Halo: The Masterchief Collection (Microsoft Xbox One) – Parte 3: Halo 3

Lamento o título confuso, mas decidi recentemente jogar o Halo 3, que apenas o tinho disponível nesta colectânea Masterchief Collection. Visto que já havia jogado tanto o Halo original como a sua sequela Halo 2 nas suas versões de PC, o meu plano original era o de jogar apenas os restantes títulos desta compilação. Mas confesso que, apesar de até ter gostado deste Halo 3, já não me lembrava nada da sua história pelo que decidi voltar a jogar os primeiros títulos desta série também. Até porque ambas as versões desses jogos aqui presentes são remakes (inclusivamente o remake do primeiro Halo já havia sido lançado antes, ainda em pleno ciclo de vida da Xbox 360). Supostamente o remake do segundo Halo segue os mesmos padrões, pelo que também o deverei jogar novamente. Então o que farei quando os terminar será rever e actualizar os artigos originais acima mencionados com um parágrafo adicional com as minhas impressões dessa nova versão aqui disponível nesta colectânea. O meu exemplar foi comprado numa CeX, quer em Dezembro, quer no início de Janeiro, pouco tempo depois de eu ter arranjado uma Series X para a colecção. Custou-me 12€ o que acho um óptimo preço para todo o conteúdo aqui presente.

Jogo com caixa

Posta longa esta introdução, resta-me só deixar um disclaimer adicional: eu nunca joguei o Halo 3 na sua versão original de Xbox 360 (no momento de escrita deste artigo nem sequer possuo a consola) pelo que me irei focar exclusivamente nesta versão e na sua campanha single player. Sei bem que o multiplayer sempre foi um dos pontos fortes da série (e uma razão para o sucesso do serviço Xbox Live) mas tal nunca foi do meu interesse.

Infelizmente o Halo Reach e o 3 ODST não estão incluídos nativamente nesta compilação mas podem ser comprados como DLC. E o interface dos menus também parece ter sofrido alterações.

Ora o Halo 3 foi um jogo lançado originalmente em Setembro de 2007 e como seria de esperar era um jogo bastante esperado pelos fãs da série, visto ser o primeiro num sistema de nova geração. Foi ainda produzido pela Bungie e a história leva-nos a encarnar uma vez mais no super soldado Master Chief, algures após os eventos do segundo jogo, onde o space marine aterra bruscamente no planeta Terra. Confesso que já não me lembrava nada da história quando comecei este jogo, pelo que era practicamente tudo novo para mim. O objectivo será então o de lutar uma vez mais contra os Covenant, uma facção altamente religiosa de uma raça extraterrestre e também o de resgatar Cortana, uma inteligência artificial com uma forma feminina e que nos acompanhou ao longo dos jogos anteriores. A acompanhar-nos também está o Arbiter, líder de uma outra facção dos Covenant que nos irá auxiliar em diversos momentos.

Uma das novidades introduzidas no Halo 2 é a possibilidade de usarmos duas armas ligeiras em simultâneo, perdendo no entanto a possibilidade de atirar granadas

O Halo original foi um jogo bastante influente, não só por toda a fortíssima componente multiplayer que tirava partido da robusta infraestrutura de rede da Microsoft (Xbox Live), mas também por ter introduzido uma série de mecânicas que perduraram em muitos outros first person shooters que foram saindo ao longo do tempo, seja a sua vida regenerativa, ou a possibilidade de apenas carregarmos 2 armas em simultâneo (de um arsenal bastante diverso entre armas humanas e covenant). Para além disso, muitos dos seus níveis, particularmente os que se focavam nas zonas exteriores, eram bastante amplos e a introdução de veículos (muitos que poderiam ser operados cooperativamente) foram também introduções muito bem recebidas. Ora este Halo 3 herda todas essas mecânicas, incluindo a possibilidade de equiparmos duas armas ligeiras em simultâneo (se bem que com isso perdemos a possibilidade de utilizar granadas ou golpes corpo-a-corpo). De novidade temos a possibilidade de carregar um de diferentes itens adicionais que nos poderão dar escudos extra, regenerar a nossa vida, invencibilidade temporária ou uma melhor armadura quando activados. Temos vários veículos que podemos conduzir e uma das coisas que gostei é, no caso do jipe, o facto de podermos simplesmente controlar a metralhadora pesada, enquanto um dos NPCs que nos vai acompanhando pode controlar o veículo em si. Infelizmente a IA não é a melhor e por vezes tinha de abandonar a metralhadora, ocupar o lugar do motorista e conduzir eu mesmo para a próxima zona, mas preferia sempre ser eu a controlar o fogo. Uma das excepções é a primeira vez que precisamos de combater um mecha gigante na forma de um escaravelho. Aí é preferível sermos nós a controlar o veículo e deixar os NPCs atacarem as pernas do boss.

