The Walking Dead Season 2 (Sony Playstation 3)

Já há algum tempo que não trazia cá nada da Playstation 3, e o último jogo que vim jogando “às prestações” que o tempo não tem sido muito, foi mesmo este Walking Dead, a Season 2. Na altura em que o comprei, poderia ter optado antes pela versão PS4, mas visto que joguei o primeiro na PS3, e queria importar o save para a nova aventura (se bem que não muda muita coisa), acabei antes por levar esta versão. O meu exemplar, tal como o da primeira temporada, veio da Worten, da secção dos usados, custando-me 10€. Foi comprado algures durante o ano passado.

Jogo com manual

Ora o primeiro The Walking Dead foi um jogo que gostei bastante pela sua narrativa bem construída e por nos colocar diversas vezes em situações críticas, onde teríamos de tomar decisões difíceis e alombar com as suas consequências ao longo do jogo, sejam salvar uma personagem em detrimento de outra, ou no meio de alguma discussão mais acesa, sermos obrigados a tomar lados que podem deixar parte do grupo bem chateado connosco e mais tarde isso a vir ao de cima. Estava entusiasmado por pegar no jogo, principalmente depois do final da primeira temporada, mas no fim de contas, acabei por ficar um pouco desiludido com o resultado final, mas já lá vamos. Aqui a personagem principal acaba por ser a menina Clementine, que cresceu muito psicologicamente depois das aventuras no jogo anterior. Iremos ver algumas caras conhecidas da primeira temporada, mas não me quero alongar muito na história, é um apocalipse zombie e basta!

Mais uma vez temos várias hipóteses de escolha nos diálogos e pouco tempo para reagir.

Para quem jogou a primeira temporada, já sabe com o que contar a nível de mecânicas e estrutura de jogo, ou seja, a aventura está dividida por episódios e com mecânicas de jogo similares aos jogos de aventura point and click, misturando alguns quick time events e diálogos com escolhas, onde temos um tempo limite para escolher o que queremos dizer ou fazer. Caso passe o tempo limite, o jogo assume que optamos por ficar calados ou não fazer nada, o que geralmente nunca é muito bom. A parte de aventura consiste em andar de um lado para o outro e com o cursor apontar para objectos ou pessoas que poderemos falar ou interagir com os mesmos, o habitual. Por vezes temos é segmentos de acção, onde poderemos ter de participar nalguns quick time events, que agora possuem mais algumas possibilidades diferentes do jogo anterior, usando os analógicos direccionais enquanto pressionamos um botão, para simular acções com movimento. Nos segmentos de acção temos de por vezes entrar em lutas com zombies e/ou humanos, envolvendo combates com armas brancas ou pistolas. Na verdade, isto acaba também por serem quick time events mascarados, a diferença é que temos de guiar o cursos para um ponto chave e depois pressionar um botão para atacar. Por exemplo, num close encounter com um zombie e connosco indefesos no chão, poderemos ter de primeiro guiar o cursor para uma arma que esteja no chão, pressionar um botão para a apanhar, e depois levar o cursor de novo para o zombie, de forma a pressionar um outro botão para atacar. Quando temos de disparar, entra o mesmo raciocínio.

Nas partes de acção, muitas vezes temos alguns quick time events para participar

O meu problemas com este jogo passam pela história e pelas escolhas que temos de fazer. Apesar de aqui ser a pequena Clementine que passa por uma série de situações complicadas e que a obrigam a crescer, no geral não gostei tanto da história como no anterior. Isto porque por um lado, apesar de haverem na mesma algumas reviravoltas no decorrer da história, a maior parte delas não foram tão surpreendentes assim e já estava à espera que viessem a acontecer. As maiores surpresas para mim foram mesmo aquele episódio com o cãozinho, logo no início da aventura, e um dos acontecimentos mesmo na recta final que prefiro não divulgar para não estragar a surpresa. A outra coisa que não gostei foram as escolhas que temos de fazer, pois tirando uma ou outra situação, onde somos forçados mesmo a escolher quem salvar e podemos fazer a diferença, a maior parte das outras escolhas não têm grandes consequências para o resto do jogo. E mesmo havendo 3 finais diferentes, os mesmos são determinados nas duas últimas escolhas, pelo que não há grande vontade em voltar a pegar no jogo, para explorar outras alternativas.

