I Have No Mouth, and I Must Scream (PC)

Vamos voltar às rapidinhas no PC, para um jogo muito curioso. I Have No Mouth, and I Must Scream, é uma aventura gráfica produzida pelo estúdio The Dreamer’s Guild, que tem por base o livro de mesmo nome escrito por Harlan Ellison, que por sua vez também colaborou no desenvolvimento deste videojogo. É uma aventura com uma temática de horror e com um conceito bastante interessante que irei detalhar mais à frente. O meu exemplar digital no steam, sinceramente não me recordo como veio cá parar à minha conta. Ou veio nalgum bundle em conjunto com mais jogos, ou simplesmente foi-me oferecido por alguém.

A história leva-nos a uma realidade alternativa onde, no apogeu da guerra fria, as grandes super potências criaram super computadores com inteligência para gerir uma guerra que iria aniquilar o inimigo. Mas esses super computadores ganharam consciência e acabaram por aniquilar toda a vida no planeta. Bem, não toda. O computador AM aprisionou 5 humanos e, ao longo dos últimos 109 anos tem-nos mantido vivos, mas sob tortura constante. E o jogo leva-nos precisamente a encarnar nessas 5 personagens, onde teremos de explorar desafios especialmente construídos pelo computador AM para tirar partido das suas fraquezas ou grandes pecados que estes tenham practicado no seu passado. Em cada um dos desafios iremos explorar um pouco do passado de cada personagem e vamos ter a oportunidade de os redimir dos seus erros do passado, e/ou enfrentar os seus maiores receios. Pelo menos é essa a chave para derrotar o computador AM e eventualmente chegar ao “melhor” final.

A “aventura” de cada personagem que passou os últimos 109 anos a ser torturada pelo super computador, pode ser jogada por qualquer ordem

Esta é então uma aventura gráfica do estilo point and click, onde, na parte inferior do ecrã, poderemos escolher qual a acção a executar e, com o ponteiro do rato, executá-la no local/objecto ou personagem pretendidos. As acções incluem coisas básicas como caminhar, observar, falar, pegar, oferecer, entre outros. Logo ao lado da lista de acções temos também o inventário com os objectos que vamos encontrando e naturalmente teremos de os usar em certas condições.

A primeira impressão é que este foi um jogo feito para chocar o jogador. As personagens que vamos controlar possuem todas um passado algo conturbado (para terem uma ideia, uma das personagens é um antigo médico nazi, que trabalhava com o infame Josef Mengele, o anjo da morte), e ao longo do jogo vamos tendo várias hipóteses de resolver alguns puzzles: Ou cedemos à tentação e repetimos os erros do passado, ou tentamos de alguma forma nos redimir. Por exemplo, uma das personagens que controlamos é um playboy que se semrpe se passou por rico, para engatar mulheres ricas e tirar proveito da sua fortuna. E um dos puzzles que temos pela frente na sua aventura, para obter um objecto importante, temos a opção de ir para a cama com uma empregada de limpeza meramente por interesse, ou tentar outra solução por um método mais honesto. Há aqui toda uma escolha de moralidades que eventualmente nos podem levar a um final mau, a um final menos mau ou a um game over. As escolhas entre as coisas boas e más sinceramente até que são bastante óbvias, basta tentarmos ser uma boa pessoa na maior parte das vezes, mas nem sempre o encadeamento dos puzzles e as suas soluções são os mais óbvios. Se estiverem à procura de obter o melhor final, recomendo vivamente que utilizem um guia para esse efeito. É que teremos de jogar as 5 aventuras de cada personagem da melhor forma, para depois desbloquear um capítulo final e mesmo esse deverá também ser jogado com alguma atenção.

A narrativa é pesada e algumas personagens estão bem construídas!

