Strong Bad’s Cool Game for Attractive People (PC)

Continuando a explorar o espólio da Telltale Games, em virtude de um humble bundle que comprei deles, algures durante este ano por uma bagatela, o jogo que cá trago agora é a adaptação para jogo de aventura do universo Homestar Runner, uma série de animação com as suas origens na internet que pelos vistos era muito conhecida na primeira década deste milénio. Sou sincero, nunca tinha ouvido falar de tal coisa, mas o resultado final até que me agradou bastante, devido a toda a sua bizarrice e humor negro.

Aqui o principal protagonista é o Strong Bad, personagem que inicialmente era o vilão da série, tendo depois evoluído para um papel mais de anti-herói, dando-se mal com todos na mesma. É nessa fase que o apanhamos, onde ao longo de 5 episódios vamos envolver-nos nas mais variadas aventuras, desde encenar um golpe de estado contra o King of Town (equivalente do presidente da câmara lá do sítio), organizar (e depois sabotar) um festival de bandas amadoras, ou encenar um filme de acção repleto de bloopers, o Dangeresque 3.

O primeiro episódio coloca a rivalidade de Strongbad e Homestar Runner à prova

O universo de Strong Bad é muito peculiar, a começar pelo aspecto físico das personagens, onde o protagonista tem um aspecto de lutador de luta livre mexicano, com a sua máscara característica. O seu irmão mais velho, Strong Mad, é um autêntico armário, tanto que nem tem pescoço nem cabeça, e apesar de ser extremamente forte, é também muito pouco inteligente. Homestar e a sua namorada ambientalista Marzipan não têm braços e por aí fora. Cada personagem possui também características muito diferentes entre si nas suas personalidades, o que também enriquece bastante o jogo.

O design das personagens é bastante bizarro. Este é o Strong Mad, irmão mais velho de Strong Bad. Não é muito esperto.

As mecânicas de jogo, essas não precisam de qualquer introdução, pois se gostam de jogos de aventura point and click então sabem perfeitamente com o que contar aqui. Para além disso, o jogo possui também em cada episódio um mini-jogo retro diferente, inspirado em clássicos como o Double Dragon ou Gradius, que podem ser jogados livremente. Até é encorajado obter uma pontuação elevada, pois o jogo tem uma série de pequenos achievements internos, como encontrar vários itens bónus como roupas extra, páginas dos manuais destes videojogos, ou insultar uma série de pessoas. O jogo está também repleto de outros detalhes deliciosos, como o Black Metal Detector, um detector de metais (mas que também encontra objectos não metálicos) que vai tocando acordes de guitarra eléctrica que se vão tornando mais rápidos à medida em que nos aproximamos do objecto a encontrar. Outra parte muito engraçada são as trocas de e-mails que Strong Bad vai fazendo, algo que pelos vistos já era bem conhecido na série de animação.

Em cada episódio temos um jogo novo para experimentar. E páginas do manual para encontrar, que geralmente possuem também alguns cheat codes.

A nível audiovisual é um jogo com gráficos simples, porém eficazes, sendo que o próprio design das personagens contribui bastante para o jogo marcar a diferença. O voice acting está óptimo, com a esmagadora maioria das personagens a ser interpretada pela mesma pessoa, mas de forma muito diferente entre si. As músicas vão sendo mais ambientais e não atrapalham nem se impõem no jogo a menos que seja necessário.

No que diz respeito à longevidade, este Strong Bad até que se comporta bastante bem, pois cada episódio tem uma série de pequenos achievements internos, tal como já referido. Depois de termos terminado um episódio é possível continuar a jogá-lo como Extended Play de forma a explorar mais o mundo e tentar obter os achievements que nos faltem, embora alguns (principalmente aqueles que advém dos diálogos) possam já não ser alcançáveis a menos que recomecemos a aventura.