Sinceramente até achei a narrativa bastante interessante e isso foi uma das razões que me levou a querer rejogar os lançamentos originais.

Uma das coisas que gostei deste Halo 3 é o facto de os níveis, apesar de terem zonas amplas ou simplesmente longas como é habitual na série, os mesmos nunca se tornam demasiado repetitivos ou aborrecidos (algo que entretanto me voltei a lembrar do primeiro jogo, agora que o estou a jogar novamente). Para além disso, a narrativa acho que está bem mais interessante do o que eu me lembrava dos dois primeiros jogos e no fundo esta acabou por ser uma boa experiência. A nível audiovisual apesar de não achar o jogo nada do outro mundo, é um claro salto qualitativo em relação aos originais de Xbox. Os cenários e personagens têm muito mais detalhe, as texturas são de muito melhor qualidade e um dos benefícios da versão aqui presente nesta colectânea é o facto de a sua resolução estar upscaled e a performance sempre a apontar para os 60 fps ou até 120fps no caso da Series X. Jogando isto numa Series X e num monitor ultra wide, também não tive quaisquer problemas, com o jogo a suportar essa resolução. A banda sonora é bastante eclética, contendo temas mais épicos e orquestrais, outros com uma toada mais eletrónica e que acabam por funcionar bem com a acção e a narrativa que nos apresentam. O voice acting é bom, nada de especial a apontar neste aspecto!

Portanto devo reafirmar que até gostei deste Halo 3 e fez-me olhar para a série de uma forma bem mais positiva para aquilo que eu considerava inicialmente com os seus dois primeiros jogos. Esta compilação para a Xbox One traz todos os jogos principais desta série até ao Halo 5 (exclusive), pelo que é uma óptima maneira de alguém se introduzir na série. Está também disponível para PC e as suas vertentes multiplayer, seja competitivo, seja cooperativo (todas as campanhas neste disco podem ser jogadas cooperativamente) podem ser jogadas entre jogadores de ambas as plataformas.

Destiny: The Collection (Sony Playstation 4)

Quando comprei a minha Playstation 4 algures em 2015/2016, o Destiny foi dos primeiros que comprei e joguei. O facto de ser um FPS com elementos de RPG e com uma vertente online muito forte, comprei-o mesmo numa de ir jogando em sessões esporádicas, enquanto ia jogando outros jogos de forma mais focada. Inicialmente tinha comprado uma compilação que já trazia todas as expansões até ao The Taken King (tinha sido um bom negócio numa CeX, onde me tinham garantido que o jogo tinha sido vendido selado pelo que os códigos para activar os DLCs ainda estariam válidos), mas algures no ano passado encontrei na Worten esta “The Collection” que trouxe ainda a última expansão “The Rise of Iron”. Custou-me algo em torno dos 13€.

Jogo completo com caixa e panfletos diversos

Confesso que nunca fui um grande fã de Halo, embora só tenha jogado os primeiros 2 e no PC. Mas admito que, para a época em que sairam, a sua vertente multiplayer tenha sido um grande sucesso na Xbox, mas eu sempre fui mais fã da campanha single-player. E o que este Destiny oferece é na verdade um misto dos dois mundos, mas já lá vamos. Em Destiny o jogo decorre algures no futuro, onde após séculos de prosperidade para a raça humana, que nos permitiu inclusivamente colonizar outros planetas do nosso sistema solar, como Vénus ou Marte, dá-se um colapso que deixou a humanidade na beira da extinção. Pelo meio, enquanto os sobreviventes humanos se regrupam na última cidade livre do planeta terra, várias outras raças alienígenas tomam de assalto as colónias terrestres abandonadas noutros planetas, bem como começam a invadir a Terra também.

