Recentemente escrevi para a PUSHSTART mais uma review a um jogo clássico, o Shadowgate, versão NES. É um jogo de aventura peculiar, quanto mais não seja pelo seu clima de terror e mortes violentas que não foram censuradas pelas políticas apertadas de “boas famílias” que a Nintendo apregoava na altura.
Jogo completo com caixa, manual e papelada
Apesar do texto (que pode ser consultado aqui) incidir sobre a versão NES, a versão que eu tenho na minha colecção é a Gameboy Color, lançada uns bons anos depois. É essencialmente o mesmo jogo, mas devido ao ecrã reduzido da Gameboy, a interface foi “encolhida bastante”, com o ecrã a fazer scroll enquanto navegamos nos menus ou exploramos a sala. A minha cópia foi comprada algures num dos meses passados na Cash Converters de Benfica por 6€, estando completa e em óptimo estado.
Entretanto também adquiri num Humble Bundle a versão original do jogo, emulada directamente das versões Mac. É essencialmente o mesmo jogo, alterando o interface que permite mais acções com o uso do rato e teclado. Existem 2 versões, uma a preto-e-branco do Macintosh e outra a cores do Apple II.
O artigo de hoje será mais uma “super rapidinha”, pois o tempo tem sido mesmo curto. R.C. Pro-Am é um jogo de corridas de carrinhos telecomandados, produzido pelo outrora gigante estúdio europeu da Rare, que nos habituou com o passar dos anos com lançamentos excelentes para as consolas da Nintendo e não só. E possivelmente este RC Pro-Am até que foi um dos primeiros sucessos da empresa para a NES, embora não seja um jogo que me agrade particularmente.
Apenas cartucho
O jogo apresenta-se numa perspectiva isométrica que veio mais tarde a influenciar outros videojogos que a utilizaram e os controlos são simples com o D-Pad a controlar o movimento do nosso carro, um botão para acelerar e um outro para utilizar armas. Sim, apesar de ser sobre carrinhos telecomandados podemos utilizar armas como mísseis para atacar os carros que vão à nossa frente, ou bombas para os que se ficam atrás. Essas armas são apanhadas ao longo dos circuitos e o número de munições mantém-se de pista em pista. Para além de armas podemos também encontrar peças que melhoram o nosso carro, como pneus, motor, turbo, itens como “escudos” que nos protegem contra o dano ou mesmo letras que vão formando a palavra Nintendo, e que por sua vez nos permite adquirir carros melhores.
As pistas estão cheias de powerups e obstáculos
O objectivo consiste em chegar pelo menos na 3a posição para avançar de circuito, existindo 24 circuitos diferentes, mas o jogo a repetir-se enquanto vamos “sobrevivendo”. Esses mesmos circuitos têm também alguns perigos como poças de água ou óleo, pequenas zonas onde se activa temporariamente o turbo, ou mesmo barreiras que nos param de uma vez. A jogabilidade é simples e entende-se o porquê de o jogo ter sido um sucesso, mas muito sinceramente acabo por preferir outro com um conceito não muito diferente: Micromachines.
Alguns powerups servem para aumentar a performance do carro
A nível de audiovisuais não é o melhor jogo de sempre. Não esperem por circuitos muito detalhados, nem músicas que nos fiquem para sempre gravadas na memória, até porque só existem pequenas melodias de transição de uma corrida para a outra. Os efeitos sonoros cumprem bem o seu papel. De resto, R.C. Pro-AM é um jogo que não é nada mau do catálogo da NES, mas pura e simplesmente não é de um género que me agrade particularmente.
A série Mario Land foi bastante importante na biblioteca da Gameboy, pois apesar do primeiro jogo ser bastante simples, ainda assim provou que seria possível ter experiências nas máquinas portáteis muito próximas do que se fazia nas consolas domésticas. O Super Mario Land 2 já foi uma grande evolução a nível gráfico, com o jogo a tirar muito bem partido do hardware monocromático desta portátil lendária da Nintendo. Esse jogo em particular introduziu uma nova personagem no universo da Nintendo, o anti-herói Wario, que aparentemente foi bem recebido e a partir desde terceiro jogo da série o foco passou a estar todo em Wario. Este meu exemplar foi comprado na loja 1UP, custou-me quase 7€, um valor um pouco mais alto que eu costumo dar por um cartucho de Gameboy, mas visto ser um jogo pelo qual tenho um carinho muito especial, não me importei nada.
Apenas cartucho
As mecânicas de jogo são bastante parecidas aos jogos tradicionais de plataformas de Mario, mas ao mesmo tempo são diferentes. Saltar em cima dos inimigos ou pegar neles e arremessá-los para qualquer lado continua a ser possível, mas com Wario há um maior foco nas suas outras habilidades. Na sua forma “crescida”, Wario pode dar encostos de ombro nos inimigos, ou mesmo em blocos que podem ser quebrados dessa forma. Depois os outros power ups podem conter um de três diferentes capacetes, cada qual com as suas habilidades. O capacete de viking faz com que os “charge attacks” de Wario sejam mais poderosos, bem como ser possível fazer um “pound attack” como Mario em pleno ar, atarantando os inimigos que estejam nas proximidades. Um capacete com asas permite-nos voar, e efectuar esses charge attacks em pleno ar (ou água) e por fim temos a cabeça de dragão que cospe fogo capaz de destruir blocos e inimigos, mas perde o efeito do charge attack.
