Torchlight (PC)

Mais um RPG para PC, mais um jogo indie. Desta vez trago cá o Torchlight, um interessante clone de Diablo, que apesar de simples é eficaz. A sua sequela, lançada neste ano tem sido bastante aclamada pela crítica, sendo considerado até superior ao seu rival, o Diablo III. Mas isso fica para outro artigo. O jogo fez parte do recente Humble Indie Bundle VI, o qual eu adquiri por uns modestos 7€, juntamente com outros bons jogos como Dustforce ou Rochard.

Torchlight

A história do jogo é possivelmente o aspecto que menos apreciei neste jogo. Somos levados até uma vila que serve como hub para os restantes locais do jogo, nomeadamente as dungeons. A vila prospera através da extracção mineira de embers, umas pedras/cristais misteriosas que conferem poderes mágicos, atraíndo aventureiros de todo o mundo. A personagem que encarnamos é um desses aventureiros que mal chega ao seu destino, é recrutado pela jovem aprendiz alquemista Syl, que pede ao jogador que se aventure nas cavernas de Torchlight em busca do seu mestre Aldric que havia desaparecido. Com o desenrolar da história vamo-nos apercebendo que as Embers corrompem as pessoas e um grande mal se encontra na raíz do labirinto de Torchlight. É uma história simples, porém eficaz. De qualquer das maneiras acho o lore de Diablo bem mais interessante.

Inicialmente dispomos de 3 classes para criar uma personagem: Destroyer, os habituais guerreiros bruta-montes especialistas em dano melee, Vanquisher, especialistas em dano “à distância”, através de revólveres, espingardas ou arco-e-flecha. Por fim sobram os Alchemists, dotados de poderes mágicos, contudo fracos a nível físico. As diferentes classes têm também 3 diferentes árvores de skills, cada árvore com uma especialidade respectiva, contudo o jogador pode assimilar skills de cada árvore, dependendo se a sua personagem tem o nível pretendido pela dita skill ou não. As skills são variadas quanto baste entre si, existindo activas, passivas, armadilhas, entre outras. Para além disso, todas as classes têm 4 slots livres para serem alocados spells à escolha, que podem ser encontrados durante o jogo. Os spells são livres de serem utilizados por qualquer classe e podem ser aprendidos e “esquecidos” livremente. Uma particularidade deste Torchlight é o facto de se utilizar também um animal de estimação, algo que não é propriamente novo em RPGs, mas aqui o animal tem características especiais. Em primeiro lugar podemos escolher se queremos ter como animal de estimação um canino ou um felino, posteriormente o animal também pode ser equipado com acessórios e um conjunto de 2 spells que os utiliza automaticamente, para além de ter também um inventário próprio.

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Aqui um screenshot parcial dos inventários e descrição de items

Para além do estilo de combate click-click-click habitual neste tipo de jogos, em Torchlight é também possível pescar, existindo uma variedade de peixes considerável. A grande maioria destes peixes servem para serem dados ao animal de estimação, que o transforma temporariamente noutra criatura, com diferentes habilidades, num intervalo de tempo variável. Existem também peixes que servem apenas para regeneração de vida, ou outros que transformam definitivamente o animal de estimação, contudo nunca cheguei a utilizar nenhum dos mesmos. A progressão da personagem é feita ganhando experiência do combate ou da realização de quests, bem como os pontos de fama. É possível ganhar pontos de fama ao completar quests e derrotar alguns inimigos mais poderosos (geralmente com o nome a amarelo). Sempre que o herói ganha um nível, pode dispender um certo número de pontos em melhorar os seus atributos, bem como aprender ou evoluir uma skill. Por outro lado, sempre que é ganho um nível de reputação pode-se também aprender /evoluir skills. Como o primeiro Diablo, Torchlight apenas dispõe de uma única dungeon principal, dividida em várias áreas com um respectivo waypoint, onde é possível regressar à vila livremente. Para além dos 35 níveis da caverna principal, existem também outras pequenas dungeons aleatórias que podem ser encontradas ao longo do jogo, ganhas a completar quests ou simplesmente comprar uma scroll a um determinado vendedor. Estas cavernas extra têm a particularidade de serem mais difíceis, pois os inimigos seguem o nível da personagem, enquanto que os da dungeon principal seguem uns níveis prédefinidos, dependendo do grau de dificuldade com que se joga.

