Bomberman: Panic Bomber (PC-Engine CD)

Vamos voltar às rapidinhas, para mais um Bomberman da PC-Engine. Um dos muitos Bomberman produzidos para este sistema foi este Panic Bomber para a PC-Engine CD, que mais tarde acabou por ser relançado numa série de outras plataformas. E este Panic Bomber é um puzzle game algo à imagem de outros títulos como Tetris e Puyo Puyo, mas naturalmente com algumas mecânicas de jogo relacionadas com bombas e explosões, não fosse este um Bomberman! O meu exemplar foi comprado num bundle que mandei vir do Japão algures em Dezembro do ano passado.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e um registration card que não ficou na foto

É engraçado que apesar de o jogo estar em japonês, a Hudson teve o cuidado de incluir algumas palavras em inglês no menu principal. O modo história, para além de caracteres nipónicos possui a palavra inglesa STORY e a última opção é um HOW TO PLAY que, apesar de ser totalmente narrado em japonês, os exemplos que são mostrados no ecrã dá para ter uma boa ideia das mecânicas de jogo. Os outros modos de jogo são um multiplayer (que aparentemente suportava até 5 jogadores em simultâneo) e uma espécie de modo challenge que também não cheguei a abordar.

Até parece que a Hudson adivinhou que os estrangeiros iam querer saber jogar isto!

Mas então e que consiste o jogo? É um daqueles puzzle games onde temos de juntar blocos coloridos que vão caindo do topo do ecrã e sempre que fizermos uma linha horizontal, vertical ou diagonal de pelo menos 3 blocos de cor idêntica, os blocos desaparecem e ganhamos pontos. Pontos extra para combos que eventualmente consigamos fazer! Por um lado faz-me lembrar o Dr. Mario por a área de jogo ser em forma de uma garrafa, mas em vez dos blocos coloridos virem em conjuntos de 2 na forma de medicamentos, aqui vêm em conjuntos de 3, formando um pequeno L, ou seja, não são 3 blocos em linha como no Columns. Podemos ir rodando a forma como os blocos estão distribuídos e à medida que vamos ganhando pontos o nosso ecrã vai-se enchendo também de bombas apagadas. Ocasionalmente um dos blocos que vamos controlar é uma bomba acesa que explode nos 4 pontos cardinais, como num Bomberman clássico. Se essa explosão apanhar alguma das bombas inactivas que temos espalhadas no jogo, essas também explodem, limpando uma parte do nosso ecrã e enchendo o ecrã do adversário de lixo que terá de limpar manualmente. Naturalmente também nos acontecerá o mesmo e perde o primeiro que não conseguir dar vazão aos blocos no ecrã. Tal como Puyo Puyo, é um jogo viciante, mesmo que tivesse apenas as mecânicas básicas de juntar blocos coloridos!

Rapidamente as coisas podem ficar caóticas, se conseguirmos encher o ecrã do aoso adversário com blocos de “bomberman queimado” o que acontece quando conseguirmos rebentar umas quantas bombas do nosso lado!

A nível audiovisual é um jogo bem colorido mas tirando o facto de vir com uma banda sonora em CD Audio, sinceramente é um jogo que poderia perfeitamente ter saído no formato normal de cartucho, pois não temos nenhumas cutscenes em FMV que justificassem todo o espaço de armazenamento que um CD oferecia. Temos algumas samples de vozes digitalizadas, principalmente no tutorial, mas isso poderia facilmente ser substituído por caixas de texto se fosse necessário. E as músicas de todos os Bomberman da PC-Engine que já tenha jogado são excelentes, quer fossem em chiptune, quer fossem em CD-Audio e este jogo não é excepção. Contem então com um jogo muito colorido e com boas músicas!

Eikan wa Kimi ni: Koukou Yakyuu Zenkoku Taikai (PC-Engine CD)

Se eu já achei o Kore Ga Pro Yakyuu ’89 um jogo aborrecido por três motivos: ser um jogo de baseball, ser um jogo de simulação onde tomamos apenas o papel de treinador e o terceiro ser relativo à barreira da linguagem, que tendo o jogo totalmente em japonês também não ajuda nada. Então o que dizer de um outro jogo de management de baseball, mas que teve as suas origens em computadores nipónicos, sendo por isso muito mais complexo? Bom, é por essas razões que o artigo de hoje será mais uma rapidinha. O meu exemplar veio de um bundle de vários jogos de PC-Engine que importei do Japão no passado mês de Dezembro, foi um conjunto de 7 jogos bem barato, tendo-me custado pouco mais de 20€, mas todas as restantes despesas de transporte e desalfandegamento ficaram muito mais caras, o que me deixou bastante frustrado.

