Blazing Lazers (Turbografx-16)

Vamos finalmente inaugurar a secção de PC-Engine/Turbografx-16 neste blogue, a consola híbrida de 8/16bit da NEC que fez um sucesso tremendo no Japão e teve uma presença muito modesta no mercado Norte Americano. Na Europa a sua passagem foi ainda mais limitada, pelo menos cá em Portugal nunca tinha ouvido sequer falar deste sistema quando era criança nem me lembro de alguma vez o ter visto nas lojas. Mas aparentemente alguém deve ter descoberto um armazém cheio destas consolas novas, pois desde há uns anos que ocasionalmente têm sido postas à venda umas quantas em new old stock. A minha Turbografx PAL foi comprada nesses moldes, completamente nova na caixa algures em 2015, creio que na altura me custou uns 70, 80€. O jogo Blazing Lazers é o que veio com a consola, um shmup publicado pela própria NEC e desenvolvido pela Compile originalmente em 1989. A Compile é um nome que não é nada estranho aos fãs de shmups das décadas de 80 e 90, pelas suas séries Aleste / Power Strike. Este jogo estava em backlog desde então e apenas por preguiça ainda não tinha pegado nele a sério. Mas como no mês passado comprei uma PC-Engine Duo RX mais um bom punhado de jogos japoneses, vou finalmente dar mais atenção a estes sistemas, pelo que esperem por mais uns quantos artigos no futuro, pelo menos aos jogos que não sejam RPGs totalmente em Japonês.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Ora Blazing Lazers foi lançado no Japão como Gunhed, que aparentemente foi baseado num filme qualquer Japonês. No ocidente foi renomeado para Blazing Lazers embora as referências a Gunhead se mantenham, pois pelo que podemos ler no manual, Gunhed é o nome da nossa nave. E o objectivo é, claro, o de sozinhos enfrentar um poderoso exército alienígena que ameaça destruir o planeta Terra, os Dark Squadron. A jogabilidade é simples, este é um shmup vertical onde temos um botão para disparar a nossa arma principal e outro para disparar as bombas capazes de infligir dano a todos os inimigos no ecrã em simultâneo. Naturalmente, estas possuem munições limitadas, pelo que temos de as racionar.

O escudo é um dos power ups mais úteis pois dura bastante tempo.

Mas temos é de ter em conta o grande número de powerups que podemos apanhar e variações que causam nos nossos ataques. As cápsulas com numeração romana que vamos encontrando alteram a arma principal que temos equipada. Temos projécteis normais, outros em forma de onda, raios laser e anéis de energia disparados a partir do centro da nossa nave. Estas armas principais podem ampliar o seu poder de fogo, à medida que vamos coleccionando cápsulas roxas largadas pelos inimigos. Por exemplo, com os projécteis, se por um lado começamos por conseguir disparar uma bala de cada vez, com estes upgrades vamos conseguir disparar 2, 3 e até na retaguarda também. No caso das ondas também vamos poder disparar múltiplos projécteis ao mesmo tempo e por vezes em direcções distintas, no caso dos raios laser, estes passarão a ser disparados com padrões algo bizarros e que em certas alturas até podem dar jeito e por aí fora. Mas para além das diferentes armas e seus upgrades, vamos encontrando outros cápsulas com letras, em vez de numeração romana. Estes são power ups que complementam as armas principais que tenhamos equipado actualmente, mas não se podem empilhar uns com os outros, ou seja, quando apanhamos um power up deste tipo, este irá substituir o que tínhamos eventualmente equipado antes. Temos mísseis teleguiados, temos “options“, pequenas naves auxiliares que nos seguem e ajudam com poder de fogo extra. Os mais úteis são sem dúvida os escudos que nos protegem do dano inimigo durante bastante tempo até, bem como os power ups de tipo F. Estes últimos melhoram ainda mais o dano infligido pelas armas principais, e vão tendo também diferentes upgrades, manifestando-se de diferentes formas. Ou seja, há aqui uma grande combinação de diferentes armas que podemos usar e seus upgrades!

