Sonic the Hedgehog 3 (Sega Mega Drive)

Sonic 3Já há bastante tempo que não escrevia nenhum artigo sobre os jogos clássicos do ouriço azul, mas apesar de já ter na minha colecção o Sonic & Knuckles já há algum tempo, não quis escrever sobre o mesmo enquanto não arranjasse este Sonic 3. E isso aconteceu no mês passado, onde comprei o jogo a um particular, que curiosamente vim a descobrir que é meu colega de trabalho, por 10€, estando em mint condition. No geral acho o Sonic 3 um excelente jogo de plataformas, mas não supera o seu predecessor na minha opinião. Mas irei explicar o porquê.

Sonic 3 - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual europeu

Ora Sonic 3 começa imediatamente com o final do jogo anterior, com Eggman e a sua Death St… err, Death Egg a despenhar-se de volta na Terra e Sonic e Tails a regressarem alegremente. Tudo parece estar bem até uma nova personagem atacar o Sonic de surpresa e roubar-lhe todas as suas esmeraldas. Essa nova personagem acabou por se tornar em mais um amigo clássico do Sonic, estou a falar claro do equidna vermelho Knuckles. Mas neste jogo Knuckles e Sonic são inimigos, pois Knuckles está sob a influência do matreiro Eggman, que o convence que Sonic planeia roubar a sua Master Emerald, quando na verdade é o próprio Eggman que se quer apoderar da mesma como fonte de energia para a sua nova Death Egg.

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Através do Sonic & Knuckles conseguimos jogar com Knuckles neste jogo. Mas isso é assunto para outro artigo.

A jogabilidade mantém a mesma identidade dos jogos anteriores, colocando Sonic, Tails, ou ambos a atravessar uma série de níveis cheios de obstáculos, caminhos alternativos e velocidade ou os bosses da praxe, mas no entanto acrescenta também uma série de novidades. Essas novidades passam por novos powerups ou habilidades. Agora quando Sonic salta, se pressionarmos novamente o botão de salto enquanto estivermos no ar, Sonic adquire um escudo que o protege durante esse curtinho intervalo de tempo em que está activo. Em relação ao escudo em si, esse foi agora substituido por 3 diferentes escudos: o escudo eléctrico que protege Sonic ou Tails de danos eléctricos sem perdermos o escudo, atrai anéis ou pode também ser usado com o Sonic para dar um salto duplo. No entanto se entrarmos na água, perdemos o escudo. Temos também um escudo de fogo que nos protege contra dano inflingido por calor sem que percamos o escudo, mas ficamos logo sem ele ao entrar na água mais uma vez. Com o Sonic, se carregarmos no botão de salto enquanto já estivermos no ar, este escudo leva-nos como um foguete para a frente enquanto caímos. Por fim temos o escudo de água que naturalmente não se perde quando entramos na água e nos permite ter ar infinito quando estamos submergidos, ao contrário de termos de procurar por bolhas de ar como habitualmente. Como Sonic, também tem a habilidade de nos mandar para o chão com força, impulsionando-nos depois para um salto maior, como se uma bola de basquetebol se tratasse.

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Quem nunca se irritou com esta parte do nível se acuse. Na altura sem internet, levei MESES a perceber como se avançava aqui.

Outra novidade são os níveis de bónus, que agora são bem mais variados. Ao passar num checkpoint, se tivermos mais de 50 anéis em nossa posse, podemos entrar num nível de bónus onde podemos ganhar mais anéis, vidas ou powerups como os escudos. Estes níveis de bónus são bastante originais e com diferentes jogabilidades, indo buscar conceitos a máquinas de tirar pastilhas elásticas, pinball e por aí fora. Por outro lado também poderemos encontrar anéis gigantes em partes escondidas dos níveis, anéis esses que nos transportam para os níveis especiais onde poderemos encontrar as esmeraldas caóticas. Esses níveis especiais são enormes esferas que devemos percorrer, procurando apanhar todas as esferas azuis que nos vão aparecendo à frente, transformando-as assim em esferas vermelhas. Se por acidente tocarmos em alguma esfera vermelha, saímos do nível de bónus e teremos de tentar novamente numa outra ocasião. Tal como os jogos anteriores existem 7 esmeraldas ao todo, podendo nos transformar em Super Sonic se as conseguirmos coleccionar. O Super Sonic é uma espécie de “super sayajin” de Sonic, ficando dourado, rapidíssimo e invencível, pelo menos enquanto tiver anéis para gastar. Caso joguemos o Sonic 3 & Knuckles até podemos desbloquear o Hyper Sonic, mas isso será conversa para o artigo seguinte. De resto o jogo mantém as mesmas mecânicas que todos gostamos, com os tais níveis variados e repletos de loops e malabarismos diversos, conjugando muito bem a velocidade com o platforming, algo que nos jogos recentes tem sido esquecido. Existe também um modo multiplayer (para além do modo cooperativo escondido no jogo principal) que coloca dois jogadores a competir entre si numa corrida para ver quem termina um nível em primeiro lugar. Curiosamente nunca lhe prestei muita atenção, nem mesmo quando jogava estes jogos até ao fim com alguma regularidade.