A nível audiovisual é um jogo mais uma vez feito para chocar. Vamos ver corpos pendurados em ganchos para pendurar carne num talho, outro dos cenários passa-se numa mansão demoníaca, já para não falar do cenário do tal médico nazi, onde poderemos operar as vítimas de forma bastante cruel. E, para um jogo de 1995, o jogo até que possui cenários bem detalhados mas infelizmente as animações das personagens intervenientes ficaram bastante pobres. Já no que diz respeito ao som, o voice acting é bastante competente para um jogo daquela época, com o maior destaque, claro está, a ir para o computador AM e todo o seu discurso sádico e de completo desprezo pelos humanos. As músicas vão sendo bastante diversificadas, consoante o cenário que estamos a explorar, mas têm na sua maioria um foco considerável em dissonâncias. Este não é um jogo com um ambiente agradável, não podia ser mesmo de outra forma.

Por vezes vamos ter escolhas morais a fazer. Ou sucumbimos aos medos e à nossa maneira de ser do passado, ou tentamos superar os medos e/ou tornarmo-nos pessoas melhores.

Portanto este I Have No Mouth, and I Must Scream foi um jogo que me deixou algo dividido. O seu conceito é fantástico, algumas das personagens possuem de facto passados traumáticos e/ou chocantes, mas acho que havia potencial para a narrativa, como um todo, ter sido muito melhor.

Ys IV: The Dawn of Ys (PC-Engine CD)

Voltando à série Ys, vamos ficar agora com a versão PC-Engine CD do Ys IV, aqui intitulado de The Dawn of Ys. O meu exemplar foi comprado algures em Fevereiro deste ano a um particular no eBay, creio que me custou algo próximo dos 15€. Sendo a versão japonesa, acabei uma vez mais por o jogar em emulação, visto que o jogo recebeu dois patches de tradução feitos por fãs. Um é um patch que traduz todos os diálogos em texto para inglês, enquanto o outro é um patch que substitui na íntegra o áudio dos diálogos de todas as cutscenes, por vozes em inglês, todas elas regravadas por fãs. Foi sem dúvida um trabalho muito interessante da comunidade!

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Mas antes de começar a analisar o jogo mais a sério, é curioso abordar a sua origem, pois existem vários Ys IV que são jogos muito diferentes entre si. Até então, todos os Ys foram produzidos originalmente pela Falcom para uma série de computadores nipónicos e convertidos posteriormente para outras plataformas por outros estúdios. Visto que os 3 primeiros Ys para a PC-Engine, que haviam sido convertidos pela Alfa System e publicados pela Hudson, aparentemente foram um sucesso comercial, a Hudson pediu à Falcom a licença para lançarem o eventual Ys IV para a PC-Engine CD novamente. No entanto, algures em 1992/1993 a Falcom estava a passar por um mau período, quando muito do seu talento saiu da empresa. Não havia ainda Ys IV, tudo o que tinham era um design document que esboçava a história, cenários, músicas e elementos de jogabilidade e a Falcom acabou por entregar esses documentos à Hudson para eles produzirem um Ys IV. Mas a Falcom entregou os mesmos documentos também à Sega e Tonkin House, que havia convertido o YS III para a Super Nintendo. No caso da Sega infelizmente isto acabou por não dar em nada, mas a Tonkin House produziu o Ys IV: Mask of the Sun que é um jogo que possui muitas similaridades com este Dawn of Ys, mas é também substancialmente um jogo diferente. Anos mais tarde, quando a Taito estava a produzir remakes em 3D dos primeiros Ys para a PS2, pegaram na versão SNES do Ys IV por base e lançaram um novo jogo, este também substancialmente diferente. Então, em 2012 a Falcom decidiu produzir finalmente um Ys IV por eles próprios, dando origem ao Ys: Memories of Celceta, que planeio jogar muito em breve.

Apesar de não serem ainda em FMV, o facto deste ser um jogo no formato Super CD-Rom² permitiu a existência de cutscenes bem mais detalhadas!

