Ren and Stimpy: Stimpy’s Invention (Sega Mega Drive)

147297-the-ren-stimpy-show-stimpy-s-invention-genesis-front-coverDas coisas que mais tenho saudades dos anos 90 é a série de animação da Nickelodeon, Ren & Stimpy. Aquela dupla de animais protagonizaram uma série animada bastante bizarra e com alguns contornos mais adultos que em criança nos passavam completamente despercebidos. E como todas as séries de animação de sucesso, acabaram sendo lançados vários jogos. Exclusivo para a Mega Drive saiu este Ren & Stimpy: Stimpy’s Invention, cujo meu exemplar veio da feira da Ladra em Lisboa algures no ano passado. Custou-me 2€, embora lhe falte o manual.

Jogo com caixa
Jogo com caixa

O jogo anda todo à volta de uma invenção do Stimpy, a Mutate-O-Matic, uma máquina que transforma lixo em comida. E quando Stimpy mostra a máquina ao Ren, a máquina explode, perdendo algumas peças pelo caminho e deixando a cidade ainda mais doida do que o habitual. O jogo será então passado a percorrer vários níveis doidos tal como nos desenhos animados e procurar as peças perdidas da máquina. A parte interessante deste jogo está na sua jogabilidade cooperativa, tal como foi feito no World of Illusion, onde um jogador poderá controlar o Ren e o outro o Stimpy. Como não poderia deixar de ser, cada personagem possui diferentes habilidades e mesmo se jogarmos sozinhos, ambas as personagens estão sempre presentes no ecrã e podem ser alternadas livremente entre si. Mas as habilidades acabam  por ser diferentes mais a nível de animações em si, os objectivos acabam por ser os mesmos. Por exemplo, Ren pode-se encavalitar no Stimpy de forma a correr e conseguir saltar mais longe, por sua vez Stimpy pode usar Ren como uma vara para saltar mais longe. Para atacar os inimigos, se estiverem separados Ren usa o seu mata-moscas e Stimpy uma toalha enrolada. Já se estiverem juntos podemos usar uma série de botões e combinações que fazem com que Ren ou Stimpy atirem o parceiro para cima dos inimigos, ou no caso de Ren, pode fazer com que ren cuspa uma gosma estranha, ou simplesmente atirar o seu nariz para os inimigos. Toilet humor é o que não falta aqui, tal como nos desenhos animados! Até porque há um segmento de um nível em que tanto Ren como Stimpy enchem-se de ar e voam, sendo propulsionados com, à falta de palavra mais eloquente, flatulências.

As quatro peças do Mutate-O-Matic que teremos de arranjar
As quatro peças do Mutate-O-Matic que teremos de arranjar

Se há coisa que bem me lembro quando joguei este jogo em miúdo era precisamente a sua dificuldade. Talvez por não entender bem as mecânicas de jogo, pois passávamos mais tempo a dar bofetadas no Stimpy do que a tentar progredir no jogo. Mas o mesmo possui alguns elementos de platforming mais exigentes e bastantes surpresas com as quais não estamos inicialmente a contar, como aquelas girafas carnívoras quando atravessamos o jardim zoológico. Quer joguemos sozinhos ou com um amigo, temos de ser pacientes, embora existam vidas extra e itens que nos restaurem parte da nossa barra de vida.

Graficamente é um jogo interessante muito pelo bizarrismo que contém. As já faladas animações de Ren e Stimpy estão muito boas, bem como aquelas coisas mais inesperadas, como as tais girafas carnívoras ou os macacos muito especiais. Os níveis estão bem detalhados e quem se recorda dos desenhos animados consegue identificar aqui muitos dos seus traços. As músicas são também agradáveis, já os efeitos sonoros não tenho nada a apontar.

Girafas carnívoras! O jogo é tão bizarro como os cartoons e isso é bom!
Girafas carnívoras! O jogo é tão bizarro como os cartoons e isso é bom!

Portanto este Stimpy’s Invention é um jogo bastante agradável de se jogar, embora as suas mecânicas de jogo, principalmente se jogarmos sozinhos, demorem um pouco para ser assimiladas. Tenho pena que seja o único jogo da série que tenha saído na Mega Drive, pois a Super Nintendo tem mais uns quantos, mas é a vida.

