Continuando pelo MSX vamos ficar agora com um título da Konami, empresa que apostou bastante nesta plataforma particularmente durante a década de 80. Athletic Land é um jogo de plataformas que muito me faz lembrar o clássico PitFall da Activision, por todos os obstáculos que teremos de evitar e a precisão necessária no controlo dos saltos para o conseguir fazer. O meu exemplar foi comprado a um particular algures no passado mês de Março por 15€.
Jogo com caixa, na sua versão europeia. Curioso para encontrar mais lançamentos MSX europeus!
Não há muito a dizer sobre este jogo, na verdade. Aqui controlamos um rapaz que atravessa uma pista de obstáculos no meio da natureza, o que o levará a saltar entre plataformas, balancear-se entre cordas, tudo isto enquanto se desvia de projécteis, bolas de fogo ou até animais como abelhas gigantes ou peixes que teimam em saltar fora de água só para nos atrapalharem a vida. É também um jogo simples nas suas mecânicas visto que o único botão de acção que temos disponível serve para saltar. É no entanto um jogo bastante exigente no que toca à precisão dos saltos e ao mínimo deslize perdemos uma vida. Sempre que ultrapassamos um obstáculo ganhamos pontos e com pontos suficientes vamos ganhando também vidas extra. Cada “nível” está dividido em 10 ecrãs que teremos de atravessar dentro de um tempo limite e quanto mais rápido o conseguirmos fazer, mais pontos amealhamos também. No entanto, tal como muitos outros jogos mais simples desta época, não existe propriamente um fim e o jogo vai-se repetindo com a complexidade dos obstáculos a aumentar progressivamente.
Se este ecrã vos faz lembrar Pitfall eu diria que isso não é por acaso.
Por outro lado, no entanto, há aqui uma boa atenção aos detalhe. Apesar das limitações do sistema, cada ecrã encontra-se consideravelmente bem detalhado nos seus cenários de fundo. A sprite da nossa personagem é bastante grande e com um charme de desenho animado, já as dos inimigos são mais simples, porém funcionais. A música não é muito variada, mas vai sendo agradável, pelo que não foi um problema. Os efeitos sonoros são bastante simples e cumprem o seu papel.
Portanto este Athletic Land é um jogo bastante simples mas exigente na precisão do controlo que precisamos de ter para ter sucesso. Ainda assim, os seus visuais apelativos para um título de 1984 mostram bem que a Konami já dominava bem este sistema.
Vamos agora inaugurar uma nova plataforma neste blogue, o computador MSX. Aliás, para ser mais preciso, o MSX foi uma tentativa de criar um standard de arquitectura de microcomputadores na primeira metade da década de 1980, tendo envolvido vários fabricantes que operavam no mercado nipónico, onde os sistemas MSX acabaram por ter um sucesso bastante considerável durante essa década. A Philips foi uma dessas fabricantes que, sendo uma empresa de origem neerlandesa, acabou também por introduzir os computadores MSX em solo europeu, com diferentes graus de sucesso nos vários países. E o primeiro jogo que cá vos trago deste sistema é uma adaptação de um jogo arcade algo obscuro da Sega: Ali Baba and the 40 Thieves, cuja versão MSX acabou por ser publicada pela Sony (também esta uma empresa que adoptou os computadores MSX).
Cartucho solto, comprado numa feira de velharias há vários anos atrás.
Pac-Man, da Namco, foi um enorme sucesso não só comercial, mas também por se afirmar como um dos primeiros grandes ícones da indústria dos videojogos a ganhar fama fora desse meio. Naturalmente, durante vários anos foram surgindo muitos competidores que procuravam replicar o seu sucesso. Videojogos onde a acção decorre num único ecrã labiríntico tornaram-se bastante comuns nas arcades e consolas no início da década de 80, e nem a Sega resistiu a tentar a sua sorte com esta fórmula. Ali Baba and the 40 Thieves nasce desse contexto, sendo um exemplo onde toda a acção decorre num labirinto num único ecrã, mas com algumas mecânicas notoriamente diferentes quando comparado com Pac-Man.
