Lotus II: R.E.C.S (Sega Mega Drive)

Tempo de voltar às rapidinhas na Mega Drive para ficarmos com mais um jogo de corridas bem competente. Tal como o seu predecessor na Mega Drive, que era na verdade uma adaptação do Lotus II do Commodore Amiga, este é também uma adaptação do Lotus III da mesma plataforma, pelo que as duas plataformas ficaram algo desfasadas nos seus numerais. Bom, e o meu exemplar foi comprado na CeX algures em Agosto e custou-me 6€.

Jogo com caixa e manual

O Lotus Turbo Challenge que a Mega Drive recebeu tinha-me deixado agradavelmente surpreendido, pela sua jogabilidade fluída, boa sensação de velocidade e excelentes gráficos para uma Mega Drive. Esta sequela não desaponta nesse aspecto. Na sua base continua a ser um jogo de corridas inspirado por OutRun onde iremos correr em diversas paisagens diferentes e o objectivo é sempre o de chegar ao checkpoint seguinte dentro do tempo limite. A principal diferença para o OutRun é que o Lotus continua a ser um jogo linear, com circuitos separados entre si e sem ramificações nas estradas. A menos que escolhamos antes jogar no modo campeonato, aí já teremos de ter em conta a classificação em que chegamos no final de cada corrida bem como o consumo de combustível durante cada corrida. Sinceramente prefiro o arcade. De resto podemos uma vez mais competir com o Lotus Esprit, Elan e também o M200, um protótipo da Lotus que nunca chegou a ser comercializado. Para além disso este jogo oferece também a habitual vertente em multiplayer através de split screen, bem como um editor de pistas, esta a grande novidade desta sequela. Mas confesso que não perdi grande tempo com isso.

Antes de cada circuito temos a hipótese de escolher qual música ouvir, tal como no Out Run

No que diz respeito aos audiovisuais, desta vez temos mesmo de separar os gráficos e som. A nível gráfico é um jogo excelente, tal como o seu antecessor. As pistas são bastante variadas entre si, desde montanhas, florestas, praias ou zonas mais urbanas, os circuitos estão cheios de relevo e as corridas decorrem a uma velocidade estonteante. É impressionante a sensação de velocidade que tanto este Lotus como o seu antecessor conseguiram introduzir na Mega Drive. Algumas pistas possuem alguns detalhes gráficos deliciosos, como a condução nocturna, ou outros detalhes meterelógicos como chuva, neve ou mesmo nevoeiro, onde apenas vemos um breve brilho dos faróis traseiros dos nossos oponentes a média distância.

Aqui temos uma vez mais alguns efeitos gráficos muito interessantes como o de nevoeiro

Já a nível de som, bom infelizmente deixa muito a desejar. Isto porque é um daqueles jogos em que temos de optar por ouvir efeitos sonoros ou música, mas não ambos em simultâneo. Quando isso acontece, tipicamente é porque os efeitos sonoros são bastante ricos e a Mega Drive fica sem recursos para processar ambos em simultâneo, mas infelizmente não é esse o caso. Aliás, o primeiro Lotus tinha melhores efeitos sonoros que este, com várias vozes digitalizadas. Aqui apenas ouvimos o ruído irritante dos carros e pouco mais. Já as músicas, sinceramente até as achei agradáveis, excepto aquela mais calma que já não apreciei tanto. Ainda assim, não consigo entender o porquê de não podermos ouvir ambas as coisas em simultâneo. Só com os efeitos sonoros o som torna-se algo irritante. Só com a música sente-se a falta de mais qualquer coisa.

Madden NFL 94 (Sega Mega Drive)

Vamos agora a mais uma rapidinha, principalmente depois de ter escrito um artigo do predecessor deste Madden NFL 94, o John Madden Football 93. O futebol americano é um desporto que não me desperta interesse nenhum, pelo que vamos lá retirar isto do sistema o quanto antes! Tal como o outro jogo, este Madden NFL veio do mesmo conjunto de vários jogos de desporto que foram comprados como novos, numa feira de velharias algures durante o passado mês de Agosto por 5€ cada um.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa

Enquanto os jogos anteriores tinham sido desenvolvidos pela Blue Sky Software, estes seguintes já tiveram uma nova equipa a trabalhar nos mesmos, nomeadamente a High Score Productions, a mesma equipa por detrás do excelente Jungle Strike. Este é também o primeiro jogo da série Madden que detem a licença da própria NFL, pelo que esperem que esta vez as equipas já tenham os seus nomes e logotipos reais, no entanto creio que os jogadores ainda são fictícios visto a EA não ter ainda a licença da NFLPA por esta altura.

