Fatal Fury Battle Archives Volume 1 (Sony Playstation 2)

fatal-fury-battle-archives-volume-1Infelizmente tenho estado bastante ausente nos últimos tempos, pelo que volto hoje às rapidinhas e às colectâneas. E este é mais um excelente exemplo do quão grande a Playstation 2 é para mim. Para além de ter recebido centenas de jogos interessantes e muitos deles que considero essenciais, também recebeu bastantes compilações de jogos mais antigos. Apesar de o valor comercial de muitas destas compilações também ter vindo a subir nos últimos anos, continuam a ser uma alternativa mais barata ao comprar os jogos individualmente. O artigo de hoje é uma compilação dos primeiros Fatal Fury, uma das mais famosas séries da SNK cujo primeiro jogo foi desenvolvido na mesma altura do Street Fighter II. O meu exemplar veio de uma CeX na zona de Lisboa e custou-me 15€.

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Como habitualmente, não me vou focar muito nos jogos da compilação. Espero fazê-lo quando um dia os arranjar em standalone, para já apenas o primeiro Fatal Fury é que teve essa sorte e foi a versão da Mega Drive. Avançando então para a sequela, o Fatal Fury 2 já se aproximou mais da fórmula de sucesso do Street Fighter II, pois já desde o início poderemos jogar com bem mais personagens ao contrário das 3 principais que protagonizaram o primeiro jogo. Temos então um total de 8 personagens para escolher, com várias caras novas incluindo a Mai Shiranui, que se veio a tornar num dos maiores sex symbols dentro do género. No entanto, não podemos escolher nenhum dos 4 bosses que enfrentamos. No que diz respeito à jogabilidade esta mantém-se bastante coesa, agora aproveitando os 4 botões da Neo-Geo para aplicar socos e pontapés fortes ou fracos. O esquema da troca de planos (foreground e background) torna a regressar e a outra maior novidade a meu ver está na inclusão dos Desperation Moves, assim que estivermos com muito pouca vida. A nível audiovisual é um jogo muito bem detalhado, tanto nas personagens como nos cenários e nas músicas.

No Fatal Fury 2 as coisas já se aproximaram bem mais de um Street Fighter II
No Fatal Fury 2 as coisas já se aproximaram bem mais de um Street Fighter II

O Fatal Fury 2 teve direito depois a um update chamado Fatal Fury Special. Na verdade é um jogo não-canónico na história da série, pois para além de incluir os 4 bosses do Fatal Fury 2 como personagens jogáveis, traz ainda os lutadores do primeiro Fatal Fury que tinham ficado de fora no jogo anterior (incluindo o Geese Howard que supostamente teria morrido), bem como o Ryo da série Art of Fighting como personagem desbloqueável. A série Art of Fighting é uma espécie de prequela da série Fatal Fury e King of Fighters. De resto a nível de jogabilidade é essencialmente o mesmo, com algumas personagens a ganhar alguns golpes novos e pouco mais. Nos audiovisuais continua a ser um óptimo jogo, com muitos dos cenários do Fatal Fury 2 a decorrerem agora em diferentes alturas do dia.

O FF Special traz um ecrã de selecção de lutadores bem maior
O FF Special traz um ecrã de selecção de lutadores bem maior

O último jogo presente nesta compilação é o Fatal Fury 3, que já não é tão popular quanto os seus antecessores. Para além de 5 das personagens principais como Joe, Terry, Andy, Mai e Geese (sim, o homem voltou!), juntam-se 5 personagens inteiramente novas, para além de mais alguns bosses que não podem ser desbloqueados. Este é um jogo mais rápido e que apresenta algumas novidades na jogabilidade, para além de incluir novos golpes, e alguns secretos. O sistema de alternar entre planos usa agora 3 planos de referência e é possível alternar entre ambos de uma forma bem mais rápida e dinâmica, sem ter de saltar de um lado para o outro. Isso torna também os combates muito mais fluídos. Na sua apresentação, é um jogo que me faz lembrar o primeiro Fatal Fury, pelo seu foco maior na história. Nos primeiros 4 oponentes podemos escolher qual a ordem pela qual os enfrentamos, sendo que entre cada nível temos direito a pequenas cutscenes com diálogos, ou ver a nossa personagem a deslocar-se pelo mapa para o próximo combate. Graficamente continua a ser um jogo que apresenta bastante detalhe nas arenas e as personagens foram inteiramente redesenhadas. Acho que as cores não são tão vívidas como nos outros jogos, mas não deixa de ser também um bom trabalho.

