Discworld Noir (PC)

Finalizando a trilogia de aventuras gráficas baseadas no universo de Discworld, após dois jogos que seguiam as aventuras de um aprendiz a feiticeiro sarcástico, mas incompetente, eis que chegamos ao terceiro e último jogo produzido pelos britânicos da Perfect Entertainment. E, apesar de ser uma aventura gráfica como os restantes, o ambiente desde Discworld Noir é muito diferente, como iremos observar em seguida. O meu exemplar sinceramente já não me recordo quanto custou nem onde foi comprado… sei que foi baratíssimo, vindo de alguma feira de velharias ou loja de produtos em segunda-mão.

Jogo com caixa, muito provavelmente esta edição “Best of” da Infogrames não trazia manual

E esta aventura leva-nos a encarnar num novo protagonista, Lewton, o primeiro e único investigador privado da cidade de Ankh-Morpork. Inicialmente somos visitados por uma mulher misteriosa, Carlotta, que nos oferece uma proposta de trabalho: a de encontrar o seu parceiro Mundy, que havia chegado a Ankh-Morpork a borgo de um navio há meros dias atrás. À medida que vamos investigando, vamos descobrindo uma série de homicídios violentos e sendo envolvidos numa trama conspiratória cada vez mais complexa, o que já dava para adivinhar, após a introdução e cutscene inicial da aventura.

Apesar da atmosfera negra, ao menos o jogo continua com um óptimo sentido de humor

Este Discworld Noir, e o seu novo protagonista, Lewton, marcam então uma grande diferença perante os títulos anteriores. Continua a haver um grande sentido de humor nos diálogos, mas a narrativa é muito mais sinistra, mesmo típica dos filmes “noir” onde os detectives que tipicamente os protagonizam possuem uma moralidade algo ambígua. É o que acontece com o Lewton, que inicialmente era um membro da polícia local, mas viu a sua carreira arruinada e levou com um grande desgosto amoroso em cima, pelo que não é a personagem mais carinhosa do mundo. Mas isto é um Discworld e como referi acima o jogo continua a ter um bom sentido de humor nos seus diálogos, com Lewton a ser especialmente sarcástico e corrosivo. Enquanto Rincewind era também sarcástico, mas com uma personalidade um pouco incompetente e trapalhão, Lewton é bem mais perspicaz nos seus diálogos.

A navegação pelos diferentes cenários é agora mais simples. As localizações que desbloqueamos aparecem de forma bem saliente no mapa

As mecânicas de jogo são as típicas de uma aventura gráfica point and click onde teremos de explorar vários cenários e falar com muitas pessoas. O rato permite-nos não só movimentar pelos cenários, bem como observar/comentar sobre algum objecto ou pessoa, ou interagir/falar com os mesmos mediante o botão utilizado. Para além de um inventário, onde iremos uma vez mais recolher alguns itens necessários para resolver alguns puzzles, Lewton também vai apontando uma série de pistas num bloco de notas, algo que teremos de usar bastante quando dialogamos com outras pessoas. Há é uma menor variedade de cenários a explorar, nunca saímos da cidade de Ankh-Morpork. No entanto, a exploração não é tão complicada quanto no primeiro Discworld, pois as localizações que vamos tendo acesso são assinaladas de forma saliente no mapa da cidade.

Como um bom detective, Lewton vai apontando uma série de pistas no seu bloco de notas, que poderão posteriormente ser usadas nos diálogos com as diversas personagens

