Assassin’s Creed Rogue (Sony Playstation 3)

Este Assassin’s Creed Rogue representa um pico de popularidade para a saga. É que no mesmo ano a Ubisoft lança não um, mas sim dois Assassin’s Creed da série principal. E logo no mesmo dia! A ideia da Ubisoft foi lançar o Assassin’s Creed Unity para o PC e consolas da então nova geração (PS4 e Xbox One) mas, para as consolas da geração anterior, anunciaram quase de surpresa este Assassin’s Creed Rogue que também decorre no continente Norte-Americano, é um elo de ligação entre as histórias do AC IV, III e, parece-me, que também tem ligações directas com o próprio Unity. Pelo menos fiquei com essa impressão, visto que ainda não joguei o Unity. Entretanto a Ubisoft lança este jogo também para o PC no ano seguinte e em 2018 uma versão remasterizada para a PS4 e Xbox One. Eu fiquei-me pela versão PS3, que tenho a ideia de a ter comprado algures em 2016 a um preço muito convidativo.

Jogo com caixa, manual e papelada

Neste jogo encarnamos então no papel do assassino Shay Patrick Cormac, inicialmente no ano de 1752, algures na costa atlântica da América do Norte. À medida que vamos avançando na narrativa, certas coisas acontecem que levam Shay a revoltar-se com a sua ordem, pelo que passaremos a maior parte do jogo como um Templário e evitar que os Assassinos levem os seus planos avante. É engraçado que o evento que faz com que Shay mude de lado é um acontecimento negro da história portuguesa. Não querendo fazer grandes spoilers, digamos que experienciamos um conhecido dia de 1755 em Portugal. É uma pena que a presença de um Assassin’s Creed em solo nacional, pelo menos até este jogo, seja apenas essa pequena missão, mas gostei.

Neste Rogue temos 3 áreas distintas para explorar. O Atlântico Norte, já quase no árctico, a zona de River Valley, e a própria cidade de Nova Iorque

A nível de jogabilidade esperem por algo muito semelhante ao Assassin’s Creed IV Black Flag. Quer isto dizer que vamos controlar o nosso próprio navio e passar muito tempo a navegar, descobrir várias ilhas e terras que poderemos explorar, combates navais e inúmeros coleccionáveis para apanhar. Os combates marítimos estão muito semelhantes aos do Black Flag, embora agora temos também a possibilidade de ter o nosso navio albaroado e termos de nos defender de uma invasão inimiga. No solo, tal como já referi, esperem por muitas localizações a explorar e com muitos coleccionáveis e missões secundárias para completar, como desafios de caça, ataques a fortalezas inimigas, assaltos a depósitos de materiais entre outros. Uma das novidades são as Assassin Interception, onde teremos de proteger uma potencial vítima de ser assassinada por um grupo de Assassinos. Os edifícios que podemos renovar (e consequentemente receber uma renda) é algo que também marca o seu regresso e ainda bem, pois são uma ajuda muito importante nas nossas finanças. Este foi o primeiro Assassin’s Creed onde consegui nadar em dinheiro muito facilmente, sem ter grande necessidade de perder muito tempo em grinding. À medida que vamos fazendo todo o conteúdo opcional, acabaremos por ficar com dinheiro suficiente para comprar upgrades. As missões da frota naval estão também de volta e são também uma boa fonte de rendimento, embora as últimas missões apenas fiquem desbloqueadas após terminarmos a história principal.

Para além dos fortes marítimos, temos novamente as fortalezas em terra, agora lideradas por assassinos e que temos de libertar

Mas nem tudo foi positivo neste Assassin’s Creed Rogue. Em primeiro lugar, eu tinha jogado o Black Flag em Fevereiro/Março deste ano e joguei-o na PS4. Uma ou duas semanas depois de o terminar, comecei a jogar o Rogue na PS3 e rapidamente, ao fim de cerca de duas ou três horas de jogo encostei-o. Para além do óbvio downgrade gráfico, o que mais me atrapalhou foi que, no caso do Black Flag para a PS4, a Ubisoft trocou as funcionalidades dos triggers L1 e R1 para o L2 e R2. Aqui no Rogue, voltaram ao esquema mais tradicional, mas eu tinha ainda o meu cérebro completamente formatado para o Black Flag (e que sinceramente até achei mais intuitivo!) pelo que andava constantemente à luta com os próprios controlos. Depois de uma pausa de vários meses lá consegui voltar a habituar-me aos controlos novamente! O sistema de combate também foi ligeiramente modificado e agora ficou mais difícil (a meu ver) contra-atacar ou desarmar os nossos oponentes. Particularmente se estivermos rodeados de inimigos! Se contra-atacar um oponente, o Shay ainda demora a executá-lo, deixando-nos abertos a um ataque de um outro adversário. No entanto, a inclusão de novas armas, como as granadas, foi muito benvinda!

As batalhas navais estão também de regresso e, tal como no Black Flag, temos alguns navios lendários para abater se quisermos

A nível audiovisual eu diria que é um jogo competente para uma PS3, visto que é um jogo de mundo aberto e muitas vezes é necessário renderizar grandes paisagens ou, no caso das metrópoles, também têm de ser devidamente habitadas. E aqui nota-se bem algumas quebras de frame rate nalguns momentos, algo que já não estava tão habituado a ver no Black Flag da PS4. Acho que as maiores quebras de frame rate que tive foram quando invadia os grandes navios man ‘o wars. No deck haviam grandes batalhas entre NPCs e a PS3 estava com notórias dificuldades em processar todas essas acções. Mas tirando esse choque de ter jogado o Black Flag na PS4 e depois fazer o downgrade para a PS3 no Rogue, contem com um jogo bem detalhado, pelo menos ao nível do Assassin’s Creed III. No que diz respeito ao som, nada de especial a apontar à banda sonora que é tipicamente calma e atmosférica quando estamos simplesmente a explorar os cenários (e as canções cantadas pela tripulação do nosso navio estão de volta, algumas até são as mesmas das do Black Flag), mas também rapidamente se torna mais tensa ou épica quando as coisas aquecem e o momento assim o exige. O voice acting está bastante competente como tem sido habitual na série também.

Portanto, tirando um ou outro problema técnico (que creio que se resolveria se jogasse a versão PC ou a remastered na PS4/Xbox One), este Assassin’s Creed Rogue até que foi uma experiência bem positiva. Como foi lançado ao mesmo tempo do Unity, sempre fiquei com a ideia que este Rogue era uma tentativa de fazer um jogo à pressa para ganhar mais uns trocos. E se por um lado até que possa ter sido algo desse género, pois a nível de mecânicas não é um jogo tão diferente assim do Black Flag, a verdade é que até se revelou um jogo bem divertido e com uma boa narrativa que de facto une ali umas quantas pontas soltas entre o ACIII e Black Flag.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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