Bone – Episodes I and II (PC)

Após o Texas Hold’Em, um interessante jogo de poker, porém bastante simplista, a Telltale Games abordou o tema pela qual é mais conhecida, os jogos de aventura! A primeira franchise escolhida foi a Bone, originalmente do mundo da banda desenhada. Este Bone: Out from Boneville, para além de ser uma adaptação do primeiro livro de mesmo nome, foi também o primeiro jogo da Telltale a ser lançado por episódios. O primeiro episódio foi lançado originalmente em Setembro de 2005, com o segundo a chegar às lojas apenas no ano seguinte, em Abril. Esta rapidinha vai compreender ambos os episódios, cujos entraram na minha biblioteca do Steam algures durante este ano, num dos vários Humble Bundles, por uma bagatela.

A narrativa segue a história de 3 estranhas criaturas, os primos Bones, cuja personagem principal é o Fone Bone, o mais sensato dos 3. Os Bones estavam a fugir da sua cidade natal devido aos esquemas manhosos do Phoney Bone, quando se perdem no deserto e acabam por entrar num vale misterioso com criaturas estranhas e um dragão. Ao explorar o vale vão se encontrar com a jovem Thorn e a história vai-se desenrolando, com uma conspiração a ser cozinhada por trás, que envolve misteriosas criaturas e um dragão que ocasionalmente nos ajuda na aventura.

É uma pena que a Telltale não tenha continuado com a série, pois a história começava a ficar interessante

As mecânicas de jogo são as tradicionais de um point and click, com alguns puzzles “a sério” e vários mini-jogos à mistura. Por exemplo, num dos puzzles teremos de encaixar um certo número de objectos numa caravana, noutro temos de guiar um insect a saltar de pedra em pedra até atravessar um rio. Os puzzles e mini-jogos são bastante frequentes, acabando por servir de quebra da repetitivade natural das mecânicas dos point and click.

No festival teremos vários minijogos para experimentar

De resto, este primeiro episódio não o achei muito bom sinceramente. As personagens não eram muito cativantes, mas no segundo episódio, “The Great Cow Race”, a narrativa já melhora, a história já possui momentos bem mais interessantes e é pena que a Telltale se tenha deixado ficar apenas por estes dois episódios. Pelos vistos a receptividade do público não foi a melhor, pelo que um eventual terceiro episódio para dar continuidade à história nunca foi em frente. É pena pois a série termina numa altura em que já me estava a cativar e fiquei com vontade de ver o desenrolar das coisas. É um dos “perigos” deste modelo por episódios, mas felizmente a Telltales tem vindo a fazer um trabalho interessante noutras séries, pelo que o risco de termos mais jogos cancelados a meio acaba por ser mais reduzido.

A nível audiovisual, estes dois Bones são também jogos ainda algo modestos. Os gráficos são num 3D não muito detalhado, mas o voice acting não está mau de todo, e o mesmo pode ser dito da banda sonora. É uma pena que não tenham dado continuidade à série, pois melhoraram substancialmente do primeiro episódio para o segundo!

Texas Hold’Em (PC)

Continuando pelas rapidinhas, o jogo que cá vos trago agora é nada mais nada menos que o primeiro jogo lançado pela Telltale Games, aquele estúdio que é um dos maiores entusiastas dos jogos de aventura neste milénio. E o meu espanto foi tanto que o seu primeiro jogo, tal como o nome indica, é um mero jogo de Poker, na sua variante Texas Hold ‘Em. O meu exemplar digital foi comprado num dos vários humble bundles por uma bagatela.

Bom, e como o seu nome indica, aqui podemos jogar o Texas Hold’Em, uma variante do poker onde começamos o jogo com 2 cartas na mão, e saindo depois uma pool de 3 a 5 cartas para a mesa, usadas por todos os jogadores que estão ainda em jogo. Depois é um jogo de apostas e bluffs, onde nem sempre quem tem as melhores cartas vence.

A piada do jogo está apenas nos diálogos que as personagens vão tendo durante as partidas

O que tem este jogo de diferente? Bom, jogamos contra um conjunto pré-determinado de personagens, onde podemos incluir um pequeno tutorial para quem não conhecer as regras do jogo. A parte engraçada é que as personagens, que possuem um design algo cómico, vão falando entre si durante o jogo, mantendo a partida sempre bem humorada. Gosto particularmente dos gostos musicais da avozinha, que ouve Beethoven, Mozart, Bach e o Reign in Blood de Slayer durante as festas. Fora isso, é um jogo de poker normal. Eu não sou grande jogador, mas consegui vencer um torneio logo à primeira, pelo que a inteligência artificial não deve ser grande coisa.

