Mach Rider (Nintendo Entertainment System)

Mach RiderPara não variar, mais uma rapidinha que apesar de ser sobre um videojogo que até gosto bastante, também não tem muito que se lhe diga dado a sua simplicidade. E o jogo que trarei cá hoje é nada mais nada menos do que o Mach Rider, um jogo de corrida e combate num futuro apocalíptico e desenvolvido pela própria Nintendo, o que eu acharia algo muito improvável de acontecer nos dias de hoje. E este exemplar em específico, do qual possuo apenas o cartucho, chegou cá após uma troca com um particular, algures durante o mês passado.

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Cartucho europeu, por acaso gosto mais da artwork americana

Mach Rider decorre então num futuro em ruínas para a humanidade, após a Terra ter sido invadida pelas forças do mal. Apenas uma pessoa pode salvar todo o planeta, e claro que essa pessoa somos nós, pois afinal somos o “Mach Rider”. Existem aqui 3 ou quatro modos de jogo distintos, nomeadamente o Fighting Course, Endurance, Solo ou Design. O primeiro, talvez o que eu mais joguei ao longo de várias tardes entretido com a minha famiclone, é o modo principal do jogo, onde até vamos vendo a história a desenrolar-se entre cada um dos circuitos. Aqui corremos ao longo de várias “pistas” em plenos desertos, combatendo também uma série de inimigos que nos vão aparecendo à frente (e também por detrás se formos lentos) e evitando todos os obstáculos que se atravessem no nosso caminho.

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Sempre gostei do conceito pós-apocalíptico deste jogo, mesmo quando era uma criança.

Os controlos são simples, com um botão para acelerar e o outro para disparar. Travão? O que é isso? De resto, para além do óbvio que fazem os direccionais esquerdo e direito, podemos mudar de mudança os os direccionais para cima e baixo acabando também por controlar a velocidade dessa forma. Ainda no primeiro modo de jogo, que acaba por entrar em loop ao fim de 20 níveis, podemos escolher um de 2 circuitos para concorrer em cada nível, e conhecer o seu layout acaba por ser uma das chaves para o sucesso, pois basta bater nalgum obstáculo como um bidão ou rocha para explodirmos, sem mencionar as poças de óleo ou água que fazem com que a nossa moto deslize muito mais. O combate é interessante, pois para além de dispararmos rajadas de metralhadora, podemos também “encostar” os inimigos à berma da estrada e fazer com que eles mesmos batam contra os bidões ou rochas e se destruam. Tanto no Endurance como o Solo, o objectivo é similar, sendo uma espécie de Time Attack. Aqui o objectivo é fazer um certo número de quilómetros num determinado intervalo de tempo. A diferença entre ambos é que um contém inimigos, o outro apenas os obstáculos na estrada. Por fim temos o design que nos deixa criar os nossos próprios circuitos, tal como no Excitebike.

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O jogo possui um editor de circuitos que até é bem simples de se mexer, como se pode ver

Nos audiovisuais este é um jogo muito simples. A influência do filme Mad Max 2 é notória, até porque andamos aos tiros a motoqueiros num mundo pós apocalíptico em ruínas. Graficamente é muito pobrezinho, em especial nos detalhes da estrada e em especial do background, existindo apenas 3 imagens de fundo para os vários circuitos. Uma com umas rochas altas, outra com ruínas de uma cidade e uma outra com uma cidade grande e aparentemente ainda segura. Tudo o resto são apenas variações das cores, que afectam tanto a estrada e essas mesmas imagens de fundo, como o próprio Mach Rider e sua moto. As músicas também são poucas, mas sinceramente até acho que estão muito boas e adequam-se perfeitamente para esse cenário apocalíptico.

É um jogo que acho interessante, apesar de toda a sua simplicidade, mas também deve ser encarado como um videojogo de 1985, numa altura em que a Nintendo sozinha tentava re-erguer o mercado norte-americano das consolas de videojogos e para isso teve de desenvolver e lançar vários videojogos por ela própria, até ganhar o apoio definitivo das thirds. Gostava de ver a Nintendo a pegar novamente em algo deste género, embora com a sua política de desenvolver videojogos “para toda a família”, não me parece que alguma vez o venham a fazer.