Com a introdução da expansão The Taken King, novas subclasses podem ser desbloquadas. Para os Titans, temos os Sunbearers.

Como em muitos jogos online, começamos a aventura por construir a nossa personagem. Dispomos de três classes básicas – os Titans, especialistas em força bruta, os Hunters que são uma espécie de ninjas futuristas, sendo bastante ágeis e com uma jogabilidade que recompensa a precisão dos nossos ataques. Por fim temos os Warlocks, que conforme o nome indica são uma espécie de feiticeiros. Cada uma destas classes possui diferentes subclasses que podemos evoluir e que nos dão diferentes habilidades. Eu pessoalmente escolhi o Titan e a subclasse Striker, que me permitia dar socos poderosíssimos, bem como alguns outros poderes, à media que ia ganhando pontos de experiência.

Ao longo do jogo vamos desbloqueando vários hubs sociais onde podemos interagir com uma série de NPCs, seja para receber quests, seja para comprar/vender alguns itens

Depois vamos tendo várias quests e diferentes tipos de missões pela frente. Temos missões que progridem a história e que, podem ser jogadas cooperativamente com mais uns 2 ou 3 amigos, temos patrulhas que podemos percorrer em cada planeta, onde poderemos fazer algumas pequenas missões ou, tal como em muitos MMOs, participar nalguns eventos públicos que geralmente consistem em derrotar algum boss gigantesco com a ajuda de qualquer outro jogador que esteja nas redondezas. Ainda na campanha, vamos tendo também Strikes e Raids. Estas são missões pensadas exclusivamente para o cooperativo. Os Strikes são para ser jogados com 3 pessoas, já os Raids, maiores e com alguns puzzles, é suposto serem jogados por 6 pessoas. Agora o problema é que muito pouca gente joga o primeiro Destiny e muitas vezes começamos um Strike ou Raid sozinho. Enquanto os Strikes, se tivermos paciência e a nossa personagem estiver suficientemente evoluída, até os conseguimos passar sozinhos (muitas vezes outros jogadores acabam por se juntar à nossa partida mais à frente), já os Raids não há hipótese nenhuma de se completar sozinho. E eu infelizmente não cheguei a fazer nenhum raid pois já não consegui arranjar quórum suficiente.

No final de cada missão temos um sumário dos pontos de experiência que ganhamos, tanto para a personagem, como para cada peça de equipamento que tenhamos equipada, podendo desbloquear novas skills ou habilidades.

Com a adição das expansões The Taken King e The Rise of Iron (gostei bastante da campanha do Taken King!) para além das missões principais da campanha de cada expansão, vamos também desbloqueando outras quests mais à MMO, consistindo em visitar áreas já conhecidas e coleccionar uma série de itens, ou derrotar alguns bosses super poderosos. O problema é que para além de algumas dessas quests serem algo repetitivas, muitos desses bosses são fortes demais para um jogador apenas o conseguir derrotar, até porque temos um tempo limite para o fazer. Portanto, com a falta de jogadores activos no Destiny 1, houve muitas destas quests das duas últimas expansões que desisti de fazer, o que é pena, pois muitas delas desbloqueiam depois algumas missões adicionais que não conseguimos jogar de outra forma. Sobre o multiplayer PVP, temos vários modos de jogo competitivo, sejam variantes de deathmatch, ou baseadas em objectivos onde teremos de controlar uma série de zonas num mapa. Infelizmente também não cheguei a testar nenhum destes modos de jogo devido à falta de pessoas. Inicialmente não quis jogar PVP pois a minha personagem estava ainda muito debilitada, mas só neste ano é que realmente investi umas horas valentes no Destiny e quando estava pronto para testar o PVP não consegui jogar uma única partida devido à falta de gente. É triste.

A qualquer momento podemos activar o nosso Ghost, que nos vai relembrando dos objectivos actuais e a sua localização no mapa, para além de permitir chamar um veículo para nos deslocarmos mais rápido, ou teletransportar de novo para a nave.

