Street Racer (Sega Saturn)

Jogos de corrida como Super Mario Kart foram bastante influentes, apesar desse jogo apenas ter recebido uma sequela vários anos depois, já para a Nintendo 64. Noutras plataformas foram surgindo outros clones, entre os quais este mesmo Street Racer, desenvolvido pela Vivid Image e publicado pela Ubisoft para uma série de plataformas entre as quais a Mega Drive, Super Nintendo, Playstation e claro, esta versão Sega Saturn. O meu exemplar, nomeadamente a caixa e manuais, foram-me oferecidos há muitos anos, por um amigo de infância mas que não encontrava o CD do jogo em lado nenhum. No mês passado um outro particular ofereceu-me o CD do jogo que ele tinha a mais e lá ficou a minha cópia completa.

Jogo com caixa e manuais

No fundo, este é mais um daqueles jogos de corrida cómicos e descontraídos, inspirado em parte por jogos como Mario Kart, na medida em que também teremos de nos desviar de obstáculos e podemos atacar os nossos oponentes seja através de socos ou tabefes, seja usando alguns power ups que podemos ir encontrando pelas pistas, como bombas de dinamite. Mas estes ataques apenas nos deixam ligeiramente atordoados por meros segundos, e tendo em conta que a inteligência artificial é muito peculiar, estes powerups de ataque podem não ser lá muito importantes. Passo a explicar: cada corrida no modo campeonato tem 10 voltas onde concorremos contra outros 7 participantes. Desses 7, há um que vai ser o nosso rival e vai andar mesmo taco-a-taco connosco, se chegarmos em primeiro ele chega em segundo, se chegarmos em segundo certamente que foi esse que chegou em primeiro. Todos os outros participantes apenas estão ali para empatar! Então estes powerups de  ataque são uma pequena ajuda mas não são determinantes para vencer corridas, ao contrário de jogos como o Mario Kart. Por outro lado também vamos adquirindo turbos e esses sim, se usados de forma inteligente servem para fazer a diferença. Ah, e os karts aqui saltam, algo que também dá jeito usar nas curvas mais apertadas.

O jogo possui uma mistura entre gráficos 2D e 3D

De resto temos várias personagens por onde escolher, cada qual com as suas vantagens ou desvantagem. Cada personagem possui pelo menos 3 circuitos diferentes, pelo que ao longo do modo campeonato vamos poder correr numa série de pistas. As pistas por outro lado não são lá muito compridas, daí também termos de correr 10 voltas de cada vez. Para além do modo campeonato podemos correr em multiplayer para até 8 jogadores com recurso ao multitap, mas sinceramente não cheguei a experimentar, nem sei como é que seria possível 8 jogadores em split screen. Temos ainda um modo arena onde é basicamente um deathmatch sobre rodas, mas a sua implementação não ficou nada de especial.

Podemos escolher vários ângulos de câmara, entre os quais um que se assemelha aos micromachines

A nível técnico, este é um jogo que mistura o 2D com o 3D. Os carros, personagens e pickups são todos sprites 2D, bem como alguns objectos no ecrã como palmeiras e outras plantas. Por outro lado as pistas já possuem vários cenários poligonais e este é dos poucos exemplos onde a versão Saturn apresenta um 3D mais detalhado do que a sua rival na Playstation. Muito provavelmente porque terá a versão principal a ser desenvolvida e a versão PS1 apenas um port. Temos aqui também vários ângulos de câmara, incluindo um visto de cima que nos faz lembrar jogos como os Micromachines. As músicas são bastante agradáveis, misturando o rock e electrónica com alguns elementos mais “regionais” mediante a pista que estamos a correr.

Multiplayer para 4 pessoas até entendo, mas para 8 deve ser grande confusão!