Tal como no nosso futebol, as partidas começam pela moeda ao ar para decidir o pontapé de saída

No que diz respeito aos modos de jogo, temos as partidas amigáveis, a temporada completa ou poderemos saltar logo para os playoffs da fase final se assim o desejarmos. A jogabilidade parece-me semelhante aos anteriores, mas não levem a minha palavra por certa pois reafirmo que não sou grande conhecedor do desporto. Uma vez mais teremos de estar constantemente a escolher formações e tácticas em cada jogada, quer estejamos a jogar ofensivamente, quer à defesa e eu continuo clueless sem saber qual a melhor forma de prosseguir em qualquer situação.

Ok, escolher uma táctica à sorte, depois passar a bola para alguém e esperar que a apanhe

Do ponto de vista audiovisual, sinceramente, apesar de não achar este jogo mau de todo, creio que ficou uns furos abaixo do título anterior. Em vez dos vários comentários do John Madden durante as partidas, vamos ouvindo muito mais os árbitros a interferir nas jogadas. Sinceramente preferia os comentários do título anterior, sempre davam mais vida ao jogo. As músicas, que aqui continuam a ouvir-se apenas nos menus e afins, também eram mais ao meu gosto no jogo anterior. De resto, as animações e a apresentação geral do jogo a começar pelos seus menus também ficaram mais visualmente apelativos no John Madden Football 93. Mas isto é tudo a minha opinião pessoal, claro, até porque mesmo assim este Madden NFL 94 continua a ter uma produção que faz inveja a qualquer FIFA que tenha saído nas plataformas 16bit: as reacções do público, a antevisão de cada partida como se estivéssemos num programa televisivo, são tudo detalhes que acabam por contar.

John Madden Football ’93 (Sega Mega Drive)

Bom, apesar de não perceber nada de futebol americano, gostaria de ter inaugurado os artigos da série Madden logo com o primeiro jogo lançado na Mega Drive, o John Madden Football de 1990. Mas como esta não é uma série que planeio coleccionar a sério de todo, vai ter de ficar asssim. O meu exemplar custou-me 5€, tendo sido comprado numa feira de velharias algures em Agosto e foi certamente new old stock pois está mesmo novo.

Jogo com caixa, manual e papelada

A minha experiência com jogos de futebol americano em sistemas retro, para além de ter testado uma boa parte deles em emulador anos atrás e não ter sequer conseguido fazer uma jogada do início ao fim, consiste no Great Football da Master System que possui uma versão bem simplificada do desporto e do primeiro Joe Montana Football para a Mega Drive. Este último já implementou uma versão mais realista do desporto, embora a sua qualidade tivesse ficado aquém do primeiro John Madden Football, que revolucionou completamente os videojogos de desporto nas consolas, pelo menos para o mercado norte-americano.

Antes de iniciar uma jogada, devemos escolher qual a formação e estratégia a usar, tanto a defender como a atacar

Este jogo ainda não possui a licença da NFL, pelo que presumo que as equipas não sejam 100% fieis às da temporada 1992/1993, mas teremos 28 equipas por onde escolher, mais algumas equipas clássicas ou all-stars. Os modos de jogo resumem-se a temporadas inteiras, avançar logo para os playoffs ou outros torneios mais curtos. E uma vez escolhido o modo de jogo, a equipa a representar e acertado uma ou outra opção que queiramos mudar, chegamos à acção propriamente dita. Depois de atirar a moeda ao ar, que nos permite escolher para que lado do campo queremos atacar teremos de escolher a nossa jogada ofensiva ou defensiva. Se jogarmos ao ataque, a ideia do jogo é ir conquistando jardas à equipa adversária até conseguirmos fazer finalmente um touchdown, ou tentar rematar à baliza se já for possível. Se a bola (ou ovo?) cair ao chão temos de repetir a jogada, mas se for interceptada pela equipa adversária com sucesso, os papéis invertem-se e passamos a jogar à defesa.

