Ys III: Wanderers from Ys (PC-Engine CD)

Wanderers from Ys é o terceiro jogo desta série da Falcom que foi uma vez mais desenvolvido originalmente para uma série de diferentes computadores nipónicos, mas rapidamente recebeu também conversões para consolas como a NES, SNES, Mega Drive ou Turbografx-16 / PC-Engine. E aqui a Falcom decidiu experimentar algo novo, tornando Ys num RPG de acção mas com uma perspectiva completamente em 2D sidescroller, um pouco como as dungeons do Zelda II. A versão Turbografx-16 / PC-Engine foi desenvolvida uma vez mais pela Alfa System e publicada pela Hudson. O meu exemplar é a versão PC-Engine, que foi comprada no eBay algures no passado mês de Fevereiro por cerca de 10€.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Este jogo decorre então poucos anos após os acontecimentos dos primeiros 2 jogos da série, onde Adol, e o seu amigo Dogi, partem uma vez mais em busca de novas aventuras em terras distantes. E acabam por visitar a cidade de Redmont, terra natal de Dogi, e rapidamente descobrem que algo estranho se passa. Adol começa por explorar a mina próxima, para resgatar alguns mineiros que ficaram lá retidos após um acidente e rapidamente descobrimos que há ali uma conspiração para ressuscitar uma entidade maléfica há muito adormecida!

As dungeons são agora bem mais simples e lineares, mas infelizmente a nível gráfico ainda deixam algo a desejar.

Para além da perspectiva ter mudado para uma perspectiva 2D sidescroller, a outra grande mudança na jogabilidade perante os seus antecessores está mesmo na inclusão de um botão de ataque. Os 2 botões principais do comando da PC-Engine servem então para atacar e saltar, com o select, para além de pausar, abre um menu onde podemos gerir os save games, consultar o inventário ou as opções de jogo. Já o botão run serve para usar o item que tenhamos seleccionado no inventário. De resto esperem pelas mecânicas de jogo habituais na série, onde vamos apanhando anéis que, depois de equipados, nos podem conferir certos poderes como a regeneração de vida, aumentar o ataque, defesa ou agilidade. Também tal como o primeiro Ys não temos aqui magias, se bem que os poderes dos anéis usam uma barra de energia que poderíamos definitavamente apelidar de mana points. A nível de dificuldade, não é um jogo muito fácil, as dungeons apesar de serem bem mais simples e lineares estão repletas de inimigos, muitos deles surgem do nada e só no exterior é que a nossa barra de vida é que se vai regenerando. Podemos usar ervas que nos regenerem a barra de vida, mas apenas podemos carregar uma de cada vez. E os bosses, bom por vezes não há muito que podemos fazer para não sofrer dano, pelo que convém também fazer algum grinding para ganhar experiência e dinheiro que nos permita comprar equipamento melhor. Mas tal como os outros Ys que joguei, o grinding nunca é muito exigente e até se faz bem.

Vamos ter imensos bosses para derrotar e estar bem equipado e num bom nível já é meio caminho andado

A nível audiovisual confesso que fiquei um pouco decepcionado com este jogo, principalmente a nível gráfico. Os visuais não são nada de especial, a começar no design das próprias dungeons. Particularmente os backgrounds, que têm alguns efeitos de parallax scrolling mas que na PC-Engine não ficaram nada fluídos. Aliás, até o scrolling normal está repleto de quebras nesta versão o que é uma pena. A versão Mega Drive, que infelizmente nunca chegou a sair na Europa, não é muito diferente desta a nível gráfico, mas é bem mais fluída. Esta versão PC-Engine ganha, no entanto, no som. A banda sonora do Ys III está repleta de músicas excelentes e sendo este um jogo em CD, a banda sonora possui uma qualidade de topo em CD-Audio. Esta versão possui também algum voice acting que não é muito mau, mas tem os seus momentos cheesy. Também temos, no início e fim do jogo, algumas cutscenes no estilo anime que ainda estão longe da qualidade do que viríamos mais tarde a ver noutros jogos PC-Engine, mas estão uns furos bem acima das outras versões que existiam na altura.