Cada nível decorre na caverna dos 40 ladrões do clássico conto das mil e uma noites, onde o objectivo é não só proteger o tesouro que Ali Baba já roubou aos bandidos, mas também eliminar um certo número de inimigos. Em todos os momentos temos quatro adversários no ecrã: bandidos “normais”, que surgem em três cores distintas (amarelo, vermelho e azul) e possuem padrões de movimento únicos, e o chefe dos bandidos, vestido de verde e com uma sprite também diferente dos restantes. Os bandidos normais tentam recuperar o tesouro perdido (no fundo do ecrã) e levá-lo de volta para a sua caverna (no topo do ecrã), pelo que um dos nossos objectivos primordiais é evitar que isso aconteça.
Não consegui encontrar grandes detalhes de quem foram estes ICM, mas aparentemente foram uma empresa a quem a Sega subcontratou o desenvolvimento deste jogo.
Ali Baba não é uma criatura indefesa como Pac-Man, pois pode destruir qualquer um dos bandidos normais ao entrar em contacto com eles. A excepção é o líder dos ladrões, que nos persegue de forma agressiva durante toda a partida e ao qual não conseguimos causar dano. Para completar cada nível, teremos então de navegar cuidadosamente pelo labirinto, evitando que o líder nos apanhe, eliminando um determinado número de bandidos e impedindo, ao mesmo tempo, que o tesouro seja recuperado. Cada partida tem também um tempo limite e, à medida que este se esgota, vão surgindo vários power-ups no centro do ecrã, representados por pontos de interrogação, cada um com efeitos temporários distintos. Um deles aumenta a nossa velocidade, o que é uma vantagem tanto para fugir ao líder como para perseguir os restantes inimigos. Outro é o mítico “abre-te sésamo”, onde o cofre dos gatunos se abre temporariamente, permitindo-nos recuperar parte do tesouro perdido. Outro efeito possível é Ali Baba tornar-se gigante, sendo esta a única altura em que o líder dos bandidos fica vulnerável. No entanto, como seria de esperar, este regressa ao seu estado normal ao fim de alguns segundos. Por fim, existe ainda o efeito oposto, onde o líder dos bandidos se torna gigante, aumentando significativamente o perigo. O jogo termina quando se esgotam as nossas vidas ou quando os ladrões conseguem recuperar todo o tesouro da nossa base. Sempre que eliminamos os 40 ladrões, inicia-se um novo nível, com a dificuldade a aumentar gradualmente. Tal como noutros jogos arcade da época, o objectivo passa por alcançar a maior pontuação possível.
Quando um ladrão recupera um dos nossos tesouros do fundo do ecrã, transforma-se num saco de dinheiro com pernas, o que é algo engraçado.
No que toca aos audiovisuais, este é um jogo bastante modesto, algo que já se verificava no original arcade, embora aqui as sprites sejam ainda mais simplificadas. O original utilizava um ecrã de orientação vertical, pelo que o layout do labirinto teve de ser adaptado, mas nada que aparente comprometer a experiência. Já no campo do som, este é bastante minimalista, com efeitos sonoros simples e melodias muito curtas. Ainda assim, estas músicas pouco se destacam, soando bastante básicas, quase como as de um PC speaker dos velhinhos jogos de DOS. Pelo que li, o chip de som PSG do standard MSX suporta três canais de áudio, mas aqui parece-me que apenas um é efectivamente utilizado.
O objectivo deste Ali Baba é fazer o máximo de pontos possível, com um único labirinto para explorar.
Portanto, Ali Baba and the 40 Thieves é um jogo arcade bastante simples, que aparenta ter-se perdido no meio de tantos clones de Pac-Man que surgiram no início da década de 80. Sendo um jogo da Sega, não deixa de ser curioso o facto de não ter recebido uma conversão para a SG-1000, uma vez que esta possui uma arquitectura bastante semelhante à do standard MSX.