O elenco deste jogo inclui uma ou outra cara conhecida da primeira temporada e do DLC 400 Days

A nível técnico já sabem com o que contar. O jogo utiliza o mesmo estilo gráfico que se assemelha a um cell shading, o que acaba por resultar muito bem em alguns detalhes, como o das expressões faciais, algo muito importante num jogo deste género onde temos de tentar agradar a toda a gente. No entanto, não acho que os zombies fiquem muito bem com este estilo gráfico. O voice acting continua bastante bom, como seria de esperar.

Portanto, esta segunda temporada do The Walking Dead da Telltale deixou-me um pouco desiludido por ser um jogo mais curto, pela história não ser tão empolgante quanto no primeiro jogo e pelas escolhas que tomamos trazerem poucas consequências para a narrativa. Ainda assim não deixa de ser um jogo de aventura competente e não posso negar que tenha passado um bom bocado enquanto o joguei.

Metal Gear Solid V Ground Zeroes (Sony Playstation 3)

342029_frontSempre que há um novo Metal Gear em desenvolvimento, gera-se uma grande expectativa à volta do mesmo. Principalmente se for um jogo pertencente à série principal. O Metal Gear Solid V não escapou à tradição. Desde a revelação da Fox Engine e das suas capacidades gráficas, até se chegar a conhecimento público dos desentendimentos de Kojima e a Konami, o MGS V muita tinta fez correr. Seria também um jogo de mundo aberto que permitiria diferentes abordagens às missões, Kojima decidiu divider o projecto em 2 partes. Phantom Pain e Ground Zeroes, este último que serviria apenas de introdução aos eventos narrados no jogo principal e também uma demonstração das mecânicas de jogo open world que Kojima planeava introduzir. Embora estariam inicialmente previstos serem lançados em simultâneo, lá decidiram lançar o Ground Zeroes primeiro de forma a aguçar o apetite dos fãs, já que Phantom Pain ainda precisava de mais uns tempos de desenvolvimento. O meu exemplar foi-me oferecido pela minha namorada algures em 2015.

Jogo com caixa e papelada.
Jogo com caixa e papelada.

Ground Zeroes passa-se em 1975, servindo de introdução aos acontecimentos que mais tarde viriam a decorrer em Phantom Pain, que por sua vez se passa em 1984. Aqui controlamos Snake (o Big Boss) numa missão bem curtinha, onde teremos de resgatar Chico e Paz (personagens introduzidas no MGS Peace Walker), que foram levados para uma instalação militar secreta, algures em Cuba, que alberga prisioneiros “especiais”. Um pouco como Guantanamo nos dias de hoje, mas secreta e sem reconhecimento do governo Norte-Americano. Somos então largados de helicóptero perto da entrada das instalações e depois como cumprimos os nossos objectivos é connosco. Logo no início vamos recebendo instruções sobre várias das novas mecânicas de jogo, como o facto dos binóculos estarem agora directamente mapeados num botão, ao invés de ser necessário de os seleccionar e equipar no inventário. Com os binóculos podemos observar as instalações, obter informações sobre as mesmas e acima de tudo, é extremamente útil para marcar os inimigos no mapa. Com os inimigos marcados no mapa, temos sempre a noção de onde eles estão posicionados, facilitando bastante o trabalho de infiltração. Se formos caços por algum inimigo, temos alguns segundos onde a acção decorre em câmara lenta e a câmara vira-se para a pessoa que nos avistou. Nesses segundos temos de os eliminar antes que soem o alarme. O alarme soando lá teremos de nos seconder rapidamente, com o jogo a passar as fases habituais de alerta, caução e resumo à normalidade. Consultando o mapa podemos ver a “zona quente” onde somos procurados, pelo que convém afastarmo-nos rapidamente do local e evitar ao máximo sermos avistados novamente.

Para além de podermos obter dicas e fazer o reconhecimento da área, os binóculos são também muito úteis para identificar os inimigos.
Para além de podermos obter dicas e fazer o reconhecimento da área, os binóculos são também muito úteis para identificar os inimigos.

