Speedball 2 (Sega Master System)

O primeiro Speedball teve uma conversão algo tardia para a Master System, tendo sido lançado 3 anos após o lançamento original no Commodore Amiga e outros computadores da época. A sequela já precisou de menos tempo para chegar às consolas da Sega, tendo chegado por cá algures em 1992. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures em Setembro deste ano por 5€.

Jogo com caixa e manual

E aqui muitas coisas mudaram face ao primeiro jogo. A arena é maior, as equipas são mais numerosas e o layout o campo/arena também é diferente assim como as suas regras. O jogo continua a ser uma espécie de andebol futurista e violento, onde a pancadaria entre jogadores é encorajada e a bola metálica, se carregada com energia, pode também ser usada como arma de arremesso. Mas agora podemos pontuar não só ao marcar golos na baliza adversária, mas também ao interagir em certos locais em cada arena de jogo ou mesmo após distribuir porrada suficiente nalgum jogador. As arenas possuem na mesma alguns pilares onde a bola sofre ricochete e ganha energia, bem como alguns painéis laterais que, se atingidos, nos atribuem alguns pontos. Para além disso, também temos os túneis que teletransportam a bola metálica de um lado do campo para o outro, bem como outras estruturas que nos permitem multiplicar os pontos obtidos se as activarmos.

Algumas das regras de jogo mudaram e agora é possível pontuar de outras formas também. A estrutura que está aqui ilustrada no canto superior direito é um multiplicador de pontos que pode ser activado

Também durante as partidas iremos ver inúmeros itens espalhados pela arena e que podemos e devemos apanhar. Os mais comuns são moedas que podem e devem ser usadas entre partidas para melhorar os stats da nossa equipa, em categorias como ataque, defesa, fadiga, agressividade, inteligência, entre outras. Os restantes power ups que aparecem nas partidas possuem efeitos diversos, podem melhorar temporariamente os stats do jogador em questão, ou piorar os da equipa adversária. Outros podem-nos dar invencibilidade temporária, sarar as feridas ou mesmo congelar a equipa adversária! De resto a nível de modos de jogo temos também aqui uns quantos. Para além do multiplayer para 2 jogadores que confesso não ter experimentado, temos o modo campeonato onde teremos de fazer 2 jogos contra cada uma das outras equipas e no final ganha quem tiver mais pontos. Temos também os modos knock-out e cup que são torneios por eliminatórias, com a diferença que no knock-out teremos de defrontar todas as equipas adversárias ordenadas das mais acessíveis às mais competitivas. Uma curiosidade interessante a apontar é que o jogo possui também um modo de management que pode ser usado nos modos de jogo League e Cup. Aqui apenas gerimos as equipas, quais os treinos que lhes damos no ginásio para melhorarem os seus stats e podemos inclusivamente participar no mercado de transferências de jogadores. Mas durante as partidas em si somos espectadores apenas.

As moedas que vamos apanhando durante as partidas podem ser usadas para melhorar os nossos stats entre partidas

Ora realmente este Speedball 2 acaba por ser uma boa evolução perante o primeiro jogo ao introduzir novos modos de jogo, novos conceitos na jogabilidade e mudar algumas das regras (agora também já não podemos subornar árbitros ou os treinadores adversários antes do próximo jogo). Mas passando para a acção propriamente dita, como é que este Speedball 2 se safa? Bom, esta versão Master System continua a ser um pouco lenta e pouco fluída. Graficamente temos mais detalhe no ecrã, mas sinceramente preferia ter uma câmara mais afastada que nos desse um campo de visão mais amplo, seria mais útil na altura de definir os passes. Um detalhe gráfico que é uma grande melhoria são os indicadores de fatiga/saúde de cada jogador, que surgem agora mais visíveis nas extremidades esquerda/direita do ecrã. De resto, o jogo possui uma introdução excelente e até com música agradável no ecrã título, mas as partidas são jogadas em silêncio, com algum ruído de fundo que simula o público e alguns efeitos sonoros durante o jogo. Entre partidas temos também algumas melodias muito breves.

Antes de cada partida temos este ecrã que nos mostra alguns dos stats, tanto da nossa equipa (Brutal Deluxe) com da adversária

Portanto este Speedball 2 é uma sequela que realmente trouxe muitas coisas novas perante o primeiro jogo e é fácil entender o porquê dos fãs desa série preferirem de longe esta sequela face ao original. Mas a conversão para a Master System ainda é um jogo algo lento e ainda não estou 100% convencido. A ver se me aparece a versão Mega Drive em breve e ver como essa se safou.