A nível gráfico é um jogo excelente para a época em que saiu e temos de ter em conta que o mesmo foi desenvolvido com a X360 e PS3 como plataformas base. Gosto bastante dos diferentes ambientes que exploramos, sejam as ruínas do Cosmodrome na Rússia, colónias humanas e cavernas tenebrosas dos the Hive na Lua, as ruínas de uma colónia avançada em Vénus, tomadas de assalto pela poderosa ameaça robótica dos The Vex, entre tantas outras! O jogo está repleto de pequenos momentos que me agradaram bastante, como é o caso dos ecrãs de loading, que são essencialmente pequenas cutscenes da nossa nave a sobrevoar a superfície de planetas ou a viajar a altas velocidades entre os diferentes planetas do nosso sistema solar. As músicas também variam desde o mais épico, pomposo e orquestral – perfeito quando combatemos em situações críticas, tenebrosas e tensas nalgumas alturas, ou, quando viajamos naqueles ecrãs de loading, conseguem ser tão pacíficas e relaxantes que só quero é que o loading demore um pouco mais.

Como muitos MMOs, por vezes surgem eventos públicos como bosses gigantes que qualquer jogador que se encontre lá perto pode enfrentar. Pena que já não hajam tantos assim como neste screenshot.

Portanto, este Destiny é um jogo que confesso que me divertiu, mesmo não sendo eu um grande fã de MMOs e afins. Mesmo com pouca gente a jogar hoje em dia, ainda deu para fazer todas as missões principais do modo história, a maioria dos Strikes e algumas quests adicionais. Tudo o resto já se torna muito difícil de obter (ou aborrecido) devido ao jogo já não ter tantos jogadores activos quanto isso. Mas ainda assim consigo ver porque foi um jogo de sucesso na altura que saiu. Todo o loot que podemos obter e customizar para a nossa personagem é impressionante, para além de toda uma série de itens cosméticos que podem comprar se isso for a vossa cena. Talvez compre o Destiny 2 no futuro pois gostei da história em geral deste Destiny e estou curioso em ver como a evoluiram, Fico no entanto a aguardar por uma compilação que já traga todas as expansões (não me enganam mais como o The Taken King Legendary Edition!).

Oni (Sony Playstation 2)

OniAlgures perto do virar do miléno, haviam 2 jogos da Bungie que pareciam bastante promissores e iriam deixar o estúdio definitivamente no mapa, eles que até então se tinham focado mais nas plataformas Macintosh. Um deles era um certo FPS futurista que até se tornou na killer app do lançamento da primeira Xbox, o outro era este Oni. E apesar de a Bungie ter-se tornado num estúdio da Microsoft, este Oni acabou por se anteceder a isso, tendo sido lançado para PC e PS2 apenas. A minha cópia foi comprada há uns meses atrás na Feira da Ladra em Lisboa, tendo-me custado algo em volta dos 3, 4€.

Oni - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual. Infelizmente tudo em francês.

Este é um jogo futurista com uma protagonista feminina. Já bem dentro do século XXI, os níveis de poluição tornaram-se tão elevados que as zonas habitáveis da Terra se reduziram imenso. Para complicar ainda mais as coisas para a humanidade, o governo era bastante restritivo e ainda tinhamos que lidar com uma organização terrorista implacável, os Syndicate. A nossa heroína, chamada Konoko, é uma agente da Technological Crimes Task Force (TCTF), e inicialmente vamos combatendo os actos terroristas dos Syndicate, que liderados pelo cyborg Kuro, planeiam toda a extinção humana. Pelo meio temos os plot-twists do costume, claro. O uso de cyborgs, e toda esta sociedade pós-apocalíptica fazem lembrar bastante o mítico anime Ghost in the Shell, a começar mesmo pelo próprio aspecto gráfico do jogo que tenta emular as animações japonesas.

