Rygar: The Legendary Adventure (Sony Playstation 2)

screenshotEste é o jogo em que God of War se inspirou, na minha opinião. É também um hack and slash com mitologia greco-romana, e com uma história de aspirações épicas, mas na minha opinião ficou algo mal executado. Ou pelo menos não envelheceu assim tão bem. É curioso lembrar que este jogo é um remake de um outro hack and slash em 2D que saiu originalmente na década de 80 nas Arcades e algumas consolas caseiras. A minha cópia foi comprada na loja Prameta no Porto, tendo-me custado uns 5€. Está completa e em bom estado.

Rygar The Legendary Adventure - PS2

Jogo com caixa e manual

A história decorre na ilha mediterrânea de Argus, onde o guerreiro Rygar estava prestes a receber uma comendação militar qualquer por parte da princesa Harmonia. Nessa altura surgem uma série de Titãs (os “deuses” pré-Olimpo) que raptam Harmonia e começam a espalhar o caos. A história depois evolui de um clone de Super Mario Bros “go fetch your princess” para uma novela mexicana algo confusa com uma mãe que já não se lembrava do seu filho, uma deusa muito parecida com Harmonia, vilões que já não são vilões, entre outros. A história vai-se desenrolando de uma forma algo confusa mesmo, ou então foi culpa do meu sono. Para quem gosta de detalhes, ao longo do jogo vamos descobrindo uma série de textos que podem ser lidos posteriormente através de um menu.

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Harmonia, em CG

Rygar está equipado de um disco que tanto serve de escudo, ou para ser arremessado contra os inimigos, visto estar agarrado a uma corrente. Existem 3 discos diferentes que podemos encontrar, cada um com o seu set próprio de golpes. O primeiro disco (o disco de Hades) é o disco com maior alcance. O segundo é ideal para lutas com grupos de inimigos, visto que os seus golpes abrangem uma área ao redor do jogador, já o último disco tem um alcance muito curto, mas é bastante rápido. Para além de dar porrada, é possível invocar criaturas específicas de cada disco para auxiliar na batalha, mediante o valor disponível na barra de energia para o efeito. O disco de Hades serve para invocar Cerberus, o cão de 3 cabeças guardião do inferno de Hades, por exemplo. Tal como foi posteriormente feito em God of War, é possível recolher “orbs” mágicas à medida em que se vão derrotando os inimigos e destruindo alguns objectos do cenário. Essas orbs servem posteriormente para fortalecer de certa forma os discos, permitindo invocar formas mais poderosas das criaturas que referi acima. Para além das orbs, encontram-se também outros power-ups permanentes, que aumentam o dano ou a defesa de Rygar, bem como as mystic stones. Estas últimas podem ser equipadas nos discos, ficando os mesmos com alguns buffs positivos sempre que forem utilizados.

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Um dos bosses que encontramos

Infelizmente o combate em si era muito travado, faltando-lhe a fluidez de outros hack and slash que lhe vieram a suceder. Digo isto pois é algo difícil alternar a direcção com que ataca com o disco, tornando por vezes as lutas em grupos mais difíceis do que o deveriam ser. Os discos (que já agora eram chamados Diskarmor) viriam a ganhar outras habilidades que permitiam explorar ainda mais o mundo envolvente, sendo possível prender o disco numas esferas coloridas que vamos encontrando, permitindo fazer swing, hook ou lift entre várias plataformas. Esta componente de plataformas é exigente num dos últimos níveis, e visto o jogo utilizar uma câmara fixa, torna por vezes os saltos difíceis de fazer devido aos maus ângulos da câmara.

Graficamente o jogo não é nada de especial, mas também temos de considerar que foi lançado em 2002. Os primeiros níveis foram os que mais me agradaram e que mais se identificam com as arquitecturas greco-romanas antigas, com edifícios largos, repletos de colunas de pedra. Mas o que realmente me desiludiu foi o design dos inimigos, que me pareceu muito fraquinho e não exploraram em nada a mitologia em que o jogo se baseava, tirando um ou outro ciclope. O jogo tem também um ou outro boss imponente, sendo os restantes de tamanho mais normal, mas ainda assim foram as melhores partes do jogo, na minha opinião, obrigando a diferentes estratégias para os defrontar. Não tenho nada a dizer dos efeitos sonoros, já o voice acting acompanha a história medíocre do jogo. As músicas têm aquela sonoridade mais épica como é normal em God of War, mas ainda assim não as achei nada de especial. Ainda assim Rygar está repleto de conteúdo escondido, espalhado ao longo do jogo. Para além de todos os power-ups, referidos acima é possível encontrar items que desbloqueiam artwork, ou as músicas e cutscenes para se ver/ouvir no menu principal.

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Estes inimigos eram dos mais chatinhos, pois ficavam invisíveis temporariamente

No final de contas acredito que Rygar tenha sido um jogo interessante na altura em que saiu, e a influência que teve em God of War é inegável, pois o mesmo utiliza muitos conceitos introduzidos em Rygar. Ainda assim, com os controlos travados, uma câmara pobre e uma apresentação que deixa algo a desejar, não consegue ser dos jogos que eu recomende para a PS2. Existe uma conversão/remake mais recente deste jogo para a Nintendo Wii, mas sinceramente não faço ideia se melhoraram estes aspectos ou se incluiram algo mais que justifique a sua compra.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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4 respostas a Rygar: The Legendary Adventure (Sony Playstation 2)

  1. Eu lembro-me de ter jogado isto na PS2 de um amigo mas não gostei muito da jogabilidade pelos motivos que referiste. O da Wii pelo que li não há muita inovação face a este a não ser pelas macacadas que se podem fazer com o Wiimote e o moço ter cabelo branco e parecer saído de um anime. Pode ser que o compre, um dia, se o vir ao preço que custou o teu. 🙂

  2. Mike diz:

    Também comprei este no no Miau.pt a um preço parecido, mas por acaso achei este jogo uma daquelas pérolas antigas que se perdem com o tempo. Concordo que o jogo não tenha sido nada de especial, mas seria razão para ter sido ignorado desta forma. Além que todas as reviews que li deste jogo ( e eu também o comprovo) mostram que as semelhanças com GOW são inequívocas.
    Boa análise especialmente por recordares o que poucas pessoas recordariam 😉

    • cyberquake diz:

      Se calhar em 2002 até era um jogo porreiro, eu é que achei que envelheceu mal. Obrigado pelo comentário, em relação à tua ultima frase, o intuito deste blogue é ir documentando a minha colecção, hão-de aparecer outros que poucos recordam… 😛

  3. Willian Veloso diz:

    Estou jogando esse jogo e ate o momento, estou curtindo.

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