Voltando às rapidinhas, vamos agora para um conhecido jogo de corridas na Playstation. Depois do sucesso do Formula 1 original, que foi desenvolvido pela Bizarre Creations e publicado pela Psygnosis, naturalmente que uma sequela estaria em cima da mesa, algo que aconteceu logo no ano seguinte com este Formula 1 97. O meu exemplar foi comprado algures no mês passado de Maio, veio da loja Mr. Zombies e custou-me 4€.
Jogo com caixa e manual
Este jogo aborda a temporada de 1997 na Fórmula 1, onde o nosso circuito do Estoril ainda marcava a sua presença. Temos todas as equipas e pilotos oficiais dessa temporada, excepto o Jacques Villeneuve da Williams, que tinha copyrights próprios da sua imagem, tendo sido substituído por um piloto genérico. Sinceramente não me recordo se isso já tinha ocorrido no jogo anterior, mas lembro-me de outros jogos da mesma época que tiveram o mesmo problema.
A informação que vemos no ecrã é muito idêntica ao que veríamos na TV
De resto, para além de corridas singulares e multiplayer que agora nos permite jogar em split screen, eu diria que este F1 97 possui 2 modos de jogo principais: o Arcade e Campeonato. O primeiro é sem dúvida o meu preferido, onde temos a possibilidade de participar numa série de pistas que diferem mediante o grau de dificuldade escolhido. Assim que começamos uma corrida, isto é mesmo arcade, pouco temos a customizar no carro e o que conta é ir passando os checkpoints antes do relógio em contagem decrescente chegar a zero. Competir no modo arcade e completá-lo em diferentes graus de dificuldade desbloqueia-nos novas pistas.
Aqui quando chove, chove a sério!
O modo campeonato é aquele que os fãs de simulação vão sem dúvida perder mais tempo. Aqui escolhemos um piloto para representar e teremos toda uma temporada de F1 pela frente. Os carros podem ser altamente customizados, assim como as corridas em si, desde o número de voltas, passando pelas condições atmosféricas que podem ser completamente aleatórias ou não. Aqui devo dizer que os menus e apresentação geral deste jogo poderiam ter sido melhores conseguidos. A informação está dispersa de forma confusa e caso tenhamos a metereologia aleatória seria bom saber antes de começar uma corrida ou prova de qualificação quais as condições atmosféricas, para pelo menos escolhermos os pneus certos.
Para quem não for fã de simulação temos sempre a hipótese de experimentar o modo arcade
A nível audiovisual era um jogo impressionante para a época e melhorou face ao seu antecessor quanto mais não fosse pelos efeitos metereológicos, e sistema de dano que poderia deixar os carros a largarem algumas peças na pista após colisões mais feias. Os circuitos em si estão muito bem detalhados para a época, embora se note bastante pop-in dos cenários a serem construídos à nossa frente. Felizmente a pista está quase sempre construída, pois a menos que sejam aficcionados do desporto e conheçam os circuitos muito bem, sinto a falta de um mapa que nos indique a posição na pista. Mas pronto, isto é suposto ser um simulador… De resto nada a apontar para os efeitos sonoros, nem para os comentários que me parecem competentes. E mais uma vez temos comentadores em várias línguas, o que é um ponto interessante. Não sei qual a qualidade dos outros, mas nos ingleses nada a apontar! No que diz respeito às músicas, estas só se ouvem em menus e afins e são uma mistura de temas rock, repletos de guitarradas como eu gosto, passando por música electrónica e outras faixas mais ambientais.
Portanto, se forem fãs de simuladores de Fórmula 1 e tiveram uma Playstation na segunda metade da década de 90, é muito provável que este jogo vos tenha agradado bastante! Parece-me uma boa sequela, melhorando várias coisas face ao original, e estou curioso para ver como evoluiu a série no Formula 1 98.
Continuando pela Playstation original, mas voltando às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é o primeiro Formula 1, lançado em 1996, mas que ainda aborda o campeonato mundial de F-1 de 1995. Este jogo, devidamente licenciado pela FIA, foi o primeiro de uma série desenvolvida/publicada pela Psygnosis, sendo que os primeiros jogos foram desenvolvidos pela Bizarre Creations, estúdio infelizmente já extinto mas que ficou conhecido por jogos como o Metropolis Street Racing ou Project Gotham Racing. O meu exemplar foi comprador algures em Janeiro deste ano, na feira da Vandoma no Porto. Está em muito bom estado, custou-me 4€.