Speedball (Sega Master System)

Vamos voltar à Master System para mais uma rapidinha, desta vez a um jogo desportivo futurista. Speedball foi produzido originalmente em 1988 pelos britânicos The Bitmap Brothers para computadores como o Commodore Amiga e Atari ST, tendo sido posteriormente convertido para uma série de sistemas, incluindo esta versão para a Master System. O meu exemplar veio cá parar à colecção no passado mês de Novembro, através de uma troca que fiz com um amigo.

Jogo com caixa

Speedball é, como já referi acima, um jogo de desporto futurista. Mas mais que isso é também um jogo violento pois podemos e devemos andar também à batatada com os nossos oponentes. De resto, a bola (de metal) é passada através das mãos pelos diversos jogadores e a ideia é marcar golo ao introduzi-la na baliza adversária. No final do jogo, vence quem tiver mais golos marcados. As arenas são fechadas, pelo que é possível tabelar a bola nas suas paredes, existindo porém um túnel no centro do campo, que liga os lados esquerdo e direito ou seja, se atirarmos a bola pelo túnel esquerdo, ela irá aparecer com a mesma direcção no túnel direito. Também há algumas estruturas espalhadas pelo campo que deflectem a trajectória da bola, mas que não interferem com o movimento dos jogadores. Isto é o básico dos básicos da jogabilidade. A nível de controlos as coisas também são simples, quando temos o controlo da bola temos um botão para passar, outro para rematar. Quando não estamos no controlo da bola, o botão de passe tanto serve para atacar algum oponente, como para saltar e tentar apanhar a bola caso a mesma em circulação. Infelizmente não temos maneira de alternar o controlo entre jogadores quando não estamos em posse de bola.

Temos 3 modos de jogo distintos, se bem que o demo não deveria contar

E o jogo oferece-nos três modos de jogo distintos: Temos o Demo que é nada mais nada menos que ver duas equipas controladas pelo CPU, o versus para 2 jogadores e o modo de 1 jogador que é practicamente o mesmo que um modo de campeonato. Isto porque apesar de apenas podermos seleccionar uma de três equipas disponíveis, teremos de defrontar muitas mais, com a dificuldade a aumentar em cada confronto. O vencedor de cada partida é definido num esquema de “melhor de 3”, antes de avançarmos para o oponente seguinte. E como a dificuldade vai aumentando, teremos também de ter em conta uma série de power ups que vão surgindo na arena e usá-los para o nosso proveito. Alguns destes power ups são de efeito imediato, que podem ter efeitos tão diversos como regenerar os nossos níveis de fadiga ou piorar os dos oponentes, abrandar a equipa oponente, tornar a nossa invencível durante alguns segundos, tornar a bola numa arma de arremesso que irá atordoar os adversários que toque, entre outros. Também vamos poder coleccionar tokens que podem posteriormente ser usados no final das partidas para tentar ganhar vantagem através de maneiras mais ilícitas, seja ao extender o tempo de jogo, subornar o árbitro para nos atribuir um golo, ou o treinador adversário para que a equipa oponente jogue de forma mais fraca. Através deste método poderemos também melhorar os atributos da nossa equipa, ou piorar os das oponentes. E sim, este jogo sujo faz mesmo parte, e acho um conceito bastante original.

Não sei porquê mas estamos limitados a escolher uma de 3 equipas apenas

Agora a nível de performance, bom confesso que nunca joguei a versão original, mas tanto o Commodore Amiga 500 como o Atari ST são sistemas bem mais poderosos que a Master System pelo que acredito que esta conversão tenha sofrido um pouco. Isto porque a movimentação dos jogadores é um bocado clunky, estava à espera que fosse mais rápida. A nível gráfico é também um jogo muito simples, onde o seu ecrã título é sem dúvida o ponto mais atractivo. As arenas e equipas são muito idênticas entre si, há pouca variedade nos visuais e a música, bom essa apenas existe no ecrã título, tudo o resto são os sons do jogo e que sinceramente nem são nada de especial.

O pontapé de saída é dado por uma máquina que dispara a bola numa direcção aleatória

Portanto este Speedball até achei um jogo bastante interessante e original no seu conceito, porém a sua implementação para a Master System não me parece de todo ser a melhor. A opinião geral é que a sequela Speedball II é um jogo francamente superior, pelo que estou curioso para ver também como se saiu na Master System, se bem que também temos uma versão Mega Drive, mas essa ainda não arranjei. De resto convém também mencionar uma curiosidade interessante: esta versão da Master System foi lançada originalmente pela Image Works em 1991, enquanto a Virgin acabou por o relançar (com uma imagem nova) em 1992.