As armas primárias podem sofrer vários upgrades, que podem resultar nalguns padrões de fogo bastante bizarros

De resto este é um shmup bem competente, onde iremos enfrentar inúmeros inimigos e um boss no final do nível, se bem que ocasionalmente enfrentamos alguns midbosses também, ao longo de 9 níveis distintos. Devido ao enorme poder de fogo que poderemos ir amealhando com os inúmeros power ups que vão aparecendo, a primeira metade do jogo até que se joga bem sem dificuldades de maior, mas eventualmente a dificuldade vai escalando, com os inimigos a surgirem em maior número e com mais poder de fogo. Chegando ao nível 8 já tive de usar a magia dos save states (sim, joguei em emulação), pois este nível está repleto de bolhas mortíferas que temos de destruir. Se bem que algumas são indestrutíveis e expandem o seu tamanho em intervalos regulares, pelo que teremos de ter cuidados extra a desviarmo-nos delas também.

Os bosses são bastante detalhados!

A nível audiovisual, parece-me ser um jogo bem competente. Já não jogava nada de TG-16/PC-Engine há muitos anos, pelo que já não estou bem habituado à plataforma e as suas limitações técnicas. Mas tendo em conta que estamos perante um jogo de 1989 e no Ocidente consolas como a NES ou Master System reinavam, é fácil perceber que este jogo superava largamente ambos os sistemas. A PC-Engine/TG-16 sempre me pareceu ser uma plataforma capaz de produzir jogos mais coloridos que a Mega Drive, embora a consola da Sega tenha as suas vantagens também, como a maior resolução e suporte nativo a efeitos de parallax scrolling. Neste caso em particular, para um jogo de lançamento da TG-16 no ocidente, acho que o resultado final a nível gráfico ficou bem conseguido, com gráficos bastante coloridos, sprites grandes e bem detalhadas, por vezes com imensas sprites no ecrã em simultâneo sem abrandamentos que sejam notórios. Os níveis possuem alguma variedade, embora a maior parte decorram em pleno espaço, mas temos também cavernas e a superfície de um planeta. A banda sonora também é agradável, embora existam alguns temas que goste bem mais que outros, nomeadamente aqueles com uma sonoridade mais rock. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, a não ser que as vozes digitalizadas que ouvimos de cada vez que apanhamos um power up estejam demasiado baixas/imperceptíveis em comparação com o resto do som.

Portanto cá está o artigo inaugural da plataforma Turbografx/PC-Engine. Blazing Lazers é o jogo que acompanhou a consola no seu lançamento, aparentemente no Europeu também, pelo que esta seria a escolha óbvia para iniciar esta nova etapa. É um shmup bastante sólido e sinceramente outra coisa não seria de esperar por parte da Compile. Possui audiovisuais bem competentes para 1989 que humilham qualquer jogo dos seus competidores 8bit e também não faziam nada má figura quando comparados com os títulos de lançamento das consolas de 16bit da Sega e Nintendo.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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2 respostas a Blazing Lazers (Turbografx-16)

  1. Aqui no Brasil só vi o PC Engine em comerciais e propagandas de revistas de videogame. Era algo bem incomum. Veja por exemplo que mesmo o Neo Geo, um console caríssimo, eu cheguei a jogar e ver na época, mas o PC Engine, não. E sem dúvida os jogos para o PC Engine são incríveis. Principalmente os de navinha (shmup). Blazing Lazers é muito bom! Adoro suas fotos em alta definição dos cartuchos e caixas. Valeu. 🙂

    • cyberquake diz:

      Aqui eu não me recordo de ver nada de Neo Geo nem TG16, a não ser nalgumas revistas estrangeiras! Até consolas como a Atari Jaguar, só vi quando passei férias em Espanha!
      Um abraço!

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