Hamtaro: Ham-Hams Unite! (Nintendo Gameboy Color)

HamtaroA segunda rapidinha de hoje assenta numa desilusão. Por vezes cruzamo-nos com jogos em que os seus screenshots e não só nos deixam algo intrigados, mas não o suficiente para querermos ir pesquisar mais e depois quando finalmente os acabamos por jogar, acabam por ser completamente diferentes daquilo que estaríamos à espera. E esse foi o caso deste primeiro jogo da série Hamtaro a ser lançado em solo original. O meu exemplar foi comprado há uns meses na cash converters de Alfragide por cerca de 3€ se a memória não me falha.

Hamtaro - Nintendo Gameboy Color
Apenas cartucho

E então o que é esta série Hamtaro? Bom, é uma série de manga e anime bem sucedida no Japão, sobre as aventuras do hamster Hamtaro e dos seus amigos. Sim, é uma animação algo infantil, mas isso não impede de ter sido bem sucedida. E os seus videojogos foram na sua maioria desenvolvidos pela própria Nintendo, tendo sido também grandes sucessos de vendas no mercado japonês. Isto, aliando aos screenshots que ia vendo, que davam a impressão de se tratar de um jogo com algumas vertentes de RPG, foi o que me fez acabar por o comprar. E o produto final não sendo um mau jogo de todo, não é de todo o que estava à espera. Este é na verdade um jogo de aventura, onde a exploração é o prato do dia, onde controlamos Hamtaro que vai ter de chamar 12 dos seus amigos para regressarem à base, onde o nosso “chefe” está a planear algo que quer mostrar a toda a gente. Para os encontrar, iremos ter de falar e interagir com uma grande variedade de hamsters e outros animais, bem como concorrer em mini-jogos ou interagir com os cenários.

Com screenshots como este não admira que eua achasse que este jogo teria algo de RPG
Com screenshots como este não admira que eu achasse que este jogo teria algo de RPG

Os diálogos são a interacção mais importante em todo o jogo, em particular pelo uso das palavras do Ham-Chat, que vão sendo aprendidas com estas interacções. Palavras como hif-hif que significa “cheirar” permite-nos descobrir alguns itens, “track-q” faz com que rebolemos contra outro hamster ou objecto, Hamha é uma espécie de “Olá” que nos faz iniciar os diálogos e por aí fora. Por vezes para progredir num determinado diálogo temos de descobrir algumas novas palavras, sendo que para isso temos de interagir com um outro hamster e resolver os seus problemas… E sinceramente isso para mim é um pouco chato. É interessante esta não linearidade, mas as mecânicas de jogo e os diálogos são realmente bastante infantis e não me trouxeram lá grande divertimento.

Os 12 hamsters que temos de procurar estão espalhados ao longo destas localidades, que poderão ser revisitadas livremente
Os 12 hamsters que temos de procurar estão espalhados ao longo destas localidades, que poderão ser revisitadas livremente

Os gráficos são bem capaz de ser o ponto mais forte deste jogo, apresentando visuais bastante coloridos, com sprites bem grandinhas e detalhadas. Cada uma destas palavras do Hamchat é acompanhado por uma expressão visual que estão também muito bem detalhadas. Os cenários são o que esperávamos de um jogo de hamsters, onde tanto exploramos a natureza ou zonas humanas, como quintais, jardins ou mesmo partes de casas, onde os objectos à nossa volta estão devidamente à escala certa. As músicas são também bastante alegres e agradáveis, o que seria de esperar num jogo deste género.

No fim de contas, até que nem me arrependo de todo de ter comprado este Hamtaro, mas certamente que se soubesse ao certo o que iria encontrar, confesso que ainda iria vacilar ao comprar o cartucho.

Raptor: Call of the Shadows (PC)

Já há alguns dias que não trazia cá nenhum artigo novo por questões profissionais que simplesmente não me deram tempo para o fazer. Sim, mesmo ao fim de semana! Portanto para compensar conto hoje escrever duas rapidinhas aqui para o blogue. A primeira vai ser sobre mais um jogo da minha infância que joguei bastante na sua versão shareware. Estou a falar do Raptor Call of the Shadows, produzido pela Cygnus Studios e publicado pela Apogee. É um dos shmups exclusivos de pc que eu acho mais bem conseguidos e tal como todos os outros jogos da Apogee que tenho na minha conta steam vieram cá parar através de bundles bem baratos. Este veio também da 3D Realms Anthology.

