The Addams Family: Pugsley’s Scavenger Hunt (Super Nintendo)

Depois do filme The Addams Family, onde a Ocean aproveitou para produzir um jogo de plataformas, lançado em múltiplos sistemas, incluindo a Super Nintendo, a empresa britânica não perdeu muito tempo em lançar um outro jogo que herda as mesmas mecânicas base, mas com uma dificuldade muito mais acentuada. Para além disso, desta vez decidiram-se basear na série de animação, em vez do filme. O meu exemplar foi comprado algures em Outubro numa Cash Converters por 8€, mas só me chegou às mãos no mês seguinte.

Cartucho apenas

Ora, tal como devem imaginar, neste jogo controlamos o pirralho Puggsley, com a simples missão de coleccionar uma série de itens, tão banais como tinta de polvo, queijo com bolor, veneno de aranha ou fogo de dragão. Para isso teremos uma vez mais a mansão Addams a servir de hub entre cada mundo, se bem que desta vez as coisas são mais lineares, isto porque basta entrar numa das divisões da casa que somos logo transportados para um outro mundo repleto de níveis lineares até chegar a um boss.

Tal como no jogo anterior temos vários puzzles de blocos secretos e interruptores

As mecânicas de jogo, tal como referi acima, são muito similares às do jogo anterior, com um botão para correr e outro para saltar, este que é agora o nosso único método de ataque para os inimigos. O problema é que o jogo é muito mais difícil que o anterior, pois os controlos são mais escorregadios (há mais inércia), a barra de vida de Pugsley nunca vai para além dos 3 corações, e temos ainda mais inimigos e obstáculos para nos desviar em cada nível. É quase impossível a certa altura não sofrer dano, e itens como corações que nos regenerem a barra de vida ou vidas extra não são tão comuns assim. Para além desses itens temos também dinheiro, que poderemos coleccionar para ganhar vidas extra, assim como os pontos obtidos, a cada 50K, se bem me recordo, nos dão uma vida extra. Portanto, com cuidado, devemos ter a preocupação de apanhar todos estes coleccionáveis e destruir o máximo de inimigos que conseguirmos, pois todas as vidas que conseguirmos amealhar serão bem preciosas. Para além disto, tal como no primeiro jogo, teremos uma vez mais de procurar e activar uma série de blocos (por vezes em sequência, outras vezes estão invisíveis), para desbloquear saidas ou plataformas que nos permitam alcançar zonas que antes não conseguíamos. Temos também algumas passagens secretas para descobrir que geralmente se traduzem em mais pontos e/ou vida extra. Um detalhe interessante é mesmo as bolas de canhão disparadas e que temos de nos colocar em cima das mesmas, obrigando-as a seguir uma trajectória descendente de forma a destruir algumas paredes.

Antes de começar cada mundo surge um ecrã com um membro da família a mandar bitaites

A nível gráfico, o jogo usa o mesmo motor gráfico do anterior, pelo que contem com aquelas sprites algo pequenas, porém bem detalhadas, inimigos e níveis bastante bizarros, como casas de banho, cavernas, castelos fantasiosos ou mesmo o interior de um frigorífico. Vamos tendo alguns detalhes gráficos muito interessantes por vezes, como é o caso do nível da avózinha, que nos transporta para um castelo fantasioso dentro da sua bola de cristal. Então a nossa área de jogo é um círculo, com o fundo repleto de transparências e a imagem ampliada da avó Addams a ver o que estamos a fazer. Ou o nível da cave que é bastante escuro e a única fonte de luz é o capacete iluminado de Puggsley, que resulta em interessantes efeitos de luz. A banda sonora por sua vez é também agradável, sendo na sua maioria versões de músicas que já ouvimos no jogo anterior, no entanto.

Por vezes somos presenteados com alguns detalhes gráficos muito interessantes

Portanto este segundo Addams Family, apesar de ser um jogo competente nos seus gráficos e som, infelizmente abusaram um pouco na dificuldade, o que é pena. Temos também uma versão para as consolas 8bit da Nintendo, nomeadamente a Gameboy e a NES, sendo bastante diferentes desta versão. A ver se as apanho um dia destes!