A missão principal é curta, teremos de resgatar Chico e Paz de locais diferentes e levá-los a uma de várias “landing zones” disponíveis. Quais dos dois resgatamos primeiro, ou a forma como nos infiltramos é deixada completamente à nossa conta. Podemos escalar uma colina e saltar para dentro da base militar, ou simplesmente entrar pelo portão. Podemos conduzir veículos, jogar de uma forma completamente furtiva usando apenas a arma tranquilizante quando necessário, ou entrar mais a matar. Guardas podem ser interrogados dando-nos dicas de locais com outras armas ou onde os prisioneiros estão e por aí fora. Mesmo dentro da base existem vários caminhos alternativos que podem ser tomados. E apesar da missão em si ser curta, existem várias cassetes audio e emblemas XOF que podem ser descobertos, que depois nos desbloqueiam outras coisas. Ao completer a missão principal pela primeira vez desbloqueamos depois outras missões secundárias que decorrem também na mesma base militar. Nem todas serão importantes para a storyline, numa delas temos de resgatar o próprio Hideo Kojima! Ao coleccionar todos os emblemas XOF desbloqueamos as missões especiais Dejá Vu e Jamais Vu, que outrora eram exclusivas da X360 ou PS3. Com um dos patches lançados posteriormente ambas as missões ficaram também disponíveis em todas as plataformas. A Dejá Vu é uma missão que vai buscar eventos do Metal Gear Solid original, já a Jamais Vu é algo ainda mais insano: a personagem jogável é o Raiden, com o objectivo de destruir todos os Body Snatchers que roubaram o corpo dos militares na base, sendo uma óbvia referência ao clássico Snatcher.

Com os inimigos identificados, conseguimos sempre ter uma noção do seu posicionamento
Com os inimigos identificados, conseguimos sempre ter uma noção do seu posicionamento

A nível gráfico é um jogo muito bem detalhado, mesmo na versão PS3. A missão principal é jogada à noite e com chuva, com os efeitos de luz a serem muito bem definidos. As outras missões podem ser passadas noutras alturas do dia e com diferentes climas meteorológicos. Logo a primeira é passada durante o dia com céu limpo e nota-se bem a diferença que faz ao explorar a base, onde tudo é mais nítido. Kojima planeava implementar um sistema de mudança de dia e noite automáticos, mas acabou por deixá-lo apenas implementado no Phantom Pain. De qualquer das formas, jogando missões diferentes em diferentes alturas do dia e condições meteorológicas serve perfeitamente para mostrar a versatibilidade da engine e as diferenças que sentimos ao jogar. De resto é daqueles jogos cheios de atenção ao detalhe como Kojima sempre nos habituou. Nada tenho a apontar quer à banda sonora, quer ao voice acting que continuam excelentes. Apenas é estranho não ser o Hayter a fazer a voz de Snake. Temos imensas tapes com audiologs para irmos ouvindo, algo que presumo que exista em muito maior quantidade no Phatom Pain que deverei começar a jogar muito em breve.

A alusão ao Snatcher foi genial!
A alusão ao Snatcher foi genial!

Portanto, este Ground Zeroes acaba por ser uma óptima introdução ao Phantom Pain, embora não concorde de todo com a sua comercialização, mesmo tendo sido posto à venda com um preço mais reduzido. Ainda assim, apesar da missão principal ser curta, todo o conteúdo adicional, acaba por de certa forma justificar os 20€ que pediam inicialmente.

Siren: Blood Curse (Sony Playstation 3)

80722_frontForbidden Siren foram 2 jogos muito interessantes na Playstation 2 que mereciam mais reconhecimento do que aquele que tiveram. Com as suas raízes em folclore e filmes de terror asiáticos, em conjunto com a sua jogabilidade única, são 2 excelentes survival horror com uma óptima atmosfera. Com o lançamento da Playstation 3, a equipa por detrás dos dois primeiros jogos decide recontar a história por detrás do primeiro Forbidden Siren, num remake com várias novidades. O meu exemplar sinceramente não me recordo de quando e onde o comprei, mas certamente não foi caro.

