Bart Simpson’s Escape from Camp Deadly (Nintendo Game Boy)

Vamos voltar às rapidinhas, desta vez ao Game Boy clássico para mais um dos jogos dos Simpsons lançados durante os anos 90. Os jogos dos Simpsons desse período sempre tiveram má fama pois existem de facto uns quantos títulos maus. Por exemplo, eu adoro o Bart versus Space Mutants, apesar de admitir que os seus controlos são maus e as suas mecânicas de jogo não são lá muito intuitivas. Este lançamento de Game Boy é bem mais simples, no entanto. O meu exemplar chegou cá à colecção algures no mês passado, depois de comprar um lote considerável de consolas e jogos a um particular.

Cartucho solto

A premissa do jogo é simples. Nas férias de Verão, os irmãos Bart e Lisa foram enviados para um campo de férias, o Camp Deadly (só pelo nome não me pareceria uma boa ideia) e quando lá chegam reparam que o campo é gerido por um parente do Mr. Burns, o maléfico patrão do Homer Simpson. Os primeiros níveis ilustram a vida no campo que acaba por ser um inferno para Bart e Lisa que decidem escapar, no que já é a segunda metade (ou último terço?) do jogo.

Cada nível é precedido de um ecrã que detalha o que vai acontecer.

As mecânicas são simples, com um botão para saltar e um outro para atacar. O ataque de Bart são bolas de papel com cuspe, que apenas paralizam temporariamente os inimigos, mas rapidamente poderemos encontrar a nossa mana Lisa que nos dará bumerangues que podem ser utilizados como arma. Tal como referi acima, a primeira parte do jogo é toda ela passada no Camp Deadly, onde começamos os níveis por ver o programa de actividades. Primeira actividade da manhã: uma espécie de capture the flag na floresta com a equipa A composta por nós, e a equipa B por todos os restantes miúdos. Na verdade isto são níveis normais de plataformas onde perto do final lá encontramos a tal bandeira para apanhar. Segunda actividade: visitar a tenda da cantina para a primeira refeição e sobreviver a uma batalha de comida. Aqui Bart não pode cuspir nem usar os seus bumerangues, tendo no entanto de apanhar a comida dos balcões que pode ser utilizada como arma de arremesso. Terceira e quarta actividades: o mesmo dos níveis anteriores. É aqui que Bart e Lisa decidem escapar, com os níveis seguintes a serem em montanhas, cavernas e uma estação eléctrica que alimenta o parque de campismo.

A Lisa surge em vários níveis, pronta a nos ajudar com power ups

Outros power ups relevantes são os donuts (pelo menos acho que são donuts) que nos servem de barra de energia, ou seja, se perdermos todos os donuts (ou cair à água) faz com que percamos uma vida. Felizmente poderemos também encontrar vidas extra espalhadas pelos níveis. Ocasionalmente a Lisa também nos arranja alguns itens especiais para ajudar a ultrapassar certos obstáculos como um fato de apicultor ou um fato anti radiação.

A comida da cantina é um pouco nojenta, não admira que os miúdos a atirem uns contra os outros

A nível audiovisual confesso que até achei este jogo bem detalhado graficamente, pelo menos considerando as capacidades primitivas do Game Boy. É verdade que não há uma grande variedade de cenários, mas os poucos que existem até que estão bem detalhados. Os inimigos não são nada de especial, mas ao menos a música é agradável (isto se gostarem da música tema dos Simpsons, pois vamos ouvi-la imensas vezes) e o jogo possui também algumas vozes digitalizadas, o que não é muito comum em jogos de Game Boy clássicos.

Portanto este Bart Simpson’s Escape From Camp Deadly é um simples jogo de plataformas e que embora não seja nenhuma obra prima, também não é um jogo tão mau quanto muitos o pintam.