Operation Wolf (Nintendo Entertainment System)

Operation WolfAgora que adquiri mais 2 joguitos de NES no passado mês, implica novos artigos para esta plataforma. E o primeiro que vou agora escrever trata-se nada mais nada menos do que de uma adaptação de um dos sucessos de arcade da Taito nos anos 80, o Operation Wolf. A versão que eu mais tinha jogado foi a da Master System que, para além de ter gráficos mais coloridos acaba por ser mais ou menos a mesma coisa. Este cartucho em específico é a versão NTSC e foi-me oferecido por um particular.

Operation Wolf - Nintendo Entertainment System
Jogo na sua versão NTSC, apenas cartucho

Aqui nós encarnamos num comando norte-americano com a missão de nos infiltrarmos em território inimigo e resgatar uma série de prisioneiros de guerra. As semelhanças com Rambo não são mera coincidência pois todos os apetrechos militares parecem mesmo retirados das décadas de 70/80. De resto, este é um lightgun game, onde as versões caseiras que sairam para a Master System e NES têm também o suporte às lightguns respectivas do sistema, podendo também usar os comandos normais. E se por um lado jogar este jogo apenas com um comando pode tornar-se bastante caótico, em especial nos níveis mais avançados onde os inimigos não páram de surgir no ecrã, jogando apenas com a Zapper (que infelizmente ainda não possuo) também nos obriga a ter o comando numa outra mão, pois é necessário carregar no botão B para lançar granadas.

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As diferentes missões que podemos jogar. Cada uma tem um número diferente de inimigos que temos de derrotar, mas nalgumas outras temos mesmo de resgatar pelo menos 1 prisioneiro para poder acabar o jogo.

O jogo está dividido em 6 níveis diferentes, cujo fluxo até segue uma sequência lógica. Primeiro temos de assaltar o centro de comunicações, para garantir que os próximos ataques continuam com o elemento surpresa, a missão seguinte é passada na selva onde temos de extrair informação sobre o campo de concentração e por aí fora, até que nas últimas 2 missões tentamos libertar finalmente os 5 prisioneiros de guerra, e na última temos de os escoltar no aeroporto inimigo, para voltar novamente a casa. Antes de cada missão, temos sempre de derrotar um certo número de inimigos, só depois o nível termina. Por exemplo, logo no primeiro nível temos de destruir 4 helicópteros, 5 carros blindados e 55 soldados. Quando destruirmos os 4 helicópteros pretendidos, também não aparecem mais até ao final do nível, a menos que seja algum boss escondido. Mas para além dos inimigos temos sempre gente inocente que não podemos atacar, como enfermeiras, crianças ou mesmo os próprios prisioneiros que tentamos salvar. Se os atacamos, perdemos um pouco mais de vida.

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O jogo não é tão colorido como na sua versão arcade, como seria de esperar, mas ainda assim não é mau de todo

De resto convém também referir que a munição não é ilimitada. Cada “magazine” contém 20 balas, se bem que podemos obter mais munições, incluindo as granadas que causam splash damage (cuidado para não matar inocentes) e geralmente vêm sempre em números reduzidos. Para isso basta disparar para alguns animais que vão-se atravessando no meio da confusão, largando alguns desses items e outros power-ups, como a possibilidade de ter rapid-fire com balas infinitas durante 10 segundos, ou restabelecer alguma da vida perdida. Mas com tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo é mesmo necessário ter reflexos de lince para conseguir apanhar tudo, e evitar sofrer muito dano, o que foi sempre o maior problema para mim neste jogo. Para além disso, podemos ainda ter alguns pequenos níveis extra, com ataques surpresa dos inimigos, mas sinceramente não percebi se isso é um acontecimento aleatório ou não.

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O game over não acontece apenas quando morremos. Ficar sem munições também não é nada bom

No que diz respeito aos audiovisuais é óbvio que o jogo está uns bons furos abaixo da versão arcade, cuja para o ano em que foi originalmente lançada, apresentava sprites muito bem detalhadas e grandinhas, para além de gráficos muito mais coloridos. Era a magia das arcades naqueles tempos! Aqui o jogo começa com uma pequena cutscene semelhante ao original (mas sem as animações), e depois vamos tendo cenários com backgrounds bem detalhados para uma NES, embora as sprites sejam no geral muito mais pequenas do que no original, o que é perfeitamente compreensível. As músicas são quase não existentes, tocando apenas no ecrã título. nos interlúdios entre missões e no final. São clipes pequenos, onde se notam bem as influências militares, mas nada do outro mundo.

