Fighting Street (PC-Engine CD)

A primeira vez que joguei o primeiro Street Fighter foi através do emulador MAME, há já uns bons anos atrás. E infelizmente não me deixou com a melhor das impressões. O elenco de personagens disponíveis eram bastante genéricas, as vozes digitalizadas eram sofríveis, mas acima de tudo era a jogabilidade que estava longe de ser tão fluída e consistente quanto na sua sequela. Recentemente comprei a versão PC-Engine CD, tendo-me custado cerca de 20€ já a contar com os portes de envio e o resultado final, para o pior ou melhor, não é muito diferente da versão original, infelizmente.

Jogo com caixa e manual (com poster) na sua versão japonesa

Este é então um jogo de luta de um contra um mas onde se jogarmos sozinhos, apenas poderíamos controlar Ryu. A ideia é a de viajar pelo mundo (Japão, China, Estados Unidos, Reino Unido e no final a Tailândia) e defrontar dois lutadores de cada região. Inicialmente poderemos escolher qual o país a visitar primeiro, excepto a Tailândia que ficará sempre com os confrontos finais, onde teremos de enfrentar Adon e Sagat. Tal como muitos jogos de luta que lhe seguiram, teremos de defrontar cada oponente em 2 rondas e dentro de um tempo limite. Se o tempo se esgotar, vence quem tiver mais energia! Já se jogarmos com 2 pessoas, o primeiro jogador controla o Ryu, já o segundo controla o Ken, que ainda não aparece em mais lado nenhum…

Infelizmente a jogabilidade não é tão fluída quanto nas suas inúmeras sequelas

A nível de jogabilidade já o original não era propriamente o jogo mais fluído de sempre, e infelizmente a versão PC-Engine não melhorou muito as coisas. Existem 2 versões distintas na arcade, uma que possui um setup de controlos mais tradicional dentro da série Street Fighter, com os seus 6 botões de acção que representam socos ou pontapés ligeiros, médios ou fortes. A outra versão usava apenas 2 botões com sensores de pressão, um para pontapés e o outro para socos. A intensidade de cada golpe estava directamente relacionada com a intensidade da pressão aplicada em cada botão! Não sei quando começaram a surgir na PC-Engine os primeiros comandos com mais 2 botões de acção, mas este Fighting Street, lançado originalmente em 1989 apenas usa os dois botões, logo temos um sistema que “emula” a jogabilidade da versão arcade com 2 botões. A diferença é que os botões do comando da PC-Engine não são analógicos, logo a forma que é usada para calcular a “intensidade” de cada golpe está relacionada com o tempo que deixamos cada botão pressionado. E infelizmente isso não resulta bem.

Ao fim de alguns combates temos também algumas sequências de bónus

Ryu tem só 3 ataques especiais nesta versão, o Hadouken, o Shoryuuken, e o “pontapé tornado” que nunca sei pronunciar. Mas se estão à espera de os executar da mesma forma que no Street Fighter II, bem que o podem esquecer. Durante muito tempo achei que os specials eram executados de forma completamente aleatória, mas nesta versão temos de deixar o botão de soco ou pontapé pressionado enquanto fazemos as direccionais e largar o botão de acção no fim. Ou seja, para executar o hadouken temos de manter o botão de soco pressionado enquanto fazemos baixo, baixo/frente, frente e largar o botão. Mas mesmo assim nem sempre o golpe é executado, o que acaba por ser um bocado frustrante. Até os simples saltos são difíceis de acertar, a movimentação dos lutadores é lenta e muito inconsistente! É um jogo que ainda teria muito que melhorar na sua jogabilidade, algo que a Capcom felizmente fez muito bem na sua sequela.

Estas vozes são absolutamente terríveis…

No que diz respeito aos visuais, já o original arcade não era propriamente o jogo mais bonito de sempre. Esta versão PC-Engine não é assim tão diferente da versão arcade a nível gráfico, as arenas possuem um pouco menos de detalhe, mas mesmo a versão original também não tinha gráficos de deixar o queixo caído. O leque de lutadores é muito genérico e apenas Ryu, Ken e Sagat foram reaproveitados para o Street Fighter II. Outros lutadores como o Adon, Birdie ou Eagle acabaram por ser repescados nos Street Fighter Alpha (que são prequelas deste jogo), ou o Gen que acabou também por ser personagem jogável nos Street Fighter IV. Já as músicas, bom esta versão PC-Engine é certamente superior à versão arcade nesse aspecto, até porque este é um lançamento em CD e com músicas de melhor qualidade! Já as vozes digitalizadas que ouvimos entre combates… bom já na arcade eram absolutamente horríveis e confesso que estava à espera que fossem melhores nesta versão, mas infelizmente não é esse o caso.