Winter Challenge (Sega Mega Drive)

48405_frontSe já repararam anteriormente, os jogos da Electronic Arts, CodeMasters ou Accolade possuem cartuchos e/ou embalagens diferentes dos habituais na Mega Drive e não só. Isto porque as três empresas arranjaram acordos especiais com a Sega que as deixavam produzir os seus próprios cartuchos e embalagens, pagando dessa forma menos de licenciamento à própria Sega. O caso da Accolade foi o mais peculiar pois gerou uma série de julgamentos que deixou a Accolade em maus lençóis por uns meses, sendo que depois lá chegaram a um acordo com a Sega e puderam lançar jogos licenciados ou não, sem haverem novas consequências. Antes desse acordo com a Sega os seus jogos para além de possuirem um cartuho maior, lembrando os da EA, vinham também em caixas de cartão, fazendo lembrar os jogos de PC da época, até porque era esse o mercado da Accolade. E é isso que se passa com este Winter Challenge, um jogo de DOS algo antigo que acabou por ser relançado para a Mega Drive.  O meu exemplar veio de um bundle na Feira da Vandoma no Porto, ficando-me por 2.5€ por cada.

Jogo com caixa em cartão
Jogo com caixa em cartão

Os jogos olímpicos de Inverno não são muito famosos por cá e aqui neste jogo podemos participar em 8 diferentes modalidades. Uns envolvem percorrer circuitos apertados com trenós, como é o caso do Bobsled ou do Luge. Outros como o Downhill Skiing ou o Slalom colocam-nos a descer encostas geladas e a passar por uma série de obstáculos ou checkpoints. Ainda no ski temos também o Cross Country Skiing que é uma prova que exige maior resistência física o famoso Ski Jump onde os atletas saltam a grandes distâncias com o seu ski ou o Biatlo, que mistura o Ski com tiro. Por fim sobra o Speed Skating que é basicamente colocar os atletas a correr o mais rápido possível com os seus patins de gelo. Como muitos jogos deste género, a maior parte das modalidades exigem bastante button mashing para ganhar velocidade e naquelas provas em que a gestão de fatiga é crucial, também temos uma barra de stamina com que nos preocupar, pelo que o button mashing tem de ser mais doseado. De todos os desportos aquele que possui controlos mais complicados é o do salto em Ski, mas felizmente existe uma opção de treino que pode ser usada em todas as modalidades. Depois lá avançamos para a vertente de torneio, onde poderemos customizar o nosso atleta e também o dos nossos oponentes.

Graficamente parece um jogo impressionante, mas em movimento nota-se que a Mega Drive tem dificuldade em acompanhar.
Graficamente parece um jogo impressionante, mas em movimento nota-se que a Mega Drive tem dificuldade em acompanhar.

O jogo é uma adaptação de PC, visualmente, pelo menos em screenshots, é impressionante para uma Mega Drive pois os cenários vão sendo representados em 3D poligonal, e as sprites são digitalizadas. Só que infelizmente o framerate sofre bastante com isso, e naquelas provas que exigem mais velocidade, torna-se por vezes um pouco frustrante controlar o atleta. De resto, a nível audiovisual, é um jogo bem competente na minha opinião. Sinceramente eu prefiro aquele visual mais tradicional em plataformas 16bit, como a U.S.Gold conseguiu fazer no Olympic Gold, por exemplo, ao invés de gráficos num 3D ainda rudimentar. Mas isso é só a minha opinião.

Cada evento pode ser treinado vezes sem conta no modo treino.
Cada evento pode ser treinado vezes sem conta no modo treino.

Para mim, este é um daqueles jogos porreiros para se experimentar uma vez ou outra e depois encostar, pois não sou grande fã do género e apesar de ser um jogo bonitinho com gráficos pseudo 3D, a jogabilidade e o framerate acabam por sofrer um pouco.

Out Run Europa (Sega Game Gear)

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Voltando agora às rapidinhas, o jogo que cá trago é daqueles que destoam dentro de uma franchise bem conhecida e de sucesso. O Out Run original deveria dispensar quaisquer apresentações apresentações e após a U.S. Gold e Probe terem desenvolvido as conversões para a maioria dos microcomputadores populares na Europa, lá devem ter conseguido algum acordo com a Sega para desenvolverem um jogo inteiramente novo. O resultado final saiu em 1991, para uma panóplia de diferentes microcomputadores e para as consolas de 8bit da Sega. O meu exemplar da Game Gear custou-me 5€ e foi comprado há uns meses atrás na cash converters do Porto.