A nível gráfico leva-nos a abordar a outra maior mudança perante os primeiros dois jogos. A primeira é a atmosfera. Sendo esta uma aventura noir, toda a acção vai-se passar à noite, pelo que contem sempre com cenários escuros. E convém afirmar que apesar do Lewton ter uma estética muito próxima de um detective dos anos 40, com a sua gabardine e chapéu icónico, toda a narrativa decorre igualmente num mundo de fantasia medieval, o que não deixa de ser um contraste interessante. Já a nível gráfico em si há também algumas mudanças consideráveis. O primeiro Discworld possuía gráficos 2D bem coloridos e com uma pixel art muito detalhada. O segundo jogo eleva os gráficos para um nível de detalhe quase vindo de um filme de animação e, embora eu sinceramente prefira os visuais mais pixel art, não deixa de ter sido um bom trabalho. Este terceiro jogo, lançado em 1999, já sai numa altura onde a indústra quase que obrigava que tudo tinha de ser em 3D ou algo parecido. Pois bem, contem então com cenários totalmente pré-renderizados, onde a única personagem verdadeiramente tridimensional é o próprio Lewton. Mesmo outras personagens ou objectos com os quais interagimos são pré-renderizados e com animações muito rudimentares, o que acaba por não envelhecer tão bem.

Infelizmente os cenários exageradamente escuros e em baixa resoluão não envelheceram bem

E isto leva-nos a outro problema pois ao usar gráficos pré-renderizados a resolução no PC fica travada a 640×480. É um jogo que não corre nativamente em sistemas operativos modernos como o Windows 10, e embora exista um patch feito por fãs para o tornar compatível, esperem por alguns problemas técnicos na mesma. Ora o grafismo pré-renderizado de baixa resolução, aliado a uma atmosfera negra onde todos os cenários são bastante escuros, acaba por tornar este Discworld Noir um jogo que não envelheceu tão bem quanto os seus predecessores. De resto a nível de som continua a ser uma obra excelente. O voice acting oscila entre o excelente e algumas personagens (creio que propositadamente) mais irritantes. O humor está sempre lá e a própria banda sonora, tal como nos filmes noir, vai buscar muitas influências a temas jazz mais soturnos e deprimentes.

Portanto este Discworld Noir é mais uma óptima aventura gráfica, repleta de bom humor. É no entanto um jogo muito diferente dos seus predecessores, não só pela sua atmosfera bem mais negra e um protagonista corrosivo, pois afinal é uma aventura noir. E tal como referi acima, o facto de ser um jogo onde toda a acção decorre à noite, aliado ao facto de os cenários e personagens serem agora prérenderizados, trancados a uma resolução baixa, acaba por não envelhecer tão bem do ponto de vista visual, o que é uma grande pena, pois a narrativa até que continua a ser muito boa e repleta de bom humor.

Battlefield 1 (PC)

Lançado em 2016, 100 anos após a primeira guerra mundial, este Battlefield 1 é um first person shooter que retrata precisamente várias frentes de guerra desse grande conflito. Apesar de não ter sido o primeiro first person shooter a abordar esse tema, muito menos o primeiro videojogo, é provavelmente a primeira grande produção a fazê-lo. De resto, tal como tenho vindo a fazer com os últimos Battlefield que cá tenho trazido, este artigo irá-se focar apenas na vertente singleplayer. Já não consigo precisar quando e onde comprei o meu exemplar, mas certamente não terá custado mais de 15€.

Jogo com caixa, papelada e 5 discos

E esta campanha é composta por 6 capítulos distintos, protagonizados por diferentes soldados em múltiplas frentes de guerra. O primeiro capítulo, que serve de prólogo a todos os horrores que os soldados enfrentaram nos combates de trincheiras, leva-nos precisamente a encarnar num conjunto de diferentes soldados norte-americanos durante uma feroz batalha em solo francês. O jogo avisa-nos, não somos supostos sobreviver muito tempo, e durante esse prólogo iremos precisamente encarnar em diversos soldados que encabeçam uma ofensiva contra posições alemãs. O capítulo seguinte coloca-nos no papel de um soldado britânico, onde teremos de controlar um tanque e tentar alcançar a cidade francesa de Cambrais, passando por várias posições ocupadas por alemães, no entanto. O terceiro capítulo coloca-nos no papel de um piloto americano que se infiltra na força aérea britânica, pelo que iremos participar numa série de batalhas aéreas, incluindo um confronto épico contra vários zepellins alemães. O quarto capítulo já decorre nas montanhas italianas, onde teríamos de enfrentar as forças do Império Austro-Hungaro. O soldado que controlamos possui uma armadura quase medieval, pelo que ele próprio é também uma espécie de tanque humano, isto pelo menos nos primeiros níveis. O quinto capítulo já nos leva para a frente de guerra de Gallipoli no mediterrâneo, onde controlamos um soldado australiano. Por fim, o último capítulo já nos leva para a frentede guerra do médio oriente, onde controlamos uma guerreira feminina, liderada pelo famoso “Lawrence of Arabia”, onde iremos confrontar os soldados do império Otomano no deserto e arranjar forma de destruir um comboio blindado.

