Ys: Oath in Felghana (Sony Playstation Portable)

O artigo de hoje é mais uma rapidinha a um jogo que já joguei há imenso tempo atrás. Na verdade, este Ys Oath in Felghana é um remake do Ys III: Wanderers from Ys, cuja versão PC-Engine já cá trouxe há pouco tempo. Foi lançado originalmente em 2005 no Japão e para o PC, tendo recebido posteriormente uma versão para a PSP que inclui ainda uma série de extras e essa versão acabou por ser localizada pela XSeed para um lançamento norte-americano. Infelizmente a Europa ficou novamente de fora. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu há uns anos atrás por 20€ se a memória não me falha. De original tem apenas o disco UMD, a capa é uma reprodução e não tenho manual. Está nos planos um dia substituir por uma versão mais completa, mas tendo em conta os preços actuais não me parece que tal vá acontecer tão cedo.

Jogo com capa repro

Ora este jogo possui a mesma história básica do Ys III original, sendo passado na zona de Felghana, mais precisamente na cidade natal de Dogi, Redmont, e imediações próximas. Apesar da história em si ser a mesma, neste jogo a narrativa foi bastante expandida, existindo muitos mais NPCs com os quais podemos interagir, imensos novos diálogos e até algumas sidequests adicionais. Também poderemos desbloquear novos modos de jogo como um boss rush, bem como outros extras como artwork.

A história foi expandida com mais personagens, diálogos e sidequests!

Mas não foi só a narrativa (e os audiovisuais) que foram melhorados. Todas as mecânicas de jogo também o foram! Todos os lançamentos do Ys III até à data eram sidescrollers em 2D, mas neste remake usaram o mesmo motor gráfico do Ys VI, que foi também utilizado posteriormente no Ys Origin, pelo que agora tanto a cidade de Redmont como as dungeons e outras localizações que iremos posteriormente explorar foram completamente renderizadas em 3D, permitindo-nos uma liberdade de movimentos total. As mecânicas de combate também foram revistas, com o jogo a permitir agora a realização de combos, ataques mágicos similares aos do Ys Origin e outras habilidades que poderemos desbloquear, como a possibilidade de executar saltos duplos. A possibilidade de nos teletransportamos entre estátuas localizadas em pontos chave também será desbloqueada, bem como o uso do boost mode. Outras particularidades próprias dos Ys deste milénio foram também trazidas, como os multiplicadores de experiência que vamos acumulando durante o combate, ou os drops deixados pelos inimigos que também nos podem melhorar temporariamente alguns dos nossos stats. Para além do grinding necessário para tornar a nossa personagem mais resiliente (que neste tipo de jogos nunca é muito aborrecido!) e o dinheiro que teremos de amealhar para comprar melhor equipamento, também teremos a possibilidade de melhorar as armas, armaduras e escudos com base nos minérios que poderemos encontrar ao longo do jogo. É sem dúvida um jogo bem mais completo a nível de jogabilidade!

As dungeons foram completamente redesenhadas em 2D mas ainda possuem um layout familiar para quem jogou alguma das versões originais

Já no que diz respeito aos audiovisuais, como referi acima todas as localizações foram redesenhadas de uma perspectiva 2D para 3D e os resultados foram muito satisfatórios. As dungeons continuam relativamente simples e com um design algo familiar para quem jogou as versões anteriores, mas foram também amplamente expandidas com novas áreas a explorar e segredos para descobrir. A nível gráfico eu diria que não se pode pedir muito mais a uma PSP, mas estou curioso para ver como a Falcom se safou com o Ys Seven, que foi desenvolvido precisamente com a PSP em mente e com um novo motor gráfico. Esta versão é baseado no Ys VI que planeio jogar em breve. Temos então cenários renderizados em 3D nas dungeons, mas todas as personagens e inimigos (excepto alguns bosses) são sprites em 2D. Sinceramente não desgosto da combinação. As músicas continuam excelentes. Temos direito a uma banda sonora regravada com instrumentos reais e as músicas tanto oscilam entre temas calmos, outros operáticos e os meus preferidos: temas bem mais hard rock com melodias de guitarra bem cativantes! Temos no entanto a opção de alternar para versões clássicas dessas mesmas músicas, nomeadamente as versões PC-98 e X68000, o que até é interessante! Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros e uma grande parte dos diálogos possuem voice acting, cujas interpretações vão variando um pouco na sua qualidade consoante a personagem e o actor que a representa.