Qualquer semelhança com Final Fight é mera coincidência. Ou não.
Qualquer semelhança com Final Fight é mera coincidência. Ou não.

Infelizmente esta compilação ficou-se por aqui. O segundo volume da mesma não chegou a sair na Europa infelizmente, mas também mesmo que tivesse saído pecaria sempre por não incluir o fantástico Mark of the Wolves, apenas os Real Bout Fatal Fury. Era bom poder ter a saga principal completa num só disco, e um DVD aguentaria bem tal façanha na minha opinião. Mas ainda assim, este primeiro volume não deixa de ser uma excelente escolha para quem gostar de jogos de luta 2D.

Metal Gear Solid V Ground Zeroes (Sony Playstation 3)

342029_frontSempre que há um novo Metal Gear em desenvolvimento, gera-se uma grande expectativa à volta do mesmo. Principalmente se for um jogo pertencente à série principal. O Metal Gear Solid V não escapou à tradição. Desde a revelação da Fox Engine e das suas capacidades gráficas, até se chegar a conhecimento público dos desentendimentos de Kojima e a Konami, o MGS V muita tinta fez correr. Seria também um jogo de mundo aberto que permitiria diferentes abordagens às missões, Kojima decidiu divider o projecto em 2 partes. Phantom Pain e Ground Zeroes, este último que serviria apenas de introdução aos eventos narrados no jogo principal e também uma demonstração das mecânicas de jogo open world que Kojima planeava introduzir. Embora estariam inicialmente previstos serem lançados em simultâneo, lá decidiram lançar o Ground Zeroes primeiro de forma a aguçar o apetite dos fãs, já que Phantom Pain ainda precisava de mais uns tempos de desenvolvimento. O meu exemplar foi-me oferecido pela minha namorada algures em 2015.

Jogo com caixa e papelada.
Jogo com caixa e papelada.

Ground Zeroes passa-se em 1975, servindo de introdução aos acontecimentos que mais tarde viriam a decorrer em Phantom Pain, que por sua vez se passa em 1984. Aqui controlamos Snake (o Big Boss) numa missão bem curtinha, onde teremos de resgatar Chico e Paz (personagens introduzidas no MGS Peace Walker), que foram levados para uma instalação militar secreta, algures em Cuba, que alberga prisioneiros “especiais”. Um pouco como Guantanamo nos dias de hoje, mas secreta e sem reconhecimento do governo Norte-Americano. Somos então largados de helicóptero perto da entrada das instalações e depois como cumprimos os nossos objectivos é connosco. Logo no início vamos recebendo instruções sobre várias das novas mecânicas de jogo, como o facto dos binóculos estarem agora directamente mapeados num botão, ao invés de ser necessário de os seleccionar e equipar no inventário. Com os binóculos podemos observar as instalações, obter informações sobre as mesmas e acima de tudo, é extremamente útil para marcar os inimigos no mapa. Com os inimigos marcados no mapa, temos sempre a noção de onde eles estão posicionados, facilitando bastante o trabalho de infiltração. Se formos caços por algum inimigo, temos alguns segundos onde a acção decorre em câmara lenta e a câmara vira-se para a pessoa que nos avistou. Nesses segundos temos de os eliminar antes que soem o alarme. O alarme soando lá teremos de nos seconder rapidamente, com o jogo a passar as fases habituais de alerta, caução e resumo à normalidade. Consultando o mapa podemos ver a “zona quente” onde somos procurados, pelo que convém afastarmo-nos rapidamente do local e evitar ao máximo sermos avistados novamente.

Para além de podermos obter dicas e fazer o reconhecimento da área, os binóculos são também muito úteis para identificar os inimigos.
Para além de podermos obter dicas e fazer o reconhecimento da área, os binóculos são também muito úteis para identificar os inimigos.