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual

A história possui vários elementos familiares a quem já jogou o primeiro Forbidden Siren. A aldeia de Hanuda marca novamente a sua presença, onde um sinistro ritual foi abruptamente interrompido e várias personagens vêm-se presas num pesadelo de todo o tamanho, cujas histórias vamos presenciando ao longo de vários capítulos. A grande diferença está no elenco que foi completamente mudado, embora seja fácil de traçar alguns paralelismos entre personagens de ambos os jogos, o original, e a reimaginação. Mas o maior problema deste jogo a meu ver está precisamente nessa mudança do elenco. É que decidiram incluir várias personagens norte-americanas: um jovem chamado Howard Writght, curioso pelo sobrenatural e que já vive no Japão há algum tempo; e o elenco de um programa de televisão norte-americano sobre o oculto, que descobre os mitos sobre a aldeia de Hanuda e decide investigá-la. É que todos os jogos desta série são intimamente japoneses, que vão beber muito às suas tradições e folclores, e esta inclusão de yankees acaba por borrar bastante a pintura por se desenquadrarem por completo.

Podemos alternar temporáriamente poara uma perspectiva de primeira pessoa, que dá bastante jeito para usar armas de fogo
Podemos alternar temporáriamente poara uma perspectiva de primeira pessoa, que dá bastante jeito para usar armas de fogo

Por outro lado existem uma série de mudanças na jogabilidade e fluxo de jogo que acabaram por me agradar bastante. O jogo foi lançado originalmente na PS Store como uma obra episódica, onde cada episódio possuía vários capítulos e poderia ser comprado separadamente. Isto obrigou a que o progresso no jogo fosse bastante linear, ao contrário dos jogos da PS2 onde a partir de uma certa altura poderíamos desbloquear e/ou optar por caminhos paralelos ou alternativos, o que resultava numa timeline bastante complexa e que nos obrigava a estar com a máxima atenção e obter pistas adicionais para percebermos o que realmente se estava a passar. Mas apesar da progressão do jogo ser mais linear, não quer dizer que não existam na mesma capítulos paralelos, alternativos, ou que se cruzam entre si, e uma vez mais, coleccionar pistas que podem ser vistas nos arquivos acaba por ser uma mais valia para apanhar mais detalhes que nos possam ter escapado.

Neste jogo o sightjack divide o ecrã com 2 perspectivas de visão, e deixa-nos mover livremente enquanto usarmos a habilidade
Neste jogo o sightjack divide o ecrã com 2 perspectivas de visão, e deixa-nos mover livremente enquanto usarmos a habilidade

As outras novidades estão principalmente no sightjack. O sightjack é uma habilidade psíquica que todas as personagens têm, e consiste em poder ver o mundo pelos olhos de outra personagem, ou shibito. E isto é sem dúvida o elemento de jogabilidade mais importante na série, pois os shibito são zombies imortais que apenas podem ser deixados inconscientes durante algum tempo, voltando a ressuscitar e tornarem-se numa ameaça. Isto obriga-nos a ter uma abordagem bem mais furtiva, pois muitas vezes ou não temos arma nenhuma, ou possuímos uma arma branca que pode ser uma frigideira, faca de cozinha, ou utensílios de agricultura, que não são propriamente as armas mais eficientes. Mesmo quando temos armas de fogo, não deixamos de estar vulneráveis. Então usar o sightjack para descobrir a posição dos shibito, ver o que eles estão a fazer, e principalmente perceber se estamos expostos ou não, acaba por ser muito importante mesmo. Até porque cada capítulo possui vários objectivos para cumprir (desde escapar de uma determinada zona ou tarefas procurar como chaves ou ligar a electricidade) e muitas vezes conseguimos descobrir pistas ao observar o que os shibito fazem. A melhoria face aos jogos da PS2 está no jogo dividir o ecrã ao meio sempre que usamos o sightjack, com a parte esquerda a mostrar a nossa personagem, e a direita o sightjack. Isto permite-nos também que nos consigamos mover enquanto usamos o sightjack, algo que não acontecia nos jogos anteriores.

Ao longo de cada capítulo jogável, vamos ter vários objectivos e subobjectivos para cumprir
Ao longo de cada capítulo jogável, vamos ter vários objectivos e subobjectivos para cumprir

No que diz respeito à apresentação audiovisual possuo também opiniões divergentes. Por um lado a parte sonora está excelente, se nos conseguirmos abstrair do facto de as personagens norte-americanas estarem ali a destoar. O voice acting é bastante competente, as músicas quando existem costumam ser bastante macabras e todos os ruídos que vamos ouvindo contribuem bastante para uma atmosfera bastante tensa. Acho que já não posso ouvir sirenes! No que diz respeito aos gráficos, não acho que seja dos melhores jogos da PS3 nesse aspecto. É óbvio que há uma grande melhoria face aos jogos da PS2 no que diz respeito ao detalhe dos cenários e das personagens (e mesmo os originais da PS2 já eram muito bons nesse campo), mas na qualidade dos gráficos em si é que por vezes deixa a desejar. Principalmente nos níveis que são jogados durante a noite, onde tudo leva com um estranho filtro gráfico que quase parece um pseudo-cell shading que fica ali muito estranho.