Para além do jogo normal temos também um modo boss rush que podemos vir a desbloquear

Portanto este Oath in Felghana é um remake muito interessante de um Ys que de facto era bastante diferente dos demais. E acho que a Falcom esteve mesmo muito bem! Não só modernizaram o jogo, ao introduzir novas mecânicas de jogo introduzidas em Ys mais recentes, bem como expandiram toda a sua história. Já para não falar da transição do 2D sidescroller para 3D que a meu ver foi também muito bem implementada. Já do meu lado, segue-se o Ys IV, que planeio jogar tanto a versão PC-Engine, bem como o seu remake lançado originalmente para a PS Vita. Mas isso será tema para outra altura.

Ys III: Wanderers from Ys (PC-Engine CD)

Wanderers from Ys é o terceiro jogo desta série da Falcom que foi uma vez mais desenvolvido originalmente para uma série de diferentes computadores nipónicos, mas rapidamente recebeu também conversões para consolas como a NES, SNES, Mega Drive ou Turbografx-16 / PC-Engine. E aqui a Falcom decidiu experimentar algo novo, tornando Ys num RPG de acção mas com uma perspectiva completamente em 2D sidescroller, um pouco como as dungeons do Zelda II. A versão Turbografx-16 / PC-Engine foi desenvolvida uma vez mais pela Alfa System e publicada pela Hudson. O meu exemplar é a versão PC-Engine, que foi comprada no eBay algures no passado mês de Fevereiro por cerca de 10€.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Este jogo decorre então poucos anos após os acontecimentos dos primeiros 2 jogos da série, onde Adol, e o seu amigo Dogi, partem uma vez mais em busca de novas aventuras em terras distantes. E acabam por visitar a cidade de Redmont, terra natal de Dogi, e rapidamente descobrem que algo estranho se passa. Adol começa por explorar a mina próxima, para resgatar alguns mineiros que ficaram lá retidos após um acidente e rapidamente descobrimos que há ali uma conspiração para ressuscitar uma entidade maléfica há muito adormecida!

As dungeons são agora bem mais simples e lineares, mas infelizmente a nível gráfico ainda deixam algo a desejar.

Para além da perspectiva ter mudado para uma perspectiva 2D sidescroller, a outra grande mudança na jogabilidade perante os seus antecessores está mesmo na inclusão de um botão de ataque. Os 2 botões principais do comando da PC-Engine servem então para atacar e saltar, com o select, para além de pausar, abre um menu onde podemos gerir os save games, consultar o inventário ou as opções de jogo. Já o botão run serve para usar o item que tenhamos seleccionado no inventário. De resto esperem pelas mecânicas de jogo habituais na série, onde vamos apanhando anéis que, depois de equipados, nos podem conferir certos poderes como a regeneração de vida, aumentar o ataque, defesa ou agilidade. Também tal como o primeiro Ys não temos aqui magias, se bem que os poderes dos anéis usam uma barra de energia que poderíamos definitavamente apelidar de mana points. A nível de dificuldade, não é um jogo muito fácil, as dungeons apesar de serem bem mais simples e lineares estão repletas de inimigos, muitos deles surgem do nada e só no exterior é que a nossa barra de vida é que se vai regenerando. Podemos usar ervas que nos regenerem a barra de vida, mas apenas podemos carregar uma de cada vez. E os bosses, bom por vezes não há muito que podemos fazer para não sofrer dano, pelo que convém também fazer algum grinding para ganhar experiência e dinheiro que nos permita comprar equipamento melhor. Mas tal como os outros Ys que joguei, o grinding nunca é muito exigente e até se faz bem.

