007 Racing (Sony Playstation)

Com o sucesso do 007 GoldenEye para a Nintendo 64, a Electronic Arts rapidamente comprou os direitos da franquia e assistimos a uma série de anos onde os videojogos do James Bond tinham sucesso comercial considerável. E se por um lado a maioria destes videojogos eram first person shooters, pelo meio também surgiu este 007 Racing, que por sua vez possui um nome algo enganador, pois este não é um jogo de corridas convencional, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado algures no mês de Outubro numa das minhas idas à feira da Vandoma. Creio que me custou apenas 1.5€.

Jogo com caixa e manual, versão Platinum

007 Racing, ao contrário do que eu estava à espera não é um mero jogo de corridas como o seu título assim o deixa antever. Pelo contrário, é um jogo similar ao Driver, onde em cada “nível” vamos tendo diferentes missões como destruir os alvos X, Y e Z, resgatar pessoa A, ou sobreviver a uma perseguição a alta velocidade pelo meio da selva mexicana. Tudo isto ao volante de alguns carros que fizeram sucesso nalguns filmes do agente secreto, como o anfíbio Lotus Esprit, o Aston Martin DB5 ou os BMW Z3 e Z8, entre outros, mas confesso que estava à espera de algo diferente. Para nos ajudar nas missões vamos tendo vários itens que podemos ter já equipados no carro, ou apanhar outros nos níveis propriamente dito. Metralhadoras, diferentes tipos de mísseis, minas e outras bombas são algumas das armas que poderemos usar, bem como aquelas armadilhas mais tradicionais como cortinas de fumo ou regar a estrada de óleo. Outros objectos como medkits ou turbos (que dispensam apresentações) fazem também parte deste elenco.

Felizmente vamos tendo um arsenal de armas variado para combater os inimigos.

No que diz respeito aos controlos, os botões faciais da playstation servem para acelerar, travar, mudar o ângulo da câmara e usar o travão de mão. Por outro lado os botões de cabeceira servem para seleccionar e usar as diferentes armas/itens do nosso inventário. Até aqui tudo bem, mas infelizmente quando começamos o jogo vemos que é medíocre em todos os aspectos: os carros não são muito fáceis de manobrar, os gráficos no geral não são grande coisa, exceptuando as cutscenes em CGI que vão surgindo entre cada nível.

Ah sim, temos também uma vertente multiplayer que sinceramente nunca cheguei a experimentar.

No entanto é na parte do som que este jogo tem mais potencial. Por um lado porque usa um elenco de alguns bons actores para o voice acting (confesso que não me lembrava de ver o John Cleese como Q em alguns filmes) e gosto de ouvi-lo a barafustar nas comunicações rádio, principalmente quando temos os seus queridos carros em situações perigosas. As músicas, que me parecem as mesmas usadas uma série de filmes, são agradáveis, mas infelizmente estão constantemente a serem interrompidas pelas comunicações rádio das outras personagens. Pode ser algo realista, mas irritou-me um pouco.

Portanto este é um jogo que infelizmente me pareceu bastante medíocre. Felizmente que os jogos de acção desta franchise, desta época, são bem mais agradáveis tendo em conta os meus gostos. A ver em breve vos possa falar de outros 007 que a Electronic Arts lançou nesta época.

Disney’s Action Game featuring Hercules (Sony Playstation)

Confesso que desde a era dos 16bit que me desliguei um pouco dos videojogos da Disney, sendo que esta adaptação do Hércules foi das primeiras a ter um foco nas consolas da próxima geração, com um lançamento para a Playstation e também para o PC. O jogo na Europa tem este nome comprido porque por cá também foram lançados no PC outro tipo outros videojogos e software interactivo que não de acção. O meu exemplar foi comprado algures no mês de Setembro a um particular, tendo-me custado 3€.

Jogo com caixa e manual, versão platinum

O jogo segue o filme da Disney que por sua vez é uma adaptação da lenda de Hércules, filho de Zeus que, para reclamar um lugar no Olimpo, terá de mostrar toda a sua valentia na terra, no meio dos mortais. Começamos o jogo numa espécie de campo de treino, passando por outros locais como a cidade de Atenas e defrontando vários  seres mitológicos como a centauros, a Medusa, ciclopes, culminando num confronto contra o próprio Hades.