Super Mario RPG (Nintendo Switch)

Em jeito de terminar o ano de 2023, decidi jogar mais um título deste ano, desta vez algo bastante melhor que o Gollum com o qual estreei a minha Xbox Series X. Mas apesar de o lançamento da Switch ser deste ano, na verdade este é o remake de um dos muitos RPGs da Super Nintendo, tendo sido desenvolvido originalmente pela própria Square Soft em cooperação com gigante nipónica. Lançado originalmente em 1996, infelizmente é um jogo que nunca chegou a ser lançado em solo europeu, pelo que quando a Nintendo anunciou este remake algures neste ano, fiquei muito contente pois finalmente o poderia adicionar à colecção. E que prazer me deu voltar a jogar esta aventura, visto que já tinha terminado o original, através de emulação há mais de 20 anos atrás! Este remake ficou a cargo da Artepiazza, estúdio japonês também responsável por várias conversões e remakes de títulos de séries como Dragon Quest ou Romancing SaGa. O meu exemplar foi comprado nas campanhas de leve 3 pague 2 da Worten na última black friday. Comprei-o ainda com o preço de pré-reserva, pelo que o jogo me ficou a cerca de 35€.

Jogo com caixa

A história leva-nos uma vez mais ao Mushroom Kingdom, onde a princesa Peach foi raptada por Bowser e Mario, já no castelo do vilão, combate Bowser uma vez mais para a resgatar. Este segmento de jogo serve como uma espécie de tutorial para nos habituarmos ao sistema de combate e estas primeiras lutas são bastante simples. Bowser é uma vez mais derrotado mas, quando estávamos prestes a salvar a Peach, eis que o castelo é invadido por uma espada gigante que o atravessa de uma ponta à outra, com Mario, Bowser e Peach a serem disparados pelo ar em direcções distintas. Lá teremos de procurar a princesa novamente e descobrir o que raio se passou ali. Eventualmente vamos saber que o mundo de Mario foi invadido pelo gangue dos Smithy’s, inimigos na forma de armas e teremos de os derrotar, assim como coleccionar 7 estrelas que estão por aquele mundo espalhadas.

Esta primeira luta contra o Bowser é um clássico!

E este é então um RPG por turnos à moda antiga, mas com toda uma série de particularidades que o destacavam dos demais. Os inimigos estão presentes no ecrã, pelo que os combates apenas são despoletados quando entramos em contacto com os mesmos. Começamos inicialmente com Mario, mas iremos entretanto fazer mais alguns amigos que irão acabar por entrar na nossa party, sendo alguns caras novas, outros bem conhecidas (mas nenhum é o pobre Luigi). Durante os combates poderemos atacar, usar habilidades especiais, usar itens ou outras acções como defender ou tentar fugir de alguma batalha. Um detalhe interessante é que o jogo utiliza algumas das mesmas mecânicas que viriam mais tarde a serem reaproveitadas na série Mario & Luigi, onde para causar mais dano teremos de pressionar o botão A no momento certo, sendo também possível anular o dano sofrido por alguns ataques inimigos da mesma forma. As técnicas especiais/magias requerem também que pressionemos alguns botões adicionais para surtirem mais efeito! De resto, ainda relativo ao sistema de batalha, só de referir que a nossa party activa é constituída por 3 elementos, sendo que o Mario tem de estar sempre presente. Ora como vamos ter 5 elementos no total, o jogo permite-nos, sem qualquer penalização, que troquemos de membros em plena batalha!

Os vilões desta aventura são os Smithys, inimigos na forma de armas como espadas, machados ou arcos

Outras mecânicas do mundo Mario não foram esquecidas, como os diversos itens familiares ou a exploração, com alguns elementos muito ligeiros de platforming. No primeiro caso, itens como cogumelos ou flores são recorrentes e os primeiros servem para recuperar pontos de vida, enquanto as flores recuperam os MP – que por sua vez são partilhados entre todos. Tal como nos jogos de plataforma, vamos poder encontrar vários blocos com pontos de interrogação que contêm moedas ou itens e muitos destes podem até ser secretos e invisíveis! Um item que também podemos apanhar enquanto exploramos são as estrelas que nos conferem invencibilidade temporária. Enquanto o efeito da invencibilidade estiver activo, todos os inimigos com os quais entramos em contacto são imediatamente derrotados e os seus pontos de experiência atribuídos!