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Um dos powerups que podemos apanhar deixa-nos temporariamente invulneráveis,

O que diferenciava Oni da concorrência era a mistura entre um shooter na terceira pessoa com a de um beat ‘em up. Com um esquema de controlo algo fora do comum. Os botões de cabeceira são os que servem para as acções principais, como saltar, disparar, dar socos e pontapés, enquanto os faciais servem para recarregar a arma, largá-la, usar items, etc. Com este esquema mais inusual de controlo, não é por acaso que Oni tem um nível tutorial obrigatório, onde vamos aprendendo os movimentos básicos. Nas primeiras missões os inimigos também são fraquinhos, o que também nos ajuda mais a habituar às mecânicas de jogo. E o facto de apenas podemos carregar uma arma de cada vez, tornando-as até algo descartáveis, o foco na porrada acaba mesmo por ser o mais importante. E como vamos aprendendo uma série de combos novos com throws poderosos, isso também torna o jogo um pouco mais apelativo.

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A HUD é um pouco confusa, com toda a informação de items, vida, munição e direcção do próximo objectivo a ficar condensada em 2 círculos

Infelizmente, apesar de os níveis serem bem grandinhos, cheios de inimigos para combater e diferentes objectivos para cumprir, no fim de contas tudo se resume à monotonia de lutar, interagir em computadores para abrir portas, lutar mais um pouco, repetir, repetir, repetir. E pelos níveis serem consideravelmente grandes, tiveram de sacrificar um pouco nos gráficos. Enquanto que pelo menos as personagens estão bem detalhadas, nem que seja pelos padrões de 2001, os cenários quase que nem têm texturas, tudo é cinzento à nossa volta e há realmente pouca coisa de diferente para ver ao longo do jogo. As músicas são OK, com uma componente electrónica, não fosse este um jogo ao estilo cyberpunk, mas apenas vão tocando em alguns momentos de maior tensão. O voice acting pareceu-me decente, mas infelizmente a versão que eu comprei é exclusivamente em francês. Tenho vários jogos com capas e manuais em outras línguas que não o inglês, mas no jogo em si sempre pude escolher o idioma pretendido. Infelizmente tenho também alguns jogos em francês onde não há mesmo mais nada a fazer a não ser calar e comer, o que foi o caso deste Oni.

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Embora os cenários tenham um aspecto muito simples, as personagens estão bem detalhadas

Oni é um jogo estranho, seja pelo level design não muito espectacular, ou pelos controlos fora do comum. Mas a verdade é que depois de nos habituarmos aos controlos, a vertente de beat ‘em up acaba por se tornar bastante interessante, principalmente pelos diferentes golpes que vamos aprendendo que se tornarão bastante úteis contra alguns inimigos bem fortezinhos. É definitivamente um jogo de altos e baixos, e talvez o facto de ter sido um jogo pensado originalmente para a PS1 tenha contribuído pela pouca variedade gráfica. Gostava de ver a Bungie a pegar nisto novamente.

Halo 2 (PC)

Halo 2 PCNão foi há muito tempo atrás que escrevi um artigo da conversão para PC do primeiro Halo, um jogo lançado originalmente para a Xbox, sendo sempre o seu “system seller“. Halo é um jogo que moldou os FPS das consolas e consequentemente levou os de PC de arrasto também, ao popularizar conceitos como a vida regenerativa e o progresso marcado por checkpoints. Por outro lado apresentava um interessante arsenal de armas e uma condução de veículos cooperativa que já me agradaram mais. Esta é a inevitável sequela, que tardou um pouco em chegar ao PC. A minha cópia em particular foi adquirida na mediamarkt de Alfragide, tendo-me custado uns 15€.

Halo 2 - PC
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Pelo menos numa coisa melhoraram neste jogo: a narrativa e história, com este jogo a decorrer pouco depois os acontecimentos do primeiro jogo, com Master Chief e companhia a regressarem vitoriosos ao planeta Terra. Mas pelos vistos não vieram sozinhos, com uma grande armada dos alienígenas Covenant a seguirem-nos e tomarem o planeta Terra de assalto. Apesar de as forças terrestres conseguirem repelir com sucesso a invasão extraterrestre, Master Chief e amiguinhos conseguem seguir uma das naves Covenant no seu momento de retirada, descobrindo um novo Halo, um planetóide artificial na forma de anel que na verdade é uma arma capaz de dizimar inteiras galáxias. Paralelamente também vamos compreendendo melhor os próprios Covenant, com os seus líderes políticos e religiosos a condenarem Thel ‘Vadam, o Covenant Elite responsável pela derrota no primeiro jogo. Através destes segmentos ficamos a saber mais sobre a cultura, política e religião dessa raça, bem como os seus motivos para lutarem contra os humanos. Curiosamente iremos também poder jogar com Thel ‘Vadam, com as duas histórias a cruzarem-se mais para o final do jogo. Um elemento central é também o “The Flood”, um parasita que já tinha sido introduzido no jogo anterior, infectando tanto soldados humanos como Covenant.