Jogo com caixa

Ao contrário dos OutRun mais convencionais, este jogo, tal como Battle Out Run, acaba por ser bem mais inspirado no Chase H.Q. embora tenha mais algumas influências do Out Run. Já passo a explicar. Basicamente a nossa personagem é o espião Simeon Kurtz, que persegue pela Europa uns criminosos de elite que roubaram documentos secretos. Até aqui tudo bem, vamos passeando ao longo de vários países europeus como Inglaterra, França, Espanha, Itália ou Alemanha, a bordo de diferentes veículos como uma moto, um Ferrari Testarossa, Porsche, ou mesmo um barco ao atravessar o Mediterrâneo.

Começamos por fugir de Londres numa moto, podendo dar pancada como no Road Rash!
Começamos por fugir de Londres numa moto, podendo dar pancada como no Road Rash!

A jogabilidade é algo estranha, mas já a passo a explicar. Olhando para o ecrã há 3 itens que devemos ter em consideração. O primeiro é o nosso escudo. Basicamente por cada tiro que recebemos ou colisão causada por carros inimigos, os nossos escudos diminuem. Ao passar por checkpoints ou no final de cada nível estes vão sendo restaurados em parte. Depois temos o número de balas e de turbos disponíveis, estes já podem ser apanhados como power-ups que vão sendo largados na estrada. Com estas 3 peças já estão mais ou menos a ver o que vos espera. Out Run Europa é então um jogo de corridas mas também com foco no combate. Carros inimigos e até carros da polícia vão tentar nos albarroar e/ou prender. O nível das motos até se comporta como uma espécie de Road Rash, pois podemos dar socos às motos dos nossos oponentes. Noutros podemos disparar tiros de pistola, onde muitas vezes um é suficiente para fazer explodir o carro adversário. Nos níveis onde atravessamos o mar podemos ter de enfrentar também helicópteros. E nem todos os veículos que se atravessam no nosso caminho são de maus da fita. Alguns são meros civis que apenas nos atrasam se batermos contra eles e não nos dão quaisquer pontos se forem destruídos. O melhor é evitá-los! Os turbos devem também ser aproveitados da melhor forma, pois também corremos contra o relógio e os obstáculos que enfrentamos ainda são bastantes. Por fim, às vezes teremos algumas bifurcações no caminho a escolher, um dos caminhos é mais curto mas difícil, outro mais longo mas com menor dificuldade.

Paris é atravessada à noite!
Paris é atravessada à noite!

Graficamente é um jogo que me deixa com alguns sentimentos mistos. Por um lado é extremamente bem detalhado. As estradas possuem àrvores ou casas grandes e bem detalhadas, por vezes temos até lagos de um lado e rochas do outro, os backgrounds vão sendo variados, identificando diferentes regiões de vários países europeus. É um jogo visualmente bonito, mas a custo de um framerate não tão bom. Fico bastante curioso em ver a versão Amiga a correr, pois nos screenshots parece ser excelente. As músicas, muito sinceramente gosto de duas, as restantes já não achei grande piada.

Out Run Europa é um daqueles jogos que por muitas vezes é considerado a ovelha negra da série. No entanto, e apesar de o achar realmente diferente do resto da série, acho que até acaba por ser um jogo esforçado. Simplesmente por vezes parece ser demasiado ambicioso para um sistema como a Master System ou Game Gear. Mas estou mesmo curioso com a versão Amiga.

Turbo OutRun (Sega Mega Drive)

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OutRun é um clássico que dispensa apresentações, uma obra prima de Yu Suzuki. E depois de inúmeras conversões para os mais variados sistemas, ou lançamento de várias sequelas espirituais para a Master System, podemos considerar este Turbo OutRun como a primeira verdadeira sequela do clássico das arcades, pois foi produzido também pela AM2. No entanto era uma experiência bem mais linear que o original e infelizmente a conversão para a Mega Drive também não foi propriamente a melhor, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado a um particular no final de 2016, tendo-me custado 15€.

Jogo com caixa e manual. Curiosamente esta conversão nunca saiu nos Estados Unidos

Aqui o conceito do jogo leva-nos desta vez a participar numa viagem pelos Estados Unidos da América, começando por Nova Iorque e atravessando vários estados até chegar a Los Angeles. A primeira coisa que reparamos é precisamente na linearidade do jogo, não existindo mais bifurcações nos caminhos. Vamos no entanto fazer algumas pausas ao longo do trajecto, onde poderemos escolher um de 3 upgrades disponíveis para o nosso carro: melhor motor, melhores pneus ou um turbo superior. Turbo? Sim, o nosso Ferrari F-40 está equipado com um boost que nos permite atingir velocidades vertiginosas. Deve no entanto ser usado com prudência pois corremos o risco de entrar em sobreaquecimento e depois sermos penalizados a conduzir lentamente até o carro recuperar. Há também outros obstáculos que nos podem atrasar, como sinais de trânsito ou mesmo carros de polícia que se tentam atravessar no nosso caminho.