Em certas alturas, Siren Blood Curse possui gráficos com uns filtros estranhos
Em certas alturas, Siren Blood Curse possui gráficos com uns filtros estranhos

De resto, e mais uma vez mando a alfinetada às personagens norte-americanas que não deveriam existir (ou pelo menos terem tanta importância) num jogo tipicamente japonês, acho este Siren Blood Curse mais um excelente survival horror, com uma jogabilidade bastante desafiante e melhorada face aos originais da PS2. Mais uma vez (pelo menos algo semelhante tinha acontecido no primeiro Forbidden Siren), a Sony criou alguns websites falsos supostamente criados ou frequentados por personagens do jogo, dando ainda mais algum background às personagens. Neste Blood Curse criaram o blog pessoal de Howard Wright. E também como no Forbidden Siren 2, podemos desbloquear minijogos, sendo estes uma espécie de homenagem às portáteis LCD como a Nintendo Gaming Watch, o que também é algo curioso. Como se isso não chegasse, nós europeus fomos duplamente sortudos, pois por um lado o jogo não saiu em formato físico nos Estados Unidos e a nossa versão PAL inclui ainda um making off que pode ser visto no leitor de vídeo da PS3.

Resident Evil 6 (Sony Playstation 3)

163236_frontO Resident Evil 5 foi um jogo em que a Capcom tentou forçar uma jogabilidade cooperativa às mecânicas introduzidas anteriormente pelo Resident Evil 4, um jogo que marcou uma viragem radical nas mecânicas de jogo da série, deixando-a bem mais dinâmica e simples de controlar, mas despojando a série das suas raízes de survival horror em detrimento de um jogo com mais foco na acção. Mas infelizmente, mesmo que quiséssemos jogar sozinhos, tínhamos que cooperar sempre com uma outra personagem e a sua inteligência artificial deixou as coisas muito a desejar. Felizmente pelo menos nesse aspecto esta sequela melhorou e bastante as coisas. O meu exemplar veio da Mediamarkt de Alfragide se bem me lembro, foi comprado há uns anos atrás, deve-me ter custado algo à volta dos 20€ há uns anos atrás.

Jogo com caixa, manual e papelada
Jogo com caixa, manual e papelada

A Capcom decidiu apresentar Resident Evil 6 de uma forma diferente, com o jogo a consistir em 4 diferentes campanhas distintas e interligadas, a ocorrer nos Estados Unidos, um país fictício na Europa de Leste e na China. Podemos jogar como Leon e Helena, Chris Redfield e o seu subordinado Piers, Sherry Birkin marca o seu regresso desde o Resident Evil 2, na aventura com o jovem e misterioso Jake Muller. Por fim a quarta campanha leva-nos pelos olhos de Ada Wong, uma personagem ainda mais envolta em mistério e cuja história une várias pontas soltas que ficaram das outras campanhas. A história envolve o C-Virus e a sua propagação por mais uma cidade norte-americana, algures num país da Europa de Leste e por fim na China. Isso implicou novas pragas de zombies (finalmente, zombies de volta!) ou dos J’avo, humanos capazes de sofrerem diversas mutações, um pouco como as Las Plagas dos Resident Evil 4 e 5.

Os zombies marcam novamente o seu regresso, em especial na campanha do Leon e Helena!
Os zombies marcam novamente o seu regresso, em especial na campanha do Leon e Helena!

