Amnesia: The Dark Descent (PC)

Comprei o Humble Indie Bundle 5 principalmente por este jogo. Ouvi e li imensas opiniões que o jogo era incrivelmente assustador, surgiram imensos vídeos no youtube de gente a jogar e a berrar como menininhas assustadas, videos esses que pouco vi para evitar spoilers. Sempre pensei que era tudo um bando de “pussies” que se assustariam com qualquer coisa, mas no entanto fiquei bastante curioso em querer experimentar o jogo. Eis que em meados deste ano o Humble Indie Bundle lança então o seu quinto bundle, repleto de jogos aclamados pela crítica, incluindo Super Meat Boy, Bastion, este Amnesia, entre outros. Nem pensei duas vezes ao comprar o bundle e quando começo com este Amnesia… “I was in for a treat.

screenshotNão quero entrar em muitos detalhes sobre a história, pois iria estar a estragar a piada do jogo. Amnesia decorre no século XIX, onde encarnamos na personagem Daniel, que acorda sozinho num misterioso castelo, sem memórias do que lhe aconteceu e de como foi lá parar. À medida em que Daniel vai explorando o castelo, vai encontrando algumas notas espalhadas que vão contando um pouco do background que o trouxe lá, ou mesmo sofrendo alguns “flashbacks” de acontecimentos que tenham decorrido em algumas salas no castelo. Das primeiras coisas que Daniel sabe, é quando encontra uma nota escrita para si mesmo, em que diz que Daniel tomou uma poção misteriosa para perder a memória e que deveria assassinar Alexander, o barão dono do castelo de Brennenburg, onde nos encontramos. Não me quero alongar mais na história, apenas refiro que o ocultismo é um tema central em Amnesia.

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Pode não parecer, mas esta sala vai dar algum jeito. Convém é desligar a lamparina.

A jogabilidade é a de um first person shooter, mas sem o shooter. A movimentação é em primeira pessoa, onde podemos interagir com o cenário envolvente e diversos objectos. Em certos pontos do jogo iremos encontrar algumas criaturas assustadoras, mas passamos todo o jogo completamente indefesos, pelo que a única coisa a fazer é fugir, fugir, fugir e escondermo-nos nalgum local onde as ditas criaturas não nos encontrem. Tal como Eternal Darkness, a sanidade representa um contexto importante. Permanecer na escuridão por muito tempo, ou observar uma criatura ou situação chocante, faz-nos baixar o nosso nível de sanidade. Assim que isso acontece, a visão do jogador começa a ficar turva e começamos a alucinar, ouvindo ruídos estranhos. Quanto mais baixo for o nível de sanidade, maior será o chamariz para as criaturas próximas nos encontrarem. Com um nível demasiado baixo, Daniel desmaia temporariamente, ficando extremamente vulnerável a ataques de outras criaturas. Por outro lado, andar em locais demasiado iluminados, ou deixando a nossa “lanterna” sempre ligada também serve de chamariz para sermos atacados. Assim sendo é muito importante dosear o balanço entre luz e escuridão em Amnesia. Outro aspecto interessante é que nem todas as criaturas que nos atacam são visíveis. Uma das cenas mais conhecidas em Amnesia é a de uma criatura que nos persegue em algumas secções inundadas com água. Essa criatura é invisível e persegue o jogador sempre que o mesmo toca na água, sendo que a única maneira de sabermos onde a criatura esteja, é olhando para as “pegadas” que vai deixando na água, à medida em que se desloca.

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Amnesia apresenta alguns locais bem bonitos, mesmo que sejam algo sinistros.

Como muitos outros survival horrors, Amnesia também tem bastantes puzzles, em que muitos a interacção de objectos acaba por ser fundamental para os resolver, coisa que a engine utilizada neste Amnesia permite uma competente manipulação dos objectos que nos rodeam. Os puzzles são variados e vão desde utilizar material de laboratório para produzir uma série de poções, aos tradicionais puzzles com válvulas ou outros puzzles mecânicos, bem como outros mais  adaptados ao clima de terror que prefiro não divulgar. Jogos de aventura ricos em puzzles geralmente puxam muito para a exploração, tal como é o caso em Amnesia. O castelo de Brennenburg é enorme, repleto de salas para explorar onde poderemos encontrar diversos items, pistas ou mesmo algumas surpresas (des)agradáveis que façam parte da aventura. Para além de items relacionados com puzzles, existem outros consumíveis, como poções que restauram saúde, óleo para a lamparina ou “tinderboxes” que servem para acender as velas, candelabros ou torchas que se encontram espalhadas pelo castelo. Mas tal como referi anteriormente, manter tudo iluminado pode não ser uma ideia muito boa…

Mas mais que uma história inteligente e puzzles interessantes, é o clima de medo e terror constante que Amnesia marca os seus pontos. A engine utilizada é competente,  apresentando um castelo bastante elaborado, repleto de diferentes paisagens. É precisamente em toda a envolvente atmosférica que Amnesia mais brilha. Salas e corredores absolutamente sinistros são coisas que nunca faltam, e raramente temos momentos em que podemos ficar realmente descansados que nada de mal irá acontecer. Os bons visuais são majestosamente complementados por um exímio trabalho na parte sonora. A música é sempre desconcertante, e em certas localizações do castelo, estamos constantemente a ouvir gemidos, choros e berros de outras vítimas, mesmo que tenhamos a sanidade normal. A prisão foi para mim o momento do jogo em que o factor medo foi mesmo muito bem conseguido. Amnesia obriga-nos mesmo a jogar com o máximo de cuidado possível, avançar no jogo devagarinho, espreitando na esquina se as coisas estão seguras antes de prosseguir, e isto muitas vezes na escuridão. O clima de insegurança é constante, e para além de o ambiente já ser de cortar à faca, Amnesia ainda nos vai proporcionando uma série de pequenos sustos, com portas a abrir/fechar repentinamente, objectos caírem, grunhidos vindos do nada, entre outros.

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É melhor correr. E muito.

Para quem gosta de survival horrors, recomendo vivamente que experimentem este Amnesia, se é que ainda não o fizeram. Hoje em dia, quem comprar o Amnesia recebe mais algum conteúdo de bónus. Um é um pequeno e-book chamado “Remember”, que vai contando uma série de pequenas histórias de personagens ligadas ao Amnesia. O outro é um DLC intitulado Justine. Justine é um pequeno jogo com uma história separada (embora com algumas ligações) da principal, onde encarnamos um prisioneiro que escapa de uma masmorra e tem de percorrer uma série de testes à lá Saw, mas ao invés de se salvar a si mesmo, os testes são para salvar 3 diferentes prisioneiros que encontramos. Também existem criaturas horríveis pela frente, mas o nível de medo e insegurança não é tão forte como no jogo principal. A Frictional Games já tinha desenvolvido anteriormente alguns jogos de terror utilizando as mesmas tecnologias, nomeadamente a série Penumbra. Irei comprar esses jogos num futuro a curto/médio prazo, muito provavelmente numa steam sale. Entretanto no próximo ano irá sair a sequela deste Amnesia, que pela informação que já circula por aí, promete.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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3 respostas a Amnesia: The Dark Descent (PC)

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