Ora este jogo decorre algures entre os eventos do Ys II e os de Ys III. Apesar de começarmos a aventura na já conhecida terra de Esteria, a grande parte do jogo será passado na terra de Celceta, onde Adol é “convidado” a visitar aquela região e ajudar os seus habitantes, que estavam a ser incomodados pelas forças do império de Romn (certamente uma alusão ao império Romano), bem como os membros do Clan of Darkness, que procuravam ressuscitar uma grande entidade maléfica. A jogabilidade é muito próxima à de Ys II, ou seja, há um regresso à perspectiva vista de cima (abandonando a perspectiva sidescroller de Ys III), com o sistema de combate clássico, onde Adol não possui um botão de ataque, mas sim para combater os inimigos teremos de ir contra eles, de preferência num ângulo não centrado, para evitar sofrer dano. Eventualmente ganhamos também a habilidade de executar algumas magias tal como no Ys II. Tal como nos Ys clássicos iremos ter várias dungeons e cidades para explorar, onde iremos desbloquear alguns itens que eventualmente nos darão novas habilidades ou simplesmente desbloquear o progresso no jogo para explorar novas áreas.

Em alguns diálogos importantes também somos presenteados com um retrato de alta qualidade da personagem com a qual conversamos

O sistema de experiência é idêntico aos clássicos, com os inimigos a darem-nos cada vez menos experiência consoante o nosso nível vai aumentando, para evitar o grinding em demasia e tornarmo-nos overpowered rapidamente. Ainda assim, vamos precisar de fazer algum grinding pois existem imensos bosses para serem derrotados e por vezes um nível de experiência faz uma grande diferença no combate. Procurar equipamento e habilidades mais poderosas é também um must, pois vamos encontrar inimigos que podem ser imunes a dano causado por equipamento mais fraco, por exemplo. Anéis que nos conferem habilidades adicionais, como melhor ataque, defesa ou a possibilidade de regenerar vida em qualquer momento do jogo também podem ser encontrados e devemos usá-los de forma inteligente Tal como nos Ys antigos apenas podemos equipar 1 herb ou outros itens regenerativos de cada vez e, a menos que tenhamos o tal healing ring equipado, a nossa vida apenas pode ser regenerada nos exteriores.

Como é habitual, vamos tendo também vários bosses para derrotar, onde teremos de memorizar os seus padrões de ataque

A nível audiovisual este é de facto um jogo muito bom. Sendo um jogo de PC-Engine que usa a tecnologia Super CD-Rom², vamos ter inúmeras cutscenes que, ainda que não sejam em full motion video, apresentam muito mais detalhe gráfico do que em qualquer outro jogo de PC-Engine em CD-Rom² normal. Mesmo em diálogos normais, somos muitas vezes surpreendidos com retratos em “alta definição” das personagens com as quais vamos interagindo. Fora essas cutscenes e diálogos, é um RPG típico de 16bit e a PC-Engine sendo um sistema algo híbrido entre tecnologia 8 e 16bit, não esperem por nada do outro mundo. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, já as músicas… essas continuam muito boas. Vamos tendo alguns remixes de músicas conhecidas na série (até porque revisitamos alguns locais de jogos anteriores) bem como uma série de novas melodias. Estas, tal como vem sendo habitual, tanto são melodias bem alegres, outras mais calmas e, as minhas preferidas, algumas músicas bastante rock, cheias de riffs enérgicos e solos de guitarra por todo o lado, sintetizadores ou até saxofones! Mas as palavras finais teriam mesmo de ficar para o voice acting. Bom, eu não sei se foi um problema do emulador que usei, mas infelizmente o volume das vozes ficou muito baixo comparando com as músicas que iam tocando em fundo, e isto tornava os diálogos bem mais imperceptíveis, obrigando-me a usar phones para tentar entender melhor o que ia sendo dito. Tirando este “pequeno” inconveniente que uma vez mais assumo, poderá ser problema do emulador que usei, é realmente de louvar o esforço que os fãs fizeram ao regravar todos os diálogos áudio com vozes em inglês. Não são performances dignas de hollywood, mas o trabalho final não ficou nada mau, sendo até superior em muitos lançamentos profissionais da época.

Por vezes vamos tendo alguns NPCs que nos seguem e ajundam-nos com o combate.