O terror dos combates de trincheiras das frentes oeste é apenas um dos vários palcos de guerra que poderemos explorar

Portanto vamos participar em várias frentes de guerra, com combates em trincheiras, travessias da terra de ninguém, combates mais urbanos, bem como algum combate de veículos. Tal como o Battlefield Hardline, no entanto, há aqui também um certo foco numa jogabilidade furtiva, principalmente quando estamos sozinhos e o nosso objectivo é o de explorar/invadir ou simplesmente atravessar zonas inimigas. Nessas alturas poderemos usar o botão Q para identificar e “tagar” soldados, veículos ou armas fixas inimigas que ficarão sempre assinaladas no mapa. Se procurarmos bem poderemos inclusivamente encontrar algumas armas silenciosas ou até, tal como no Hardline, atirar cápsulas de balas para o chão para chamar a atenção de alguns inimigos, de forma a que os consigamos contornar sem ser identificados, ou assassiná-los de surpresa. Podem então contar com uma grande variedade de armas, desde diferentes tipos de revólveres, espingardas, caçadeiras ou já umas quantas metralhadoras. Muito deste equipamento até que achei bastante surpreendente já existir na primeira guerra mundial, como lança rockets, os soldados blindados ou mesmo o facto de os aviões já possuírem alguns mísseis primitivos. Apesar de haver alguma fantasia à mistura, aparentemente a maioria deste equipamento (senão todo) de facto existiu e foi utilizado nessa guerra.

Um dos capítulos leva-nos a controlar um soldado de elite do exército italiano, um homem blindado, munido de uma metralhadora pesada

Graficamente achei o jogo muito bem feito e como já referi anteriormente acho mesmo que o motor gráfico Frostbite 3 foi dos mais poderosos da geração passada. O jogo possui um excelente nível de detalhe gráfico e de física também, pois poderemos destruir edifícios e estruturas se tivermos armas de fogo poderosas o suficiente. A narrativa também é interessante, mostrando diferentes palcos da grande guerra (embora muita coisa poderia ainda ser abordada), e nota-se perfeitamente que, ao contrário da segunda guerra mundial onde os objectivos eram bem definidos por parte das forças aliadas: derrotar regimes governados por tiranos, aqui, principalmente nas batalhas em solo europeu, continua a haver aquela incerteza do porquê de toda aquela carnificina.

Também poderemos conduzir alguns veículos como estes tanques algo primitivos que foram introduzidos precisamente neste conflito

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Battlefield 1, e uma vez mais aviso que apenas me estou a referir à campanha singleplayer. Sei bem que o forte da série Battlefield sempre foram os modos multiplayer (e estou certo que haverá muito bom conteúdo para explorar aqui) mas tenho muito mais jogos para jogar. Ainda assim, gostava que a DICE voltasse a explorar este conflito pois muitos outros palcos de guerra poderiam ter sido explorados, como todas as frentes leste a solo europeu.

Battlefield: Hardline (PC)

Ao transitar entre os conflitos militares modernos para um setting mais urbano e com um foco no trabalho da polícia civil no combate contra o tráfico de droga, este Battlefield Hardline foi algo divisivo na sua recepção, tanto pela imprensa, como pela comunidade de jogadores em si. Tal como tem sido habitual neste tipo de jogos, irei-me focar unicamente na sua campanha single-player, mesmo sabendo que o ponto forte da série Battlefield sempre foi a sua vertente multiplayer. E ainda por cima este até traz vários modos de jogo inéditos, mas eu prefiro mesmo em avançar para o jogo seguinte no meu backlog. O meu exemplar foi comprado numa CeX do Norte do país algures em Setembro de 2020 por 15€.