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Um dos cenários que mais gostei de explorar

De resto Torchlight pouco oferece, a não ser a obsessão característica destes jogos em jogar-jogar-jogar de forma a evoluir a personagem e obter cada vez melhores items/equipamento. À semelhança de Diablo existe equipamento normal, ou encantado com alguns buffs positivos. Dentro do encantado existem items bem mais raros que outros, bem como existe também a possibilidade de, através de alquimia tentar melhorar as stats dos items já existentes, correndo também o risco de o encantamento falhar e o produto final ser pior que anteriormente. A grande falha deste Torchlight, para além de uma história algo fraca, é não incluir qualquer modo de multiplayer, algo que geralmente é obrigatório neste género de RPGs, retirando-lhe assim muito replay value. De resto, e para a versão PC do jogo, para quem gostar de comunidades modding, a Runic Games disponibilizou um editor do jogo para esse efeito, existindo por aí muito conteúdo criado por fãs.

A nível visual, tendo em conta que é um jogo indie de 2009, acho Torchlight competente neste quesito. A minha única queixa é para as personagens/inimigos estarem demasiado “cartoonish“, pois de resto as diferentes áreas da dungeon estão bem conseguidas, com cores vivas e cenários interessantes. No que diz respeito ao som, o voice-acting é pouco, mas faz completamente jus ao de Diablo, utilizando o mesmo estilo. É competente, mas nada de espectacular, tal como a história, como já referi. Os efeitos sonoros também são bons, mas também não haveria muito a dizer neste campo. A música segue também os gostos de Diablo, principalmente para a música da vila, que é mesmo parecida. De resto são sempre músicas ambientais, e o que acaba sempre por sobressair são os grunhidos dos monstros e o barulho das armas.

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É possível fazer zoom à acção.

Concluindo, para quem gostar de Diablo e já estiver farto de o jogar, este Torchlight é um jogo interessante, que embora não adicione muito à conhecida fórmula, acaba por ser um jogo eficaz. Perde na minha opinião pela pouca variedade de classes, bem como uma história pouco apelativa. Mas acima de tudo, o facto de não ter multiplayer retira-lhe muito do factor replay. Contudo deve-se entender que este Torchlight sempre foi um jogo low budget, pelo que se deve dar uma oportunidade. O Torchlight II já anda por aí, e a Runic Games pelos vistos corrigiu muitas destas falhas. Um dia eu compro.

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A edição de Novembro da PUSHSTART já se encontra disponível para download!

Neste mês contribui com 2 análises, uma para o jogo indie Dustforce, que mais tarde acabarei por publicar aqui também, e uma outra para os recentes Pokémon Black/White 2 da Nintendo DS.

Podem também contar com diversas análises tanto a jogos modernos como o novíssimo Forza Horizon, NBA 2k13 ou o regresso da mítica saga dos PCs, X-COM, bem como a jogos indie e retro como habitual.

Confiram aqui.

Fallout Trilogy parte I – Fallout (PC)

Fallout PC

RPGs ocidentais sempre foram algo que me tenham passado ao lado, mas nos últimos tempos tenho-me embrenhado mais nos mesmos. Geralmente, diferenciam-se dos orientais apresentando uma maior liberdade de escolhas, oferecendo uma experiência não linear e com uma quantidade de lore e história considerável por detrás. Este Fallout é um óptimo exemplo, tendo sido um RPG bastante interessante na sua altura, apresentando um cenário pós-apocalíptico ao invés de fantasia como a maioria dos restantes RPGs, uma progressão no jogo não-linear, em que as decisões nos diálogos e/ou combates/quests influenciam o jogo e também uma mecânica de jogo inovadora mas que infelizmente envelheceu mal. Eu possuo 2 cópias deste jogo, uma digital proveniente do Good Old Games que na altura foi adquirida gratuitamente, e uma edição física, mais precisamente da compilação Fallout Trilogy que também inclui Fallout 2 e Tactics. Este Fallout Trilogy foi comprado este ano no MediaMarkt do Parque Nascente, no Porto, por cerca de 3€. Um bom negócio, na minha opinião.