Sam and Max Season One (PC)

A dupla Sam & Max, que depois do excelente Hit the Road! desenvolvido pela LucasArts, entrou num infeliz e prolongado interregno que durou toda a restante década de 90 e acentuou-se com o cancelamento do Freelance Police por parte da Lucasarts em 2004. Felizmente a Telltale pegou na franchise e o primeiro videojogo que lançaram saiu num formato episódico, tal como muitos outros jogos do estúdio. A primeira temporada, também intitulada de “Save the World”, acabou por sair em formato físico para o PC (e Wii também). A minha versão foi comprada na Mediamarkt de Alfragide há uns anos atrás, pela módica quantia de 2.95€.

Jogo com caixa, manuais e papelada diversa. Esta versão traz também uma série de conteúdo bónus em disco.

Esta aventura leva-nos a resolver uma série de casos que à primeira vista não parecem muito ligados entre si, mas vão fazendo parte de uma trama com uma conspiração em crescendo. A história começa com a dupla a receber finalmente um caso policial, de forma a investigar uns distúrbios causados por 3 anões, outrora estrelas infantis de uma sitcom dos anos 70. Ora os irmãos estavam sim sobre efeito de hipnose, algo que vai escalando de episódio para episódio, onde a hipnose e a manipulação da vontade das pessoas fica sempre em destaque. A conspiração cresce de tal forma que Sam e Max têm inclusivamente de derrubar o governo americano! Desculpem lá o pequeno spoiler.

Ao longo do jogo vamo-nos envolvendo em situações cada vez mais ridículas. A certa altura temos de infiltrar na máfia dos brinquedos e no seu casino!

O jogo está repleto de personagens que vão marcando presença ao longo dos vários episódios, onde para além dos 3 anões com personalidades muito distintas, conseguimos também destacar o Bosco, dono cada vez mais paranóico da loja de (in)conveniência próxima do escritório dos detectives. Ou o caso do Jimmy, o rato manhoso que vive com a dupla de heróis, o presidente banana norte americano (que na altura me pareceu uma sátira a George Bush), entre outros. Os próprios Sam e Max mantêm-se iguais a si próprios, com Sam a ter uma identidade mais pacifista e racional, no entanto sem grandes problemas para usar a violência como solução. Já o Max é aquele coelho completamente doido e homicida!

As mecânicas de jogo são as simples de um jogo de aventura point and click, onde vamos ter de dialogar com as personagens que nos rodeiam, interagir com objectos, apanhar itens e usá-los noutros locais, o costume! Mas outra particularidade interessante deste jogo está na possibilidade de podermos conduzir pelas estradas com o nosso DeSoto. Na verdade teremos de fazer isto muitas vezes para progredir na história, seja participar em perseguições policiais, ou mesmo a situação altamente cómica em disparar sobre o farolim traseiro de um condutor completamente inocente, mandá-lo parar, e multá-lo por isso mesmo.

Bosco, cada vez mais paranóico e com geringonças cada vez mais caras para comprar

Felizmente o jogo está repleto de personagens bastante carismáticas e muitas vezes nos vemos em situações muito cómicas, como quando participamos num programa como Juri num programa como os Ídolos, ou a campanha eleitoral com o próprio Abraham Lincoln. Muitas vezes, nos diálogos, só nos dá vontade de dar aquelas respostas que estão nitidamente erradas só para ver quais vão ser as respostas ou o que se vai desenrolar a seguir.

A nível audiovisual é um jogo algo competente para a época. Sinceramente prefiro de longe os visuais inteiramente 2D com aquelas animações e gráficos em pixel art deliciosos, mas aqui apesar das personagens e cenários estarem representados em 3D, pouco realmente muda: não há um controlo de câmara, mas a mesma vai sendo mais dinâmica, seguindo-nos às voltas pelas salas e ruas que exploramos. Os cenários em si estão bem representados, fazendo-me lembrar na mesma o estilo doido de alguns cartoons como Ren & Stimpy. Em relação aos voice actings acho que estão bem conseguidos, e as músicas vão sendo na sua maioria mais ambientais, o que vai resultando bem com a mood agradável que Sam & Max nos tenta passar.

