Chaos Legion (Sony Playstation 2)

Chaos Legion PS2Não restem dúvidas que a Capcom foi uma das software houses mais activas na geração passada. Para além de novas entradas em séries como  Resident Evil, Breath of Fire e Mega Man, foram também criadas novas franchises como Devil May Cry, Viewtiful Joe, Killer 7, God Hand, Onimusha, Monster Hunter, entre vários outros exemplos. Devil May Cry foi uma das séries de maior sucesso, tendo sido imitada por vários outros jogos, inclusive da própria Capcom. Chaos Legion é um deles, foi um jogo que comprei no início deste ano no ebay uk, por cerca de 5€. Está completo e em bom estado.

Chaos Legion PS2
Jogo completo com caixa e manual

Chaos Legion segue a história de Sieg Warheit, um “Knight of the Dark Glyphs” da Order of St. Overia, na busca do seu antigo companheiro Victor Delacroix que, após a morte da sua irmã Siela Riviere, culpa Sieg do seu assassinato (Sieg e Siela eram namorados ou algo do género). Victor passa para o “dark side”, e vai em busca dos 3 “Sacred Glyphs” de modo a unir os 3 diferentes planos de existência (Nether World, Middle World e Celestial World), provocando a destruição do mundo, mas porém trazendo de volta a sua irmã Siela. A história é um bocado novela mexicana, mas siga. Ao longo do jogo vão sendo visitados vários locais, que infelizmente não diferem muito entre si, sendo a maioria templos ou ruínas sempre com uma arquitectura gótica por detrás.

screenshot
Sieg e os seus Malice, contra um boss chato

A jogabilidade na sua essência não difere muito da jogabilidade de Devil May Cry, no que diz respeito ao combate com a espada. Mas ao invés de pistolas, Sieg conta com os seus “Legions”, criaturas que podem ser invocadas para o auxiliar na batalha. Sejam em golpes como “Assist”, até ter as criaturas em terreno de combate, podendo tomar atitudes ofensivas ou defensivas. Cada Legion tem habilidades diferentes, desde espadachins, arqueiros, bombas, garras, sendo mais ou menos eficazes para os vários diferentes inimigos. Alguns items escondidos também só poderão ser descobertos ao utilizar estas habilidades dos Legions. Sieg começa com o Legion Thanatos, o mais poderoso, mas que infelizmente é destruído no final do primeiro nível. Os restantes Legions vão sendo encontrados nos níveis seguintes e o próprio Thanatos também poderá vir a ressuscitado lá mais para a frente. O combate em si fornece pontos de experiência, não para Sieg, mas sim para os seus Legions, podendo subir o seu poder de ataque/defesa e habilidades. O estado de Sieg também evolui, mas através de items como “Defense Up” ou “Life Max Up” que tanto podem estar espalhados no jogo, como podem ser deixados pelos inimigos derrotados. Existem portanto 2 barras de energia, uma da vida de Sieg (que caso chegue a zero já sabem o que acontece) e existe uma outra que é a “Soul”. Esta é a barra de energia que permite utilizar os golpes especiais “assist” dos Legions, bem como serve para os invocar. Após a sua invocação esta barra “Soul” muda de forma, tornando-se numa barra de vida para os Legions. Chegando a zero o Legion volta para o seu mundo e é necessário voltar a recuperar alguma dessa energia para os poder utilizar novamente. A energia Soul obtém-se através do Sieg distribuir pancada nos inimigos, pela sua própria espada. Mais lá para a frente conhecemos uma menina de nome Arcia Rinslet, ao fim de algum tempo podemos jogar com ela. A menina não usa os Legions mas sim 2 pistolas como arma (ou os seus próprios pontapés), podem imaginar que a maneira de jogar com ela não é muito diferente de um certo Dante…

screenshot
Arcia a mostrar os seus dotes...

Uma coisa que me irritou foi o “targeting system”. É possível “marcar” um inimigo para que os Legions se concentrem apenas nele, mas nem sempre é fácil fazê-lo. O combate aéreo foi a minha maior frustração. É muito difícil que os Legions lutem com sucesso com inimigos que estejam acima de Sieg, e mesmo o próprio Sieg tem limitações ao utilizar os seus golpes nessas circunstâncias. Não consigo fazer “target” a inimigos que estejam a voar, como tal dificulta bastante o combate, mesmo para encaminhar os Legions para atacarem alguns desses inimigos. De resto, tendo em conta que quando Sieg invoca um Legion, Sieg perde algum do seu poder de ataque e velocidade, o que torna o jogo um pouco travado. Os controles também poderiam ser melhores, é frequente não se conseguir mudar a direcção de um golpe quando se está a fazer um combo.

