Mario Party 4 (Nintendo Gamecube)

Mario Party 4A série Mario Party surgiu na era da Nintendo 64, tendo sido bastante prolífera nessa consola da Nintendo e em especial na Gamecube, com 4 jogos lançados a cada ano que passou. O primeiro desses jogos na consola cúbica da Nintendo foi precisamente este Mario Party 4, sendo mais uma vez um jogo pensado para divertir um grupo de amigos durante uma tarde inteira. A série Mario Party, apesar de lhe reconhecer qualidade, não é propriamente dos jogos que eu mais faço questão de ter. Este jogo entrou na minha colecção após ter sido comprado como bundle a um particular há uns valentes anos atrás, tendo-me ficado por 5€, se a memória não me falha.

Mario Party 4 - Nintendo Gamecube
Jogo com caixa, manual em português da Concentra, e papelada

O modo de jogo principal é o modo história, onde vamos jogando numa série de tabuleiros protagonizados por diferentes personagens do universo Mario, como o Toad, Goomba, Koopa, e por aí fora. Cada tabuleiro possui diferentes temáticas e estão repletos de mini-jogos, truques e artimanhas. Essencialmente existem 4 personagens em jogo (que podem ser Mario, Luigi, Peach, Donkey Kong, Daisy, Wario, Waluigi e Yoshi). Inicialmente temos de rolar um dado (que dá um número de 1 a 10) para definir a ordem de cada turno, quem lançar o número maior começa em primeiro lugar e por aí fora. Depois o jogo comporta-se como um jogo de tabuleiro. A cada ronda lançamos o dado e avançamos esse número de “quadrados”, havendo naturalmente uns quadrados especiais e outros nem por isso. Cada jogo tem um número fixo de turnos e o objectivo é coleccionar o maior número de estrelas possível. Essas estrelas vão estando espalhadas de forma alternada em diversos pontos no tabuleiro, ou seja, ao alcançar uma estrela, a próxima aparece noutro ponto.

screenshot
As estrelas ficam alocadas a m “quadradinho” em específico, ou em locais secretos

Cada “casa” do tabuleiro tem as suas peculiaridades. As azuis dão um bónus de 3 moedas, as vermelhas retiram 3, as que têm um símbolo do Bowser geralmente também têm efeitos negativos, muitas vezes para todos os jogadores. Existem lojas onde podemos comprar itens, outras casas especiais que nos transportam para a mesma posição de uma outra personagem, outras que chamam minijogos em específico (os Battle Games), ou outros eventos, como os Reversal of Fortune – onde através de um pseudo-sorteio podemos mesmo mudar por completo a maré do jogo, ao trocar as estrelas, moedas ou itens entre 2 personagens. Os tabuleiros vão sendo cada vez mais complexos, com caminhos alternativos que podemos escolher e outros obstáculos. No final de cada ronda temos sempre um minijogo pela frente, que tanto pode ser todos contra todos (como um em que temos de apanhar o máximo número de peixes num lago), 2 contra 2, onde jogamos em equipa com outra personagem, ou 3 contra 1. Os minijogos são bastantes e bem variados entre si, alguns exigem alguma perícia, outros é meramente uma questão de sorte. Infelizmente não estou assim tão familiarizado com a série pelo que não sei o quão originais os jogos do Mario Party 4 são em comparação com os 3 anteriores da N64.

Ao vencer os minijogos vamos ganhando moedas, que podem ser utilizadas para comprar items ou noutros eventos, como pagar a um Boo que roube moedas ou estrelas aos adversários. Dos items temos cogumelos verdes que nos transformam num gigante, podendo rolar 2 dados, saltar em cima dos adversários e roubar-lhes 10 moedas, mas a desvantagem de não podermos entrar em lojas ou noutros “eventos”. Por outro lado temos uns cogumelos rosa que nos transformam numa versão mini, apenas podemos rolar 1 dado de 1 a 5, mas temos a vantagem de passar em alguns túneis estreitos. Outros items consistem num tubo verde que nos permite trocar de posição com outra personagem, ou uma lâmpada mágica que nos leva directamente à estrela. A variedade de items é considerável e dá mesmo para fazer algumas maroscas que vão definitivamente chatear quem estiver a jogar connosco. Para além do modo história existem outros modos de jogo que nos permitem jogar livremente todos os minijogos que desbloqueamos e outros, ou mesmo outros tabuleiros mais pequenos e com regras diferentes. Mario Party 4 é bastante robusto a nível de conteúdo.