Portanto, este jogo até que é bastante agradável de se jogar embora seja um pouco frustrante a inteligência artificial não ser mais balanceada. Se tiverem na dúvida entre a versão Saturn ou PS1, este é daqueles poucos exemplos de jogos 3D (ou quase) em que a versão Saturn leva vantagem. Por outro lado se tiverem a oportunidade de experimentar as versões SNES ou Mega Drive, tentem obter as 2 pois são jogos muito diferentes entre si. Mas isso ficará para um eventual artigo futuro.

Star Wars Arcade (Sega 32X)

Voltando ao infame addon da Mega Drive, a 32X, um dos jogos que eu mais tinha curiosidade em jogar para essa plataforma era nada mais nada menos que este Star Wars Arcade, um jogo lançado originalmente para o sistema Model 1, desenvolvido em conjunto com a Lockheed Martin. Já referi algumas vezes o quão importante foi esse sistema arcade e mais uma vez temos uma conversão para a 32X que o usa como base. O meu exemplar foi comprado no final do ano passado a um particular. Foi comprado num lote que continha este jogo, uma Mega CD II e um Jaguar XJ220 para a Mega CD. Ficou-me tudo por 50€.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Este Star Wars Arcade decorre no universo da trilogia original da saga Star Wars, onde no modo arcade poderemos pilotar uma X-Wing (no modo singleplayer) ou Y-Wing (em multiplayer) ao longo de 3 missões distintas: combater TIE-Fighters numa cintura de asteróides, destruir um Super Star Destroyer e o assalto à Death Star onde a teremos de destruir como no The Last Jedi, ao viajar até ao seu núcleo. A conversão para a 32X incluiu um 32X mode onde temos algumas missões adicionais mas que não são muito diferentes das que existem no modo normal.

Felizmente que este jogo não é apenas uma adaptação directa da versão arcade mas contém algum conteúdo extra

De resto a jogabilidade é simples, permitindo-nos jogar na primeira ou terceira pessoa e dispomos de 2 armas que podemos atacar os alvos inimigos: os raios laser com munições infinitas, e uma espécie de mísseis teleguiados que podemos disparar assim que tivermos um alvo em lockdown. Estes também possuem munição ilimitada, mas que demora algum tempo a recarregar. No caso de jogarmos no modo de 2 jogadores, a nave que pilotamos é sempre a Y-Wing, ficando um jogador encarregue de a pilotar e o outro de disparar. Depois, ao contrário de outros jogos contemporaneous como o Starwing da SNES, aqui temos toda a liberdade de nos movimentarmos em 360º, não estamos restritos a seguir um corridor invisível. Para combater os TIE-Fighters que nos perseguem é também boa ideia fazê-lo no modo de primeira pessoa, pois assim conseguimos ver a sua posição no radar.

Gosto das animações de quando entramos num hyperjump

Depois, como já referi algures acima, infelizmente as missões são algo repetitivas, pois o jogo está dividido em vários segmentos, sendo muitos deles limpar o ecrã de TIE-Fighters, com a missão a progredir posteriormente para outros objectivos, como o de destruir algumas turrets na Death Star e por aí fora. Aquela repetividade de limpar o ecrã de todos os Tie Fighters antes de progredir acaba então por cansar um pouco. Depois todas as missões são passadas no espaço, seria interessante ver alguns combates noutros ambientes como a batalha de Hoth, mas percebe-se que graficamente é mais simples de representar o espaço, afinal é o ecrã todo negro com alguns pontos brilhantes e pouco mais.

Alternar para a primeira pessoa deixa-nos poder usar o radar e assim controlar melhor os TIE Fighters que nos circundam

Passando precisamente para a parte audiovisual, mais uma vez a versão arcade possui gráficos mais limpos (os polígonos estão melhor definidos) e a acção é mais fluída. Ainda assim a conversão para a 32X não ficou má de todo, e o resultado final, a meu ver é tecnicamente muito melhor do que o de Starwing, por exemplo. Nisso a Sega tinha razão! Por outro lado as músicas poderiam ter mais qualidade, o som sai um pouco abafado. Os temas principais da saga continuam aqui presentes, os efeitos sonoros cumprem o seu papel e gosto de ouvir os poucos diálogos que o jogo possui.

