Colecção de videojogos – alguns "rants" e análises
Autor: cyberquake
Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Mais uma mega rapidinha pois como sabem o tempo anda muito curto para estas andanças. The Jungle Book para a Game Gear é a mesma adaptação tardia do clássico filme da Disney editado pela Virgin Interactive, cuja empresa acabou por o publicar em imensas consolas por essa época. A Game Gear não escapou e acabou por receber a mesma adaptação 8bit que da Master System, cuja já foi escrita aqui.
Apenas cartucho
Este cartucho em particular foi-me oferecido por um colega de trabalho em conjunto com mais 15 jogos e uma Game Gear. Esta versão é muito idêntica à versão Master System, como já escrevi no parágrafo acima, sendo um jogo de plataformas competente, mas por outro lado que não acrescenta muito ao que já se fazia por essas alturas. Mas continua com uma música título viciante!
Não confundir este jogo com o The Cat Lady, um outro videojogo igualmente bizarro e chocante, mas com muito mais conteúdo. The Lady é só bizarro e chocante por vezes, mas bastante curto, pelo que esta será mais uma super rapidinha. Se a memória não me falha, este foi comprado em conjunto com algum bundle para steam a um preço muito reduzido, como é habitual.
Descrever este jogo não é tarefa fácil pois sinceramente eu não percebi muito bem o que raio estava ali a fazer. Indo à descrição do mesmo na sua página do Steam, podemos ver que o conceito seria uma viagem por uma série de sonhos ou alucinações de uma mulher com graves problemas de depressão e ansiedade. Bom e de facto as coisas começam a fazer um bocadinho de mais sentido assim, até porque vamos lutar contra nós próprios e as coisas tornam-se mesmo bizarras por vezes.
Categorizar este jogo é difícil mas vamos chamá-lo de um sidescroller pois na verdade é isso que fazemos na maior parte do tempo, andar para a esquerda e direita ao longo de vários ecrãs. Eventualmente conseguimos desbloquear algumas portas que nos dão acesso a outras partes do nível e também teremos de combater alguns “inimigos”. Para mover usamos o esquema de WASD, mas para atacar utilizamos as setas do teclado para disparar uns projécteis – chamemos-lhes assim – nessas mesmas direcções. Para avançar no jogo teremos por vezes pequenos puzzles a resolver, mas nada de especial. Coisas como descobrir o caminho a seguir! No final de cada nível temos um boss… e se o primeiro boss acaba por ser algo mais tradicional em sidescrollers 2D, todos os outros acabam por ser algo muito diferente e inusitado: são combates de shmups com 2 cabeças a dispararem lasers pelos olhos!
A atmosfera sempre tensa é sem dúvida a melhor coisa do jogo.
Visualmente é um jogo bastante desconcertante. A nossa protagonista, a Lady, aparenta ser mutilada, e cheia de cicratizes, com um aspecto completamente miserável. Os nossos inimigos são coisas que provocam dor, como pedaços de vidro a cair, arame farpado ou então personificações da protagonista. A música é apenas noise, pelo que em conjunto com estes visuais torna-se numa atmosfera de cortar à faca, o que para mim é realmente a única coisa que eu consigo elogiar este The Lady. O resto como conceito de jogo sinceramente achei muito fraco.
Bom, estou mais uma vez numa altura em que o tempo livre é bastante limitado pelo que para não deixar de escrever qualquer coisa por aqui cá trouxe mais uma super-rapidinha. Recentemente ofereceram-me uma série de jogos de Game Gear e lá pelo meio estava um cartucho do primeiro Sonic the Hedgehog. Eu já há muito que tinha escrito por cá sobre a versão Master system desse mesmo jogo, pelo que não me vou alongar quase nada neste muito breve artigo, pois o jogo é muito similar.
Apenas cartucho
Existem algumas diferenças, como em muitas conversões de jogos de Master System para Game Gear e vice versa. A Game Gear é essencialmente uma Master System portátil mas capaz de apresentar uma paleta de cores maior no ecrã, pelo que não é incomum as versões GG de um certo jogo serem mais coloridas que o seu “irmão” para a MS. Por outro lado, o ecrã e resolução menor da Game Gear fazem com que certas mudanças tenham de ser feitas, pelo que é bastante habitual existirem pequenas alterações aqui e ali para o jogo melhor se adaptar às necessidades de uma consola portátil.