Vamos ter imensos bosses para derrotar e estar bem equipado e num bom nível já é meio caminho andado

A nível audiovisual confesso que fiquei um pouco decepcionado com este jogo, principalmente a nível gráfico. Os visuais não são nada de especial, a começar no design das próprias dungeons. Particularmente os backgrounds, que têm alguns efeitos de parallax scrolling mas que na PC-Engine não ficaram nada fluídos. Aliás, até o scrolling normal está repleto de quebras nesta versão o que é uma pena. A versão Mega Drive, que infelizmente nunca chegou a sair na Europa, não é muito diferente desta a nível gráfico, mas é bem mais fluída. Esta versão PC-Engine ganha, no entanto, no som. A banda sonora do Ys III está repleta de músicas excelentes e sendo este um jogo em CD, a banda sonora possui uma qualidade de topo em CD-Audio. Esta versão possui também algum voice acting que não é muito mau, mas tem os seus momentos cheesy. Também temos, no início e fim do jogo, algumas cutscenes no estilo anime que ainda estão longe da qualidade do que viríamos mais tarde a ver noutros jogos PC-Engine, mas estão uns furos bem acima das outras versões que existiam na altura.

As cutscenes da versão PC-Engine são de longe as mais detalhadas dos lançamentos da época

Portanto este não é um mau jogo de todo, embora prefira de longe a perspectiva mais tradicional que os restantes Ys usam. Este jogo foi convertido por uma grande variedade de sistemas e, tendo em conta as versões que saíram nos anos 80 e 90, esta versão PC-Engine acaba por ser a superior, na minha opinião. A banda sonora em CD-Audio é excelente e só perde mesmo no seu scrolling nada fluído e efeitos de parallax scrolling algo atrozes, o que sempre foi o calcanhar de aquiles da arquitectura da PC-Engine. E depois de uma outra conversão para a PS2 feita pela Taito em 2005 e que se ficou apenas pelo Japão, foi a própria Falcom que decidiu, no mesmo ano, lançar um remake completo deste jogo, abandonando a sua perspectiva 2D sidescroller e modernizando-o de certa forma. Esse excelente remake é chamado de Ys Oath in Felghana e irei cá trazer muito em breve um artigo do mesmo, pois já o terminei há uns anos.

Ys I and II Chronicles + (PC)

A série Ys sempre me despertou o interesse desde que vi um screenshot do ecrã título do primeiro jogo algures num catálogo da Master System. Mas essa versão não é propriamente barata nem nunca me apareceu a um bom preço… mas felizmente os dois primeiros Ys foram convertidos, remasterizados e refeitos vezes sem conta ao longo dos anos! Os remakes mais recentes têm por base os Ys Eternal, que sairam originalmente para PC em 1998 e 2000 no Japão, possuindo gráficos redesenhados em 2D e em maior resolução, bem como a história de ambos os jogos acabou por ser expandida e a banda sonora refeita. Essas versões foram a base do lançamento do Ys I & II Chronicles pela XSeed, que os localizou ambos para um lançamento no ocidente. Originalmente joguei-os na PSP (pirateados) e é essa a versão que gostava mesmo de ter na colecção, mas o seu preço tem vindo a se tornar cada vez mais proibitivo. Então acabei por comprar antes a versão digital para PC no Steam, algures há uns meses atrás por um preço muito mais convidativo, nalguma steam sale.

Os Ys são uma série de RPGs de acção, com uma jogabilidade frenética e tipicamente são acompanhados de uma excelente banda sonora. Os primeiros Ys possuem no entanto algumas particularidades mais old school que mesmo nestes lançamentos mais recentes não foram descuradas. A principal é, claro, a da não existência de um botão de ataque. Para atacar os inimigos temos simplesmente de ir contra os mesmos, mas tal como o jogo nos alerta logo no início da aventura, não devemos ir directamente contra os inimigos, mas sim num certo ângulo, para evitar sofrer dano. No entanto, com algumas destas conversões mais recentes, o facto de nos podermos mover na diagonal já é uma grande ajuda e tipicamente já sofremos muito menos dano atacando dessa forma. O facto de o primeiro e segundo Ys terem sido lançados juntos em muitos dos seus lançamentos ao longo de quase 35 anos não é por acaso: o primeiro Ys é um jogo incrivelmente curto e acaba por ser uma espécie de prólogo para a sua sequela, cujos eventos decorrem imediatamente após o final do primeiro jogo.