screenshot
Exemplo de um dos minijogos “3 contra 1”. Ao saltar nas bóias geramos ondas, temos de saltar em conjunto de forma a mandar o outro abaixo

Passando para o audiovisual, dá para ver bem que este é um jogo de primeira geração da Gamecube. As personagens têm um bom número de polígonos, dá para ver que estão bem redondinhas. Infelizmente o jogo perde muito nas texturas que são bastante simples e nos efeitos de luz. No final de cada jogo, ao anunciar os vencedores, dá para ver perfeitamente que o holofote que ilumina o vencedor poderia estar muito melhor. Mesmo o pop-up que aparece a dizer “Party Star” parece algo retirado dos tempos da Nintendo 64. Ainda assim não deixa de ser um jogo bastante colorido e com uma enorme variedade de ambientes, em especial nos mini jogos. As músicas e efeitos sonoros são agradáveis, mas nada do outro mundo.

screenshot
Estes efeitos fantásticos!

Mario Party 4 é um jogo bem sólido para quem for fã de party games. Mas como é o único party game que eu joguei a fundo, não tenho propriamente uma grande base de comparação. Os minijogos que apresenta são divertidos, e tanto podem exigir perícia, como são meramente uma questão de pura sorte, qual roleta-russa. Se são fãs da série, e em especial se têm 4 comandos da Gamecube convosco, então certamente que encontrarão algo de interesse neste jogo.

Star Wars Jedi Knight II: Jedi Outcast (Nintendo Gamecube)

Star Wars Jedi OutcastJedi Outcast é o terceiro capítulo da saga de Kyle Katarn, personagem do universo expandido de Star Wars na qual já encarnamos anteriormente em Dark Forces e Jedi Knight. Ao contrário dos jogos anteriores, este Jedi Outcast não é apenas um first person shooter, pois também pode ser jogado na terceira pessoa quando utilizamos o light-saber, resultando em combates visualmente mais apelativos. É um jogo lançado originalmente pela Raven para o PC, que utiliza o motor gráfico id Tech 3 (Quake III Arena). A conversão para Xbox e GC ficou a cargo da Vicarious Visions com a publicação da Activision. Infelizmente a versão GC ficou algo aquém das restantes, conforme irei mencionar com mais detalhe mais à frente. A minha cópia deste jogo foi comprada algures no ano passado na Porto Alternativo da Maia, tendo-me custado algo entre os 4 e 5€. Está completa e em bom estado.

Star Wars Jedi Knight 2 - Jedi Outcast - Nintendo Gamecube
Jogo completo com caixa, manual e papelada

O jogo decorre algum tempo após os acontecimentos narrados em Jedi Knight e a sua expansão Misteries of the Sith. O Império caiu tal como visto no Episode VI, mas algumas réstias de Sith Lords e Stormtroopers ainda se encontram espalhados pelos confins da galáxia. Após ter subumbido temporariamente ao lado negro da Força, Kyle Katarn decide entregar o seu sabre de luz a Luke Skywalker, bem como abandonar por completo os seus poderes de Jedi, retornando à sua vida de “simples mercenário”, mas ainda ao serviço da Nova República. E o jogo começa com uma dessas missões em que Kyle e a sua companheira Jan vão investigar uma antiga base imperial, encontrando-a em plena actividade e repleta de Stormtroopers. A trama vai-se desenrolando, colocando Kyle em confronto com um Dark Jedi chamado Desann que está por detrás de um misterioso plano para restaurar o Império ao poder. Desann é muito poderoso para Kyle, obrigando-o a retornar ao Valley of the Jedi para recuperar os seus poderes e à Jedi Academy de Luke Skywalker para reaver o seu sabre de luz.

screenshot
Algumas armas dos primeiros jogos da série marcam aqui o seu regresso. Ouvir o “pew-pew” é sempre agradável.