Jogo com caixa, papelada e os seus 5 discos

Ora e nós encarnamos inicialmente num detective da polícia de Miami precisamente na sua luta contra o tráfico de droga. A corrupção na polícia também é um problema com o qual iremos lidar e, sem querer dar grandes spoilers, digamos que na segunda metade do jogo já jogamos do outro lado da lei. Independentemente disso, a primeira grande diferença perante os Battlefield anteriores é que, como jogamos no papel de agentes da lei, há um grande foco no combate furtivo, com apreensão de criminosos e/ou recorrendo a armas não letais como tasers. Por exemplo: lembram-se quando no Battlefield 3 ou BF4 sempre que matavamos alguém nos eram atribuido pontos de experiência, que por sua vez nos iriam desbloquear novas armas e/ou acessórios? Aqui só recebemos pontos sempre que aprisionarmos alguém, ou os incapacitamos com recurso a armas não letais. Para nos ajudar, no entanto, temos um scanner que nos permite fazer tagging de inimigos ou outros pontos de interesse, como sistemas de alarme ou botijas de gás inflamável ou simplesmente caches de munição onde poderemos não só recarregar as nossas armas, bem como trocar de armas ou equipamento, mediante o que já tenhamos desbloqueado.

O foco da campanha está em não usar força letal nos bandidos e uma abordagem mais furtiva

Portanto o jogo vai ter muitos momentos onde teremos de infiltrar armazéns ou mansões repletas de inimigos e sistemas de alarme, encorajando-nos fortemente a usar uma abordagem mais furtiva. Podemos tentar distrair bandidos e afastá-los da sua posição inicial ou rota de patrulha e posteriormente prendê-los ou incapacitá-los com o taser. Se falharmos, começamos a ser atacados, o alerta é soado e tipicamente surgem mais bandidos para combater. Se algum bandido descobre o cadáver ou corpo inanimado de algum colega, também entram num estado de alerta e ficam mais atentos ao que se passa à sua volta. Naturalmente que vai haver momentos onde não há qualquer hipótese de ser furtivo e teremos mesmo de passar à acção, pelo que é sempre bom ter uma arma adicional para além do nosso revólver, como shotguns ou metralhadoras que eventualmente viremos a ter acesso. Para além disso podemos também usar o scanner para procurar outras provas incriminatórias de casos secundários, bem como existem alguns inimigos com mandatos de captura e se os conseguirmos prender, ou incapacitar, recebemos também mais pontos. Confesso que inicialmente não gostei nada das novas mecânicas de jogo, mas quando me comecei a habituar melhor aos controlos, até me deu bastante gozo limpar todas as zonas de inimigos de forma mais furtiva. Mas isto é só a campanha single player. O multiplayer introduziu muitos outros modos de jogo de polícias contra criminosos, como assaltos a bancos e afins. Até devem ser engraçados, mas como referi acima foquei-me apenas no single player.

Temos também uns quantos segmentos de condução e autênticas perseguições policiais

A nível audiovisual o jogo é muito bom, pois usa o motor gráfico do Frostbite 3, que na minha opinião foi dos melhores da geração passada. Contem então com níveis bastante grandes e muito bem detalhados, que exploram não só os subúrbios da cidade de Miami como os seus resorts, estradas e os seus pântanos, mas também certas partes de Los Angeles e um antro de patriotas no interior Norte-Americano. E também temos aqui um bom sistema de partículas e de dano, com as paredes e locais de abrigo a poderem ser destruídos consoante o poder de fogo utilizado. A narrativa não é nada do outro mundo, mas acho que as personagens estão também muito bem representadas e com um voice acting competente. O jogo em si é apresentado como se uma série policial se tratasse, pois os níveis são chamados de episódios e temos sempre um recap do episódio anterior, bem como um preview do episódio seguinte, entre cada nível ou sessão de jogo.

