Anetto Futatabi é o jogo que encerra a trilogia protagonizada por Annet Myer e Earnest Evans, lançado exclusivamente no Japão durante o ano de 1993. Os seus predecessores, El Viento e Earnest Evans, haviam sido originalmente localizados pela Renovation para o mercado norte-americano, mas este último manteve-se exclusivo em solo nipónico. Curiosamente, esta pequena série acabou por renascer nos últimos anos. A Retro-Bit anunciou um relançamento de El Viento no final de 2023, enquanto a Limited Run Games, já em 2025, apresentou relançamentos das sequelas, com este Anetto Futatabi a receber uma localização parcial para Inglês, pela primeira vez de forma “oficial”. O meu exemplar foi adquirido através da Limited Run Games e, lamentavelmente, veio nas volumosas caixas grandes de Mega CD que, sinceramente, são péssimas de manter.
Jogo com caixa e manual embutido com a capa. Não sou o maior fã destas big box de Mega CD, mas é o que os nossos amigos norte americanos tinham.
A história transporta-nos novamente para a primeira metade do século XX e coloca-nos, mais uma vez, no controlo da jovem Annet Myer. Durante uma visita a um reino algures na Europa Central, Annet é subitamente atacada pelas mesmas forças responsáveis pelo rapto da monarca local. Da protagonista é-lhe retirado um colar mágico que os novos líderes desse estado pretendem utilizar em obscuros experimentos de manipulação genética, criando criaturas monstruosas com o objectivo de dominar o mundo. Naturalmente, cabe-nos impedir que tal plano se concretize!
Tal como em Streets of Rage e outros beat ‘em ups da época, destruir certos objectos dos cenários pode-nos recompensar com itens. Se bem que aqui apenas temos comida que nos regenera a barra de vida.
As mecânicas seguem o molde de um beat ’em up clássico, com o direccional a permitir percorrer os cenários, o botão B para atacar, C para saltar e A para utilizar magias. Infelizmente, o sistema de combate carece de profundidade. Não existe qualquer sistema de combos digno desse nome e os ataques básicos resumem-se a uma sequência de três golpes com a espada, sendo o último mais poderoso e capaz de projectar o inimigo ao chão. Existem ataques em corrida e ataques aéreos, bem como a possibilidade de agarrar adversários ao contactar fisicamente com eles, podendo depois atingi-los ou arremessá-los.
Quaisquer semelhanças com Golden Axe são uma mera coincidência!
A utilização de magias está associada a uma barra de energia que cresce automaticamente através de cinco níveis, cada um correspondente a uma magia distinta e de potência crescente, afectando todos os inimigos no ecrã. A primeira invoca uma caveira gigante que suga parte da vida dos inimigos, a segunda convoca um vento forte que inverte temporariamente o cenário, derrubando os adversários, a terceira chama um ciclone que os arrasta, a quarta abre um poço de gravidade que os esmaga e, finalmente, a quinta invoca um dragão que cospe fogo, lembrando bastante um ataque típico de Golden Axe. No entanto, estas magias não podem ser utilizadas durante os confrontos contra bosses, o que significa que qualquer energia acumulada até esse momento se perde de imediato, o que é algo frustrante.
A história é narrada por uma série de sequências animadas ao estilo anime dos anos 90 e narradas, pela primeira vez nesta versão, em inglês. É de longe o ponto alto do jogo.
Visualmente, este jogo deixou-me algo desiludido, sobretudo nos níveis em si. Os cenários são pobres tanto em cor como em detalhe, tirando pouco proveito das capacidades de parallax scrolling que os sistemas de 16 bits da Sega tão bem oferecem. As sprites são, por vezes, desinspiradas e com animações fracas, o que é difícil de ignorar sabendo que, em 1993, já existiam beat ’em ups bem mais apelativos graficamente nas consolas Sega, e que este título, sendo exclusivo de Mega CD, não sofria das limitações de armazenamento de um cartucho. A Mega CD fornece ainda algumas funcionalidades adicionais de manipulação de sprites, que acabam aqui por ser utilizadas nas magias, mas mesmo aí os resultados são irregulares. O ciclone é um bom exemplo: enquanto a distorção das sprites arrastadas pelo vento está interessante e convincente, a sprite estática do ciclone em si contrasta muito e deixa a desejar.
Se por um lado capricharam bem nas cenas animadas, infelizmente os gráficos do jogo em si não são grande coisa, pecando pelos cenários algo estáticos e fracas animações das personagens
Por outro lado, tal como acontecia na versão Mega CD do Earnest Evans, existem aqui várias sequências animadas entre níveis e essas estão bastante sólidas, apresentando uma estética de anime dos anos 90 com boa expressividade. O lançamento japonês incluía narração em japonês e esta edição da Limited Run Games traz novas dobragens para inglês. A qualidade do voice acting, não sendo brilhante, cumpre com o que se esperaria de um jogo de 1993 e, no geral, está competente. A verdadeira falha está noutros elementos que ficaram intactos. O ecrã título, algumas legendas de cut-scenes, a música de abertura e até os créditos permanecem exclusivamente em japonês. Quanto à banda sonora, esta mantém a energia que já caracterizava os restantes títulos da série e é bastante agradável.