Jogo com caixa e manual
Este é um jogo que inclui muitos elementos de simulação, que tipicamente não eram muito comuns em consolas, mas sim em computadores. Ainda assim, se seleccionarmos o modo Quick Race, não temos muito que nos preocupar com elementos de simulação, o jogo neste modo é tipicamente arcade, onde teremos um relógio em countdown entre vários checkpoints nas pistas. Para uma experiência mais duradoura, podemos escolher o modo Arcade ou o Grand prix. A maior diferença entre o quick race e o arcade é que este ultimo permite-nos correr em todas as pistas ao longo do campeonato, mas estamos restringidos a 3 voltas por pista. Ainda assim temos a hipótese de customizar algumas coisas, como o brake e/ou steering assist, a metereologia, ou a possibilidade dos carros sofrerem dano. No modo Grand-Prix podemos customizar mais coisas, incluindo o número de voltas por corrida que pode ser entre 5% a 100% do número de voltas oficial. Com corridas longas o uso dos pit-stops é algo a ter em conta, naturalmente.
A interface do jogo é muito semelhante às emissões televisivas da época
Depois, tanto o modo arcade como o grand-prix podem-se dividir em 3 diferentes sub-modos: o Single Race, ou seja, correr apenas num circuito à escolha, o modo Campeonato que nos leva ao longo dos 17 circuitos e competimos por pontos, tanto a nível individual, como a nível de construtores, ou o sistema de ladder. Este último acaba por ser mais desafiante, na medida em que nos obriga a terminar cada corrida numa determinada posição, posição essa que vai sendo cada vez mais alta à medida que vamos progredindo no jogo. De resto, sobra-nos a vertente multiplayer para 2 jogadores, onde podemos usar o Playstation Link Cable para ligar 2 consolas entre si, precisando também de duas TVs e duas cópias do jogo.
Podemos apanhar diferentes condições atmosféricas
No que diz respeito aos audiovisuais, este era um jogo já muito bem detalhado para a época. A apresentação do jogo no geral é muito similar à transmissão televisiva da altura. As pistas possuem um bom nível de detalhe, embora ainda seja notório muito pop-in dos cenários. A parte do som também me parece muito boa, com efeitos sonoros realistas e comentários bem agradáveis, que aparentemente são de um conhecido comentador britânico. Por outro lado, se jogarmos noutras línguas, os comentadores também mudam, o que foi um toque interessante. No que diz respeito às músicas, estas só existem nos menus e nas cutscenes de introdução ou de créditos. Estas são, no geral, repletas de guitarradas o que me agrada bastante. Até temos 2 músicas do Joe Satriani e uma do Steve Vai!
Portanto este jogo foi muito importante na história dos videojogos de Fórmula 1 nas consolas, pois para além de incutir muitos mais elementos de simulação na jogabilidade, foi também o primeiro jogo 100% licenciado pela FIA, por todos os pilotos e construtores. Foi um bom ponto de partida para a série, a ver como evoluiram nos jogos que se seguiram.
Já há algum tempo que não escrevia nada sobre a Sega Dreamcast, até porque ainda estou a tentar arranjar tempo para começar uma das suas maiores obras-primas, o Shenmue. Enquanto isso não acontece, vamos ficando com este Metropolis Street Racer (referido doravante como MSR para economizar palavras) que foi desenvolvido pela Bizarre Creations, a mesma empresa que continuou com esta fórmula nos Project Gotham Racing nas consolas da Microsoft. Penso que este jogo foi comprado a um particular algures durante o verão de 2013, não terá sido muito mais caro que os 5€, estando completo e em bom estado.
Jogo com caixa e manual
Lembro-me bem do burburinho causado por este jogo na altura em que o mesmo saiu. Enquanto uns aguardavam ansiosamente pelo lançamento do Gran Turismo 3 para a Playstation 2, este MSR impressionou-me pelo facto de se passar em localizações reais nas cidades de Londres, San Francisco e Tóquio. Lembro-me perfeitamente de ler histórias em como a Bizarre Creations andou a tirar fotografias às cidades para as representar no jogo, muito antes de a Google fazer o mesmo com o Earth. Outra coisa que já na altura fazia este jogo se destacar dos demais é o seu sistema de “Kudos”, que nos presenteia com pontos cada vez que façamos drifing nas provas, mas também nos pode penalizar se embatermos contra algum obstáculo ou carro ou mesmo se não conseguirmos cumprir os objectivos que nos propusemos.
Graficamente era um jogo bem detalhado para a época, se bem que o Le Mans ainda foi mais longe
Então a coisa funciona da seguinte forma. Inicialmente dispomos de 3 carros não tão bons para escolher: um FIAT Barchetta, Mazda MX-5 ou um MGF. Após ficarmos com um desses carros começa a aventura a sério, com algumas provas já inicialmente desbloqueadas no primeiro capítulo. A ideia consiste em ir vencendo essas diferentes provas e angariando pontos de Kudos suficientes para ir desbloqueando as provas seguintes, capítulos ou mesmo carros novos. Mas mesmo desbloqueando um carro por Kudos, se o quisermos temos de o merecer. Para isso temos de vencer um desafio próprio para ficar com o carro, sendo geralmente bater um tempo pré-definido numa corrida. As provas tanto podem ser “Hot Lap”, onde apesar de termos 3 ou mais voltas para completar, a prova vence-se se conseguirmos fazer uma volta abaixo do tempo alvo, ou numa outra variante, se conseguirmos ter um tempo-médio abaixo do limite. O Timed Run é uma espécie de time trials, onde temos de vencer uma prova abaixo de um tempo alvo, temos a One on One racing onde competimos contra apenas um oponente, o Street Racing onde competimos contra mais oponentes, o Championship onde participamos numa série de corridas e vamos angariando pontos no final da mesma mediante a nossa posição de chegada e por fim temos os Challenges, que poderão ter objectivos diferentes, como ultrapassar uma série de carros ou obter uma velocidade alvo, entre outros.