As dungeons possuem um design tipicamente labiríntico e temos de ter cuidado para não sermos encurralados por alguns inimigos

Aqui encarnamos então no jovem espadachim Adol Christin e o seus cabelos ruivos. Adol é um guerreiro de uma terra distante que procura novos desafios enquanto viajava de barco, acaba por naufragar e ir parar a uma praia de uma aldeia piscatória algures na ilha de Esteria. E à medida que vamos explorando aquela nova terra, vamo-nos apercebendo que a ilha foi invadida por demónios, coisas estranhas estão a acontecer e tudo parece estar interligado à terra de Ys, uma ilha flutuante que havia sido elevada para os céus há 700 anos atrás, para proteger a sua civilização da invasão demoníaca que estava a acontecer à superfície. Para quem, como eu, que tinha jogado primeiro o Ys Origin, já sabia de toda esta “lenda” por detrás. E é engraçado ver como o Ys Origin é na verdade todo um “fan service” pois inclui imensas referências aos primeiros dois jogos da série.

Naturalmente que teremos também vários bosses para enfrentar, cada qual com pontos fracos distintos

Ora então teremos alguns NPCs com quem conversar e lojas onde comprar itens e equipamento novo, mas a maior parte do tempo vai mesmo ser passado a explorar dungeons que vão sendo consideravelmente grandes e com um design bastante labiríntico. E apesar de não haver propriamente puzzles para resolver, o jogo tem uma quantidade considerável de backtracking na busca de itens que nos vão desbloqueando o acesso a certas partes dessas mesmas dungeons. Mas também é verdade que a jogabilidade rápida ajuda bastante e mesmo o eventual grinding que é necessário fazer para evoluir a personagem para sobreviver aos encontros com os bosses ou alguns inimigos mais poderosos acaba por ser bem mais agradável do que qualquer RPG com batalhas por turnos.

Estes remakes incluem arte redesenhada, se bem que poderemos alternar entre a arte das edições Eternal/Complete e a mais recente usada nos Chronicles, que por sua vez inclui algumas cutscenes anime.

O Ys II decorre logo após os acontecimentos do primeiro jogo, com Adol a ser transportado para a ilha flutuante de Ys, onde irá conhecer pessoas novas, mas também defrontar os verdadeiros vilões por detrás dos acontecimentos do primeiro jogo. Aparentemente nalguns lançamentos a transição entre o Ys I e II é mais fluída, com Adol a herdar o equipamento e os stats com que finalizou a primeira aventura, mas aqui temos de recomeçar do zero. E a jogabilidade é ligeiramente alterada, pois agora iremos desbloquear uma série de magias, como a possibilidade de lançar bolas de fogo, iluminar áreas escuras, entre outras, como a possibilidade de Adol se transformar num Roo, uma criatura fofinha capaz de entender a linguagem dos monstros e teremos inclusivamente de usar essa habilidade para atravessar certos obstáculos em alguns momentos do jogo. Ora isto torna os combates ainda mais fluídos pois podemos também usar os poderes mágicos para atacar à distância. Alguns bosses são completamente imunes a dano físico inclusivamente! De resto, as mecânicas de jogo são muito similares ao seu antecessor, mas Ys II é um jogo mais longo, com mais localizações para descobrir e explorar, tanto dungeons, como aldeias/cidades.

No Ys II já podemos usar magias e uma delas permite-nos transformar num Roo, onde não somos atacados pelos inimigos e mais, podemos até falar com eles.

Ao longo dos inúmeros relançamentos, conversões e afins, por vezes foram sendo incluídos algum conteúdo original. Estas versões Chronicles, que por sua vez são baseadas nos Eternal e Complete, possuem diálogos expandidos, ocasionais cutscenes anime, algumas novas localizações para explorar, side quests opcionais, diferentes graus de dificuldade, mas também alguns modos de jogo adicionais, o que é o caso dos Boss Rush, que sinceramente não cheguei a testar (já tenho pesadelos suficientes com o boss final do primeiro Ys para o tentar enfrentar novamente!).