O scanner serve não só para fazer tagging de inimigos e objectos de interesse, mas também para investigar evidências de outros casos policiais

Portanto este Battlefield Hardline foi um jogo que me causou muito má impressão quando lhe peguei. O seu foco na furtividade e combate não letal foi algo que me custou a habituar, até porque inicialmente apenas estamos munidos de uma pistola quando os inimigos começam a ter shotguns e armas automáticas. Depois com o tempo lá me fui habituando às mecânicas de jogo e até comecei a gostar, mas no fim de contas este Battlefield continua a ser um jogo que deveria ter um nome diferente pois é muito distinto dos shooters militares que estamos habituados.

Battlefield 4 (PC)

O Battlefield 3 foi o último jogo onde ainda dediquei bastantes horas na sua vertente multiplayer. Desde então a minha colecção tem vindo a crescer bastante pelo que, apesar de muitos jogos terem modos multiplayer robustos e divertidos, pura e simplesmente actualmente prefiro gastar as dezenas de horas que perderia num multiplayer em jogar antes outros jogos. De resto, não me lembro de todo como este jogo veio parar à colecção pois não fiz nenhum registo disso. Na Origin tenho a Premium Edition com todos os DLCs, na estante tenho a versão normal. O que eu suspeito que tenha acontecido é o mesmo do Battlefield 3, ou seja, que me tenham oferecido a chave da Origin e posteriormente arranjei a versão física ao desbarato mais tarde.

Jogo com caixa, papelada e 3 discos

Portanto este artigo será mais breve pois irei-me apenas focar na sua campanha single player que, sinceramente, me desiludiu um pouco, pois até que gostei bastante da campanha anterior. Aqui encarnamos num membro de um esquadrão de elite ao serviço da marinha norte-americana e que nos leva a estar envolvidos numa revolução militar chinesa. Um dos focos desta campanha foi o uso dos binóculos tácticos que poderemos usar na maior parte do jogo, permitindo-nos identificar e “marcar” inimigos no ecrã, bem como a posição de objectivos ou a de caches de munição, onde poderíamos inclusivamente trocar as nossas armas por quaisquer outras que tenhamos então desbloqueado. A grande novidade estava então no facto de nós, como líderes do esquadrão, podermos indicar-lhes quais os alvos a atacar.

Mapas grandes e sem loadings intermédios, perfeito!

Até aqui tudo bem, mas agora vamos para as coisas não tão boas. Uma das razões pela qual gostei da campanha do jogo anterior é o facto de a mesma ser bastante abrangente no sentido em que tal como no multiplayer, poderíamos vir a controlar imensos veículos desde tanques, helicópteros ou aviões. E aqui infelizmente não iremos controlar nenhum veículo aéreo ao longo das 7 missões que compõe esta campanha single player, mas isso é o mínimo. O pior é mesmo que a campanha está repleta de bugs e a inteligência artificial dos nossos companheiros é tão eficaz como ligar o ar condicionado num carro descapotável. Basicamente sempre que os ordenamos para abrir fogo numa determinada posição inimiga, eles apenas fazem o chamado supressing fire, raramente matam alguém. E em confrontos de 3 contra 30 dava jeito que eles fossem um pouco mais eficazes. Havia alturas em que eu estava acampado num canto a eliminar inimigos com uma sniper rifle a torto e a direito e subitamente tinha um inimigo a disparar sobre mim pelas costas. Os inúteis meus companheiros disparavam-lhe à queima-roupa e não o matavam e isto acontecia frequentemente. Mas para além disso a campanha está repleta de bugs, um deles que é inacreditável como não foi corrigido desde 2013 até agora. Na terceira missão, onde temos de nos infiltrar num porta aviões que está prestes a afundar para resgatar um disco rígido, teremos de mergulhar e atravessar alguns corredores submersos. Mas pura e simplesmente a nossa personagem não consegue nadar para a frente! E isto é algo que acontece em todas as versões do jogo, tanto em consolas como no PC, pelo que investiguei. A solução é pausar o jogo, despausar e pressionar imediatamente para frente, a nossa personagem consegue dar umas 3 ou 4 braçadas e avançar um pouco até ficar presa novamente, pelo que teremos de repetir este processo várias vezes até emergimos. Felizmente oxigénio não é um problema.