Tal como no Jedi Knight, a jogabilidade é relativamente complexa. No nosso arsenal existem imensas armas futuristas com vários tipos de projécteis laser, desde revólveres, metralhadoras, lança-granadas de energia e mesmo uma sniper rifle. Existem também vários tipos de explosivos ao nosso dispor. Para além disso, a partir de uma certa parte da história desbloqueamos um sabre de luz, com o qual podemos ter intensos combates melee inclusivamente com outros Jedis. Existem também uma série de itens com diferentes funcionalidades que podemos obter, desde binóculos, visores nocturnos a sentry turrets que podemos colocar em locais estratégicos. Como se não bastasse para aumentar o inventário, ainda podemos também contar com vários poderes especiais, podendo estes serem neutros como a capacidade de saltar mais alto e correr mais rápido, “Light” como a regeneração de vida, ou “Dark”, como lançar raios eléctricos sobre os inimigos. Visto Kyle ter passado pelos dois lados da Força, podemos utilizar todos estes poderes, ao invés de optar por um caminho ou outro, como é feito em muitos outros jogos da série. Ora isto se fosse num PC não deveria haver grande problema em mapear directamente cada uma destas armas, items ou poderes. Já no comando da Gamecube, com os poucos botões disponíveis a coisa torna-se mais complicada. Todas estas operações de troca de arma/poderes/itens são realizadas com os 4 botões do D-Pad, e escolher uma destas coisas no meio de imensas, tudo feito “on-the-fly” torna tudo mais complicado.

screenshot
O combate com os lightsabers poderia ser um pouco mais refinado, o que acabou por acontecer no Jedi Academy.

No entanto o jogo possui duas jogabilidades distintas. Como first person shooter, à parte destes problemas de “inventário”, Jedi Outcast comporta-se bem, embora a precisão dos controlos também pudesse ser melhor (especialmente o C-Stick). Quando entramos para os combates melee com os sabres de luz na terceira pessoa, então os controlos mais uma vez não são propriamente os melhores. Isto porque podemos desempenhar uma série de golpes especiais, mas temos de utilizar mais uma vez o gatilho para “atacar”, enquanto que utilizar os botões faciais me pareceria bem mais apropriado. De resto, e tal como os jogos anteriores, este Jedi Outcast apresenta níveis bem grandinhos, labirínticos e complexos o quanto baste, onde apesar de termos à disposição um ecrã com os objectivos presentes em cada nível, acabamos por perder muito tempo a vaguear de um lado para o outro até encontrarmos o que devemos fazer. Ainda assim prefiro este estilo de jogo que os objectivos marcados num mapa e na própria HUD em jogos com corredores lineares à lá Call of Duty.

screenshot
É possível jogar os modos multiplayer sozinho contra bots

Para além da campanha single-player, a versão GC possui também um modesto modo multiplayer. Digo modesto pois naturalmente a versão PC é muito superior nesse aspecto. Embora esta conversão para a GC até apresente um número considerável de diferentes modos de jogo, apenas 2 jogadores podem jogar ao mesmo tempo em split-screen, apesar de ser também possível popular os mapas de bots. Existem diversos modos de jogo, alguns variantes dos habituais deathmatch, team deathmatch e capture the flag, outros como um modo de torneio (embora apenas 2 jogadores possam jogar de cada vez) e um “Jedi Master”. Neste modo de jogo um lightsaber é guardado aleatoriamente num mapa e quando um jogador o encontra, ele torna-se o Jedi Master. Neste momento todos os outros jogadores devem tentar matá-lo, podendo tornar-se no Jedi Master em seguida. O bónus de ser-se Jedi Master é de ter mais pontos por cada frag. No multiplayer existem ainda outros poderes Jedi que podemos utilizar, como team heal, por exemplo. Para além do mais à medida em que vamos progredindo no jogo normal, vamos desbloquear uma série de personagens que podem ser utilizadas no multiplayer, personagens essas com as suas vantagens e desvantagens.

screenshot
Talvez motivado pela pouca capacidade de armazenamento dos discos da Gamecube, a qualidade das cutscenes também está um pouco abaixo das versões PC/Xbox

No audiovisual infelizmente esta conversão para a GC tem algumas falhas. É perfeitamente natural que a versão PC corra numa resolução maior, bem como apresente texturas e modelos poligonais mais bem trabalhados. No entanto esta versão GC para além dessas “falhas” perfeitamente naturais, possui alguns problemas de framerate, bem como as próprias cutscenes não têm a mesma qualidade que nas versões PC/Xbox. Por outro lado, os efeitos sonoros, voice acting e música orquestral estão excelentes, como é esperado de um bom jogo Star Wars.