Graficamente o jogo não é nada de especial. Os cenários até podem ser minimamente bonitos por se influenciarem na arquitectura gótica mas pecam por serem muito simples (a nível de texturas) e muito repetitivos. Existem uma ou outra missão na floresta que dá uma lufada de ar fresco, mas mesmo aí não esperem nada de especial. O jogo tem também bastante “fog”, algo típico de jogos de N64. Pelo contrário, é um jogo que apresenta um elevado número de inimigos no ecrã ao mesmo tempo, o que tendo em conta a plataforma em que saiu e o ano, não deixa de ser uma proeza interessante. Talvez por isso os gráficos estejam algo pobres. Os modelos das personagens e inimigos também são um pouco fracos, mas não é nada que seja insuportável. O som, confesso que a banda sonora me passou um pouco ao lado, mas pareceu-me na onda do rock e uma ou outra batida mais electrónica. O voice-acting por si não gostei quase nada. A história não é muito cativante e os diálogos são bastante dramáticos, não me convenceu.

screenshot
Fog of War, dizem alguns

Concluindo, acho que Chaos Legion até teve boas ideias, mas a sua execução não foi a melhor. O esquema dos Legions até que está bem pensado, cada um com uma série de habilidades características que permitem estratégias de luta bastante diferentes. Na minha opinião peca pelos controlos e pela história. Os gráficos não são grande coisa, mas não é algo que dê muita importância. Não é um dos jogos que eu recomendo a toda a gente que tenha uma PS2, mas quem gostar de Devil May Cry poderá encontrar algum entretenimento aqui.

Killzone (Sony Playstation 2)

Killzone PS2Resident Evil? Sim, escreverei sobre a série novamente amanhã. Acontece que acabei de finalizar este Killzone para a PS2 e quero aproveitar para escrever enquanto tenho a experiência fresca. Killzone é um jogo que sofreu uma grande campanha publicitária antes do seu lançamento, elevando bastante as expectativas dos fãs de PS2 na esperança que este jogo fosse o tão desejado “Halo-killer“. Como sempre, manter as expectativas demasiado elevadas nunca é boa ideia e Killzone é um bom jogo, embora com uma série de problemas que irão ser mencionados. A minha cópia original foi comprada no ebay UK, entretanto arranjei mais recentemente uma edição especial que contém uma sleeve de cartão mais um dvd bónus que sinceramente ainda não tive tempo de assistir. Custou-me 5€ na Feira da Ladra.

Killzone - Sony Playstation 2
Jogo com caixa, sleeve de cartão, manual e disco de bónus. Gosto mais do manual da versão original though.

A narrativa de Killzone decorre no futuro, onde a humanidade chegou a um nível de tecnologia avançado que lhe permitiu colonizar vários planetas. A certa altura dá-se uma guerra entre a civilização humana “ISA” (Interplanetary Strategic Alliance) e o Império Hellghast. ISA sai vitoriosa e o povo Hellghast vê-se forçado a exilar-se num planeta com condições ambientais muito agrestes, de tal forma que com o passar dos anos os Hellghast foram-se mutando para conseguirem sobreviver naquelas condições e junto de Visari, o seu Imperador, foram alimentando um enorme ódio pela Humanidade. O exército dos Hellghast vai-se recompondo, ganhando força e a certa altura decidem invadir o planeta das ISA mais próximo – Vekta, começando assim esta aventura. O jogo coloca-nos inicialmente na pele do Capitão Jan Templar, das forças ISA enquanto luta desesperadamente para repelir as forças invasoras nos subúrbios da cidade de Vekta. Ao longo do jogo vamos conhecendo mais 3 personagens jogáveis de diferentes forças militares da ISA. Luger é uma Shadow Marshal, assassina de elite especialista em manobras “stealth“, Rico é o típico “Rambo” equipado com uma metralhadora pesada que destrói tudo o que mexe e finalmente Hakha, um híbrido humano/hellghast que serve de espião ao serviço das forças ISA.

