The Whispered World (PC)

Voltando às aventuras gráficas, vou agora escrever sobre o The Whispered World, um dos primeiros grandes trabalhos produzidos pela Daedalic neste campo, onde temos outros exemplos como Chains of Satinav, ou as séries Deponia ou Edna & Harvey. Este The Whispered World entrou na minha conta Steam por via do Humble Weekly Bundle da Daedalic, algures no ano passado, que me terá ficado por nem 5€. Ah, humble bundles e o meu backlog a crescer exponencialmente.

The Whispered World

The Whispered World leva-nos para um mundo de fantasia, onde jogamos com Sadwick, o palhaço mais deprimente que já tive a infelicidade de conhecer. Não estou a inventar, a personagem principal da história é mesmo um palhaço/bobo com a pior auto-estima de sempre e sonhar constantemente com o final do mundo não deve melhorar muito a sua situação. The Whispered World decorre no mundo fantasioso medieval de Silentia, e Sadwick pertence a um pequeno circo itinerante, em conjunto com o seu irmão e o avô já bastante senil. Até que algures durante o início da aventura Sadwick consegue encontrar-se com Shana, uma serpente oráclo que profetiza que Sadwick irá um dia destruir o mundo. Disposto a reverter o seu destino, Sadwick vai viajando por diversas localidades até chegar à capital de Corona, encontrando-se pelo caminho com outras personagens carismáticas e também vilões como os guerreiros Asgil liderados por Loucaux. Não querendo “spoilar” a experiência para o jogador, devo dizer que o final é uma mistura de originalidade com cliché, e não estou bem a ver por onde a Daedalic vai pegar para fazer a sequela que sairá neste ano.

screenshot

Sadwick e o seu animal de estimação Spot, na sua forma “ardente”.

Como habitual nos jogos da Daedalic, a jogabilidade é a standard de os jogos de aventura point and click -e começando a cansar de me repetir nestes jogos – consiste em movimentar-nos ao longo de vários cenários fixos, clicando em tudo o que seja sítio, de forma a falar/interagir com personagens, recolher/interagir com objectos e resolver vários puzzles de forma a progredir no jogo. O sistema de point and click consiste em deixar o dedo do rato clicado num determinado objecto/personagem e surge em seguida um pequeno menu circular, com 3 opções distintas: comentar, falar, ou pegar. O que o jogo tem também de diferente é a inclusão de um animal de estimação peculiar, spot, uma lagarta gigante capaz de tomar diferentes formas e habilidades, úteis para resolver diversos puzzles. Essas formas vão sendo adquiridas também ao longo do jogo, que tornam Spot gordo e pesado, em chamas, dividido em 5 pequenas bolas, ou “esmagado” numa tira.

screenshot

Para não variar, os cenários pintados à mão são sempre bem bonitos.

Graficamente é um jogo bonito, com os já tradicionais cenários e personagens pintadas à mão. As cutscenes são inteiramente animadas, fazendo-me lembrar vários desenhos animados europeus das décadas de 80 ou 90. Infelizmente achei-as uns furos abaixo de jogos mais recentes como The Night of the Rabbit ou Memoria, mas é bom ver a Daedalic a evoluir nesse aspecto. As músicas vão sendo variadas, com alguns bons temas, como a faixa-título e variantes, mas outros sinceramente não achei assim tão bons. Algo que também não está tão bom como em outros jogos da Daedalic é o voice-acting. Para além de a personalidade de Sadwick já ter uma auto-estima nula, a sua voz é demasiado anasalada, o que para mim foi bastante irritante. Isso, aliado ao exagero no papel de “coitadinho”, acho que a Daedalic por vezes se esticou demasiado. No entanto ainda encontrei algumas personagens bem conseguidas, como o avô senil de Sadwick, ou Bando, o faz-tudo na fábrica de pérolas.

The Whispered World não reinventa a roda, e apesar de ter a sua quota-parte de puzzles ilógicos como muitas outras aventuras gráficas, acaba por cumprir bem o seu papel. A Daedalic entretanto foi evoluindo e com o passar dos tempos foi refinando cada vez mais a fórmula. Estou bastante curioso para ver como se sairá este The Whispered World 2, em primeiro lugar, para ver como vão dar continuidade à história e, caso utilizem as mesmas personagens, se o carácter de Sadwick se tornou mais maduro. Ou não.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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