Fallout Trilogy PC
Jogo completo com caixa, manual e papelada

A narrativa decorre em pleno século XXII, num futuro distópico onde o desenvolvimento tecnológico ficou parado nos anos 50. A humanidade esgotou os seus recursos naturais, o que levou mais uma grande guerra que por sua vez levou a um holocausto nuclear a nível global, dizimando uma enorme parte da raça humana. Nem todos morreram, existem ruínas de cidades e outras populações habitadas por sobreviventes, mas toda a sociedade socio-econónica colapsou. Notas? Quem precisa disso quando o último grito são caricas? Para além de ruínas, com toda a radiação que o planeta sofreu, passaram a existir também variados mutantes, ou não fosse isto um video-jogo. O protagonista principal de Fallout é um dos sortudos. Antes do holocausto nuclear ter decorrido, o governo norte-americano construiu uma série de abrigos nucleares bastante avançados, espalhados pelo país. Os abrigos são grandes o suficiente para albergar várias famílias, permitindo também que as mesmas vivam em sociedade, tendo aulas e eventualmente empregos, sempre contribuindo para o bom funcionamento do abrigo. Acontece que a dada altura o chip que regula a produção de água potável para o abrigo “Vault 13” avaria e o herói tem como missão aventurar-se no mundo exterior de forma a obter um novo chip. O problema é que tem de o fazer num prazo de 150 dias.

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A lista de atributos, skills e traits

Fallout tem um complexo sistema de skills e stats. Em primeiro lugar, podemos escolher uma entre várias personagens com características diferentes para dar início à aventura, ou criar uma personagem à nossa medida. Aqui são-nos atribuídos diversos pontos para dividir em vários atributos, os chamados SPECIAL (Strength, Perception, Endurance, Charisma, Intelligence, Agility e Luck). Obviamente que a alocação de pontos que fazemos neste campo molda a personagem a ser mais forte ou fraca nesses mesmos campos, bem  como influencia directamente a alocação inicial de pontos nas skills. Existem um total de 18 skills em Fallout, podendo as mesmas serem de combate, suporte activas ou passivas. Essas skills podem ser evoluídas à medida em que o jogador sobe de nível, ou com recurso a alguns items/diálogos com NPCs. Para além do mais podemos também configurar os “traits” que dizem respeito à personalidade do jogador bem como os “perks“, que induzem condições geralmente positivas ao percurso do jogador. É um sistema algo complexo que permite a criação de personagens com características e carismas diferentes entre si, oferecendo novas perspectivas de jogo. Certas quests só surgem em personagens com uns certos “stats“, outras apenas para quem tiver um bom “karma” (que já passo a explicar). Acontece que em Fallout existe também um sistema moral. À medida em que vamos avançando no jogo vamos encontrar diferentes problemas para resolver, podendo resolvê-los das mais variadas maneiras, sendo partir para a pancada logo de raíz, tentar resolver as coisas diplomaticamente, ou pela calada utilizando o stealth. De qualquer das maneiras, o jogador vai tendo uma reputação sob a forma de pontos de karma que, aliando a algumas decisões em certos pontos do jogo poderá levar a finais menos bons.

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Podemos comprar e/ou trocar coisas com outras personagens, bem como inspeccionar cadáveres para “loot”.

