Halo: The Masterchief Collection (Microsoft Xbox One) – Parte 2: Halo 2 Anniversary

OK, tenho de dar o braço a torcer. As minhas críticas à série Halo eram bastante infundadas. Quer dizer, continuo a achar o primeiro jogo bastante aborrecido por toda a repetição que nos obriga a fazer nos seus níveis gigantes, particularmente a partir da metade do jogo, mas a sequela melhora em tudo a experiência. Eu já tinha jogado o Halo 2 há mais de 10 anos atrás na sua versão de PC e ao reler as minhas impressões dessa altura eu já tinha achado a sequela bem melhor que o primeiro jogo. Mas jogá-lo novamente ao fim de mais de 10 anos, ainda por cima com esta versão graficamente superior, devo dizer que fiquei rendido. Este artigo será então uma rapidinha, onde me irei focar precisamente nas diferenças introduzidas pelo remake da sua versão de aniversário, que está aqui presente nesta compilação Halo: The Masterchief Collection.

Compilação com caixa

A história decorre pouco tempo após os eventos do primeiro jogo, onde os Covenant atacam o planeta Terra e uma vez repelido o ataque, iremos no seu encalço e atacá-los na sua casa. Por outro lado, a própria sociedade Covenant está a atravessar um certo período atribulado, com o jogo a levar-nos também a jogar alguns níveis na pele de um Elite de renome, entretanto renomeado (leia-se: fortemente despromovido) para Arbiter, após ter falhado a sua missão de nos impedir no primeiro jogo. Uma das coisas que a 343 Industries fez neste jogo foi refazer as cut-scenes e se por um lado não me recordo de todo se o diálogo foi expandido nas novas cut-scenes, existem no entanto vários terminais espalhados pelo jogo que, ao serem interagidos, nos mostram cenas adicionais que expandem a história e nos dão mais detalhes do que tem estado a acontecer.

Das poucas coisas que não gostei muito neste jogo são as áreas onde os inimigos parecem surgir sem fim, o que me levou a desistir de os combater a todos e simplesmente andar em frente

A nível de jogabilidade as mecânicas base do Halo mantêm-se, seja com a vida regenerativa (no entanto não temos mais a distinção entre vida e armadura), um arsenal bem variado de armas humanas e covenant que poderemos vir a utilizar (apesar de apenas podermos carregar duas de cada vez) assim como a existência de vários veículos que poderemos vir a conduzir. A grande novidade foi a introdução das mecânicas de “dual wield“, que nos permitia usar duas armas pequenas em simultâneo, com a penalização de não podermos atirar granadas. E claro, a introdução de um Elite como personagem jogável em certos pontos da história. A única diferença no entanto entre jogar com o Master Chief e o Arbiter é que este último se pode tornar temporariamente invisível. De resto é também um jogo com uma forte componente multiplayer e pela primeira vez no caso da versão original de Xbox, permitia partidas online e foi um tremendo sucesso na comunidade Xbox por isso mesmo. No entanto não me vou alongar nesse tópico pois não a cheguei a experimentar, nem nas versões originais, nem nesta nova versão.

O dual wield foi uma das introduções na jogabilidade do Halo 2

Visualmente este jogo é muito bom. Já a versão original teve um salto notório de qualidade desde o primeiro jogo na Xbox, mas este remake está muito melhor. O salto gráfico entre versões Anniversary é também bem bastante superior, visto que o Halo CE Anniversary foi desenvolvido originalmente para a Xbox 360, enquanto que este já foi para a Xbox One, um sistema da geração seguinte. As cut-scenes em CGI estão fantásticas e fora isso, a qualquer outro momento no jogo poderemos alternar entre os gráficos da versão original e os desta nova versão (e uma vez mais a diferença é abismal). Uma coisa que também alterna entre uma versão e outra é a banda sonora, algo que me passou completamente despercebido na versão original. E sim, a banda sonora continua excelente, bastante diversificada nos seus géneros musicais, alternando entre músicas épicas e orquestrais, outras mais electrónicas, ambientais ou mesmo grandes metaladas em momentos de maior aperto.

Visualmente o remake está muito bom, facilmente uma geração à frente face ao remake do Halo original.