RaptorA história coloca-nos como um mercenário solitário a lutar contra um poderoso império. Sim, o cliché do costume que na verdade resulta muito bem neste tipo de jogos e nada mais é preciso. Mas é na jogabilidade e mecânicas de jogo que este Raptor marca os seus pontos. Isto porque o mesmo está dividido em 3 capítulos diferentes, com 9 níveis em cada. E à medida que vamos destruindo os inimigos que nos apareçam à frente, ganhamos dinheiro que pode posteriormente ser utilizado para customizar o nosso avião, ao comprar diferentes armas, escudos ou outros. E tendo em conta que apenas temos uma vida (se bem que também podemos salvar o nosso progresso), ter sempre um ou outro escudo de reserva não é má ideia. É que em graus de dificuldade maiores, ou em níveis mais avançados, iremos ser invadidos por imensas outras naves que nos descarregam com imengos projécteis e é practicamente impossível nos desviarmos de todos.

A nível gráfico a única coisa que me chateia um pouco é a forma modular como os edifícios explodem
A nível gráfico a única coisa que me chateia um pouco é a forma modular como os edifícios explodem

De entre as armas que podemos comprar, temos vários tipos de mísseis, armas que só atingem veículos voadores, outras que só atingem os tanques e bases terrestre que vamos atravessando, e outras que atingem tudo e mais alguma coisa, incluindo projécteis que perseguem os inimigos. Muitas dessas diferentes armas podem ser seleccionadas para funcionarem em paralelo com outras “principais”. E claro, temos também a mega bomba que destrói todos os inimigos presentes no ecrã, excepto os bosses que apenas lhes causa algum dano. Depois é só percorrer todos estes níveis e tentar destruir tudo o que nos apareça à frente! Simples, não?

Os escudos internos do nosso avião (barra da direita) podem ser lentamente regenerados enquanto não abrimos fogo. O ideal é ter um stock de escudos externos de reserva
Os escudos internos do nosso avião (barra da direita) podem ser lentamente regenerados enquanto não abrimos fogo. O ideal é ter um stock de escudos externos de reserva

Graficamente sempre achei este jogo muito capaz, estando repleto de pequenas cutscenes que sempre me pareceram bem animadas e depois aquele hangar onde podemos escolher uma série de coisas entre cada nível, ou o próprio interface de “loja online do mercado negro” onde podemos comprar as nossas armas e outros power ups também me pareceram muito bem conseguidos. Nos níveis em si acho que os veículos estão bem desenhados, a única coisa que não gostei muito foi da maneira como desenharam os edifícios a explodir, parece-me ser uma coisa bastante modular. Mas são só pequenas picuinhices. As músicas apesar de não serem propriamente más, acho que se tornaram bastante discretas para o jogo em questão, sendo completamente ofuscadas pelo barulho de balas a serem disparadas e explosões.

Apesar de não ser um jogo perfeito, sempre achei este Raptor bastante competente. E de todos os shmups que foram sendo criados de forma exclusiva para o PC durante o apogeu do DOS gaming, sempre achei este o mais interessante.

Wacky Wheels (PC)

Hoje é mesmo mais uma super rapidinha que o trabalho tem vindo a apertar. E o artigo de hoje recai uma vez mais num outro jogo que veio junto da 3D Realms Anthology e eu ainda não o tinha analisado por cá. Ora este Wacky Wheels é nada mais nada menos que um clone de Super Mario Kart, mas para PC, e com uma forte componente multiplayer online que sempre foi um dos seus selling points, apesar de pessoalmente nunca a ter sequer experimentado.

Wacky WheelsAs semelhanças com Super Mario Kart são bastantes, com a possibilidade de escolhermos a dificuldade pretendida e mesmo aí ainda teremos três diferentes “cups” para concorrer. E apesar dos bichinhos não correrem em karts mas sim máquinas de cortar relva, as semelhanças na jogabilidade permanecem, com a hipótese de utilizar certos itens que podemos apanhar como armas para tirar alguns dos nossos adversários da frente (se bem que as mesmas podem ser usadas contra nós). Existem também outros modos de jogo como o time trial, ou variantes multiplayer que nos permitem jogar contra os nossos amigos seja a correr, seja em pequenas batalhas em arenas como no Battle Mode dos Mario Kart.

Estão submersos em água ou lava? Não tem mal porque temos um periscópio!
Estão submersos em água ou lava? Não tem mal porque temos um periscópio!

A nível gráfico é um jogo bastante colorido e replica também o mode 7 utilizado no Super Mario Kart original da SNES. Apesar de achar que os gráficos em mode 7 não sejam a melhor coisa do mundo e sinceramente os PCs já conseguiam fazer melhor. As músicas e efeitos sonoros são bons, nada a apontar, com músicas bem alegres que acabam por ser bastante envolventes tendo em conta o estilo do jogo. Já a fluidez das corridas em si é que me pareceu deixar um pouco a desejar… mas também podem ser problemas com a emulação em dosbox (preguiça em ligar o velhinho pentium para tirar a prova dos 9).

