Alex Kidd in Miracle World DX (Sony Playstation 4)

A rapidinha de hoje vai de encontro ao artigo que publiquei ontem sobre o Alex Kidd in Miracle World no seu lançamento original para a Master System. Nos últimos anos tem havido um certo renascimento do retrogaming, não só com relançamentos de clássicos para os seus sistemas originais por parte de terceiros e devidamente licenciados, compilações de títulos retro (algumas com lançamentos físicos também) ou remakes de jogos antigos. A série Wonder Boy foi uma delas, com remakes do primeiro jogo, do Dragon’s Trap e Monster World IV a saírem nos últimos anos. Mas o Wonder Boy não era o único nome com mais peso no catálogo da Master System na década de 80. Alex Kidd in Miracle World foi para muitos o primeiro contacto que tiveram com a Master System e quando um grupo de fãs estava a criar um remake desse jogo, a Sega reconheceu-lhes o talento e deu o seu aval para que o mesmo viesse a ser lançado comercialmente para todos os sistemas actuais. Eventualmente um lançamento físico também acabou por acontecer e a minha cópia foi comprada algures na black friday de 2021 na Worten por menos de 10€.

Jogo com caixa, capa reversível, papelada, manual multilíngua mesmo ao estilo dos manuais da Master System europeus e um porta chaves. Ah, a nostalgia!

No que diz respeito à jogabilidade contem com as mesmas mecânicas do original e com o mesmo platforming algo escorregadio e armadilhas que poderão causar a mesma frustração que na versão original. No entanto, consultando as opções vemos que podemos activar vidas infinitas (esta versão já possui continues infinitos de qualquer das formas) bem como outras opções que fazem certas afinações à jogabilidade como as mecânicas de detecção de colisão se tornarem um pouco mais generosas. A utilização dos itens que vamos poder coleccionar/comprar é agora mais dinâmica. Já não é necessário pausar o jogo e escolher que item queremos activar, basta fazê-lo com os botões L1 e R1 para alternar de item em item e o triângulo para o activar. A nível de conteúdo contem com tudo o que o lançamento original inclui, mais uns quantos níveis adicionais, diálogos revistos e mais alguns NPCs com os quais poderemos interagir. Para além disso, vamos poder encontrar diversos coleccionáveis espalhados ao longo dos agora 22 níveis, objectos como uma Master System II, caixas do Alex Kidd nas suas versões Master System e Mark III, bem como objectos com referências a outros videojogos da Sega, como é o caso de Sonic, Shinobi ou Fantasy Zone. De resto, e uma vez terminada a aventura normal, desbloquearemos mais dois modos de jogo. Um modo clássico que é uma recriação (sem emulação) do lançamento original da Master System mantendo toda a fidelidade visual, bem como um boss rush onde como o nome indica iremos defrontar todos os bosses do jogo em sequência.

Gostei bastante do novo aspecto do jogo, com pixel art lindíssimo, acompanhado por alguns bonitos efeitos gráficos mais modernos

A nível audiovisual este é um jogo interessante pois mantém os gráficos inteiramente em 2D, mas todos os níveis e sprites foram recriados com mais cor e detalhe. Quase como se um jogo 2D da era 32bit se tratasse, pois a acompanhar os cenários e sprites, vamos tendo também alguns outros bonitos efeitos gráficos como a luz das bolas de fogo. Ao contrário do que fizeram no remake do The Dragon’s Trap onde substituiram os gráficos por cenários e sprites lindíssimas e desenhados à mão, aqui optaram por manter um estilo mais de pixel art que também adoro. As músicas foram também completamente regravadas agora com instrumentos reais, sendo predominantemente acústicas e bastante agradáveis. Um detalhe interessante é que, tal como no remake do Dragon’s Trap poderemos a qualquer momento alternar entre os visuais modernos e visuais de Master System, incluindo nos níveis novos. A música também transita entre as músicas modernas e o chiptune da Master System, incluindo para as músicas novas, o que foi um detalhe muito interessante, poder ouvir estas novas músicas com uma aproximação ao que a Master System seria capaz de reproduzir.

Os diálogos foram também revistos, existindo bem mais NPCs com os quais podemos interagir

Portanto este Alex Kidd in Miracle World DX é um interessante jogo de plataformas que, apesar de manter muitos dos seus problemas e frustrações do original (platforming escorregadio, exigente e armadilhas que nos custarão vidas), algo que podem ser atenuados ao activar as vidas infinitas ou outras opções, não deixa de ser uma excelente homenagem ao clássico da Master System. Será no entanto um jogo que irá agradar particularmente aos fãs do original. Duvido que seja um lançamento que traga o nome de Alex Kidd de volta para a ribalta, até porque a série sempre teve um percurso algo conturbado já nos anos 80/ inícios de 90, se bem que nos últimos anos até têm havido algumas sequelas não oficiais produzidas por fãs com algum interesse. Veremos se o futuro nos voltará a trazer algo do Alex Kidd!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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