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Os níveis especiais onde podemos apanhar as esmeraldas.

Tecnicamente é um jogo impressionante com os seus cenários bem variados (como habitual temos secções em espaços verdes, ruínas de civilizações antigas, zonas mais industriais ou tecnológicas) e a atenção ao detalhe que foi sendo dada tanto nos backgrounds, como nas pequenas cutscenes que vão sendo exibidas ao longo do jogo. Ainda assim, continuo a preferir o Sonic 2 porque level design desse jogo é simplesmente fenomenal, apesar de todas as boas novidades que o Sonic 3 introduziu. A nível gráfico, mais uma vez apesar deste jogo ter mais detalhes, as cores no Sonic 2 sempre me pareceram mas vivas e cativantes. A música é excelente e existe um mito urbano que o próprio Michael Jackson esteve envolvido na composição de alguns temas. De resto, é impossível falar no Sonic 3 e deixar de mencionar o facto que este e Sonic & Knuckles são um jogo só, dividido em 2. Esses detalhes ficarão para o artigo sobre o Sonic & Knuckles que deverá ser escrito em breve, mas o facto de estes 2 jogos juntos serem um autêntico colosso também é certamente uma razão de peso pela qual muitos fãs consideram este o melhor jogo da série. Para mim é excelente, mas o Sonic 2 é um nadinha melhor.

Soul Calibur (Sega Dreamcast)

Soul Calibur DreamcastContinuando com artigos sobre jogos de luta vamos agora para o lançamento da Sega Dreamcast, que recebeu um enorme mimo por parte da Namco, que confesso que me surpreendeu bastante na altura. A Namco desde o lançamento da Playstation que se focou quase exclusivamente nessa plataforma, tendo lançado muito pontualmente jogos para outros sistemas, como o Ridge Racer 64 na consola da Nintendo. De resto todo o catálogo de luxo da Namco ficou exclusivo da Playstation, razão essa que me deixou bastante surpreendido a Dreamcast ter recebido uma remasterização de luxo deste Soul Calibur que já existia nas arcades. Este jogo entrou na minha colecção após ter sido comprado a um particular por 6€, há alguns meses atrás.

Soul Calibur - Sega Dreamcast
Jogo com caixa e manual

A história de Soul Calibur decorre poucos anos após o primeiro jogo, Soul Blade, colocando mais uma vez uma série de lutadores de locais e backgrounds completamente distintos em batalhas pela Soul Edge, quer seja para a possuir, quer seja para a destruir. Soul Edge é uma espada mística bastante poderosa e maligna, que está actualmente com Sigfried, cavaleiro germânico que não resistiu à sua tentação, tornando-se agora em Nightmare. A troca de nome deveu-se também a introdução de uma espada antagónica à Soul Edge, a Soul Calibur que é igualmente poderosa mas benigna, sendo também solicitada por muitas das personagens em jogo ao longo da série.

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Ivy é sem dúvida a mais famosa adição à série

A jogabilidade de Soul Calibur introduziu uma maior liberdade de movimentos dentro das arenas, com o “8 way run” que nos permitia mover em 8 direcções. De resto a jogabilidade é extremamente fluída e com button mashings ou não, é um prazer de o jogar e para ultrapassar alguns desafios teremos mesmo de saber o que fazer. As armas são variadas, assim como os próprios lutadores, e essencialmente temos botões para bloquear, dar um pontapé e atacar horizontalmente ou verticalmente com as armas. Naturalmente que existem imensas combinações e golpes especiais para desencadear. De resto, para além do tradicional modo arcade e versus que estes jogos trazem sempre, a edição Dreamcast traz muito mais conteúdo. Aqui podemos encontrar outros modos de jogo que já nos eram familiares em outros jogos de luta, como o Team Battle, onde poderemos escolher um elenco de lutadores para a nossa equipa e defrontar toda a equipa adversária, o Time Attack onde temos de defrontar uma série de inimigos no menor tempo possível, ou mesmo o Survival Mode que consiste em sobrevivermos o máximo de combates possível sem perder nenhum round, sendo que a nossa vida recupera alguns pontos entre cada combate.