Posto isto, Wacky Wheels era um bom clone do Super Mario Kart, numa altura em que o PC não era uma plataforma que tivesse muitos jogos deste género. Se vale a pena jogá-lo hoje em dia, sinceramente eu diria que não, mas quem for fã do género terá sempre alguma curiosidade.

Mercs (Sega Mega Drive)

MercsO Commando foi um jogo interessante por parte da Capcom. Notavelmente influenciado por filmes como Rambo, esse era um daqueles primeiros jogos de acção em que sozinhos teríamos de defrontar um exército inteiro em cenários de guerra. O conceito pegou e naturalmente acabaram por surgir diversos imitadores, como Ikari Warriors, Jackal ou mesmo alguns jogos do próprio Rambo que acabaram por lhe seguir essas mesmas pegadas. Naturalmente a Capcom também não se deixou ficar quieta e mais tarde ou mais cedo lançam também este Mercs como uma sequela aprimorada. Das várias conversões existentes deste jogo, esta para a Mega Drive acaba por ser a mais interessante, pelas razões que irei referir ao longo deste artigo. Esta minha cópia, apesar de ser Genesis foi comprada cá em Portugal, tendo vindo de um bundle no OLX onde comprei 8 jogos de Mega Drive em caixa por 35€.

Mercs - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual, na sua versão americana

A história prende-se aos clichés habituais: o presidente norte-americano foi raptado aquando de uma visita a um qualquer país africano. Mas em vez de se envolver o exército por aparentemente desrespeitar tratados diplomáticos, o governo norte-americano decide antes contratar uma equipa de mercenários para que de forma “discreta” se possa resolver esse conflito. Sim, uma equipa até porque o lançamento original para arcade permitia multiplayer cooperativo de até 3 jogadores em simultâneo. Infelizmente na versão Mega Drive não tem qualquer multiplayer, sendo esse o seu principal defeito.

Aqui temos alguma liberdade de movimento, podendo explorar os níveis da forma como quisermos. Só não dá voltar para trás
Aqui temos alguma liberdade de movimento, podendo explorar os níveis da forma como quisermos. Só não dá voltar para trás

De resto, Mercs tem também uma jogabilidade um pouco diferente de Commando. É quase um Contra com uma perspectiva diferente, ou mesmo um shmup com soldados em vez de naves espaciais ou aviões. Isto porque vamos tendo várias armas diferentes ao nosso dispor, desde a tradicional metralhadora, até lança-chamas, lasers ou mesmo o “spread shot” bem conhecido da série Contra. Para além disso, também existem outros power-ups que nos podem aumentar o poder de fogo, daí a minha comparação aos shmups tradicionais. Outras novidades estão também na eliminação do conceito de 1 hit kills, sendo o mesmo substituído por uma barra de vida, que inclusivamente pode ser regenerada caso encontremos power-ups para o efeito. A outra novidade está no facto de podermos conduzir alguns veículos como jipes, barcos ou tanques, o que torna a acção ainda mais interessante! E claro, para além das armas normais temos também as bombas que destroem todos os inimigos no ecrã, mas essas vêm em número limitado.

Estes caixotes podem conter uma grande variedade de itens... ou então barras de dinamite que explodem passado poucos segundos
Estes caixotes podem conter uma grande variedade de itens… ou então barras de dinamite que explodem passado poucos segundos

Mas se por um lado a Sega teve o desplante de não ter introduzido a vertente multiplayer nesta conversão, por outro lado adicionaram um modo de jogo diferente, o “Original Mode”. Aqui os níveis são completamente redesenhados e algumas mecânicas de jogo alteram-se. Ao longo do jogo vamos encontrando tendas de campanha. Lá dentro temos uma loja onde poderemos trocar as medalhas que vamos encontrando no campo de batalha por power-ups, mas também poderemos encontrar outras personagens que podem ser recrutadas e jogáveis. Ao longo do jogo basta carregar no botão de pausa que poderemos alternar entre as diferentes personagens, sendo que cada uma dispõe de uma arma diferente. Os power ups que encontramos afectam apenas essa mesma personagem, pelo que temos de ter alguma estratégia ao apanhá-los. Não vale a pena apanhar um powerup de dano para a arma quando a mesma já está no máximo. Mais vale mudar para outra personagem, apanhar esse power-up e mudar de volta para a personagem anterior caso desejemos.

A tal loja que vamos encontrando no Original Mode
A tal loja que vamos encontrando no Original Mode

A nível de audiovisuais já nos sistemas arcade este jogo era um salto bem grande face ao Commando original. Notoriamente 16bit, o jogo apresentava umas sprites bem detalhadas, em níveis igualmente detalhados e bastante coloridos. As sprites gigantes para os bosses eram um eye candy e felizmente não houve grandes perdas de qualidade nesta transição para a Mega Drive, com os gráficos a ficarem muito próximos da versão arcade. As músicas são também bem inspiradas, acho que neste campo tanto a Capcom como a Sega fizeram um bom trabalho.