De resto a jogabilidade mantém-se muito semelhante àquela introduzida no Resident Evil 4, com a perspectiva over the shoulder e as mecânicas típicas de um shooter na terceira pessoa. Mas tal como no Resident Evil 5, o jogo possui um grande foco na vertente cooperativa, pois qualquer pessoa pode juntar-se ao jogo de outra a qualquer momento, logo que tenhamos essa opção activa nas configurações. Mesmo jogando completamente sozinhos, teremos sempre uma outra personagem a auxiliar-nos na campanha. A exepção é a Ada Wong, que típicamente joga sozinha, embora um dos patches lançados para o jogo deixa a opção de Ada jogar cooperativamente com um “Agente”, embora este não tenha nenhuma influência na história. O inventário é algo limitado, embora dê para carregar com umas quantas armas diferentes e respectivas munições. De resto, para além dos 1st Aid Sprays, podemos combinar ervas na forma de pastilhas que podem ser agregadas a uma espécie de atalho no ecrã, permitindo-nos curar a qualquer altura com recurso a um único botão do comando da Playstation.

Como sempre temos alguns bosses para derrotar, cada vez maiores e mais letais.
Como sempre temos alguns bosses para derrotar, cada vez maiores e mais letais.

Claro que para quem jogar de forma cooperativa também tem que se preocupar com o seu parceiro. Já para quem jogar sozinho, felizmente o nosso parceiro não é tão burro como a Sheva Alomar do Resident Evil 5, sendo mais úteis e felizmente não desperdiçam as nossas munições. Por outro lado, apesar de ser um jogo sólido, este Resident Evil 6 possui também alguns defeitos. Os que mais me chatearam foram aqueles momentos onde temos de defrontar várias waves de inimigos, ou outros onde os inimigos parece que nunca páram de aparecer. Eu gosto de levar o meu tempo, jogar cuidadosamente e ir distribuindo head shots sempre que possível. Mas em certas alturas tudo fica mais caótico e o melhor remédio é mesmo correr. De resto a coisa que mais me chateou foi mesmo a longa duração de cada nível. Gostei bastante do facto do jogo possuir 4 campanhas distintas que nos levam a diferentes locais e sub-histórias para descobrir. Mas cada nível em si acaba por ser bastante longo, podendo levar inclusivamente várias horas para ser terminado, para quem gosta de explorar cada recanto como é o meu caso. Os níveis deveriam ser um pouco mais curtos para poder também jogar o jogo em doses menores. É verdade que existem checkpoints que nos permitem retomar a acção a qualquer altura, mas terminar um nível dá-nos uma sensação de realização bem maior do que avançar um checkpoint.

O modo Mercenaries está de regresso, desta vez logo desbloqueado de início
O modo Mercenaries está de regresso, desta vez logo desbloqueado de início

Por fim devo também referir um pouco o sistema de upgrades. Ao defrontar os inimigos e destruir caixas ou abrir cestos com itens, podemos encontrar pontos de skills. Esses pontos de skills podem depois ser gastos entre níveis, ao comprar skills que nos aumentam a proficiência com cada arma, melhoram as nossas defesas, aumentam a probabilidade dos inimigos largarem itens quando morrem, etc. Para além disso existem ainda outros modos de jogo. Um deles é o Mercenaries, um modo de jogo que já existe há algum tempo na série, se bem que desta vez já vinha desbloqueado de origem. Existem no entanto outros modos de jogo multiplayer, mas que tinham de ser comprados como DLCs. algo que eu não comprei logo não posso dar grandes detalhes. Modos de jogo como Onslaught, Predator, Survivor ou Siege fazem parte da lista dos modos de jogo que podem ser comprados à parte. Se bem me recordo o Resident Evil 6 teve a polémica de possuir vários conteúdos DLC já no disco, obrigando-nos a pagar por algo que já estaria pronto desde o primeiro dia. Isso não se faz Capcom!

Há aqui um grande foco pelo online, embora sinceramente eu não lhe ligue nenhum
Há aqui um grande foco pelo online, embora sinceramente eu não lhe ligue nenhum

No que diz respeito aos audiovisuais, acho este um bom jogo. A universidade e pequena cidade americana invadida por zombies está bem detalhada, e o mesmo pode ser dito dos outros cenários que vamos explorando, como o cemitérios sinistro e o seu sistema de cavernas, as bases submarinas, navios ou bairros chineses. Não tenho nada a apontar aos diálogos e a música é bastante épica e/ou tensa, mediante a situação.

