Continuando pelas super rapidinhas, hoje trago-vos cá mais uma adaptação de um jogo para a Master System. A versão SMS do Chuck Rock é idêntica à da Game Gear, que eu já cá trouxe anteriormente, pelo que não vai haver muita coisa a mudar nesta versão. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu por algo em volta dos 6€ no passado mês de Março.
Jogo com caixa e manual
Tal como já referi acima, esta versão é muito idêntica à da Game Gear, com as mesmas mecânicas de jogo de um simples jogo 2D de plataformas, onde com um botão Chuck salta, com o outro ataca os inimigos com a barriga. Podemos também apanhar rochas que tanto podem servir de arma de arremesso, como de plataforma para atingir locais de difícil acesso. A grande diferença está mesmo na resolução maior no ecrã, que nos permite ver mais do nível e evitar saltos de fé. De resto é o mesmo jogo que na Game Gear, onde os backgrounds não possuem qualquer detalhe e infelizmente a única música que existe é a faixa título, durante o jogo temos apenas os efeitos sonoros. Ao menos essa música é excelente, mesmo na Master System!
A Core Design foi um dos estúdios britânicos que mais suportou a Mega CD, e os seus jogos não eram baseados em Full Motion Video como muitos outros da plataforma, o que a levou a ter algum destaque. Mas também poucos foram aqueles desenvolvidos especificamente para a Mega CD, pois como muitos estúdios britânicos da década de 80 e meados dos 90, a sua especialidade eram mesmo os micro computadores da época como o Atari ST e Commodore Amiga. Este Wolfchild não é excepção, tendo sido desenvolvido originalmente para a Atari ST e Commodore Amiga e só depois para as consolas da Sega. No entanto, curiosamente, a versão Mega Drive existe apenas nos Estados Unidos (publicada pela JVC) e não na Europa, como todas as outras. O meu exemplar veio do Reino Unido, tendo-me custado 14 libras se bem me recordo. Está completo e em óptimo estado.
Jogo completo com manual
A história é simples: o cientista Kal Morrow foi raptado pelos Chimera, uma poderosa organização criminosa. Nós encarnamos no seu filho Saul e temos de o resgatar. Acontece que Kal trabalha na área de biotecnologia e uma das suas últimas invenções era uma tecnologia que modifica o corpo humano de forma a conferir vários poderes e naturalmente que Saul, sabendo disso, usa essa mesma tecnologia para se transformar numa espécie de lobisomem e depois sim, vamos ao resgate!
Começamos então como humanos a bordo de uma nave que nos leva para a base dos Chimera, mas… não era suposto sermos antes um lobisomem? Pois, de facto essa transformação apenas acontece quando apanhamos uma série de itens que nos extendem a nossa barra de energia. Por outro lado, se sofrermos dano suficiente, também voltamos à forma humana, que é bem mais fraca, podendo apenas atacar com socos. Quando passamos para a forma de lobisomem, ao atacar lançamos projécteis na forma de energia, tendo estes projécteis “básicos” munição ilimitada. No entanto, como noutros shooters como Contra, vamos poder encontrar uma série de itens e powerups, incluindo diferentes “armas” – sempre projécteis de energia – mas diferentes entre si. Temos o equivalente ao rapid fire, temos outras bolas de energia concentrada bem mais poderosas, projécteis teleguiados, outros que saem disparados em três direcções distintas, entre outros. Infelizmente a versão Mega CD não suporta comandos de 6 botões, pelo que temos um botão para atacar, outro para saltar e um outro para activar as smart bombs, bombas que podemos encontrar nos níveis e que destroem todos os inimigos presentes no ecrã (e também causam bastante dano contra os eventuais bosses que viremos a defrontar). Ora então nas “armas normais” sempre que apanhemos um power up novo, é essa arma que passamos a usar. Creio que na versão de Super Nintendo há a possibilidade de rodar entre as armas que coleccionamos.
Antes de começarmos a aventura temos direito a uma cutscene em FMV que conta a história. Infelizmente a animação não é grande coisa, muito menos o voice acting.
Vamos encontrar também outros itens que podem ser apanhados. Esferas simples apenas nos dão pontos extra, temos restauradores (e extensores) da nossa barra de vida, escudos que nos dão invencibilidade temporária ou outros itens que servem de checkpoint, ou seja, caso percamos uma vida recomeçamos o nível da posição onde apanhamos esse item. Também vamos encontrar letras que podem formar as palavras BONUS e EXTRA. Ao completar a primeira ganhamos pontos extra, enquanto que ao completar a segunda ganhamos uma vida extra. Portanto, este até que é um jogo onde compensa explorar os níveis ao máximo, pois muitos destes itens estão escondidos em objectos que têm de ser destruídos e em locais de difícil acesso.