As magias tiram proveito das capacidades de manipulação de sprites que o hardware da Mega CD introduz, mas infelizmente nem sempre aproveitadas da melhor forma. A sprite estática desta espiral contrasta bastante com os restantes efeitos gráficos.
No final, Annet Returns deixa-me com sentimentos mistos. Por um lado, é óptimo ver a Limited Run Games apostar na recuperação e preservação deste tipo de catálogo, sobretudo com um relançamento em formato original para a Mega CD tantos anos depois. Por outro lado, a localização poderia ter ido mais longe, já que parte do conteúdo continua inacessível para quem não entende japonês. Quanto ao jogo em si, saí algo desiludido. Sabia que era um beat ’em up e pelas imagens esperava algo mais elaborado. Contudo, a jogabilidade é pobre e o grafismo dos níveis fica abaixo do que seria expectável num jogo deste sistema. Fica a ideia de que a Wolfteam dedicou a fatia maior do orçamento às sequências animadas, deixando o jogo propriamente dito com pouco refinamento.
Para quem tiver curiosidade em experimentar a série e não dispuser de uma Mega Drive ou Mega CD, ou simplesmente preferir uma alternativa mais económica aos relançamentos e aos originais, a Edia, actual detentora dos direitos, anunciou uma colectânea para a Nintendo Switch contendo os três jogos, prevista para o final deste ano. Para já terá lançamento físico apenas no Japão, mas atendendo ao que aconteceu com as colectâneas de Valis ou Cosmic Fantasy, é bastante provável que a Limited Run Games assegure também uma edição física em inglês.
Ao longo das últimas semanas, tenho jogado, aos poucos, os títulos disponíveis no terceiro volume da compilação Valis: The Fantasm Soldier Collection, lançada originalmente pela Edia em Julho de 2023 no Japão, com versões localizadas em inglês a ficarem disponíveis algures durante o ano seguinte. Os jogos que compõem este volume são as adaptações do primeiro Valis para o sistema NEC PC-88, assim como a sua versão Famicom, radicalmente diferente das restantes. Temos também Valis II para o MSX2, uma versão largamente superior à adaptação do primeiro Valis no MSX1, Valis III para a Mega Drive (que já analisei anteriormente, portanto não será aqui abordado) e, por fim, a versão Super Nintendo de Valis IV. Tal como aconteceu com os dois volumes anteriores, a Limited Run Games lançou uma edição em formato físico, que me chegou às mãos algures no final do ano passado.
Jogo com caixa e um pequeno livrete com detalhes básicos de cada jogo presente nesta compilação.
Começando pelo primeiro Valis para o sistema PC-88, aproveito para corrigir uma imprecisão na minha análise ao volume anterior, onde mencionei que a versão MSX seria a original. Isso, aparentemente, não corresponde à verdade, apesar dessa versão ter uma data de lançamento anterior à de PC-88, segundo a Wikipédia no momento da escrita do referido artigo. Supostamente (e de acordo com os próprios criadores do jogo) a versão PC-88 é a original, até porque possui todo o conteúdo inicialmente planeado, enquanto a versão MSX perde uma série de níveis e todas as sequências no estilo anime. Na verdade, esta versão PC-88 herda todas as mecânicas da versão MSX que já abordei anteriormente, com níveis longos, labirínticos, e uma avalanche de inimigos que nos atacam continuamente vindos de todas as direcções. As esferas de energia que estes largam servem para restaurar e expandir a barra de vida de Yuko, sendo que os power-ups de armas que podemos encontrar consomem parte da vida/experiência que vamos amealhando. Tudo isto, aliado a um scrolling pouco fluído, mecânicas de salto bastante obtusas e à ausência de frames de invencibilidade após sofrer dano, torna esta experiência particularmente penosa, ao ponto de mesmo as funcionalidades de save state e rewind introduzidas pela compilação pouco ajudarem.
Apesar de mais bonito que a versão MSX, esta versao PC-88 é bem mais frustrante de se jogar!
Ainda assim, a nível audiovisual e para os padrões de 1986, trata-se de um lançamento notável. Confesso que nunca tinha jogado nada de PC-88 antes deste título, pelo que não tenho grande base para tecer comparações dentro da plataforma, mas, comparando com videojogos contemporâneos de outros sistemas, este Valis é de facto impressionante, não só pelos seus gráficos detalhados para a época, como também pelas sequências no estilo anime que vão surgindo entre níveis. O tema principal é também uma melodia bem agradável e memorável, com a interpretação nesta versão PC-88 a resultar particularmente bem, graças à tecnologia FM dos seus chips de som. No entanto, a versão MSX, apesar de visualmente inferior e privada de grande parte do conteúdo, acaba por ser mais jogável, graças à acção mais lenta e ao menor número de inimigos em simultâneo no ecrã.
Acredito que esa versão PC-88, para os padrões de 1986, tenha impressionado pelas suas sequências animadas!