A nível audiovisual estes remakes mantém um bom nível de fidelidade perante os originais. Apresentam portanto um mundo 2D tipicamente 8/16-bit, embora as suas sprites e cenários sejam renderizados numa maior resolução e há aqui alguns efeitos gráficos adicionais visíveis particularmente nas dungeons ou quando invocamos as magias. Antes de iniciarmos a aventura podemos optar por jogar o modo Chronicles ou Complete, que irá diferenciar-se nalgum do artwork e cutscenes, mas também podemos definir se queremos que o jogo seja apresentado num formato 4:3 ou em widescreen. O formato 4:3 é a resolução original, onde a área de jogo é apresentada numa janela, com o resto do ecrã a ser preenchido com alguma arte e informações gerais do nosso estado e o dos inimigos que enfrentamos. Já o formato widescreen descarta o sistema de janelas típico destes RPGs da velha guarda, mas apresenta os gráficos ligeiramente ampliados e com um campo de visão ligeiramente inferior. A versão PSP tinha-a jogado dessa forma, já no steam preferi a abordagem 4:3. Já no que diz respeito à banda sonora, bom, já os lançamentos originais possuíam músicas excelentes e repletas de melodias memoráveis. Nestes remakes as músicas já estão num formato redbook, mantêm as mesmas melodias sonantes, mas com um maior foco no instrumental. Temos aqui muitas adaptações principalmente para o rock, repletas de grandes guitarradas e que me agradaram bastante, embora hajam também algumas músicas mais calmas e relaxantes, típicamente quando exploramos alguma cidade/aldeia.

Alguns NPCs especiais têm direito a janelas de diálogo mais interactivas, assim como os donos das lojas com os quais interagimos

Portanto eu adoro estes remakes dos dois primeiros Ys e só tenho pena que não existam lançamentos em formato físico mais recentes que os da PSP, pelo menos que tenham chegado até à Europa. Espero que a Falcom um dia faça uma compilação com alguns desses Ys mais antigos, quanto mais não seja para a Switch, pois os lançamentos da PSP estão cada vez mais com preços proibitivos. Mas muito em breve, prometo trazer mais Ys aqui para o blogue!

Super CD-ROM² Taiken Soft-shuu (PC-Engine CD)

Hoje deixo-vos com uma super rapidinha. Também conhecido como Super CD-ROM² RPG Sampler este produto é na verdade uma compilação de duas demos de dois dos mais famosos RPGs da PC-Engine: Dragon Slayer: The Legend of Heroes e o segundo Tengai Makyou, também conhecidos como Far East of Eden. O meu exemplar veio de um bundle de uns 7 jogos que importei directamente do Japão algures em Dezembro.

Esta compilação de demos tem um código de barras, portanto aparentemente chegou mesmo a ser comercializada no Japão, embora ache que fizesse mais sentido que fosse incluída juntamente com os add-ons Super CD-ROM² ou as consolas da família PC-Engine Duo que já vinham com suporte nativo ao formato Super CD-ROM². E que formato é este perguntam vocês? Bom, é uma evolução do CD-ROM², a expansão de leitor CD original para a PC-Engine/Turbografx, em que os sistemas possuíam uns 192Kb de RAM adicionais, o que permitia uma melhor qualidade audiovisual nos jogos em CD. A NEC eventualmente lançou as consolas PC-Engine Duo e TurboDuo nos mercados Japonês e Norte-Americanos, que suportavam tanto jogos em formato Hu Card, CD-ROM² e Super CD-ROM². Para quem tivesse um dos sistemas anteriores, a NEC lançou também o cartão Super System Card, que inclui a bios e expansão de memória necessárias para ler jogos neste formato. Se achavam que a SEGA fez muitos malabarismos com revisões de hardware e add-ons nos anos 80 e 90 para as suas consolas, acreditem que a NEC fez muito pior…

O ecrã de selecção de jogo

Mas vamos ao que interessa, os jogos! A série Dragon Slayer, da Falcom, é uma das mais antigas séries de RPGs no Japão e também uma das mais difíceis de catalogar e categorizar. Isto porque, principalmente nos anos 80, cada novo título Dragon Slayer deu origem a uma nova sub-série, o que aconteceu com séries como Xanadu, Sorcerian ou Lord Monarch, que todas carregavam o nome Dragon Slayer algures. Este jogo em específico é o primeiro do universo The Legend of Heroes, que nos trouxe mais tarde titulos como Trails in the Sky ou Trails of Cold Steel. Felizmente foi um jogo que chegou a ser traduzido e lançado nos Estados Unidos e planeio jogá-lo em breve até porque o meu exemplar (versão Japonesa) chegou há uns dias. Já o Tengai Makyo 2, bom é uma série de RPGs que teve a sua génese precisamente nos sistemas PC-Engine. Aparentemente teve muito sucesso no Japão, mas infelizmente ainda não há qualquer tradução para inglês. É pena pois é um jogo que tem bom aspecto e parece ser muito bem humorado! Também está nos planos um dia comprar os 3 Tengai Makyo que existem nesta consola pois são baratíssimos e tenho esperança que eventualmente alguém os vá traduzir.