A missão principal é curta, teremos de resgatar Chico e Paz de locais diferentes e levá-los a uma de várias “landing zones” disponíveis. Quais dos dois resgatamos primeiro, ou a forma como nos infiltramos é deixada completamente à nossa conta. Podemos escalar uma colina e saltar para dentro da base militar, ou simplesmente entrar pelo portão. Podemos conduzir veículos, jogar de uma forma completamente furtiva usando apenas a arma tranquilizante quando necessário, ou entrar mais a matar. Guardas podem ser interrogados dando-nos dicas de locais com outras armas ou onde os prisioneiros estão e por aí fora. Mesmo dentro da base existem vários caminhos alternativos que podem ser tomados. E apesar da missão em si ser curta, existem várias cassetes audio e emblemas XOF que podem ser descobertos, que depois nos desbloqueiam outras coisas. Ao completer a missão principal pela primeira vez desbloqueamos depois outras missões secundárias que decorrem também na mesma base militar. Nem todas serão importantes para a storyline, numa delas temos de resgatar o próprio Hideo Kojima! Ao coleccionar todos os emblemas XOF desbloqueamos as missões especiais Dejá Vu e Jamais Vu, que outrora eram exclusivas da X360 ou PS3. Com um dos patches lançados posteriormente ambas as missões ficaram também disponíveis em todas as plataformas. A Dejá Vu é uma missão que vai buscar eventos do Metal Gear Solid original, já a Jamais Vu é algo ainda mais insano: a personagem jogável é o Raiden, com o objectivo de destruir todos os Body Snatchers que roubaram o corpo dos militares na base, sendo uma óbvia referência ao clássico Snatcher.

Com os inimigos identificados, conseguimos sempre ter uma noção do seu posicionamento
Com os inimigos identificados, conseguimos sempre ter uma noção do seu posicionamento

A nível gráfico é um jogo muito bem detalhado, mesmo na versão PS3. A missão principal é jogada à noite e com chuva, com os efeitos de luz a serem muito bem definidos. As outras missões podem ser passadas noutras alturas do dia e com diferentes climas meteorológicos. Logo a primeira é passada durante o dia com céu limpo e nota-se bem a diferença que faz ao explorar a base, onde tudo é mais nítido. Kojima planeava implementar um sistema de mudança de dia e noite automáticos, mas acabou por deixá-lo apenas implementado no Phantom Pain. De qualquer das formas, jogando missões diferentes em diferentes alturas do dia e condições meteorológicas serve perfeitamente para mostrar a versatibilidade da engine e as diferenças que sentimos ao jogar. De resto é daqueles jogos cheios de atenção ao detalhe como Kojima sempre nos habituou. Nada tenho a apontar quer à banda sonora, quer ao voice acting que continuam excelentes. Apenas é estranho não ser o Hayter a fazer a voz de Snake. Temos imensas tapes com audiologs para irmos ouvindo, algo que presumo que exista em muito maior quantidade no Phatom Pain que deverei começar a jogar muito em breve.

A alusão ao Snatcher foi genial!
A alusão ao Snatcher foi genial!

Portanto, este Ground Zeroes acaba por ser uma óptima introdução ao Phantom Pain, embora não concorde de todo com a sua comercialização, mesmo tendo sido posto à venda com um preço mais reduzido. Ainda assim, apesar da missão principal ser curta, todo o conteúdo adicional, acaba por de certa forma justificar os 20€ que pediam inicialmente.

Metal Slug 5 (Sony Playstation 2)

metal-slug-5Se há séries que mesmo nos seus momentos baixos mantêm o divertimento ao máximo, Metal Slug tem de ser uma delas, pelo menos se apenas contabilizarmos os lançamentos principais. É que mesmo naquela fase negra da SNK onde foi vendida e revendida, os Metal Slug, mesmo não inovando muito, mantiveram-se extremamente viciantes. O meu exemplar deste Metal Slug 5 foi comprado na Player do Maiashopping, tendo-me custado uns 15€.

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual

Há coisas que de facto não soam tão bem no Metal Slug 4 e 5. No quarto capítulo, houve uma reaproveitação óbvia de material dos jogos anteriores, já aqui, apesar de ser practicamente tudo novidade, a história não é muito coerente, levando-nos a enfrentar tribos selvagens, tropas rebeldes e outras tropas especiais vestidas com uniformes negros, com as coisas a culminarem numa batalha contra um demónio gigante. Bom, felizmente não lá por as coisas não fazerem sentido que Metal Slug 5 deixa de ser bem divertido e competente.

Há um segmento do jogo inteiramente jogado como se um shmup se tratasse.
Há um segmento do jogo inteiramente jogado como se um shmup se tratasse.

A jogabilidade mantém-se idêntica na sua base, o jogo continua repleto de tiroteios frenéticos, com várias armas e veículos diferentes que podemos usar. Há no entanto uma série de diferenças. A maior novidade está na inclusão do movimento de slide, que acaba por ser bastante útil para nos desviarmos do fogo inimigo com mais rapidez, bem como a existência de novos veículos a usar. Infelizmente retiraram muitas das transformações que os personagens poderiam ter, sobrando apenas aquela que nos deixa gordos cada vez que apanhemos vários itens de comida. De resto é um jogo bem mais linear, onde apenas o primeiro e terceiro níveis possuem caminhos alternativos a seguir. Os combates contra os bosses também já não são tão épicos quanto nos jogos anteriores. Gostei do boss final, mas o último nível nos Metal Slugs costuma ser bem tenso e caótico e desta vez acabou por ser mais curto. Esses são, a meu ver, os pontos fracos deste quinto capítulo da saga.