Portanto este Ys IV foi uma surpresa muito agradável. Já os primeiros Ys não tinham ficado nada mal na PC-Engine CD, mas este Ys IV leva as coisas realemente a um outro nível. O facto de usar a RAM adicional introduzida pelo uso da tecnologia Super CD-Rom² permite-lhe ter cutscenes bem mais detalhadas e, em conjunto com todos os diálogos narrados, a experiência de jogar um JRPG assim era de facto de outro nível, quando comparado com a Mega Drive ou Super Nintendo. E isto juntando-lhe à jogabilidade sólida dos Ys, mas a sua óptima banda sonora, torna este Dawn of Ys um clássico. Acredito que esta conversão tenha dado um trabalho tremendo, mas visto que ainda existem uns quantos JRPGs de culto perdidos no catálogo da PC-Engine CD, seria muito bom ver mais traduções assim surgirem. Mas, voltando aos Ys, não planeio jogar a versão Super Nintendo (Ys IV: Mask of Sun), mas sim o remake oficial Memories of Celceta.

Call of Duty: Black Ops III (Sony Playstation 4)

Ora cá vamos a mais uma análise a um Call of Duty, desta vez para o primeiro que acabo por jogar numa PS4. E porquê? Bom, quando eu comprei a minha PS4 algures no início de 2016 tinha duas hipóteses: ou comprava um pack com um FIFA ou PES 2016 (sinceramente não me recordo qual dos dois), ou um outro pack com este Call of Duty. Ora tipicamente eu prefiro jogar FPS no PC, mas entre aquela escolha não havia mesmo margem para dúvidas!

Jogo com caixa e papelada.

E este é mais um FPS futurista, com a história a decorrer em 2065, ou seja, 40 anos após os acontecimentos da sua prequela. Mas infelizmente é um jogo que não tem muito a ver com o seu antecessor directo. Existe uma referência ao vilão Menendez e é practicamente isso. Aqui encarnamos uma vez mais num soldado de uma força de elite (com soldados cyborgs com habilidades sobrehumanas) e vamos ser mergulhados em mais um conflito à escala global entre várias forças. Bom… sem me querer alongar muito na história, devo dizer que a narrativa deste Call of Duty é de facto… diferente. E por um lado dou valor ao facto dos guionistas terem tido o seu momento David Lynch, a verdade é que, como um todo, a campanha deste jogo não foi a mais apelativa.

Uma das funcionalidades do cyborg que controlamos é precisamente a possibilidade de ter os inimigos realçados no ecrã

E sim, tal como nos restantes artigos que cá trouxe desta série, irei focar-me apenas no modo campanha, pois apesar de os Call of Duty terem vertentes multiplayer muito fortes, não cheguei sequer a experimentá-as, a não ser uma partida muito rápida do modo zombies. E modo campanha deste jogo é de facto diferente e já se começa a aproximar muito de certas mecânicas típicas dos multiplayer, a começar pelo facto de todo o modo campanha ser possível ser jogado em modo de co-op com até 4 jogadores. Os níveis são então bem maiores que o habitual na série, frequentemente com zonas bastante abertas e que nos darão acesso a caminhos alternativos para exploração de forma a melhor flanquear os inimigos. As outras aproximações ao multiplayer estão no facto de irmos ganhando pontos de experiência à medida que vamos matando inimigos e completar os diferentes desafios que poderemos fazer em cada nível, os chamados accolades, bem como as armas que vamos utilizando também vão subindo de nível com o uso. Entre cada nível visitamos sempre a nossa base onde poderemos, entre outras coisas, customizar as armas que vamos tendo acesso com os upgrades que vamos desbloqueando ou outras modificações meramente estéticas.