Apesar de ter sido desenvolvido para as consolas de próxima geração, este é ainda um jogo em 2D e ainda bem

Na sua essência, este é um jogo de plataformas em 2D, como os clássicos que tinham sido publicados anteriormente pela Virgin nas consolas 16bit. Para além dos níveis de puro platforming temos os outros que são vistos numa perspectiva em 3D onde estamos constantemente a correr para a frente e temos de nos desviar de uma série de obstáculos. Nos níveis de platforming puro, também podemos por vezes alternar entre diferentes planos, mas no geral a jogabilidade é toda 2D, à moda antiga. Os botões faciais da playstation servem para saltar, atacar com a espada ou distribuir socos. Por vezes teremos de destruir alguns objectos para desbloquear o caminho, e para isso temos de carregar energia e distribuir um mega soco! Pelo caminho vamos encontrando vários itens, desde letras que soletram o nome de Hércules e vasos de barro que nos vão dando continues ou passwords dos níveis em que estamos.

Muitas vezes podemos alternar entre diferentes planos de acção, mas as mecânicas mantêm-se as de um jogo 2D

A vida de Hércules pode ser regenerada ao encontrar bebidas energéticas e pode ser extendida ao coleccionar action figures do mesmo. Podemos no entanto encontrar outros power ups que podem ser seleccionados e activados a qualquer momento no jogo, através dos botões de cabeceira do comando. Estes consistem em power ups que nos conferem poderes temporarios como invencilidade ou a possibilidade da nossa espada disparar raios eléctricos ou bolas de fogo. No caso dos nívels “de corrida” podemos ainda encontrar um calçado especial que nos deixa correr bastante rápido e levar tudo à nossa frente por breves segundos.

Por vezes também temos estes níveis de corrida, onde estamos sempre a correr, sem conseguir parar ou voltar para trás.

A nível audiovisual, apesar do jogo possuir cenários maoritariamente 2D, onde destaco as sprites com óptimos detalhes e níveis de animação, também vamos vendo alguns objectos ou partes do cenário em 3D, mas sempre de uma forma algo discreta, pois o core do jogo é mesmo em 2D. Os efeitos sonoros são também bons, e o mesmo pode ser dito da música, embora sinceramente isso fosse de esperar, pois sendo este um jogo em CD, já permite músicas de qualidade CD-Audio, e muitas vozes. E sendo estas retiradas de um blockbuster da Disney, claro que o resultado final teria que ser bom.

 

Mortal Kombat Special Forces (Sony Playstation)

Voltando às rapidinhas, hoje vamos abordar um jogo algo interessante. Mortal Kombat é uma das franchises mais famosas dos jogos de luta dos anos 90, tanto nas arcadas, como nas consolas. E após uma série de vários jogos de luta 2D bem sucedidos, é no surgimento da quinta geração de consolas que a Midway decide experimentar um pouco com a série. Por um lado tivemos o Mortal Kombat 4 que foi o primeiro jogo de luta a série em 3D, com resultados não muito aclamados. Depois tivemos também o Mortal Kombat Mythologies Sub-Zero, que apesar de ser mau, espero um dia trazê-lo cá. Por fim temos o Mortal Kombat Special Forces, também lançado nessa mesma geração e uma vez mais a Midway a querer fazer algo de diferente na série. O meu exemplar foi comprado algures em Junho/Julho deste ano numa loja de videojogos em Lisboa. Custou-me 19€.

Jogo completo com caixa e manuais

Aparentemente este é uma prequela do primeiro Mortal Kombat, onde encarnamos na personagem Jax, que faz parte das Special Forces, uma unidade policial de elite. A missão de Jax é perseguir e defrontar os membros do violento gang Black Dragon, liderado pelo Kano, uma outra personagem conhecida do universo Mortal Kombat. E ao contrário do que eu pensava, este não é um mero beat ‘em up em 3D como se um Fighting Force mais violento se tratasse. Mas não, para além de distribuir pancada, vamos também poder equipar e usar armas de fogo, alguns níveis são algo labirínticos com pequenos puzzles para resolver e o jogo possui também pequenos elementos de RPG.

