GP Rider (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas na Master System, o jogo que cá trago hoje é uma curiosa adaptação de um título arcade, o GP Rider. O original foi lançado em 1990 nas arcadas, no sistema Sega X, um poderoso sistema 16bit responsável por correr outros jogos como After Burner ou a versão arcade do Super Monaco GP, tudo jogos com um sprite scaling impressionante, pelo que não deixa de ser surpreendente como é que a Sega, em 1993, decide converter esse jogo para as suas consolas de 8bit apenas. Naturalmente esta versão Master System é tecnicamente muito inferior, mas já lá vamos. O meu exemplar do jogo foi comprado a um particular no mês de Maio, tendo-me custado 5€.

Jogo com caixa

Bom, inicialmente dispomos de 3 modos de jogo, o Arcade onde conduzimos num circuito próprio, o Grand Prix, onde temos uma temporada pela frente ao longo de vários circuitos e por fim temos também o Tournament mode, onde poderemos escolher livremente em quais pistas queremos concorrer e a sua ordem. Mas a primeira coisa que salta à vista neste jogo é, quer joguemos sozinhos ou com um amigo, o jogo está sempre em split screen. Para além disso, o jogador 1 é sempre o da parte inferior do ecrã, o que é o contrário do habitual e no início ainda me confundiu bastante.

Mesmo jogando sozinhos, o jogo está sempre em split screen. Mas o pior é que o jogador 1 é sempre o de baixo, quando costuma ser ao contrário

Por outro lado, em qualquer dos modos de jogo que escolhemos, somos sempre obrigados a correr uma volta de qualificação para definir o nosso lugar na grelha de partida. Depois, antes da corrida principal podemos também customizar a nossa moto. No modo arcade as customizações são mínimas, mas nos outros modos podemos mudar a potência do motor, trocar os pneus para tempo seco ou de chuva (antes de cada corrida é-nos dito qual o estado metereológico), entre outras customizações, como a caixa de mudanças. De resto temos de ter também atenção ao tempo limite para passar entre checkpoints, caso chegue a zero, é nos dito no ecrã que ficamos sem combustível. Se escolhermos um motor mais potente, o cronómetro anda mais rápido!

No que diz respeito aos audiovisuais, apesar deste jogo estar longe da versão arcade original (muito longe mesmo!), não deixa no entanto de ser bem competente na Master System. Os menus estão muito estilosos, a música é agradável, o jogo possui algumas vozes digitalizadas com muita qualidade e os cenários até que estão bem detalhados e coloridos, dentro do expectável, é claro.

Pelo menos nos audiovisuais este foi um jogo bem cuidado

Portanto este GP Rider é um jogo de corridas algo peculiar, possui os seus defeitos, como o split screen forçado e ao contrário do normal, mas possui também outros pormenores bem interessantes num jogo para a Master System. Existe também uma conversão para a Game Gear que pelo que me lembro, acaba por ser superior a esta, pelo que recomendo que a espreitem também.

Cool Spot (Sega Master System)

Mais uma super rapidinha, pois já abordei o jogo que cá vou trazer hoje, que é nada mais nada menos que a adaptação para a Master System do Cool Spot, um interessante jogo de plataformas da Virgin sobre uma pinta vermelha que, nos Estados Unidos, era conhecida por ser a mascote da 7up. Aqui na Europa esse papel era desempenhado pelo Fido Dido, que curiosamente quase que veio a ter um videojogo também. O meu exemplar foi comprado algures durante o mês de Maio a um particular, tendo-me custado uns 5€.

Jogo com caixa

Bom, apesar de eu preferir de longe a versão Mega Drive, esta versão 8bit é mais modesta comparando com o original e quase idêntica à versão Game Gear que também a tenho na colecção. Na verdade, fica a ganhar pela maior resolução face ao ecrã da portátil. De resto, mantém-se uma boa conversão de um jogo de 16bit, com uma boa jogabilidade e gráficos coloridos e bem animados.