As cutscenes da versão PC-Engine são de longe as mais detalhadas dos lançamentos da época

Portanto este não é um mau jogo de todo, embora prefira de longe a perspectiva mais tradicional que os restantes Ys usam. Este jogo foi convertido por uma grande variedade de sistemas e, tendo em conta as versões que saíram nos anos 80 e 90, esta versão PC-Engine acaba por ser a superior, na minha opinião. A banda sonora em CD-Audio é excelente e só perde mesmo no seu scrolling nada fluído e efeitos de parallax scrolling algo atrozes, o que sempre foi o calcanhar de aquiles da arquitectura da PC-Engine. E depois de uma outra conversão para a PS2 feita pela Taito em 2005 e que se ficou apenas pelo Japão, foi a própria Falcom que decidiu, no mesmo ano, lançar um remake completo deste jogo, abandonando a sua perspectiva 2D sidescroller e modernizando-o de certa forma. Esse excelente remake é chamado de Ys Oath in Felghana e irei cá trazer muito em breve um artigo do mesmo, pois já o terminei há uns anos.

Ys Book I and II (PC-Engine CD)

E depois de ter escrito sobre o Ys I & II Chronicles+, um dos últimos relançamentos dos primeiros jogos desta série, vamos ficar agora com um breve artigo sobre a sua adaptação para a PC-Engine CD, que ficou a cargo da Hudson e Alfa System, tendo também recebido um lançamento em solo norte-americano. Mas naturalmente a versão Japonesa é bem mais acessível economicamente, pelo que foi essa que acabei por comprar num pequeno lote que comprei no eBay algures no passado mês de Fevereiro, por cerca de 10€ mais portes.

Jogo com caixa e manual embutido na capa. Versão japonesa.

Esta conversão dos dois primeiros títulos para PC-Engine tem a curiosidade de ser a primeira vez que o Ys II acaba por ser lançado no ocidente (Estados Unidos apenas) para o sistema Turbo CD. E a transição para o formato CD acaba por incluir uma série de músicas em formato redbook, algum voice acting em certos pontos chave da história e algumas cutscenes adicionais, embora estas sejam ainda relativamente simples, até porque este é um lançamento CD-ROM² e não um Super CD-ROM² que usa alguma RAM adicional. Mas já lá vamos.

Tal como noutras versões, alguns NPCs têm direito a janelas de diálogo especiais

A nível de jogabilidade é um jogo que mantém toda a sua base dos originais, sendo RPGs de acção onde não temos um botão de ataque, mas sim temos de ir contra os inimigos (de preferência num certo ângulo para não sofrer dano). Calculo que o design das dungeons e cidades seja mais próximo aos lançamentos originais, pois as edições mais recentes incluem algumas áreas adicionais que não estão aqui presentes (como a aldeia piscatória de Barbado logo no início do primeiro Ys). Mas o que se sente mesmo mais falta perante os lançamentos recentes é o facto de não nos podermos mover na diagonal. É que mover diagonalmente é muito útil para os combates e atacar os inimigos num ângulo onde conseguimos causar dano contínuo e muito raramente sofrer dano! Então, para quem que, como eu, jogou as conversões dos Ys I & II mais recentes, acabamos por ter mais trabalho em reaprender o combate. No artigo anterior eu disse que o Ys II é uma sequela directa do primeiro e de facto nesta versão o jogo transita rapidamente do primeiro para o segundo título, com Adol a herdar os seus stat points entre ambos os jogos, o que acho bem, mas não deixa de ser necessário algum grinding posteriormente na mesma.

O design das áreas de jogo parece ser bem mais fiel aos originais

A nível audiovisual, este é um jogo muito interessante por incluir algum voice acting e, depois de jogar um pouco a versão norte-americana emulada, até me pareceu bem competente para um jogo de 1990. As músicas são compostas por todas aquelas melodias super sonantes e confesso que a banda sonora parece-me algo dividida entre temas em formato cd audio, e outros chiptune. São músicas excelentes, mas não há como não preferir as suas versões gravadas com instrumentos reais como ouvimos mais tarde nas versões Chronicles. Graficamente é um jogo simples, com sprites pequenas, mas ocasionalmente temos direito a algumas cutscenes mais trabalhadas, embora ainda não com um nível de detalhe como iremos ver mais tarde noutros jogos desta série para o PC-Engine.

Nesta versão vamos tendo também algumas cutscenes ocasionais

Eu não joguei esta versão na sua totalidade, mas as quase 2 horas de jogo já me deixaram com uma boa ideia das suas capacidades e a ideia que me dá é que, para 1990, são adaptações muito competentes dos primeiros jogos da série. Mas com as versões Eternal/Complete/Chronicles que possuem uma jogabilidade mais fluída, a possibilidade de nos movermos na diagonal, e audiovisuais muito superiores (principalmente nas músicas), torna-se muito difícil voltar a versões mais antigas.