O Sagat é o boss final, mas o seu retrato parece um meme…

Portanto é verdade, o primeiro Street Fighter é um jogo que envelheceu muito mal. Mas não deixa de ser muito importante para a história dos videojogos. Street Fighter não é o primeiro jogo de luta de 1 contra 1, acaba por ser uma evolução interessante de um género que estava ainda muito em fase embrionária mas até a primeira roda ainda era um pouco quadrada. Da equipa que produziu este primeiro jogo, alguns continuaram na Capcom e fizeram o Final Fight e Street Fighter 2, ambos jogos fantásticos, já outros mudaram-se para a SNK e estiveram também a trabalhar no primeiro Fatal Fury, e ambas as empresas foram aperfeiçoando o género ao longo da década de 90, com inúmeros lançamentos de qualidade. A versão PC-Engine CD infelizmente também envelheceu mal, mas não deixa de ser um lançamento interessante no seu catálogo.

Gabriel Knight 3: Blood of the Sacred, Blood of the Damned (PC)

Para fechar a trilogia Gabriel Knight, terminei muito recentemente o terceiro jogo da saga que infelizmente foi o que envelheceu pior do ponto de vista gráfico, mas felizmente a sua narrativa continua excelente e vale bem a pena. Joguei-o no steam, mas também tenho uma versão física que me lembro de a ter comprado há bastantes anos atrás numa loja e creio que na altura cheguei a pagar muito pouco pelo jogo novo, creio que menos de 5€. É uma das edições mais feias e infelizmente não traz a banda desenhada, mas felizmente a versão steam a traz em formato digital.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa

Neste terceiro jogo voltamos a jogar com Gabriel e Grace, com o duo a viajar até à França rural para investigar o estranho rapto de um bébé muito especial, filho do príncipe da Escócia que estava exilado em Paris. A Jane Jensen conseguiu uma vez mais escrever um roteiro muito interessante e misturar vampiros, sociedades secretas como os templários ou maçonaria e conspirações milenares! Para além de Gabriel e Grace, o jogo conta também com o regresso do detective Mosely, que nos tinha ajudado no primeiro jogo.

As conversas podem agora ser tomadas através de tópicos identificados por ícones, mas felizmente existem legendas para saber o que corresponde ao quê

No que diz respeito à jogabilidade, esperem pelas mecânicas de jogo habituais num point and click, pois teremos de interagir com objectos, falar com pessoas, resolver puzzles e até fazer alguma análise forense, ao recolher impressões digitais de suspeitos. É também um daqueles jogos que se calhar convém ir usando um guia de vez em quando, pois mesmo sendo um jogo dividido em capítulos e não corremos o risco de avançar com a história sem preencher todos os pré-requisitos, por vezes vamos ter alguns puzzles não muito intuitivos. Afinal alguns dos enigmas que teremos de resolver seriam supostamente centenários, senão milenares! E por vezes temos de vaguear pelo mapa e esperar que passe algum carro ou moto para que os possamos perseguir, o que também não foi assim lá muito intuitivo. A nível de jogabilidade é também um pouco estranho pois apesar deste ser um jogo de aventura na terceira pessoa, podemos controlar a câmara livremente pelos cenários, quase como numa perspectiva de primeira pessoa, mas só depois de clicar num local é que Gabriel ou Grace se deslocam até lá.

Sydney é um sistema informático que teremos de interagir, não só para arquivar e correlacionar as pistas que vamos obtendo, mas também para desvendar algumas localizações chave

Já a nível audiovisual, infelizmente este foi o jogo que envelheceu pior, pelo menos nos gráficos. O primeiro Gabriel Knight possuia gráficos em 2D mas muito bem detalhados, o segundo já foi nas modas do full motion video mas acabou por se tornar bem melhor do que esperava. Já o terceiro é um jogo completamente em 3D poligonal, mas infelizmente os gráficos em 3D da altura estavam ainda longe do nível de detalhe pretendido para um jogo deste calibre. Temos então cenários e personagens com texturas pobres e de baixa resolução, com muito pouco detalhe poligonal, muito quadrados e animações ainda bastante simples e robóticas. Felizmente o voice acting continua bastante competente, sendo de saudar o regresso de Tim Curry para emprestar a sua voz ao Gabriel Knight.

A sequência de eventos para roubar a identidade do Mosely é no mínimo hilariante

Portanto este Gabriel Knight, apesar de ter sido de longe o que pior envelheceu devido aos seus gráficos em 3D poligonal algo primitivos, bem como ter alguns puzzles que não são lá muito intuitivos, ainda assim a sua história agradou-me bastante! É uma pena que a Sierra tenha sofrido um grande revés precisamente após o lançamento deste jogo pois gostaria de jogar um eventual Gabriel Knight 4.