no momento do passe temos também estas câmaras adicionais que provavelmente ajudam qualquer coisa

Tanto ao ataque como defesa teremos inicialmente de seleccionar a formação e a táctica a usar, pelo que teremos umas quantas dezenas de diagramas de jogadas para escolher, durante alguns segundos. Bom, isto para mim é como um burro a olhar para o palácio, mas a ideia com que fico é que o objectivo é passar a bola para trás, para o Quarterback, que por sua vez tem de descobrir um buraco na defesa adversária, passar a bola para alguém, esperar que o passe seja eficaz e que o nosso atacante consiga ganhar o máximo de jardas possível. Não é de todo a minha cena. De resto, pelo que li por aí, parece-me que esta versão do Madden, para além de alguns melhoramenots visuais que detalharei mais à frente, trás pouca coisa de novo, a não ser a implementação de algumas regras que não faço ideia para o que servem.

As reacções do público são outro dos detalhes visuais muito interessantes que incutiram aqui

Agora passando para os audiovisuais, é fácil perceber o porquê da série ter tido tanta aclamação pelo público norte americano. No campo da jogabilidade mais uma vez afirmo que não sou a melhor pessoa para comentar pois tenho zero skills no desporto, mas pelo menos a nível de apresentação, este Madden dá 10-0 a qualquer FIFA que a Electronic Arts publicou para a Mega Drive. A nível de apresentação o jogo está repleto de imensos detalhes interessantes, as sprites estão bem animadas e vamos tendo vários clipes de voz com comentários a cada jogada, aparentemente do próprio John Madden. Pelo que investiguei a Sega foi ainda mais longe neste aspecto com a sua tecnologia Sports Talk, aplicada numa série de jogos de baseball e futebol americano também em 1992, mas isso seria tema para outro artigo.

Portanto o que eu tenho a dizer deste John Madden Football ’93 é isto, e fico surpreendido por já ter sido bem mais do que esperava inicialmente. Na mesma altura em que comprei este jogo também veio o Madden NFL 94, pelo que esperem por uma rapidinha em breve.

NBA Live 97 (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas a jogos desportivos, vamos ficar agora com o NBA Live 97 para a Sega Mega Drive, que até possui algumas novidades face ao seu antecessor, num ano em que as 16 bit já eram plataformas com cada vez menos foco no mercado. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias no passado mês de Agosto, tendo-me custado 5€.

Jogo com caixa e manuais

Tal como o seu predecessor temos ao nosso dispor partidas individuais, um modo de temporada completa, alusivo à época 96-97, bem como poderemos saltar logo para os play offs finais. Mas também temos alguns modos de jogo mais à basquetebol de rua, como partidas de 2 contra 2 ou 3 contra 3. Não são propriamente NBA Jams com toda a sua loucura, mas é uma adição interessante à fórmula. De resto, a nível de controlos parecem-me idênticos aos do seu antecessor incluindo o suporte ao comando de 6 botões, onde poderemos assignar algumas jogadas pré-definidas aos botões adicionais dessa linha de comandos.

A perspectiva isométrica dos jogos anteriores mantém-se

A nível de opções e customização, poderemos optar por por uma jogabilidade bem mais próximo de um simulador, onde temos de ter em conta a fadiga dos jogadores, eventuais lesões, e todas as faltas e regras do desporto. Ou então uma experiência mais arcade e mais leniente perante as regras. De resto, para o modo temporada, podemos também participar no mercado de trânsferência de jogadores, para além de consultar um extenso dossier de estatísticas gerais.

Para além das estatísticas podemos ver uma breve história de cada equipa aqui representada

A nível audiovisual, o jogo usa o mesmo motor gráfico dos seus antecessores, com a acção a ser apresentada numa perspectiva isométrica. Portanto, para além de mudanças nos menus e respectivas músicas entre partidas, não esperem por nada muito diferente, se bem que também não haveria muito mais por onde mudar, pois na minha opinião esta perspectiva isométrica resulta muito bem neste tipo de jogos desportivos para sistemas mais antigos sem suporte nativo a gráficos tri-dimensionais.