As passagens secretas para os tesouros estão sempre trancadas à chave
Ao longo do jogo vemos também imensas moedas, mas ao contrário de Mario onde servem unicamente para efeitos de pontuação ou de angariar vidas extra, aqui servem mesmo para a coisa mais óbvia: unidade monetária. Já as vidas podem ser ganhas cada vez que apanhemos 100… corações! Faz mais sentido, não? De qualquer das formas as moedas são muito importantes, para além de ser necessário pagar 10 para desbloquear a porta de saída da maioria dos níveis, o final que alcancemos dependerá muito do dinheiro que tenhamos na “conta”. Por um lado, no final de cada nível podemos sempre experimentar um minijogo onde apostemos moedas ou corações, mas uma outra fonte de dinheiro bem rentável consiste em explorar todos os níveis de cima a baixo, pois em alguns deles teremos passagens secretas que nos levam a tesouros escondidos. A exploração é algo que tem um foco muito maior na série Wario Land, como poderemos ver também nos jogos seguintes.
Este é o minijogo onde podemos ganhar mais moedas. Basta escolher o balde certo, o que não foi o caso.
Os níveis são muito bem detalhados, e sendo o jogo passado numa ilha em busca de tesouros, há um grande foco em temáticas inspiradas nos filmes de piratas. Aliás, os vilões do jogo são mesmo piratas e o objectivo é mesmo o de Wario conseguir chegar aos tesouros antes deles. Wario Land tem mais essa particularidade: a Nintendo, como bastião dos bons valores e costumes como sempre o foi, lança este jogo onde somos os maus da fita e o objectivo é mesmo o de fazer o máximo de dinheiro possível, dê por onde der. Mas voltando aos audiovisuais, as sprites também são muito bem detalhadas, tornando este jogo ainda mais delicioso de ser jogado. As músicas são fora do comum. Muitas delas são baseadas na mesma melodia, mas com “roupagens” completamente diferentes, algumas mesmo bastante minimalistas. Sinceramente gostei e é daqueles que nos deixa com as músicas presas ao nosso subconsciente pelos dias seguintes.
Como sempre temos alguns bosses para derrotar também.
Este é para mim um dos, senão mesmo o meu jogo preferido da Gameboy clássica. É um excelente jogo de plataformas, com uma óptima jogabilidade, níveis bem desenhados, boa exploração, excelentes gráficos tendo em conta o hardware onde corre, enfim, tudo é bom. E claro, é dos jogos de Gameboy que mais nostalgia me traz. Absolutamente recomendado.
Mais uma rapidinha a um jogo da série Pokémon, desta vez o Pokémon Snap! da Nintendo 64. Um jogo original, mas que no fim de contas nem tem assim tanto conteúdo que justifique um artigo mais extenso. Pokémon Snap foi lançado na primeira febre Pokémon, ainda durante a primeira geração dos bichinhos e já na altura foi um jogo original, onde ao contrário do habitual “vamos apanhá-los todos” ou metê-los à porrada uns contra os outros, o objectivo deste jogo é simplesmente de os fotografar, ao longo de uma viagem por uma ilha. Este cartucho foi comprado juntamente com a minha N64, que me custou ao todo 40€ mais 3 jogos, incluindo este, o que achei um bom preço.
Jogo, apenas cartucho
Logo no vídeo de introdução dá para prever que este é um jogo com um conceito diferente. Como sempre o protagonista é um jovem, mas desta vez o Professor Oak tem um objectivo diferente para nós: que viajemos para uma ilha remota e repleta de Pokémons e que tiremos fotografias a todos os Pokémon que possamos encontrar. Quanto melhor forem as fotos, por exemplo, estarem bem centradas, próximas e com o bicho a olhar para a câmara, melhor! Para isso Oak desenvolveu um veículo próprio que nos leva num caminho pré-definido e a viagem termina caso cheguemos ao fim do percurso, ou se estourarmos todos os fotogramas do rolo (60). Mas como podemos percorrer cada percurso as vezes que quisermos não há grande problema em levar as coisas com calma.
Por vezes temos o Oak a falar connosco para nos dar a conhecer alguma novidade
Inicialmente apenas podemos interagir com os Pokémons com as fotos, mas depois à medida que vamos progredindo no jogo e desbloquear outros percursos Oak vai-nos dando mais itens, como comida, as Pester Balls que servem unicamente para irritar os bichinhos e a Pokémon Flute. Todos esses itens podem ser utilizados para fazer com que alguns pokémons apareçam, como atirar Pester Balls para o rio à espera que uma Magikarp ou Goldeen salte cá para fora, ou fazer com que tenham diferentes poses, que poderão dar azo a fotografias bem pontuadas, como acordar o Snorlax com a Pokémon Flute, por exemplo. Sim, no final de cada viagem temos de escolher uma foto de cada Pokémon para dar ao Oak, e ele avalia cada foto que lhe enviamos.