Na campanha poderemos equipar 2 armas, granadas e ainda 2 gadgets adicionais como minas anti-tanque, mísseis stinger, entre outros.

A nível gráfico este é o primeiro jogo que utiliza o motor gráfico Frostbite 3 da DICE que foi sem dúvida um dos melhores motores gráficos da geração passada. Para um título de 2013, o jogo possui gráficos muito bons e um seus pontos fortes era o sistema de partículas e de física, evidente na destruição de edifícios ou até quando surgiam tempestades tropicais e tufões. A narrativa, no entanto é um pouco fraca. O Irish é tão chato que só me apetecia enchê-lo de balas, o que me facilitou bastante a escolha final que temos de fazer na campanha (a última missão até que foi um bocado anti-climática, para ser sincero). De resto contem com um jogo visualmente muito apelativo e que envelhece bem desde o seu lançamento de 2013.

Portanto este Battlefield 4 possui uma campanha que me deixou algo desiludido. É um FPS sólido, mas estava à espera que a campanha fosse um pouco maior, até para nos dar a oportunidade de controlar mais alguns veículos. A inteligência artificial do nosso esquadrão era horrível e os bugs que encontrei também não foram pontos positivos. No entanto não posso deixar de dizer que durante a campanha fiquei logo com o bichinho de ir jogando alguns mapas no multiplayer, pois foi no Battlefield 4 que começaram a introduzir alguns eventos externos nos mapas multiplayer como o surgimento repentino de tempestades ou destruição de edifícios massivos para apimentar um pouco mais as coisas.

Quest for Glory V: Dragon Fire (PC)

Depois de uns quantos meses, foi altura de voltar à saga Quest for Glory para a finalizar com este Dragon Fire, o seu último capítulo. Tal como os seus predecessores, este é um híbrido entre uma aventura gráfica point and click tradicional ao estilo da Sierra, mas com várias mecânicas de RPG também. Tal como os outros Quest for Glory que cá trouxe no passado, este veio num bundle gigante de jogos da Sierra, comprado no Steam algures em 2020 por uma bagatela.

E depois de visitarmos reinos com influências germânicas, árabes, egípcias, africanas e da europa de leste, chegou a vez do nosso herói viajar para o reino de Silmaria, seguramente inspirado pela civilização da Grécia antiga. Acontece que alguém assassinou o rei lá do sítio e o herói acaba por ser chamado pelo seu amigo Rakeesh para investigar o que se passa. Na verdade vamos acabar por participar nos Rites of Rulerships, uma espécie de concurso onde todos os pretendentes a Rei terão de realizar uma série de tarefas que irão determinar se estarão à altura das exigências de liderar aquele reino. É que para além do assassinato repentino do seu rei, os habitantes de Silmaria não têm tido uma vida fácil, com mercenários estrangeiros a invadirem muitas das suas aldeias piscatórias e os tritões, sereias e sereios do que resta da Atlântida começaram também a atacar todas as embarcações de Silmaria. Há a suspeita que esses acontecimentos estão todos interligados numa grande conspiração, e as provas que iremos ter de superar nos Rites of Rulership irão servir mesmo para desvendar todos esses mistérios.

À medida que combatemos ou fazemos outros tipos de actividade física vamos melhorar várias skills diferentes