Portanto devo dizer que gostei bastante de ter voltado a jogar este Halo 2, que na sua versão Anniversary possui visuais muito mais apelativos. Já não me lembrava também que o jogo termina num grande cliffhanger, pelo que entendo perfeitamente a ansiedade dos fãs da série pelo terceiro jogo. Vou agora fazer uma pequena pausa na série Halo, sendo que irei jogar futuramente o Halo 3 ODST, algures nas próximas semanas.

Halo: The Masterchief Collection (Microsoft Xbox One) – Parte 1: Halo CE Anniversary

Vamos então continuar pela compilação Halo: The Masterchief Collection. Visto que já tinha jogado os primeiros 2 Halo nas suas versões PC, o meu plano original era jogar apenas os restantes, mas visto que até gostei do do Halo 3 e não me recordava nada da história do que aconteceu anteriormente, lá me decidi também a rejogar as prequelas novamente visto que os mesmos estão aqui incluídos nas suas versões Anniversary, ou seja, remakes. O meu plano seguinte era o de apenas actualizar o artigo que já havia publicado em 2013 sobre o primeiro Halo, mas na verdade ao fim de tanto tempo a minha opinião sobre esse jogo já é consideravelmente diferente pelo que preferi então escrever um novo artigo focado precisamente nesta versão.

Compilação com caixa

Ora o Halo foi um jogo originalmente desenvolvido pela Bungie que já havia trabalhado noutros títulos no passado, sempre com um grande foco nas plataformas Mac (como é o caso da série Marathon que gostaria de cá trazer num dia destes). A Microsoft ficou impressionada com o trabalho a ser desenvolvido pela Bungie no que se viria a tornar neste Halo e com a sua primeira consola à porta, precisavam de um título bastante forte para fazer frente à concorrência, pelo que acabaram por comprar a própria Bungie e tornar Halo num jogo exclusivo de Xbox. Para além de enormes níveis e a introdução de veículos jogáveis, Halo foi também responsável por de certa forma modernizar o género, ao introduzir vida regenerativa, progresso salvo em checkpoints e a possibilidade de apenas carregarmos 2 armas em simultâneo, mas com um grande leque das mesmas à nossa escolha. Ora este Halo Combat Evolved Anniversary foi um jogo lançado originalmente em 2011 para a Xbox 360 para celebrar o décimo aniversário do lançamento original.

Uma das coisas que o Halo original impressionou na altura era mesmo a imensidão dos seus níveis, tanto que a Bungie originalmente até queria que este fosse um jogo open world.

O que traz de novo esta edição? O que salta logo à vista são os seus gráficos modernizados, com cenários e personagens muito melhor detalhados e com texturas de maior resolução. Um detalhe interessante é a possibilidade de, a qualquer momento com o pressionar de um botão, alternar entre os visuais antigos e os modernos, o que nos dá uma grande perspectiva do esforço que tiveram em modernizar os visuais. Mas não foi apenas um mero update gráfico, a geometria dos cenários também foi alterada ligeiramente, com certos obstáculos como arbustos ou rochas apenas existirem na versão moderna. Por exemplo, várias vezes utilizei o a funcionalidade de alternar entre os visuais novos e antigos para conseguir acertar em inimigos que se escondiam por detrás de objectos apenas existentes na versão moderna, por exemplo. A banda sonora foi também regravada e sinceramente gostei do resultado e o multiplayer, que no lançamento original na Xbox apenas permitia split screen, aqui também estaria disponível como online. Mas uma vez mais, nem sequer toquei no multiplayer, pelo que não me vou alongar nesse tópico.

Uma das novidades do remake é mesmo os visuais modernizados, com mais detalhe, polígonos e melhores texturas

A história também foi ligeiramente expandida, principalmente com a introdução de vários terminais espalhados pelos níveis e que, quando interagidos, mostram algumas cut-scenes que melhor detalham a narrativa com os eventos dos jogos seguintes. E a história, que foi uma das minhas maiores críticas quando escrevi o artigo sobre o Halo original, até que se mostrou bem mais interessante agora que o joguei novamente (e também com os eventos do Halo 3 bastante frescos na memória). Aparentemente tanto a Bungie como a 343 Industries têm vindo a trabalhar bastante no lore desta série ao longo dos anos, pelo que há que lhes dar o devido crédito também. Ainda assim, alguma backstory adicional antes de começar a aventura, por exemplo, quem são os covenant e de onde é que eles vieram, também teria sido bem-vinda.