Jedi Outcast é um bom jogo, uma óptima continuação das aventuras de Kyle Katarn, obrigatório para todos os fãs de Star Wars. Algumas mecânicas de jogo poderiam ser mais aperfeiçoadas, mas no geral a Raven fez um bom trabalho. No entanto, a optarem por uma versão, naturalmente que recomendo a versão PC pelas razões óbvias de performance.

Star Wars Rogue Squadron III: Rebel Strike (Nintendo Gamecube)

Star Wars Rogue Squadron IIIHá uns dias atrás escrevi sobre o Rogue Squadron II, um dos jogos de lançamento da consola cúbica da Nintendo. Visualmente era um jogo impressionante, e a sua jogabilidade fluída fizeram-no um óptimo jogo, ainda mais tendo em conta que era um jogo de lançamento. No entanto em 2003 a Level 5 volta à carga com este Rebel Strike, e embora apresentem um jogo visualmente ainda mais impressionante, quiseram inovar ao incluir uma série de missões ou segmentos em que conduzimos veículos terrestres ou andamos mesmo a pé. Infelizmente, como irei referir em seguida, a sua implementação não foi a melhor. Este jogo chegou-me às mãos já não me recordo bem quando, penso que ainda no próprio ano de 2003, tendo sido comprado por algo em torno dos 30€ a um particular.

Star Wars Rogue Squadron III Rebel Strike - Nintendo Gamecube
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Tal como os anteriores, este jogo assenta na trilogia original dos filmes, nomeadamente os episódios IV, V e VI), embora se foque mais a partir do final de “A New Hope”, com a primeira Deathstar destruída. Ao longo do jogo iremos mais uma vez revisitar algumas batalhas icónicas da saga, ou outros segmentos inteiramente novos, previamente existentes apenas nos livros. Existem essencialmente 2 séries de missões que podemos desempenhar, numas encarnamos no papel de Luke Skywalker, em missões como o treino em Dagobah com Yoda, ou o resgate de Leia no fosso de Sarlacc. No outro pilar temos missões com o seu companheiro Wedge. Ainda há um 3º pilar de missões que vão buscar outras cenas carismáticas dos filmes, como resgate de Leia na primeira Death Star, a perseguição em speeder bikes em Endor, ou o roubo de AT-STs por Han Solo, como se viu no último filme.

87315-star-wars-rogue-squadron-iii-rebel-strike-gamecube-screenshot
Mais uma vez antes de começar a aventura propriamente dita, temos uma sessão de treino em Tatooine

O jogo divide-se então em 2 ou se quisermos, 3 vertentes diferentes de jogabilidade. A primeira é os combates aéreos que a série fazia tão bem, e nesse ponto nada mudou desde o Rogue Squadron II, pois não convém alterar o que ja funciona bem. Em adição ao combate aéreo, podemos desta vez combater utilizando veîculos terrestres, desde os rapidíssimos speeder bikes, passando pelos AT-STs, onde as mecânicas são essencialmente as mesmas. Para além de disparar os lasers do costume, as naves costumam ter também modos secundários de fogo, alguns essenciais para certas missões. Depois é também possível dar ordens ao esquadrão que nos acompanha nas missões, desde auxiliar a destruir os TIEs que nos atrapalham, fugir, ou voar na formação. Mas é no combate a pé que houve grandes mudanças. Nos segmentos em que temos de andar a pé, a jogabilidade consiste basicamente em movimentar a personagem pelo mapa, disparando para tudo o que mexa e ocasionalmente executar algumas interacções, desde disparar turrets, a lançar granadas para dentro de AT-ATs na batalha de Hoth. Infelizmente é aqui que as coisas ficam algo más. Os controlos estão mal implementados, pois apesar de ser possível fazer lock-on nos inimigos, é impossível fazer strafing e os movimentos estão muito atabalhoados, assim como as suas próprias animações. No nível em que é preciso fazer algum platforming, esses maus controlos ainda se acentuam mais. É pena, dá a entender que o jogo ficou algo inacabado neste aspecto.

screenshot
Podemos escolher jogar missões ao longo de 3 pilares, cada um correspondendo a uma “campanha” diferente.