Resident Evil 6 é um jogo que me surpreendeu pela positiva pela sua duração, embora ache que pudesse estar melhor fragmentado em níveis mais curtos. A jogabilidade mais voltada para a acção marca novamente o seu regresso e o foco no cooperativo também, tal como foi visto no Resident Evil 5. Mas felizmente, caso joguemos sozinhos, a inteligência artificial é muito melhor e revela-se bem mais útil para nos ajudar a varrer os inimigos, bem como não nos gasta as nossas munições.

Metal Gear Solid 4 (Sony Playstation 3)

Metal Gear Solid 4Vamos lá escrever enquanto as memórias estão bem frescas! Este foi um jogo que não percebo porquê, mas ficou demasiado tempo na prateleira à espera de ser jogado. Tal como o Metal Gear Solid 2 foi um jogo bastante esperado no início de vida da Playstation 2, este MGS4 foi um dos grandes motivos para se comprar uma Playstation 3 em 2008, numa altura em que a consola ainda estava numa posição de mercado algo delicada. Este meu exemplar foi comprado na feira da Ladra em Lisboa já há algum tempo, creio que ainda em 2014. Custou-me 10€ e veio com a sleeve exterior de cartão, que poderia estar em melhor estado, é verdade. Para além disso, e não está na foto abaixo, tenho também um DVD bónus “Metal Gear Saga Volume 2” que aparentemente veio para quem fez a pre-order ao jogo. Esse tinha sido comprado por 1€ na Feira da Vandoma no Porto ainda uns meses antes de ter comprado o jogo em si.

Jogo com caixa, sleeve de cartão, manual e papelada. Destaque para o manual que está excelente.
Jogo com caixa, sleeve de cartão, manual e papelada. Destaque para o manual que está excelente.

Em Metal Gear Solid 4 a narrativa decorre já no ano de 2014, 5 anos após os acontecimentos passados em Metal Gear Solid 2. Essa era uma altura de imensas guerras civis, travadas por grupos militares que acabaram por se tornar como que empresas, controlando de certa forma a economia mundial. O último grito tecnológico era o uso de nanotecnologia nos soldados, garantindo-lhes estabilidade psicológica para continuar a combater e também optimizar as suas técnicas de combate. É nesse meio que aparentemente surge uma nova ameaça e o Coronel Campbell nos pede (a Snake) para travar: Liquid renasceu através do velho Ocelot e este aparentemente está a tramar alguma. Infelizmente para nós, devido ao facto de Solid Snake ser um clone, está a envelhecer demasiadamente rápido, estando agora com um aspecto bem mais velho e com uma aptidão física já não tão boa. É frequente queixar-se das costas se andarmos agachados durante muito tempo, por exemplo.

O prólogo deste jogo é muito bizarro. Até David Hayter (voz de Snake até ao último MGS5) participa
O prólogo deste jogo é muito bizarro. Até David Hayter (voz de Snake até ao último MGS5) participa

Antes de avançar, devo já dizer que vou evitar ao máximo fazer grandes spoilers, mas devo também dizer que adorei este jogo. Isto porque a jogabilidade melhorou imenso e o facto de ser um jogo não tão voltado para o stealth mas sim para a acção acabou por me agradar mais. Sim, podemos e em certas alturas devemos mesmo jogar de uma forma mais furtiva e evitar sermos descobertos, mas esse não é mais o foco do jogo. Se formos descobertos podem contar com as fases clássicas de Alert, Evasion, Caution até termos a costa desimpedida novamente. A nossa vestimenta tem também uma tecnologia “camaleão”, que se adapta à textura do que estejamos em contacto. Deixamos de ter de nos preocupar muito com que uniforme a usar em cada ocasião, pois esse fato já nos deixa mais descansados se quisermos passar despercebidos. Também vamos tendo outros disfarces para usar, mas o seu aparecimento tem a sua lógica. Isto porque vamos estar no meio de várioas guerras civis, entre as tropas de PMCs a mando de Liquid/Ocelot, e outros grupos rebeldes que não sabem quem somos. Quanto aos rebeldes, é possível ficarmos amigos deles se os ajudarmos em várias ocasiões a combater os PMCs, mas se os prejudicarmos eles também abrem fogo contra nós. Estes disfarces rebeldes servem para estas ocasiões, para podermos passear livremente em áreas controladas pelos grupos rebeldes.