Nightbreed (ZX Spectrum)

Continuando pelas rapidinhas, hoje voltamos ao mítico ZX Spectrum, o microcomputador 8bit da Sinclair que levou vários países europeus ao rubro. Nightbreed foi um filme de terror do início da década de 90, realizado por Clive Barker, já conhecido autor e realizador de livros e filmes do género. E tal como muitos filmes da década de 80 e 90, a britânica Ocean Software acabou por garantir os direitos para uma conversão para videojogos, que foi lançada para variados sistemas na altura. O meu exemplar foi comprado algures no final do ano passado na Feira da Vandoma no Porto por 5€. É um jogo 100% original.

Jogo em caixa com manual

O jogo tenta seguir mais ou menos a história do filme, onde encarnamos no Aaron Boone, que viaja até ao mundo de Midian, onde monstros vivem e outros seres renegados pela humanidade vivem, os chamados Nightbreed. Eventualmente coisas acontecem e temos de salvar os Nightbreed para além da nossa namorada Lori que por sua vez foi raptada pelo psiquatra/serial killer Dr. Phillip Decker… bom, perdi-me aqui pelo meio, tenho mesmo de ver o filme.

Os cenários até que estão bem detalhados para o Spectrum. O problema está mesmo na falta de cor das sprites que nos screnshots dificulta as coisas

Na sua essência, este jogo é um sidescroller/plataformas, com um bocadinho de Metroid pelo meio visto que teremos de explorar o cenário e fazer algum backtracking, seja para procurar itens, falar com alguns NPCs e por aí fora. Temos um botão para saltar e um outro para atacar, o que pode ser um nadinha frustrante visto que o nosso ataque principal é um pontapé quando alguns dos nossos inimigos estão equipados com metralhadoras e não têm medo de as usar. O sistema de saúde/vidas é interessante. Inicialmente dispomos 3 vidas que são identificadas com 3 caras humanas no canto superior direito do ecrã. Cada vez que sofremos dano, uma das caras vai-se transformando em caveira e assim que estiver completamente transformada, é como se perdesse uma vida e o dano que vamos recebendo começa a deformar a cara seguinte. Entretanto por vezes lá vemos umas bolhas de ar a percorrer o ecrã e sempre que as tocamos, a nossa vida vai regenerando. Entretanto, se já tivermos uma ou mais caveiras completes, essas não podem ser regeneradas, são mesmo vidas perdidas.

Portanto este acaba por ser um jogo desafiante, na medida em que inicialmente não sabemos muito bem o que fazer nem como recuperar dano perdido (e vamos perder muita vida), e o combate nem sempre é satisfatório pelo curto alcance dos nossos pontapés. Por outro lado, a nível audiovisual, este é um jogo decente para um ZX Spectrum, com cenários bem detalhados, que mostram um submundo demoníaco e desolador. Sendo este um jogo que suporta o ZX Spectrum 128K e respectivas variantes, existem também algumas músicas que vamos poder ouvir aqui e ali. Só é chato que esteja constantemente a pedir para carregar no play, stop e rewind quando andamos a navegar de um lado para o outro no mapa.

Soccer Kid (Super Nintendo)

Voltando à Super Nintendo e às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é mais um platformer europeu, com as suas origens nos microcomputadores como o Commodore Amiga, antes de ter sido convertido para os mais variados sistemas, entre os quais a Super Nintendo. É um jogo de plataformas algo original devido às suas mecânicas de jogo, com a personagem a usar a bola de futebol como principal mecânica de jogo. Na verdade é um pouco como o Marko’s Magic Football. O meu exemplar veio de um bundle de jogos de SNES e Nintendo 64 que comprei um dia a meias com um amigo meu, que acabou por ficar bastante barato, a menos de 1€ o cartucho.

Apenas cartucho

A história por detrás deste jogo é muito estranha: está quase aí o campeonato do mundo de futebol, mas uns aliens que percorrem o universo atrás de troféus querem roubar a taça do mundo! No entanto, a meio do processo a taça cai e parte-se em vários pedaços, cada um caindo em diferentes partes do globo. Nós somos um jovem rapaz que gosta de futebol, pelo que iremos percorrer os 4 cantos do mundo em busca dos pedaços da Taça, reconstruí-la e derrotar os aliens, para que o campeonato do mundo possa finalmente começar.