Marvel vs Capcom 2 (Sony Playstation 2)

Vamos a mais uma rapidinha a um jogo de luta e uma vez mais na Playstation 2. Marvel vs Capcom foi, durante uns bons anos, o último jogo de luta em 2D que fazia um crossover entra os universos da Marvel e da Capcom. Foi também o primeiro jogo que a Capcom desenvolveu no sistema Naomi da Sega, nas arcades, daí ter recebido muito rapidamente uma conversão para a Dreamcast também. O meu exemplar foi comprado há uns bons anos atrás, por aí em 2014, numa das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa. Lembro-me perfeitamente de me ter custado apenas 2€ e ainda ter trazido um disco solto do Marvel Super Heroes vs Street Fighter!

Jogo com caixa e manual

Nesta sequela a Capcom introduziu muitas diferenças perante o seu predecessor, a começar pelo tag team, já que agora temos de escolher uma equipa de 3 personagens ao invés de apenas duas. E felizmente que nenhuma das consolas sofreu o mesmo mal da geração anterior e a jogabilidade foi mantida intacta perante a versão original, com os tag teams presentes em todas as versões. Os controlos foram também algo simplificados, com o layout de 6 botões de ataque a ser substituído por 4 mais 2 botões para invocar os assists. E aqui também temos algumas diferenças. O primeiro Marvel vs Capcom, na sua versão arcade e Dreamcas tinha um tag-team de 2 lutadores por equipa, mais um convidado especial que seria usado apenas para os assists. A versão Playstation, em virtude das suas limitações técnicas, permitia-nos optar se preferíamos usar essa personagem especial para os assists, ou um dos outros lutadores normaos. Aqui na sequela os assists podem ser executados por qualquer lutador na nossa equipa, sendo que inclusivamente poderemos definir no momento em que escolhemos a nossa equipa, quais os tipos de assist que cada personagem pode executar.

Inicialmente temos 24 personagens disponíveis mas poderemos desbloquear muitas mais!

De resto contem uma vez mais com um jogo de luta bastante frenético, com um grande foco em combos, saltos gigantes com combate pelo ar e inúmeros golpes especiais, como os tais assists, hyper combos e por aí fora. É sem dúvida um jogo extremamente divertido e o leque de personagens jogáveis é invejável. A versão PS2 começa com 24 personagens disponíveis de início, mas à medida que vamos jogando e ganhando pontos, poderemos posteriormente trocar esses pontos para desbloquear outras 32 personagens, totalizando 56 personagens no total, incluindo algumas supreendentes como a Jill Valentine de Resident Evil. Os pontos servem também para desbloquear uma série de outros extras como palette swaps de cada lutador ou artwork dos mesmos. Esses pontos podem ser conquistados ao jogar qualquer um dos modos de jogo que temos disponíveis nesta versão que são os tradicionais arcade e versus, um modo de treino e o score attack que é na verdade uma espécie de survival, onde com uma vida teremos de tentar vencer o máximo de combates possível e amealhar o máximo de pontos que conseguirmos.

As arenas são agora renderizadas em 3D e apesar de eu preferir o estilo gráfico mais tradicional, não ficaram nada más!

Já no que diz respeito aos audiovisuais, este Marvel vs Capcom 2 marca também pela sua diferença, tanto nos gráficos como no som. Começando pelos gráficos, este jogo não é inteiramente em 2D tal como os seus predecessores. As personagens continuam a ser em 2D, com um excelente nível de detalhe e animações. Já os cenários são completamente renderizados em 3D, embora a acção continue a decorrer num plano em 2D. Bom, eu prefiro cenários em 2D com pixel art muito bem detalhado, o que acontecia nos jogos anteriores, bem como nos da SNK. É verdade que os cenários não são feios, o resultado final nem é nada mau, mas é apenas uma questão de preferência. E infelizmente os cenários são um pouco genéricos, mas se a Capcom se desse ao trabalho de criar cenários específicos para cada personagem seria uma tarefa algo ingrata. Já no que diz respeito ao som, bom as personagens são bem perceptíveis, mas o que chama mesmo à atenção é a banda sonora, que agora é muito influenciada por ritmos e melodias jazz. Não estava nada à espera, mas as músicas até soam bastante bem!

Agora temos tag team com 3 personagens e o sistema de assists foi uma vez mais modificado

Portanto este Marvel vs Capcom 2 acaba por ser mais um excelente jogo de luta! Os crossovers da Capcom não se ficaram por aqui, pois ainda no mesmo ano, em 2000, a Capcom lançou o Capcom vs SNK, um crossover há muito esperado por todos os fãs de jogos de luta! Em breve há-de chegar a sua vez de ser cá analisado!