Z (Sega Saturn)

Não sou o maior fã de jogos de estratégia, mas o jogo que cá vos trago hoje até que é bastante interessante! Z, produzido origininalmente pelo estúdio britânico The Bitmap Brothers para PC, viu também conversões para consolas como é o caso desta versão Sega Saturn e Playstation, embora estas se tenham ficado apenas em solo Europeu. O meu exemplar foi comprado algures no mês de Março numa feira de velharias por 2€.

Jogo com caixa e manual português.

Neste jogo controlamos um exército de robots vermelhos contra um outro exército de robots azuis (era tão bom que fosse ao contrário!!) em combates ao longo de diferentes planetas. Cada exército controla um forte no mapa e tem como objectivo destruir o forte inimigo. Para além disso poderemos conquistar outras secções do mapa que possuem fábricas que nos permitem construir outros robots e veículos e outros edifícios como oficinas que nos permitem reparar os veículos. Tipicamente, também espalhados pelos mapas estão alguns veículos ou canhões vazios que podem ser prontamente equipados por quem lá chegar primeiro.

Impossível o Zod não ser uma homenagem a Killgore de Apocalypse Now!

Portanto, como muitos jogos de estratégia em tempo real, o objectivo acaba por ser o de multi tasking, pois controlamos inicialmente um número reduzido de soldados e temos de ter a preocupação de construir as melhores unidades possíveis e mandá-las para conquistar os territórios inimigos, onde lentamente lhes vamos prejudicar a sua capacidade de produção e regeneração de veículos e soldados. Outra estratégia que podemos ter é a de destruir todas as fábricas controladas pelo inimigo, mas eu prefiro usá-las em nosso proveito. No entanto este é um jogo mais simples que alguns dos seus contemporâneos, na medida em que não temos de nos preocupar com economia de recursos para construir novos robots ou veículos. Basta tempo! Depois claro, vamos tendo diferentes tipos de infantaria e artilharia para construir e usar, uns mais poderosos que outros. Mas só os vamos desbloqueando à medida em que progredimos no jogo.

Ao contrário de outros RTS, aqui não precisamos de nos preocupar com recursos para construir coisas.

A jogabilidade é em tempo real e os controlos são típicos de um esquema de rato e teclado, pelo que dava muito jeito o rato da Sega Saturn. Supostamente o jogo até o suporta, mas eu é que não tenho um. Ainda assim lá podemos seleccionar unidades individuais ou em grupo e comandá-las a mover-se pelo mapa, ou a atacar alvos específicos. Comparando com a versão PC, neste campo esta fica nitidamente uns furos abaixo, até porque temos uma área activa de jogo mais reduzida, pois o mapa está aqui mais ampliado.

Mas o que mais me agrada neste jogo é sem dúvida o seu sentido de humor. A personagem da capa é o Comandante Zod e esta é facilmente uma referência ao excêntrico Tenente Coronel William Kilgore do clássico filme Apocalypse Now. Entre cada missão temos sempre algumas cutscenes bem cómicas entre os robots pilotos da nave que transporta o exército entre missões e o tal Zod. Para além disso, gosto bastante do design dos robots, está muito bem conseguido e ao longo do jogo também podemos ver as suas expressões faciais e frases que nos vão dizendo, algo que também me agradou bastante.

Combustível de foguetão, a cerveja dos robots!

Graficamente este é um jogo simples, nitidamente 2D, mas que sinceramente, com todos aqueles pequenos detalhes dos diálogos entre as tropas e as cutscenes entre missões, acaba por resultar muito bem! As músicas também são agradáveis e pelo meio lá temos algumas faixas mais rock que me agradam bastante!

Mais um screenshot da versão PC que tem sido practicamente impossível de encontrar screenshots da versão Saturn

No fim de contas este jogo acabou por ser uma óptima surpresa. Mesmo eu não sendo o maior fã de jogos de estratégia em tempo real, é fácil ver que o jogo possui um charme muito característico. É uma pena que os Bitmap Brothers já não estejam na máxima força desde o final dos anos 90, pois seria interessante ver um remake (em 2D!) deste jogo.