screenshot
Os níveis na selva pareceram-me os mais detalhados

O jogo está dividido em 11 níveis, cada um com um conjunto de variável de subníveis. Antes de cada nível temos a liberdade de escolher qual dos 4 personagens jogar (à medida que vão sendo desbloqueadas), as restantes são controladas pela inteligência artificial. A escolha das personagems varia ligeiramente os diálogos existentes no nível, bem como os objectivos ou percurso, pois cada personagem tem várias características diferentes. Templar é o tradicional “faz-tudo”, com mobilidade razoável. Luger tal como disse acima é perita em infiltrações, sendo a pessoa do grupo mais ágil, com mais aptidão para o “sniping” e com maior mobilidade no sentido de ultrapassar obstáculos e esgueirar-se por recantos pequenos. Rico é o elemento mais lento, porém o que consegue suster mais dano e o que melhor opera o armamento pesado. Finalmente, Hakha por ser meio Hellghast consegue passar despercebido entre os alarmes colocados pelos próprios e tem maior aptidão para utilizar o armamento Hellghast (maior capacidade de munição). Os controlos são o habitual nos FPS na PS2, mas com algumas chatices. A mira da sniper rifle é horrível, sendo bastante difícil de controlar, e o facto do botão de sprint ser “o mesmo” do movimento (pressionar L3 enquanto se desloca o stick para a frente) torna a experiência de correr muito irritante, o que era desnecessário. Ainda assim o jogo oferece a oportunidade de customizar os botões à nossa maneira. Outra coisa que me chateou imenso na questão da jogabilidade é o jogo não possuir um botão de salto. Existem vários obstáculos no jogo que poderiam facilmente ser transpostos com um simples botão de salto, no entanto se não tivermos a jogar com Templar ou Luger que são inteligentes o suficiente para avançarem esses pequenos obstáculos, vemos-nos forçados a dar uma grande volta para chegar ao mesmo destino. O jogo é uma experiência altamente linear, apesar de de vez em quando surgir um mapa aberto o suficiente para termos 2, 3 maneiras diferentes de abordar uma situação. À semelhança de Medal of Honor e Call of Duty, Killzone utiliza bastante os eventos pré-programados para dar alguma dinâmica ao jogo e um sentimento mais épico.

screenshot
A horrível mira da sniper rifle

Graficamente falando, Killzone é um jogo que fica bastante bonito no papel. Em movimento torna-se uma mistura de feio/belo um pouco difícil de se explicar mas vou tentar. Em primeiro lugar, eu gosto da artwork do jogo. Os cenários urbanos são detalhados (e bonitos para o meu gosto), os veículos, inimigos, armamento no geral também está bem conseguido na minha opinião. Volta-e-meia há alguns cenários (como o da selva, por exemplo) que coloca uns óptimos efeitos de luz. Fumo e partículas quando existem também estão convincentes, embora nada ao nível de um Black. O problema dos gráficos deste jogo é que para ser mostrado um mundo aberto e detalhado, os objectos/inimigos/NPCs que estão longe ficam renderizados de forma muito pobre, com poucos polígonos, e à medida que nos vamos aproximando, o detalhe vai sendo cada vez maior. Isto no papel até pode ser uma boa ideia e um bom truque para maximizar o poder do hardware da PS2. O problema é que isto não é feito de uma forma suave e para além de se notarem quebras de framerate, é muito comum que quando nos aproximamos de um objecto, parede, ou personagem, estes ainda estão com os seus visuais “low-res”, demorando algum tempo até que fiquem “bonitos”. Quando vamos avançando num nível com muitos detalhes (uma zona florestal, por exemplo), é frequente ver o cenário à nossa volta mutar-se frequentemente, com bastante pop-in digno de um Daytona USA na Sega Saturn.

A nível de som, este jogo conta com várias orquestrações para aqueles momentos de maior tensão, tal e qual como se um filme/jogo da 2a Guerra Mundial se tratasse. O jogo é competente neste caso, o voice-acting é bom. O problema nesta área é que devido à escassez de variedade de inimigos, há também uma escassez de falas dos mesmos. Vamos ouvir vezes sem conta a mesma voz para todos os Hellghasts e as mesmas frases/gritos de ordem. Para a nossa equipa vai acontecendo a mesma coisa, mas siga.

