The Legend of Zelda: Four Swords Adventures (Nintendo GameCube)

Quando a Capcom converteu o The Legend of Zelda: A Link to the Past para a Game Boy Advance, incluiram um extra muito interessante: um jogo à parte intitulado de Four Swords. Esse Four Swords era um jogo inteiramente multiplayer que obrigava à utilização de cabos de ligação entre GBAs, permitindo até um máximo de 4 jogadores que atravessassem diferentes mapas, resolvendo muitos dos seus puzzles, que por sua vez eram diferentes consoante o número de jogadores. Era um jogo que obrigava à cooperação entre jogadores tanto nos seus puzzles como nos combates, mas também encorajava alguma competição, pois no fim da dungeon ganhava quem tivesse coleccionado mais rupees. A Nintendo entretanto relançou, mais tarde e para a Nintendo DSi/3DS uma versão digital desse jogo intitulada de Four Swords Anniversary, com algumas novidades entre elas a possibilidade de, pela primeira vez, o jogo poder ser jogado sozinho. Entretanto, antes disso, a Nintendo lançou também este Four Swords Adventures, um jogo inteiramente novo, embora com conceitos similares, para a Nintendo Game Cube. O meu exemplar foi comprado algures em 2005/2006, creio que no saudoso Miau.pt e por 25€ se bem me recordo.

Jogo com caixa, sleeve exterior de cartão, manuais, papelada diversa e o cabo de ligação com a GBA

Este 4 Swords Adventures é um jogo diferente do Four Swords original (ou Anniversary), na medida em que conta uma história nova, uma vez mais com o envolvimento do Vaati (vilão introduzido no 4 Swords original e no Minish Cap), mas também com outros vilões à mistura, como é o caso do Dark Link. De acordo com a cronologia proposta pelo Hyrule Historia, este 4 Swords Adventures não é uma sequela directa do original, mas sim decorre depois das 3 diferentes linhas temporais introduzidas com o Ocarina of Time, nomeadamente na cronologia gerada após o Link criança ter prevenido a revolução de Ganondorf no Ocarina of Time. Algures depois do Twilight Princess.

O principal modo de jogo é este Hyrulean Adventure que apenas pode ser jogado com o comando de GameCube caso joguemos sozinhos

No que diz respeito às mecânicas de jogo, bom, há aqui muito a mencionar. Este é também um jogo dividido por vários níveis que devem ser atravessados e explorados individualmente, embora desta vez não sejam gerados aleatoriamente. Independentemente do número de jogadores reais, existem sempre quatro Links que podem ser controlados e estes devem ser utilizados de forma habilidosa, não só nos combates que são agora mais intensos, mas também na exploração e puzzles. Tipicamente controlamos o Link verde, com os restantes a seguirem-nos automaticamente mas a qualquer momento podemos não só organizar os Links em diferentes formações (quadrado, linha ou diamante), bem como controlar individualmente cada um deles. Isto não só dá jeito nalguns combates (4 Links a atacar em simultâneo são muito mais fortes que um), mas também será necessário para resolver diversos puzzles, como usar os Links em formações específicas para activar 4 interruptores em simultâneo, puxar correntes ou dispersá-los individualmente pela sala para pisarem interruptores por lá espalhados. Eu apenas joguei sozinho e apesar de termos também inúmeros itens para apanhar (bombas, arco e flecha, fisga, bumerangue, a pena que nos permite saltar, entre outros) que serão necessários para resolver certos puzzles, quando apanhamos um desses itens, todos os 4 Links passam a tê-lo. O primeiro Four Swords, para resolver alguns dos seus puzzles obrigava Links diferentes a possuirem diferentes itens e aqui isso poderá eventualmente acontecer caso joguemos com mais que um jogador, mas não cheguei a experimentar o multiplayer para ter a certeza. De resto, aqui não temos rupees, mas sim Force Gems em forma de triângulo que acabam por ter o mesmo efeito. A cada 2000 Force Gems coleccionadas, as espadas ficam mais poderosas e, se tivermos a vida no máximo, poderemos disparar projécteis com as mesmas.