Estes sinais de perigo alertam-nos que é melhor planear um pouco melhor o que vamos fazer a seguir e abrandar um pouco
Este Sonic the Hedgehog não foi excepção, existindo várias diferenças. Para compensar o ecrã menor que nos dá um tempo de reação mais curto quando corremos a alta velocidade, na primeira zona vamos encontrar alguns sinais de perigo quando nos aproximamos de alguma zona que exija mais cuidado. Alguns bosses também se alteraram e outras mudanças nos níveis em si também foram feitas. Uma das mais conhecidas é o acto 2 da Jungle Zone, em que temos de subir uma cascata por entre algumas secções mais desafiantes de platforming. Na versão Game Gear as coisas foram mais facilitadas.
Se há coisa que esta versão me deixa com inveja da Master System é esta intro clássica com o SEEGAAA que tanto gostava.
De resto a jogabilidade é igual a si mesma, estes primeiros Sonics 8bit mantinham padrões de qualidade muito altos, quase tão bons como os principais para a Mega Drive e felizmente esta versão Game Gear não é excepção. A nível gráfico é um jogo bastante colorido e possui várias músicas bem sonantes que me ficaram gravadas na memória até hoje. É um clássico! Mas eu prefiro a versão Master System.
O artigo de hoje vai ser algo muito rápido pois tenho muitos outros afazeres infelizmente. Estava a adiar este artigo pois gostaria de o escrever num dia em que tivesse comprado a própria Menacer em si, mas pensando melhor o meu espaço é valioso e não é algo que faça assim tanta questão de ter, até porque me lembro bem de como era usar uma, quando era bem mais novinho. Esta compilação de 6 minijogos era vendida originalmente em conjunto com a light gun, se bem que este meu exemplar já não tinha nenhuma a acompanhar. Foi comprado na feira da Vandoma no Porto por um preço baixo, algo em torno dos 2€.
Jogo completo com caixa, manuais e papelada. Só falta mesmo é a pistola!
E então quais são as minhas memórias da Menacer em si? Bom, não sei o que se passou quer na cabeça da Nintendo ou Sega, pois após da Zapper e Light Phaser, duas light guns compactas, ambas as rivais decidiram lançar 2 enormes trambolhos, a Super Scope e no caso da Sega, a Menacer. O bom desta light gun era a sua tecnologia que não causava um flash branco no ecrã por cada vez que o gatilho fosse pressionado, tal como era feito nas outras light guns do mercado. A pistola era wireless, comia 6 pilhas e comunicava com um receptor infravermelhos, geralmente posicionado na TV. Bom, o facto de comer 6 pilhas e da autonomia não ser a maior não era lá uma grande coisa a seu favor, mas o que sempre me irritou foi mesmo o seu tamanho. Isto porque se quiséssemos montar a Menacer completa, para além da parte principal com o gatilho, outros botões e o cano, podemos montar também uma coronha e umas miras duplas que não dão sinceramente jeito nenhum… De resto e infelizmente, por muito que eu até goste de jogos de light gun, a Menacer foi mal aproveitada, pelo menos para a Mega Drive, onde apenas mais 2 jogos suportam este periférico, embora a Mega CD até acaba por suportar mais.
O bicho todo montado.
Mas indo para esta compilação propriamente dita, os mini jogos que aqui temos são bastante simples. O mais conhecido de todos é o Ready, Aim, Tomatoes! que contém personagens do universo Toe Jam & Earl, uma outra série da Sega. Aqui disparamos tomates contra vários inimigos, à medida que o ecrã vai andando, cada vez com mais velocidade quanto mais tempo passa. Como sempre existem alguns power ups, que tanto podem abrandar, ou até parar temporariamente o scroll, ou outros que fazem um auto-aim para ajudar à coisa. No Pest control temos um nível todo às cegas, onde apenas vemos um pequeno círculo do ecrã mediante para onde estejamos a apontar a pistola. A ideia é matar todos os insectos que nos tentam roubar a nossa pizza… se fosse eu bastava uma barata passar perto da pizza para eu a deitar fora, mas no mundo dos videojogos vale tudo!