O jogo tem uma perspectiva isométrica, porém com uma mecânica algo ultrapassada. O inventário é algo confuso, bem como a interacção com o mundo exterior. Acções como utilizar items, observar as suas descrições deveriam ser bastante simples e neste caso não o são. O jogo como vários RPGs é complexo, porém a sua interface no geral deveria ser mais apelativa. A exploração é feita em tempo real, com os combates a assumirem um esquema por turnos que na minha opinião também está algo confuso e obsoleto. O jogador dispõe de um certo número de Action Points, esses pontos podem ser gastos em movimento, consultar o inventário, usar items ou armas. A probabilidade de sucesso ao acertar no adversário varia com a distância e acima de tudo com os valores que temos nas respectivas skills. No meu caso foi uma experiência frustrante pois é bastante comum os golpes falharem. Felizmente também o foi para os inimigos, mas de qualquer das maneiras tornou o combate tedioso. Para além do mais podemos também usar o sistema VATS que permite direccionar os golpes/disparos para zonas específicas do corpo dos adversários, com diferentes probabilidades de sucesso. Isto é importante pois por vezes conseguem-se “critical hits” devido a pontos fracos.

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Os diálogos tomam esta forma

Graficamente é um jogo datado, com poucas cores e uma engine um pouco confusa para se explorarem os edifícios. No entanto, para os padrões de 1997, achei o sistema de conversas com as personagens principais muito bem realizado, com algum lip-sync, inclusive. A artwork em si parece-me também muito bem conseguida, capturando excelentemente a tecnologia e sociedade dos anos 50, misturando-a muito bem com o futuro pós-apocalíptico. Fallout 3 e New Vegas exploraram de forma magistral estes aspectos, mas isso ficará para outra altura. No que diz respeito ao voice acting, acho que é dos pontos fortes do jogo. A narrativa inicial com a conhecida frase “War. War never changes” é das frases mais icónicas da indústria e Fallout no geral tem um voice acting bastante competente. A música é no geral ambiental, sendo perfeitamente adequada às paisagens inóspitas e desoladoras que Fallout oferece.

Muito mais haveria a dizer, Fallout é um RPG com um grau considerável de complexidade e liberdade de escolha, que o permite ser vivido das mais variadas maneiras. O “setting” pós apocalíptico está muito bem conseguido pela Black Isle, que devo dizer que desenvolveu um manual do jogo bastante interessante, com várias dicas de como sobreviver a um holocausto nuclear, aumentando a imersão do jogador no mundo de Fallout. Tem na minha opinião como ponto negativo a mecânica de combate que é muito irritante e aborrecida por vezes. Gosto bem mais da abordagem moderna que deram à série, mas há que dar o respectivo valor ao jogo original.

Children of Mana (Nintendo DS)

Children of Mana DS

Seiken Densetsu (tendo o primeiro jogo sido lançado no ocidente como Final Fantasy Adventure ou Mystic Quest para a velhinha Gameboy) foi desde cedo A série de RPGs de acção da Squaresoft, com excelentes lançamentos quer para a SNES quer para a PS1. Após o lançamento de Seiken Densetsu 3 que se ficou em exclusivo em solo nipónico para a Super Famicom, os jogos da série passaram a ter lançamentos cada vez mais espaçados entre si, até que em 2005 a Square-Enix planeou em relançar definitivamente a série, apresentando o “World of Mana project” que consistiu em 2 jogos para a Nintendo DS, um para a PS2 e um outro para telemóveis japoneses. Este Children of Mana foi o primeiro jogo a sair desse projecto, contando com uma história que antecede os eventos de quase todos os outros jogos da série. A minha cópia foi adquirida algures no decorrer deste ano na GAME do Maiashopping, tendo-me custado apenas 5€.

Children of Mana - Nintendo DS
Jogo completo com caixa, manual e papelada

A história decorre na ilha de Illusia, terra que alberga a famosa Tree of Mana, elemento fulcral dos jogos da série. Children of Mana decorre cerca de 10 anos após os acontecimentos narrados no Dawn of Mana da PS2, onde houve uma grande catástrofe que dizimou grande parte da população do planeta. Obviamente que nem tudo ficou bem resolvido e após alguns eventos o mundo torna-se novamente invadido por monstros e cabe aos jovens heróis resolverem a situação. Inicialmente somos então obrigados a escolher uma de 4 personagens distintas para a aventura. Ferrik é o rapaz típico espadachim, com performance média quer em ataques físicos ou o uso de magia. Tamber é uma rapariga especializada em arco e flecha, mas também com dotes mágicos acima da média, Poppen é uma criança especializada em magia, com atributos físicos baixos e finalmente temos também Wanderer, um membro da tribo Niccolo que consiste em criaturas híbridas coelho-gato. Wanderer é o “brutamontes” do jogo, especializado em armas pesadas como martelos e com poucos dotes mágicos. Todas as personagens têm um passado comum, são orfãs, perderam os seus pais no grande desastre, pelo que a história pouco muda independentemente das personagens escolhidas.