 

PGA Tour 96 (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, desta vez a mais um jogo desportivo, vamos fechar a série PGA Tour Golf na Mega Drive, com este título final na plataforma. Na verdade o desenvolvimento deste jogo até tem sido algo curioso, pois até à altura, foi o estúdio Polygames quem ficou responsável pela série, mas com este PGA Tour 96 a responsabilidade acabou de passar para a Hitmen Productions e a NulFX que tratou da conversão para a Mega Drive. A parte curiosa é que a Hitmen Productions tinha desenvolvido, em 1994, uma versão do PGA com gráficos em alta qualidade para o PC e no mesmo ano lançaram também o NBA Live 95 para a Mega Drive.  Então, escondido nesse cartucho, temos uma demo jogável muito simples que mostraria como um PGA Tour se tornaria na Mega Drive caso usassem o seu novo motor gráfico que tinha sido usado no PGA para PC, o que acabou mesmo por acontecer no ano seguinte com este PGA Tour 96. O meu exemplar foi comprado a um particular no mês passado, tendo-me custado uns 7€.

Jogo com caixa e manual

Já lá vamos aos gráficos novos, antes disso vamos comentar as novas mecânicas de jogo. Em primeiro lugar, toda a interface foi mais simplificada, tornando-a mais atractiva e funcional. Antes de efectuar cada tacada, temos na mesma de escolher o melhor taco para o efeito (o CPU geralmente já escolhe por nós), direccionar-nos de acordo com o vento e, no momento do disparo, temos na mesma uma barra de energia a 2 tempos, que nos permite escolher a potência da tacada e o seu efeito. A diferença é que a informação está toda no ecrã, mas de uma forma mais simplificada e conveniente. Isso foi um ponto muito positivo! Já no que diz respeito à variedade de circuitos, infelizmente esta versão já não inclui tantos quanto nos seus antecessores directos. No que diz respeito aos modos de jogo, estes continuam com a mesma diversidade. Temos os modo de treino que nos permitem practicar o driving range (tacada inicial) e o putting (quando estamos próximos do buraco), ou mesmo practicar buracos à escolha dos vários circuitos. Temos depois os modos mais a sério, com o Stroke Play que nos permite jogar um circuito inteiro (ou metade), o modo Tournament, mais completo ainda. No multiplayer temos o Match Play e Skins, que possui um sistema de pontuação algo diferente, mas confesso que estes nem cheguei a experimentar.

Até os menus iniciais estão visualmente bem mais apelativos!

Passando então para a parte dos gráficos e som e realmente o salto gráfico é muito interessante, mesmo considerando que o PGA Tour Golf III já possuía um grafismo bom. Este também possui sprites digitalizadas dos vários atletas disponíveis, com boa qualidade e animações. Os cenários possuem um óptimo nível de detalhe, com superfícies aparentemente em 3D e as sprites da natureza envolvente também com boa qualidade. O problema é que o jogo perde sempre uns 5 segundos ao renderizar os cenários, sempre que mudamos de posição. Isto era algo comum em jogos de golf mais antigos, mas no caso do PGA III, que também já possui sprites digitalizadas e cenários bem detalhados, mas uns furinhos abaixo deste PGA Tour 96, essas quebras já não acontecem, tornando o jogo bem mais fluído. Já no que diz respeito ao som, nada de especial a apontar, pois durante as partidas apenas ouvimos o som da natureza envolvente e o das tacadas. Já as músicas, essas apenas tocam no ecrã título e nos menus entre partidas. São músicas bastante agradáveis e relaxantes, no entanto.

As mecânicas de swing estão mais simplificadas visualmente

Portanto este PGA Tour Golf 96 é uma sequela que nos deixa com sentimentos algo mistos. Isto porque a simplificação dos menus e interface durante as partidas de golfe foram muito benvindas. Os gráficos são de facto muito bonitos, mas a demora da Mega Drive em renderizar o campo de golfe sempre que mudamos de posição deixa a experiência muito menos fluída que no seu antecessor, o PGA Tour Golf III. Aliás, este que já possuía bons gráficos e claro, bem mais circuitos onde competir também, o que também é um factor que pesa bastante no final.