O Rockman’s Zone e o Front Line são daquelas shooting galleries básicas. Na primeira vamos percorrendo ruas e temos de disparar sobre bandidos, poupando os civis. Na segunda temos de destruir uma série de veículos militares que nos aparecem à frente, como jipes, tanques e aviões. O Space Station Defender é outro jogo similar, mas que temos de nos defender de uma série de aliens que tentam aterrar no nosso planeta em vários pods. Por fim temos o Whac Ball, sem dúvida um dos mais originais. Este é um mini jogo algo inspirado no Breakout, em que com a Menacer controlamos um disco em que devemos bater noutra bola mais pequena de forma a levá-la a tocar em blocos coloridos que formam a “parede” do nível.
Um screenshot de cada minijogo, cortesia do Wikipedia
No que diz respeito aos gráficos e som, é uma compilação bastante simples no seu todo, não esperem por nada de especial em ambos os campos… se bem que mais uma vez o Ready, Aim, Tomatoes! acaba por ser o minijogo com a melhor música e gráficos mais coloridos e detalhados.
No fim de contas, terem esta compilação sem uma Menacer, não é lá grande ideia. E mesmo ter uma Menacer se calhar também é algo que não justifique lá muito, a não ser por motivos de colecção. A Justifier da Konami, apesar de ser mais tradicional e menos “high tech” acaba por me agradar mais. Assim como ambos os Lethal Enforcers, facilmente os melhores jogos light gun da biblioteca da Mega Drive. Se formos para a Mega CD, então há outras alternativas, mas isso é assunto para um outro artigo.
Se há coisa que realmente gosto nos jogos indie, é a capacidade que têm para me surpreender. É uma das vantagens de “podermos fazer o que bem nos apetece”, que por vezes acaba por resultar em experiências tão originais, mas também tão bizarras que dificilmente teriam lugar no mercado se fossem produtos das grandes produtoras deste indústria, que geralmente não correm lá muitos riscos. E Stanley Parable é um desses pequenos grandes jogos, para mim vindos completamente do nada e não consegui deixar de jogar mal lhe pus as mãos em cima. Este meu exemplar foi comprado até que recentemente, num humble bundle qualquer por uma ninharia.
E o que consiste este Stanley Parable? Bem, vai ser muito difícil traduzir isto para palavras, pelo que me vou reduzir a uma rapidinha e pedir-vos sinceramente que o joguem por vocês mesmos. Vão ser surpreendidos. Basicamente nós somos Stanley, um mero funcionário de uma mega corporação cujo único trabalho seria estar o dia todo sentado em frente ao computador e pressionar as teclas que o computador lhe pediria. Um trabalho extremamente tedioso, mas por algum motivo Stanley adorava o que fazia até que chega um certo dia e nada acontece, o computador não dá ordens nenhumas a Stanley e mais misteriosamente ainda, não está mais ninguém na empresa.
O nosso cantinho no trabalho.
Somos então “guiados” por um narrador que nos convida a sair do escritório e seguir um certo caminho por ele narrado para dar continuidade à história e para que consigamos resolver o tal mistério. Bom, se fizermos a vontade ao narrador, em cerca de 10 minutos temos o jogo fechado. Se bem que nesse caso o próprio narrador ainda diz que há muitos mistérios por resolver e recomenda-nos a jogar uma vez mais. Em muitas vezes temos a oportunidade de escolher qual o caminho ou decisão tomar e a piada está precisamente em explorar todos esses caminhos e decisões, em especial aquelas que contrariam o narrador. Isso vai levar-nos a uma série de novas ramificações na mesma história, algumas delas bastante absurdas e o papel tomado pelo narrador como nosso guia é 90% de toda a piada do jogo, até porque todas as nossas acções são devidamente comentadas por esse senhor. Vamos ouvir muito sarcasmo, muito humor negro, muitas pseudo filosofias e por vezes bizarrices, que tornam este jogo um prazer de ser jogado e explorar todas as diferentes alternativas que conseguirmos descobrir. Até nos achievements o jogo dá-nos um gozo tremendo só para ganhar um mero troféu virtual.
A nível técnico é um jogo minimamente competente nos seus gráficos, visto usar o motor gráfico do Source que já mostra bem a sua idade. Ainda assim “jogar” Minecraft ou Portal até teve a sua piada! Na narrativa e demais banda sonora é de facto um jogo excelente, nada a apontar neste campo.
Apesar do jogo ser passado numa enorme empresa, ainda há lugar para alguma variedade de cenários
Se gostam de jogos que não vos dão assim lá muito trabalho nem ocupam muito do vosso tempo para serem jogados, este Stanley Parable já seria uma óptima escolha para pequenas “escapadelas”, mas com toda a sua qualidade torna-se de facto obrigatório.