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Ecrã da cut-scene inicial, onde podemos ver as 4 personagens disponíveis

Infelizmente os 4 jogos Mana do World of Mana project alteraram a jogabilidade clássica da série, o que me parece que não foi uma boa decisão. Talvez por essa razão que desde 2007 que não se ouviu falar mais na série. Em Children of Mana alteraram a jogabilidade de um RPG de acção puro para um dungeon crawler algo semelhante a um Diablo muito simplificado e portátil. Existe apenas uma pequena cidade que serve de hub entre o progresso do jogo, onde existem alguns NPCs para conversar, algumas lojas e os Elementals, que explicarei daqui a pouco.  As dungeons são visitadas após a personagem se dirigir à saída da cidade, onde aparece o mapa da ilha ou mundo onde poderemos indicar qual a dungeon queremos visitar. Inicialmente dispomos apenas de uma, mas sempre que vamos progredindo no jogo, novas dungeons vão-se abrindo. Para além do progresso normal, podemos revisitar as dungeons sempre que quisermos para obter um melhor ranking ou simplesmente para ganhar mais dinheiro ou experiência. Sidequests também vão ficando disponíveis à medida em que vamos falando com as personagens, mas apenas podemos inscrever-nos numa de cada vez. Para além do mais, a cidade dispõe também de uma espécie de Hunters Guild, onde podemos realizar alguns jobs a troco de dinheiro ou items. Estranho é o facto de sermos obrigados a pagar só por inscrever à quest, mas paciência.

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Aqui a única população do jogo

De resto o combate é algo semelhante aos jogos clássicos, dispondo dos menus em anel para escolher qual as 2 armas que podemos alocar a 2 botões da DS, e um outro menu em anel para alocar um item a um outro botão. No fim sobra o botão B que serve para a magia. Os Elementals que referi há pouco são espíritos que acompanham a personagem principal, e são esses mesmos que conferem os poderes mágicos. Cada Elemental tem diferentes poderes e apenas podemos equipar um Elemental na cidade. As dungeons em si são na sua maioria aleatórias, bem como os items que podemos apanhar. Existem 4 tipos de armas, cada umas com a sua utilidade. Espada, arco e flecha para inimigos em sítios inalcançáveis, “flail“, uma corrente com uma lâmina na ponta e por fim o martelo que se torna indispensável para progredir no jogo a partir do momento em que o obtivermos. Para além de tudo isto existem também as gems, umas jóias mágicas que podemos equipar na personagem conferindo-lhe benefícios nos seus “stats“. Estas gems trouxeram também um esquema de alquimia, onde as podemos fundir entre si na cidade, criando outras gems que poderão ser bem mais poderosas. Este esquema de jogo nem seria mau de todo mas contém várias falhas que a meu ver poderiam ser evitadas. Assim que entrarmos numa dungeon não podemos aceder ao menu principal do jogo, onde poderíamos alterar o equipamento, gems, salvar o jogo ou mesmo alterar as opções. A única altura em que o podemos fazer é periodicamente, geralmente de 4 em 4 níveis numa dungeon, em que o menu principal é aberto.

