jogo em particular não tenha sido desenvolvido por David Gilbert, o que lhe dá uma abordagem um pouco diferente ao seu estilo.
Se gostam de ambientes noir futuristas à lá Blade Runner, este Gemini Rue é uma óptima aposta, com uma excelente história, embora com uns controlos que poderiam ser um nadinha melhores. Sem mais demoras podem consultar a análise na íntegra aqui.
Recentemente tive a oportunidade de escrever para a PUSHSTART uma análise ao jogo Munin, uma obra que mistura conceitos de jogos de plataformas e puzzle, tendo também por detrás uma ligação à mitologia nórdica, tendo sido lançado pela Daedalic, editora/desenvolvedora mais conhecida pelos seus point and clicks. E pela minha surpresa, quando li pela primeira vez a press release de introdução ao jogo fiquei bastante surpreendido por ser um videojogo português, produzido pelos Gojira.
Sem mais demoras, poderão ler a análise na íntegra aqui.
Vamos agora para duas rapidinhas em uma, escrevendo sobre dois jogos muito peculiares da Introversion Software, que por si só só tem lançado jogos incomuns. Darwinia e a sua vertente multiplayer Multiwinia são jogos de estratégia com uma temática muito peculiar, onde somos levados para um mundo informático para ajudar os Darwinians, seres digitais com inteligência artificial que desenvolveram por eles mesmos uma civilização virtual. Ambos os jogos foram comprados numa das Humble Weekly Bundles apenas com jogos da Introversion, tendo ficado muito baratos, como habitual.
Começamos o jogo ao visitar inadvertidamente o estranho mundo dos Darwininans, criaturas digitais com um elevado nível de inteligência artificial criadas pelo Dr. Sepulveda. Pelos vistos ocorreu um incidente e o servidor onde toda esta civilização vivia viu-se invadido por um vírus informático que dizimou toda a sua população. Para além de monstros digitais que invadiram aquele mundo, o vírus também infectou os próprios Darwinians, formando os “evil Darwinians” que também atacavam os pobres coitados. No meio desse caos, o Dr. Sepulveda pede-nos a nossa ajuda para combater esse vírus, ao comandarmos tropas de elite e posteriormente os próprios Darwinians para restabelecer a civilização de Darwinia à normalidade.
Este é o mapa do mundo de Darwinia onde podemos escolher a missão a jogar. Em baixo temos o Dr. Sepulveda a contar algo sobre a história
O jogo diferencia-se dos outros jogos de estratégia na medida em que não temos recursos limitados para “criar” tropas ou armamento, na medida em que os podemos criar e destruir sem nenhuma penalização. A única limitação é dada pela própria capacidade de processamento ou RAM do suposto computador onde estamos, daí apenas poderemos ter um certo número de unidades especiais em campo ao mesmo tempo. Essas unidades especiais resumem-se a pequenos esquadrões armados para combater inimigos, ou engineers que podem reparar edifícios chave ou recolher as “almas” deixadas pelos vírus mortos por nós para as reconverterem em Darwinians. Com o decorrer do jogo vamos encontrando várias peças de “research” que nos vão melhorando a performance das nossas unidades, seja em número como capacidade ofensiva, ou outras armas e equipamento. Quando pudermos controlar os Darwinians, esses também poderão ser comandados para lutar contra os vírus, embora sejam mais frágeis. Os objectivos consistem na sua maioria derrotar os vírus existentes no campo de batalha e restaurar os edifícios construídos pelos Darwinians, como centrais eléctricas, por exemplo.
Os visuais são muito peculiares, fazendo-nos pensar que estamos mesmo num mundo virtual
De resto o jogo traz um poderoso editor de níveis que nos dá muitas liberdades para modificar os níveis existentes ou criar outros. Depois nos audiovisuais os gráficos são certamente o aspecto que chama logo à atenção pela sua peculiaridade. Como vivemos num mundo inteiramente virtual, os gráficos usam um 3D poligonal completamente minimalista, com poucos polígonos, inimigos bastante simples e os Darwinians são pequenas sprites em 2D. Tudo isto é propositado e faz todo o sentido no contexto do jogo. A música passa muitas vezes despercebida, até por só tocar em alguns momentos do jogo. Tanto temos algumas músicas mais ambientais e calminhas, como outras com uma sonoridade bem mais chiptune que me agradam muito mais.