Acho este Operation Wolf um jogo interessante, mas tenho pena de não o ter experimentado com uma Zapper. Jogando com o comando, é preciso comer muita sopinha (e uns bons bifes) para conseguirmos apontar a mira sempre para o sítio certo no meio de toda a cacofonia de tiros e explosões que vamos presenciando.

Duck Tales (NES) / Duck Tales Remastered (PC)

Na passada PUSHSTART escrevi um artigo que se enquadra na rubrica “Old vs New”, onde se comparam diferentes versões do mesmo jogo, ou o original com uma sequela mais recente e se ilustram as diferenças e as evoluções que os mesmos sofreram ao longo dos anos. Eu resolvi escolher os Duck Tales, o original de NES, e o seu remake lançado em 2013 salvo erro, na versão PC.

Duck Tales - Nintendo Entertainment System
Jogo original da NES, apenas cartucho e sleeve protectora

O jogo da NES eu possuo apenas o cartucho, tendo sido mais um dos jogos que comprei recentemente num bundle de NES/SNES a um utilizador do fórum Collectors Corner. O remake para PC foi comprado há uns meses atrás na Mediamarkt de Alfragide por 10€.

Duck Tales Remastered - PC
Remake em HD do primeiro jogo, versão PC, completa com caixa e papelada

Sobre os jogos? São excelentes jogos de plataforma, mas poderão ler a minha opinião completa aqui.

Kung Fu (Nintendo Entertainment System)

Kung Fu - NESPara não destoar, este artigo é mais uma rapidinha. Mas também para o jogo que é, não haveria outra forma de escrever aqui um artigo, tal é a sua simplicidade. Kung Fu, da Irem, é um jogo para a NES lançado em 1985, podendo então ser considerado como um dos jogos de primeira geração desta consola.  E este foi mais um dos jogos comprados num bundle de NES/SNES por 50€ a um utilizador do fórum Collector’s Corner. Contém apenas o cartucho.

Kung Fu - Nintendo Entertainment System
Jogo, apenas cartucho

A história por detrás deste jogo é muito simples. Encarnamos em Thomas, mestre da nobre arte do Kung Fu mas que vê a sua namorada a ser raptada pelo mestre de um dojo rival. O resto do jogo consiste em nós atravessarmos os vários andares desse mesmo dojo, distribuindo pancada em todos os que se atravessam à nossa frente até conseguirmos resgatar a donzela em perigo. Nada fora do comum portanto. Mas esse dojo não tem só oponentes humanos, mas também serpentes/dragões e traças (os insectos) gigantes!

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O ecrã título não engana. Estamos perante um jogo da primeira geração da NES

O jogo apresenta-nos 4 modos distintos de jogo mas que não mudam muito entre si, apenas o grau de dificuldade e se jogamos sozinhos, ou com mais um amigo (para jogar alternadamente). De resto, é sempre a mesma coisa, em cada nível apenas nos temos de preocupar em andar numa direcção e enfrentar os inimigos que nos vão aparecendo um pouco por todos os lados. Felizmente este não é dos jogos em que basta recebermos um soco para perder uma vida, mas sim temos uma barra de energia que vai sendo esvaziada à medida que vamos levando porrada. Os bosses, que não há muitos, também têm uma barra de energia própria. A jogabilidade é bastante simples, sendo possível executar golpes altos (ao saltar), baixos ou médios. Nada que enganar!

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Graficamente é um jogo bastante simples e com pouca variedade

Graficamente é um jogo muito, muito simples. Não há grande variedade (para não dizer mesmo nenhuma) nos cenários e os inimigos são sprites bastante simples. O que para os padrões de 1985 até era normal, não fosse um certo canalizador bigodudo estragar a média. As músicas também são poucas e repetidas até à exaustão, o que não é uma coisa boa. Os efeitos sonoros também não são os melhores e embora até me pareça ter vozes digitalizadas as mesmas acabam por ser algo irritantes ao serem repetidas ao extremo.

Por estas razões, Kung Fu não é um jogo que eu recomende. Tem o seu valor de ser um dos mais antigos beat’ em ups antes de a fórmula ter sido refinada em jogos como Double Dragon ou Final Fight, mas precisamente por isso é que existem alternativas muito superiores, mesmo na própria NES.