The Lost Vikings (Sega Mega Drive)

The Lost Vikings é, a meu ver, um dos maiores clássicos da era 16-bit. Desenvolvido pela Silicon & Synapse, o estúdio que mais tarde veio a ser conhecido por Blizzard Entertainment, o jogo conta a história de 3 Vikings que são raptados por extraterrestres e que, para fugirem e voltarem às suas casas, têm de atravessar vários níveis em diferentes períodos históricos. É um excelente exemplo de um jogo que mistura o platforming com puzzles, visto que cada Viking possui diferentes habilidades e teremos de tirar todo o proveito das mesmas. Para além disso, a versão Mega Drive é na minha opinião a superior, por incluir mais níveis que as restantes. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado algures durante o mês de Abril numa das minhas idas à feira. Custou-me 2€.

Jogo com caixa e manuais

Como já referi acima, os protagonistas deste jogo são três Vikings: Erik, Baleog e Olaf. Foram raptados pelo alien Tomator, líder do império Croutoniano, que colecciona espécimens de seres vivos na sua nave espacial. É ao tentarmos escapar da nave onde vamos aprendendo as mecânicas base de jogo. Erik é o Viking mais ágil, o que corre mais rápido, o único com a capacidade de saltar e consegue destruir paredes ao albarroá-las com o seu capacete. Baleog é o único Viking que pode atacar os inimigos, seja com a sua espada ou com arco e flecha (se bem que este último também pode dar jeito para activar botões e alavancas, por exemplo). Por fim, Olaf, está munido apenas do seu escudo, capaz de bloquear qualquer inimigo ou projéctil, mas que também pode servir de plataforma ou de planador, permitindo Olaf deslizar suavemente em queda livre.

O objectivo de cada nível é o de levar os três Vikings em segurança até à saída.

Para além disso, cada Viking tem uma barra de vida de 3 pontos, bem como a capacidade de armazenar 4 itens, podendo depois trocar de itens entre si, logo que estejam próximos uns dos outros. Logo no início teremos de aprender estas habilidades básicas de cada um para escapar da nave espacial, só que quando conseguimos finalmente fugir, somos transportados para a pré-história, onde teremos níveis cada vez mais complexos para atravessar. Ao longo do jogo iremos atravessar outros períodos como o antigo Egipto ou uma fábrica gigante, onde iremos ter puzzles cada vez mais complexos para resolver. Para chegar ao final de um nível, temos de conduzir os 3 Vikings com segurança até à saída, sendo que para isso teremos sempre vários obstáculos para ultrapassar, inimigos para combater (ou evitar), chaves para procurar ou botões para interagir. Portanto muitas vezes vamos ser obrigados a tentar o mesmo nível novamente, até finalmente conseguirmos sozinhos chegar à sua solução.

Cada Viking possui diferentes habilidades. Olaf, apesar de ser o mais pesado, pode “planar” com o seu largo escudo.

Felizmente também temos vários itens que poderemos usar para nos ajudar. Todos os power ups de comida servem para regenerar parcialmente ou totalmente a barra de vida do Viking que o usa. Outros itens podem ser coisas como bombas capazes de destruir objectos ou outras que destroem todos os inimigos presentes no ecrã. Temos também updates como flechas de fogo, capazes de destruir alguns inimigos previamente indestrutíveis ou que precisassem de vários golpes. Depois temos também outros objectos mais específicos para cada nível, como ferramentas para reparar máquinas (nos níveis da fábrica), ou botas de gravidade para salas sem gravidade.

A nível audiovisual este até que é um jogo muito bem conseguido na minha opinião. Tanto os Vikings, como os inimigos ou mesmo os cenários estão muito bem desenhados, pelo menos o estilo mais cartoon é bastante do meu agrado. Para além disso, o que mais me agrada mesmo são os diálogos repletos de humor e sarcasmo! As músicas são também muito agradáveis e alegres, retendo sempre algo da temática do nível nas suas melodias. Por exemplo, na pré-história a música tem sempre alguns contornos tribais, enquanto no deserto temos ali algumas melodias egípcias. Noutros locais há ali uma mistura interessante entre música electrónica e rock, que também me agrada.