De resto o jogo continua repleto de segredos. Tal como no anterior, existem diversos power-ups espalhados ao longo das missões, que conferem upgrades a armas, escudos ou o targetting computer, que mais uma vez está aqui implementado. Para além do mais no final de cada missão somos mais uma vez avaliados com base na nossa performance, podendo ser recompensado com diferentes medalhas que se traduzem em pontos. Esse pontos podem mais uma vez desbloquear conteúdo extra, desde novos veículos, as tais missões bónus, um documentário making-off, modo comentário dos produtores, ou mesmo 2 jogos arcade: nada mais nada menos que os próprios Star Wars e Empire Strikes Back com os seus gráficos vectoriais.

screenshot
Tal como no jogo anterior, temos um narrador que faz um briefing das missões e também dos veículos seleccionados

No entanto o jogo ainda possui mais uns quantos modos de jogo multiplayer para 2 jogadores que ,tanto pode ser cooperativo, como competitivo. No competitivo temos variantes do deathmatch e capture the flag em combates aéreos, ou o Rampage em que temos de destruir o máximo possível num determinado intervalo de tempo. Existem também alguns modos especiais, como corridas a 2 em speeder bikes pelas florestas de Endor, ou mesmo voar pelos corredores da Death Star. O modo cooperativo consiste nada mais nada menos que jogar o Rogue Squadron II com mais um amigo. O jogo está lá quase na sua totalidade, faltando apenas 2 missões. Belo “presente” da Level 5.

screenshot
É perfeitamente possível jogar “à Rambo” nas missões pedestres, até porque se pode restabelecer a energia com powerups

Graficamente o jogo continua impressionante, desde o aspecto dos menus, repletos de cenas clássicas dos filmes a passar em background, passando pelos gráficos do jogo em si. As naves estão bastante detalhadas, assim como os seus cockpit mais uma vez. Andar de speeder em plena floresta de Endor foi uma experiência visual muito agradável, assim como todas as batalhas com fantásticas paisagens do espaço sideral. Ainda assim, nas secções em que se anda a pé, nota-se uma quebra na qualidade visual, com texturas bem mais simples. As cutscenes são também muitas vezes substituidas por clipes retirados dos próprios filmes, o que para mim é mesmo bastante nostálgico. Também é bastante notório haver bem mais naves inimigas no ecrã, o que resulta em batalhas mais frenéticas. O voice acting por sua vez continua excelente, assim como os efeitos sonoros no geral, que nos remetem de imediato para a atmosfera dos filmes. Claro está, o mesmo pode-se dizer da épica música que acompanha esta aventura.

Como conclusão, acho que Rebel Strike é mais um bom jogo no catálogo da Gamecube. Infelizmente parece-me um produto algo inacabado, pois se por um lado temos excelentes batalhas aéreas em outros veículos, as secções em que se anda a pé mereciam sem dúvida um maior polimento. Ainda assim, por outro lado, não se pode dizer que a Factor 5 não tenham tentado. Os diferentes modos multiplayer competitivo, e incluir mimos como o Rogue Squadron II em co-op, ou todos os outros extras. Mas o que me causa realmente pena é o facto de após Lair na PS3, a Factor 5 teve de fechar portas.

Star Wars Rogue Squadron II: Rogue Leader (Nintendo Gamecube)

Star Wars Rogue Squadron II: Rogue LeaderDe todos os jogos de lançamento da Nintendo Gamecube, tanto nos mercados americano como europeu, o segundo Rogue Squadron era sem dúvida o que teve um maior impacto graficamente, demonstrando logo no lançamento das óptimas capacidades gráficas que a consola da Nintendo oferecia. E vindo da Factor 5, não era algo de propriamente novo, pois já no primeiro Rogue Squadron e o Battle for Naboo para a Nintendo 64 fizeram um excelente trabalho, o mesmo pode ser dito de muitos outros jogos do seu catálogo, sempre tecnologicamente impressionantes. Infelizmente, após o fiasco que foi o Lair para a Playstation 3, a Factor 5 não se aguentou e já não existe mais. Em relação a este jogo, o mesmo chegou à minha colecção algures nos anos 2004 ou 2005, tendo sido comprado no site de leilões Miau.pt (que já sinto saudades), por uma quantia não muito superior a 20€. Infelizmente não veio com manual e é uma versão integralmente em francês, não foi assim um negócio brilhante da minha parte, há-de surgir uma oportunidade de o substituir no futuro.