Em Multiwinia a jogabilidade foi mais simplificada, tornando as partidas bem mais rápidas
Por fim, falemos do Multiwinia que é uma sequela mais voltada para o multiplayer, embora possamos também jogar sozinhos. Aqui as mecânicas são semelhantes ao jogo original, embora os controlos sejam um pouco mais simplicados e cada jogador poderá gerir o seu “exército” de Darwinians de forma a aniquilar o adversário. Temos então seis modos de jogo que poderão ser jogados ao longo de 50 mapas. O Domination é uma variante do deathmatch que nos recompensa por destruir todos os inimigos. Temos também modos de jogo como o King of the Hill ou o Blitzkrieg, que nos obrigam a controlar uma série de pontos chave no mapa. Uma variante do Capture the Flag – aqui chamada de Capture the Statue, para os fãs de Counter Strike temos o Assault, onde um exército tem por fim plantar uma bomba e o outro terá de infiltrar a fortaleza e desactivá-la a todo o custo e por fim temos o Rocket Riot, onde cada equipa terá de batalhar para controlar alguns painéis solares que alimentam o seu foguetão. A primeira equipa a conseguir lançar o foguetão ganha.
Sendo jogos de estratégia em tempo real, embora tenham as suas peculiaridades, não são jogos que me agradem particularmente, mas é indiscutível que tenham a sua qualidade e originalidade, pelo que quem for fã deste género de jogos e não quiser esperar pelo novo Total War, ou quiser algo mais ligeiro e diferente, estas são óptimas opções.
Houve um artigo que escrevi para a PUSHSTART que ficou completamente esquecido aqui neste meu espaço: Gomo, publicado pela Daedalic Entertainment, a mesma produtora por detrás de vários outros jogos point and click de óptima qualidade como Deponia, The Dark Eye Chains of Satinav ou Memoria. Mas Gomo é um jogo bem curtinho e bizarro, fazendo lembrar por várias vezes o Machinarium.
Bom, sem mais demoras, poderão ler a minha crítica na íntegra aqui.
Voltando às rapidinhas no PC para mais um jogo indie, nomeadamente a primeira aventura gráfica lançada pelo pequeno estúdio de David Gilbert, o Wadget Eye Games, responsável pela série Blackwell, ou o Gemini Rue. E o artigo vai ser curto pois também consegui chegar ao final do jogo em cerca de uma hora, a história é muito pequena. No entanto até que tem a sua graça, pois não é todos os dias que jogamos com um Rabi, que para quem não sabe é uma espécie de “padre judeu”. E este Shivah entrou na minha colecção após ter-me sido oferecido num sorteio num fórum de videojogos.
Conforme pode ser observado logo no título, este jogo tem uma influência muito forte nas tradições judaicas, pois jogamos com um Rabi que se encontra a passar por alguns dilemas éticos e religiosos e decide fechar a sua sinagoga. Mas na noite em que tomou essa decisão recebe a visita de um detective que lhe dá a notícia que um antigo frequentador da sua sinagoga foi assassinado e lhe deixou uma herança de 10000 dólares, dinheiro mais que suficiente para manter a sua sinagoga que estava a ultrapassar uma grave crise financeira. Mas o que surpreendeu realmente o Rabi Ross Stone é o facto de ele e a vítima terem-se zangado seriamente há uns anos atrás. Assim sendo, e como forma de se redimir por ter-se zangado com o falecido, tenta descobrir o mistério por detrás do seu assassinato.
A Kosher Edition tem uns retratos bem mais detalhados que a edição normal
E as mecânicas deste jogo são as tradicionais de um jogo de aventura point and click, com um botão do rato para interagir com objectos/pessoas, e o outro para simplesmente tecer um comentário sobre os mesmos. Dispomos também de um inventário e de uma lista de pistas que podemos correlacionar para descobrir novas pistas que nos levem mais próximo de resolver o mistério, tal como foi feito posteriormente em alguns jogos da série Blackwell. Para além do mais, nos diálogos temos sempre diferentes abordagens nas nossas perguntas/respostas, podendo nós ser mais bem educados ou sarcásticos, ou então utilizar as “rabbinical response”, que consiste em sermos uns chatos do caraças e responder cada pergunta com outra pergunta. Apesar de as mecânicas de jogo serem simples e eficazes, o jogo peca muito pelo seu pouco conteúdo, pois o mistério resolve-se muito rapidamente e não há assim tanta coisa a acontecer.
Ainda há espaço para algumas ligações à série Blackwell
Graficamente é um jogo com um look bem retro com recurso à pixel art, fazendo lembrar alguns clássicos dos finais da década de 80/inícios da década de 90. No entanto esta Kosher Edition tem os gráficos mais polidos, em especial os dos retratos das personagens sempre que falam, estando agora mais detalhado. A música é OK e suponho que tenha várias influências de melodias judaicas, infelizmente o que não está tão bom é o voice-acting, pois é bem inconsistente. Enquanto que em algumas personagens como os Rabis está ok, no Joe DeMarco está muito mau. No fim de contas este é um bom jogo clássico de aventura point and click, mas peca bastante por ser demasiado curto, embora tenha potencial para ter uma boa história que merecia ter sido bem mais desenvolvida.