Jogo com caixa, manual e livro de estatísticas

Aqui tomamos uma vez mais o papel de treinador, não de um clube qualquer da liga japonesa, mas sim de uma equipa de baseball da escola secundária. Aparentemente existem cerca de 4000 escolas que podemos representar – naturalmente não faço ideia se são reais ou não, mas tendo em conta que o jogo inclui um grande livro de estatísticas para além do manual, eu diria então que sim. Mas o primeiro impacto que temos aqui é mesmo a barreira da linguagem. Logo nos primeiros ecrãs eu não fazia ideia do que estava a escolher, se teria de escrever o meu nome, ou se já estaria a seleccionar alguma escola para quem representar. Depois lá fui bombardeado com perguntas em que não fazia ideia do que estava a responder e depois lá teria um menu onde poderíamos começar a trabalhar, mas mesmo esse não é nada amigável. E basicamente aqui teremos de definir uma série de treinos consoante as necessidades da equipa que estamos a treinar. Desde treinos 100% físicos como fortalecimento muscular, ou outros mais técnicos como treinar lançamentos, bastonadas e por aí fora. Eventualmente lá vemos a equipa a jogar em competição mas, tal como no Kore Ga Pro Yakyuu somos meros espectadores, embora possamos tomar algumas decisões técnicas.

Aqui teremos de definir agendas de treino consoante as necessidades da equipa e dos jogadores individuais

A nível gráfico é um jogo simples. Por um lado é muito pesado em texto e menus atrás de menus, o que seria de esperar visto ser um jogo de simulação, mas durante os treinos ou durante as partidas lá vemos alguns gráficos. Tanto num caso como no outro as sprites são minúsculas mas sinceramente até achei piada que assim fossem. E sendo este um jogo em CD-Rom, esperem por músicas de qualidade CD audio, bem como algumas vozes digitalizadas. Não sou o maior fã desta banda sonora, pois pelo pouco que descobri tanto vamos tendo melodias calmas em piano durante a parte de management, uma música mais enérgica durante os treinos e uma outra muito mais festiva durante as partidas, até parece tirada do circo!

Este é um jogo muito pesado em texto e menus, e estando totalmente em japonês não será uma barreira fácil

Portanto este é mais um jogo que não é para mim. Continuo a não ser apreciador de baseball, muito menos quando temos um papel de treinador. Se eu não entendo o desporto, não faço ideia do melhor que seria para a equipa. E ainda com toda esta barreira linguística… não dá mesmo! Felizmente, até à data, não tenho mais jogos de baseball para comentar!

Kore ga Pro Yakyuu ’89 (PC-Engine)

Voltando às rapidinhas na PC-Engine, vamos ficar com mais um jogo de baseball, um desporto que não aprecio muito e também não sou grande conhecedor das suas regras. E sendo este um jogo japonês, a barreira linguística também é considerável. O meu exemplar veio de um conjunto de vários jogos que importei do Japão em Dezembro. Os jogos em si ficaram pouco acima dos 20€, já todas as restantes despesas, principalmente as de desalfandegamento que foram cobradas pela transportadora… é melhor nem lembrar!

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Aqui dispomos de três modos de jogo: Open, Pennant, e Versus. O Open corresponde a uma partida amigável contra o CPU, enquanto o versus permite jogar partidas multiplayer. O Pennant é então o modo temporada, que nos permite jogar entre 70 a 130 partidas – um pesadelo para mim, portanto experimentei um pouco do Open apenas. E depois de seleccionar qual a equipa que quero representar, bem como a do CPU, vou para um menu inicial onde presumo que dê para seleccionar quais os jogadores que quero levar a jogo e a sua ordem de batting, mas com os menus todos em japonês não deu mesmo para ter grande ajuda. E o google lens também não ajudou muito desta vez. Ao iniciar a partida apercebo-me que a equipa estava a jogar sozinha! Ao ler um pouco do manual (e aí o google lens já reconhece o texto e traduz) lá me apercebi que este é na verdade um jogo de management. Nós não temos interacção directa no jogo, mas podemos passar dicas para os jogadores de como eles poderão abordar as jogadas. Mas uma vez mais com tudo em japonês não serviu de grande ajuda. E então acabei por encostar o jogo, pois se o baseball já não é um desporto que me agrade particularmente, um jogo onde apenas somos o treinador, ainda por cima com a barreira da linguagem em todos os menus não é mesmo para mim. Aparentemente treinamos equipas reais da liga japonesa da temporada de 1989, portanto suponho que o jogo tenha tido alguma licença oficial.