Portanto este Star Wars Arcade acaba por ser um shooter interessante, tanto para os fãs de Star Wars, como para quem gostar do género em geral e possui uma 32X. Era dos poucos jogos da plataforma que eu gostaria realmente de ter e não fiquei defraudado.

Gremlins 2 (Nintendo Entertainment System)

Continuando pelas rapidinhas, o jogo de hoje leva-nos à adaptação para consolas da Nintendo do filme Gremlins 2, lançado algures em 1990. Digo adaptação para as consolas da Nintendo pois existe uma outra versão do Gremlins 2 produzida pela Elite para os vários computadores da época. Esta versão é produzida pela Sunsoft, tendo sido lançada para a NES e Nintendo Gameboy respectivamente. O meu exemplar foi comprado algures durante o mês passado a um particular, tendo-me custado uns 12€.

Apenas cartucho

Os filmes dos Gremlins são baseados nas estranhas e misteriosas criaturas peludas, que não podem nem ser alimentadas depois da meia-noite, nem molhadas com água. Se tal acontecer, a criatura fofinha dá origem a uma série de diabretes capazes de causar o caos, algo que aconteceu numa pequena cidade do interior norte-americano no primeiro filme, preparando-se para acontecer agora em plena Nova Iorque. Neste jogo tomamos o papel do próprio Gremlin “bom” que percorrerá um arranha-céus e assim derrotar todos os Gremlins maus e outras criaturas que encontrar.

Este é um jogo de acção numa perspectiva aérea que mistura conceitos de shooter com os de um jogo de plataformas. O objectivo é levar o Gizmo até à saída do nível, atravessando uma série de obstáculos e inimigos, tipicamente culminando na luta contra um boss. A jogabilidade é simples com um botão para saltar e um outro para atacar. Ao longo dos níveis e à medida que vamos combatendo os inimigos, estes vão deixando para trás alguns itens que nos poderão ajudar. O mais comum são pequenos cristais que servem de unidade monetária do jogo, mas também podemos encontrar Pogo Sticks que nos permitem saltar sobre os inimigos e derrotá-los rapidamente, de forma temporária. Temos um relógio que paralisa brevemente os inimigos no ecrã e uma lâmpada que destrói todos os que estejam presentes no ecrã.

Ao longo do jogo não vamos enfrentar outros Gremlins apenas, mas também criaturas estranhas como tomates gigantes

Para além disso, de vez em quando encontramos portas que nos levam a uma loja. É aqui que podemos trocar os cristais por alguns itens, se bem que apenas podemos comprar um item de cada vez: temos um balão (podemos carregar um máximo de 5) onde a cada vez que nos enganamos um salto e vamos caindo de um precipício, este balão é usado automaticamente, dando-nos alguns segundos para nos colocarmos em segurança. Podemos também comprar power ups temporários para a nossa arma, bem como corações extra que nos aumentam a barra de vida (mas infelizmente só até ao fim do nível) ou mesmo vidas extra. De resto, no final dos confrontos com cada boss ganhamos um upgrade à nossa arma, que, tal como nos shmups, tipicamente consegue disparar em várias direcções e com projécteis mais poderosos.

Eventualmente lá encontramos lojas secretas onde podemos comprar alguns itens que nos ajudarão

De resto a nível gráfico é um jogo minimamente competente, embora os cenários não sejam lá muito variados entre si. Mas o que me agrada mesmo são as músicas! A Sunsoft tipicamente faz um excelente trabalho neste campo e este título não é excepção à regra! Algumas das músicas são mesmo viciantes! De resto é um jogo bastante agradável de se jogar, pelo que recomendo que lhe dêm uma olhada se tiverem a oportunidade.