Gods (Sega Mega Drive)

GodsMais uma rapidinha para a Mega Drive, a um jogo que quando era mais novo e o joguei pela primeira vez em emulador nunca me deixou muito entusiasmado. Mas com o burburinho que tenho visto por aí em vários sítios ao apelidá-lo de uma hidden gem, despertou-me novamente a curiosidade e quando finalmente tive a oportunidade de o comprar a um bom preço, acabou por me desiludir uma vez mais. Mas não é um jogo mau. Entretanto o meu exemplar foi comprado algures durante o passado mês de Dezembro na Player (antiga Virtualantas), no Porto por 3€, após ter servido de moeda de troca de um outro jogo que eu tinha repetido para a Mega Drive.

Gods - Sega Mega Drive
Jogo com manual multilínguas. Infelizmente o cartucho está cheio de stickers, era de algum videoclube. A artwork é óptima, embora esta versão esteja algo censurada, faltando as espadas nas mãos do nosso herói

O jogo é levemente baseado na mitologia grega, onde 4 guardiães de qualquer coisa invadiram a cidade dos deuses e os mesmos oferecem uma recompensa, na forma de concederem um desejo ao mortal que conseguir derrotar os guardiães e reconquistar a cidade. Pois bem, um herói chegou-se à frente e o seu único desejo é o de se tornar num próprio deus iguais aos restantes do Olimpo. O seu nome é Hércules.

screenshot
O sistema de inventário apenas nos deixa carregar 4 coisas de cada vez

A jogabilidade é provavelmente a coisa mais interessante deste jogo, visto ser o misto de um platformer, shooter e com puzzles para resolver. O jogo está dividido em quatro áreas diferentes, incluindo a tal cidade, um templo ou um labirinto, todos eles divididos em vários níveis com um boss final, um dos tais guardiães. O objectivo acaba sempre por ser o de chegar à saída de cada nível e derrotar os bosses, mas a maneira como é feita é que é o diferencial neste jogo. De platformer temos claro os conceitos de saltos de plataformas, saltos esses que por vezes são até algo exigentes. De shooter temos o facto de podermos comprar e equipar até 3 diferentes armas  a serem usadas em simultâneo, com vários projécteis que fazem o nosso herói parecer uma nave do R-Type com 2 pernas. A parte dos puzzles existe pois temos um inventário que pode albergar até 4 items, como chaves que nos permitam abrir portas, ou outros objectos que poderão servir também para desbloquear acesso a passagens secretas com itens que nos aumentam a pontuação/dinheiro e para além disso também temos várias alavancas para interagir. Isto faz com que exista algum backtracking em cada nível.

screenshot
Existem lojas onde podemos comprar vários powerups, como armas melhores

Depois temos a dificuldade e a forma como a mesma se comporta. Aparentemente o jogo consegue ser um pouco mais gracioso para os jogadores mais rookies, recompensando-os com mais itens que regenerem a nossa “barra de energia” ou mesmo vidas extra, mas sinceramente não o joguei vezes suficientes para reparar nesse aspecto. Depois a posição dos inimigos e o momento em que os mesmos surgem no ecrã são todas activadas com base nas nossas acções e para onde nos vamos movendo. Por essa razão, este Gods é um jogo que recompensa quem tenha paciência e vá avançando de forma mais lenta e cuidadosa ao longo dos níveis. Isto porque podemos ser logo rodeados de vários monstros que não morrem logo de um momento para o outro e podem-nos fazer a vida muito negra.

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Os bosses também costumam ser grandinhos e chatinhos

Mas o que não gostei neste jogo, para além do movimento não tão fluído da nossa personagem, foi mesmo da pouca variedade de gráficos. Não que seja um jogo muito feio, mas estar a ver sempre os backgrounds demasiado parecidos entre si acaba por cansar um pouco. Por outro lado temos músicas excelentes, e sinceramente cada vez mais começo a notar essa particularidade na maioria dos jogos desta época e de origem britânica que tenho jogado até agora, muitos têm músicas muito boas.

Depois temos também alguns pormenores interessantes, como o sistema de dicas que o jogo nos vai dando, ou a maneira não convencional que temos em tentar apanhar alguns itens que não conseguimos alcançar: esperamos que apareça um ladrão, apanhe o loot, e depois temos uma curta margem de tempo para o apanhar. No fim de contas acho este Gods um jogo original, não lhe retiro esse mérito, mas como um todo acaba por não me agradar assim muito. Tal como referi acima, teria muito mais a ganhar se houvesse uma maior variedade nos visuais e também controlos mais fluídos.