Inicialmente começamos o jogo na forma humana, mas ao apanhar alguns power ups de vida, lá nos transformamos
Passando agora para os audiovisuais, devo dizer que estou algo dividido. Por um lado gosto do design dos níveis, que apresentam variedade entre si. Começamos a bordo de uma fortaleza voadora, passando por uma selva, templos antigos e as bases militares do grupo Chimera, repletas de armadilhas e inimigos para defrontar. No entanto, acho que a nível de cores, o jogo está muito fraquinho, com uma paleta de cores muito reduzida. É verdade que essa é uma limitação da própria Mega Drive e Mega CD, mas temos inúmeros exemplos de jogos bem coloridos na plataforma. Por outro lado as músicas, que aqui na versão Mega CD possuem qualidade CD-Audio, essas são muito bem conseguidas e agradáveis.
Para mim, este foi o nível onde notei mais que as cores deviam ser mais vivas. Os amarelos estão longe de serem amarelos, por exemplo.
Portanto, devo dizer que este Wolfchild não é um mau jogo e a sua adaptação para a Mega CD também é bem conseguida. No entanto creio que teria potencial para ser muito melhor, tanto a nível de jogabilidade (seria bom conseguirmos rodar as armas aqui também), como nos seus gráficos que poderiam ser mais coloridos.
Voltando à Mega CD, o jogo que cá vos trago agora é um interessante shooter militar desenvolvido pela Core Design. Thunderhawk, lançado originalmente em 1992 para os computadores Commodore Amiga e PC (para DOS), cuja versão já abordei superficialmente na compilação Fly & Drive, acabou também por ter uma conversão para a Mega CD que saiu no ano seguinte. Esta versão para a Mega CD possui uma jogabilidade mais simples, e um grafismo diferente, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado algures no mês de março numa loja online, tendo-me custado 12€.
Jogo com caixa. As pessoas muito gostavam de comer manuais…
Este jogo coloca-nos a bordo de um helicóptero de combate fictício, ao longo de várias campanhas espalhadas pelo globo, desde conflitos relacionados com tráfico de armas na américa do sul, conflitos na europa de leste, médio oriente ou até combater piratas no mar da China. São 10 campanhas no total, cada qual com um número de missões que varia entre as 4 ou 6. As missões em si consistem sempre na destruição de uma série de objectivos primários, sejam algumas importantes peças de artilharia ou tanques de guerra, depósitos de óleo, radares ou mesmo bases militares por inteiro. A diferença é que por vezes nalgumas missões teremos mesmo de ser rápidos a destruir todos os objectivos primários, caso contrário falhamos a missão. Depois, para além dos alvos primários, temos dezenas de alvos secundários como baterias anti-aéreas, camiões militares, tanques, entre outros. Estes alvos não são obrigatórios serem destruidos para cumprir as missões, mas quantos mais forem destruidos, melhor será a nossa pontuação e mais medalhas de mérito vamos ganhando.
O jogo possui várias campanhas diferentes ao longo do globo
O helicóptero está sempre equipado com uma metralhadora pesada com munições infinitas e sem o perigo de sobre aquecimento, 76 rockets e 14 mísseis para alvos mais robustos. Nalgumas missões com objectivos mais peculiares, os rockets podem ser substituídos por outras armas, como é o caso das bombas de profundidade anti submarinos numa das missões do Alaska, por exemplo.
Os controlos não são lá muito complicados, com o botão direccional a controlar o movimento, um botão facial para disparar a arma equipada, outro para alternar as armas a equipar e por fim sobra um botão facial que serve para controlar o helicóptero em posição estática no mapa. Ao pressionar esse botão (que pode ser configurável) em conjunto com o d-pad para cima ou baixo, controla a altitude do helicóptero. Por outro lado, ao pressionar no D-pad para a esquerda ou direita faz com que o helicóptero se volte para esses lados, sem sair da sua posição no mapa.
O jogo possui alguns efeitos gráficos interessantes como um pseudo mode 7 e rotação de sprites. Algo que a Mega CD conseguia fazer bem, mas poucas foram as empresas que o exploraram.