A apontar de negativo nesta conversão só consigo mesmo fazê-lo à falta da vertente multiplayer, nem que fosse para 2 jogadores apenas. De resto o Mercs é um óptimo shooter para quem gostar do género e esta conversão para a Mega Drive tecnicamente saiu muito bem na fotografia. O modo original foi sem dúvida uma adição muito benvinda e quase que faz esquecer a falta de multiplayer. Existe também uma conversão deste jogo para a Master System, que acabou por sair mais ou menos na mesma altura, tal como a Sega o fez com outros jogos da Capcom na mesma época (Strider, Ghouls ‘n Ghosts, Forgotten Worlds), estou algo curioso em ver como seria a versão Master System deste Mercs, mas esta versão enche-me as medidas.

Alone in the Dark 2 (PC)

Alone in the dark 2Hoje é tempo de mais uma rapidinha a um jogo de PC. O Alone in the Dark original foi um jogo “muito à frente” no seu tempo e sem dúvida que influenciou outros jogos como os Resident Evil clássicos, até porque a fórmula era mais ou menos idêntica: ângulos de câmar fixos e gráficos pré-renderizados, os tank controls, poucas munições e a exploração e procura de itens para progredir nos cenários. Aqui nesta sequela as coisas já levaram um rumo mais para a acção. Este meu exemplar custou-me cerca de 2.5€ na Feira da Ladra há uns bons meses atrás, se a memória não me falha.

Jogo com caixa e manual embutido
Jogo com caixa e manual embutido

A personagem principal é uma vez mais Edward Carnby, um detective privado especialista em assuntos sobrenaturais, desta vez com a missão de investigar o paradeiro da menina Grace Saunders, que aparentemente terá sido raptada e levada para a mansão “Hell’s Kitchen”, casa de uma notável família de gangsters. Mas claro, o sobrenatural vem ao de si e eventualmente são também traçadas algumas ligações ao primeiro jogo, mas deixo isso para quem o for jogar.

A câmara continua a ser fixa, algo muito utilizado numa nova geração de survival horrors que se seguiram
A câmara continua a ser fixa, algo muito utilizado numa nova geração de survival horrors que se seguiram

A nível de mecânicas de jogo é muito semelhante ao original, tal como referido no primeiro parágrafo a maior diferença está precisamente no maior foco dado à acção e não propriamente ao “survival horror” em si. Iremos defrontar muitos gangsters equipados com várias armas, onde poderemos posteriormente usá-las nós próprios, assim como outros objectos como se fossem armas brancas. Mas os combates propriamente ditos continuam muito chatinhos, devido a umas más mecânicas do sistema de detecção de colisões. Principalmente em inimigos mais acrobatas que se mexam muito, fica difícil de lhes acertar em cheio, quer estejamos a usar armas de fogo, ou uma tábua de partir carne. Eventualmente há um ou outro segmento do jogo em que jogamos com a pequena Grace Saunders, e nessa altura teremos de ter uma abordagem mais furtiva, pois basta um dos inimigos nos encontrar para sermos capturados. Mas isso não quer dizer que não possamos ripostar, pois podemos preparar algumas armadilhas para os tirar do nosso caminho. De resto no geral mantém mais ou menos as mesmas mecânicas de jogo do anterior, incluindo todo o lore que pode ser lido ao descobrir livros e várias anotações espalhadas pela área do jogo.

Pode não parecer, mas isto eram gráficos 3D bem avançados para 1993.
Pode não parecer, mas isto eram gráficos 3D bem avançados para 1993.

Graficamente é um jogo um pouco melhor que o original, embora ainda continue a ser um 3D muito primitivo, com modelos com pouquíssimos polígonos e com texturas simples ou nenhumas. Os cenários sendo pré-renderizados já apresentam mais algum detalhe. No entanto, mesmo sendo um jogo mais focado para a acção do que o survival horror, a Infogrames ainda não tinha acertado na ambiência sonora, usando músicas que pouco ou nada acrescentavam à atmosfera mais tensa que este jogo precisaria. Só na recta final do jogo é que ouvi umas melodias mais épicas que já se adequavam mais àquilo que estava a ser vivido.

Em jeito de conclusão, este Alone in the Dark 2 apesar de não ser um mau jogo tendo em conta a altura em que foi lançado e mesmo sendo uma sequela continuava a ser um videojogo muito único dentro do mercado. Ainda assim pareceu-me um pouco menos inspirado que o primeiro precisamente pelo foco maior na acção, parece que dá a entender que foi feito um pouco mais às pressas. Ainda assim deverá ter tido sucesso suficiente para receber uma conversão para a Playstation e Sega Saturn, cujas versões não cheguei a jogar.