Abusar do turbo resulta em sobreaquecimento do carro. Mesmo na neve!
Abusar do turbo resulta em sobreaquecimento do carro. Mesmo na neve!

É então um jogo bem mais linear que o original, onde a única escolha que fazemos é qual o upgrade queremos escolher em cada pausa. Nem a música podemos escolher, pois cada segmento tem a sua própria música. Mas no entanto, mesmo sendo um jogo linear, não deixava de ser tecnicamente impressionante nas arcades. A sua técnica de sprite scaling foi mais uma vez bem usada, resultando em circuitos bem detalhados e uma excelente sensação de velocidade. Para além disso o jogo introduziu efeitos atmosféricos como chuva, neve ou tempestades de areia. Esta versão para a Mega Drive trouxe tudo isso, mas tal como na conversão do OutRun original tiveram de ser feitos alguns sacrifícios, pelo que os gráficos não são tão bons e as músicas infelizmente também não. A certas alturas até parece ser uma conversão que ficou uns furos abaixo da do OutRun original, algo que certamente é explicado por ter sido a Tiertex e não a Sega a tratar da conversão.

Apesar de tecnicamente esta conversão para a Mega Drive não ser a mais desejável, e mesmo este Turbo OutRun ser um jogo bem mais linear que o original, sem o mesmo apelo de uma viagem descontraída, não deixa de ser um bom jogo de corridas. E acreditem, no universo de OutRun há muito pior.

Olympic Gold (Sega Mega Drive)

47842_frontPara continuar com as rapidinhas, de forma a colmatar um pouco a minha inactividade nos últimos tempos, vou trazer cá mais um jogo desportivo. Na verdade este Olympic Gold, que era o videojogo oficial dos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 acaba por ser a segunda versão que venho a ter do mesmo jogo. A primeira tinha sido para a Master System e pode ser lida aqui. Esta versão Mega Drive possui o mesmo conteúdo, mas com gráficos e som muito superiores. O meu exemplar veio da feira da Vandoma no Porto, tendo sido comprado em bundle que acabou por me ficar por 2.5€ por cada jogo. Edit: Neste mês de Fevereiro de 2020 arranjei uma cópia completa numa feira de velharias por 2€.

Jogo com caixa e manual

Tal como referido acima, aqui temos as mesmas 7 modalidades para competir, entre as quais a corrida de 100 metros, ou 110m barreiras, 200m de natação, mergulho, tiro com flecha, salto à vara ou lançamento do martelo. E como seria de esperar desde o Track & Field, todos os eventos consistem em button mashing e combinações de outros botões no momento certo, como carregar para cima para saltar sobre as barreiras, ou carregar para baixo para pousar a vara e logo depois para cima de forma a saltar sobre a barra. O mergulho continua a ser de longe aquele que mais trabalho dá, embora seja possível assistir a algumas demonstrações para nos habituarmos aos controlos. Portanto para quem jogou o Track and Field ou outras versões deste mesmo jogo, já sabe perfeitamente o que esperar. De resto há suporte a multiplayer que pode ir até 4 jogadores e a hipótese de treinar ou escolher um número menor de provas a participar, se não quisermos jogar em todas as sete.

Graficamente é um jogo muito bem detalhado, e surpreendentemente as músicas são ainda melhores
Graficamente é um jogo muito bem detalhado, e surpreendentemente as músicas são ainda melhores

A nível gráfico este é um jogo muito bem detalhado e colorido, com os estádios bem animados e detalhados, assim como os atletas que possuem sempre sprites grandinhas. As músicas estranhamente são muito boas para um jogo deste género e depois aqueles pormenores como os hinos nacionais a tocarem de cada vez que ganhamos uma medalha de ouro também foram muito bem metidos.

Do ponto de vista técnico, esta versão é claramente superior à Master System. Do ponto de vista de jogabilidade, ambas partilham exactamente das mesmas mecânicas de jogo, se bem que sinceramente não tenho tempo de jogo suficiente tanto numa versão como na outra, de forma a poder afirmar qual sai a ganhar, pois não são jogos que aprecie assim tanto. Mas parece-me mesmo ser uma obra bem competente para quem gostar de videojogos relacionados com o atletismo e só é pena não haverem mais provas onde participar.