Bikkuriman Daijikai (PC-Engine CD)

Vamos a mais uma super rapidinha a um outro jogo bizarro de PC-Engine CD que, devido à barreira linguística, não dá mesmo para tirar grande proveito. Mas sinceramente, mesmo que algum dia alguém se desse ao trabalho de fazer um patch de tradução do jogo (o que duvido seriamente), mesmo em inglês seria um jogo nada apelativo. Daí o artigo de hoje ser bastante curto! O meu exemplar veio em conjunto com a PC-Engine Duo RX que comprei no ano passado a um coleccionador francês.

Jogo com caixa e manual com poster no verso

Ora Bikkuriman, pelo que invesiguei, é uma marca de chocolates japoneses que fizeram sucesso na década de 80 ao introduzirem uma colecção de cromos com personagens bizarras. Esse sucesso levou à criação de séries animadas, mas também videojogos. O primeiro videojogo Bikkuriman é na verdade uma adaptação do Wonder Boy in Monster Land pela Hudson, que já tinha lançado o primeiro Wonder Boy na MSX/Famicom/NES como Adventure Island e posteriormente a sequela na PC-Engine como Bikkuriman World. O jogo seguinte, já lançado em 1988 para o novíssimo sistema PC-Engine CD é então este Bikkuriman Daijikai. Então será este um jogo de plataformas como o primeiro? Antes fosse…

Durante o “jogo” temos de ler detalhes dos vários cromos Bikkuriman…

Na verdade este é um daqueles quizz games, que por algum motivo fazem um sucesso considerável no Japão e que eu nunca vou compreender o porquê, um pouco como os jogos de corridas de cavalos. Então a ideia aqui é ir explorando os diferentes cromos, ler um pouco sobre eles e eventualmente alguém nos faz uma pergunta. Se acertamos, passamos para a fase seguinte do jogo, que consiste em ver mais cromos e ler os seus detalhes, para mais tarde termos de responder a outra pergunta. É só isto. Naturalmente que com a barreira linguística não faço ideia do que estava ali a fazer, mas realmente as personagens têm um aspecto bastante bizarro!

…para eventualmente respondermos a algumas perguntas!

A nível audiovisual é um jogo muito simples e a única coisa que lhe faz justificar ser em formato CD é o facto de ter alguns clipes de voz e algumas músicas que suspeito que tenham sido retiradas ou do anime, ou de eventuais anúncios televisivos. Ao longo do jogo em si, iremos ouvir algumas músicas em chiptune que sinceramente não achei nada de especial.

E pronto, Bikkuriman Daijikai é isto. Uma curiosidade apenas, que mesmo para a altura em que saiu, acho que apenas despertaria o interesse a quem fosse mesmo grande aficcionado daquela colecção de cromos em particular!

Gambler Jiko Chushinha: Mahjong Puzzle Collection (PC-Engine CD)

Continuando pelas rapidinhas, vamos revisitar brevemente a PC-Engine CD para mais um jogo algo bizarro, mas confesso que achava que a barreira linguística fosse mais apertada do que o que realmente foi. Este é um de muitos jogos do Gambler Jiko Chushinha, que aparentemente é baseado numa manga sobre Mahjong. E de todos os jogos que vi por alto desta série, parece ser bastante bem humorada! O meu exemplar veio incluido na PC-Engine Duo RX que comprei no ano passado!

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Ora apesar da temática do jogo ser sobre mahjong, felizmente não vamos jogar mahjong. Como o nome indica, este é um puzzle game, onde teremos de unir peças de mahjong que tenham figuras semelhantes, fazendo-as desaparecer. Teremos de limpar o ecrã de peças de mahjong dentro de um tempo limite! Agora não basta seleccionar peças iguais que estejam espalhadas pelo tabuleiro, é necessário que as mesmas tenham um caminho desimpedido entre elas! Bom, na verdade é difícil de explicar, pois não basta que o caminho esteja livre, esse caminho deve ser o mais directo possível. Sinceramente não consegui entender bem quais as regras! Para além disso, há peças especiais que não um têm par igual, o que para quem não conhecer mahjong é certamente um entrave adicional.

O menu inicial onde escolhemos se queremos jogar o modo história ou treino é das pouquissimas coisas em inglês que temos aqui.

De resto temos dois modos de jogo. O modo principal é um modo história onde nós representamos o herói desta série que está algures num mundo fantasioso e em cada ronda iremos enfrentar um oponente diferente. Entre cada nível vamos tendo uma série de cutscenes 100% em japonês, não entendi nada do que se estava a passar, mas pareceram-me bem humoradas, para além de bizarras ou absurdas. O outro modo de jogo é um modo treino, que sinceramente me parece ser ainda mais difícil que o jogo normal, com um tempo limite ainda mais apertado!