Estes Gekkos são chatos de se combater enquanto não tivermos uma Rail Gun na nossa posse
Estes Gekkos são chatos de se combater enquanto não tivermos uma Rail Gun na nossa posse

Também temos ao nosso dispor armas tranquilizantes e é possível chegar ao fim sem matar ninguém, mas sinceramente eu preferi jogar sempre com armas letais. E falando em armas letais ao longo do jogo vamos tendo a oportunidade de encontrar uma vasta selecção de diferentes tipos de armas de fogo, são mesmo dezenas e muitas delas podem ser customizadas com diferentes acessórios, como sniper scopes, silenciadores, miras laser, entre outras. Para nos facilitar o trabalho temos uma loja de armas e munições que podemos visitar a qualquer altura do jogo (a partir do momento em que a encontramos) onde podemos fazer essas compras a troco de Drebin Points. E como ganhamos Drebin points? Fácil, ao destruir inimigos não humanos como os Gekkos ou os Scarabs, e ao vender as armas repetidas que vamos encontrando. Para além do mais, temos também uma grande panóplia de itens a utilizar, desde revistas playboy para distrair alguns dos nossos oponentes, rações e outros itens que nos restaurem energia e a sanidade e por fim dois grandes gadgets, o Solid Eye e o robot Mark II. O primeiro é um visor multifunções. Ao tê-lo equipado e activado no modo normal, os itens espalhados pelo chão ficam completamente visíveis, quando poderiam ter sido passado algo despercebidos. Outro dos usos é de servirem de binóculos, mas sinceramente eu sempre preferia usar a mira de uma sniper rifle. O melhor dos usos é o night vision mode, que nos dá uma ideia bastante clara da posição de alguns inimigos em condições mais adversas, bem como de outros detalhes como pegadas se quisermos seguir o rastro de alguém. O robot Mark II, supostamente controlado por Otacon, serve para fazer reconhecimento sem corrermos o risco de ser directamente apanhados, podendo interagir com algumas coisas e deixar também inimigos inconscientes. Os fãs de Snatcher irão reconhecer o design deste pequeno amigo!

Os combates com as Beauties podem ficar algo... err.. intensos
Os combates com as Beauties podem ficar algo… err.. intensos

De resto é um jogo excelente, com uma óptima jogabilidade como já referi. Mas a série Metal Gear sempre foi conhecida pelas suas personagens carismáticas, longas cutscenes, uma narrativa complexa e cheia de plot twists. E o Metal Gear Solid 4 não desaponta em nenhum desses aspectos. Vamos ver muitas caras conhecidas, algumas novas e sem spoilar mais nada, devo dizer que este MGS4 é uma bela maneira de fechar um ciclo. É certo que ainda não joguei o MGS5 que tem o Big Boss como protagonista, mas a história como um todo neste MGS4 serviu de uma bela conclusão. E sim, são imensas cutscenes, muitas delas bem longas, mas felizmente podemos pausá-las sempre que quisermos. As únicas que não consegui pausar foram as conversas no CODEC. Depois o jogo está também repleto de pequenos detalhes deliciosos, como vários flashbacks que nos remetem para as aventuras passadas.

O design de alguns dos bosses continua excelente
O design de alguns dos bosses continua excelente

Graficamente é um jogo muito bom, que tira plenamente partido das capacidades da Playstation 3. Temos cenários bem diversos, desde cidades no médio oriente devastadas pela guerra, algures numa selva na américa do sul, uma cidade na Europa de Leste e não só. Tudo está bem detalhado, desde as ruas, a vegetação na selva e claro, as personagens. Especialmente os bosses, que continuam bastante doentios de uma maneira que só o Kojima sabe fazer. Os confrontos com as beauty and the beast sempre foram memoráveis, embora a última (Screaming Mantis) me tenha dado algumas dores de cabeça até finalmente ter percebido o que era suposto fazer. Por fim, devo fazer a referência que o voice acting no geral também está muito bem conseguido, assim como as músicas.

No fim de contas, e ainda muita coisa poderia ser dita (como o conteúdo online que não fui a tempo de aceder e o Virtual Range), este Metal Gear Solid 4 foi um jogo que me surpreendeu bastante pela positiva. A nível de jogabilidade é para mim o melhor da série, e a nível de história é também muito bom, embora o MGS3 para mim vença nesse aspecto. Se gostarem da saga e ainda não jogaram este MGS4, então não façam como eu e o deixem na prateleira durante meses e meses, joguem-no!