Segue-se a versão Nintendo Famicom do primeiro jogo da saga. Desenvolvida pela Takuma Soft, esta adaptação é inteiramente distinta da original. Em vez de um jogo puramente de acção, a abordagem aqui seguida aproxima-se mais da de um action RPG, na medida em que o mundo que exploramos está todo interligado e vamos desbloqueando uma série de itens que fortalecem a personagem. As mecânicas são simples, com um botão para saltar e outro para atacar. O seu maior problema reside, no entanto, no facto de o mapa ser um autêntico labirinto, extremamente confuso. Por exemplo, duas saídas completamente distintas podem levar ao mesmo local, enquanto outras são de sentido único, transportando-nos para zonas diferentes se quisermos voltar atrás. Isto, aliado ao facto de não termos vidas, os itens regenerativos serem raros e os inimigos ressurgirem constantemente, torna esta numa experiência bastante frustrante. Para se ter uma noção do quão confuso o jogo é, precisei de seguir em simultâneo um guia escrito e um outro em vídeo para garantir que não me perdia! Visualmente, é uma entrada mais modesta na série, embora as adaptações da banda sonora ao chiptune da NES até resultem consideravelmente bem.
A versão Famicom é um jogo inteiramente de qualquer outro! Igualmente frustrante pela maneira labiríntica e confusa com o seu mundo se interliga, para além dos inimigos renascerem constantemente e itens de vida serem raros.
Em relação ao Valis II, versão MSX2, esta é também consideravelmente diferente das versões para a Mega Drive e PC Engine CD que já cá trouxe no passado. Tal como a Falcom fez com o Ys IV, a Telenet Japan comissionou dois estúdios distintos para produzirem versões separadas: a Laser Soft ficou responsável pela versão PC Engine, enquanto a Renovation desenvolveu as versões lançadas para computadores exclusivamente nipónicos, como é o caso da versão MSX2 aqui incluída nesta compilação. Também aqui se notam certas influências de RPGs de acção, na medida em que vamos coleccionando diferentes uniformes, armas e itens especiais que conferem à personagem habilidades distintas. Apesar de a história ser essencialmente a mesma, os níveis em si são completamente diferentes das outras versões.
A versão MSX2 do Valis 2 é tecnicamente muito superior à do seu sistema predecessor. Infelizmente ainda não se joga muito bem, mas não deixa de ser também curioso o quão diferente é.
A nível técnico, esta versão para MSX2 é largamente superior ao seu predecessor no sistema MSX original. O jogo apresenta-se muito mais colorido e detalhado, ainda que o scrolling continue longe de ser fluído e o sistema de detecção de colisões nem sempre seja o mais amigável. Entre níveis, somos presenteados com cenas animadas que fazem avançar a narrativa, e estas são consideravelmente mais longas, detalhadas e bem animadas do que as da versão PC Engine CD, faltando-lhes apenas voice acting. Como também é habitual em muitos jogos de computadores japoneses da época, estas cenas são mais violentas e com alguma nudez, sendo que esta última acabou por ser censurada nesta versão nesta compilação. Esta adaptação foi originalmente lançada no MSX2, PC-88 e PC-98, com uma versão posterior para o Sharp X68000. Esta última, segundo consta, é excelente, pelo que é uma pena não estar incluída nesta compilação.
Aqui temos também a possibilidade de equipar Yuko com uma série de uniformes, armas e outros itens que lhe confiram habilidades especiais.
Por fim, resta-me mencionar a versão Super Nintendo do Valis IV, aqui intitulada Super Valis IV. Tal como Castlevania: Vampire’s Kiss foi uma adaptação consideravelmente distinta do original para PC Engine CD, também este Super Valis IV segue uma aproximação semelhante. Embora herde níveis, história e conceitos da versão original, o resultado final é um jogo radicalmente diferente. A começar pelas personagens jogáveis: onde anteriormente tínhamos três personagens, cada uma com habilidades distintas como o slide ou o duplo salto, aqui controlamos apenas Lena, que não possui nenhuma dessas capacidades.
O sistema de magias foi igualmente revisto, substituindo o modelo original por um sistema de power-ups acumuláveis. Os últimos seis que tenhamos recolhido permanecem disponíveis para serem utilizados a qualquer momento. Muitas dessas magias correspondem aos ataques especiais que, na versão original, estavam atribuídos às outras personagens agora ausentes. Por defeito, Lena pode atacar com a espada ou lançar projécteis de munição ilimitada, sendo que os restantes ataques mágicos possuem utilizações limitadas. Um outro detalhe interessante é o facto de a barra de vida dos bosses variar consoante o nosso desempenho ao longo de cada nível.
A versão Super Nintendo deste jogo é consideravelmente diferente do original, mas não é um mau jogo de todo.
Naturalmente, os níveis foram todos redesenhados, tendo em conta que já não existem múltiplas personagens jogáveis com habilidades distintas entre si. Graficamente, o jogo é bastante competente, com cenários muito coloridos, bem detalhados e repletos de efeitos visuais interessantes, como várias camadas de parallax scrolling e transparências. Por outro lado, perdemos todas aquelas belíssimas cenas anime que iam avançando a narrativa. Aqui, contamos apenas com breves sequências no início e no final do jogo, o que é uma pena. A banda sonora mantém-se excelente, repleta de temas enérgicos. A Super Nintendo até se saiu surpreendentemente bem na recriação dos temas mais rock desta composição. Em suma, esta adaptação de Valis IV apresenta pontos positivos e negativos, mas, sinceramente, mesmo sendo graficamente mais avançada, continuo a preferir a jogabilidade e as cenas animadas do lançamento original.