Star Wars Rogue Squadron II - Rogue Leader - Nintendo Gamecube
Jogo com caixa e papelada

Basicamente o jogo coloca-nos no controlo de diversas naves rebeldes, como os míticos X-Wing, Y-Wing, Snowspeeders entre outros, a combater em diversas batalhas icónicas dos 3 primeiros filmes da série, bem como outras missões “adaptadas”. Essas missões vão tendo vários objectivos, que geralmente caem sempre na categoria de abater naves imperiais, estruturas ou proteger transportadores rebeldes do fogo inimigo. Claro que algumas fas batalhas mais famosas dos filmes estão aqui fielmente representadas, como a batalha de Hoth, onde a comando de um Snowspeeder temos de mandar abaixo uns quantos AT-ATs, ou a enorme batalha de Endor, que nos coloca contra uns quantos Star Destroyers e um derradeiro combate na “nova” Deathstar.

screenshot
Antes das missões existe podemos treinar no planeta Tatooine. Dica: completem o treino em diferentes alturas do dia.

Os controlos são bons, com o analógico a controlar o movimento da nave, o outro para controlar a câmara, os botões faciais para disparar os lasers e armas secundárias, chamar o “Targeting computer”, ou alternar entre a perspectiva de terceira pessoa, ou a vista do cockpit. O analógico C-Stick controla a câmara, sendo que estando dentro do cockpit o efeito é muito mais interessante. As batalhas são frenéticas e mesmo possuindo um radar presente no ecrã que nos vai marcando a direcção dos objectivos e a posição dos inimigos e aliados, na imensidão do espaço é bastante frequente perder o rastro das naves inimigas, especialmente naqueles momentos “dog fight” em que temos de agir rapidamente. Para auxiliar, activando o targeting computer realça as naves no ecrã, facilitando um pouco mais as coisas. As missões possuem também uma série de power-ups escondidos em vários locais que melhoram os escudos das naves, os seus armamentos secundários, ou mesmo o próprio targeting computer que fica mais eficiente. Para além do mais com o direccional digital podemos dar diversas ordens aos nossos companheiros que nos acompanham neste esquadrão, onde podemos ordenar que se foquem em naves inimigas, outras armas, que formem ao nosso lado, ou que fujam do perigo.

screenshot
A batalha na primeira Death Star não é tão apoteótica como a batalha de Endor

Mas o conteúdo secreto/bónus não se fica por aí: No final de cada missão a nossa performance é avaliada ao longo de diversos critérios, podendo resultar em medalhas que vão desde o bronze ao ouro. Ao obter os melhores resultados possíveis vamos desbloqueando diversas novas naves, como a Milleniun Falcon de Han Solo, a Naboo Starfighter da primeira trilogia, ou mesmo algumas naves Imperiais.  Inicialmente apenas podemos jogar uma missão com a nave especialmente assignada para a mesma, mas após a completarmos, poderemos rejogá-la com qualquer das outras naves desbloqueadas. Para além do mais, são mesmo desbloqueadas umas 5 missões de bónus, em que em duas delas acabamos por jogar com nem mais nem menos que o próprio Darth Vader. Ainda com o conteúdo bónus, ao terminar o jogo podemos também desbloquear um modo comentário por parte dos developers (penso que por volta de 2001/2002 isto não era uma práctica habitual), bem como uma espécie de pequeno documentário de Making-of e artwork. Muito por descobrir, portanto. O único senão está mesmo na falta de qualquer modo de jogo multiplayer.

screenshot
Os fundos no espaço são muito bons mesmo.