Screenshot
A Energy sword foi das armas que mais gozo me deu jogar.

A jogabilidade mantém-se muito semelhante ao primeiro jogo, herdando as mesmas mecânicas principais: escudos regenerativos, progresso marcado por checkpoints e níveis divididos entre objectivos, com os ocasionais segmentos de condução de veículos, desta vez com uma maior variedade nesse aspecto, com o jogador a poder conduzir veículos ligeiros e pesados terrestres, mas também voadores, de ambas as raças. Tal como no jogo anterior, dependendo do veículo em questão é possível colocar o jogador em várias partes, seja a conduzir, a disparar, ou simplesmente a servir de passageiro. Não aconselho deixar a condução para a Inteligência Artificial, senão vão constantemente andar contra outras paredes e obstáculos, muitas vezes deixando-nos a descoberto do fogo inimigo. Mas o que achei interessante foi a mecânica mais influenciada por Grand Theft Auto, ao permitir que o jogador se “agarre” a um veículo inimigo e ataque os seus passageiros, de forma a tomar o veículo para si. De resto o jogador tem acesso a um vasto arsenal, tanto humano como Covenant, mas mais uma vez apenas pode carregar com 2 armas ao mesmo tempo, ou 3, caso decidamos envergar 2 pequenas armas de cada vez, uma solução que sacrifica alguma da precisão por poder bruto de fogo. Mais uma vez as armas dos Covenant na sua maioria utilizam baterias ao invés de munições, tornando-as inúteis após as baterias se esgotarem. Mas devo dizer que até preferi as missões do lado dos The Covenant, pois o jogador pode-se tornar invisível por um curto intervalo de tempo, permitindo uma abordagem mais stealth, tão necessária nos níveis finais em que jogamos pelos Covenant.

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Quando se trata de jipes, é preferível a IA controlar a metralhadora pesada do que a condução

Os modos multiplayer permitem mais uma vez jogar a campanha principal de forma cooperativa, ou então entrar no já extensivo modo multiplayer competitivo. Halo 2 oferece 7 modos diferentes de jogo principais, cada um com diferentes customizações. Não me aventurei nesta vertente pois tenho muito mais o que jogar para perder tempo com estas coisas, mas pelo que vejo aqui no manual do jogo existem vertentes dos conhecidíssimos Deathmatch, Capture the Flag, King of the Hill e Conquest, com mais alguns já também conhecidos no jogo anterior, como o Juggernaut. Exclusivo desta conversão para PC vieram também uns novos mapas multiplayer, que a menos que esteja errado, penso que mais tarde acabaram por ser disponibilizados para as plataformas Xbox também. Juntamente dos mapas novos veio também um editor de níveis, o que é sempre bom para um lançamento para PC, mas não sei muito bem qual o impacto que isso trouxe à comunidade modder.

Graficamente era um jogo muito impressionante para a Xbox original, pelo menos para os padrões de 2004. Quando chegou finalmente ao PC em 2007 já estava bastante ultrapassado, embora se notem a implementação de alguns filtros gráficos para atenuar um pouco a coisa. Continuo a não achar grande piada a aliens cor-de-rosa e roxos, mas neste jogo já atenuaram um pouco as coisas. A história está mais bem contada, e os níveis apesar de serem grandes na mesma, já não são tão repetitivos como no jogo anterior, apresentando assim uma maior variedade de paisagens e estruturas para explorar. A música está boa, adequando-se bem à atmosfera do jogo, sendo épica em batalhas de larga escala, ambiental em momentos de maior tensão ou mesmo solidão, e agressiva em algumas batalhas que o justifiquem. O voice acting está ok, embora continue a achar que, tal como Krato da série God of War, Master Chief e restante comitiva são personagens sem um grande carisma. Chamem-me do contra, mas é o que eu acho.