Os Tengai Makioyu, também conhecidos como Far East of Eden, têm mesmo bom aspecto!

No fim de contas, e pelo que o tradutor do google me indica, pelo que está escrito na capa temos direito a jogar cerca de 1 hora do início do Tengai Makyo 2, e cerca de 2 horas do Dragon Slayer. Parecem-me ser dois RPGs bastante sólidos e que ilustram bem as capacidades dos sistemas Super CD-ROM² da NEC, mas sinceramente terem lançado estas demos no mercado a retalho não me parece grande ideia, mesmo que apenas tenham cobrado 1000Y por isto. Pelo menos eu como consumidor sentia-me insultado e ao menos por cá as demos vinham com revistas! Já sobre os jogos em si, pelo menos o Dragon Slayer planeio jogar em breve pelo que depois escreverei uma opinião mais detalhada.

Ys Origin (Sony Playstation 4)

Actualmente, sempre que vou começar a jogar uma nova série, prefiro começar pelo primeiro jogo que foi lançado. No entanto, até uns anos atrás, preferia antes começar pelo jogo que decorria primeiro na cronologia da história da série. E quando peguei mais a sério nos Ys algures em 2011, decidi então começar pelo Origin, que joguei a sua versão PC quando ainda não tinha sido lançada oficialmente por cá, pelo que usei um patch de tradução feito por fãs. Ora em 2012 a XSeed, que já tinha localizado muitos jogos da saga noutros sistemas, localiza oficialmente este Ys Origin para PC com um lançamento em formato digital. Mais tarde em 2017 a dotEmu relança o mesmo jogo para uma série de outras plataformas, incluindo esta versão para a PS4 que vos trago cá hoje. O meu exemplar foi comprado algures em Novembro por cerca de 30€ no ebay e decidi rejogá-lo, desta vez numa playthrough mais ligeira em easy para reavivar a minha memória.

Jogo ocm caixa

Ora e como o nome indica, esta é uma prequela do primeiro jogo, decorrendo 700 anos antes do mesmo. Ys, que se lê em português literalmente como “ise”, refere-se a uma ilha que, através da magia das deusas Feena e Reah, se ergueu nos céus de forma a salvar a sua população de um ataque demoníaco que tinha acontecido na superfície anos antes. E a civilização daquela ilha foi prosperando até que, certo dia as deusas desaparecem, levando consigo a black pearl, um artefacto mágico extremamente poderoso. Então são formadas equipas de busca compostas por cavaleiros, feiticeiros e sacerdotes que partem para a superfície em busca das suas deusas, acabando por explorar uma misteriosa torre de 25 andares que entretanto se tinha erguido.

A jogabilidade é a de um action RPG com intensos combates e muitos obstáculos para ultrapassar nos cenários

Este é então um RPG de acção, onde inicialmente poderemos optar por jogar por entre duas personagens distintas. Yunica Tovah, uma aspirante a cavaleiro sem quaisquer poderes mágicos mas detentora de uma força física invejável, ou Hugo Fact, um jovem e prodigioso feiticeiro, mas que detém motivações algo misteriosas por detrás. A história vai tendo pequenas diferenças que se prendem pelos diferentes backgrounds que ambas as personagens têm, mas no fim de contas acaba por ser essencialmente a mesma. O que difere mais em ambas as personagens é as suas mecânicas de jogo, pois Yunica possui ataques físicos de curto alcance, enquanto Hugo consegue atingir inimigos de mais longe com os seus projécteis mágicos, na verdade jogando com Hugo o jogo quase que parece um shmup! Independentemente da personagem que escolhemos, à medida que vamos avançando no jogo iremos também adquirir novas habilidades que nos vão dar uma maior variedade de mecânicas de jogo no combate. Alguns inimigos são especialmente susceptíveis a alguns destes novos golpes, incluindo os bosses, pelo que a experimentação e preserverança é a chave do sucesso. Quando completamos o jogo com ambas as personagens desbloqueamos uma terceira personagem jogável, que possui uma jogabilidade com ataques ainda de menor alcance. Visto que iremos jogar com um dos supostos vilões a narrativa é-nos apresentada com um maior foco nos maus da fita e esta é considerada pela Falcom como a versão canónica dos eventos deste jogo.