Graficamente é um jogo soberbo, em especial as batalhas travadas em pleno espaço, com belíssimas paisagens de fundo, e um jorro de lasers coloridos a atravessar constantemente o ecrã. Especialmente nas últimas missões, em que tudo está a acontecer ao mesmo tempo, e pouco tempo temos de apreciar os belos gráficos que o jogo apresenta. As naves espaciais possuem um detalhe impressionante para a época, e não é por acaso que na parte de trás da caixa do jogo exista uma mensagem a dizer que os gráficos dos screenshots ali mostrados são mesmo de imagens in-game. No entanto, quando as batalhas já são em planetas, notam-se mais as texturas algo pobres em alguns cenários. No entanto, o campo de visão continua muito vasto. Mas Rogue Squadron II não é apenas um jogo bonito, o som e música estão igualmente excelentes. Em primeiro lugar a narrativa. Antes de seleccionar cada nível ouvimos um narrador a descrevê-lo em detalhe, bem como os seus objectivos principais. O mesmo acontece quando nos encontramos no hangar a escolher a nave que queremos pilotar. Durante as missões, as falas entre as várias personagens, em conjunto com os belos gráficos e uma banda sonora de luxo quase que nos convencem que estamos a assistir aos filmes. Sim, a banda sonora é toda orquestrada, incluindo as músicas que fazem parte da banda sonora dos filmes. Não poderia pedir mais.

screenshot
Gostei bastante da maneira como implementaram a vista do cockpit

Desde Star Wars Arcade e mesmo do primeiro Rogue Squadron que não se via um shooter espacial Star Wars como deve ser. Rogue Squadron II é um excelente jogo de lançamento para a consola cúbica da Nintendo, apresentando um audiovisual mesmo muito bom para os parâmetros de 2001, e acima de tudo uma envolvência excelente, em conjunto com uma boa jogabilidade. É realmente pena a Factor 5 ter fechado portas, ver um novo Rogue Squadron em alta definição, com centenas de naves espaciais no ecrã deveria ser um regalo para os olhos.

Luigi’s Mansion (Nintendo Gamecube)

Luigi's MansionDe volta para a consola cúbica da Nintendo para uma análise a um dos jogos de lançamento da consola. Enquanto a SNES teve no seu lançamento o Super Mario World e a Nintendo 64 o excelente Mario 64, a Nintendo decidiu que era finalmente altura de dar o merecido destaque ao número 2 da família Mario, o seu irmão Luigi. E foi assim que surgiu o Luigi’s Mansion, que ao contrário dos tradicionais jogos de plataforma de Mario, a Nintendo decidiu enveredar por uma abordagem inteiramente diferente, colocando Luigi como ghostbuster numa mansão assombrada. É certo que não é um jogo assustador (faz parte do universo Mario…), mas pisca o olho aos survival horrors que tanto estavam em voga na altura, por razões que irei referir mais tarde. Este jogo só veio parar à minha colecção muito recentemente, apesar de já o ter terminado há uns bons pares de anos, através de um empréstimo. Foi comprado na feira da ladra durante o mês de Agosto por 5€, um bom preço tendo em conta os valores que hoje em dia pedem por ele por aí. Está completo e em estado razoável (algum shelfwear na capa).

Luigi's Mansion - Nintendo Gamecube
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Neste jogo, Luigi ganha misteriosamente uma enorme mansão. Entusiasmado com a notícia, conta ao seu irmão Mario que por sua vez chega lá primeiro que ele. Quando Luigi chega finalmente à mansão, não vê Mario em lado nenhum, porém rapidamente encontra outros ilustres anfitriões fantasmagóricos e chega à conclusão que a casa está assombrada. A apoiar o medroso Luigi está uma nova personagem no universo Nintendo, o professor E. Gadd, investigador paranormal que prontamente coloca Luigi de volta à mansão para a limpar de todos os fantasmas que por lá andam. Para isso o ghostbuster Luigi é equipado de um aspirador especial – o Poltergust 3000 para capturar os fantasmas e uma Gameboy Horror, uma interessante modificação da portátil da Nintendo que permite comunicar com E. Gadd, visualizar o mapa da mansão e servir de câmara fotográfica paranormal. Então o jogo consiste no Luigi navegar pelas várias divisões do casarão, aspirando os fantasmas que lhe surgem à frente, de forma a desbloquear o acesso a outras divisões até conseguir encontrar o seu irmão Mario, por fim.

screenshot
O professor E. Gadd e a sua máquina que transforma os fantasmas novamente em retratos