Acho super interessante estes scans do material original!
De resto, cada jogo desta compilação possui as mesmas funcionalidades dos volumes anteriores: contamos com um sistema de rewind, save states e controlos personalizáveis. Para além disso, podemos consultar uma adaptação para inglês dos manuais de cada jogo, seguida dos scans dos manuais, caixa e cartucho/disquetes dos lançamentos originais. As cenas animadas e a banda sonora de cada jogo podem também ser visualizadas livremente, a par de alguns trailers ou anúncios televisivos em certos títulos, algo que, sinceramente, me passou despercebido nas compilações anteriores.
Portanto, para quem for um fã acérrimo da série Valis, tem aqui mais uma compilação interessante que nos traz diversas variantes dos seus títulos. Ainda assim, se a Edia queria realmente dividir tudo isto em três volumes, talvez tivesse feito mais sentido organizar as versões da seguinte forma: o primeiro volume dedicado às edições para PC Engine CD, o segundo às versões lançadas para Famicom, Mega Drive e Super Famicom, e um terceiro volume exclusivamente para adaptações em computadores nipónicos, onde a inclusão da versão Sharp X68000 do Valis II teria sido uma mais-valia.
Depois da Edia ter lançado a primeira colectânea da série Valis, não perdeu muito tempo a anunciar um segundo volume. Afinal, o primeiro incluía apenas os três primeiros jogos da saga, nas suas versões para PC Engine CD, quando ainda havia uma outra sequela a considerar, bem como variantes para outros sistemas. Este segundo volume inclui o tão aguardado Valis IV, também na sua versão PC Engine CD, Syd of Valis para a Mega Drive, e duas versões distintas do primeiro Valis: a da Mega Drive e a original de MSX, datada de 1986. Tal como acontecera com o volume anterior, a Limited Run Games publicou uma versão física desta colectânea, localizada para inglês, e o meu exemplar deu entrada na colecção algures em Junho do passado ano de 2023.
Jogo com caixa e um pequeno livrete com informações genéricas da série. No primeiro volume vinha com uma interessante entrevista!
Tendo em conta que já cá deixei no passado a minha opinião acerca do Valis de Mega Drive e Syd of Valis, este artigo irá focar-se então nos restantes dois títulos presentes nesta compilação. E, para fechar a saga na PC Engine CD, vamos começar pelo Valis IV, lançado originalmente no ano de 1991. E as coisas começam logo com outras protagonistas, visto que Yuko desapareceu após os eventos do jogo antecessor. A personagem principal é mais uma jovem rapariga, agora chamada Lena, que se prepara para lutar, uma vez mais, contra forças demoníacas que anseiam conquistar o mundo. Tal como no Valis III, no entanto, iremos ter outras personagens que se juntam a nós na aventura, a começar por Amu (irmã de Lena) e Asfal (um demónio, e pai do vilão), que também pretende colocar um fim nos planos apocalípticos lançados pelo seu filho.
Os jogos presentes neste volume
No que diz respeito à jogabilidade, este continua a ser um jogo de acção 2D sidescroller, herdando os controlos básicos dos lançamentos anteriores, com Lena a manter o mesmo tipo de habilidades de Yuko, nomeadamente o seu slide. Já Amu é a única personagem capaz de executar saltos duplos, enquanto Asfal consegue atravessar certos obstáculos, como espinhos ou barreiras de energia, sem sofrer dano. Para além disso, Asfal, sendo grande e pesado, consegue andar sobre superfícies escorregadias sem qualquer problema. Cada personagem possui uma arma distinta: Lena, tal como Yuko, empunha uma espada capaz de disparar projécteis; Amu ataca com uma espécie de bumerangue; e Asfal utiliza um bastão mágico que dispara cabeças de lobo gigantes, lançadas em arco e que percorrem depois a superfície. São ataques poderosos, embora infelizmente algo inúteis contra alvos aéreos. O facto de as três personagens se jogarem agora de forma bastante distinta obriga-nos a trocar frequentemente entre elas, já que haverá várias secções onde o slide de Lena, o duplo salto de Amu ou a invulnerabilidade de Asfal contra certos obstáculos serão mesmo necessários para progredir. O jogo herda, no entanto, uma mecânica algo aborrecida do seu antecessor directo: sempre que entramos num confronto contra um boss, ficamos presos à personagem que havíamos escolhido imediatamente antes do combate, o que pode ser algo chato.