screenshot
Interessante o efeito de blur quando se usa o sprint

Antes de finalizar, convém referir o multiplayer. Killzone oferece multiplayer local para 2 jogadores, bem como um modo online que suporta até 16 jogadores. Foram criados 8 mapas para uso no multiplayer e podem ser escolhidos vários modos de jogo, entre os quais os já familiares (Team) Deathmatch, Domination e Assault, bem como “Supply Drop”, que se trata de uma variante do Capture the Flag, e o modo “Defend & Destroy”, onde as equipas para além de terem de defender alguns pontos-chave, têm também de atacar os da equipa oponente. Para terminar, Killzone é um bom exemplo do porque não se deve gerar tanto hype assim em torno de um jogo. Gostei bastante do conceito do jogo em si, e a história tem pernas para andar (tanto que já existem pelo menos 2 sequelas e um outro jogo para a PSP), mas neste caso é notório que o jogo a certa altura teve de ser apressado, pois ainda possui uma série de bugs gráficos. A jogabilidade infelizmente também não é a melhor e a IA (que não referi acima) também tem os seus problemas. Ainda assim, não deixa de ser um jogo agradável, apesar da sua extrema linearidade, tendo também um bom potencial de melhorar bastante no futuro (o que pelos vistos acabou por acontecer).

Return to Castle Wolfenstein (Sony Playstation 2)

rtcw ps2Return to Castle Wolfenstein é um reboot do “avô” dos FPS (Wolfenstein 3D). Foi lançado em 2001 para o PC, tendo sido convertido para Xbox e PS2 em 2003. A versão PS2 tem o subnome “Operation Resurrection” enquanto que a versão Xbox é “Tides of War”. A minha cópia foi comprada na loja portuense TVGames ainda neste ano, tendo pago uns 3/4€ pelo jogo. Está em óptimas condições.

Return to Castle Wolfenstein Operation Resurrection
Jogo completo com caixa, papelada e manual

Return to the Castle Wolfenstein no PC, apesar de ter um modo single-player competente, foi bem mais famoso pela sua vertente multiplayer, que consistia num modo de jogo guiado por objectivos, e membros de equipa divididos por classes, aspectos que vieram a ser aproveitados posteriormente por muitos FPS modernos. A versão Xbox mantém esta vertente multiplayer, graças à boa qualidade da infraestrutura Xbox Live. Já a Raster Productions, estúdio que tratou da conversão PS2, fizeram um péssimo trabalho em muitos campos. O mais importante foi a não inclusão de qualquer modo multiplayer. Assim sendo, vamos lá focar-nos na vertente singleplayer.

Pelo menos desde Wolfenstein 3D que os jogos da série envolvem o regime Nazi e o seu interesse pelo Oculto. O jogo coloca-nos na pele do agente secreto B.J. Blazkowicz, que enquanto se encontrava no Norte de África a combater as forças de Rommel, recebe uma missão secreta numa qualquer cidadela do Egipto, para investigar umas escavações que estão a ser feitas pelos Nazis. À medida que o jogo vai avançando vamos visitando várias localizações, desde o próprio Castle Wolfenstein, a sua vila, fábricas em ruína, laboratórios secretos na Noruega, etc. Vamos também descobrir que os Nazis planeiam ressuscitar um antigo cavaleiro demoníaco que foi selado uns séculos antes por um herói misterioso. Ao ressuscitá-lo, os Nazis planeiam ter um exército demoníaco ao seu dispor, bem como um outro de criaturas geneticamente (e tecnologicamente) modificadas. Assim sendo Blazkowicz não só tem de enfrentar soldados comuns, bem como vários tipos de zombies e criaturas sombrias fruto de experiências Nazis. O jogo original no PC começa logo no Castle Wolfenstein, com Blazkowicz feito prisioneiro. As conversões para consolas adicionam um episódio novo, logo no início, o tal passado no Egipto, que acaba por explicar como Blazcowitz foi lá parar.

screenshot
Sniper rifle - um mimo

O jogo é composto por vários capítulos, cada um separado por cinemáticas que fazem uma espécie de briefing do que é para fazer em seguida. Por sua vez cada capítulo é dividido por uma série de missões, com vários objectivos a serem cumpridos. Objectivos esses que podem passar por procurar documentação secreta, assassinar oficiais importantes, auxiliar membros da resistência, prevenir lançamento de mísseis, etc. Algumas missões também exigem bastante stealth, se formos descobertos é logo game over. Felizmente existem algumas armas silenciosas, desde revólveres, metralhadoras e até sniper rifles. Aliás, armamento é coisa que não falta neste jogo e felizmente podemos carregar tudo ao mesmo tempo. Facas, revólveres, vários tipos de metralhadora, rifles, panzerfausts, granadas, lança-chamas, e as jóias da coroa do exército Nazi – Tesla Gun (arma eléctrica) e Venom (metralhadora pesada).