Uma das coisas que mais gostei neste jogo é sem dúvida do seu sentido de humor.

Portanto, no final de contas, este The Lost Vikings é um jogo excelente, misturando de forma brilhante o platforming tradicional dos anos 90 com elementos de puzzle que nos vão dar muito que pensar e obrigar a explorar cada nível ao máximo até alcançar a solução. O jogo acabou por receber uma sequela alguns anos depois em 1997. Das máquinas de 16bit, só a SNES recebeu uma versão, que aparentemente utiliza o mesmo motor gráfico do clássico. O PC, Saturn e PS1 já receberam uma versão tecnicamente mais avançada que gostaria de mais tarde tê-la na colecção.

Galaxy Force II (Sega Mega Drive)

Principalmente a partir da segunda metade da década de 80, a maior parte dos jogos arcade da Sega usavam a tecnologia “super scaler”, cujo hardware permitia manipular sprites, principalmente o controlo da sua ampliação e/ou rotação de uma maneira muito fluída. Isto resultou em excelentes jogos de corrida como Out Run, Hang-On ou Power Drift, e em jogos de acção como Space Harrier, After Burner ou Galaxy Force. Este Galaxy Force II não foge à regra e, tal como o After Burner II não é uma verdadeira sequela do original, mas sim um upgrade, com mais 2 níveis extra e algumas mudanças na jogabilidade. O meu exemplar foi-me oferecido por um particular no passado mês de Abril.

Jogo com caixa e manual

O primeiro Galaxy Force teve uma conversão (muito modesta) para a Sega Master System, que já analisei aqui, pelo que também recomendo a sua leitura. O que é que difere aqui, para além das melhorias técnicas que irei referir mais à frente: desta vez temos 5 níveis iniciais, todos passados em diferentes planetas, mas a ordem pela qual os jogamos é completamente indiferente. Já o último nível apenas pode ser jogado quando terminarmos os primeiros cinco. Depois a jogabilidade é simples, onde podemos aumentar ou diminuir a velocidade da nossa nave e disparar lasers ou mísseis inteligentes, capazes de fazer lock on nas naves inimigas. Esta é a arma a utilizar e ao longo do jogo vamos receber upgrades que nos permitem fazer lock até um máximo de 6 inimigos em simultâneo.

Nesta versão temos a liberdade de escolher oa ordem pela qual jogamos os primeiros 5 níveis.

Depois temos o tradeoff entre velocidade e “combustível”. Ao longo do jogo temos um contador de energia que vai estando constantemente a decrescer, independentemente da velocidade a que viajamos. Ora eventualmente passamos alguns checkpoints que nos restabelecem os níveis de energia, mas é no final de cada nível, ao atribuir a pontuação por cada inimigo abatido, onde vamos buscar mais energia para a nossa nave. Teremos então de alternar entre navegar rápido de forma a chegar rapidamente ao final, gastando o mínimo de combustível, mas também a preocupação em destruir o maior número de inimigos, o que é difícil se viajarmos muito rápido. Os níveis de energia também diminuem sempre que somos atingidos por inimigos, ou embatemos nalguma parede.

Isto porque cada nível está dividido em zonas abertas, muito parecidas a jogos como Space Harrier ou After Burner, mas também vamos ter de atravessar algumas fortalezas e os seus túneis, podendo ter mais do que um túnel para explorar em cada nível. Infelizmente o efeito 3D destes túneis deixa muito a desejar (na Mega Drive), pelo que por vezes acabamos por embater nas suas paredes por não conseguirmos discernir bem qual a nossa posição num plano tridimensional.

