Deus Ex (PC / Sony Playstation 2)

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Jogo para PS2 completo com caixa e manual

Após uma enxurrada de artigos de jogos indie, uns melhores que outros, eis que volto a trazer um jogo de peso aqui ao tasco. Vindo da Ion Storm, estúdio que outrora albergou alguns pesos pesados da indústria como Tom Hall, John Romero ou Warren Spector (este último presente na criação deste jogo), Deus Ex é um jogo saído originalmente para PC que foi pioneiro em misturar a jogabilidade de um first-person shooter com elementos stealth e RPG, permitindo aos jogadores customizarem a personagem principal à sua medida, com as decisões tomadas no jogo e seus diálogos a terem algum peso no desenrolar da aventura. Eu possuo ambas as versões deste jogo, para PC (através da compilação Deus Ex Complete que inclui a sua sequela) e a versão PS2. Apesar de serem ligeiramente diferentes, resolvi incluir as duas versões no mesmo artigo. Contudo, a base do artigo será sobre a PS2, versão que decidi jogar de forma a me re-habituar a jogar shooters 3D com um comando da Sony, algo que me será útil no futuro. A colectânea no PC foi comprada na Amazon UK por uma bagatela, já a versão PS2 na loja portuense TV Games. Cada uma ficou-me algo entre os 5/6€ provavelmente.

Deus Ex Complete PC

Deus Ex Complete para PC. É uma idiotice o jogo vir numa caixa tão grossa quando o manual está em pdf…

Deus Ex coloca o jogador num futuro distópico no ano de 2052, numa sociedade tecnologicamente bastante avançada, contudo com imensos problemas sociais, entre os quais um enorme fosso entre ricos e pobres. Com o surgimento de uma nova praga (Gray Death) que dizima grande parte da população, e a única vacina existindo apenas em muito pouca quantidade, sendo que apenas aqueles com poder e riqueza lhe conseguem ter acesso, diversas organizações terroristas anti-governamentais começam a surgir um pouco por todo o lado. Encarnamos então no papel de JC Denton, um soldado high-tech do grupo de intervenção UNATCO para combater estas ameaças terroristas. JC está equipado da mais recente nanotecnologia, conferindo-lhe diversas habilidades sobre-humanas, algo que terá um papel fulcral na jogabilidade. Com o decorrer do jogo, iremos descobrir que existe uma grande conspiração à volta de Deus Ex, envolvendo diversas organizações como governos, os Illuminati, Majestic-12, tríades chinesas ou tecnologias extra-terrestes vindas da Área 51.

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Ecrã inicial de selecção de skills

Das coisas que mais marcou Deus Ex aquando da sua estreia, foram os elementos RPG inseridos na jogabilidade. Como em muitos RPGs ocidentais, inicialmente temos um certo número de pontos a serem atribuídos a várias skills, tais como lockpicking, computers (para os hacks), maior habilidade com certas armas, outras mais físicas como nadar melhor, entre outras. Ao longo do jogo, enquanto vamos completando objectivos ou descobrindo caminhos/localizações secretas ou alternativas, vamos ganhando mais alguns skill points para atribuir. Para além disso, vamos encontrando algumas tecnologias de “Augmentation“, que nos permitem ganhar ainda novas habilidades e evolui-las. Coisas como ter força sobre-humana, correr e saltar mais, regenerar vida, ou a minha preferida: soltar uma pequena drone teleguiada capaz de desabilitar robôs e outros equipamentos electrónicos à sua volta. Para além do mais, as armas que vamos encontrando também podem sofrer upgrades, que lhe aumentem a precisão, o tamanho do clip, menor tempo de reload, silenciadores, miras telescópicas, entre outros. Ora tudo isto conjuga-se na criação de personagens versáteis, ou mais dotadas para um género específico de jogabilidade e encarar os desafios.

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Paul Denton, irmão de JC e igualmente repleto de nanotecnologia

Posto isto, a Ion Storm apresentou um jogo em que o mesmo problema pode ser resolvido por diversas maneiras. Tanto nos podemos mandar “à Rambo” por uma sala dentro e matar tudo o que mexa, podemos apostar antes em armas não letais, ou simplesmente por uma abordagem mais “stealth” e esgueirarmo-nos por recantos de forma a não sermos descobertos. Uma porta trancada? Tanto podemos arrebentar com ela, como a destrancar utilizando lockpicks, utilizar códigos electrónicos ou fazer bypasses electrónicos. Fica ao critério do jogador, sendo que por vezes somos mesmo obrigados em seguir uma determinada abordagem. Já que falo nos hacks, surge então a primeira grande diferença entre as duas versões do jogo. No PC, podemos mesmo tentar adivinhar os logins dos computadores, ou pins de portas. Na PS2, como não existe um suporte “oficial” a teclado, essa funcionalidade foi retirada. Sendo assim para acedermos a diversos conteúdos informáticos resta-nos fazer hack temporariamente, ou então obter os códigos de acesso pelos intervenientes ou espalhados em “datacubes”. Sim, porque no futuro todos nós vamos escrever no nosso tablet à vista de toda a gente os PINs bancários e dados de acesso aos nossos PCs.