Mas isto está tudo presente na versão PC (excepto os níveis novos), a equipa que converteu este jogo para a PS2 fez um trabalho mauzinho. A começar pela não inclusão de um modo multiplayer, nem em split screen. Em seguida porque a própria conversão ficou cheia de falhas. Uma coisa que achei mesmo muito má foi a inteligência artificial dos inimigos. Se eles nos ouvirem a fazer barulho, ficam logo alerta e rapidamente nos encontram. No entanto se formos silenciosos, aconteceu-me várias vezes estar a poucos metros dos inimigos e eles impávidos e serenos. Se estiverem 2 soldados a conversar e com um tiro de sniper matarmos um, o outro se não nos vir nem sequer estranha o facto do seu colega ter levado um balázio. Enfim, exemplos de má IA é o que não falta.

screenshot
Detestei este gajo - é mesmo melhor dar uso da sniper rifle á distância.

Outro aspecto onde a Raster Productions deixou algo a desejar foi o quesito gráfico. As texturas estão bem mais pobres que a versão PC e Xbox, e o mesmo pode ser dito sobre os modelos dos objectos e os efeitos de iluminação. Mas nada que não nos habituemos ao fim de algum tempo de jogo. A nível de som aí a experiência já está mais bem conseguida. À semelhança de Medal of Honor, em momentos de mais tensão o jogo coloca uma música mais orquestral a condizer com o momento. O voice-acting está competente, mesmo as falas entre os soldados no próprio jogo. Os alemães falam inglês com sotaque alemão, mas preferia mesmo que falassem a sua própria língua e o jogo tivesse legendas. De facto, nenhuma das falas do jogo tem legendas, o que é uma pena, visto haver uma discrepância grande entre os volumes de jogo e das cut-scenes (estas últimas estão bem mais baixas). Para colmatar estas falhas incluiram uma novidade. Return to Castle Wolfenstein possui (à semelhança dos jogos clássicos), zonas secretas espalhadas nos mapas, com munições ou tesouros. Cada zona secreta que se encontra equivale a um ponto na pontuação final do nível. Esses pontos poderão ser trocados por vários bónus, seja uma maior capacidade de armazenamento de munições, mais health points, mais armadura, items restaurativos, etc.

Screenshot
Yep, zombies da idade média, este jogo tem-nos. Pena que não sejam minimamente assustadores.

Para finalizar, só posso recomendar este jogo a quem não conseguir arranjar a versão PC ou até a versão Xbox. A versão PS2 tem várias falhas, sendo a mais grave a não inclusão da componente multiplayer. Ainda assim, a vertente “história” é competente o suficiente para proporcionar uma experiência minimamente agradável, e tanto esta conversão como a de Xbox têm alguns níveis extra. Fica ao vosso critério.

Red Faction II (Sony Playstation 2)

red faction2Estive uns dias ausente, pelo que os updates aqui ao tasco têm ficado pendentes. No seguimento do post anterior trago aqui a sequela de Red Faction, um jogo muito diferente do seu predecessor, onde melhoraram em vários aspectos, embora num ou noutro nem tanto. A minha cópia foi comprada na loja portuense TVGames há um ou outro mês atrás, tendo-me custado sensivelmente 4€. O jogo está completo e em boas condições.

Red Faction 2 PS2
Jogo completo com caixa e manual

Longe estão os túneis monótonos das minas em Marte (embora ainda haja um ou outro cenário mais claustrofóbico), e as referências a Red Faction 1 são mínimas. Quem jogou o original, descobriu as experiências genéticas com recurso a nanotecnologia que eram feitas em seres humanos. Acontece que no final do primeiro jogo essa tecnologia foi roubada e trazida para a Terra, mais precisamente para Commonwealth, um império liderado pelo tirano ditador Sopot. O ditador usou essa tecnologia para criar um exército de super-guerreiros, modificados tecnologicamente de modo a ficarem mais fortes, ágeis e inteligentes. Posteriormente Sopot arrependeu-se do que criou pois temia que os soldados se voltassem contra ele e ursupassem o seu poder. Sendo assim, ordenou à sua guarda de elite que os assassinassem, sendo que deste massacre 6 guerreiros sobreviveram. Liderados por Molov, os 6 guerreiros juntam-se ao movimento rebelde Red Faction e formam um esquadrão especial, com o objectivo de assassinar Sopot e por um fim à sua tirania. O jogador encarna o papel de Alias, um dos 6 guerreiros, especialista em demolições (explosivos, vá).