Graficamente é um jogo que utiliza o mesmo motor gráfico dos anteriores, portanto sabem bem com o que contar aqui. As sprites são bem detalhadas e muito bem animadas! Facilmente é das séries 2D que melhor envelheceu até aos dias de hoje. As músicas por outro lado tomaram uma direcção muito mais heavy metal, repletas de guitarradas. Sinceramente é algo que eu aprecio bastante e assenta que nem uma luva a toda a acção que vemos no ecrã.

Apesar de ser um boss algo inusitado, até que gostei de o enfrentar e as animações estão excelentes!
Apesar de ser um boss algo inusitado, até que gostei de o enfrentar e as animações estão excelentes!

Portanto, Metal Slug 5 é para mim mais uma entrada sólida numa série que teima em ser excelente. Mesmo sendo um jogo mais linear, ou com uma progressão de níveis e confrontos não tão épica quanto os anteriores, a jogabilidade excelente permanece a mesma, e assim é difícil lançarem um jogo mau. A inclusão do movimento de slide vale bem a pena! De resto fica-me a faltar o Metal Slug 6 que infelizmente o lançamento a solo na PS2 apenas se ficou pelo Japão. A alternativa está na Metal Slug Anthology mas os elevados preços obrigam a muita paciência…

 

Crisis Zone (Sony Playstation 2)

59945_frontA série Time Crisis sempre teve algumas inconsistências entre os lançamentos originais para arcade e as eventuais conversões para as Playstation, demorando por vezes vários anos até termos uma versão caseira. O Crisis Zone, que sempre foi um spinoff à série principal, é mais um desses exemplos, tendo saído nas arcades em 1999 e para a Playstation 2 só em 2004. Mas felizmente esta não foi uma simples conversão e para além de terem melhorado os gráficos, incluiram também muito mais conteúdo extra, mas já lá vamos. A minha versão veio da CeX de Belfast, tendo-me custado 1.5£.

Jogo com caixa
Jogo com caixa

Como sempre, a história leva-nos para travar um grupo terrorista megalómano de invadir um país/cidade e lançar umas bombas atómicas só porque sim. Desta vez os infelizes escolhidos foram os Ingleses, com o jogo a decorrer numa zona fictícia da cidade de Londres. O resto não é difícil de imaginar. A nível de jogabilidade há muita coisa que se mantém igual, como o facto de termos um tempo limite para limpar uma sala de inimigos, mas também muita outra coisa muda. Agora temos como arma uma metralhadora com munição infinita, embora precise de reloads. Para além disso, já não nos escondemos em abrigos para recarregar a arma ou simplesmente nos protegermos do fogo inimigo, mas usamos um escudo completamente indestrutível para o mesmo efeito. Logo com estas mudanças dá para ver que este é um Time Crisis mais rápido e feroz que nunca, pois podemos disparar rajadas de tiros de uma só vez e também o número de inimigos presente no ecrã também é bem maior que o habitual. Por outro lado, tal como no Time Crisis 3, um tiro certeiro não chega para derrotar um inimigo pois todos eles possuem armaduras, pelo que temos mesmo de os cravar de chumbo e ir diminuindo a sua barra de vida até os derrotar.

Como no Time Crisis 3, aqui os inimigos também possuem armaduras e são mais duros de roer
Como no Time Crisis 3, aqui os inimigos também possuem armaduras e são mais duros de roer

O modo de jogo principal é a conversão do modo arcade, onde começamos por escolher qual dos 3 níveis disponíveis queremos começar a aventura. Assim que os terminarmos aos 3, desbloqueamos o quarto e último nível com os bosses finais. Depois lá desbloqueamos uma outra campanha exclusiva para a versão PS2, que decorre 6 meses depois, numa outra zona fictícia de Londres e com os restantes membros do grupo terrorista a proclamar vingança. Este modo de jogo é mais difícil, com ainda mais inimigos em simultâneo no ecrã, sempre prontos a disparar. Aqui, mais que tudo, temos mesmo de ir usando o escudo de forma inteligente. Sabemos quando um inimigo nos vai acertar quando se aproxima um círculo vermelho da sua arma, obrigando-nos a agir rapidamente. Depois desbloqueamos ainda outros modos de jogo que nos permitem usar outras armas opcionais como é o caso das shotguns e também as habituais Crisis Missions, que consistem em pequenas missões com objectivos cada vez mais difíceis de atingir. Por fim, no que diz respeito ao multiplayer, é possível jogar com um amigo de forma cooperativa, mas desta vez sem recurso ao split screen.