Para facilitar a exploração, as estátuas que vamos desbloqueando ao longo do jogo servem também de pontos de teletransporte

Mas o que mais difere este Ys dos restantes que joguei até agora (parei no Oath in Felghana), é o facto de jogarmos apenas naquela grande torre de 25 andares, em vez de explorar o continente. É verdade que a torre vai tendo temas diferentes, desde andares submersos em água, outros cheios de lava, outros com temática do deserto e por aí fora, mas acaba por não haver uma grande variedade de cenários em relação a outros jogos da série. O progresso pode ser salvo ao interagir com estátuas das deusas Feena ou Reah que vamos desbloqueando ao longo do jogo e as estátuas vão tendo também outros papéis importantes: São a única forma de regenerar os nossos pontos de vida (o que também acontece sempre que subimos de nível) e também servem como uma espécie de loja onde poderemos melhorar os stats das armaduras e botas que vamos encontrando, bem como melhorar certas características de cada personagem, como o menor tempo de recuperação de mana ou da barra de boost, maior resistência a efeitos adversos como envenenamento, confusão e afins. Ao explorar a dungeon e todos os seus recantos, iremos não só encontrar uma série de itens necessários ao progresso no jogo como chaves ou outros acessórios, mas também outros itens que nos permitirão melhorar a nossa arma ou incrementar a barra de vida.

O que também nao faltam são bosses à velha guarda, onde teremos de memorizar os seus padrões de ataque e aproveitar as aberturas

E este é também um jogo cheio de extras, para além da tal terceira personagem que apenas é desbloqueada quando terminarmos o jogo com a Yunica e Hugo. Vamos desbloqueando também modos de jogo adicionais como o Time Attack com online leaderboards ou o Arena, que é uma espécie de survival. Mas os extras não se ficam por aqui! Os pontos que vamos amealhando no modo arena podem ser usados numa loja para comprar mais extras, incluindo versões EX de cada uma das personagens e que podem ser usadas no jogo normal, bem como o próprio Adol Christin, a personagem principal da série Ys que surgiu nos jogos seguintes, embora este possa apenas ser utilizado no modo Arena.

Explorar todos os recantos da torre pode-nos recompensar com importantes upgrades que nos darão muito jeito nos confrontos mais exigentes

Graficamente temos de considerar que este é um jogo lançado originalmente em 2006 e que usa o motor gráfico do Ys VI: The Ark of Napishtim, lançado originalmente em 2003. Portanto não esperem por gráficos bonitinhos, mas sinceramente acho que cumprem bem o seu papel. O jogo é todo renderizado em 3D poligonal, excepto as personagens e inimigos, que são sprites em 2D muito bem detalhadas. Já os bosses, que curiosamente parecem ser inspirados em bosses do Ys I e II, são também apresentados em 3D poligonal. Já no que diz respeito à banda sonora, tradicionalmente a série Ys possui músicas muito boas, sempre foi um dos seus pontos mais fortes! E as músicas aqui não são nada más, gosto particularmente daquelas com uma toada mais rock, mas devo dizer que como um todo a banda sonora ficou um pouco abaixo de outros Ys.

Portanto este Ys Origin é um óptimo RPG de acção. É relativamente curto, mas isso é compensado pela maior dificuldade comparando com outros jogos da série. A menos que o joguem em easy como fiz desta vez, claro. E todos os desbloqueáveis também lhe aumentam a jogabilidade! Desta vez fiz questão em terminar o jogo com todas as personagens e de facto entende-se o porquê da história da terceira personagem ser considerada a canónica. Para os fãs de Ys, vale a pena!