King’s Quest (PC)

Depois de ter jogado todos os Space Quest e Police Quest, restava-me pegar na série que os gerou. King’s Quest é um dos videojogos mais importantes alguma vez lançados, na medida em que pegava nas mecânicas básicas de aventuras de texto e apresentava cenários ricos em detalhe, que poderíamos explorar livremente, mas ainda com uma linha de comandos para escrever as acções a executar. É portanto um importantíssimo percursor ao género dos jogos de aventura gráfica! O meu exemplar veio incluído numa grande colectânea de jogos da Sierra que comprei algures no ano passado num bundle por uma bagatela.

O King’s Quest foi um jogo lançado originalmente numa série de plataformas distintas com o IBM PCjr a receber a sua primeira versão em 1984. Esta colectânea traz duas versões do primeiro jogo: uma versão lançada em 1987 para o MS-DOS, que usa o motor gráfico AGI (o mesmo usado no primeiro Larry, Police Quest, Space Quest) e um remake lançado em 1990 já com o motor gráfico SGI. Mas ainda não é a versão SGI que já permitia gráficos em VGA e um interface verdadeiramente point and click! Mas já lá vamos. A história por detrás deste jogo leva-nos ao reino fantasioso de Daventry, onde encarnamos no cavaleiro Sir Graham, que recebe do seu rei uma importante missão: o Reino de Daventry está em ruína e a única forma de retornar o reino à sua velha glória leva-nos a procurar por 3 artefactos mágicos: um escudo poderoso, um espelho capaz de ditar o futuro e um baú com ouro infinito. Se encontrarmos os 3 artefactos, o reinado de Daventry será nosso! A história do remake é algo modificada/expandida, mas o objectivo no final é o mesmo: recuperar os 3 tesouros e tornarmo-nos no próximo rei.

Há muitas maneiras de morrer em King’s Quest mas felizmente a maior parte das criaturas só nos fazem mal se nos aproximarmos demasiado

Ora e depois lá teremos então um vasto mundo a explorar, repleto de armadilhas e criaturas prontas a ceifar-nos a vida se não tivermos cuidado. Uma vez mais descer escadas é uma arte e cair em buracos é um perigo muito real! De resto lá teremos de coleccionar itens e usar esses itens nos locais/pessoas/criaturas certas. Há aqui muito folklore de histórias tradicionais de fantasia, como os feijões mágicos que podemos plantar e visitar um reino nas nuvens, a bruxa com uma casa feita de doces, entre outros. E enquanto nos podemos mover livremente através das teclas das setas, todas as restantes acções são despoletadas ao escrever comandos como look troll, get mushroom e por aí fora, o que nos obriga não só a usar as palavras que o parser espere, mas também que estejemos no sítio certo para o comando ser aceite. O remake que saiu em 1990 ainda não é um verdadeiro point and click, os cenários apresentam muito mais detalhe e alguns puzzles foram alterados. É uma versão mais linear que o original, que por sua vez tem diferentes soluções para os mesmos puzzles, o que sinceramente achei um aspecto interessante!

Muitos dos contos tradicionais de fantasia estão aqui representados

A nível audiovisual, o lançamento de 1987 para MS-DOS é muito similar ao original de 1984 do PCjr. E se por um lado eu acho que jogos como o primeiro Larry ou Police Quest até resultaram bem com o motor gráfico AGI, sinceramente acho que o King’s Quest envelheceu mal. Os cenários andam quase todos à volta de campos, montanhas ou cavernas e sinceramente a nível de detalhe não me agradou. Para um jogo de 1984 teria realmente um nível de detalhe nunca antes visto, mas acho mesmo que envelheceu mal. O remake de 1990 ainda tem um número limitado de cores pelo standard EGA, mas o jogo corre numa maior resolução e o mundo à nossa volta está muito melhor detalhado. Para além que essa versão já suporta algumas placas de som, pelo que ocasionalmente lá vamos ouvir algumas melodias.

O remake de 1990, mesmo com as limitações da arquitectura EGA, é muito melhor detalhado que o original

Portanto este King’s Quest é um jogo interessante principalmente pelo seu factor histórico e de toda a influência que deu ao género das aventuras gráficas. A nível de narrativa e audiovisuais ainda é um jogo muito simples, mas tendo em conta que este jogo gerou umas 8 sequelas e uns quantos remakes ao longo dos anos, estou certo que os jogos seguintes serão melhores. Veremos!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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