Antes de cada partida temos este ecrã não muito amigável onde poderemos gerir a equipa

A nível audiovisual acho sinceramente um jogo competente. Logo no ecrã título somos recebidos com uma música agradável e cheia de energia e mesmo sendo este um simulador, ouvimos música na mesma durante as partidas, o que mantém as coisas um pouco mais interessantes. Já os efeitos sonoros não os achei nada de especial. A nível gráfico é um jogo competente, as sprites são bem detalhadas e a câmara dá-nos sempre uma boa visão sobre o que está a acontecer no campo.

Durante as partidas também podemos submeter alguns comandos que uma vez mais não faço ideia para que servem

Portanto ainda não foi desta que fiquei a apreciar o desporto. Acredito que este jogo até tenha tido algum sucesso pois a Intec no ano seguinte lançou uma sequela que sinceramente não tenho vontade nenhuma de experimentar.

Space Harrier (PC-Engine)

Continuando pelas rapidinhas, vamos ficar agora com a conversão para a PC-Engine de um grande clássico da Sega, o Space Harrier. Sim, a Sega que, mesmo já tendo os seus sistemas para suportar, nunca deixou de licenciar as suas propriedades mais icónicas para receberem conversões em sistemas na concorrência, fossem computadores ou consolas e isto aconteceu muito regularmente particularmente na década de 80 e primeira metade dos anos 90. Esta será uma rapidinha pois já cá falei no Space Harrier na sua versão Master System, claro. O meu exemplar veio num conjunto de uns 11 jogos de PC-Engine que importei directamente do Japão por pouco mais de 20€. Já os custos de transporte e principalmente os relacionados com o desalfandegamento… é melhor nem pensar nisso.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Então este é um shooter fantasioso onde a câmara fica directamente por detrás do nosso herói, dando-lhe um efeito 3D muito interessante para a época. Aliás, sendo este um jogo lançado originalmente nas arcades em hardware com a tecnologia super scaler, era de facto um jogo muito vistoso, não só pelo detalhe gráfico de todo aquele mundo fantasioso e bizarro, mas principalmente pela sua fluidez. Foram imensas as conversões lançadas deste jogo ao longo dos anos e para um vasto número de plataformas diferentes mas, infelizmente foi preciso esperar até ao lançamento da versão 32X para termos uma versão quase arcade perfect.

O sprite scaling desta versão é surpreendentemente fluído e competente

Esta versão PC-Engine no entanto não é nada má, principalmente se comparada com a conversão que a Sega lançou para a Master System. Aqui temos um jogo bastante colorido e com um sprite scaling que, apesar de ainda estar longe da qualidade do original, não ficou nada mal, tornando o jogo bastante fluído até. Ficou no entanto a faltar o chão quadriculado, pois as riscas horizontais não são a mesma coisa de longe, assim como as transições entre zonas abertas e fechadas não ficaram grande coisa. Os backgrounds também estão preenchidos, embora sem aquele ligeiro efeito de parallax scrolling do original. A nível de som sinceramente estava à espera de mais. A música principal do Space Harrier é super viciante e talvez das mais icónicas dentro dos videojogos da década de 80. E aqui as músicas são agradáveis, mas estava à espera de as ouvir de uma forma um pouco mais enérgica talvez.

Como na versão original, qualquer contacto com o fogo iniimigo ou mesmo qualquer estrutura do cenário é uma vida perdida

Portanto este Space Harrier para a PC-Engine não é uma má versão de todo do clássico super scaler da Sega. Surpreendeu-me pela positiva pelos seus gráficos coloridos e fluidez de jogo, mesmo quando temos muitos inimigos e projécteis no ecrã. Mesmo não sendo 100% fiel ao original como a falta das superfícies quadriculadas, a fluidez e detalhe gráfico tal como está é uma boa mais valia. Estava à espera de uma performance um pouco melhor no som, mas no fim de contas sinceramente acho esta uma conversão bem sólida. E mesmo existindo uma versão Turbografx-16, a versão japonesa é bastante import friendly na barreira linguística.