A nível de mecânicas de jogo é muito parecido com o Marko’s Magic Football

Assim começamos o jogo em plena Inglaterra, viajando depois para a Itália, Rússia, Japão e finalmente nos Estados Unidos, ao percorrer vários níveis de plataforma, onde podemos usar uma bola de futebol para atacar os oponentes que se vão atravessando no caminho, apanhar itens, ou mesmo até usar a bola para saltar mais alto e assim conseguir chegar a plataformas mais altas. Como é habitual em muitos dos jogos de plataforma ocidentais desta época, temos aí bastantes itens e power-ups, mas a maioria apenas serve para nos aumentar o número de pontos. Outros, como corações, servem para nos aumentar a barra de vida. Ao longo de cada nível podemos também procurar uma série de cromos de jogadores de futebol, muitas vezes bem escondidos em passagens secretas. A vantagem de os encontrar a todos é que desbloqueamos alguns níveis de bónus onde poderemos recuperar um dos pedaços da taça do mundo. Mas antes disso temos também um boss para defrontar.

A Nova Iorque é um dos últimos destinos, até porque o mundial de 1994 realizou-se nos EUA.

Este é um jogo que faz lembrar bastante o Marko’s Magic Football, pois ambos possuem mecânicas de jogo muito semelhantes. No entanto o jogo da Mega Drive está na minha opinião muito mais bem conseguido a nível audiovisual. Aqui os gráficos não são tão coloridos, detalhados e animados quanto no jogo da Domark, principalmente na personagem principal que não é nada carismática. Ao menos os outros inimigos lá vão tendo um look mais cartoon tipicamente europeu, que já me agrada mais. As músicas são agradáveis e alegres, mas nada que fique gravado na memória.

Portanto este Soccer Kid acaba por ser um jogo de plataformas minimamente competente, divertido quanto baste, mas comparando com o seu “rival” Marko, este último acaba por levar a melhor.

Robocop 3 (Super Nintendo)

Voltando às rapidinhas, hoje trago cá mais um jogo da Ocean, uma empresa britânica que desde cedo apostou em franchises conhecidas do cinema e da TV para desenvolver os seus videojogos. Curiosamente a franchise do Robocop foi das primeiras que a Ocean comprou e das que mais sucesso lhe trouxe no mercado europeu de microcomputadores. A versão ZX Spectrum do segundo jogo já foi inclusivamente aqui falada! Este meu exemplar é um que estará apenas temporariamente na minha colecção, isto porque é um bootleg que veio num bundle de vários cartuchos legítimos que comprei no mês passado, por menos de 1€ por unidade. Portanto eventualmente vou substituí-lo por um cartucho original, mas enquanto isso não acontece, fica já aqui este artigo. Edit: Arranjei recentemente um cartucho legítimo por 15€.

Apenas cartucho

Na sua essência este é mais um dos sidescrollers que muito se faziam na Ocean, mas não só. A maior parte dos níveis são então sidescrollers onde temos de ir do ponto A ao ponto B e defrontar uma série de inimigos com direito a um boss no fim. Para além da nossa arma que pode também ser disparada diagonalmente, iremos encontrar vários power ups como novas armas ou munições como projécteis mais poderosos, um lança chamas ou a capacidade de disparar em 3 direcções em simultâneo. Um pouco como o Spreadshot do Contra! Podemos ire alternando livremente entre cada arma que apanhemos, algo que devemos fazer com algum critério pois as munições são limitadas. Para além disso temos também vários itens que nos regenream parte da nossa barra de energia, e que bem vão ser precisos!

Temos um tempo limite para terminar cada nível, mas é provavel que morramos antes disso.

Isto porque tal como muitos jogos europeus desta época, a dificuldade era bem acima da média. Basicamente este é daqueles jogos em que é impossível não sofrer dano, pois temos inimigos sempre a surgir de todos os lados e a disparar sem critério. Então somos mesmo forçados a jogar um passo de cada vez e tentar minimizar o dano sofrido o mais que conseguirmos. Depois destes níveis de sidescrolling vamos tendo ocasionalmente alguns níveis aéreos, onde Robocop está munido de um jetpack e jogamos como se um shmup se tratasse. Aqui a jogabilidade também não perdoa muito, pela quantidade de inimigos e obstáculos que vamos atravessando. A boa notícia é que aqui temos munições infinitas, podendo tanto disparar balas pelo ar, como largar bombas para acertar em inimigos que estejam em terra.

Não me lembro de ter visto isto no filme!