Posso estar mesmo mal habituado, mas estes indicadores de objectivo poderiam ser um pouco mais comuns. Várias vezes fiquei algum tempo preso sem saber o que fazer só porque o interruptor para abrir uma passagem me passou completamente despercebido!

No entanto, apesar de ter apreciado mais este Halo agora do que nas minhas primeiras tentativas, há uma crítica que preciso mesmo de manter. A partir da segunda metade do jogo, o mesmo começa a ficar bastante repetitivo. Não tenho nada contra níveis grandes (até porque esse era também um dos selling points do jogo), mas quando os níveis tornam-se em tarefas de atravessar os mesmos corredores vezes sem conta, com layouts idênticos entre si, começa a cansar. E os últimos níveis têm muito disto, infelizmente.

Portanto devo reiterar que dou mais valor ao primeiro Halo agora que joguei esta versão mais recente, principalmente pela grande variedade de armas que poderemos utilizar, particularmente as armas alienígenas que são bastante originais no seu design e funcionalidade. O uso ocasional de vários tipos veículos também foi bastante agradável, embora tivesse sentido a falta de uma IA que me permitisse conduzir os jipes, enquanto eu próprio tratava da metralhadora pesada, o que acontece no Halo 3. No entanto o design de grande parte dos níveis acabou por se tornar, para mim, de longe o ponto mais fraco deste jogo. É que a certa altura já não me estava a divertir mas só a esperar que o próximo corredor igual aos outros fosse o último! Segue-se então o remake do Halo 2 que o iniciarei muito em breve!

Halo: The Masterchief Collection (Microsoft Xbox One) – Parte 3: Halo 3

Lamento o título confuso, mas decidi recentemente jogar o Halo 3, que apenas o tinho disponível nesta colectânea Masterchief Collection. Visto que já havia jogado tanto o Halo original como a sua sequela Halo 2 nas suas versões de PC, o meu plano original era o de jogar apenas os restantes títulos desta compilação. Mas confesso que, apesar de até ter gostado deste Halo 3, já não me lembrava nada da sua história pelo que decidi voltar a jogar os primeiros títulos desta série também. Até porque ambas as versões desses jogos aqui presentes são remakes (inclusivamente o remake do primeiro Halo já havia sido lançado antes, ainda em pleno ciclo de vida da Xbox 360). Supostamente o remake do segundo Halo segue os mesmos padrões, pelo que também o deverei jogar novamente. Então o que farei quando os terminar será rever e actualizar os artigos originais acima mencionados com um parágrafo adicional com as minhas impressões dessa nova versão aqui disponível nesta colectânea. O meu exemplar foi comprado numa CeX, quer em Dezembro, quer no início de Janeiro, pouco tempo depois de eu ter arranjado uma Series X para a colecção. Custou-me 12€ o que acho um óptimo preço para todo o conteúdo aqui presente.

Jogo com caixa

Posta longa esta introdução, resta-me só deixar um disclaimer adicional: eu nunca joguei o Halo 3 na sua versão original de Xbox 360 (no momento de escrita deste artigo nem sequer possuo a consola) pelo que me irei focar exclusivamente nesta versão e na sua campanha single player. Sei bem que o multiplayer sempre foi um dos pontos fortes da série (e uma razão para o sucesso do serviço Xbox Live) mas tal nunca foi do meu interesse.

Infelizmente o Halo Reach e o 3 ODST não estão incluídos nativamente nesta compilação mas podem ser comprados como DLC. E o interface dos menus também parece ter sofrido alterações.

