J.J. and Jeff (Turbografx-16)

Arranjar jogos para a Turbografx-16 não é tarefa fácil, pois o sistema Turbografx teve um lançamento muito limitado na Europa e raramente surgem jogos nos circuitos de usados. E os poucos que aparecem tipicamente acabam por ficar bastante caros. Para além disso, a esmagadora maioria dos títulos da TG-16 acabaram também por sair no Japão para a PC-Engine, onde muitos deles acabam por ficar bem mais em conta. Este J.J. and Jeff é um jogo que sai no Japão como Kato-Chan Ken-Chan, e que por acaso a versão japonesa será uma que quererei arranjar para a colecção eventualmente, mas quando encontrei esta versão TG-16 por 40€ decidi aproveitar. É o segundo jogo de TG-16 que possuo, para além do Blazing Lazers que veio com a consola.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Este jogo é na verdade uma espécie de clone do primeiro Wonder Boy ou Adventure Island, este também produzido pela Hudson. É então um jogo de plataformas onde temos de andar da esquerda para a direita, a nossa barra de vida vai decrescendo com o tempo e pode ser restabelecida ao apanhar comida, e o platforming em si é bastante exigente até pela inércia e controlos algo escorregadios quando ganhamos velocidade. O lançamento original japonês tem como protagonistas os tais Kato e Ken, aparentemente comediantes famosos no Japão. O lançamento ocidental já troca essas personagens por outras fictícias, os detectives JJ e Jeff e o objectivo será o de resgatar um ricaço que havia sido raptado por bandidos.

A história é simples, um ricalhaço foi raptado e temos de o salvar. Já não é suficiente ser uma princesa, o dinheiro fala mais alto

Independentemente da personagem que escolhemos jogar, a jogabilidade é exactamente a mesma. O d-pad para mover, um botão facial para saltar e o outro para atacar com pontapés. Pressionando o botão direccional para baixo faz com que a personagem use um ataque de média distância ao usar uma lata de spray. Teremos então 3 formas de atacar inimigos, com a terceira a ser o habitual saltar em cima deles. O jogo é no entanto super desafiante, pois como referi acima vamos perdendo vida com o tempo que pode ser restabelecida ao ingerir comida, o platforming rapidamente se torna bastante exigente com a velocidade que ganhamos e com a localização de alguns inimigos. Vai ser practicamente impossível não sofrer dano em certas partes! A parte mais irritante são no entanto os pontapés, que muitas vezes falham o alvo. Parece que temos de ter uma precisão pixel perfect para que os pontapés funcionem, o que nos irá causar muita frustração.

Alguns dos desafios de platforming que teremos perto do fim são bem desafiantes!

E os pontapés serão algo muito importante ao longo de todo o jogo pois poderemos pontapear os mais variados objectos e receber itens de bónus, ou mesmo para desbloquear o nosso progresso. Por exemplo, estamos perante um abismo e se pontapearmos o caixote do lixo lá ao lado faz com que uma plataforma surja no abismo e que nos permite avançar no jogo. Para além disso existem inúmeras portas, algumas secretas, que nos podem levar a falar com o nosso colega em circunstâncias algo bizarras, mas onde nos dá conselhos e faz um refill da barra de vida. Ou então nos levam a slot machines onde poderemos gastar as moedas que vamos coleccionando e tentar obter vidas extra, refills da barra de vida, ou mesmo extendê-la! Para além disso convém também referir que o jogo está dividido em 6 mundos com 4 níveis cada, onde no final do quarto nível temos um boss para enfrentar. Mas para enfrentar o boss, temos de garantir que encontramos uma chave escondida algures no nível anterior, caso contrário o boss fica inacessível. Visto que para encontrar as chaves temos de pontapear tudo nos cenários e mais alguma coisa, o mais certo é chegarmos ao quarto nível sem a chave. Mas felizmente a Hudson lembrou-se disso e colocou, perto dos bosses, uma mola verde que ao saltar nela somos transportados de volta ao nível anterior. No entanto por acidente também podemos lá cair e ser obrigados a repetir os níveis 3 e 4 mesmo que já tivessemos a chave… sinceramente achei esta história das chaves desnecessária pois o jogo já é difícil quanto baste.

As portas que encontramos podem-nos levar a slot machines ou a encontrar o nosso colega em circunstâncias bizarras, mas que nos dá alguns conselhos e ainda restabelece a nossa barra de vida

Até agora tenho falado na jogabilidade mas estive a ignorar propositadamente o elefante na sala, que é toda a bizarrice que vamos ver no jogo. Já referi que a jogabilidade é idêntica independentemente da personagem que escolhemos para jogar, mas quem ficou de fora irá aparecer inúmeras vezes ao longo do jogo, às vezes como NPC escondido nas tais portas e que nos dará conselhos e regenerar a barra de vida, muitas outras vezes aparece nos níveis ou como inimigo, ou como alguém que aparece lá estático e que podemos pontapear para obter mais pontos. Existe algum humor de casa de banho (até porque muitas das salas que temos a explorar são precisamente em casas de banho públicas), com pássaros a largar cagalhões no ar, aliás cagalhões que podem surgir em todos os lados! Mas a versão japonesa era ainda mais agressiva nesse aspecto e foi algo censurada neste lançamento ocidental. O ataque da lata de spray é substituído por uma flatulência e as vezes em que encontramos o colega estático nos níveis, na versão japonesa ele está a mijar ou a cagar atrás de um arbusto e as animações quando o pontapeamos são tipicamente mais cómicas. De resto, a nível gráfico é um jogo simples mas eficaz, com sprites grandes e bem detalhadas e os níveis vão alternando entre cenários mais urbanos, jardins, florestas, cavernas e montanhas. Quase como um Adventure Island mesmo! As músicas são bastante agradáveis também.

Existe algum humor de casa de banho, mas a versão japonesa é bem mais agressiva nesse campo

Portanto este J.J. and Jeff é um jogo que visualmente é incrivelmente bizarro, o que lhe dá um certo charme. A versão japonesa sem a censura adicional deve ser ainda mais estranha, mas entendo o porquê de retirarem algum do humor de casa de banho no lançamento ocidental. Mas tirando isso, este J.J. and Jeff é também um jogo de plataformas incrivelmente frustrante, particularmente nos últimos níveis onde os desafios de platforming são bem exigentes e vamos ter muitos inimigos que estão mesmo posicionados de forma a nos lixar a vida. A cena das chaves escondidas para enfrentar os bosses também me pareceu algo desnecessário. Portanto este é um jogo de plataformas que apesar de difícil e por vezes frustrante, não deixa de interessante e que irá certamente agradar aos fãs do primeiro Wonder Boy e Adventure Island, pois possui muitas mecânicas similares.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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