Uma das melhorias de qualidade de vida deste remake é a possibilidade de nos tele-transportarmos para várias áreas previamente visitadas

Portanto este é um RPG algo simples nas suas mecânicas, ideal para principiantes! O facto de a pool de mana ser partilhada entre todas as personagens, a possibilidade de trocarmos de personagem a qualquer momento por alguma suplente ou mesmo o facto de os pontos de experiência serem partilhados entre todas as personagens, mesmo as que não estejam activas, são mecânicas que simplificam as coisas consideravelmente. A narrativa é também bastante ligeira e repleta de algum bom humor, algo que transitou também para as restantes séries RPG do universo Mario, como Paper Mario ou Mario & Luigi. À medida que vamos explorando, iremos ter também acesso toda uma série de minijogos ou sidequests opcionais que podem ser revisitados a fim de obter melhores recompensas! A Nintendo incluiu algumas novidades neste remake como por exemplo a inclusão de novos golpes poderosíssimos e que utilizam as 3 personagens activas em simultâneo, um bestiário, um modo de dificuldade ainda mais generoso ou algum conteúdo post-game, como a inclusão de vários bosses novos e bem mais desafiantes.

O contador do canto inferior esquerdo vai incrementando à medida em que vamos causando dano extra (ou negar dano sofrido) com os inputs adicionais nos combates. Quando chegar a 100% poderemos desbloquear um poderoso ataque a 3.

No que diz respeito aos audiovisuais, a primeira coisa que salta à vista é a perspectiva isométrica com que o jogo se apresenta, tal como no original da Super Nintendo. Em jogos que não tenham uma componente de plataformas muito forte, a perspectiva isométrica é uma boa alternativa de representar mundos numa perspectiva tridimensional e que na Super Nintendo funcionava muito bem. Existem no entanto alguns (felizmente poucos) segmentos com platforming mais exigente e aí a perspectiva isométrica já nos complica um pouco as coisas. Para a Switch, os gráficos foram todos refeitos mantendo toda a identidade dos originais e o jogo apresenta-nos um mundo muito charmoso e com cenários bastante variados entre si. Seria interessante, tal como em vários outros remakes de jogos retro disponíveis no mercado, transitar entre os gráficos originais e os do remake, mas infelizmente isso não existe. Temos no entanto a possibilidade de, nas opções, escolher entre a banda sonora original e a nova, sendo que ambas são bastante agradáveis.

Visualmente o jogo está muito bonito e sendo tudo numa perspectiva isométrica a Switch aguenta bem.

Portanto este Super Mario RPG é um excelente jogo, sendo um RPG algo simples nas suas mecânicas e ideal para iniciantes no género. Mas mesmo para quem for mais experiente, não deixa de ser uma aventura a jogar, pois o jogo tem todo aquele charme do universo Mario e isso foi trazido para um RPG de uma forma brilhante. O este remake foi uma surpresa que a Nintendo anunciou ainda em Junho deste ano e que me apanhou completamente desprevenido. Visto que o lançamento original da SNES nunca chegou a ser lançado oficialmente cá (foi uma das razões pela qual comprei uma Super Nintendo Mini), o original de SNES era um jogo muito cobiçado e mesmo no próprio mercado norte-americano os exemplares que existem têm vindo a subir bastante de preço, pelo que fiquei bastante contente com este lançamento. Venha o Earthbound!

Go Go Ackman 2 (Super Nintendo)

Tempo de voltar à Super Nintendo para mais uma rapidinha a um dos seus muitos exclusivos nipónicos. Lançado um ano após o Go Go Ackman, esta sequela introduz várias novidades a nível de mecânicas de jogo, embora sinceramente eu tenha preferido o lançamento original como um todo. E este veio também directamente do Japão, tendo-me chegado às mãos algures em Novembro.