Ora o Halo 3 foi um jogo lançado originalmente em Setembro de 2007 e como seria de esperar era um jogo bastante esperado pelos fãs da série, visto ser o primeiro num sistema de nova geração. Foi ainda produzido pela Bungie e a história leva-nos a encarnar uma vez mais no super soldado Master Chief, algures após os eventos do segundo jogo, onde o space marine aterra bruscamente no planeta Terra. Confesso que já não me lembrava nada da história quando comecei este jogo, pelo que era practicamente tudo novo para mim. O objectivo será então o de lutar uma vez mais contra os Covenant, uma facção altamente religiosa de uma raça extraterrestre e também o de resgatar Cortana, uma inteligência artificial com uma forma feminina e que nos acompanhou ao longo dos jogos anteriores. A acompanhar-nos também está o Arbiter, líder de uma outra facção dos Covenant que nos irá auxiliar em diversos momentos.

Uma das novidades introduzidas no Halo 2 é a possibilidade de usarmos duas armas ligeiras em simultâneo, perdendo no entanto a possibilidade de atirar granadas

O Halo original foi um jogo bastante influente, não só por toda a fortíssima componente multiplayer que tirava partido da robusta infraestrutura de rede da Microsoft (Xbox Live), mas também por ter introduzido uma série de mecânicas que perduraram em muitos outros first person shooters que foram saindo ao longo do tempo, seja a sua vida regenerativa, ou a possibilidade de apenas carregarmos 2 armas em simultâneo (de um arsenal bastante diverso entre armas humanas e covenant). Para além disso, muitos dos seus níveis, particularmente os que se focavam nas zonas exteriores, eram bastante amplos e a introdução de veículos (muitos que poderiam ser operados cooperativamente) foram também introduções muito bem recebidas. Ora este Halo 3 herda todas essas mecânicas, incluindo a possibilidade de equiparmos duas armas ligeiras em simultâneo (se bem que com isso perdemos a possibilidade de utilizar granadas ou golpes corpo-a-corpo). De novidade temos a possibilidade de carregar um de diferentes itens adicionais que nos poderão dar escudos extra, regenerar a nossa vida, invencibilidade temporária ou uma melhor armadura quando activados. Temos vários veículos que podemos conduzir e uma das coisas que gostei é, no caso do jipe, o facto de podermos simplesmente controlar a metralhadora pesada, enquanto um dos NPCs que nos vai acompanhando pode controlar o veículo em si. Infelizmente a IA não é a melhor e por vezes tinha de abandonar a metralhadora, ocupar o lugar do motorista e conduzir eu mesmo para a próxima zona, mas preferia sempre ser eu a controlar o fogo. Uma das excepções é a primeira vez que precisamos de combater um mecha gigante na forma de um escaravelho. Aí é preferível sermos nós a controlar o veículo e deixar os NPCs atacarem as pernas do boss.

Sinceramente até achei a narrativa bastante interessante e isso foi uma das razões que me levou a querer rejogar os lançamentos originais.

Uma das coisas que gostei deste Halo 3 é o facto de os níveis, apesar de terem zonas amplas ou simplesmente longas como é habitual na série, os mesmos nunca se tornam demasiado repetitivos ou aborrecidos (algo que entretanto me voltei a lembrar do primeiro jogo, agora que o estou a jogar novamente). Para além disso, a narrativa acho que está bem mais interessante do o que eu me lembrava dos dois primeiros jogos e no fundo esta acabou por ser uma boa experiência. A nível audiovisual apesar de não achar o jogo nada do outro mundo, é um claro salto qualitativo em relação aos originais de Xbox. Os cenários e personagens têm muito mais detalhe, as texturas são de muito melhor qualidade e um dos benefícios da versão aqui presente nesta colectânea é o facto de a sua resolução estar upscaled e a performance sempre a apontar para os 60 fps ou até 120fps no caso da Series X. Jogando isto numa Series X e num monitor ultra wide, também não tive quaisquer problemas, com o jogo a suportar essa resolução. A banda sonora é bastante eclética, contendo temas mais épicos e orquestrais, outros com uma toada mais eletrónica e que acabam por funcionar bem com a acção e a narrativa que nos apresentam. O voice acting é bom, nada de especial a apontar neste aspecto!

Portanto devo reafirmar que até gostei deste Halo 3 e fez-me olhar para a série de uma forma bem mais positiva para aquilo que eu considerava inicialmente com os seus dois primeiros jogos. Esta compilação para a Xbox One traz todos os jogos principais desta série até ao Halo 5 (exclusive), pelo que é uma óptima maneira de alguém se introduzir na série. Está também disponível para PC e as suas vertentes multiplayer, seja competitivo, seja cooperativo (todas as campanhas neste disco podem ser jogadas cooperativamente) podem ser jogadas entre jogadores de ambas as plataformas.