Os diálogos são tão bons que me dá vontade de falhar de propósito só para ver todas as reacções!

Em suma, embora não seja um jogo tão bom ou bonito quanto o Hit the Road, este tão esperado regresso de Sam & Max foi mesmo muito benvindo. A Telltale acabou por fazer um bom trabalho, mantendo o mesmo tipo de humor e boa disposição ao longo de todo o jogo. Tal como referido acima, só mesmo o facto de não ser em 2D como o clássico não me agradou tanto. Mesmo o facto de ter sido lançado de forma episódica não me pareceu mal de todo, pois os diferentes episódios encadeiam bem uns nos outros.

Star Wars Rebel Assault I + II (PC)

Voltando aos artigos, hoje trago cá 2 rapidinhas em uma, até porque ambos os jogos vieram numa única compilação no steam. A mini série Star Wars Rebel Assault consiste em dois jogos em full motion video, que infelizmente envelheceram muito mal, principalmente o primeiro, que até teve um lançamento para a Mega CD. O meu exemplar digital veio de um dos vários humble bundles, desta vez relacionados com a saga Star Wars e que acabou por ser comprado a um preço muito reduzido como é habitual.

O primeiro Rebel Assault coloca-nos no papel do Rookie One, também de Tatooine, como um recruta da Aliança Rebelde, que começa por treinar navegar uma nave espacial nos desertos de Tatooine, enveredando depois por vários cenários dos filmes Episode IV e a batalha de Hoth, do Empire Strikes Back. A maior parte das missões consistem em missões de pilotagem e shooting, onde os controlos acabam por arruinar bastante a experiência. Isto porque usamos as mesmas teclas para controlar a nave e a mira, o que muitas vezes resulta em não acertarmos nos alvos ou levarmos dano. Não sei o que se passa, mas para mim jogar com o teclado ou rato foi algo completamente impossível. Não sei se por falta de sensibilidade ou por simplesmente serem limitações do emulador dosbox, mas vamos morrer muitas, muitas vezes. Felizmente temos uma barra de energia que se vai regenerando com o tempo, mas com os péssimos controlos vamos morrer muito mais vezes que o suposto. Talvez com um joystick a coisa melhore!

Boa sorte para passar logo a primeira missão!

O primeiro Rebel Assault, datado de 1993, possui videos com gráficos 3D pré-renderizados, ao invés de usar actores reais como muitos outros jogos de Aventura de full motion video que lhe seguiram no decorrer dos anos. Infelizmente a codificação dos videos é muito pobre, com poucas cores e baixíssima resolução, resultando numa imagem muito pixelizada. Parece que estamos a jogar um título de Mega CD, mas infelizmente pelo que vi essa versão ficou ainda pior.

Felizmente ao menos nas missões com uma perspectiva de primeira pessoa, os alvos são assinanalados individualmente

Em 1995 é lançada a sequela, com o subtítulo de “The Hidden Empire”. Desta vez a história já segue outros eventos não narrados nos filmes, onde mais uma vez nos vemos a encarnar no papel de um Rookie One, ao longo de várias missões. Aqui os eventos decorrem algures depois da destruição da primeira Death Star, onde o Império desenvolveu uma frota de naves capazes de se tornarem invisíveis e passam completamente despercebidas às naves rebeldes. Como Rookie One, vamos participar em várias missões que irão levar à destruição dessa frota e das instalações onde as mesmas são criadas.

O segundo Rebel Assault possui uma qualidade de imagem muito superior, mas a jogabilidade infelizmente é semelhante

Graficamente, é um jogo mais bonito na medida em que desta vez usaram filmagens com actores reais, as únicas partes com gráficos prérenderizados acontecem nas cenas de combates espaciais. Infelizmente a jogabilidade mantém-se idêntica… De resto, tanto um título como a sua sequela possuem óptimos voice acting e banda sonora como seria de esperar, até porque esta última é retirada directamente dos filmes, pelo que sabem bem com o que contar.