Para capturar os fantasmas, eles primeiro têm de ser “assustados”. Nos fantasmas normais, basta apontar-lhes a lanterna, ficando o seu coração exposto. Quando isso acontece, é tempo de pegar no aspirador e fazer o que ele faz de melhor. Quando começamos a sugar um fantasma aparece um contador por baixo do seu coração. O fantasma tenta escapar e o objectivo é nós puxarmos Luigi na direcção contrária, de modo a que esse contador diminua o mais rápido possível. Chegando a zero, o fantasma é capturado. Contudo, não são apenas fantasmas “normais” que habitam o sítio. Existem vários outros que requerem diferentes estratégias para serem capturados. Lá mais para a frente podemos equipar elementos no aspirador, como fogo, água ou gelo, onde podemos atacar certos fantasmas elementais com um elemento contrário, e só depois é que os poderemos aspirar. Ainda assim existem outros fantasmas especiais que pertenciam a umas certas pinturas/retrato, esses mesmo com feições humanas, como famílias inteiras, a babysitter ou até o cãozinho do sítio. Esses fantasmas requerem estratégias especiais para serem capturados, não basta iluminá-los primeiro. Alguns desses acabam mesmo por ser bosses que separam o jogo em vários capítulos. E como se não bastasse, existem ainda os já velhos conhecidos Boos dos outros jogos do Mario. Ao derrotar todos os fantasmas “normais” em cada sala, a mesma ilumina-se, não sendo mais necessário utilizar a lanterna. É nessas salas iluminadas que os Boos aparecem, estando escondidos em vários objectos. Mais uma vez o Gameboy Horror entra em acção, servindo de radar para detectar a posição desses Boos. Uma vez descobertos, eles podem ser aspirados normalmente.

screenshot
Estes fantasmas mais detalhados pertencem a retratos e têm diferentes estratégias para serem aspirados

Outra coisa relevante para se mencionar é a enorme quantidade de notas, moedas, ouro e pedras preciosas que se podem encontrar, revistando todos os cantos da casa, ou apanhando alguns fantasmas especiais. Infelizmente esses items servem apenas para aumentar a pontuação, quando eu acho que poderiam ter sido utilizados para comprar novas funcionalidades para o Poltergust 3000 ou Gameboy Horror, por exemplo. No final do jogo desbloqueamos uma “Hidden Mansion”, que reverte a posição das salas e aumenta um pouco a dificuldade do jogo. No início do artigo mencionei também que este jogo pisca o olho ao Resident Evil clássico em certos pontos. Afirmo isso pois em primeiro lugar o jogo passa-se igualmente numa mansão abandonada e o detalhe das animações em abrir as portas também o evidencia.

screenshot
Para os fantasmas serem aspirados, temos de empurrar Luígi na direcção oposta à deles

Visualmente não é o jogo mais bonito de sempre da Gamecube, até porque é um dos seus títulos de lançamento. No entanto ainda cumpre bem o seu papel. A mansão está bastante detalhada para a época, contudo nota-se perfeitamente que os modelos não são os mais bem trabalhados e há alguma falta de polimento em alguns detalhes. Ainda assim, para um jogo de lançamento em 2001, cumpre bem o seu papel. As músicas, apesar de existir um ou outro remix de faixas bem conhecidas do universo Mario, a maior parte do tempo o que vamos ouvir anda à volta de uma melodia incrivelmente viciante. Murmurada pela voz de um Luigi petrificado de medo, é a melodia que nos acompanha practicamente ao longo de toda a aventura, enquanto andamos a vaguear pela casa. Em salas/corredores que estejam iluminados, Luigi deixa de murmurar a música de forma medrosa e assobia-a alegremente, um detalhe interessante. No entanto a música não se fica por aqui, ao longo do jogo podemos ouvir imensos outros estilos musicais, muitos deles nem por isso comuns a jogos do Mario. Desde músicas que mereciam estar num filme dos Ghostbusters com as suas melodias assombrosas, passando por belos acordes em acústico, músicas com um feeling mais funk, retro ou coisas tão dissonantes que nunca achei possível estarem num jogo da Nintendo, Luigi’s Mansion tem uma banda sonora muito variada.

Posto isto, acho Luigi’s Mansion um conceito muito interessante por parte da Nintendo, apesar de não ser de longe o platformer que todos ansiavam. Ainda assim ponho-lhe um defeito grande: A sua curta duração. De resto, acho que é um jogo não muito difícil, mas com umas excelentes ideias. Custa a crer que a Nintendo tenha demorado todo este tempo a pegar na franchise para desenvolver uma sequela, mas por fim o fez. Ainda não joguei este novo jogo, estou curioso por ver o que a Nintendo implementou de novo na série.