Stray (Microsoft Xbox Series X)

Vamos voltar à mais recente consola da Microsoft para um jogo que sempre me despertou curiosidade. Lançado originalmente em 2022 para o PC e consolas Playstation, acabou por receber também um lançamento para as consolas da Microsoft no ano seguinte e vários prémios desde então. O meu exemplar foi comprado algures no mês passado numa promoção da worten, tendo-me custado algo em torno dos 25€.

Jogo com caixa e uma série de postais de oferta

Neste Stray controlamos um gato vadio que, enquanto explora o mundo à sua volta em conjunto com outros felinos, acaba por cair numa grande ribanceira que o deixa nas profundezas de uma grande cidade subterrânea, decrépita e completamente cyberpunk. Sem querer dar grandes spoilers, digamos que a raça humana já não existe e no seu lugar sobreviveram toda uma série de robots com inteligência artificial. Outrora ajudantes dos humanos para tarefas manuais, com o seu desaparecimento estes acabaram por ficar ainda mais autónomos e a copiar muitos dos comportamentos humanos. Antes disso, no entanto, eventualmente descobrimos uma inteligência artificial que vivia num computador e conseguimos transferi-la para um pequeno drone que nos irá acompanhar ao longo de toda a aventura. É este drone que serve de interface para falar com os outros robots que iremos encontrar, bem como nos vai guiando ao longo de toda a narrativa. E mais não digo!

O design das personagens e toda a arte no geral acho que está mesmo fora de série.

A jogabilidade é simples mas interessante. Sendo o nosso protagonista um gato, vamos tirar bastante partido da sua agilidade, pelo que esperem por vários segmentos de platforming onde o bicho se poderá esgueirar por estreitas passagens e atravessar uma série de obstáculos como se nada fosse. Temos também alguns elementos de aventura, particularmente quando chegamos a algumas povoações onde teremos de interagir com vários robots, coleccionar objectos e por aí fora. Existe também uma componente de combate, onde na maior parte das vezes estamos completamente indefesos e a furtividade é a ordem do dia. Não me querendo alongar muito, até para não correr o risco de estragar algumas potenciais surpresas, a jogabilidade é sólida.

Para além de servir de interlocutor com os restantes robots e também de nos dar dicas, o drone ajuda-nos com outras tarefas, incluindo iluminar salas escuras

Já no que diz respeito aos audiovisuais, aqui também é um ponto onde acho o jogo muito bem conseguido. Todos aqueles visuais cyberpunk estão muito bem detalhados, óptima arte por todo o lado e as animações dos robots que vamos encontrando estão também fantásticas. Não existem grandes diálogos (pelo menos em linguagem perceptível), mas a banda sonora, atmosférica, vai representando muito bem todos os diferentes momentos que a aventura vai atravessando. A narrativa, mesmo num jogo com poucos “diálogos” está muito bem construída e acima de tudo vejo este Stray como uma grande crítica social.

Mal chegamos à “cidade morta” percebemos que estamos perante um jogo especial.

Portanto devo dizer que considerei este jogo uma óptima surpresa e considero-o merecedor de todos os prémios que recebeu. Se gostam de jogos de acção/aventura com boas narrativas, recomendo vivamente que dêm uma oportunidade a este Stray. No entanto, sendo um jogo curto, recomendaria que o fizessem quando apanharem alguma boa promoção.

A Plague Tale: Requiem (Microsoft Xbox Series X)

O A Plague Tale: Innocence foi um jogo que me passou completamente despercebido na altura em que saiu. Apenas soube da sua existência após um dos meus amigos (que por acaso faz parte do painel do The Games Tome) o ter considerado como um dos melhores jogos que havia jogado nos últimos tempos. Não tardou muito até eu ter procurado um exemplar para mim e de facto foi uma excelente experiência! Lembro-me de na altura dizer que preferia que não fizessem uma sequela desse jogo para não correr o risco de o estragar, mas acabaram por a fazer na mesma, tendo sido lançada no último trimestre de 2022 e em exclusivo para o PC e consolas da geração actual, para além da Switch em modo cloud. E depois de as mesmas pessoas que me deram feedback do Innocence me disseram que esta sequela estava ainda melhor, fiquei ainda mais interessado em jogar esta sequela! O meu exemplar foi comprado no final de Dezembro de 2023, tendo sido comprado por cerca de 30€ na Amazon.