Jogo com caixa e manual

A história leva-nos uma vez mais a controlar Ackman, um jovem demónio que continua a ser perseguido por Tenshi, um anjo irritante e que o quer matar a todo o custo. E tirando o regresso de alguns dos bosses originais logo no primeiro nível, a trama introduz-nos uma série de novos vilões: a banda de rock cristão Metalangels, constituidos por um vocalista todo bombado, um guitarrista rock, outro rockabilly (um Elvis gordo), um baterista rastafari e um teclista nerd, sendo que cada uma destas personagens é um boss nos vários níveis que vamos atravessando. A parte curiosa é que nenhuma dessas novas personagens fez parte do trabalho original de Akira Toriyama, embora acredite que ele tenha sido consultado na sua génese, pois são todas bastante carismáticas de certo modo.

Visualmente continua um jogo bastante colorido, animado e detalhado

A nível de mecânicas de jogo as coisas são mais ou menos idênticas ao anterior, com um botão para atacar, um para saltar, outro para atirar bombas capazes de causar dano em todos os inimigos no ecrã em simultâneo (estas com munições limitadas) e um outro botão que nos permite agarrar/atirar certos inimigos. Vamos tendo também várias armas que poderemos encontrar e equipar e estas poderão até ser melhoradas até um máximo de 3 níveis, ao apanhar o mesmo power up de forma consecutiva e sem trocar de arma no entanto. Porém basta sofrer o mínimo de dano que se perdem os upgrades, o que é pena. De resto até que há alguma variedade maior nos níveis, embora o jogo como um todo seja mais curto. Para além dos níveis tradicionais de plataformas, ocasionalmente temos segmentos de shmup (incluindo um nível onde é o próprio Tenshi que nos carrega), ou um daqueles níveis com carrinhos de minas.

A introdução de alguns dos bosses do primeiro jogo logo no início é um dos pormenores bastante engraçados!

Visualmente é um jogo muito colorido e bem detalhado, tal como o seu antecessor. As sprites estão bem detalhadas e animadas, onde o traço de Akira Toriyama é bem notório. Já os níveis vão sendo também bem coloridos e detalhados. Entre níveis vamos tendo imensos diálogos que até estão bem engraçados e felizmente que temos um patch de tradução feito por fãs que nos permita apreciar todos esses segmentos de história, sem recorrer a qualquer ferramenta como o Google Lens.

Portanto estamos aqui perante mais um competente jogo de plataformas, embora ache que o original seja ligeiramente superior a nível de longevidade. Ainda assim gostei bastante das novas personagens, o que me deixa um pouco triste pelo Akira Toriyama nunca ter dado grande atenção a esta série. Não precisava de ser um Dragon Ball, mas tinha todo o potencial para ser uma série mais descomprometida e bem humorada tal como o Dr. Slump. A Banpresto lança ainda, no final de 1995, um terceiro jogo que aparentemente é considerado o melhor da trilogia pelos fãs. Infelizmente é também um jogo caríssimo, pelo que ficará para outras núpcias.

Go Go Ackman (Super Nintendo)

Tempo de voltar à Super Nintendo para um jogo que sempre me despertou a curiosidade desde que o conheci, isto há já vários anos atrás quando comecei a explorar a emulação de Super Nintendo mais a sério após ter conseguido um full romset. O facto de o protagonista parecer o Trunks chamou-me logo à atenção e uma pesquisa na internet levou-me ao manga Go Go Ackman que é da autoria de nada mais nada menos que o próprio Akira Toriyama. É uma obra curta, publicada através de pequenos histórias entre 1993 e 1994, pelo que na altura as li bem rapidinho e gostei bastante! Para além do manga e de uma pequena OVA de 15 minutos, presumo que a série até tenha tido um sucesso considerável no Japão, pois a Banpresto acabou por lançar 3 jogos da mesma para a Super Famicom e um para o Game Boy clássico. O meu exemplar chegou-me às mãos no passado mês de Novembro, tendo sido o meu primeiro leilão ganho no Yahoo Japan, onde me custou cerca de 40€ e trazia ainda um strategy guide que apesar de estar inteiramente em japonês, é incrivelmente bem detalhado.