Enquanto que o jogo original era muito inspirado em Half-Life, sem níveis/mapas, mas sim um gigantesco mapa separado por várias áreas, aqui as coisas são um pouco mais tradicionais. Apesar de os vários níveis terem alguma sequência lógica, e a sua transição se faça de forma “suave” (por intermédio de um ecrã de loading), os níveis são lineares e a partir de um determinado nível não é possível regressar ao anterior. Contudo, através do menu principal temos a liberdade de re-jogar qualquer dos níveis que tenhamos desbloqueados, podendo inclusive escolher qual o checkpoint onde começar. A estrutura dos níveis também é bastante variada, principalmente tendo em conta a monotonia que se fazia sentir nas minas de Marte. Aqui os cenários são maioritariamente urbanos (mas futuristas e em clima de guerra), com incursões por esgotos, pontes, túneis de metro, igrejas, bases militares e laboratórios. Red Faction também foi bastante conhecido pela sua tecnologia “Geo-Mod” que permitia a modificação dinâmica do meio ambiente através de armas explosivas. Essa funcionalidade voltou, e embora não seja possível escavar túneis enormes como nas minas de Marte, a verdade é que esta tecnologia está presente no jogo todo, ao invés de estar presente mais no início, como aconteceu na prequela. Em Red Faction 2 existem imensas paredes de menor espessura que podem ser inteiramente destruídas, bem como equipamentos electrónicos, mobília, etc. É frequente em batalhas mais intensas ver estilhaços pelo ar do cenário que vai sendo destruído. Contudo nem todos os materiais podem ser destruídos o que até se compreende, pois estragaria a linearidade e os scripts existentes nos vários níveis.

screenshot
Apesar de estarem melhor que em Red Faction 1, os modelos ainda poderiam ser mais trabalhados

Também como Red Faction existem veículos que podemos manobrar. Tanques de guerra, naves, submarinos e mechas podem ser utilizados, embora apenas no submarino o no “mecha” temos controlo absoluto do que estamos a fazer, nos restantes veículos o jogo torna-se “on rails”, pois os mesmos são manobrados por Shrike (o especialista em veículos do esquadrão) sendo que nós apenas tomamos conta das armas. Falando em armas, Red Faction 2 possui um imenso arsenal. São 14 armas no total, sendo que 3 delas podem ser utilizadas aos pares e a maioria possui 2 modos de disparo. Desde pistolas, várias metralhadoras, snipers, lança granadas, armas que misturam várias coisas, há de facto muita coisa a escolher. Algumas favoritas da prequela estão de volta, como a extremamente útil Railgun. Esta arma tem um visor raio-x que permite ver através das paredes e descobrir os inimigos. O seu disparo atravessa paredes e pode matar vários inimigos num único disparo, se os mesmos estiverem em fila. Para além desta grande variedade de armas, existem também 4 tipos diferentes de granadas que podem ser usadas independentemente. E o cúmulo disto tudo é que a personagem pode carregar toda esta catrafada de armas ao mesmo tempo, tornando a sua troca num momento quente de batalha algo desajeitada. Uma outra “inovação” trazida por Red Faction 2 é a questão do heroísmo. Se matarmos civis inocentes ou colegas da Red Faction, são-nos retirados pontos de heroísmo. Ao concluir objectivos de bónus escondidos ao longo dos níveis são-nos dados pontos de heroísmo. Este balanço é ligeiramente importante para determinar o final do jogo, onde podemos ser recebidos como heróis ou como assassinos.

Screenshot
Visor especial da Railgun, que permite localizar inimigos através de paredes

A nível gráfico houve uma boa evolução por parte da Volition. Temos de ter em conta que isto ainda é um jogo de 2002, não tem os mesmos gráficos de um Black ou Killzone, por exemplo. No entanto melhoraram imenso nas texturas ao apresentarem cenários bem mais variados que anteriormente. Existem também vários efeitos de partículas a voarem pelo ar enquanto as coisas são destruídas que, apesar de não serem tão bons como no Black já são agradáveis e algo inovadores para a época. Os modelos também apresentam mais polígonos e detalhe, em especial os inimigos. Gostei bastante dos efeitos eléctricos que aparecem nalguns níveis. Passando para o som, bem aqui é que já não gostei nada. Enquanto que os efeitos sonoros são competentes (não prestei atenção à música), as vozes são do mais irritante que há. Principalmente a voz do ditador Sopot, que está CONSTANTEMENTE a debitar propaganda política. O pior é que tal propaganda não se ouve apenas no jogo em si, mas também nos menus! Grande ideia, Volition.