Apesar de não achar os cenários lá muito apelativos, não dá para não ficar agradavelmente impressionado com a quantidade de objectos destructíveis
Apesar de não achar os cenários lá muito apelativos, não dá para não ficar agradavelmente impressionado com a quantidade de objectos destructíveis

Tecnicamente é um jogo que me deixa com sentimentos mistos. Apesar de ser um bom salto gráfico tendo em conta o original, prefiro de longe o que a Namco conseguiu fazer com o Time Crisis 3 na PS2. Aqui há no entanto muito mais coisas que se podem destruir e vemos imensos objectos a serem projectados pelo ar, enquanto largamos rajadas de balas em papelarias, lojas e afins. No entanto, acho que Time Crisis 3 acaba por possuir um grafismo melhor, assim como a narrativa. Aqui a história para além de ser bastante simples, os diálogos e o voice over são igualmente fracos, mas não é nada que não estejamos habituados num jogo deste género e aliás, o Time Crisis 3 é que é uma excepção à regra por estar um bocadinho acima da média neste campo.

Portanto, este Crisis Zone acaba por ser um spin-off interessante, que retrata uma forma algo diferente de se jogar um Time Crisis. O foco nas metralhadoras e as mecânicas de uso de escudos, tornam o jogo bastante mais dinâmico e rápido, mas perde-se também alguma variedade. Mas não deixa de ser um óptimo light gun shooter para quem gosta!

Siren: Blood Curse (Sony Playstation 3)

80722_frontForbidden Siren foram 2 jogos muito interessantes na Playstation 2 que mereciam mais reconhecimento do que aquele que tiveram. Com as suas raízes em folclore e filmes de terror asiáticos, em conjunto com a sua jogabilidade única, são 2 excelentes survival horror com uma óptima atmosfera. Com o lançamento da Playstation 3, a equipa por detrás dos dois primeiros jogos decide recontar a história por detrás do primeiro Forbidden Siren, num remake com várias novidades. O meu exemplar sinceramente não me recordo de quando e onde o comprei, mas certamente não foi caro.

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual

A história possui vários elementos familiares a quem já jogou o primeiro Forbidden Siren. A aldeia de Hanuda marca novamente a sua presença, onde um sinistro ritual foi abruptamente interrompido e várias personagens vêm-se presas num pesadelo de todo o tamanho, cujas histórias vamos presenciando ao longo de vários capítulos. A grande diferença está no elenco que foi completamente mudado, embora seja fácil de traçar alguns paralelismos entre personagens de ambos os jogos, o original, e a reimaginação. Mas o maior problema deste jogo a meu ver está precisamente nessa mudança do elenco. É que decidiram incluir várias personagens norte-americanas: um jovem chamado Howard Writght, curioso pelo sobrenatural e que já vive no Japão há algum tempo; e o elenco de um programa de televisão norte-americano sobre o oculto, que descobre os mitos sobre a aldeia de Hanuda e decide investigá-la. É que todos os jogos desta série são intimamente japoneses, que vão beber muito às suas tradições e folclores, e esta inclusão de yankees acaba por borrar bastante a pintura por se desenquadrarem por completo.

Podemos alternar temporáriamente poara uma perspectiva de primeira pessoa, que dá bastante jeito para usar armas de fogo
Podemos alternar temporáriamente poara uma perspectiva de primeira pessoa, que dá bastante jeito para usar armas de fogo

Por outro lado existem uma série de mudanças na jogabilidade e fluxo de jogo que acabaram por me agradar bastante. O jogo foi lançado originalmente na PS Store como uma obra episódica, onde cada episódio possuía vários capítulos e poderia ser comprado separadamente. Isto obrigou a que o progresso no jogo fosse bastante linear, ao contrário dos jogos da PS2 onde a partir de uma certa altura poderíamos desbloquear e/ou optar por caminhos paralelos ou alternativos, o que resultava numa timeline bastante complexa e que nos obrigava a estar com a máxima atenção e obter pistas adicionais para percebermos o que realmente se estava a passar. Mas apesar da progressão do jogo ser mais linear, não quer dizer que não existam na mesma capítulos paralelos, alternativos, ou que se cruzam entre si, e uma vez mais, coleccionar pistas que podem ser vistas nos arquivos acaba por ser uma mais valia para apanhar mais detalhes que nos possam ter escapado.