Jogo com caixa e manual. À direita temos o guia oficial que ganhei no mesmo leilão

A série Go Go Ackman conta as aventuras de um demónio adolescente que se vê na altura de se começar a portar como um adulto, ou seja, lá terá de matar humanos e coleccionar as suas almas para as oferecer ao diabo. Mas Tenshi, um anjo seu rival, tenta constantemente impedir Ackman de matar humanos, embora as suas tentativas geralmente terminam sempre em tragédia, acabando por fazer pior figura. É um manga que me faz lembrar de certa forma o Dr. Slump pelo seu humor simples e descomprometido. Neste jogo teremos Tenshi a tentar travar-nos, pelo que teremos uns quantos níveis para atravessar e defrontar uma série de pequenos anjos e outros bosses peculiares que Tenshi recruta para nos vencer, desde um assassino profissional, um campeão de artes marciais ou até uma stripper! Portanto só por esta premissa já dá para entender que vai ser um jogo bem humorado e felizmente existe uma tradução para inglês feita por fãs.

O facto de recolhermos almas para o diabo, presumo que esta série não teria sido lá muito bem recebida em alguns países ocidentais mais conservadores.

A nível de mecânicas este jogo não complica, pois é um simples jogo de plataformas. O direccional move Ackman e os botões faciais a servirem para atacar, saltar ou usar uma bomba que causa dano a todos os inimigos em simultâneo, embora estas tenham munição limitada e apenas podemos carregar com um máximo de 3 em simultâneo. Temos ainda o L que serve para Ackman correr. Existem vários itens e power ups a coleccionar, desde corações que nos regeneram a barra de vida, as tais bombas referidas acima e uma série de diferentes armas de munição ilimitada que substituem os socos e pontapés assim que as apanhemos. Destas incluem-se uma espada, uma pistola ou uma espada-bumerangue que eventualmente nos volta às mãos depois de a atirarmos. Ocasionalmente teremos alguns níveis onde conduzimos veículos ou com mecânicas ligeiramente diferentes, como é o caso de um dos últimos níveis onde ganhamos um jetpack, conseguindo dessa forma saltar mais alto e longe. Também ocasionalmente teremos a possibilidade de optar por caminhos alternativos que nos levam a jogar segmentos do nível completamente distintos entre si. De resto é um jogo que se jogado com calma não é muito complicado, embora os inimigos façam respawn constante.

Visualmente este é um jogo muito colorido e bem detalhado!

Visualmente é um jogo fantástico com cenários bastante diversificados entre si, muito coloridos e bem detalhados. As sprites tanto dos protagonistas principais como dos inimigos no geral estão também igualmente bem detalhadas, animadas e coloridas. A Super Nintendo era mesmo uma máquina fantástica de 16bit para quem gosta de pixel art! A banda sonora é agradável, sendo composta largamente por músicas alegres e animadas, bem características de séries de animação. Entre níveis vamos tendo algumas cut-scenes algo cómicas, pelo que é sempre de louvar o facto de existirem fãs que tenham traduzido os videojogos desta série.

Alguns dos bosses que iremos enfrentar são hilariantes!

Portanto o Go Go Ackman é um jogo simples de plataformas, mas bastante divertido e competente na minha opinião, sendo ainda enriquecido pelos seus visuais bem detalhados e todas aquelas personagens algo cómicas que o Akira Toriyama bem nos habituou ao longo dos anos. E se este primeiro jogo, que sai no Japão já no final de 1994 tem esta qualidade visual, fico muito curioso para as suas sequelas que sairam no ano seguinte, numa altura em que a geração das máquinas 32-bit já estava presente em força no território nipónico.

