Lone Survivor (PC)

Hoje trago cá mais um jogo indie, desta vez um interessante survival horror em 2D com um forte terror psicológico, lembrando em vários momentos o primeiro Silent Hill, com o seu mundo desolado e repleto de criaturas e personagens que fazem tudo menos sentido. O jogo foi desenvolvido pelo Superflat Studios que me parece ser apenas o projecto de apenas uma pessoa – Jasper Byrne. A minha cópia foi adquirida digitalmente, juntamente com o Humble Indie Bundle V que juntamente com outros jogos como Amnesia, Sword & Sworcery, Super Meat Boy e Bastion, pareceu-me o melhor pack de jogos indie lançado até ao momento.

Lone Survivor PC

Lone Survivor coloca-nos na pele de um sobrevivente anónimo, equipado de uma máscara médica, que acaba de acordar no seu apartamento, após um sonho bastante misterioso que levanta logo uma série de perguntas relativamente a algumas personagens que serão importantes mais para a frente. O mundo encontra-se assolado por uma doença infecciosa que tornou a população humana não digo em zombies, mas em seres mutantes bastante agressivos. Sozinho no seu apartamento citadino, o herói encontra-se cansado, psicologicamente exausto e desesperado para sair da situação em que se encontra. Estando munido de um mapa do seu edifício, o jovem anónimo parte então à exploração do que o rodeia, procurando por outros sobreviventes ou apenas mantimentos que o façam viver mais um dia.

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Um trecho da introdução do jogo.

A jogabilidade é simples, mas por vezes atrapalhou-me um pouco. Inicialmente a personagem não tem nenhuma arma, pelo que o contacto físico com os monstrinhos deve ser evitado. Somos assim largados, com alguns mantimentos e uma lanterna que teima em gastar as pilhas como eu bebo cerveja, no edifício claustrofóbico e escuro. Assim sendo somos obrigados a esquivar-nos dos inimigos, ou usar carne podre para servir de isco. Quando finalmente temos uma arma, as coisas não melhoram muito pois a munição é bastante escassa, o que contribui para um clima eternamente tenso à medida em que vamos ouvindo o ruído das criaturas à distância. Falei na carne podre pois existe um sistema de inventário muito à semelhança de um Resident Evil, onde podemos inspeccionar e até combinar items à medida em que vamos progredindo no jogo. Para além de munições e baterias para a lanterna, dos items mais “abundantes” que vamos encontrando são comida. Várias vezes a personagem do jogo se queixa que tem fome e/ou sono. A escolha é nossa, podemos alimentar o herói com a comida que formos encontrando, ou regressar ao seu quarto e dormir, porém podemos não o fazer com a consequência de a nossa sanidade se degradar. Lone Survivor vai também buscar influências a Eternal Darkness neste aspecto, pois uma saúde mental má leva a várias alucinações. Se estivermos com falta de mantimentos e/ou munições, existem uns comprimidos coloridos que descobrimos mais tarde no jogo. Ao tomar um desses comprimidos, e após dormir, acordamos no apartamento com mais algumas munições, comida, ou baterias, dependendo do comprimido que é tomado. Um dos comprimidos tira até o efeito do sono e fome, contudo ao tomar qualquer dos comprimidos estamos a degradar a sanidade mental da personagem. Não vou estar aqui a revelar grandes detalhes, mas a demência do jogador e as acções que o mesmo tem durante o jogo têm um impacto no final.

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Um exemplo de um sonho/alucinação que poderemos ter

De resto faltou referir que o progresso do jogo é salvo sempre que o herói dorme no seu quarto, e para evitar backtrackings longos existem espalhados por várias salas ao longo do jogo alguns espelhos misteriosos que servem de portais para o apartamento do herói. O combate resume-se a um revólver (embora possamos utilizar também flares e carne podre para distrair alguns inimigos, conforme referi anteriormente) e é possivelmente o ponto baixo do jogo. Apenas se pode apontar em 6 direcções e a detecção de balas é pobre, forçando muitas vezes a que o jogador esteja demasiado próximo dos inimigos para que as balas surjam algum efeito. Pensando melhor talvez até tenha sido propositado para aumentar a tensão do jogador. Outro aspecto menos bom é a orientação. O jogo decorre como se um side-scroller se tratasse, contudo existem corredores e salas em 4 direcções. As salas muitas vezes são demasiado idênticas entre si, o que faz aumentar ainda mais a confusão, mesmo utilizando o mapa.

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Mapa de um dos andares do edifício.

Graficamente Lone Survivor é mais um jogo revivalista da “Pixel Art”, apresentando gráficos bastante simples e datados. A mim o jogo lembrou-me bastante os velhinhos Splatterhouse, pelo menos no quesito gráfico. Eu não tenho problemas alguns com esta onda revivalista de jogos independentes apresentarem gráficos nostálgicos. Apenas me queixo que no Lone Survivor os gráficos estão demasiado esticados, não existindo opções gráficas para alterar a resolução ou jogar em modo de janela. De resto os visuais cumprem bem o seu papel, ao apresentar um mundo inóspito, claustrofóbico e por vezes completamente mind-fuck. A parte sonora é facilmente o melhor de Lone Survivor. Muitas vezes a música é inexistente, estando o jogador envolto numa mistura de estranhos ruídos, o batimento cardíaco do herói e os grunhidos dos mutantes à nossa volta. Por vezes, naqueles momentos mais extravagantes, a música muda para outros géneros bem mais alegres, como algumas melodias jazz bem agradáveis.

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Foi este ecrã em especial que me fez lembrar de Splatterhouse

Lone Survivor é portanto um jogo muito interessante. Apesar de ter visuais bastante simples, cumpre bem o seu papel em apresentar uma atmosfera tensa e o conceito de sobrevivência é bem aplicado, obrigando o jogador a gerir muito bem os seus recursos e inclusivamente a sua sanidade mental. Tem uma ou outra falha a nível da jogabilidade, mas nada de grave, a meu ver. Pessoas de outras andanças, apenas poderão encontrar este jogo no PC, pelo menos para já. De qualquer das maneiras, está disponível tanto para Windows como Mac OS e Linux, pelo que fãs de survival horror dessas plataformas não se devem acanhar pelos visuais retro, pois Lone Survivor cumpre muito bem o seu papel.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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4 respostas a Lone Survivor (PC)

  1. Já estava de olho neste há algum tempo. Realmente é um pouco estranho o survival horror em 2D não ter sido mais explorado, especialmente nas altura do GBA que até faziam sentindo umas conversões de Resident Evil ou Silent Hill.

    A coisa mais parecia com isto que me vem à cabeça é o Clocktower para a SNES mas esse está mais virado para o point ‘n’ click.

    Por acaso há um jogo de plataformas para a SNES que eu gosto muito (Maui Mallard in Cold Shadow) que tem um pouco a ver com isto. A primeira área de jogo é uma mansão assombrada, e um dos níveis dessa área é uma linha horizontal, sem plataformas, cheia de inimigos e com as luzes apagadas (temos só uma pequena lanterna que oscila). E curiosamente, os inimigos nesse nível fazem spawn constantemente, tanto da direita como da esquerda. Isso para mim cabe na definição de survival horror :P. Um dia destes ainda falo do jogo.

    • cyberquake diz:

      Eu joguei o Maui Mallard, mas a versão Mega Drive, que tem uma estrutura de níveis diferente… sinceramente não me recordo desse pormenor da lanterna, tenho de dar uma olhada na versão SNES.
      Existe um Silent Hill para GBA, mas é uma visual novel e só saiu no Japão….

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