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A lista dos diferentes elementals disponíveis

Regressar à aldeia é possível em qualquer altura do jogo, mas perde-se todo o progresso na dungeon. O progresso na dungeon em si consiste na combinação de gleamdrops e gleamwells. As primeiras servem como uma espécie de chave para as segundas, que são um portal para o nível seguinte. Ambas precisam de ser encontradas, sob várias condições indicadas no ecrã de baixo da Nintendo DS. Podem estar escondidos em plantas, baús, ou surgem apenas quando se derrota um determinado inimigo ou todos os inimigos no andar. Isto torna o progresso do jogo algo monótono, até porque nas últimas dungeons existem cada vez mais obstáculos e o facto de apenas se poder fazer save de vez em quando foi o que mais me irritou, juntamente com o facto de apenas se poder equipar um Elemental. Uma adição interessante ao jogo é o facto de o mesmo poder ser jogado cooperativamente até 4 jogadores. Infelizmente não é um multiplayer online, mas sim apenas local, em que todos os jogadores têm de ter uma cópia do jogo. Escusado será dizer que passei completamente ao lado deste modo.

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Um ecrã da primeira dungeon.

Graficamente o jogo é totalmente em 2D, tem gráficos polidos e bonitos, mas nada de muito diferente do que a Gameboy Advance nos mostrou anteriormente. Ainda assim mantêm o charme e o estilo gráfico clássico da saga. De vez em quando surgem algumas cut-scenes animadas que embora sejam bonitas de assistir pecam por não possuirem voice-acting. As músicas são agradáveis e variadas entre si, contudo pecam por tocarem continuamente ao longo de cada dungeon, pelo que deveria haver uma maior variedade neste ponto.

Concluindo, este Children of Mana foi um jogo que me desapontou por ter uma mecânica de jogo algo monótona e com algumas falhas de design que poderiam ter sido evitadas. Para além do mais, a história é demasiado simples com diálogos muito infantis, não que isso me seja assim tão importante, mas sem uma história apelativa tornaram esta experiência algo “esquecível”. Recomendo apenas a fãs da saga Mana, pois a Nintendo DS possui um vasto catálogo de RPGs, muitos deles bem melhores que este.

Lone Survivor (PC)

Hoje trago cá mais um jogo indie, desta vez um interessante survival horror em 2D com um forte terror psicológico, lembrando em vários momentos o primeiro Silent Hill, com o seu mundo desolado e repleto de criaturas e personagens que fazem tudo menos sentido. O jogo foi desenvolvido pelo Superflat Studios que me parece ser apenas o projecto de apenas uma pessoa – Jasper Byrne. A minha cópia foi adquirida digitalmente, juntamente com o Humble Indie Bundle V que juntamente com outros jogos como Amnesia, Sword & Sworcery, Super Meat Boy e Bastion, pareceu-me o melhor pack de jogos indie lançado até ao momento.

Lone Survivor PC

Lone Survivor coloca-nos na pele de um sobrevivente anónimo, equipado de uma máscara médica, que acaba de acordar no seu apartamento, após um sonho bastante misterioso que levanta logo uma série de perguntas relativamente a algumas personagens que serão importantes mais para a frente. O mundo encontra-se assolado por uma doença infecciosa que tornou a população humana não digo em zombies, mas em seres mutantes bastante agressivos. Sozinho no seu apartamento citadino, o herói encontra-se cansado, psicologicamente exausto e desesperado para sair da situação em que se encontra. Estando munido de um mapa do seu edifício, o jovem anónimo parte então à exploração do que o rodeia, procurando por outros sobreviventes ou apenas mantimentos que o façam viver mais um dia.

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Um trecho da introdução do jogo.