A nível audiovisual é um jogo OK, nada do outro mundo, mas cumpre bem o seu papel. Os cenários vão sendo detalhados, mas não muito variados pois temos sempre cenários urbanos pela frente. O que seria de esperar, pois esta é uma adaptação do filme. As músicas e efeitos sonoros são também competentes, mas não propriamente memoráveis.

Para além desta versão, tal como as outras adaptações de filmes do Robocop, existem muitas outras versões inteiramente diferentes, lançadas para computadores e consolas como a NES. A Sega acabou por ganhar uma conversão directa desta versão da Ocean para a Mega Drive, Game Gear e Master System. Dizem que essas versões posuem uma jogabilidade mais acessível, pelo que serão também alternativas a ter em conta.

Multi-Racing Championship (Nintendo 64)

Continuando pelas rapidinhas, hoje trago cá um jogo de corridas para a Nintendo 64 que sempre me passou despercebido. O seu nome é estranho: Multi Racing Championship. Na verdade, a parte “multi” da coisa não é referente a múltiplas variedades de desportos motorizados, mas sim em corridas que misturam o off road com corrida em estrada. O meu exemplar foi comprado no mês passado, num bundle de vários cartuchos SNES e Nintendo 64 que comprei a meias com um amigo meu, tendo-me ficado a um preço muito em conta, menos de 1€ por cada cartucho.

Apenas cartucho

Mas infelizmente este não é dos melhores jogos de corrida que podem ter na Nintendo 64. Por um lado pela pouca variedade, existindo apenas 3 circuitos onde correr. Existe no entanto uma maior variedade de modos de jogo, o que me faz lembrar alguns dos Ridge Racers mais antigos. Mas ao contrário de jogos como o Sega Rally e Ridge Racer que tinham pouco conteúdo, este não possui uma jogabilidade tão boa quanto os clássicos. Temos à nossa disponibilidade 2 tipos diferentes de carros: todo-o-terreno e de estrada. Como as pistas são sempre mistas em pavimento alcatroado e terra/neve ou mesmo água, nem sempre os carros possuem vantagens. Fora de estrada, os veículos todo o terreno possuem uma vantagem natural em conseguir fazer melhor as curvas apertadas, enquanto que em piso alcatroado os carros de estrada atingem velocidades maiores. Cada carro pode ser customizado numa série de parâmetros como pneus, suspensões, aerodinâmicas, entre outros, o que poderá fazer a diferença mediante o circuito escolhido. Mas com apenas 3 pistas, nem valia a pena darem-se tanto ao trabalho…

Graficamente o jogo nem está nada mau

Existem vários modos de jogo como o Free Run e o Time Trial que consistem em modos de corrida livre para practicar, ou um contra-relógio para treinar os tempos. O vs é um modo multiplayer para 2 jogadores em splitscreen e os modos de jogo principais são mesmo o Championship e o Match. O primeiro, ao contrário do que se pensa, não é mesmo um campeonato, mas sim uma espécie de modo arcade, onde corremos num sistema de check-points com o relógio em contagem decrescente e teremos de ultrapassar os 9 oponentes ao longo de 3 voltas. Terminando a corrida voltamos ao ecrã inicial, onde poderemos outro modo de jogo ou outra corrida no modo campeonato. Vencendo as 3 corridas no modo campeonato desbloqueamos o Match, onde poderemos competir contra um único rival e desbloquear o seu carro. À medida em que vamos progredindo em ambos os modos de jogo, iremos desbloquear 2 carros secretos e os 3 circuitos em modo reverso. É muito mais conteúdo que um Sega Rally nos trouxe em 1995, mas esperava-se mais.

De certa forma o jogo também nos faz lembrar o Sega Rally, devido a termos o copiloto a nos instruir.

A nível técnico, este é um jogo colorido e minimamente bem detalhado. Apesar de existirem apenas 3 circuitos, os mesmos podem ser jogados em diferentes partes do dia e com diferentes condições metereológicas, desde manhãs enevoadas, dias solarengos ou chuvosos, ou mesmo à noite, o que foi um detalhe interessante. As músicas e efeitos sonoros é que não os achei nada de especial.

Portanto, para mim este não é um dos melhores jogos de corrida da Nintendo 64. O seu conceito de misturar pistas e carros de estrada e todo o terreno até é original, mas acho que não resulta muito bem e apesar das pistas até possuirem vários atalhos e caminhos alternativos, apenas 3 é pouco.