Quantos mais “níveis” subirmos, mais combos vamos aprender

Este é na verdade um jogo de acção na terceira pessoa, onde Jax pode andar à pancada e desencadear combos nos inimigos. Quantos mais inimigos derrotarmos, mais pontos de experiência ganhamos e assim vamos aprendendo novas combos mais complexas e devastadoras para usar. Se o jogo fosse só de porrada, até se calhar lhe achava mais piada, mas a partir do momento em que descobrimos que podemos usar armas de fogo, perde-se alguma da “magia”. Isto porque os inimigos também podem ter armas de fogo e não têm medo de as usar, pelo que se nós não as usarmos, acabamos por ficar em séria desvantagem. Felizmente que também podemos encontrar vários medkits e vidas extra para nos facilitar a vida. Por vezes o jogo até me faz lembrar títulos como Syphon Filter, principalmente quando podemos equipar a sniper rifle e, alternando numa perspectiva de primeira pessoa, poder mandar uns quantos headshots.

Isto, em conjunto com toda a exploração que somos obrigados a fazer, tanto nos níveis que decorrem no planeta Terra como no mundo misterioso do Otherrealm, tornam este jogo bem mais completo do que um mero beat ‘em up se tratasse. Mas a verdade é que, sendo este um Mortal Kombat, eu preferia de longe que o mesmo se tivesse mantido na pancadaria da velha.

O jogo possui elementos de jogos de acção como Syphon Filter que sinceramente não esperava ver aqui.

No que diz respeito aos audiovisuais, este até que é um jogo competente tecnicamente, com alguns bonitos efeitos gráficos aqui e ali, principalmente os efeitos de luz que achei interessantes tendo em conta as limitações da plataforma. Ainda assim, acho que os níveis poderiam ser melhor desenhados e ter um pouco mais de “vida”, o que não é o caso, principalmente nos níveis mais perto do final. A banda sonora não é nada de especial, não me ficou na memória.

De resto, este é um Mortal Kombat muito criticado pelos fãs por ter fugido bastante ao conceito original da série. Por um lado eu aprecio a tentativa da Midway em ter feito algo diferente, por outro lado creio que poderiam ter feito um trabalho melhor, pois o jogo teria potencial. Ainda assim não o achei assim tão mau quanto muitos o pintam.

Guilty Gear (Sony Playstation)

A série Guilty Gear é uma série de jogos de luta em 2D desenvolvida pela Arc System Works, cujo primeiro jogo saiu originalmente nas arcades em 1998. Eventualmente lá foi lançada uma conversão para a Sony Playstation, versão essa que cá trago hoje para um breve artigo. O meu exemplar foi comprado algures no início de Junho numa loja no Porto, creio que me custou 5€. Infelizmente é a versão Play It, que tem uma capa muito feia, mas eventualmente lá o trocarei pela versão black label quando surgir uma boa oportunidade.

Jogo com caixa e manual.

O conceito do mundo de Guilty Gear é interessante, pois o mesmo supostamente decorre num mundo pós apocalíptico, após uma guerra entre humanos e ciborgues (aqui chamados de Gears). Há um torneio a decorrer por razões misteriosas, onde vários lutadores (incluindo humanos e gears) participam por diversas razões. Depois o mundo é bastante variado, com cenários a lembrar cenas pós apocalípticas, outros futuristas, outros até com algum caracter paranormal, ou outros que não parecem ter nada a ver com aquele mundo, como um castelo medieval no meio de uma floresta.

O ecrã de loading antes de cada combate mostra-nos alguns dos golpes que podemos executar com as respectivas personagens

Dispomos de 6 botões faciais para usar, dois deles para socos ou pontapés, outros 2 para usar armas brancas, e outros 2 usados para desencadear alguns ataques especiais. O jogo possui um bom sistema de combos, que resultam numa jogabilidade muito frenética e exige mesmo reflexos rápidos para usar counters no momento certo e quebrar o ímpeto do inimigo. Tal como em muitos outros jogos de luta da época temos também uma barra de “tensão” que vai aumentando consoante a nossa performance no jogo, e que, uma vez cheia, nos pode fortalecer e desbloquear alguns golpes mais poderosos. Se formos habilidosos (o que certamente não é o meu caso), podemos também desencadear alguns golpes que derrotam o inimigo instantaneamente, uma espécie de fatality que pode acontecer a meio do combate. De resto os modos de jogo são simples: o arcade que contém também a história para cada um dos lutadores, o versus para 2 jogadores e um modo de treino que podemos usar para practicar os movimentos de cada personagem.