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Muito do conteúdo adicional que vamos desbloqueando pode ser visto nesta categoria Museum

Mas o que lhe deu mesmo um factor de replayability muito elevado foi o Mission Mode, que nos coloca numa espécie de aventura ao longo do mundo, onde teremos de derrotar imensos oponentes em desafios com objectivos diferentes: derrotar por ring-out, derrotar o inimigo com imenso vento, derrotar 3 inimigos de uma só vez e por aí fora. Aqui o objectivo é fazermos o máximo de pontos possível para podermos comprar com esses pontos imensas diferentes imagens de artwork do jogo, cuja compra muitas vezes acaba por desbloquear mais conteúdo bónus, como novas vestimentas para os lutadores, ou a possibilidade de os ver no seu Exhibition Mode – um modo de “jogo” onde podemos ver os lutadores com o seu equipamento à escolha a fazerem um exercício de kata. Outros desbloqueáveis no geral consistem claro está em novas personagens e arenas. Ainda temos mais um “Battle Theater” onde poderemos ver 2 lutadores à nossa escolha andarem à porrada entre si, bem como o “Practice Mode” que como o nome indica é um modo de jogo onde poderemos treinar os movimentos de qualquer lutador que tenhamos acesso. Conforme se pode ver, conteúdo é o que não falta neste jogo, e ainda bem, pois por norma a maioria das conversões arcade -> casa deixavam sempre a desejar em conteúdo novo que aumentasse o factor de replayabillity.

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Os efeitos especiais estão também muito bons

Graficamente era um jogo francamente impressionante para os padrões de 1999. Embora a expressão “nextgen” não fosse usada tão regularmente como hoje em dia, este era daqueles jogos que realmente faziam a diferença entre as consolas anteriores e a novíssima Sega Dreamcast. O jogo original saiu nas arcades no sistema Namco System 12, que ainda era baseado na Playstation original, embora já fosse mais poderoso. Para além de os lutadores estarem mais detalhados nesta versão, os backgrounds de cada arena são inteiramente renderizados em 3D, e não imagens estáticas de fundo como existe na versão arcade. Os lutadores são bem diferentes entre si e muitos deles possuem um carisma próprio, e personagens como a Ivy ainda não estão demasiado sexualizadas como tem vindo a acontecer a cada nova iteração da série. As músicas são bastante épicas com várias orquestrações, como aliás tem vindo a ser habitual em toda a série e aqui não é excepção.

É fácil perceber o porquê de Soul Calibur para a Dreamcast ter sido tão aclamado na altura e ter despoletado definitivamente o sucesso da série nos anos seguintes. Para além de uns visuais de luxo, tinha uma jogabilidade bastante fluída e acima de tudo, oferecia imenso conteúdo extra com que nos entretermos. Se estas não são razões suficientes para o quererem ter na vossa colecção, então não sei o que mais vos poderá convencer.

Last Bronx (Sega Saturn)

Last BronxLast Bronx é o último bastião dos jogos de luta em 3D, pelo menos da Sega, para a sua consola 32bit. É uma espécie de sucessor espiritual de Fighting Vipers pelo menos no seu conceito urbano com os combates armados à lá Soul Edge. É tambem produto original da Sega AM#3, o mesmo estúdio da Sega que nos trouxe pérolas das arcades como Sega Rally, Manx TT ou Virtual On: Cyber Troopers. A minha cópia foi comprada algures no ano passado por 5€ a um particular e está em óptimo estado.

Last Bronx - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

O conceito por detrás de Last Bronx leva-nos a uma cidade de Tóquio em decadência, onde vários gangues começaram a lutar violentamente entre si de forma a garantir o seu poder nas actividades ilícitas da capital nipónica. Até que surge uma espécie de convite/ameaça em juntarem os líderes de todos os gangues num torneio, torneio esse cujo vencedor ganharia o direito de controlar o submundo de Tóquio com o seu gang. O resto é a porrada do costume, mas desta vez com algumas armas “brancas”, como bastões, nunchaku’s, cacetetes e mais bastões.