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Desta vez o jogo apresenta níveis mais variados, alguns deles passados no planeta Terra

Halo 2 continua a ser um FPS razoável na minha opinião. Herda as mecânicas do primeiro jogo da série, melhora em diversos aspectos com a jogabilidade dos The Covenant, mais armas e veículos para conduzir, uma maior variedade de paisagens e uma história mais bem contada. Ainda assim, Halo 2 não me convenceu totalmente face ao hype que se verificava ao longo de todo o mundo por alturas da sua saída. Prefiro de longe o Killzone da PS2, com todos os seus bugs, ou a maestria dos Metroid Prime para a Nintendo Gamecube. O jogo melhorou em vários campos tal como já o referi por várias vezes, o problema até pode ser meu de pura teimosia, mas continuo sem ver o que há assim de tão especial em Halo. Acredito perfeitamente que a estrutura online na Xbox original em conjunto com este jogo tenham sido bastante competentes, mas lá está, não sou jogador de passar muito tempo em multiplayers.

Halo: Combat Evolved (PC)

Halo PCO jogo que trago cá hoje é a adaptação para PC do primeiro jogo de uma série que, para o bem ou para o mal moldou toda uma série de first person shooters em consolas e no PC também. Estou a referir-me ao Halo, claro está. Originalmente em desenvolvimento para os Macintosh, o jogo causou um burburinho com a compra da Bungie pela Microsoft Game Studios, tornando Halo num jogo de lançamento da primeira consola de videojogos da Microsoft, a Xbox. Halo: Combat Evolved foi um sucesso de vendas, ganhando uma legião de fãs que perdura até hoje, ainda assim a Microsoft acabou por converter o jogo para as plataformas PC e MAC, tendo sido lançadas 2 anos após o lançamento para a Xbox. Ora a minha versão chegou-me às mãos após ter sido comprada recentemente na Feira da Ladra em Lisboa, por uns módicos 1 ou 2€. Infelizmente não tem manual.

Halo Combat Evolved - PC
Jogo com caixa

Resumindo o conceito da história por detrás de Halo, a humaninade chegou a um ponto tecnológico em que viajar pelo espaço mais rápido que a velocidade da luz se tornou uma realidade. O planeta Terra por seu lado estava  a ficar cada vez mais sobrepopulado, pelo que a Humanidade começou a colonizar outros planetas. Entretanto, as forças militares estavam também cada vez mais tecnologicamente avançadas, tendo desenvolvido um grupo de soldados biologicamente e ciberneticamente modificados, os super-soldados SPARTAN-II. Eventualmente a Humanidade acaba por ser atacada por um grupo de seres alienígenas chamados “The Covenant”, que acabam por causar muitas derrotas do lado dos humanos. Os super-soldados SPARTAN-II  ainda acabam por ser bastante eficazes no combate aos Covenant, porém são em pequeno número para mudar o balanço da guerra. Numa altura em que todos os SPARTAN-II estavam concentrados na colónia Reach para preparar uma importante missão em assaltar a origem dos Covenant, acabam por ser atacados de surpresa, com a colónia a ser completamente destruída. Os únicos sobreviventes foram os da nave espacial “Pillar of Autumn”, a mesma que transporta o SPARTAN-II Masterchief. Enquanto a nave tenta escapar do assalto Covenant, eles encontram Halo, um misterioso planeta artificial na forma de anel, controlado pelos Covenant. Decidem investigar o misterioso planeta e o resto é resto.

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Neste jogo cooperamos também com vários NPCs que nos vão auxiliando no combate ao longo do jogo