O sistema de magia do Valis IV é algo diferente. A barra de magia é agora a de WP (weapon-power), sendo esvaziada de cada vez que executamos uma magia ou sofremos dano
O sistema de magias foi agora algo simplificado, com cada personagem ter ao seu dispor uma única magia, distinta entre as personagens. A barra de magia é partilhada entre todas as personagens e funciona da seguinte forma: começamos com essa barra parcialmente preenchida e sempre que a utilizamos, ou sofremos dano, a mesma volta a zero. Eventualmente poderemos apanhar power-ups que nos extendam a barra de magia até um nível máximo e quando essa está no máximo, podemos desencadear um poderoso ataque capaz de causar dano em todos os inimigos no ecrã, no entanto, a barra de magia regride e o seu nível máximo volta a ser menor, pelo que deveremos procurar outro desses power-ups para a voltar a expandir. De resto, ao longo da aventura podemos também encontrar outros itens que nos melhorem o poder de ataque das armas, regenerem a nossa barra de vida, vidas extra ou até invencibilidade temporária.
Tal como nos outros títulos cá trazidos, as cenas animadas são narradas com vozes em japonês, porém com legendas em inglês.
No que diz respeito aos audiovisuais, nota-se que a Telenet Japan e a Laser Soft fizeram um grande esforço em trazer uma apresentação de alta qualidade. Os níveis são longos e variados, levando-nos a diversos tipos de paisagens, como as cidades em ruínas do planeta Terra, cavernas e templos do mundo de Vecanti, entre outros locais mais singulares. As personagens e inimigos sãosprites consideravelmente grandes, bem detalhadas e animadas, e há um esforço notório na apresentação dos níveis, com alguns efeitos de parallax scrolling aqui e ali, relembrando que a PC Engine não suporta nativamente tal efeito, pelo que é sempre um pequeno motivo de celebração quando os vemos. Tal como os restantes títulos da série, este também inclui frequentes cenas animadas num estilo anime, todas todas muito bem detalhadas e com uma narrativa um pouco mais complexa do que nos seus antecessores: a parada nunca esteve tão alta! A acompanhar essas cenas, estão também diálogos com vozes em japonês (traduzidas para legendas nesta versão), e a banda sonora é igualmente bastante agradável, como tem sido habitual. Sendo este um lançamento de PC Engine CD, as músicas estão em formato áudio CD.
Os controlos podem ser adaptados e certas acções, que no comando original da PC-Engine, requerem 2 botões em simultâneo, podem ser mapeados para um único botão. Ter um botão dedicado ao slide ou magias é muito melhor!
Portanto, Valis IV é uma excelente forma de fechar a série Valis, que nunca mais recebeu nenhum outro jogo da sua linha principal. A PC Engine CD ainda recebe, no ano seguinte, uma adaptação do primeiro Valis, já mencionada na colectânea anterior. Existe também uma versão para Super Nintendo deste jogo, que a Edia decidiu incluir numa outra compilação, e que tenciono jogar futuramente.
As adaptações dos manuais originais para inglês, se bem que de forma algo simplificada, são um detalhe delicioso nesta compilação!
Falta-me então abordar o Valis de MSX, aquele que supostamente foi o lançamento original de toda a série, lançado algures no final de Novembro de 1986. No mês seguinte, seguiram-se versões para outros computadores nipónicos, como o NEC PC-88, o Sharp X1 e, posteriormente, adaptações para o Fujitsu FM-7 e NEC PC-98. A minha curiosidade em jogar esta versão era bastante elevada, pois sempre me habituei aos Valis de Mega Drive (e mais tarde os de PC Engine), que por sua vez já se apresentavam como experiências mais modernas, tendo em conta o contexto dos anos 90. E de facto, este primeiro Valis é um jogo duro de pegar nos dias de hoje. A nível de mecânicas há diferenças notáveis. Apesar de se tratar igualmente de um sidescroller 2D de acção, foram introduzidos alguns conceitos de RPG. Ao derrotar os inúmeros inimigos, estes largam ocasionalmente esferas coloridas que podem ser recolhidas. Estas servem tanto para restabelecer como para aumentar a nossa barra de vida, que, a cada 100 unidades, recomeça do zero, fazendo-nos subir um nível. Por outro lado, ao sofrermos dano, podemos regredir nos níveis acumulados — e sofrer dano é, infelizmente, demasiado fácil. Os inimigos surgem continuamente no ecrã, e como as suas sprites são bastante simples, é comum que os mesmos (ou os seus projécteis) acabem por passar despercebidos no meio da acção. E depois, este é um daqueles jogos em que a Yuko não tem frames de invencibilidade, recebendo dano de forma contínua enquanto não sair da zona de perigo. Portanto, o primeiro conselho que posso dar é mesmo o de procurar alguns locais mais sossegados do mapa, com menos inimigos, e perder uns valentes minutos a combater para subir de nível, de forma a obtermos uma barra de vida mais robusta. No que toca à jogabilidade, os saltos continuam algo rígidos, e embora a Yuko possua a habilidade de duplo salto, a sua execução deixa bastante a desejar.
Bastante jeito deu a adaptação do manual do Valis de MSX!