No que diz respeito à jogabilidade, vamos começar com a parte do point and click. Tal como nas aventuras gráficas mais modernas que a Sierra desenvolveu na segunda metade dos anos 90, a interface foi simplificada, existindo apenas dois cursores diferentes. Um para observar (e comentar) sobre qualquer coisa que cliquemos, o outro para interagir com objectos, iniciar diálogos com pessoas, combates ou mover de um lado para o outro. Já nas mecânicas de RPG, poderemos criar um herói que assenta em diferentes classes (guerreiro, feiticeiro ou ladrão) ou poderemos importar um save de jogos anteriores, onde poderíamos também ter desbloqueado a classe secreta de paladino e usar essa classe nesta aventura. Cada classe terá diferentes características, com os guerreiros a usarem o combate e aptidões físicas para progredir no jogo, enquanto os feiticeiros terão acesso a um grande número de feitiços que podem ser usados no combate ou até nalguns puzzles. Os ladrões têm de treinar bastante para se tornarem eficientes em combate mas em contrapartida podem usar os seus talentos para outro tipo de quests também. Já os paladinos são semelhantes aos guerreiros nas suas aptidões físicas mas, sempre que practiquem boas acções, vão ganhando também alguns feitiços importantes que darão grande ajuda no combate.

Os diálogos são todos narrados com voz, excepto o próprio narrador

Temos uma cidade central com uma pensão onde podemos dormir, comer e recuperar a nossa energia, bem como uma série de lojas onde poderemos comprar itens, magias (se formos feiticeiros) ou equipamento e armas. Mas tal como no Quest for Glory III temos uma área considerável a explorar fora da cidade, onde a nossa personagem vagueia pelo mapa mundo (podendo inclusivamente ser atacada) mas as áreas de interesse aparecem sinalizadas com ícones. O combate ficou um pouco simplificado, agora temos de usar o ponteiro do rato para seleccionar o alvo que queremos combater e depois as teclas F e G para atacar, D para defender. Os itens podem ser transitados do inventário principal para um inventário mais facilmente acessível, com os ícones mesmo ao lado das nossas barras de vida/magia/fadiga, pelo que rapidamente podemos seleccionar alguns itens regenerativos ou magias para nos auxiliarem durante os combates. É uma interface mais simples, mas ainda está muito longe da simplicidade dos action RPGs pós Diablo. De resto contem também com as características do costume: os dias passam e a nossa personagem precisa de comer e dormir. A barra de fadiga esgota-se com a actividade física e uma vez esgotada começa também a afectar a barra de vida, pelo que teremos de nos manter em forma. À medida que vamos combatendo, mas também realizar outras actividades físicas como escalar paredes, atirar objectos, nadar, entre outros, vamos subindo também os nossos skill points nessas categorias. Portanto vamos ter de fazer muito grinding para nos tornarmos eficientes no combate, a menos que editem os vossos saves para poupar esse trabalho.

Tal como em títulos anteriores poderemos negociar os preços de compra e venda dos mais variados objectos

Do ponto de vista gráfico, infelizmente este não envelheceu tão bem quanto os anteriores. Para mim o jogo que envelheceu melhor foi o Quest for Glory III com o seu pixel art extremamente bem detalhado e colorido. O jogo seguinte também incluía cenários e personagens bem detalhadas, mas com base em cenários desenhados à mão. Este quinto jogo já sai no final de 1998 então a Sierra apostou em personagens em 3D poligonal e cenários pré-renderizados, que infelizmente não envelheceram lá muito bem. Mas ficou bem melhor que o terceiro Gabriel Knight, onde apostaram em 3D poligonal total. O voice acting, no entanto, continua bastante competente, apesar de desta vez não haver narração com voz. A banda sonora também é agradável e bastante orquestral.

Graficamente o jogo possui cenários pré-renderizados e personagens em 3D poligonal que sinceramente não envelheceram lá muito bem

Portanto a série Quest for Glory encerra com este quinto jogo que até acaba por finalizar a história de forma satisfatória. A inclusão de muitas personagens dos jogos anteriores foi certamente um presente para todos os fãs que ansiavam fechar a saga (após um interregno de 5 anos após o título anterior). A mistura de elementos de aventura gráfica e RPG até que foram um conceito interessante, mas a série nunca conseguiu implementar um bom sistema de combate, na minha opinião. No entanto, o facto de haver alguma não linearidade na resolução de problemas até terá sido um bom factor para aumentar a longevidade dos seus jogos, para quem quisesse experimentar as diferentes classes disponíveis.