Bom, eu nunca perdi muito tempo com a versão PC pois na altura não me consegui entender com o esquema de controlo do helicóptero, mas fiquei com a sensação de ser um jogo mais de simulação, mas espero dar uma segunda chance ao jogo em breve. Aqui a acção é practicamente arcade, com inúmeros alvos para abater em cada missão. E a menos que joguemos no modo hard, mesmo passando por dezenas de baterias antiaéreas e tanques, se nos mantivermos sempre em movimento, practicamente não somos atingidos. A maior ameaça está nos outros alvos aéreos como helicópteros ou aviões que sobrevoam muito rapidamente a área de jogo e facilmente nos atingem com um míssil, pelo que temos de estar atentos ao radar e tentar antecipar o seu ataque, ou desviar do míssil ao fazer algumas manobras mais violentas. Ainda assim, se formos atingidos, apenas nos afecta uma lasquinha de nada na barra de armadura no nosso helicóptero, o que não é nada realista.
O jogo está repleto de várias animações e cutscenes entre missões.
A nível técnico este é um jogo muitíssimo interessante. Por um lado, e comparando com a versão PC, esta versão Mega CD está repleta de pequenas cutscenes entre missões, sejam elas pequenas animações do helicóptero em movimento, a descolar ou a regressar à base, ou os próprios briefings antes de cada missão que são narrados com voice acting, enquanto na versão PC isso não acontece. Depois no jogo em si, é certo que a versão PC apresenta um grafismo poligonal primitivo, já esta acaba por ser mais fiel às 16bits. O jogo decorre na mesma numa perspectiva de primeira pessoa, mas o mapa é um plano gigante, típico dos efeitos de mode 7 que a SNES tão famosamente implementou. Mas ao contrário do mode 7 da SNES, para além disso os mapas totalmente planos e desprovidos de vida, pois são também ricos em sprites. As músicas neste jogo têm quase todas uma toada mais rock, com as músicas repletas de guitarradas, o que à partida me agradaria bastante, mas a verdade é que as músicas não são nada de especial e acabam por se tornar bastante repetitivas pois o jogo ainda é longo.
Portanto, este Thunderhawk para a Mega CD acaba por ser um título muito interessante. Mais que uma conversão dos originais de Commodore Amiga e PC, esta versão acaba por ser muito mais arcade do que simulação, tornando o jogo numa experiência bastante agradável, mesmo tendo alguns defeitos. Felizmente é também um jogo muito comum para a Mega CD, pelo que não terão de pagar um rim para o comprar.
Voltando à Master System e às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é a adaptação para esta consola da sequela do Chuck Rock da Core Design, um jogo de plataformas com a temática da idade da pedra, desenvolvido originalmente para o Commodore Amiga, tendo sido posteriormente convertido a uma grande panóplia de outros sistemas. E nesta sequela a mesma ordem de ideias manteve-se, o que mudou foi o protagonista, mas já lá vamos! O meu exemplar foi comprado no mês passado numa das Cash Converters. Ficou-me por 12€.
Jogo com caixa
Neste jogo Chuck Rock foi raptado e quem o tenta salvar é nada mais nada menos que o seu filho de 6 meses! Na sua essência, este é um jogo de plataformas tradicional, com um botão para atacar e outro para saltar. Enquanto Chuck usava a sua barriga para atacar, o seu filho felizmente está equipado com um taco de madeira, que nos permite alcances ligeiramente superiores. De resto, as mecânicas de jogo são simples, temos de procurar a saída em cada nível, atravessando uma série de obstáculos e combatendo alguns inimigos pelo caminho. A nossa arma, para além de atacar também serve para interagir com os cenários em algumas situações, como a de “arrastar” pedras sobre espinhos, de forma a que consigamos alcançar algumas plataformas que de outra forma seriam inatingíveis. Isso ou interagir com alguns animais como um tigre ou uma tartaruga!
A nossa barra de energia é medida pelo nível de leite no biberão do canto superior esquerdo e pode ser restabelecida ao procurar mais biberões!
Tal como os Flintstones, o mundo de Chuck Rock decorre numa pré-história alternativa, com uma sociedade muito avançada como a nossa em tempos modernos. Portanto esperem por visitar localizações como subúrbios citadinos, zonas algo industriais, entre outras mais naturais como florestas, rios e vulcões. No final de cada zona temos um boss para defrontar e tipicamente o nível seguinte é diferente dos restantes, com um foco em corridas em vez de platforming. A nível audiovisual é um jogo colorido e muito bem detalhado para uma Master System, embora seja perfeitamente notório que o jogo nas suas versões 16bit tenha potencial para ser muito melhor. Isto porque aqui várias animações foram cortadas e os backgrounds são mais simplificados. Ao menos, ao contrário da versão Master System do jogo anterior, este já vem com música, que apesar de não ser nada de especial, também não incomoda e dá para entreter.