No que diz respeito aos restantes itens coleccionáveis, Yuko pode equipar itens ofensivos e defensivos. Os primeiros são upgrades para as suas armas, permitindo-nos começar a disparar projécteis com a sua espada, ou até lançar múltiplos projécteis em simultâneo, por vezes em direcções distintas, consoante o item que coleccionamos. No entanto, equipar estes itens tem um custo, algo que acabamos por descobrir de forma algo acidental. Cada um dos itens ofensivos consome um certo número de níveis, ou pontos de vida, ao ser activado. Ainda assim, a sua utilização é fortemente recomendada, mesmo que depois tenhamos de investir mais algum tempo a voltar a evoluir a personagem. Os itens defensivos, como diferentes armaduras, reduzem a quantidade de dano sofrido por Yuko. Para além disso, existem também outros itens espalhados pelos níveis que nos podem trazer certos benefícios, como objectos que destroem todos os inimigos presentes no ecrã, conferem invencibilidade temporária ou, pelo contrário, funcionam como armadilhas. Há, por exemplo, um item que torna todos os inimigos super poderosos durante algum tempo, sendo por isso algo que devemos evitar a todo o custo.
Visualmente o jogo está bastante interessante, tendo em conta que é um título de MSX1, no entanto os inimigos são bastante numerosos, agressivos e monocromáticos, podendo-se camuflar bastante com os cenários, particularmente nos níveis seguintes
Passando agora à parte gráfica, devemos primeiro assentar a ideia de que o jogo corre num sistema MSX, cuja tecnologia do início dos anos 80 não suporta, de forma nativa, scrolling, algo amplamente utilizado por jogos de acção que começaram a ganhar popularidade a partir da segunda metade da década. Apesar de se notarem algumas quebras no framerate, esta versão de Valis consegue apresentar um scrolling relativamente convincente, o que é sempre digno de louvor do ponto de vista técnico nesta plataforma. O primeiro nível, com cenários urbanos, está especialmente bem detalhado e colorido, e o mesmo pode ser dito da sprite de Yuko. No entanto, todos os inimigos e respectivos projécteis são renderizados com sprites monocromáticas, que facilmente se confundem com os cenários, sobretudo nos níveis seguintes, cujos visuais já não são tão interessantes como os do primeiro. Para além disso, os níveis são bastante grandes e com um design algo labiríntico, o que se tornou característico em muitos jogos de acção oriundos do mundo dos computadores dos anos 80 e início dos 90, embora essa confusão seja atenuada com uma seta no canto inferior direito do ecrã que indica a direcção da saída. Tudo isto, aliado ao facto de os inimigos serem bastante agressivos e numerosos, torna esta uma experiência particularmente frustrante, onde volto a salientar a necessidade constante de se fazer algum grinding para manter uma barra de vida suficientemente robusta, até porque os bosses também não são fáceis. Já no que diz respeito ao audio, os jogos de MSX apresentam um som muito semelhante ao da Master System, visto que ambos partilham um chip de som parecido. Algumas faixas estão até bastante bem conseguidas tendo em conta o hardware, outras já não tanto. De notar também que esta versão não possui quaisquer cinemáticas, que tornaram a série consideravelmente popular nos lançamentos seguintes.
De resto, em relação à compilação em si, esta traz as mesmas melhorias de qualidade de vida do volume predecessor. Em cada jogo podemos usar save states e um mecanismo de rewind que só peca por nos perguntar constantemente se queremos realmente recuar. Adaptações dos manuais para inglês, seguidas de scans dos originais japoneses e das caixas dos jogos, assim como a banda sonora e todas as cinemáticas presentes nos jogos, podem também ser consultadas. A Edia lançou ainda um terceiro volume desta colectânea, contendo a adaptação de Super Famicom do Valis IV, a versão para Famicom do primeiro Valis e mais algumas edições para computadores nipónicos. Cá estarei para os jogar, algures nas próximas semanas.
Tempo de voltar agora à Nintendo Switch para o primeiro volume de uma colectânea que atravessa os mais importantes lançamentos da saga Valis, da qual já cá trouxe no passado alguns dos seus (re)lançamentos. Anunciada pela Edia (que havia adquirido os direitos de várias das propriedades intelectuais da extinta Telenet Japan) algures em 2021 para celebrar os 35 anos da série, consistindo nas versões PC Engine dos primeiros 3 jogos da saga. No Japão houve um lançamento físico, enquanto que no resto do mundo se ficou por versões digitais. Pelo menos até 2022, onde a Limited Run Games anunciou um lançamento físico em inglês, que eu acabei por comprar.
Jogo com caixa e um livreto com uma interessante entrevista a um dos criadores dos jogos presentes nesta compilação
Escrever sobre a série Valis é, para mim, uma tarefa algo ingrata, dada a sua longa história de relançamentos em diversas plataformas e o facto de, até há pouco tempo, nenhum dos seus jogos ter sido lançado oficialmente por cá. Apesar de já ter jogado as versões Mega Drive há muitos anos através de emulação, a primeira vez que cá trago algo da série no blogue deu-se através do Syd of Valis, após ter encontrado um cartucho ao acaso numa Cash Converters. Este título, um remake com um estilo artístico super deformed, chegou à Mega Drive após Valis III e após Valis, sendo que este último já era, por si só, um remake. Assim, a ordem de lançamento na Mega Drive foi: Valis III (conversão), Valis (remake) e Valis II (remake). Já na PC Engine CD, a série seguiu outra lógica, com Valis II, Valis III, Valis IV e Valis, mais um remake, distinto da versão Mega Drive. Esta colectânea inclui as versões PC Engine CD dos três primeiros jogos. Confusos? É natural, eu também fico.