Antes de cada missão devemos escolher que armas queremos levar e que tipo de habilidades cibernéticas activar. Depois temos de aguentar com essa escolha, pelo menos até encontrarmos algumas caixas que nos permitem mudar de equipamento. Quer isto dizer que não podemos simplesmente ficar com as armas inimigos que encontramos por aí

Outra das coisas que podemos customizar são as nossas habilidades, pois como referi acima, o nosso protagonista é um cyborg. Poderemos então vir a ter acesso a habilidades que nos dão força ou agilidade sobre-humana para combates corpo-a-corpo mais intensos ou simplesmente fazer parkour pelos cenários, mas há habilidades bem mais interessantes para explorar, a meu ver. Isto porque muitos dos soldados que vamos enfrentar são também cyborgs ou robots e muitas das outras habilidades que poderemos vir a desbloquear servem para tirar proveito disso mesmo, como paralisar temporiamente os robots ou mesmo fritar os circuitos eléctricos dos cyborgs. Ou ainda, no caso de drones voadores, turrets ou poderosos mechas, poder inclusivamente passar a controlá-los temporariamente. É super divertido quando temos uma grande praça para limpar e controlar um drone inimigo para atacar as tropas completamente desprevenidas! E sim, o jogo quer mesmo que usemos e abusemos destas habilidades, pois como já referi acima, os níveis são relativamente longos e com muitos inimigos para enfrentar, em virtude de ter sido projectado para serem jogados cooperativamente.

Robots, vamos ter de os enfrentar às dezenas!

A nível audiovisual este é mais um jogo muito bem conseguido na série, com os seus cenários muito bem caracterizados. Iremos explorar principalmente 3 regiões diferentes, Singapura, Egipto e Zurique, na Suíça. Mas sendo um jogo futurista e visto que muitas dessas regiões estão a ser desvastadas pela guerra, não esperem por ver muitas localizações conhecidas. Mas é um jogo graficamente muito competente mesmo. A nível de som, esperem pelas músicas épicas de sempre e um voice acting bastante competente, embora tal como tinha referido acima, a narrativa deste jogo não me agradou assim tanto. Faltam as personagens carismáticas dos Black Ops anteriores!

Portanto este é um Call of Duty bastante competente a nível de jogabilidade, e as habilidades dos cyborgs foram muito benvindas. É que teremos mesmo de as usar de forma inteligente para ultrapassar alguns dos desafios que vamos recebendo. Mas lá está, a narrativa não é propriamente a mais cativante e o facto de aparentar ser um jogo always online não me agrada particularmente. A ver, em breve, como a Infinity Ward se safou com o Infinite Warfare. Já a Treyarch, com o Black Ops 4 a ser integralmente um jogo multiplayer, vou acabar por dispensar esse.

Raystorm (Sony Playstation / PC)

Raystorm é o terceiro título da saga que se iniciou com o RayForce em 1993 nas arcades, mas é o primeiro da série a ser completamente em 3D poligonal. Foi lançado originalmente também nas arcades em 1996, tendo posteriormente recebido conversões para múltiplos sistemas (incluindo a Sega Saturn, sob o nome de Layer Section 2, no Japão apenas) nos anos seguintes. Na colecção tenho por cá uma versão manhosa de PC que comprei por 1€ a um vendedor numa feira de velharias há uns meses atrás, bem como uma interessante versão rental para a Playstation, que comprei a alguém no facebook por 10€ algures no passado mês de Junho. Será precisamente na versão Playstation que irei incidir este artigo.

Jogo com caixa, na sua versão rental.

A história coloca-nos a bordo de uma nave espacial toda poderosa e, sozinhos, iremos como é habitual enfrentar um exército inimigo que invadiu o planeta Terra. Ao longo de 8 níveis, iremos então percorrer diversas paisagens no nosso planeta, para depois combater em pleno espaço e, por fim, no planeta inimigo. Não é nada original, mas sinceramente também não interessa muito neste estilo de jogo, logo que a jogabilidade seja boa e se possível os visuais também! E felizmente, é um jogo que responde muito bem em ambos os campos.