A série Lotus Turbo Challenge é talvez a mais bem sucedida série de corridas do Commodore Amiga. E como tal foram surgindo alguns imitadores, entre os quais este Jaguar XJ220 da Core Design. E como uma grande parte dos estúdios europeus que desenvolviam jogos para o Commodore Amiga acabavam por os converter para as consolas da Sega, isso foi o que também aconteceu com este jogo. O meu exemplar foi-me oferecido por um particular, quando lhe comprei uma Mega CD II no final do ano passado.
Jogo com caixa
Aqui dispomos de vários modos de jogo, entre os quais o Grand Prix, World Tour e Free Practice. Este último é auto-explanatório, serve para praticarmos as nossas habilidades em qualquer um dos circuitos. Os outros dois já são mais competitivos e muito parecidos entre si, mas com algumas diferenças. O Grand Prix é o típico modo campeonato, onde iremos participar numa série de corridas em diferentes países, com direito a volta de qualificação e tudo. Como habitual, o que conta é chegar ao final da temporada e ter mais pontos que os adversários e em corridas com maior número de voltas, temos também de ter em atenção o nível de combustível e ir às boxes quando necessário.
O Jaguar XJ220 é o único carro “real” que poderemos conduzir. Todos os outros são fictícios mas inspirados em marcas e modelos reais, como os Ferriri
O World Tour é também um modo campeonato, onde para além de tentarmos chegar ao fim com mais pontos do que a concorrência, temos de ter mais atenção no budget. Isto porque temos a liberdade de escolher onde correr a seguir, mas temos de ter em conta o custo de toda a logística. Se começarmos o campeonato em Inglaterra, se calhar fica mais em conta a corrida seguinte ser em França e não no Brasil, e por aí fora. Antes de avançar com a escolha da pista temos ainda a opinião do nosso contabilista que nos pode sugerir o destino seguinte. Depois no final da corrida, mediante a nossa performance e se batermos em alguém ou alguma coisa, teremos também de reparar o carro, desde a chapa, até aos pneus e mais variadas peças. Tudo isto custa dinheiro, pelo que convém ir terminando cada corrida o acima possível da tabela classicativa, para a recompensa monetária ser maior. Infelizmente apenas podemos reparar o nosso carro, não podemos comprar upgrades o que é pena. Depois temos também o modo para 2 jogadores e ainda um track editor que nos permite construir a nossa própria pista, mas confesso que não experimentei nem um nem outro.
O sprite scaling neste jogo até que está bastante convincente!
A jogabilidade não é nada do outro mundo, é a de um jogo de corridas típico da era 16bit. Por vezes sente-se alguma dificuldade nas curvas, pelo que upgrades ao carro eram mesmo benvindos! De resto, a nível técnico é também um jogo com altos e baixos. Por um lado está cheio de menus e interfaces bonitas (para a altura, claro), como por exemplo o próprio menu de substituição de peças, que nos permite ver o carro (e as peças que vamos substituir) de várias perspectivas. Por outro lado, nas corridas em si o jogo peca pelos cenários não terem mais detalhe e cores mais vívidas (embora isso também seja em parte culpa do hardware). As pistas em si vão tendo vários desníveis como nos jogos da série Lotus ou Outrun, mas as imagens de fundo a partir de uma certa linha do horizonte deixam de ter qualquer detalhe e passam a ter uma cor sólida de fundo, o que não fica bem. Os carros não são nada de especial a nível de detalhe gráfico, mas não eram muitos os jogos de corrida dessa época que se lembravam de colocar as luzes do travão a acender sempre que travávamos.
O menu de reparação de peças até que está interessante, principalmente pela animação fluída do Jaguar no fundo do ecrã
Por outro lado, das poucas vantagens gráficas que a Mega CD trouxe perante a Mega Drive foi mesmo um suporte nativo a sprite rotation e scaling, sendo que este último está bem implementado neste jogo. Tal como no OutRun, as sprites das bordas da estrada aumentam de tamanho de forma fluída e com detalhe, dando uma melhor sensação de velocidade. As músicas são no formato CD-Audio e aparentemente fornecidas pela JVC. No entanto, não as achei nada de especial, algumas são mesmo daquelas músicas típicas de elevador só para entreter. Mas podia ser pior!
Portanto este Jaguar XJ220 acabou por ser um jogo que me surpreendeu um pouco pela positiva, por ter alguns detalhes interessantes. Por outro lado, a jogabilidade merecia estar muito melhor refinada e um sistema de upgrades nos carros acho que faria sentido.