Cada jogo nesta compilação inclui uma versão simplificada do manual em inglês, seguindo-se pela versão integral do manual e capas da versão PC Engine CD
Começando pelo primeiro Valis, este foi originalmente lançado em 1986 para uma série de computadores nipónicos, com as versões MSX e PC-88 a serem incluídas em volumes subsequentes desta compilação. No ano seguinte, surgiu uma versão completamente diferente para a Famicom e um remake para a Mega Drive em 1991, ambas também disponíveis noutros volumes desta colectânea. Em 1992 sai uma nova versão para a PC Engine CD, consideravelmente próxima da versão Mega Drive, mas substancialmente diferente também. Em 1992, foi lançada uma nova versão para a PC Engine CD, consideravelmente próxima da versão Mega Drive, mas também substancialmente diferente. Comparando com a versão Mega Drive, a versão PC Engine CD partilha os mesmos cenários de nível, embora a sua construção seja inteiramente distinta. Em termos de mecânicas e controlos, ambas as versões partilham o mesmo sistema de power-ups, embora com algumas ligeiras diferenças nos itens e habilidades que podem ser coleccionados. A versão PC Engine CD, no entanto, apresenta controlos muito mais refinados, começando pelo facto de não ser necessário pressionar cima e o botão de salto para alcançar saltos mais altos. A mecânica de slide também está presente, mas ao contrário da versão Mega Drive, aqui os slides podem ser usados não só para evasão, mas também como ataque.
A versão PC-Engine do primeiro Valis é um remake com notórias melhorias gráficas e a nível de controlo também, embora os níveis sejam supostamente mais lineares que os lançamentos originais de 1986
A nível audiovisual, há também diferenças notórias, principalmente devido ao facto de a versão PC Engine CD ter sido lançada num CD. A banda sonora continua bastante agradável e, apesar de eu apreciar bastante o chiptune da versão Mega Drive, as músicas aqui, gravadas com instrumentos reais, são igualmente apelativas. Esta versão inclui também várias cenas animadas ao estilo anime, mas agora todas acompanhadas de narração em japonês. Por ser um lançamento Super CD-ROM², beneficia da memória RAM extra, resultando em níveis mais detalhados e coloridos, embora perca os efeitos de parallax scrolling da versão Mega Drive.
As cenas animadas, coloridas e cheias de detalhe, sempre foram um dos pontos mais chamativos desta série.
Segue-se Valis II e… que grande recuo senti! Esta versão é nitidamente mais datada, até porque foi originalmente lançada em 1989, ao contrário do remake do primeiro jogo, que saiu em 1992. Os controlos são mais simples, com um botão para saltar e outro para atacar. Temos vários power-ups para a espada de Yuko e magias também, embora estas agora tenham um número limitado de utilizações, ao contrário de estarem agarradas a uma barra de MP. Infelizmente, para as activar, basta pressionar o direccional para cima, o que é muito fácil de fazer acidentalmente, fazendo-nos desperdiçar uma utilização preciosa! É também um jogo bastante linear na construção dos níveis, o que não é necessariamente um problema.
Valis II, sendo um jogo mais antigo, não é tão interessante a nível visual. A jogabilidade é também muito mais simples.
A nível audiovisual, este é o primeiro jogo da Telenet lançado num formato CD e, por ter saído com a tecnologia CD-ROM², não beneficia da memória RAM adicional. As cenas entre níveis possuem, portanto, menor detalhe visual, embora sejam novamente narradas em japonês. O detalhe gráfico dos níveis é também consideravelmente mais simples, o que é comum em lançamentos CD-ROM², pois, com a mesma memória RAM disponível, a PC Engine CD precisa de usar a memória base para renderizar os gráficos e tocar as músicas em formato Redbook Audio do CD. Não é incomum, em jogos de PC Engine com versões HuCard e CD-ROM², a versão CD ter níveis com menos detalhe ou até mais curtos devido a essa limitação. Mas voltando à banda sonora, que está aqui presente em formato CD Audio, é uma mistura entre temas mais rock (que me agradam bastante) e outros mais leves, com melodias sintetizadas, algo que já não me agrada tanto. No entanto, era algo bastante comum na música dos anos 80, pelo que se compreende perfeitamente a sua inclusão.