Apesar de ainda estar longe da qualidade do original de arcade, esta versão ainda tem os seus momentos

De resto a nível gráfico, para além dos túneis não estarem grande coisa como já mencionado, esta versão acaba por ser naturalmente muito superior à Master System, embora ainda esteja longe da maestria da versão arcade. Vamos tendo vários inimigos para destruir, alguns bem detalhados e é muito porreiro estarmos a viajar por um mundo vulcânico e ver serpentes de fogo a atravessarem o ecrã, ou tornados de areia no deserto. Pequenos detalhes que resultaram bem aqui, embora naturalmente na versão arcade o efeito “uau” seja muito superior. A música é também um ponto forte no jogo, com as melodias a terem um misto de jazz e música electrónica que até me agradou bastante.

A sensação de profundidade nestes segmentos de túneis não é tão boa e na minha opinião é o que mais mancha o jogo.

Portanto, este acaba por ser um bom jogo de acção, mas ainda está longe de ser uma adaptação perfeita da versão arcade. A versão que saiu na Sega Saturn (apenas no Japão) anos mais tarde acaba por ser muito superior, mas o jogo também levou um belo tratamento em 3D para a Nintendo Store da 3DS, cuja versão já li excelentes críticas.

FIFA 98: Road to the World Cup (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, mas agora para a Mega Drive, hoje trago-vos cá a sua versão do FIFA 98. Este jogo ainda lhe dispensei umas valentes horas, mas na sua versão PC. A música dos Blur a abrir e a excelente jogabilidade tornaram este jogo num clássico! A versão Mega Drive uma vez mais usa o mesmo motor gráfico em perspectiva isométrica dos seus predecessores, mas inclui também uma série de novidades. O meu exemplar foi comprado numa loja algures durante o mês de Abril por quase 7€.

Jogo com caixa e manual. A capa está em português, embora o jogador seja espanhol

Aqui como habitual podemos participar numa série de campeonatos, torneios, jogos amigáveis, penáltis, um modo de treino que descreverei com mais detalhe lá para a frente e claro, a participação no campeonato do mundo da França em 1998. Este é o principal modo de jogo e até que está bastante completo, pois teremos de começar pela fase de qualifcação para o mundial! O modo de treino permite-nos treinar pontapés de canto, livres, de baliza, lançamento ou outras jogadas, mas é pena que não tenha uma espécie de modo de tutorial.

Graficamente não há muita coisa que mude no jogo em si

Neste jogo aumentaram o número de equipas disponíveis para 172, muitas delas com os nomes reais dos jogadores, e o número de campeonatos jogáveis para 11. Lamentavelmente ainda não tínhamos aqui o campeonato português, mas tudo bem. Podemos no entanto também criar jogadores ou equipas customizadas, e o jogo apresenta-nos também várias opções que permitem alterar as mecânicas de jogo, como a activação ou não de faltas, foras-de-jogo, lesões e fadiga (para quando fazemos sprints!).

Como sempre podemos fazer substituições, ou alterar a táctica utilizada!

No que diz respeito à apresentação e audiovisuais, o jogo mantém o mesmo motor gráfico desde sempre, pelo que já sabem com o que contar. No entanto as animações e a fluidez de jogo parecem-me estar um pouco piores desta vez. Para além disso, sempre que se marca um golo, o ecrã fica preto por uns segundos, algo que não acontecia antes. Por outro lado os menus, as animações dos golos e os efeitos sonoros, particularmente os do público, estão muito bons, a meu ver. As músicas, que só existem nos menus, estão também agradáveis.

Portanto, este FIFA 98 acaba por ser um jogo interessante, mas cujas novidades vieram também com alguns pequenos problemas de performance. A Mega Drive possui as suas limitações e por esta altura já pouco se justificava o lançamento de um novo FIFA para esta consola. Mas este jogo foi dos últimos a serem lançados por cá, o que também não deixa de ser interessante.