Neste jogo o sightjack divide o ecrã com 2 perspectivas de visão, e deixa-nos mover livremente enquanto usarmos a habilidade
Neste jogo o sightjack divide o ecrã com 2 perspectivas de visão, e deixa-nos mover livremente enquanto usarmos a habilidade

As outras novidades estão principalmente no sightjack. O sightjack é uma habilidade psíquica que todas as personagens têm, e consiste em poder ver o mundo pelos olhos de outra personagem, ou shibito. E isto é sem dúvida o elemento de jogabilidade mais importante na série, pois os shibito são zombies imortais que apenas podem ser deixados inconscientes durante algum tempo, voltando a ressuscitar e tornarem-se numa ameaça. Isto obriga-nos a ter uma abordagem bem mais furtiva, pois muitas vezes ou não temos arma nenhuma, ou possuímos uma arma branca que pode ser uma frigideira, faca de cozinha, ou utensílios de agricultura, que não são propriamente as armas mais eficientes. Mesmo quando temos armas de fogo, não deixamos de estar vulneráveis. Então usar o sightjack para descobrir a posição dos shibito, ver o que eles estão a fazer, e principalmente perceber se estamos expostos ou não, acaba por ser muito importante mesmo. Até porque cada capítulo possui vários objectivos para cumprir (desde escapar de uma determinada zona ou tarefas procurar como chaves ou ligar a electricidade) e muitas vezes conseguimos descobrir pistas ao observar o que os shibito fazem. A melhoria face aos jogos da PS2 está no jogo dividir o ecrã ao meio sempre que usamos o sightjack, com a parte esquerda a mostrar a nossa personagem, e a direita o sightjack. Isto permite-nos também que nos consigamos mover enquanto usamos o sightjack, algo que não acontecia nos jogos anteriores.

Ao longo de cada capítulo jogável, vamos ter vários objectivos e subobjectivos para cumprir
Ao longo de cada capítulo jogável, vamos ter vários objectivos e subobjectivos para cumprir

No que diz respeito à apresentação audiovisual possuo também opiniões divergentes. Por um lado a parte sonora está excelente, se nos conseguirmos abstrair do facto de as personagens norte-americanas estarem ali a destoar. O voice acting é bastante competente, as músicas quando existem costumam ser bastante macabras e todos os ruídos que vamos ouvindo contribuem bastante para uma atmosfera bastante tensa. Acho que já não posso ouvir sirenes! No que diz respeito aos gráficos, não acho que seja dos melhores jogos da PS3 nesse aspecto. É óbvio que há uma grande melhoria face aos jogos da PS2 no que diz respeito ao detalhe dos cenários e das personagens (e mesmo os originais da PS2 já eram muito bons nesse campo), mas na qualidade dos gráficos em si é que por vezes deixa a desejar. Principalmente nos níveis que são jogados durante a noite, onde tudo leva com um estranho filtro gráfico que quase parece um pseudo-cell shading que fica ali muito estranho.

Em certas alturas, Siren Blood Curse possui gráficos com uns filtros estranhos
Em certas alturas, Siren Blood Curse possui gráficos com uns filtros estranhos

De resto, e mais uma vez mando a alfinetada às personagens norte-americanas que não deveriam existir (ou pelo menos terem tanta importância) num jogo tipicamente japonês, acho este Siren Blood Curse mais um excelente survival horror, com uma jogabilidade bastante desafiante e melhorada face aos originais da PS2. Mais uma vez (pelo menos algo semelhante tinha acontecido no primeiro Forbidden Siren), a Sony criou alguns websites falsos supostamente criados ou frequentados por personagens do jogo, dando ainda mais algum background às personagens. Neste Blood Curse criaram o blog pessoal de Howard Wright. E também como no Forbidden Siren 2, podemos desbloquear minijogos, sendo estes uma espécie de homenagem às portáteis LCD como a Nintendo Gaming Watch, o que também é algo curioso. Como se isso não chegasse, nós europeus fomos duplamente sortudos, pois por um lado o jogo não saiu em formato físico nos Estados Unidos e a nossa versão PAL inclui ainda um making off que pode ser visto no leitor de vídeo da PS3.