Jogo com caixa

A história segue uma vez mais Amicia e o seu pequeno e frágil irmão Hugo e sem querer spoilar as coisas para quem não jogou a prequela digamos que Hugo tem uma condição física que o liga intimamente ao surgimento da Peste Negra na Europa medieval do século XIV. A narrativa segue portanto os eventos do primeiro jogo, na medida em que depois de derrotar a Inquisição que os perseguia na sua região natal, o que resta da família de Amicia e Hugo decidem viajar até à zona de Provence e procurar um famoso alquimista que poderá ajudar Hugo a melhorar a sua condição. Naturalmente, as coisas não vão correr nada bem até porque a peste volta a surgir e acabaremos por passar uma grande parte do jogo a explorar uma ilha mediterrânica, onde Amicia e Hugo acreditam que possui as respostas que procuram para salvar Hugo.

Visualmente o jogo está fantástico e foi um prazer percorrer todas estas ruas medievais

No que diz respeito à jogabilidade, o jogo herda todas as mecânicas do seu antecessor e mais algumas. Isto porque a acção vai-se desenrolando entre fases de combate e exploração. No caso do combate, Amicia continua a ser uma jovem adolescente contra adultos fortemente armados, pelo que o jogo nos encoraja a seguir uma abordagem mais furtiva. Munidos de apenas uma fisga (e as mesmas munições alquímicas que vamos eventualmente desbloqueando), teremos muitas vezes de nos esconder em terrenos com ervas altas ou atrás de pequenos muros ou paredes. Podemos distrair guardas ao atirar pedras ou outros objectos para lhes desviar a atenção para algum local específico. No caso de guardas que não possuam capacetes de protecção poderemos também matá-los com uma pedra na cabeça ou esganá-los com a fisga se os surpreendermos por trás, mas tanto uma opção como outra faz barulho que poderá atrair a atenção de outros soldados nas imediações. Quando é noite, ou estamos em subterrâneos escuros, as ratazanas que surgem em grande número marcam uma vez mais a sua presença e no caso do combate poderemos também as utilizar em nosso proveito. Por exemplo, ao apagar a fonte de luz perto de algum soldado inimigo faz com que as ratazanas o devorem.

Uma vez mais estamos em desvantagem perante os inimigos, pelo que teremos de ter uma abordagem mais furtiva e evitar o combate sempre que possível. Ou pelo menos fazer o máximo possível para não sermos descobertos mesmo que eliminemos os soldados inimigos

A alquimia e o crafting marcam também o seu regresso nesta sequela. Ao coleccionar certos materiais poderemos construir munições especiais que podem ser usadas em conjunto com a fisga, potes de cerâmica ou até flechas, pois eventualmente ganhamos acesso a uma besta que nos permite matar soldados que possuam um capacete, mas não uma armadura completa. Criamos assim maneiras de atear ou apagar fogos ou munições que servem munições para atrair temporariamente as ratazanas para o local onde as atiramos. A novidade está nas munições de alcatrão que se usadas no fogo servem para ampliar temporariamente a intensidade das chamas, logo aumentando o alcance da luz. Para além disto, também poderemos coleccionar ferramentas e materiais diversos que nos permitem melhorar o equipamento disponível, desde sacos de transporte que nos permitirão carregar mais matérias primas, melhorar a performance da fisga, da besta ou das flechas que disparamos. Esta última foi especialmente útil, pois as flechas surgem em números reduzidos e assim conseguimos reaproveitá-las ao recuperá-las dos cadáveres de soldados que abatemos. Portanto, com paciência, logo que não sejamos detectados, conseguimos limpar as áreas de inimigos e depois explorar mais à vontade. Os inimigos com armaduras completas têm também um ponto fraco que se atingido desmonta a sua armadura, deixando-os posteriormente vulneráveis a flechas. Ao longo do jogo vão também existindo vários momentos onde não temos como escapar ao combate, sendo portanto obrigados a tirar partido de todas estas mecânicas e ter o equipamento melhorado é sempre uma óptima ajuda.

