Não restem dúvidas que a Capcom foi uma das software houses mais activas na geração passada. Para além de novas entradas em séries como Resident Evil, Breath of Fire e Mega Man, foram também criadas novas franchises como Devil May Cry, Viewtiful Joe, Killer 7, God Hand, Onimusha, Monster Hunter, entre vários outros exemplos. Devil May Cry foi uma das séries de maior sucesso, tendo sido imitada por vários outros jogos, inclusive da própria Capcom. Chaos Legion é um deles, foi um jogo que comprei no início deste ano no ebay uk, por cerca de 5€. Está completo e em bom estado.

Chaos Legion segue a história de Sieg Warheit, um “Knight of the Dark Glyphs” da Order of St. Overia, na busca do seu antigo companheiro Victor Delacroix que, após a morte da sua irmã Siela Riviere, culpa Sieg do seu assassinato (Sieg e Siela eram namorados ou algo do género). Victor passa para o “dark side”, e vai em busca dos 3 “Sacred Glyphs” de modo a unir os 3 diferentes planos de existência (Nether World, Middle World e Celestial World), provocando a destruição do mundo, mas porém trazendo de volta a sua irmã Siela. A história é um bocado novela mexicana, mas siga. Ao longo do jogo vão sendo visitados vários locais, que infelizmente não diferem muito entre si, sendo a maioria templos ou ruínas sempre com uma arquitectura gótica por detrás.

A jogabilidade na sua essência não difere muito da jogabilidade de Devil May Cry, no que diz respeito ao combate com a espada. Mas ao invés de pistolas, Sieg conta com os seus “Legions”, criaturas que podem ser invocadas para o auxiliar na batalha. Sejam em golpes como “Assist”, até ter as criaturas em terreno de combate, podendo tomar atitudes ofensivas ou defensivas. Cada Legion tem habilidades diferentes, desde espadachins, arqueiros, bombas, garras, sendo mais ou menos eficazes para os vários diferentes inimigos. Alguns items escondidos também só poderão ser descobertos ao utilizar estas habilidades dos Legions. Sieg começa com o Legion Thanatos, o mais poderoso, mas que infelizmente é destruído no final do primeiro nível. Os restantes Legions vão sendo encontrados nos níveis seguintes e o próprio Thanatos também poderá vir a ressuscitado lá mais para a frente. O combate em si fornece pontos de experiência, não para Sieg, mas sim para os seus Legions, podendo subir o seu poder de ataque/defesa e habilidades. O estado de Sieg também evolui, mas através de items como “Defense Up” ou “Life Max Up” que tanto podem estar espalhados no jogo, como podem ser deixados pelos inimigos derrotados. Existem portanto 2 barras de energia, uma da vida de Sieg (que caso chegue a zero já sabem o que acontece) e existe uma outra que é a “Soul”. Esta é a barra de energia que permite utilizar os golpes especiais “assist” dos Legions, bem como serve para os invocar. Após a sua invocação esta barra “Soul” muda de forma, tornando-se numa barra de vida para os Legions. Chegando a zero o Legion volta para o seu mundo e é necessário voltar a recuperar alguma dessa energia para os poder utilizar novamente. A energia Soul obtém-se através do Sieg distribuir pancada nos inimigos, pela sua própria espada. Mais lá para a frente conhecemos uma menina de nome Arcia Rinslet, ao fim de algum tempo podemos jogar com ela. A menina não usa os Legions mas sim 2 pistolas como arma (ou os seus próprios pontapés), podem imaginar que a maneira de jogar com ela não é muito diferente de um certo Dante…

Uma coisa que me irritou foi o “targeting system”. É possível “marcar” um inimigo para que os Legions se concentrem apenas nele, mas nem sempre é fácil fazê-lo. O combate aéreo foi a minha maior frustração. É muito difícil que os Legions lutem com sucesso com inimigos que estejam acima de Sieg, e mesmo o próprio Sieg tem limitações ao utilizar os seus golpes nessas circunstâncias. Não consigo fazer “target” a inimigos que estejam a voar, como tal dificulta bastante o combate, mesmo para encaminhar os Legions para atacarem alguns desses inimigos. De resto, tendo em conta que quando Sieg invoca um Legion, Sieg perde algum do seu poder de ataque e velocidade, o que torna o jogo um pouco travado. Os controles também poderiam ser melhores, é frequente não se conseguir mudar a direcção de um golpe quando se está a fazer um combo.
Graficamente o jogo não é nada de especial. Os cenários até podem ser minimamente bonitos por se influenciarem na arquitectura gótica mas pecam por serem muito simples (a nível de texturas) e muito repetitivos. Existem uma ou outra missão na floresta que dá uma lufada de ar fresco, mas mesmo aí não esperem nada de especial. O jogo tem também bastante “fog”, algo típico de jogos de N64. Pelo contrário, é um jogo que apresenta um elevado número de inimigos no ecrã ao mesmo tempo, o que tendo em conta a plataforma em que saiu e o ano, não deixa de ser uma proeza interessante. Talvez por isso os gráficos estejam algo pobres. Os modelos das personagens e inimigos também são um pouco fracos, mas não é nada que seja insuportável. O som, confesso que a banda sonora me passou um pouco ao lado, mas pareceu-me na onda do rock e uma ou outra batida mais electrónica. O voice-acting por si não gostei quase nada. A história não é muito cativante e os diálogos são bastante dramáticos, não me convenceu.

Concluindo, acho que Chaos Legion até teve boas ideias, mas a sua execução não foi a melhor. O esquema dos Legions até que está bem pensado, cada um com uma série de habilidades características que permitem estratégias de luta bastante diferentes. Na minha opinião peca pelos controlos e pela história. Os gráficos não são grande coisa, mas não é algo que dê muita importância. Não é um dos jogos que eu recomendo a toda a gente que tenha uma PS2, mas quem gostar de Devil May Cry poderá encontrar algum entretenimento aqui.



















