Point Blank (Sony Playstation)

A melhor definição que consigo dar para o point and blank é algo do género: pensem num Warioware só com minijogos de light gun. O jogo é bizarro (a começar pelos seus protagonistas – Dr Don e Dr Dan) e os minijogos também o são! Com as suas origens nas arcades em 1994, o seu lançamento para a Playstation, anos mais tarde, não é um mero port do arcade, incluindo muito conteúdo novo, o que é bom. O meu exemplar foi comprado algures em Fevereiro de 2017, creio que numa visita à Feira da Vandoma no Porto. Não me recordo ao certo quanto custou, mas lembro-me que foi barato, algo abaixo dos 3€.

Jogo com caixa e um folheto publicitário.

O que seria expectável neste Point Blank para a Playstation seria a Namco adaptar a versão arcade e incluir alguns extras como novos níveis. E isso acontece, onde temos o training, arcade e special, que andam à volta do mesmo conceito de jogo, mas com diferentes graus de dificuldade e longevidade. Aqui vamos ter de participar numa série de cenários, que são na verdade diferentes galerias de tiro com diferentes objectivos. Esperam-nos coisas simples como acertar nos alvos de uma determinada cor, disparar sobre pratos atirados para o ar, ou coisas cada vez mais bizarras como cucos a sair de relógios, galerias de tiro à lá Lethal Enforcers onde não podemos acertar em inocentes, uma matriz de números onde temos de os acertar por ordem crescente, salvar Don ou Dan de serem comidos por piranhas ou de serem queimados vivos por uma tribo de canibais, os desafios são muito variados. O que os torna desafiantes é mesmo as suas condições, onde geralmente temos poucos segundos (20 ou menos) e/ou poucas balas disponíveis para alcançar os objectivos. Consoante vamos progredindo e escolher “caminhos” mais difíceis, o desafio vai aumentando de forma a nos obrigar a ser o mais precisos possível. Isto pois vamos ter desafios com tempos tão reduzidos como 2 ou 3 segundos para acertar numa série de alvos rodeados por “não alvos” onde somos penalizados se os atingirmos. Isso obriga-nos mesmo a ter a lightgun o mais calibrada possível (se bem que também podemos jogar com o comando, o que nos obriga ainda a mais precisão) e treinar bastante os nossos reflexos.

Mesmo no modo arcade podemos escolher diferentes tipos de dificuldade

Para além destes modos de jogo temos ainda alguns “party” que nos permitem fazer torneios multiplayer, ganhando aquele que no final de uma sequência de vários mini-jogos possuir mais pontos. Mas para além disso temos ainda um Quest Mode que é nada mais nada menos que um RPG. Sim, um RPG, com batalhas aleatórias e tudo! Como nos movemos no mapa? Fácil, disparar para a posição onde queremos ir que as nossas personagens se começam a movimentar nessa direcção. Diálogos? Fácil, basta disparar para andar com o texto para a frente. Menus? Mesma coisa, usar a lightgun como cursor e disparar na área seleccionada. Seja para escolher itens em lojas, seja para navegar no nosso inventário. E sim, temos alguns combates aleatórios que são na verdade estes mesmos mini jogos que podemos jogar nos outros modos de jogo. A história aí é muito parva e não se deve levar a sério, com Don e Dan a serem convencidos a explorar uma ilha remota em busca da Gunball, uma arma mítica de uma civilização de outros tempos, mas ao mesmo tempo mágica e que daria imortalidade a quem a usar. Depois a partir daí lá vamos explorar as diferentes aldeias e interagir com os seus habitantes, cada qual com a sua história bizarra por detrás (até temos uma aparição de Mulder e Scully algures na segunda metade do jogo!). É um RPG simples e parvo, mas uma adição muito benvinda a um jogo que, já por si só nos daria muitas horas de diversão se apenas fizessem uma conversão directa do modo arcade, já com estes extras todos, e principalmente este do RPG, acaba por ser uma excelente atitude da Namco.

Independentemente do cenário que temos pela frente, acertar nestas bombas nunca é boa ideia

A nível de audiovisuais, este é um jogo inteiramente em 2D, e sinceramente acho que fica muito bem assim, até pela sua natureza mais “animada”. Adoro o design tosco do Dr. Don e Dr. Dan, e podem esperar um estilo muito caricaturado ao longo de todo o jogo. As músicas vão sendo variadas, por vezes tão bizarras quanto os cenários que nos vão sendo postos à frente, o que me agradou bastante.

Sim, este é um jogo bizarro. É por isso que é bom!

Portanto este Point Blank acabou por se revelar para mim numa bela surpresa, principalmente pela quantidade de extras que a Namco decidiu incluir neste lançamento para consolas domésticas. E não se iludam pelos visuais parvos, pois Point Blank é um jogo bastante desafiante para quem quiser explorar os modos de jogo mais difíceis. Existem alguns desafios que são mesmo muito difíceis! Para a Playstation 1 ainda recebemos mais duas sequelas e estou genuinamente curioso em ver o como a série evoluiu.

 

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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