Super Mario Bros. 3 (Nintendo Entertainment System)

SMB3Super Mario Bros 3 é um jogo que dispensa quaisquer apresentações. É o epítome de game design para uma plataforma 8bit e ainda hoje impressiona como é que conseguiram meter tanta variedade, detalhe e coisas secretas para descobrir num cartucho de 256KB. Lançado originalmente no ano de 1988 no Japão, este jogo apenas chegou à europa em 1991, competindo directamente com um certo ouriço azul da Sega. E esta minha cópia do jogo em particular chegou-me às mãos no mês passado, sendo mais um dos jogos que veio num bundle de NES/SNES que comprei a um utilizador do fórum Collector’s Corner por 50€. Está com caixa, falta-lhe o manual. Update: recentemente ofereceram-me uma caixa novinha em folha e o manual!

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual

A história começa com Mario a salvar reis de 7 diferentes reinados, que foram transformados em animais por vários dos filhos de Bowser, culminando também invariavelmente por salvar a princesa Peach no final. Mas é ao “meter as mãos na massa” que vemos como diferente está este jogo do Mario. Sim, saltar em cima dos inimigos para os derrotar, ou entre várias plataformas continua a ser o prato do dia, mas agora podemos fazer muito mais. A começar pelas habilidades, podemos agora deslizar sob rampas, ou pegar em objectos e atirá-los aos inimigos (OK, isso já se podia fazer no Super Mario Bros 2 / Doki Doki Panic, mas esse é um caso à parte) e temos novos powerups como a Super Leaf que nos deixam com uma cauda e orelhas de guaxinim e com isso conseguimos “voar”/planar durante algum tempo, ou mesmo o Tanooki Suit, que nos deixa com um fato completo de guaxinim com as mesmas habilidades, mas também podemo-nos transformar numa estátua e ou cair como um peso pesado sobre inimigos, matando-os, ou ficar temporariamente invulneráveis, mas também imóveis. Outro dos power-ups novos é o fato de sapo, que nos dá uma maior liberdade de movimentos dentro de água bem como saltos mais altos, ou o fato de Hammer, que nos deixa atirar martelos para os inimigos, entre outros!

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O que salta à vista neste jogo é logo a quantidade de detalhe e todas as cores

Este é também o primeiro jogo da série a apresentar um overworld, onde podemos escolher qual o nível a jogar em seguida. Para além dos níveis normais, em que também temos geralmente 2 bosses por cada mundo, existem também alguns “níveis” de bónus, onde podemos jogar alguns mini jogos que nos presenteiam com mais vidas, ou powerups, como cogumelos, super flores ou afins, que podem ser armazenados e utilizados no overworld. Esta é também uma práctica que passou a ser bastante utilizada em outros jogos do Mario em 2D, como os New SMB. Como se isto não fosse suficiente, existem muitos segredos a descobrir, como zonas secretas, maneiras bem tricky de ganhar vidas ou warp zones que nos permitem avançar mais rapidamente no jogo.

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O jogo tem também a sua vertente para 2 jogadores que vão progredindo de forma alternada

Existe uma teoria que este jogo na realidade “não aconteceu”, tudo não passou de uma peça de teatro. Essa teoria ganha força a começar pelas cortinas a abrir quando começamos a aventura e pelas plataformas “pregadas” à parede no primeiro mundo. No final de cada nível também parece que estamos a sair “de cena” e quando se chega ao final do jogo, também as mesmas cortinas se fecham. É uma teoria engraçada, mas que só reforça a veia criativa da Nintendo, em especial neste jogo. De resto todos os mundos são distintos entre si, com cenários mais verdejantes, outros com uma temática mais aquática ou aérea. Também é de notar que este é o primeiro jogo onde aparecem os fantasmas boos, que nos perseguem sempre que lhes voltemos as costas. Tecnicamente é um jogo muito detalhado, tanto para os padrões da NES, como para os padrões de 1988, sendo muito provavelmente um dos jogos mais bonitos dessa época. As músicas continuam excelentes como sempre foi habitual nesta série, mas na minha opinião, os melhores temas continuam a ser os dos dois primeiros jogos.

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Por vezes podemos jogar alguns minijogos que nos poderão dar alguns goodies

Em suma, Super Mario Bros 3 é um excelente jogo de plataformas e sem dúvida que é um dos melhores jogos que a geração 8bit nos trouxe até nós. Depois deste lançamento inicial da NES, ainda saiu um remake mais colorido para a SNES na compilação Super Mario Bros. All Stars, e posteriormente ainda um outro remake para Gameboy Advance como o Super Mario Advance 4. Mas isso será conversa para um eventual artigo futuro…