Felizmente este é um puzzle game onde teremos de juntar as peças iguais e que tenham um caminho livre entre si. Mas é desafiante na mesma!

A nível audiovisual não há muito a dizer. Durante as partidas temos o ecrã preenchido por blocos com símbolos de peças de mahjong, pelo que não há grande variedade nesse aspecto. Já entre os níveis é que vamos tendo algumas cutscenes que, apesar de não dar para entender grande coisa do que está a acontecer, parecem ser bastante cómicas e possuem voice-acting. As restantes músicas são bastante festivas e em formato cd-audio também.

Super CD-ROM² Taiken Soft-shuu (PC-Engine CD)

Hoje deixo-vos com uma super rapidinha. Também conhecido como Super CD-ROM² RPG Sampler este produto é na verdade uma compilação de duas demos de dois dos mais famosos RPGs da PC-Engine: Dragon Slayer: The Legend of Heroes e o segundo Tengai Makyou, também conhecidos como Far East of Eden. O meu exemplar veio de um bundle de uns 7 jogos que importei directamente do Japão algures em Dezembro.

Esta compilação de demos tem um código de barras, portanto aparentemente chegou mesmo a ser comercializada no Japão, embora ache que fizesse mais sentido que fosse incluída juntamente com os add-ons Super CD-ROM² ou as consolas da família PC-Engine Duo que já vinham com suporte nativo ao formato Super CD-ROM². E que formato é este perguntam vocês? Bom, é uma evolução do CD-ROM², a expansão de leitor CD original para a PC-Engine/Turbografx, em que os sistemas possuíam uns 192Kb de RAM adicionais, o que permitia uma melhor qualidade audiovisual nos jogos em CD. A NEC eventualmente lançou as consolas PC-Engine Duo e TurboDuo nos mercados Japonês e Norte-Americanos, que suportavam tanto jogos em formato Hu Card, CD-ROM² e Super CD-ROM². Para quem tivesse um dos sistemas anteriores, a NEC lançou também o cartão Super System Card, que inclui a bios e expansão de memória necessárias para ler jogos neste formato. Se achavam que a SEGA fez muitos malabarismos com revisões de hardware e add-ons nos anos 80 e 90 para as suas consolas, acreditem que a NEC fez muito pior…

O ecrã de selecção de jogo

Mas vamos ao que interessa, os jogos! A série Dragon Slayer, da Falcom, é uma das mais antigas séries de RPGs no Japão e também uma das mais difíceis de catalogar e categorizar. Isto porque, principalmente nos anos 80, cada novo título Dragon Slayer deu origem a uma nova sub-série, o que aconteceu com séries como Xanadu, Sorcerian ou Lord Monarch, que todas carregavam o nome Dragon Slayer algures. Este jogo em específico é o primeiro do universo The Legend of Heroes, que nos trouxe mais tarde titulos como Trails in the Sky ou Trails of Cold Steel. Felizmente foi um jogo que chegou a ser traduzido e lançado nos Estados Unidos e planeio jogá-lo em breve até porque o meu exemplar (versão Japonesa) chegou há uns dias. Já o Tengai Makyo 2, bom é uma série de RPGs que teve a sua génese precisamente nos sistemas PC-Engine. Aparentemente teve muito sucesso no Japão, mas infelizmente ainda não há qualquer tradução para inglês. É pena pois é um jogo que tem bom aspecto e parece ser muito bem humorado! Também está nos planos um dia comprar os 3 Tengai Makyo que existem nesta consola pois são baratíssimos e tenho esperança que eventualmente alguém os vá traduzir.

Os Tengai Makioyu, também conhecidos como Far East of Eden, têm mesmo bom aspecto!

No fim de contas, e pelo que o tradutor do google me indica, pelo que está escrito na capa temos direito a jogar cerca de 1 hora do início do Tengai Makyo 2, e cerca de 2 horas do Dragon Slayer. Parecem-me ser dois RPGs bastante sólidos e que ilustram bem as capacidades dos sistemas Super CD-ROM² da NEC, mas sinceramente terem lançado estas demos no mercado a retalho não me parece grande ideia, mesmo que apenas tenham cobrado 1000Y por isto. Pelo menos eu como consumidor sentia-me insultado e ao menos por cá as demos vinham com revistas! Já sobre os jogos em si, pelo menos o Dragon Slayer planeio jogar em breve pelo que depois escreverei uma opinião mais detalhada.