Uma boa estratégia em certas provas é fazer uma volta o mais rápido possível e nas seguintes perder mais tempo a fazer drifts para os Kudos
O que é engraçado é que em qualquer uma destas provas podemos fazer “apostas” com o objectivo alvo. Por exemplo, nos eventos Hot Lap podemos assumir que conseguimos fazer a prova X segundos antes do tempo estabelecido por defeito, ou nas Street Races em que conseguimos chegar ao fim noutra posição que não a previamente estabelecida, entre outros. Se realmente conseguirmos bater esses objectivos mais apertados, ganhamos mais pontos no final, caso contrário esses pontos são-nos descontados. Existem ainda Jokers que nos permitem duplicar os Kudos que ganhamos no final de um certo evento, mas se as coisas nos calharem mal, também duplicam os pontos que perdemos, pelo que devem ser usados com cuidado. Sofrer muitas penalizações num evento, ou desistir do mesmo também podem fazer com que o nosso Ranking de Kudos seja ainda menor do que o que tínhamos antes! Para além disso, inicialmente dispomos apenas de 3 lugares na nossa garagem, ou seja poderemos apenas ter 3 carros. Existem bem mais que isso para desbloquear, mas eventualmente lá teremos de nos ver livre de um carro se quisermos o quarto. Pois bem, ao descartar um desses carros, também perdemos 10% de todos os Kudos que conseguimos amealhar com eles, tornando essa decisão ainda mais difícil.
A jogabilidade é durinha e realmente exige muita práctica do jogador, até porque com o decorrer do jogo, os circuitos em que vamos correr vão ter curvas cada vez mais apertadas, faixas mais estreitas, menor visibilidade (correr em Tóquio à noite é o horror), pelo que jogar com todos estes Kudos muita prática e escolher os carros certos são fundamentais. Infelizmente não é algo que eu tenha muita paciência para fazer, sempre fui mais adepto de jogos arcade. De resto, para além de um modo multiplayer para 2 jogadores nas categorias de Time Attack ou Quickrace, infelizmente a vertente online da Dreamcast não chegou a ser aproveitada da melhor forma. O que existia aqui se não estou errado era meramente a partilha de tempos para diversos rankings globais nos servidores da Sega.
Infelizmente os replays não são reais, tiveram de ser retirados do jogo após se descobrir um bug à ultima da hora
No audiovisual este MSR era realmente algo impressionante. Em primeiro lugar pela aparente fidelidade com que as ruas de Londres, San Francisco e de várias províncias de Tokyo foram representadas. Confesso que não fui às últimas 2 cidades, mas Londres de facto pareceu-me familiar. Uma coisa interessante é que o jogo utiliza o relógio interno da consola, e as corridas decorrem nas horas que supostamente seriam nessas cidades. Ou seja, enquanto se jogassemos este MSR durante a tarde, as pistas de Londres seriam à nossa hora, mas em Tóquio seria noite cerrada. Existem também diferentes condições climatéricas como nevoeiro que pode-nos dificultar e muito a vida, ou chuva que tornam também o pavimento mais escorregadio. No que diz respeito à banda sonora, a mesma ficou a cargo de Richard Jacques, que por sua vez já teve vários contributos em muitos jogos da Sega, especialmente na Europa. Tal como GTA, em cada cidade temos várias estações de rádio que se especializam em diferentes temáticas, pelo que para além de ouvirmos os locutores a falarem um pouco, nem que seja do tempo ou trânsito, também acabamos por ter uma banda sonora muito vasta em estilos, desde pop, musica electrónica, rock, jazz ou country. Infelizmente em Tóquio apesar de os locutores falarem japonês, não existe nenhuma música cantada na sua lingua.
Infelizmente, apesar do MSR ter sido um jogo bastante ambicioso, original e repleto de conteúdo, não chegou a vender lá muito bem. Pelo que a Wikipedia diz, e a SegaRetro também, foram vendidas pouco mais de 120 mil unidades, sendo que dessas menos de 20 mil foram vendidas na Europa, o que sinceramente me custa um pouco a acreditar. O facto de o jogo ter sido lançado com muito atraso, já numa altura em que as vendas da Dreamcast estavam a entrar em declínio poderá ter sido um factor determinante. De qualquer das formas este MSR foi um jogo importante no seu tempo e todo o conceito dos Kudos está de facto original e foi evoluído na série Project Gotham Racing, lançada nas consolas da Microsoft. Mas esses já me passaram completamente ao lado.