Ao interagir com os bichos por vezes conseguimos deixá-los em poses que nos darão mais pontos se forem fotografadas
A interacção com os Pokémons acaba por ser essencial para obter melhores fotos, desbloquear outros circuitos e fazer com que alguns Pokémons evoluam (experimentem atirar um Charmeleon para um poço de lava), mas tirando isso, e chegando a altura em que conseguimos fotografar todos os Pokémons (neste jogo não temos todos os 151 Pokémons da primeira geração, longe disso, ao contrário do que eu pensava), já não haverá muito mais a fazer, a não ser completar alguns desafios para cada circuito, como obter um determinado número de pontos numa viagem.
Como habitual, não esperem um grande trabalho a nível de texturas aqui
Graficamente é um jogo bastante colorido, mas nada do outro mundo. A Nintendo 64 sempre foi boa a apresentar modelos poligonais com mais polígonos do que as suas concorrentes, mas o facto de ter utilizar cartuchos ao invés de CDs, nunca há muito espaço para texturas elaboradas, e é o que acontece neste jogo. Mas também os Pokémons são bichos simples, portanto não tem problema. A música é bastante relaxante, adequando-se perfeitamente ao “safari” que nos é apresentado. Os efeitos sonoros também não tenho nada a acrescentar, cumprem bem o seu papel e temos direito a algumas voice-samples do professor Oak.
Pokémon Snap é um jogo original, apesar de não ter assim tanto conteúdo. De qualquer das formas acho que seria uma boa ideia a Nintendo lançar uma sequela para a 3DS ou mesmo a WiiU, acho que ambas as plataformas possuem características que assentariam bem neste conceito de jogo.
O artigo que trarei cá hoje é mais uma rapidinha de Gameboy Color, nomeadamente o Pokémon Trading Card Game que tal como o nome indica, é uma adaptação do famoso jogo de cartas baseado na franchise. Que por acaso joguei quando era mais novo e ainda tenho lá por casa umas cartas perdidas. E este cartucho, tal como muitos outros das Gameboys, acabou por ser comprado na cash converters de Alfragide, por um valor entre os 3 e os 4€. Edit: Recentemente arranjei uma versão em caixa num bundle grande que comprei.
Jogo com caixa
Tal como nos jogos principais da série Pokémon, aqui o nosso protagonista também é um jovem apreciador dos bichinhos, mais precisamente as suas cartas e também parte com a missão de derrotar os 8 líderes de diversos clubes de cartas Pokémon e por fim defrontar os “Elite 4” que guardam as cartas lendárias de Zapdos, Moltres, Dragonite e o outro que agora não me estou a lembrar do nome. Inicialmente também temos uma espécie de “Professor Oak” que nos lança neste mundo e nos dá o nosso deck inicial, que pode ser baseado quer no Bulbasaur, Charmander, ou Squirtle. E claro, também teremos um rival que escolhe o deck forte contra o nosso. Ou seja, se escolhermos o deck do Bulbasaur que é um Pokémon de elemento erva, ele escolhe o do elemento fogo e por aí fora.
Os danos elementais são tidos em conta também no jogo de cartas
E este jogo acaba por ser uma boa maneira de se aprender a jogar o trading card game de Pokémon, pois parece-me ter um grande número de cartas relativas a esta primeira geração e os combates seguem as regras direitinhas. Podemos colocar vários pokémons em jogo, embora apenas um activo, e em cada turno podemos alocar uma carta de magia num dos nossos bichos, para permitir que consigamos atacar com as suas habilidades. Temos também as cartas de “treinador” com acções como ir buscar outras cartas ao baralho, curar os nossos Pokémons, retirar energia dos pokémons dos nossos oponentes, entre outras acções mais estratégicas. Podemos utilizar todas as cartas desse tipo em cada um dos nossos turnos, o que na minha opinião retira alguma piada de gestão estratégica de cartas desse tipo. Bom, não é Magic the Gathering…
No fim dos duelos recebemos sempre um ou outro booster com mais cartas aleatórias
No que diz respeito aos audiovisuais, é um jogo competente. Para quem jogou os Pokémons de primeira geração já sabe mais ou menos com o que contar aqui, e todas as cartas têm algum detalhe dentro do possível das Gameboys clássicas (sim este jogo também é 100% compatível com as GBs a preto-e-branco). As músicas são bastante animadas, e algumas melodias acabam mesmo por nos ficar gravadas na memória, o que é bom.
Posto isto, acho este um jogo sólido, para quem já jogou Pokémon TCG no passado e gostaria de reviver essas memórias, ou mesmo para quem nunca o fez mas até aprecia card games. Sinceramente não faço a mínima ideia se hoje em dia o TCG de Pokémon continua activo, mas caso esteja, não se compreende como é que a Nintendo nunca mais lançou nenhum jogo destes para os seus sistemas mais recentes. Existe uma outra sequela deste jogo também para a Gameboy Color, mas ficou-se apenas pelo Japão. A DS, ou actualmente a 3DS seria uma plataforma excelente para receber um novo jogo deste género.