Bomberman (PC-Engine)

Vamos voltar à PC-Engine para mais um clássico: o primeiro Bomberman para esta consola! Lançado em 1990, é o primeiro de muitos Bomberman que a Hudson foi lançando ao longo da década de 90 e diria mesmo que é o primeiro que já tem aquele look mais moderno e cartoony que todos conhecemos hoje em dia. O meu exemplar veio de um lote de uns 11 jogos que importei do Japão por pouco mais de 20€. Já as despesas de transporte e alfândega… é melhor não falar nisso. Fica a lição que usar a DHL para envios de fora da UE, apesar de ser um serviço super rápido, fica também muito dispendioso principalmente pelos custos associados ao desalfandegamento.

Jogo com caixa e um papel que deve ser um spine card.

Este foi também um jogo que saiu no ocidente para a Turbografx-16, mas felizmente o lançamento japonês é muito import friendly pois os menus estão todos em inglês e a jogabilidade é bastante intuitiva, pelo que a barreira de linguagem não existe. Temos então o modo de história single player, consistindo em 64 níveis espalhados por 8 zonas diferentes onde temos de levar o Bomberman herói a salvar uma rapariga que tinha sido raptada por uns monstros. Temos também uma forte vertente multiplayer que infelizmente não cheguei a testar, mas esta está aqui representada em duas vertentes: a primeira é o modo battle que permite até 5 jogadores em simultâneo (com recurso a um multi-tap), já a segunda é uma curiosidade interessante, pois é direccionada para a portátil PC-Engine GT (ou Turbo Express no ocidente). Essa consola é literalmente uma TG-16/PC-Engine portátil e esta opção permite ligar 2 sistemas entre si e jogar multiplayer com outro jogador.

Acho que todos sabemos bem como isto se joga

A nível de mecânicas de jogo creio que todos conhecem o Bomberman. Vamos tendo ecrãs com blocos indestrutíveis num padrão de axadrezado e pelo meio algumas blocos destrutíveis, bem como inimigos. Com um dos botões plantamos bombas e a ideia é a de eliminar todos os inimigos em cada nível e depois procurar a sua saída, que está escondida por detrás de um dos blocos destrutíveis. Quando limpamos o ecrã de inimigos o jogo indica-nos sempre onde poderemos encontrar um power up escondido por detrás de algum bloco destrutível. Estes podem ampliar o poder de fogo, aumentar o número de bombas que podemos plantar em simultâneo ou mesmo poderes bem mais valiosos como o de detonar as bombas remotamente ou a capacidade de atravessar os blocos destrutíveis. Claro que se perdermos uma vida infelizmente perdemos alguns destes power ups e, apesar de à medida em que formos avançando no jogo os inimigos vão ficando mais rápidos e letais, o maior perigo somos sempre nós próprios. Cair nas nossas próprias armadilhas, principalmente quando já temos um grande poder de fogo, acaba por ser algo frequente. Mas isso também faz parte da magia e simplicidade da fórmula Bomberman!

Outra regra a relembrar, não explodir nenhuma bomba perto do portal de saída. Caso o mesmo seja atingido por fogo, traz uma série de inimigos adicionais para enfrentar!

Graficamente é um jogo simples, com cenários e sprites simples e pequenas, mesmo quando enfrentamos os bosses. Mas lá está, é suposto que assim seja e os níveis até que vão sendo algo variados entre si nos seus cenários, mas esperem sempre pelos habituais padrões axadrezados de blocos indestrutíveis. Ao menos é um jogo super colorido e as músicas, apesar de não serem muitas, são bastante agradáveis e facilmente ficam no ouvido.

Portanto este Bomberman é um jogo bem sólido e agradável de se jogar e uma forte razão para arranjar um multitap para este sistema, visto que uma das maiores limitações desta consola para mim sempre foi o facto de só ter uma porta para um comando. De resto existem muitos outros Bomberman lançados para a PC-Engine, pelo que estou um pouco curioso em ver em que as suas sequelas inovaram.