Versão para PC, com caixa e papelada. Infelizmente é esta versão horrível da xplosiv, mas por 1€…

A nível de jogabilidade é um jogo simples, onde inicialmente dispomos de 2 modos de jogo distintos para escolher, com a conversão arcade, mas também o modo “extra”, onde este último parece ser apenas uma versão remix da versão arcade, com mais inimigos e diferentes padrões de movimento e disparo. Inicialmente podemos escolher uma de 2 naves, que possuem armas diferentes, mas com uma jogabilidade idêntica. Aqui temos 2 botões de disparo, um para disparar os raios laser com rapid fire, outro para fazer lock-on de inimigos e, quando o largamos, são lançados projécteis teleguiados que atacarão os mesmos. Para além de armas diferentes, o número de alvos que conseguimos fazer lock-on também varia de nave para nave. De resto temos ainda um outro botão usado para despoletar o special, um ataque bastante poderoso e que causa dano a todos os inimigos presentes no ecrã! Este não tem propriamente munições limitadas, simplesmente apenas o podemos usar quando a barra de special esteja cheia, o que vai acontecendo gradualmente, com cada ataque de “lock on” bem sucedido. E para fazer lock-on nos inimigos, não basta carregar no tal botão, temos também de guiar a nave para que a sua mira, que paira um pouco à sua frente, entre em contacto com os inimigos. Ora como essa mira não está assim tão longe da nave quanto isso, também nos obrigará a conduzir a nave para muito próximo das naves inimigas, o que é naturalmente bem mais arriscado.

Graficamente é um jogo muito bem conseguido, repleto de bonitos efeitos de luz e transparências

E claro, o jogo não é propriamente um passeio na praia, pois à medida que vamos avançando, teremos inimigos cada vez mais numerosos, com padrões de movimento mais agressivos e, principalmente os bosses, com imensos projécteis pelo ar e nós temo-nos de desviar pelos “pingos da chuva” como se nada fosse. Mas existe algum conteúdo desbloqueável para quem quiser aceitar o desafio. Ao terminar o extra mode podemos experimentar o “13 ships mode“, uma versão mais difícil do jogo, com 13 “vidas”, mas sem qualquer continue. Para quem conseguir vencer esse desafio desbloqueia também o shooting mode, que aparentemente apenas adiciona um contador de alvos falhados e abatidos. Algo decepcionante, sinceramente, mas deve ser bem útil para quem quiser practicar alguma run perfeita.

Como é habitual, no final de cada nível temos de enfrentar um boss e memorizar os seus padrões de fogo

A nível gráfico é um jogo muito bom. A versão Playstation não possui o mesmo nível de detalhe do original de arcade, com os cenários e as naves a serem renderizadas de uma forma mais pixelizada no geral, ainda assim o resultado final é bastante satisfatório, seja no design dos níveis, como no das naves, suas armas e as forças inimigas. Vamos tanto explorar paisagens urbanas, industriais, vales, oceanos, como autênticas batalhas colossais em pleno espaço. É também um jogo repleto de efeitos especiais de luz e transparências, como os submarinos que atacam debaixo de água, ou as naves inimigas que se escondem nas nuvens. Estou curioso para ver como a versão Sega Saturn se tenha safado nesta versão! As músicas são também bastante agradáveis, sempre com uma toada electrónica algo relaxante até, se não fosse por todo a cacofonia que vamos presenceando no ecrã. A versão PC sinceramente não cheguei sequer a experimentar pois temia que não funcionasse bem em sistemas operativos mais actuais. Ainda assim, pelo que vi, parece ser visualmente mais apelativa, ao suportar maiores resoluções e um detalhe gráfico mais nítido. De resto, parece ter exactamente o mesmo conteúdo da versão Playstation.

Gosto bastante do design de alguns dos inimigos!

Portanto este Raystorm é um shmup bastante agradável e que me deixou curioso para experimentar os restantes jogos desta série, caso um dia os venha a arranjar a um bom preço. Pelo menos o Galactic Attack, na sua versão Sega Saturn (conhecido como Layer Section no Japão, daí a versão nipónica deste Raystorm na Saturn ser chamada de Layer Section II por lá), não é um jogo lá muito comum, pelo que é capaz de demorar a chegar cá.