Visualmente este é um jogo muito agradável, tanto no design dos lutadores como no detalhe dos inimigos

No que diz respeito aos audiovisuais, este jogo está muito bem conseguido, mesmo para a Playstation. Os lutadores têm todos um design muito característico, fazendo lembrar alguns bons animes dos anos 90, como Evangelion. As arenas estão também muito bem representadas, com cenários bastante diversos entre si, conforme já mencionado nuns parágrafos acima. Mas o que gosto mesmo é da banda sonora que é practicamente toda hard rock e heavy metal, o que me agrada muito mesmo. Para além disso, existem imensas referências à cultura rock e metal, como o nome de alguns golpes ou mesmo de algumas personagens. A personagem Axl Low é uma óbvia homenagem a Axl Rose, enquanto Ky Kiske é uma homenagem à banda Helloween, nomeadamente pelos nomes de Kai Hansen e Michael Kiske, dois músicos muito importantes na cena do power metal alemão.

Portanto, se gostam de jogos de luta 2D e também de ouvir umas belas guitarradas, a série Guilty Gear mostra-se como uma excelente aposta, com um primeiro jogo muito sólido. Depois deste continuaram a saga com os Guilty Gear X e Guilty Gear X2, do quais existem imensas versões e updates. A ver como se safaram no Guilty Gear X em breve!

Grand Theft Auto: London 1969 (Sony Playstation)

Grand Theft Auto é uma série que dispensa apresentações. Desde o primeiro jogo que nos apresenta um mundo aberto à exploração onde, para além de cumprir uma série de missões relacionadas com o mundo do crime organizado, podemos simplesmente vaguear pelo mapa e causar todo o caos que bem entendermos. O primeirinho jogo, desenvolvido pela DMA Design, que mais tarde se veio a tornar na Rockstar, foi um sucesso de vendas e não tardou muito para que, antes da sequela Grand Theft Auto 2, ainda houvesse tempo para um expansion pack. O meu exemplar veio de uma CeX do Reino Unido, por alturas em que um colega de trabalho lá passou. Custou-me 5 libras, estando completo e em bom estado.

Jogo com caixa e manual

Esta expansão, tal como o nome sugere, é toda passada na cidade de Londres (desta vez não usaram nomes fictícios como Liberty City ou San Andreas) no ano de 1969. A jogabilidade é idêntica à do GTA original, ou seja, temos um mapa inteiro por nossa conta onde podemos importunar todos os transeuntes que nos apetecer, se bem que também depois temos a polícia à perna. Nesse caso, o jogo até parece-me ser mais permissivo, a polícia não é tão agressiva quanto noutros GTAs. Se por outro lado quisermos seguir o modo “história”, então lá teremos de nos deslocar a cabines telefónicas, ouvir o que nos têm a dizer e agir em conformidade. As missões geralmente são do género: entrar no carro A, falar com a pessoa B, intimidá-la, conduzir até ao ponto C e limpar o sebo a alguém, explodir um carro armadilhado, ou outras coisas agradáveis como raptar pessoas, colectar dinheiro sujo entre outros trabalhos de business as usual no seio do crime organizado britânico da década de 60. Ocasionalmente lá teremos uma missão mais fora do baralho, como aquela onde tomamos o papel de um agente secreto à lá James Bond onde teremos de interceptar camiões com mísseis intercontinentais e evitar que os mesmos sejam usados na capital britânica.

A nível de jogabilidade, as coisas não diferem muito do original. Ou nada mesmo.

No que diz respeito aos audiovisuais, este não é um jogo propriamente bonito. Tal como o original e a sua sequela, o jogo é apresentado numa perspectiva aérea que não dá margem para muito detalhe, mas não deixam de ser funcionais. Ainda assim não deixaram de incluir alguns pontos chave da capital britânica, como a Tower of London ou a zona de Westminster com o Big Ben e restantes monumentos. Ocasionalmente lá teremos algumas cutscenes, mas tal como no jogo original, são bastante simples e poderiam ser melhor animadas. A melhor parte é mesmo a banda sonora que simula diferentes estações de rádio que podemos ouvir sempre que entramos num carro, desde comentários hilariantes dos radialistas, passando pelas músicas que vão sendo algo variadas, mas todas elas com aquela groove muito característico da década de 60. G-roovy, as my granddad would say!

Portanto, este mission pack, que aliás nesta edição até requer o jogo original para ser jogado, acaba por ser isso mesmo, um mission pack que não adiciona nada de propriamente novo à jogabilidade do original, oferecendo no entanto um setting completamente diferente, o de Londres nos anos 60. Seria bom que isto fosse revisitado no futuro! Existe também a Special Edition deste jogo, que, ao contrário desta, não necessita do GTA original para ser jogado.