Red Faction 2 apresenta também um modo multiplayer que é bem mais completo que o original. Permite acção em split screen até 4 jogadores, numa gama de 40 mapas diferentes. Os modos de jogo possuem as habituais variações de Deathmatch e Capture the Flag, bem como alguns modos de jogo diferentes como o “Regime”, onde um jogador assume o papel de Ditador, e todos os outros têm como objectivo eliminá-lo. Existe também uma liberdade considerável na customização das partidas multiplayer, limitando as armas possíveis de serem utilizadas, os powerups, a inteligência artificial dos bots, entre outros.

screenshot
Conduzir um mecha nunca foi tão divertido

Antes de finalizar, que o post já vai um pouco longo, há que louvar o conteúdo desbloqueável incluído em Red Faction 2. Ao completar os níveis nos vários graus de dificuldade e completar os objectivos de bónus vamos desbloqueando várias coisas no jogo. Desde batotas que poderemos utilizar como munições infinitas, passando por artworks, modelos das armas e das personagens, bem como alguns vídeos, incluindo o Making Of e uma pseudo-entrevista bem humorada às personagens de Summoner 2 (também da Volition e THQ). Isto é altamente convidativo a voltar a jogar o modo single player, de forma a descobrir tudo o que os níveis têm para oferecer, porque de outra forma o jogo completa-se algo rapidamente.

Red Faction (Sony Playstation 2)

Red FactionDesde que joguei o Doom e o Duke Nukem 3D algures na década de 90, os jogos First Person Shooter tornaram-se um dos meus géneros preferidos. Ultimamente como tenho tido algum tempo para jogar tenho apostado em vários FPS que possuo para a minha ainda recente PS2. O jogo que trago hoje finalizei-o hoje mesmo, foi comprado no ebay uk por cerca de 3€ e o único problema que tem é ter o dvd escrito com uma série de números. Algum idiota, infelizmente.

Red Faction PS2
Jogo completo com caixa e manual inglês

Red Faction é um jogo da Volition Inc, tendo sido lançado ainda no primeiro ano de vida da PS2 (embora também existam versões para PC e Mac). Conta a históra da tirania de uma empresa mineira chamada Ultor Corporation, localizada em Marte. Ultor explora os seus mineiros em regime de escravidão, forçando-os a trabalhar em condições miseráveis, sujeitos a maus tratos por parte dos guardas e para piorar as coisas subitamente surgiu um vírus “The Plague” que mata dezenas de trabalhadores, sem que os médicos descubram razão ou cura para isso. Tais condições extremas fazem com que se juntem alguns trabalhadores revoltados, formando o movimento Red Faction onde, liderados por uma jovem de alcunha EOS, conspiram a melhor maneira de se revoltarem. Durante meses foram adquirindo secretamente armas roubadas aos guardas, bem como alistar vários trabalhadores para a sua causa. Este jogo põe-nos na pele de Parker, um jovem filho de pais ricos que, para fugir ao nível de exigência que os seus pais esperam dele, decide ir trabalhar para as minas de Ultor como um escape à sua realidade. Claro que ao chegar lá foi sujeito aos trabalhos forçados como todos os outros. O jogo começa com Parker numa mina a assistir ao assassínio de um colega de trabalho por parte de um guarda. Isto deixa-o sem alternativa, é matar ou morrer e este acontecimento marca o início da revolução da Red Faction.

screenshot
Usar portas? Para quê?