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Infelizmente a selecção de lutadores não é muita e apenas temos um lutador secreto a desbloquear.

E em Last Bronx temos vários modos de jogo já habituais em jogos de luta 3D, nomeadamente o arcade, que é uma representação fiel à vertente singple-player nas máquinas de arcadas, o versus que nos coloca à porrada contra um amigo e outros modos de jogo como o survival, onde defrontamos uma série de inimigos após cada round e sem a nossa vida regenerar, ou o time attack, onde o objectivo é chegar ao fim do jogo no menor tempo possível. Também temos o Saturn mode que é uma variante do modo arcade, onde os combates tomam uma ordem aleatória excepto o combate final, que nos coloca sempre contra o rival da nossa personagem escolhida. Antes e depois desse combate temos direito a pequenas cutscenes com diálogos entre as personagens, sendo que podemos chamar a este modo de jogo o modo “história”. Para além desses ainda temos dois modos de jogo distintos para treinarmos os nossos movimentos. Enquanto o “Free Practice Mode” deixa-nos à vontade para espancar um coitado indefeso, o “Aerial Combo Practice Mode” tal como o seu nome indica, serve para treinarmos os combos aéreos, antes de o nosso oponente cair ao chão. Infelizmente o tutorial completo existente na versão japonesa sob a forma de um disco extra, repleto de conteúdo com tradução necessária, não foi incorporado na edição ocidental.

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Os aerial combos são uma parte importante das mecânicas de jogo e tiveram direito a um modo de treino exclusivo para as mesmas

Os controlos são algo semelhantes aos Virtua Fighters da Saturn, com os três primeiros botões faciais a servirem para defender, dar murros ou pontapés, e os restantes são combinações de outros botões, não deixando claro de dar jeito para desencadear alguns combos ou outros golpes especiais. E Last Bronx é um bastante agressivo: O timer de cada round tem por defeito uma duração de 30s e os ataques com armas dão um dano bem considerável, o que se juntarmos ao pacing elevado com que os combates decorrem, temos aqui um jogo bem emocionante de se jogar.

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Cutscenes com as vozes originais e legendas em inglês? A única coisa boa em não haver budget suficiente para traduções totais de um jogo.

Graficamente é um jogo bem interessante. Naturalmente o original lançado para uma das revisões do sistema Model 2 está repleto de detalhes que a versão Sega Saturn não tem, como gráficos em “alta resolução” com lutadores e arenas bem modelados. Ainda assim não deixa de ser um bom jogo 3D na consola de 32bit da Sega. As personagens têm detalhe quanto baste, embora ainda esteja algo longe do detalhe alcançado pelo Virtua Fighter 2. No entanto o jogo não deixa de ter uma resolução alta e um bom framerate, conseguindo algo que Virtua Fighter não conseguiu: os backgrounds completamente poligonais. Mas deixando esses aspectos mais técnicos de fora, Last Bronx foi um jogo que fez sucesso no Japão pelos seus cenários serem inspirados em localidades reais de Tóquio, fazendo com que todas as arenas sejam em áreas urbanas. Infelizmente é tudo à noite… Outro aspecto interessante de ser referido é que, tal como Soul Blade/Edge, este foi um dos primeiros jogos de luta a utilizar técnicas de captura de movimentos nas personagens, o que explica a fluidez das animações. Existe até a circular no Japão uma espécie de documentário que evidencia esse processo.

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A versão caseira também conseguiu manter o efeito gráfico das armas em movimento

E tal como referi anteriormente o jogo tem algumas cutscenes, em especial no “Saturn Mode”. Antes do embate contra o nosso arqui-rival temos direito a uma pequena cutscene falada com o próprio motor gráfico do jogo, mas depois de vencermos essa última batalha teremos direito a pequenas cutscenes anime, que têm um bom voice acting e pecam unicamente por serem pequenas. As músicas têm o feeling inconfundível das obras da Sega nas arcades daquele período, embora sinceramente já não sejam tão do meu agrado devido a serem na sua maioria techno/electrónica.