Tom and Jerry in Infurnal Escape (Nintendo Game Boy Advance)

Vamos voltar à Game Boy Advance para uma rapidinha a um jogo que confesso que comprei mais por impulso do que por outra coisa. Veio de uma das minhas visitas à Cash Converters algures no passado mês de Outubro onde encontrei uma série de jogos de Game Boy Advance em caixa, mas infelizmente nenhum deles era particularmente bom. Fiquei no entanto curioso com este Tom and Jerry pois a GBA por vezes tem alguns títulos interessantes baseados em desenhos animados e que acabam por passar bastante despercebidos, como é o caso do Shin Chan, por exemplo. O que não é o caso, pois o jogo foi desenvolvido pela NewKidCo, da qual eu já cá trouxe no passado o Tom and Jerry in Mouse Attacks.

Jogo com caixa e manual

A premissa do jogo até que é algo surpreendente pois no meio das habituais perseguições e confrontos entre o gato e rato, Tom leva com um piano em cima e morre. Sim, morre e vai para o inferno, onde está prestes a passar por tormentas eternas. Mas eis que aparece uma gata anjo que se propõe a salvar Tom, mas para isso ele terá de passar por uma série de desafios. E por desafios entenda-se atravessar níveis cada vez mais labirínticos em busca de objectos ou outros gatos.

A história é contada através de algumas imagens estáticas que acredito terem sido retiradas dos desenhos animados

O jogo está então dividido em dois mundos distintos com vários níveis, começando por visitar uma base militar repleta de bulldogs. O objectivo em cada um destes níveis é o de explorá-lo ao máximo, coleccionar toda uma série de ossos dourados e descobrir a saída do nível. O segundo conjunto de níveis é passado num castelo onde teremos de encontrar e libertar uma série de gatos feitos prisioneiros e posteriormente descobrir a saída. Pelo meio teremos inúmeros inimigos para enfrentar, obstáculos para atravessar e armadilhas para evitar, tudo isto com os níveis a ficarem cada vez mais complexos e labirínticos. Precisaremos também de interagir com alavancas e rebentar com barris de dinamite para activar plataformas ou abrir passagens. De resto as mecânicas de jogo são simples, com um botão para saltar e um outro para atacar e vamos tendo também a hipótese de encontrar diversos itens e power ups como aquários com peixes que nos regeneram vida, itens que nos dão invisibilidade ou invencibilidade temporária, enormes paus que servem para atacar ou um queijo que sinceramente nunca descobri bem para que serve e não tive grande vontade de consultar o manual para entender o seu propósito. Um jogo simples de plataformas 2D portanto, embora os saltos e a detecção de colisões não seja de todo a melhor.

Graficamente até que é um jogo bonitinho, mas poderia ter sido mais polido na jogabilidade

Passando agora para os gráficos, bom o jogo até que é bonitinho com sprites bem detalhadas (se bem que não gosto muito da sprite e animações do Tom para ser sincero) e com níveis muito bem detalhados. No entanto, preferia de longe que os níveis fossem um pouco mais curtos e houvesse maior variedade de cenários, pois temos apenas 2 conjuntos de níveis. É verdade que os cenários vão-se alterando ligeiramente de nível para nível, mas gostava que houvessem mais temas distintos. Depois de todos esses níveis temos também um confronto contra um boss final no inferno, cuja sprite é gigante e muito bem detalhada. Os efeitos sonoros estão repletos daqueles sons típicos de desenhos animados e as músicas sinceramente não as achei nada de especial.

Um detalhe interessante é que se perdermos todas as vidas somos levados a um nível no inferno onde teremos de recolher uma série de almas para ganhar novas vidas e tentar novamente

Portanto este Tom and Jerry é um jogo que apesar de ser graficamente bonito e bem detalhado, apresenta uma jogabilidade algo aborrecida e também um pouco frustrante por vezes, devido aos saltos não serem lá muito fluídos e a precisão dos ataques também não ser a melhor.