A jogabilidade é simples, mas por vezes atrapalhou-me um pouco. Inicialmente a personagem não tem nenhuma arma, pelo que o contacto físico com os monstrinhos deve ser evitado. Somos assim largados, com alguns mantimentos e uma lanterna que teima em gastar as pilhas como eu bebo cerveja, no edifício claustrofóbico e escuro. Assim sendo somos obrigados a esquivar-nos dos inimigos, ou usar carne podre para servir de isco. Quando finalmente temos uma arma, as coisas não melhoram muito pois a munição é bastante escassa, o que contribui para um clima eternamente tenso à medida em que vamos ouvindo o ruído das criaturas à distância. Falei na carne podre pois existe um sistema de inventário muito à semelhança de um Resident Evil, onde podemos inspeccionar e até combinar items à medida em que vamos progredindo no jogo. Para além de munições e baterias para a lanterna, dos items mais “abundantes” que vamos encontrando são comida. Várias vezes a personagem do jogo se queixa que tem fome e/ou sono. A escolha é nossa, podemos alimentar o herói com a comida que formos encontrando, ou regressar ao seu quarto e dormir, porém podemos não o fazer com a consequência de a nossa sanidade se degradar. Lone Survivor vai também buscar influências a Eternal Darkness neste aspecto, pois uma saúde mental má leva a várias alucinações. Se estivermos com falta de mantimentos e/ou munições, existem uns comprimidos coloridos que descobrimos mais tarde no jogo. Ao tomar um desses comprimidos, e após dormir, acordamos no apartamento com mais algumas munições, comida, ou baterias, dependendo do comprimido que é tomado. Um dos comprimidos tira até o efeito do sono e fome, contudo ao tomar qualquer dos comprimidos estamos a degradar a sanidade mental da personagem. Não vou estar aqui a revelar grandes detalhes, mas a demência do jogador e as acções que o mesmo tem durante o jogo têm um impacto no final.

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Um exemplo de um sonho/alucinação que poderemos ter

De resto faltou referir que o progresso do jogo é salvo sempre que o herói dorme no seu quarto, e para evitar backtrackings longos existem espalhados por várias salas ao longo do jogo alguns espelhos misteriosos que servem de portais para o apartamento do herói. O combate resume-se a um revólver (embora possamos utilizar também flares e carne podre para distrair alguns inimigos, conforme referi anteriormente) e é possivelmente o ponto baixo do jogo. Apenas se pode apontar em 6 direcções e a detecção de balas é pobre, forçando muitas vezes a que o jogador esteja demasiado próximo dos inimigos para que as balas surjam algum efeito. Pensando melhor talvez até tenha sido propositado para aumentar a tensão do jogador. Outro aspecto menos bom é a orientação. O jogo decorre como se um side-scroller se tratasse, contudo existem corredores e salas em 4 direcções. As salas muitas vezes são demasiado idênticas entre si, o que faz aumentar ainda mais a confusão, mesmo utilizando o mapa.

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Mapa de um dos andares do edifício.

Graficamente Lone Survivor é mais um jogo revivalista da “Pixel Art”, apresentando gráficos bastante simples e datados. A mim o jogo lembrou-me bastante os velhinhos Splatterhouse, pelo menos no quesito gráfico. Eu não tenho problemas alguns com esta onda revivalista de jogos independentes apresentarem gráficos nostálgicos. Apenas me queixo que no Lone Survivor os gráficos estão demasiado esticados, não existindo opções gráficas para alterar a resolução ou jogar em modo de janela. De resto os visuais cumprem bem o seu papel, ao apresentar um mundo inóspito, claustrofóbico e por vezes completamente mind-fuck. A parte sonora é facilmente o melhor de Lone Survivor. Muitas vezes a música é inexistente, estando o jogador envolto numa mistura de estranhos ruídos, o batimento cardíaco do herói e os grunhidos dos mutantes à nossa volta. Por vezes, naqueles momentos mais extravagantes, a música muda para outros géneros bem mais alegres, como algumas melodias jazz bem agradáveis.

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Foi este ecrã em especial que me fez lembrar de Splatterhouse

Lone Survivor é portanto um jogo muito interessante. Apesar de ter visuais bastante simples, cumpre bem o seu papel em apresentar uma atmosfera tensa e o conceito de sobrevivência é bem aplicado, obrigando o jogador a gerir muito bem os seus recursos e inclusivamente a sua sanidade mental. Tem uma ou outra falha a nível da jogabilidade, mas nada de grave, a meu ver. Pessoas de outras andanças, apenas poderão encontrar este jogo no PC, pelo menos para já. De qualquer das maneiras, está disponível tanto para Windows como Mac OS e Linux, pelo que fãs de survival horror dessas plataformas não se devem acanhar pelos visuais retro, pois Lone Survivor cumpre muito bem o seu papel.