Vou ser sincero. Já tinha jogado este Halo há uns anos atrás, na altura em que tinha saído para PC e ligeiramente na própria Xbox. Em alguns aspectos confesso que tenha sido revolucionário, noutros nem por isso. Acho este jogo em particular completamente overhyped, pois tirando alguns aspectos que irei referir em seguida, é para mim um FPS banal. E que inovações trouxe Halo? Em primeiro lugar, o mecanismo de combate. Em vez de podermos carregar um arsenal imenso, Halo apenas nos permite carregar 2 armas de cada vez, o que apesar de ser mais realista, é uma mudança que não gosto. Ainda assim o arsenal não deixa de ser vasto, misturando armas humanas com outras alienígenas e com diferentes funcionalidades entre si. Para além de 2 armas apenas, podemos carregar com mais 2 tipos de granadas e, ao contrário dos outros jogos, podemos atirar granadas  com um botão exclusivo, sem ter a necessidade de mudar de arma entretanto. É possível também executar golpes melee com qualquer arma, permitindo matar inimigos por detrás de forma silenciosa para que não alertem os restantes. Isto na minha opinião são mudanças positivas. Apesar de não ter sido o primeiro FPS a fazê-lo, Halo também inclui alguns segmentos onde termos de conduzir alguns veículos, mas desta vez com melhores controlos e com a possibilidade de os NPCs nos darem algum apoio ao disparar na metralhadora acoplada, por exemplo. Mas infelizmente as grandes mudanças que perduram até hoje e que não me agradam nada é o sistema de save por checkpoints, e a vida regenerativa. Na verdade o esquema de vida regenerativa neste jogo ainda é algo misto, mas a semente ficou lançada. O Masterchief possui um escudo que se regenera ao fim de algum tempo de o jogador não sofrer dano, contudo quando esse escudo se encontra completamente descarregado o jogador fica vulnerável, com a sua barra de vida a diminuir. Essa barra de vida já não é autoregenerativa, precisando dos bons velhos medkits para o jogador recuperar esse dano sofrido.

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Apesar de achar as áreas de jogo muito repetitivas, há alguns locais que são realmente mais bonitos

Estas são na minha opinião as grandes mudanças de jogabilidade que Halo introduziu. De resto, graficamente era um jogo impressionante para a altura em que saiu na Xbox. Quando chegou à vez do PC, não é nada que já não se tenha visto melhor antes. Ainda assim reconheço o mérito no jogo em apresentar níveis bastante vastos, apesar de achar que os mesmos são muito monótonos por haver pouca variedade. Os Covenant então… lutar contra extraterrestres coloridos num FPS que tem uma legião de fãs tão grande e onde muitos se gabam de jogarem videojogos violentos, tem o seu quê de ironia. A história, desde a narrativa até mesmo ao voice acting também achei completamente banal, apesar de reconhecer que existe potencial de crescimento ao longo da série.

Para além do modo campanha, Halo originalmente teria um modo online muito forte. No entanto, com a estrutura Xbox Live então ainda incompleta, a Microsoft decidiu remover a componente online do primeiro jogo na Xbox, introduzindo um modo cooperativo, para além de outros modos multiplayer splitscreen ou por ligações em LAN, cujos foram depois adaptados para se jogar online por outros meios não oficiais. Já a conversão para PC não tinha essa desculpa, apresentando assim um modo multiplayer online tradicional, mas infelizmente sem a componente cooperativa. E focando mais no multiplayer, muitos fãs do jogo afirmam que é o multiplayer que realmente coloca Halo num pedestal elevado. E aí realmente poderei dar o braço a torcer. Mesmo sem uma componente online no lançamento original para Xbox, existem imensos modos de jogo que podem ser também bastante customizados, à semelhança de outras séries como Timesplitters, por exemplo. Para além de imensas variantes de deathmatch e capture the flag, o jogo introduziu alguns outros modos de jogo bastante interessantes como o Phantoms ou o Reverse Tag. Infelizmente nunca tenho muito tempo a perder com vertentes multiplayer, mas pareceu-me algo bastante completo.

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Algumas armas têm modos alternativos de fogo, ou miras telescópicas, como é o caso

E pronto, é isto que eu acho do primeiro Halo. Um FPS com uma campanha e história completamente banal, mas com algumas mecânicas de jogo que moldaram todos os outros que lhe seguiram. Para mim umas mudanças boas, outras más. No entanto, apesar de não ter dado muita atenção, possuia uma vertente multiplayer bastante completa para a altura. Tenho aqui também o Halo 2 para PC que irei jogar pela primeira vez do inicio ao fim (joguei um pouco na Xbox há muitos anos atrás), estou curioso para ver em que melhoraram.