As diferentes formações permitem-nos desencadear diferentes ataques especiais também

Mas há muito mais a referir deste Four Sword Adventures. Estão a ver a Dreamcast e o seu cartão de memória VMU, que era por sua vez também uma pequena portátil? Uma das funcionalidades do VMU era que enquanto jogavamos Dreamcast o seu ecrã servia para apresentar algumas informações adicionais. A Sony acabour por implementar um conceito semelhante na PS1 com a sua Playstation Pocket (embora apenas o tenha feito no Japão) e a Nintendo também achou boa ideia. Uma das funcionalidades da Game Cube é existir um cabo que permite ligar uma GBA e, em certos jogos também poderiam desbloquear mini-jogos ou conteúdo adicional, ou usar a GBA como comando e o seu ecrã a apresentar também informação útil. Este Four Sword Adventures foi desenvolvido precisamente a pensar nessa funcionalidade. Jogando sozinhos podemos usar o comando de Gamecube normalmente ou um GBA. Mas em multiplayer apenas podemos usar a GBA como comando! E isto é usado para quê mesmo? Basicamente na televisão apenas vemos a parte principal do nível. Sempre que um Link entra numa caverna, na casa de alguém, ou passa para a dimensão do Dark World (sim, isso é algo que está de volta), essa parte passa a ser visível apenas no ecrã da GBA. Essa funcionalidade é emulada caso joguemos sozinhos. Sempre que o Link que controlamos entra no interior de algo, ou passa para a outra dimensão, surge no centro do ecrã uma janela a simular o ecrã de GBA, incluindo os seus gráficos mais retro, o que é um efeito engraçado.

Se jogarmos com um comando de GC, sempre que entramos nalgum interior de caverna ou edifício, surge esta janela que simula o que veríamos no ecrã do GBA caso o estivéssemos a utilizar

Se jogarmos em multiplayer, o que por sua vez exige no mínimo 2 GBAs e 2 cabos de ligação o que não é a solução mais elegante, temos direito no entanto a mais conteúdo adicional. No modo principal de jogo, o Hyrulean Adventure que tenho estado a descrever até agora, poderemos vir a jogar ainda diversos mini-jogos em Tingle Towers para ganhar vidas extra. Infelizmente tal não está disponível caso joguemos sozinhos, pelo que não me posso alongar muito. Mas para além do Hyrulean Adventure temos ainda um modo de jogo inteiramente novo, o Shadow Battle. Infelizmente este é também exclusivo multiplayer, pois parece ser uma espécie de death match para até 4 jogadores. A versão japonesa deste jogo tinha ainda um modo de jogo adicional, o Navi Trackers. Este por sua vez é baseado no Wind Waker e parece ser uma espécie de caça ao tesouro, repleta de mini jogos e com a tal integração com a GBA, permitindo 1 a 4 jogadores também em simultâneo. Tendo em conta que parece ser bastante divertido e a Tetra e seus piratas posssuírem voice acting, é uma grande perda este jogo não estar incluido na versão ocidental!

Apesar dos seus visuais básicos influenciados pelo Link to the Past, no ecrã da TV podemos ver também alguns efeitos gráficos mais avançados.

Mas descontando o Navi Trackers, graficamente os restantes jogos são notoriamente baseados no Zelda A Link to the Past da Super Nintendo. Isto é expectável, pois gráficos de SNES são algo que a Gameboy Advance consegue reproduzir de forma algo fiel, para além que o LttP também tenha sido lançado nesse sistema. No entanto, nos cenários visíveis na televisão em si, teremos direito a alguns efeitos gráficos mais avançados, como distintos efeitos de luz, fogo ou nuvens de pó ou fumo muito similares às que foram introduzidas no Wind Waker. Visto que a integração com a Gameboy Advance é uma das mecânicas fulcrais e centrais neste 4 Swords Adventures, a decisão de usar visuais semelhantes aos do Link to the Past numa Nintendo GameCube é algo que se compreende. A nível de som, nada de especial a apontar, as músicas são igualmente influenciadas pelas mesmas do clássico da Super Nintendo. A não ser o Navi Trackers que, como já referi acima, possui voice acting, mas tal não está disponível nas versões ocidentais deste jogo. Obrigado Nintendo.

O Navi Trackers é um modo de jogo que infelizmente se perdeu nos lançamentos ocidentais, sendo um exclusivo japonês

Portanto este Four Swords Adventures é um jogo interessante pelas diferentes mecânicas de jogo que aqui introduziram. E agradeço à Nintendo por ter desenvolvido esta nova aventura não só com um pouco mais de história e NPCs com os quais interagir, mas também por ser perfeitamente jogável para um jogador apenas. No entanto, jogar sozinho pode-se tornar algo aborrecido, pois os níveis são grandes e obrigam a um backtracking considerável, embora até possuam inúmeras áreas secretas e opcionais para descobrir. Acredito piamente que seja bem mais divertido caso joguemos com alguém, embora isso possa não ser lá muito cómodo por exigir uma GBA e cabo de ligação por jogador. Mas os modos de jogo adicionais foram também benvindos e uma vez mais é uma pena o Navi Trackers não ter sido incluído. Espero que tal venha a ser introduzido na Switch no futuro.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em GameCube, Nintendo. ligação permanente.

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