Red Faction vai buscar muitas inspirações a Half-Life. Não existem “níveis”, existe uma enorme área (separada em cerca de 70 secções) a ser explorada, e o jogo vai-se desenrolando à medida que essa área vai ser explorada. Os “mapas” têm alguma não linearidade, existindo vários caminhos para o mesmo objectivo, ou mesmo vários pontos que não sendo de passagem obrigatória, escondem batalhas, items e armamento que de outra forma passariam ao lado. Sendo um mundo aberto, na maior parte das vezes é possível voltar a áreas previamente exploradas, embora o jogo não requira que isto seja feito muitas vezes. As inspirações a Half-Life não se ficam por aqui, muitas vezes vamos ouvindo conversas de guardas, ou avisos de intercomunicador, que embora não sejam dirigidos a nós, contribuem para percebermos o que se está a suceder. Parker também recebe “chamadas” de companheiros na sua revolta (a própria EOS e Hendrix, um técnico de segurança aliado aos rebeldes), bem como recebe chamadas dos vilões. Mas o que realmente marca Red Faction é a sua tecnologia Geo-Mod, revolucionária para a época. Através do Geo-Mod é possível alterar dinamicamente o meio em que nos rodeia. Por exemplo, não conseguimos abrir uma porta? Estoura-se com a parede! É possível fazer túneis com explosivos descobrindo salas secretas ou caminhos alternativos para fazer emboscadas a guardas desprevenidos. Uma das coisas que gostei de fazer foi de estourar com um desfiladeiro com rockets, enquanto um blindado enorme andava a passear por lá. Infelizmente o jogo não permite que façamos isto sempre, lá mais para o final uma grande parte das paredes e afins são mais resistentes. Não é só a Half Life que vai buscar influências, também existem algumas áreas onde o stealth é imperativo e o único armamento que temos é uma pistola silenciosa para aquelas alturas em que tiver mesmo de ser. Também podemos carregar os corpos para os esconder.

screenshot
Mandar o blindado para o precipício, como referi atrás

Os controlos não são muito intuitivos, alguns botões estão organizados de forma que atrapalham os dedos e o conceito de “aim” que vemos em jogos como Medal of Honor ou Call of Duty encontra-se aqui também, mas de uma forma muito confusa. Existe um botão de aim “geral”, que faz um pequeno zoom e dá mais alguma precisão aos tiros. Mas se usarmos uma arma de sniper, e querermos usar a mira, não se usa o botão de aim mas sim o “alternate fire“. Enfim, pequenas coisas que na altura ainda não eram utilizadas mas davam um jeitaço. Pelo menos o menu de opções permite que configuremos os botões da maneira que quisermos. Red Faction contém também vários veículos a serem utilizados, desde jipes, blindados, pequenos submarinos e naves. Os veículos possuem armamento e existem várias secções do jogo em que temos de andar nesses veículos e provocar o caos. Para o submarino e a nave, os controlos são agradáveis, já controlar os veículos terrestres é bem mais chato. O jogo também não é fácil, requer muita tentativa/erro e o facto de ser possível fazer save em qualquer ponto do jogo como um FPS de PC se tratasse já é uma grande ajuda. Isso e o facto de podermos activar auto aiming.

Screenshot
Metralhadora pesada, gosto.

Graficamente o jogo não é nada de especial, o que é normal considerando que é um jogo de primeira geração da PS2 (a versão PC é um pouco melhor). Os modelos ainda são muito “quadrados” e pouco detalhados, as texturas dos cenários são bastante simples e os visuais em si são muito monótonos. Quando estamos nas minas o jogo consiste em túneis e túneis de terreno vermelho, com algumas áreas mais abertas pelo meio. Na parte mais “industrial”, os cenários vão mais para o cinzento e o amarelo/castanho. Nos locais de saúde ou executivos é apostado num visual mais branco. Mas tendo em conta que uma grande parte do jogo é passada no próprio terreno de Marte, preparem-se para enjoar de vermelho. A nível de som também foi uma coisa que me tenha passado ao lado. Muitas vezes não existe música e quando existe é ambiente ou então passa para temas mais mexidos quando estamos nalguma batalha mais acesa. Existe também um modo multiplayer mas é muito arcaico. Apenas permite death match em split screen para 2 jogadores (embora também se possam usar alguns bots para fazer número).

Ainda assim, considerando que é um dos jogos da primeira geração da PS2, Red Faction fez um óptimo trabalho e a tecnologia Geo-Mod tem imenso potencial para ser utilizada em jogos futuros. Actualmente a saga Red Faction já vai em 4 jogos diferentes, sendo o Red Faction Armageddon o mais recente (saiu este ano para PC, PS3 e X360). Estou algo curioso para ver qual a história a seguir, visto o final de Red Faction 1 aparentemente não deixar grandes pontas soltas. Estou também curioso para ver como evoluiram a tecnologia Geo-Mod. Brevemente começarei a jogar Red Faction II também para a PS2 e logo vos digo como está.