As ratazanas estão de volta e as mecânicas com as fontes de luz também. Ao eliminar fontes de luz perto de soldados fazemos com que estes sejam devorados, o que é outra mecânica a ter em conta nos combates

Já no que diz respeito à exploração, teremos sempre alguns pequenos puzzles para resolver, seja arrastar carros de mão que sirvam de plataforma intermédia para alcançar locais mais altos, interagir com várias alavancas que nos desbloqueiem o progresso ou no caso da presença de ratos, teremos também de manipular as fontes de luz que nos permitem atravessar essas zonas em segurança. Amicia está na maior parte das vezes acompanhada de alguém que nos pode ajudar tanto na exploração como no combate. Hugo pode-se esgueirar por passagens estreitas e destrancar portas do outro lado, mas também a certa altura ganha a habilidade de controlar algumas ratazanas, que as podemos encaminhar para devorar certos soldados inimigos. Lucas é um aprendiz a alquimista que nos pode ajudar em certas partes a paralizar temporariamente os inimigos. Arnaud é um cavaleiro poderoso que pode combater alguns inimigos por nós, só temos de garantir que os combates são sempre de um para um. Por fim Sophia possui um prisma capaz de gerar luz se apontado para uma fogueira, o que é uma habilidade que teremos de utilizar ocasionalmente. A cooperação entre Amicia e todas estas personagens, particularmente a do seu frágil irmão Hugo continua no centro da narrativa, que está uma vez mais muito bem conseguida como um todo.

Ocasionalmente teremos também alguns puzzles para resolver que obrigam à cooperação com as personagens que nos acompanham

A nível audiovisual este é portanto um excelente jogo. Eu estreei a Xbox Series X com o Gollum, uma escolha 100% consciente pois estava genuinamente curioso em jogá-lo, apesar das (e principalmente pelas) suas más críticas, pelo que este A Plague Tale acaba por ser o meu primeiro contacto mais a sério com um título especialmente criado para os sistemas da geração actual e de facto há aqui uma diferença considerável quando comparando, por exemplo, com o que a Playstation 4 é capaz de fazer. Os cenários estão incrivelmente bem detalhados, atravessando desde verdejantes paisagens naturais como prados, florestas e montanhas, imensos subterrâneos e várias populações medievais. As texturas são bem mais detalhadas do que seria possível na geração anterior, assim como os seus efeitos de luz, sombra e a imensidão da área visível. As personagens, principalmente as principais, estão também bem detalhadas, embora aqui sinto que as consolas desta geração ainda nos vão conseguir oferecer resultados melhores, particularmente nas texturas de pele e cabelos. O voice acting está disponível em várias línguas e pelo menos a versão inglesa está excelente. Deveria ter mudado para vozes em francês para uma experiência mais autêntica, mas já me tinha habituado às vozes em inglês da primeira aventura. Já a banda sonora está também muito bem conseguida, consistindo em vários temas de influência medieval, recorrendo inclusivamente a instrumentos da época e outras músicas mais atmosféricas, muitas vezes de enorme tensão, que se adequam perfeitamente ao ambiente que o jogo nos propõe.

Ocasionalmente teremos também alguns momentos de pura acção como este onde teremos de controlar uma besta e eliminar inimigos que nos atacam à distância enquanto fugimos de barco

Portanto este A Plague Tale: Requiem é mais um excelente jogo dos franceses da Asobo. Os meus receios que uma eventual sequela ao primeiro jogo pudessem comprometer aquela obra prima foram todos infundados, pois a Asobo conseguiu uma vez mais apresentar um excelente videojogo com uma narrativa fantástica (e bem dramática), com mecânicas de jogo algo similares mas que expandem o conceito original e com excelentes audiovisuais a acompanhar. A maneira como o jogo termina abre a porta a novas sequelas, mas desta vez fico bem mais confiante em que a Asobo conseguirá replicar o sucesso destes dois títulos.