As cenas são também visualmente menos apelativas, até porque este jogo não requer a expansão de memória introduzida pela tecnologia Super CD-ROM²
Passando finalmente para o Valis III, este já é um jogo bem mais robusto do que os seus antecessores, tanto a nível de design dos níveis, como de controlos e mecânicas de jogo. Foi a primeira vez na série que se implementou um sistema de slide, que serve tanto para nos desviarmos de ataques inimigos e atravessar certas secções dos níveis, como também como ataque adicional. No entanto, regressa também a mecânica de salto alto recorrendo à combinação do botão de salto com o direccional para cima, algo que já não me agrada tanto. A grande novidade está, no entanto, na introdução de diferentes personagens jogáveis. Para além de Yuko, desde cedo desbloqueamos Cham, uma espécie de tributo aos Belmont de Castlevania, pois também usa um chicote como arma. Mais a meio do jogo desbloqueamos ainda Valna, que dispara projécteis mágicos — mais fracos do que os de Yuko, mas com maior alcance e disparados em múltiplas direcções. Tirando alguns momentos específicos em que somos obrigados a usar uma determinada personagem, podemos alternar entre as três usando o botão Run (o botão + no comando da Switch). De regresso estão também as magias, agora apresentadas em diferentes “sabores” elementares, como electricidade, fogo ou gelo. Cada personagem executa essas magias de forma distinta, com padrões de ataque próprios. No caso do gelo, este pode inclusivamente ser usado para congelar inimigos, que por sua vez servem de plataforma, algo que teremos mesmo de fazer num nível em particular.
Ora cá está algo que a Edia alterou deliberadamente no Valis III: no original de PC Engine CD temos um painel publicitário da NEC, fabricante da consola
A nível audiovisual, este é também um título que tira partido da tecnologia Super CD-ROM² e da sua expansão de memória RAM. Isto traduz-se em cenas animadas e níveis com um nível de detalhe bastante superior ao habitual. Esses bons visuais, aliados a um design de níveis bem mais interessante (e uma boa jogabilidade também), tornaram a experiência muito mais cativante! Como nos outros Valis lançados neste sistema, contam-se várias cenas com vozes em japonês e uma banda sonora em formato CD Audio, com temas vibrantes e energéticos, numa toada rock. Algumas até me fizeram lembrar Castlevania!
Agora que já partilhei a minha opinião sobre os jogos presentes nesta compilação, vamos abordar todos os extras que a colectânea inclui. Ao escolher o jogo que queremos experimentar, somos levados a um menu que nos permite começar ou continuar o jogo, consultar um manual digital (que inclui uma versão simplificada e traduzida do original de PC Engine, seguida por scans da versão japonesa na íntegra), ajustar alguns aspectos gráficos e de controlo, assistir aos créditos e aceder a duas galerias distintas. Uma permite-nos ouvir toda a banda sonora, enquanto a outra nos dá acesso a todas as cenas animadas, independentemente do progresso feito em cada jogo. De resto, a novidade mais notória nestas versões é o facto de a narração japonesa estar agora traduzida para inglês, através de legendas. Curiosamente, Valis II e Valis III tiveram lançamentos norte-americanos com dobragem em inglês, mas essas versões não se encontram incluídas, o que é uma pena, pois seria um extra valioso do ponto de vista histórico.
As três protagonistas femininas que podemos controlar no Valis III
Todos os jogos são emulados, e para além das caixas de texto com legendas, foram também introduzidas várias melhorias de qualidade de vida, como um sistema de rewind. No entanto, a sua execução deixa a desejar: o rewind está atribuído ao botão L, e ao pressioná-lo o jogo recua apenas um ou dois segundos. Podemos pressioná-lo repetidamente para recuar mais, mas cada utilização abre uma janela a perguntar se queremos mesmo voltar atrás. Se por um lado isso evita enganos, por outro torna-se inconveniente quando se quer recuar mais tempo de forma deliberada. Ao pressionar o gatilho ZL, o jogo pausa e surge um menu que permite gravar ou carregar o progresso através de save states, consultar o manual, os controlos ou alterar algumas opções gráficas simples. Os controlos originais da PC Engine (dois botões faciais, Select e Run) foram fielmente adaptados, mas em certos jogos, acções que exigiam múltiplos botões simultâneos estão também mapeadas para botões adicionais da Switch. Por exemplo, o slide pode ser também activado através do botão R. O mapeamento dos botões é totalmente personalizável, o que é sempre bem-vindo. De forma geral, o emulador parece competente, embora eu não tenha os originais em PC Engine CD para comparação directa.
Antes de iniciar ou retomar cada jogo, temos acesso a uma série de opções e extras
No geral, considero esta uma colectânea interessante, apesar das limitações do sistema de rewind. A ausência das versões norte-americanas de Valis II e Valis III é uma oportunidade perdida, mas acima de tudo, a falta de Valis IV (também lançado na PC Engine) é uma omissão imperdoável. A menos que o emulador esteja a correr ISOs em plano de fundo, duvido que a sua inclusão fosse tecnicamente inviável ou economicamente impeditiva. Contudo, com o tempo, os planos da Edia tornaram-se claros: acabaram por anunciar dois volumes adicionais com esse mesmo Valis IV e variantes restantes para Mega Drive, Famicom, Super Famicom, MSX e PC-88. Esses volumes foram também localizados para inglês e lançados fisicamente para a Nintendo Switch no Ocidente através da Limited Run Games. Naturalmente que os comprei a todos, e tenciono escrever sobre eles assim que os jogar. Embora não considere a série Valis digna de figurar no panteão dos grandes jogos de acção das gerações 8 e 16-bit, sempre os achei bastante interessantes, sobretudo pelas cenas em estilo anime, que desde cedo me fascinaram, quando joguei os originais da Mega Drive pela primeira vez, em emulação, algures em 1999.