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Decisões difíceis… ou às vezes nem tanto.

O inventário é outra grande diferença. Na versão PC o mesmo é baseado numa grelha de tamanho fixo – tipo o inventário de Resident Evil 4, pelo que temos de acomodar os items à melhor maneira. Já na PS2, os items estão divididos em categorias, desde consumíveis gerais (alimentos, bebidas, e outros), medkits e regeneradores de energia, armas brancas e outros alocados para armas de fogo. Em todas as categorias podemos ter todos os tipos de items, com um número limite, excepto as armas de fogo em que só podemos obter quatro. Ao longo do jogo vamos encontrando imensas armas de fogo, pistolas, shotguns, metralhadoras, sniper rifles, lança rockets, chamas, etc, sendo que teremos de alternar entre apenas 4, que reflictam o nosso estilo de jogo, ou que resolvam algum problema inesperado. Não que me incomode o facto de apenas podermos carregar um número limite de armas, afinal de contas é algo utilizado constantemente hoje em dia, mas quando modificamos as armas para obter um melhor desempenho, isso não fica associado à categoria da arma, mas à arma em si que carregamos no momento. Portanto o que eu fiz foi manter um conjunto base de armas “todas kitadas” que usava com mais regularidade, e quando fosse necessário mudava apenas temporariamente para uma nova arma encontrada por aí. Para além do modo singleplayer, a versão PC possui (por intermédio de uns patches lançados após a versão inicial) algumas vertentes básicas de deathmatch. A PS2 não tem qualquer multiplayer.

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Outra novidade no port para a PS2 foi a inclusão de cutscenes em CGI (foleiro) na introdução e nos 3 finais possíveis.

Passando para a parte técnica, poderei referir logo outra grande diferença entre as versões. No PC, os mapas são enormes para a altura em que o jogo foi lançado. Existem algumas quebras com loadings, mas os mesmos são bastante rápidos. Na PS2, visto que este é ainda um dos primeiros jogos da plataforma, por limitações de memória tiveram de reestruturar os mapas, dividindo-os em vários segmentos, separados por loadings mais demorados. Graficamente, analisando as 2 versões oficiais, é a versão PS2 que leva a melhor, apresentando mais polígonos nas suas personagens o que leva a um maior detalhe. Infelizmente o jogo apresenta severos problemas de quebras de framerate. Em combates com um maior número de inimigos ou efeitos gráficos como explosões, existem slowdowns bastante perceptíveis e incomodativos. Visto a versão PC correr nativamente em resoluções maiores, e existirem diversos mods que melhoraram as texturas utilizadas no jogo, para quem procura a melhor experiência audiovisual de Deus Ex, certamente o PC é a plataforma escolhida. Isto porque mesmo a própria banda sonora na PS2 sofreu algumas alterações, já a da versão original sempre foi bastante elogiada. No que diz respeito à jogabilidade, a versão PS2 sofreu algumas alterações que simplificaram algumas coisas. Isto tanto agradou a algum público, como desagradou a outros. O que é certo é que a sequela Invisible War apresenta esta jogabilidade mais simplificada tanto nos PCs como na Xbox (ainda não joguei o Human Revolution). Ainda assim, logo pelos problemas de framerate e loadings chatos, não recomendo a versão PS2 para quem tiver a hipótese de jogar no PC.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em PC, PS2, Sony. ligação permanente.

2 respostas a Deus Ex (PC / Sony Playstation 2)

  1. Aqui está um jogo que sempre tive curiosidade em experimentar, ainda para mais com a quantidade de mods que devem de existir por ai. Com um protagonista com esse aspecto espero bem que haja um mod que lhe dê falas do Schwarzenegger 🙂

    • cyberquake diz:

      Sei que existem mods, mas não experimentei nenhum. De qualquer das formas, apesar de a jogabilidade já estar um bocadinho desactualizada, só pela história e pelas questões éticas que são levantadas, acho que vale bem a pena. 🙂

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