No fim de contas, este é mais um óptimo jogo de luta 3D que infelizmente não recebeu o seu merecido sucesso, e por isso mesmo não ouvimos mais nada sobre uma eventual sequela, o que é pena. Ainda assim, e embora não tenha o carisma de um Virtua Fighter ou Fighting Vipers, é mais uma excelente alternativa aos fãs do género que possuam a malfadada e incompreendida consola de 32bit da Sega.

Mass Destruction (Sega Saturn)

Mass Destruction

Ora cá está um jogo que faz plena justiça ao seu nome: Mass Destruction! Infelizmente é um jogo relativamente simples e sem muito conteúdo, pelo que esta análise também não será longa. Este jogo faz-me lembrar a série “Strike”, pelo seu contexto militar e pelo facto de termos sempre um briefing antes de cada missão, onde teremos uma série de objectivos a cumprir, como destruir radares, centrais de energia ou escoltar algum VIP em zona de combate. Mas ao invés de termos um helicóptero, conduzimos sempre um tanque e as coisas no geral são bem mais “arcade” do que realistas. Este jogo entrou na minha colecção algures em 2010 ou 2011, não me recordo bem. Foi-me oferecido por um amigo de infância, e infelizmente não está nas melhores condições. Assim que arranjar uma versão melhor obviamente que será substituída. Edit: recentemente arranjei por 1€ uma caixa em melhor estado que acabei por substituir pela anterior.

Jogo com caixa e manual português

Tal como na série Strike, há por aí um país qualquer com planos terroristas e cabe a um one-man army com o seu super tanque travar as ambições megalómanas desse exército misterioso. Inicialmente dispomos de um menu onde podemos seleccionar a campanha a jogar, cada uma com mais níveis/missões que a anterior e supostamente com um grau de dificuldade também. Depois disso teremos de escolher qual o tanque para levar à campanha, tendo nós 3 hipóteses de escolha. Temos um tanque que é all around, tanto em armadura, ataque e agilidade, outro que é mais rápido mas têm menos defesa e por fim temos o inverso, um mega tanque bem robusto mas sacrifica na agilidade. E de resto somos largados num mapa repleto de edifícios prontos a ser destruídos e vários inimigos que se tentam opor ao nosso poderio ofensivo, desde soldados equipados com rocket launchers ou lança-chamas, a outros veículos terrestres e não só.

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À esquerda: os tanques que podemos escolher. À direita: BOOOM!

E neste jogo apesar de termos alguns objectivos primários traçados que teremos obrigatoriamente de os cumprir para avançar para a missão seguinte, não necessitamos obrigatoriamente de nos cingir a apenas esses. Por vezes teremos alguns objectivos secundários ou mesmo outros secretos que só os descobrirmos ao explodir com alguma coisa que não era necessariamente suposto. Mas esses objectivos dão acesso posteriormente a algumas missões extra portanto… bombs away! No entanto, se nos quisermos apenas cingir aos objectivos principais, basta consultar o radar ou mapa que os alvos a abater aparecem indicados no ecrã. Se não me engano temos 25 missões normais ao longo das 5 campanhas, mas são 35 missões ao todo se desbloquearmos as secretas. Infelizmente não há muita variedade, sendo quase todas “destrói edifício x”, existindo algumas excepções quando temos de escoltar alguém ou abater alvos que podem fugir. De resto para além da metralhadora pesada existem imensos outros tipos de munição que podemos descobrir, desde morteiros, mísseis normais, outros teleguiados, lança-chamas, etc. O jogo pode não ter muita variedade de coisas para fazer, mas ao menos é divertido!

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Nos audiovisuais é um jogo fraquinho, mas diverte qb

Graficamente não é um jogo assim tão bom. Os cenários não têm muito detalhe e, apesar de existirem variedades de desertos, trópicos, neve e urbano, as texturas não são nada boas e têm uma resolução muito baixa. E os modelos poligonais são ainda muito simplistas e primários, este não é um jogo que prima propriamente pelo seu poderio gráfico. Ainda assim, devido ao facto de ter sido desenvolvido primariamente para a consola da Sega, é das poucas excepções em que um jogo 3D consegue ser melhor na consola da Sega do que na da rival Sony, e os tempos de loading são bem menores. Os efeitos sonoros são OK, mas a música merecia ser melhor para um jogo cheio de acção como este. Existem também algumas cutscenes entre cada campanha, mas infelizmente também não são lá muito famosas. Fazia-se o que se podia!

Resumindo este é um jogo simples e tecnicamente não muito famoso. Mas para quem quiser apenas uma desculpa para andar a destruir tudo à sua volta com o seu tanque então sim, Mass Destruction marca pontos!

Sonic Adventure (Sega Dreamcast)

Sonic AdventureOra cá está um jogo que merecia um artigo tão extenso quanto eu pudesse escrever, mas infelizmente não vai dar. E a razão para isso é a de já ter escrito uma análise ao Sonic Adventure DX da Nintendo Gamecube, que é uma conversão do mesmo jogo, mas com mais alguns extras. Costumo dentro dos possíveis fazer o contrário: analisar primeiro o jogo original e posteriormente escrever um artigo mais curto a uma conversão mais recente. Mas como só vim a ter uma Dreamcast uns anos após eu ter comprado a minha Gamecube, a versão da Nintendo chegou primeiro. Assim sendo recomendo sempre que dêm uma leitura a esse artigo para mais detalhes. E esta versão original da Dreamcast entrou na minha colecção há umas meras semanas atrás, cortesia do Victor Moreira do The Games Tome / PUSHSTART ao qual eu muito agradeço. E o jogo estava selado!

Sonic Adventure - Sega Dreamcast
Jogo completo com caixa, manuais e um catálogo de jogos da Dreamcast, que inclui um anúncio ao Half-Life que nunca chegou a sair.

Durante muito tempo os fãs da Sega esperavam um verdadeiro jogo do Sonic em 3D. O Sonic 3D para a Mega Drive / Saturn foi apenas algo para “desenrascar”, o Sonic Xtreme teve um desenvolvimento conturbado e nunca chegou a sair e para piorar as coisas, a Saturn teve um final muito precoce, especialmente em solo ocidental deixando esse vazio na Sega, enquanto as concorrentes tinham pérolas como Super Mario 64 ou Crash Bandicoot. Assim sendo, Sonic Adventure tinha uns big shoes to fill, e foi naturalmente um jogo muito ansiado pelos fãs da empresa nipónica. O resultado foi para mim, um jogo que me agradou bastante na altura em que o joguei, mas hoje já nem por sombras. Isso por várias razões: personagens como o Big the Cat e os seus níveis com a cana de pesca, ou a quantidade absurda de abismos sem fundo. Mas trouxe claro coisas boas! Os níveis super rápidos do Sonic, alguns minijogos e a criação de Chaos, que podiam ser transferidos para o VMU da Dreamcast, funcionando assim quase como se um Tamagotchi se tratasse.

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Penso que foi mesmo este nível que vi pela primeira vez no saudoso Templo dos JOgos e que tanto me impressionou

Em relação aos gráficos, lembro-me perfeitamente de no inverno de 1998 ter visto no Templo dos Jogos um vídeo de jogabilidade deste jogo no fecho do programa. Algo do género: “A Dreamcast já foi lançada no Japão, benvindos à próxima geração de videojogos”. E com essa frase mostravam o Sonic a speedar em vários níveis distintos e um fio de baba a correr-me pelo queixo. Hoje em dia, as coisas não são assim tão famosas. Graficamente era um jogo muito rico em cores e diferentes cenários, mas os modelos poligonais das personagens ainda eram bastante simples e a Dreamcast é capaz de muito melhor, como pudemos ver depois. O voice acting também deixava algo a desejar (como infelizmente acontece em practicamente todos os jogos do ouriço azul), mas as músicas eram realmente excelentes e há temas deste jogo que ainda hoje são reaproveitados pela Sega.

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Este jogo marcou também uma mudança radical no visual do ouriço e dos seus amigos. Mas claro que também trouxe amigos novos que trouxeram alguma polémica

No fim de contas, este é um jogo que na altura recebeu óptimas críticas, por mim inclusivamente, mas acho que envelheceu bastante mal. Ainda assim, não deixa de ter os seus óptimos momentos e continua a ser uma pedra basilar no catálogo da última consola que a Sega nos trouxe. De resto poderão-me fazer a pergunta: deveremos comprar este jogo ou a versão DX para Gamecube ou PC? Bom, a versão GC traz uma série de extras como missões e jogos da Game Gear para desbloquear, para além de ter os gráficos numa resolução maior, me parece. Mas ainda assim, o jogo tem algumas quebras de framerate bem chatas, pelo que a escolha entre um e outro fica algo difícil. Sendo assim, why not both?